Refém da Paixão
24 Suspeitas
Notas iniciais
A brisa fria que entrecortava aquela madrugada longa e trágica me fez estremecer. Me encolhi no sofá que ficava a frente da grande piscina de borda infinita enquanto observava com cautela as pessoas ao meu redor.
Esme parecia um pouco mais tranquila do que mais cedo, já não chorava e seu semblante aterrorizado suavizara um pouco. Rosalie permanecia ao lado da mãe, e Carlisle se aproximava hora ou outra para garantir que a esposa estava bem.
Alice estava sentada ao meu lado, ainda parecia em choque, e Jasper tentava ampara-la de todos os modos.
Mas era a minha frente que estavam as maiores incógnitas do momento: James e Victória. Um cochilava no ombro do outro como se nada demais tivesse acontecido. Como se a babá da filha deles não tivesse sido assassinada horas atrás.
—Trouxe um café. – Senna atraiu a atenção de todos. Se aproximou da mesa baixa que estava a frente dos sofás e poltronas e deixou a bandeja com as xicaras. Ela foi gentil ao servir um pouco para cada um.
Respirei fundo inalando o aroma da bebida fumegante. Meu estômago doía e eu sabia que era de tanto vomitar. Ainda não me sentia completamente bem, o mal-estar continuava, um pouco mais leve, mas continuava.
Talvez aquilo fosse resultado de tanto “andar” em círculos. Uma hora toda aquela confusão mental ia acabar resultando em sintomas físicos. Aquela situação já estava se estendendo por tempo demais e não sabia até quando iria aguentar aquilo. Nada fazia sentido. Ninguém parecia confiável. Estava completamente perdida.
Edward apareceu na varanda acompanhado dos dois policiais, seu semblante não escondia o cansaço e foi impossível não me compadecer. Quem quer que fosse que estivesse tentando mata-lo, estava mais próximo do que imaginamos e Edward já tinha consciência daquilo.
—Senhor e Senhora Cullen? – o inspetor chamou atraindo a atenção de Carlisle e Esme. —Vocês podem vir conosco?
Eles iam tomar o depoimento de cada um. Pelo menos dos que estavam próximos de Edward quando Jéssica apareceu.
Ainda não conseguia acreditar que ela pretendia atirar em Edward. Não que algo nesse caso fizesse algum sentido, mas essa hipótese ia além do absurdo.
—O que eles te perguntaram? – Rosalie não escondeu a curiosidade. Ela estava muito bonita aquela noite, a fantasia de anjo da morte lhe caía bem.
—O que eu vi. – Edward correu a mão pelo rosto. —O que eu acho que aconteceu... – soltou o ar pela boca. —Não pude acrescentar muito porque só entendi o que estava acontecendo depois dos tiros.
Se arrependimento matasse, eu estaria morta. Não deveria ter me afastado dele. Talvez se eu estivesse ali na roda Jéssica não estaria morta.
—Você está melhor? – Edward perguntou pela milionésima vez na noite assim que se aproximou de mm.
—Estou. – confirmei sem muita certeza. Ele me encarou fixamente como se procurasse o traço da mentira em meu rosto, mas o toque do seu celular interrompeu a procura.
—Oi. – sua voz voltou a ficar séria. O vi correr a mão pelo rosto e respirar fundo, era visível o quanto estava cansado. E a verdade é que eu me sentia igualmente exausta. —Ok. – contraiu os lábios após encerrar a ligação e então se voltou para mim. —Pode vir comigo?
Me coloquei de pé no mesmo instante e ignorei a leve vertigem que me fez perceber a rotatória da terra. Edward me encarrou com os olhos cerrados antes de segurar minha mão e entrelaçar seus dedos aos meus.
—O que aconteceu? – perguntei assim que nos afastamos da varanda. O silêncio nos cômodos da casa estava sombrio demais, aquilo fazia com que minha mente reproduzisse o barulho dos tiros repetidamente.
—Emmet quer falar conosco.
Assenti com a cabeça enquanto a azia preenchia meu estômago. Não tinha certeza se ia gostar do que Emmet tinha para nos falar. Eu só queria que aquela noite acabasse logo.
Nós seguimos em direção a ala oeste da casa até chegarmos no escritório de Edward. A movimentação dos policiais ali chamou minha atenção e logo entendi o porquê, Erick estava lá dentro.
