Reflexos De Sophie.
13 Segunda Feira De Surpresas.
Notas iniciais
Como sempre aquela semana seria entediante e a saudade do meu reino acontecia todos os dias, eu havia fechado meus olhos várias vezes diante do espelho e nada acontecia, a dica do Nathan não funcionou mais uma vez, qual era o meu problema? Acho que nem o espelho me aceitava.
Era plena segunda feira e tudo começaria novamente, eu me arrumei, coloquei uma roupa como sempre de todos os dias, nada muito chamativo, porque as meninas se arrumavam parecendo que iam a uma festa, de salto alto e vestidos lindíssimos, mas pra que tudo isso? Putz... aquilo eu usaria em um casamento, aniversário chique, sei lá algo do tipo, não era preciso aquele exagero todo.
A aula foi chata como sempre, assim que chegou a hora do intervalo era aquele momento que meu verdadeiro eu que surgia, como de costume eu peguei a minha bandeja e me sentei em uma mesa sozinha, coloquei meu fone e fiquei ouvindo aquela música que sempre adorava, sinceramente aquele CD estava demais, eu comi meu lanche e não ouvia nada, era bom estar em um momento só meu e sem ter que ouvir aquele barulho insuportável e muito menos os gritinhos das Barbie's Fake.
They won’t see me run
Who can blame them
They never look to see me fly
So I never had to lie
I won’t fall asleep
Eles não me verão correr.
Quem pode culpá-los?
Eles nunca olharam para ver-me voar.
Então nunca tive que mentir.
Não adormecerei
Então foi quando eu senti uma mão no meu ombro, tive um susto por isso sinceramente, assim que tirei meus fones eu olhei para o lado e era o Noah sorrindo. Havia me esquecido o quanto ele era lindo de verdade, era um desperdício de homem. Seus olhos estavam mais claros e seu sorriso era imenso no rosto.
– Bom dia Soph's. — Sim ele já estava ficando "íntimo"
– Bom dia Noah, o que precisa?
– Nada, porque acha isso?
– Porque você se aproxima quando quer algo. Quer que eu te beije para que acreditem que você gosta de mulher?
– Nossa você acordou de mal humor hoje hein? Sophie eu falo com você porque gosto de você e como amigos eu sei que podia contar com você mas... esquece não precisa mais...
Eu me senti mal por isso, sim eu estava irritada talvez fosse uma mistura da minha TPM com o fato de que eu não conseguia mais ver o meu reino e a minha conversa com o Nathan também. Eu segurei no braço dele evitando que ele fosse sair.
– Desculpa Noah, não tenho estado bem ultimamente.
– Tudo bem Sophie, não ache que eu não goste de você, você é teimosa mais do que seu primo.
Eu o olhei sorrindo e ele colocou seus dedos no lábio e assobiou, logo eu vi os meninos todos se aproximando e subindo na cadeira para sentar, eu fiquei assustada, era o Paul, Jensen e o John.
– O que vocês estão fazendo?
Eu os olhei assustada e assim que olhei envolta estavam todos do refeitório nos olhando e comentando, eu podia ver a cara das Barbie's Fakes de boca aberta enquanto eu nem tinha visto o Bruce, na certa iria me matar por isso.
– Estamos sentando perto da nossa parceira agora — O John falou de boa cheia enquanto comia o seu sanduíche.
– Mas vocês não querem ser vistos comigo — Eu protestei um pouco assustada e quando eu olhei para o meu lado estava o Jensen sorrindo.
– Gatinha Sophie, nós sentamos com quem a gente quiser e aproveitando a situação será que o Noah libera essa sua relação aberta e talvez eu e você...
Eu o olhei um pouco assustada e depois fiz uma cara de nojo apenas para brincar, eu sabia que ele era brincalhão e nunca levei a sério suas brincadeiras,até porque eu não tinha tempo e nem paciência pra ficar me iludindo de novo.
– Argh não Jensen, deve está cheio de sífilis.
Os meninos começaram a rir e o Noah colocou o seu braço no meu pescoço e olhou para ele.
– Desculpa Jensen, ela não é a Patty, não se encantará pelas suas cantadas, apenas pelos meus olhos lindos.
Eu ri demais do Noah sendo muito convencido por isso e aí eu resolvi me dá conta da realidade, afinal o Bruce não poderia gostar daquilo e sinceramente não estava afim de ter problemas.
– Eu acho que o Bruce não vai gostar muito de ver vocês aqui sentados.
–Porque não?
Era ele, aqueles olhos malignos e bem sínico se sentando na mesma mesa como se nada tivesse acontecido, eu me lembrei que naquela mesma manhã no carro não trocamos uma só palavra. Eu fiquei um pouco sem graça e os meninos trocaram de assunto até que...
– Sophie vamos com a gente jogar video game hoje? — Era o Paul falando.
– Desculpa Paul, é que hoje eu tenho que fazer o projeto de ciências é pra apresentar na sexta.
