Reflexos De Sophie.

28 Um Possível Conto De Fadas.


Notas iniciais
Boa noite pessoas lindas! Bom quero agradecer as meninas que me favoritaram: LUKA MEGURINI, Aleya e CherrieBomb.
Eu demorei hoje de postar um capítulo, mas finalmente minha criatividade chegou tarde, melhor do que nunca né? Quero deixar um link de um vídeo que me ajudou na inspiração, quem quiser vale mesmo a pena ler e ouvir a música linda demais:
https://www.youtube.com/watch?v=jskyqPEIiG4&list=SP0BD69368AB943C89

Beijos e Boa Leitura *_*

Minha cabeça estava um pouco pesada, meus olhos aos poucos foram recebendo as frestas de luminosidade do dia, eu olhei aquele teto branco sem vida aparentemente e assim que minha consciência foi recuperando-se eu me dei conta que não estava em um lugar conhecido. Era um quarto com paredes em tons leves, a decoração era bem sutil nada exagerado, tentei arrastar meu corpo saindo daquela cama enquanto eu caminhava pelo quarto. Olhei tudo ao redor com bastante atenção, em cima da escrivaninha que tinha um notebook havia um mural repleto de fotos, alguns rostos desconhecidos e vários com meus pais.

- Bom dia Querida

Era aquela voz suave e calma que invadia meus ouvidos, eu me virei para trás, seria uma assombração? Era meu pai em pé na porta com uma bandeja de café da manhã, ele sempre fazia isso quando era meu aniversário. Minha mãe permanecia ao seu lado enquanto apenas senti meu coração apertar, meus olhos rapidamente embaçaram. Eram eles, meus pais, minha ferida jamais cicatrizada.

- Não chora meu amor

Minha mãe se aproximou de mim sem entender muito o que estava acontecendo. Aquele perfume de lavanda jamais saiu da minha memória, seus braços carinhosos envolveram meu corpo, eu a abracei com toda força que eu podia. Era real, podia sentir seu cheiro, seu calor, aquela história de reino e toda aquela merda de morte tinha sido nada mais do que um sonho, um pesadelo eu diria.

- Acordou na tpm de novo?

Meu pai me olhou com um ar de brincalhão enquanto minha mãe passava seus dedos em meus cabelos e eu abri um sorriso. Caminhei em sua direção enquanto ele deixava a bandeja em cima da minha cama e o abracei também o mais forte que consegui. Assim que nos afastamos ele me deu um beijo na testa e concluiu:

- Estamos feliz por nossa menininha completar 17 anos.

- Eu estou feliz por ter vocês na minha vida, senti saudades. Tentei me expressar por mais que aquilo soasse uma completa loucura para eles.

- Nós também. Então, vá se arrumar para o colégio e não se esqueça do convite para seus amigos.

- Mãe...

- Oi filha?

- Eu te amo.

- Eu também.

Minha mãe me avisou, era bom lembrar aquele jeito dela mandona de ser, eu sorri concordando enquanto ia para o banheiro. Como isso poderia estar acontecendo? Eu estava confusa, será que eu tinha ficado louca com aquela história de reino, morte dos meus pais? Eu acho que aquilo não tinha passado de uma fantasia, um sonho literalmente, até porque para mim eles permaneciam bem vivos na minha frente. Como eu senti falta deles, era uma alegria sem tamanho dentro de mim.

Assim que terminei de tomar banho coloquei uma roupa que minha mãe praticamente havia escolhido para mim, ela gostava de fazer isso apenas no meu aniversário, como se fosse alguma "tradição". Era um vestidinho lindo e uma sapatilha, nada muito chamativo porém bem sofisticado e elegante, finalizando o meu café da manhã ainda na bandeja eu corri para a sala carregando minha suposta bolsa e os livros.

- Vamos? Irei lhe levar hoje.