Não precisei lhe encarar muito para perceber o quão transtornado ele estava. A culpa pesava em seus ombros deixando-o com a postura caída, os olhos estavam vermelhos e não tinha certeza se era de arrependimento ou vergonha. Abaixou a cabeça no instante em que nos viu entrar no cômodo amplo e de armários planejados.
Não sabia o que pensar em relação a ele.
—O que foi? – Edward perguntou no instante em que a porta foi fechada.
—Tivemos acesso ao celular de Jessica e vi que ela fez uma ligação rápida hoje. – Emmet tirou os olhos de Edward e os voltou para mim. —Ela ligou aqui para sua casa. Foi você quem falou com ela, Bella?
Prendi o ar nos pulmões sentindo-me encurralada. O que eu ia fazer? Falar a verdade ou mentir?
Não sabia se podia confiar em Emmet e tinha medo de arriscar...
Prendi meus lábios entre os dentes percebendo que todos os presentes aguardavam minha resposta.
—Sim, falei com ela. – confirmei em um rompante, sabia que podia me arrepender daquilo, mas no momento não tinha opções. —Nós conversamos por menos de trinta segundos.
—E o que ela queria? – Emmet questionou um tanto quanto curioso.
—Vir na festa. Disse que tinha descoberto coisas e precisava me contar. Ela tentou entrar em contato com você e como não conseguiu, ligou para cá. – Emmet bufou alto e correu a mão pelo cabelo. A frustração delineou seus olhos.
—O que ela descobriu? – Edward me fitou com curiosidade.
—Não quis contar, disse que não era seguro falar por ligação.
—Merda! – Emmet esbravejou. —Porque não me contou antes? Teria dado um jeito de encontrá-la!
—Não sei em quem eu posso confiar....
—Ah, Bella! – revirou os olhos verdadeiramente irritado. —Acha que se ela não confiasse em mim teria tentado entrar em contato comigo antes de ligar para você?
Sua pergunta me fez pensar. E quanto mais eu pensava, mais ficava sem respostas.
A tensão na sala era praticamente um membro físico. Era difícil pontuar quem estava mais nervoso.
—Se eu não tivesse atirado... – Erick quebrou o silêncio ao lamentar pela primeira vez. —Juro que não a reconheci, eu a vi de costas, ela estava de capa e capuz...
Esfregou as mãos no rosto borrando o restante da maquiagem que ficara em sua pele alva.
—O que você viu exatamente? – perguntei a ele, ao me sentar na cadeira que Edward me oferecera.
Erick ergueu os olhos até mim, mas eles não estavam me enxergando. Pude perceber que ele revivia aquele momento trágico mais uma vez.
—Estava indo buscar bebidas para servir o Senhor Cullen quando a vi. Ela andava apressada, passava pelos convidados com euforia... – ele fez uma pausa para poder respirar fundo. —Resolvi segui-la, e quando a vi sacar a arma e apontar em direção ao Edward... Não pensei duas vezes antes de atirar.
Seu relato me deixou um tanto quanto incomodada e inquieta. Me arrumei na cadeira tentando aliviar um pouco daquela angustia que preenchia meu peito.
—Isso não faz sentido. – Edward proferiu maneando a cabeça. —Porque ela ligaria para Bella e diria aquilo se quisesse me matar? – ele intercalou seus olhos entre Emmet e eu. A confusão em seu rosto era a mesma que habitava em mim.
—Ela não queria matar você. – Emmet declarou com plena certeza. —Ela deve ter mirado em outra pessoa e Erick se confundiu.
Erick soltou o ar pela boca e lágrimas brotaram no canto de seus olhos. Era impossível não me compadecer, não sabia o que faria se estivesse em seu lugar.
—Quem estava perto de você, Edward? – Emmet perguntou cruzando os braços.
—Meus pais, Jasper e Alice... – deu de ombros. —Bella tinha acabado de afastar para ir ao banheiro.
—Você viu se lembra se havia mais alguém perto de Edward, Erick? – voltei meus olhos para ele, observando-o refletir.
—Bom... – coçou a cabeça. —Foi tudo muito rápido, não consigo me lembrar com clareza...
Prendi o ar nos pulmões e corri as mãos pelo rosto. Porque não conseguíamos pelo menos uma pista clara? Porque não parávamos de correr em círculo?