– Nossa verdade, tinha me esquecido. Noah vamos então fazer não é? — O Paul olhou para o Noah e percebi a malícia deles e sorri por isso.
– Onde você mora Sophie? — Aquela pergunta do Jensen tinha me pegado de surpresa, eu olhei para o Bruce e ele parecia calmo comendo, estava sem reação
– É eu... — Não sabia o que responder, eu não conhecia direito aquela cidade e não sabia o que dizer.
– Ela mora lá em casa — O Bruce falou calmo enquanto comia o seu lanche e em seguida me olhou como se fosse natural. Meu Deus aquele menino era louco de verdade, eu arregalei meus olhos e fiquei quieta enquanto todos ficaram surpresos exceto o Noah.
– Puta que pariu, sério? Vocês são... — O John mal terminou de falar a frase e completei.
– Primos adotivos — Aquele ADOTIVOS queria que ficasse em ênfase, era a única coisa que dava graças a Deus por ele não ser de fato meu primo de sangue, porque ninguém merece isso.
– Putz...Porque escondeu isso Bruce? — O Jensen o olhou um pouco sem acreditar e antes que ele respondesse eu mesmo falei enquanto tomava meu suco.
– Porque ele não queria ser visto com uma menina gorda e orfã. — Eu podia ver que ele não esperava aquela resposta, Bruce me olhou furioso enquanto os meninos ficaram calados diante daquela reação e ele levantou furioso enquanto veio na minha direção me puxando pelo braço.
– Quero falar com você vamos — Ele segurou com força e o Jensen o olhou levantando
– Ei cara vamos com calma, não precisa ser agressivo — Ele encarou o Bruce e olhei envolta, todos estavam calados e nos olhando. Eu não queria que aquilo gerasse uma briga e me intrometi me levantando.
– Tudo bem Jensen — Eu retirei a mão do Bruce do meu braço e então caminhamos para um canto do refeitório enquanto as pessoas nos olhavam, mas sabia que não dava pra ouvir.
– Você tá louca Sophie? Quer estragar minha reputação?
– Estragar sua reputação? Você mesmo falou que era meu priminho.
– Não estou falando disso....
– Ah do orfã e gorda? Mas como? Foi algo mesmo que você disse.
Ele suspirou colocando suas duas mãos no cabelo enquanto depois me olhava, foi a primeira vez que o Bruce me olhava calmo e com paciência sem ter aquela raiva fulminante no olhar.
– Desculpa por isso, eu realmente sou ruim algumas vezes com você sem motivo e meus amigos gostaram de você de verdade, acho que podemos conviver sem brigas.
Eu não sei porque eu senti sinceridade no que ele havia falado e eu suspirei, de fato minha vida era cheia demais de danificações pra que eu me preocupasse com uma briga de um menino do colegial, o meu "primo".
– Tudo bem, só quero entender porque falou que eu morava com você?
– Porque é a verdade.
– Você entendeu minha pergunta — Ele era irritante as vezes.
– Ei ei nervosinha, tá. Eu quis falar porque uma hora eles iriam descobrir e sei lá você pareceu tão divertida e todos eles gostaram de você.
– Então você falou porque seus amigos me aprovaram — Eu olhei e era verdade aquilo, era tudo questão de aprovação social.
– Não é bem isso...
– Confessa Bruce, é melhor.
– Tudo bem, em partes sim, em outras partes eu não queria mais que todos os dias de manhã você saísse do carro e chegasse aqui sozinha e estou cansado de ficar nesse pé de guerra. Amigos?
Ele estendeu a sua mão me olhando, parecia ser sincero mas certamente eu ficaria com um pé atrás nunca se sabe, todas as vezes que eu acreditava sempre dava alguma merda, então era melhor prevenir. Eu toquei a sua mão e balançamos em sinal de um cumprimento.
– Tudo bem. Amigos ainda não, conhecidos fica melhor.
– É tão difícil até pra fazer amizade? — Nós soltamos as mãos e ele ficou ainda irritado um pouco.
– É que.. eu não te vejo como amigo, brigamos tanto e eu só consigo ver você como alguém que sempre vai ter uma pedra na mão pra me machucar.
Putzz eu falei até demais.
– Eu lhe entendo, vamos deixar o tempo consertar as coisas.
– Concordo
Aquela era minha fala final e foi quando os meninos se aproximaram e o Noah me abraçando pelo pescoço.
– Vocês estão bem? — O Paul nos olhou um pouco curioso.
– Sim, somos civilizados — Eu sorri
– Até que enfim, não aguentava mais essa putaria — Noah falou enquanto o Jensen rindo abriu a boca para falar algo:
– Cara eu não aguentaria ter uma "priminha" morando comigo, ia visitá-la todo dia.
– Seu pervertido, cala boca
Eu ri demais por isso e bati no ombro dele, o Jensen era louco e divertido, todos os meninos deram risadas e o sinal havia batido e foi quando todo mundo tava no corredor voltando para a sala e claro que as barbies fakes tinham que falar algo.