Era meu pai como sempre agradável. Ele era alto, moreno com seus olhos claros, realmente de chamar atenção e minha mãe devia ter muito trabalho, mas os dois se amavam. Era incrível ver que em tudo eles combinavam, claro que as vezes brigavam e discutiam, mas sempre voltavam as pazes, meu pai sempre foi romântico então levava flores, fazia um jantar, arranjava sempre uma forma de surpreendê-la. Minha mãe é linda, seus cabelos era um castanho claro e seus olhos vibrantes um mel esverdeado. Eles se despediram com um selinho e minha mãe me avisou.

- Então querida, quando voltar a Julie estará aqui, acertará os detalhes finais da sua festa e sua fantasia buscarei mais tarde ok? Tenha uma boa aula.

Eu sorri a olhando enquanto dava um beijo novamente no seu rosto e caminhei até a garagem, quando passamos pelo jardim eu olhei a baita festa que estava sendo feita ali, sinceramente aquela casa era como uma mini mansão, lindíssima e eu naquele momento era a menina mais feliz do mundo, não pelo dinheiro, mas sim por ter meus pais de volta. Conversei muito no carro com meu pai, me diverti e dei tantas risadas das suas piadas, ele era sempre palhaço e por isso eu e minha mãe nos divertíamos tanto com ele.

- Nada de beijar nenhum garoto lá na festa hein?

- Ah pai, um dia terei que namorar sabe? — Eu o provoquei

- Só depois de 30 anos e olhe lá

- Aí ninguém vai me querer — Eu ri.

- A pessoa que estiver com você querida, será o cara mais sortudo do mundo.

Aquilo tocou em mim de verdade, eu olhei para o meu pai e esbocei o meu melhor sorriso. Ele já havia estacionado o carro perto da minha suposta escola. Eu o abracei forte dando-lhe um beijo na bochecha e olhei diretamente em seus olhos.

- Eu te amo pai, é o melhor pai do mundo.

- Eu também te amo minha pequena.

Nós dois sorrimos e decidi sair do carro, eu tinha me emocionado demais, algumas lágrimas rolavam pelo meu rosto, talvez pela intensidade da situação em que me encontrava. Eu não sei quando aquilo poderia ser tirado de mim, teria que me certificar que eles haviam ouvido o meu último: eu te amo.

Eu suspirei e caminhei pelo jardim imenso, olhei a placa e dizia: Peter Woods School. Olhei para todo o jardim e muitas pessoas me encaravam, caminhei até as escadas e subi até chegar ao corredor e por estranho mais do que pareça ainda continuavam me olhando até que ouvi um barulho intenso de apitos.

- PARABÉNS SOPHIE!

Era uma faixa enorme segurada por duas pessoas na ponta, olhei novamente e senti várias pessoas ao meu redor e alguns rostos reconhecíveis:

- Ahh Parabéns Queen

Era o Noah enquanto me abraçava apertado e me dava um beijo na testa, em seguida o Paul veio me cumprimentar esboçando um sorriso enorme. Eu olhei para frente e fui surpreendida com um selinho

- Parabéns meu amor

Eu fiquei parada espantada, não podia acreditar naquela situação, era o John. Espera...

- Amor? — Eu o olhei enquanto ele colocava seus dois braços envolta do meu ombro.

- Claro minha princesa, seu aniversário de 17 anos, trouxe um presente simples, espero que você goste.

Eu abri uma caixinha e tinha uma corrente, na verdade era bonitinha um pingente com um coração, porém com nossos nomes gravados. Eu olhei envolta e todos soltaram um : "ownnn".

- Espera, deixa que eu coloco.

Ele fez questão de colocar sobre o meu pescoço e em seguida eu ainda continuei assustada porém dando um sorriso no rosto sem acreditar naquela situação louca.

- A aniversariante precisa de espaço, vem amiga.

Eu olhei para o meu lado e era a Priscila que segurava o meu braço e me arrastava para o banheiro. Assim que entramos eu fiquei respirando profundo enquanto tentava processar aquela loucura toda.

- Então, você e o John já...?

- O que? Nãoo — Eu protestei entendo a sua malícia.

- Quanto tempo estamos juntos? — Eu olhei para Priscila enquanto ela permanecia incrédula.

- Ai, você e sua mania de nem prestar atenção. Estão ficando há duas semanas.

- E somos amigas eu e você?