—Tem câmeras de segurança no salão, não tem? – Emmet voltou a questionar Edward, que rapidamente assentiu com a cabeça. —Ótimo, vamos analisar e ver quem estava próximo o suficiente para virar suspeito.
Minha cabeça dava voltas e mais voltas. Queria que aquelas câmeras revelassem algo importante, algo que nos indicasse ao menos o caminho certo. Todo mundo parecia suspeito, todo mundo parecia ter um motivo para querer ver Edward morto, mas nenhuma hipótese fazia mais sentido do que a de que eram James e Victória.
Jéssica trabalhava com eles a maioria do tempo. Só poderia ter descoberto algo relacionado a eles. Melissa poderia não ser a única herdeira de Edward, mas como ele próprio me contara, ela era a principal. James fizera piadinhas extremamente desnecessárias relacionadas a morte de Jéssica, e certos momentos senti que ele queria jogar toda a culpa sobre ela. E o que reforçava ainda mais aquela teoria era a breve conversa que tive com Victória no banheiro.
Ela fora tão fria, tão cruel e cínica.
—Mas era intrometida. Vivia se colocando em assuntos que não eram da sua conta. É isso que acaba acontecendo com pessoas que se metem a onde não são chamadas!
Mordi meu lábio inferior sentindo-o calejado pelas tantas pressões provocadas por meus dentes. Tudo aquilo estava acabando com a minha saúde mental e até meu corpo começava a sentir o impacto.
Emmet acionou Billie e Joe para inspecionar as imagens da câmeras e prometeu nos chamar assim que encontrassem o momento. O investigador da polícia que estava cuidando da morte trágica de Jéssica pediu para falar com Edward mais uma vez e quando voltei para a varanda, James e Victória já haviam ido embora.
O incomodo que estava sentindo em relação a eles, junto a tudo que havia acontecido, me deixava inquieta. Ficar sentada naquela varanda fria não estava suavizando em nada aquele turbilhão de sentimentos que estavam me consumindo.
—Conseguiram chegar a alguma conclusão? – Alice me perguntou baixo quando parou ao meu lado.
Maneei a cabeça enquanto via que o céu começava a dar indícios que o dia estava amanhecendo. Ela suspirou ao prender o choro. Afaguei seu ombro tentando lhe passar um certo conforto.
—Não vejo a hora de tudo isso acabar. – confidenciou de olhos nas ondas do mar.
—Somos duas. – corri a mão por meu rosto e aproveitei para por o cabelo atrás da orelha. —Estou esgotada. – soltei o ar pela boca. —E para ajudar que peguei uma virose!
—Está se sentindo mal?
—Desde que vi... – maneei a cabeça sem querer me lembrar, Alice pareceu entender a que eu me referia.
—Está um pouco pálida mesmo...
—Pálida, enjoada, inchada, cansada... – lamentei vendo-a sorrir levemente.
—Isso é o que? Virose ou gravidez? – brincou com os olhos cerrados.
Soltei um risinho sentindo minha espinha gelar.
—O que foi? Não vai me dizer que você está...
—Não. – a interrompi rapidamente. —Não estou. – minha voz não demonstrou a menor certeza.
—Bella! – cobriu a boca com a mão. —Existe alguma possibilidade?
Engoli a seco.
Quando um casal transa sempre existe a possibilidade de haver uma gravidez, e se tinha uma coisa que Edward e eu fazíamos, além de discutir, era transar!
—Eu uso DIU. – lembrar daquele fato me causou um alívio surreal. Um alívio que eu não sentia há dias.
—Nenhum método contraceptivo é cem por cento eficaz.
—Não faz isso! – pedi passando a mão por meu rosto. —Não me faz surtar. Já tenho muita coisa na cabeça para me preocupar com uma possível gravidez indesejada.
—Ok! – ela arqueou as mãos. —Mas que pode ser uma gravidez, pode!
Não. Não podia ser uma gravidez. Aquilo seria demais para mim. Eu já tinha muita coisa para lidar, e arrumar mais uma era praticamente decretar falência emocional.
Depois que os policiais finalmente liberaram a casa, cada um seguiu para um quarto de hospedes para tentar dormir e descansar um pouco. O problema é que mesmo estando absurdamente cansada, minha mente trabalhava a mil.
Precisava lidar com o assassino que estava cada vez mais perto, com a lista de suspeito que só aumentava, com a morte de Jéssica, e agora com aquilo. Aquela suspeita de gravidez me deixara ainda mais perturbada.