– Eu não acredito que você meu amor está andando com essa gorda sem família. — Priscila falou enquanto se aproximava.
– Ela é da minha família, então se quer ficar comigo tenha um pouco de respeito. — O Bruce falou aquilo e até eu tinha ficado que nem as Barbie's Fake de boca aberta, realmente aquilo tinha me impressionado.
– Noahzinho e você também foi dominado por essa...
– Essa menina inteligente, linda por dentro e por fora? Cheia de conteúdo que me fazem ficar fascinado por ela e pela sua história de vida? Sim... dominou de verdade, coisa que você só é isso aí, não passa de uma capa e é imunda e oca por dentro. Com licença
Cara aquilo eu comecei a rir, adorava ver a cara da Barbie Fake Natália me olhando com raiva enquanto o Noah se aproximou e deu um beijo na minha testa e sussurrou:
– É tudo verdade o que eu disse.
Eu quis chorar, eu acho que era a porra da minha TPM, era a primeira vez em que eu senti que podia ter alguém para contar e até o Bruce eu estava impressionada com sua atitude. Entrei na sala e o professor apareceu, eu estava realmente sendo bombardeada com aquela segunda feira cheia de emoções. Assim que o sinal bateu eu já estava na rua a caminho de casa, eu ouvi uma voz feminina atrás de mim:
– Soph's pode passar lá na lanchonete mais tarde?
– Olá Wendy, posso sim. Sobre o projeto não é?
– Sim. Eu posso lhe fazer uma pergunta?
– Sim.
– Está ficando com o Bruce e o Noah? — Ela pareceu um pouco tímida e surpresa.
– Não claro que não. O que andam falando?
– Que você mora com o Bruce e fica como Noah
– Ah sim, eu sou prima adotiva do Bruce e Noah é um amigo — Era de fato aquilo que significava e era horrível imaginar como as pessoas maldavam as coisas.
– Nossa as pessoas são mesmo fofoqueiras e maldosas, eu disse que não era assim, sei lá, não é muito o seu jeito — Ela falou um pouco sem graça.
– Sem problema Wendy, eu entendo.
– É amiga do John também?
– Eu acho que sim porque?
– Por nada... — Ela ficou um pouco corada, eu tinha entendido o que aquilo significava, meninas nunca disfarçavam as coisas.
– É afim dele?
– Não não, ele é muito popular e cheio de meninas e...
– E daí? O John que eu conheci é muito legal de verdade e sinceramente foi o único que pareceu não está com ninguém, sempre na dele.
– Eu sei que o John não é de ficar com muitas meninas, ele namorou uma menina aqui do colégio a muito tempo, mas ela teve que se mudar da cidade.
– Parece saber bastante da vida dele — Eu a olhei sorrindo e ela ficou um pouco sem jeito.
– Não é isso... você sabe... fofocas — Ela sorriu tímida.
– Tudo bem, se quiser depois lhe apresento.
Ela mal abriu a boca pra perguntar alguma coisa e eu vi um carro buzinando tirando a minha atenção e a dela, assim que me abaixei para ver quem era, só tinha confirmado mais ainda minhas suspeitas.
– Entre.
– Porque?
– Porque sou seu conhecido e conhecidos dão carona e ainda mais quando vão para o mesmo lugar.
Ele abriu um sorriso e era a primeira vez de verdade que eu o vi tranquilo e certa de que ele sabia o que estava fazendo. Eu olhei para a Wendy e me despedi dela. Entrei no carro e o rádio estava tocando a música que adorava.
– Nossa adoro essa música.
This is my kingdom come
When you feel my heat
Look into my eyes
It’s where my demons hide
It’s where my demons hide
Don’t get too close
It’s dark inside
Esse é o meu reinado vindo
Quando você sentir meu calor
Olhe dentro dos meus olhos
É onde meus demônios se escondem
É onde meus demônios se escondem
Não se aproxime muito
É escuro por dentro
– Eles são demais mesmo.
– Você está diferente Bruce, de verdade. O que aconteceu?
– Não sei, eu pensei bastante desde a noite em que voltamos no bar. Não quero continuar brigando por nada sabe?
– Entendo, que bom então, fico contente que tenha se tocado das coisas.
Ele não falou nada, a minha mão estava pausada na lateral do banco e foi quando eu senti seus dedos tocarem a minha mão, aquilo foi totalmente inesperado, eu continuei olhando para frente, senti aquele choque percorrendo pelo meu corpo, era estranho e eletrizante aquilo. Assim que eu olhei para o retrovisor eu vi aqueles olhos serenos e aquela máscara cobrindo o rosto, imediatamente eu olhei para o banco de trás e não havia ninguém. Assim que eu olhei de novo para o espelho estava apenas a estrada.
– Você está bem? — O Bruce perguntou um pouco curioso enquanto eu tirei a minha mão e coloquei sobre o meu coração, estava respirando um pouco ofegante, eu olhei o meu anel e ele estava ardendo um pouco.
– Sim
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