- Aii Sophie, acordou hoje para me pertubar não é? Parabéns minha amiga, hoje eu sei que a festa será um arrazo.

Ela me abraçou enquanto eu ainda permanecia quieta e estátua por aquela situação embaraçosa. Ouvimos o sinal tocar e resolvi ir depois, olhei para meu reflexo no espelho e suspirei:

- Isso só pode ser uma grande piada não é?

Tentei lavar o meu rosto e foi quando uma menina de aparelho com os cabelos presos me olhou com um pouco de receio.

- Desculpa Queen Soph, eu.. deveria...

- Natália?

Eu me assustei, realmente era ela com aquele monte de ferro na boca enquanto segurava seus livros , praticamente os abraçando. Meu Deus eu só podia ser a Queen Bitch no colégio agora, todos me olhavam e.... OMG eu era uma barbie fake. Literalmente uma barbie fake.

- Sim... eu mesma.. alteza.

- Alteza? Pode me chamar de Sophie, já está bom.

- Mas... você mesmo que ordenou...

- Esquece o que eu já fiz, hoje é um novo dia...

Ela saiu do banheiro um pouco confusa e eu mais ainda, será que eu era uma Queen Bitch? Me senti uma Blair Waldorf, exatamente tirada de Gossip Girl. Assim que caminhei pelos corredores era uma alívio não ter ninguém, sinal que a aula já tinha começado. Eu entrei na sala que por sorte tinha em um papel anotado no meu caderno, assim que abri a porta eu ouvi algumas pessoas comentando e caminhei para uma carteira vazia no meio, olhei em volta e lá estava ele do meu lado.

- Olá Bruce.

- O...i

Ele falou um pouco cabisbaixo, olhei para o seu rosto e notei que estava com um óculos, era um verdadeiro estilo "nerd", não pelos óculos, mas pelas roupas, atitude, o seu conjunto. Não demorando muito a aula tocou, as pessoas saíram o que me fez deduzir que ele ficaria ali o intervalo todo. Eu me virei na sua direção ainda sentada e o encarei.

- O que houve com você?

- Nad...a, eu vou sair se quiser ficar sozinha.

- Não quero que saia. Eu tenho sido tão ruim assim que todos odeiam?

- Com todo respeito? Sim.

Eu ri pela honestidade e uma altura dessa ele também sorriu me olhando pela primeira vez sem medo de alguma coisa. Lá estava aqueles olhos de mel vibrantes enquanto seu sorriso surgia nos lábios.

- Quero lhe entregar uma coisa

- O que?

Eu abri minha bolsa e peguei o convite e o entreguei, ele me olhou um pouco confuso.

- Não acha que eu sei que você vai zoar de mim lá?

- O que? Claro que não Bruce, é a primeira pessoa que lhe entrego isso.

- O que deu em você Sophie?

Ele se exaltou me olhando enquanto permanecia confuso. Aquela era uma boa pergunta.

- O que deu em mim? Eu acordei de um pesadelo horrível. Sabe o que é perder seus pais? Eu abri meus olhos e vi que eles estavam ali, só que eu chego aqui no colégio e está tudo diferente, sou uma idiota queen, alteza sei lá de que porra e eu não sou essa menina Bruce, é isso que aconteceu.

- Sério? Perder os pais.. você pegou pesado dessa vez

Ele se levantou e eu fiquei confusa, não entendi o que tinha significado aquilo, caminhei mais rápido em sua direção enquanto o olhava de frente e seus olhos pareciam embaçados.

- O que eu fiz?

- Está com amnésia Queen Sophie? Perdi meus pais ano passado em um acidente. — Ele falou com uma certa ironia carregada de dor.

- Bruce... eu ... lamento. Eu não...

Ele suspirou e eu lentamente retirei seus óculos, olhei para seu rosto que permanecia assustado me olhando e a ponta dos meus dedos foram para sua bochecha, passei a ponta do meu dedo pelo trajeto da lágrima e fiquei o olhando e ele não teve reação alguma, aproximei mais o meu rosto do seu e encostei meus lábios na sua bochecha salgada. Assim que me afastei eu o olhei e sua respiração estava rápida.

- É importante pra mim que você esteja lá.

Ele não disse nada, apenas pegou o óculos da minha mão e seguiu correndo para fora da porta. Que diabos tinha sido aquilo? Eu estava tentando provar a um Bruce Nerd que eu não era uma Bitch? Os papéis tinham realmente se invertido em uma situação intensa. Eu caminhei pelos corredores e fui até o refeitório, tinham muitas pessoas enquanto todos me olhavam.

- Oi gatinha, aí está você

John veio me dar outro selinho e tentei desviar dando um sorriso simpático e olhando para todos na mesa enquanto me chamavam para sentar com eles.

- Tenho um anúncio a fazer.

- O que? — Paul me olhava enquanto comia o sanduíche.

Eu subi no banco e assim me coloquei em cima da mesa, todos me olhavam estranho e de repente todo o refeitório estava em silêncio.

- Eu sei que tenho sido uma má pessoa ultimamente, uma Queen Bitch de verdade. Queria pedir a desculpas a todos que ofendi e humilhei, não sou mais aquela menina fútil e sinceramente o que venho lhes pedir hoje além do perdão é uma forma de reconhecimento. Estão hoje todos convidados para o meu aniversário, afinal quem não gosta de uma bebida ou comida de graça?

Eu olhei para todos e muitos riram da minha "piadinha". Abri a minha bolsa e peguei todos os convites e joguei para cima enquanto vários voavam e se espalhavam, muitas pessoas pegaram e quando desci da mesa meus amigos simplesmente estavam boquiabertos. Coloquei minha mão atrás do meu pescoço e tirei o colar olhando para o John

- Agradeço pelo presente de verdade, porém não mereço tanta afetividade. Deverás guardar para alguém que a mereça de você.

Eu coloquei sobre a sua mão e encostei meus lábios na sua testa enquanto sorria e ele permaneceu ali em pé me olhando sem acreditar nas minhas atitudes repentinas. Eu tinha que sair dali sinceramente, precisava respirar. Caminhei para fora daquele refeitório que estava distraído pelas entregas dos convites e caminhei até o jardim do campo de futebol que parecia quieto e sereno, fui até as arquibancadas e me sentei sozinha enquanto respirava. Sim eu estava confusa e perdida, o que tinha sido aquilo tudo? Eu havia perdido dois anos da minha vida? Eu só podia ter estado em coma ou algo do tipo, eu não conseguia me lembrar de nada, apenas de que em uma noite eu estava com o Nathan e Bruce e no outro dia acordar naquele "mini conto de fadas".

- O que aconteceu com você?

- O que quer dizer?

- Digo... na sala de aula e agora no refeitório?

- Quis retratar o que eu já fiz.

- Não... eu digo, você não é aquela Sophie, é diferente...

Era ele, com aqueles olhos mesmo com óculos permaneciam intensos e vibrantes. Bruce caminhou até o meu lado da arquibancada e sentou-se ao meu lado enquanto eu permanecia olhando o "nada"

- Nós costumávamos ser amigos de infância, até que um dia no colegial você começou a andar com Priscila e foi mudando.

Eu o olhei, ele permanecia inundado de lembranças que não faziam parte de mim, talvez era realmente outra Sophie, mas como? Meus pais ainda eram os mesmos e algumas pessoas tinham em comum, inclusive ele. Eu olhei a sua mão que estava pausada na arquibancada e a segurei, senti nossos dedos percorrerem um pelo outro enquanto o olhava

- Eu não vou te deixar escapar mais tá?

Ele esboçou um sorriso e com sua outra mão alisou uma mecha do meu cabelo, aquele toque no meu rosto foi o suficiente para que eu sentisse choque e uma energia inevitável, aos poucos nossos rostos foram se aproximando, ainda era possível sentir seu cheiro e o seu calor enquanto seus lábios deslizavam sobre a minha testa e aos poucos fui apoiando a minha cabeça no seu ombro. Suspirei intensamente enquanto permanecia ali com a nova versão do Bruce e seus dedos entrelaçados na minha mão.

Notas finais
O que acharam?? Realmente a opinião de vocês conta muito gente *_*