Uma parte minha achava a gravidez improvável, a outra já conseguia sentir o feto mexer.
E pior do que a gravidez em si, era a dúvida. Eu precisava e ia me livrar dela.
—O que você tem? – Edward perguntou assim que entramos na grande suíte.
—Nada. Porque?
—Está inquieta. – observou de olhos cerrados. —É por causa do que aconteceu?
—É. – mentir nunca foi tão fácil, até porque aquela noite trágica tinha grandes parcelas de culpa no meu estado de espírito.
Ele respirou fundo e se aproximou de mim. O cheiro do seu perfume chegou antes de suas mãos e meu estômago reagiu na mesma hora. Prendi o ar nos pulmões deixando que ele segurasse meus dedos.
—Porque não se deita e tenta dormir? – seus olhos eram carinhosos. —Você precisa descansar. Está gelada e pálida...
—Eu... – soltei o ar pela boca e engoli o excesso de liquido que havia parado em minha boca. —Eu acho que preciso ir ao banheiro.
Se tinha uma coisa que eu odiava, era vomitar. Odiava mais que tudo no mundo, e tentava segurar ao máximo. Mas conter as ânsias naquela noite estava impossível.
Não consegui conter a presença de Edward naquela vez. Ele entrou no banheiro e fez questão de segurar meu cabelo enquanto eu colocava pra fora tudo que restara no meu estômago.
—O que está acontecendo com você? – sua voz era pura preocupação.
Recostei no azulejo frio e acetei a toalha que ele me estendeu. O suor brotava em minha testa e meu abdômen estava bastante dolorido.
—Vou chamar um médico para te examinar, estou ficando preocupado. – correu os dedos por meu rosto quando se sentou ao meu lado.
Apertei os olhos me sentindo mais uma vez incomodada com o aroma do seu perfume.
Que merda estava acontecendo comigo?
—Eu vou chamar um médico. – rapidamente neguei com a cabeça. —Vou sim, já perdi as contas de quantas vezes você vomitou hoje!
Apoiei a cabeça na mão e tentei ignorar o peso em meus ombros, mas estava demais. Era muita coisa para uma pessoa só e eu precisava dividir pelo menos uma daquelas questões sufocantes com ele.
—Eu acho que posso estar grávida. – falei em um fôlego só antes que me faltasse coragem.
De soslaio o vi recuar o corpo. Ele entreabriu os lábios algumas vezes e ficou claramente sem palavras.
—Existe uma pequena possibilidade, na verdade. – abaixei os olhos e encarei o mármore branco. —Eu uso DIU, então pode ser que isso seja só uma virose, mas só a possibilidade de estar gravida está me deixando maluca e eu já estou à beira de um surto...
—Hey. – me interrompeu. —Calma. – pediu segurando uma das minhas mãos e levando-a aos lábios para beijar meus dedos com carinho. —Olha para mim.
Não tinha coragem para olhá-lo, estava envergonhada demais. Edward notou minha recusa e segurando delicadamente em meu queixo, ele ergueu minha cabeça. Encontrei em seus olhos peculiares um cuidado e um carinho tão grande, que instantaneamente me senti mais leve.
—Vou mandar alguém ir comprar uns testes. E, independente do resultado, assim que o dia amanhecer um médico vem te examinar. – seu polegar afagava minha bochecha com movimentos de vai e vem. —Caso esteja grávida, eu vou cuidar de você e claro, do nosso filho também.
Nunca fui uma pessoa que se emocionava fácil, mas ouvir aquelas palavras de Edward mexeu comigo de um jeito profundo. Engoli o nó em minha garganta e sorri ao abraça-lo.
Eu deveria protege-lo, contudo, na maioria das vezes era ele quem me dava refugio e abrigo.
Ele me ajudou a levantar, a sair daquela roupa apertada e escovar os dentes. Me fez deitar na cama e esperá-lo ligar para Senna para que alguém pudesse comprar o teste.
—Desde quando está desconfiando que está grávida? – Edward perguntou quando se deitou ao meu lado.
—Não tem nem três horas. – ele pareceu surpreso enquanto me acolhia em seu peito. —Fui desabafar com Alice e ela plantou a sementinha da dúvida.
Edward correu os dedos por meu cabelo e beijou minha cabeça. Suspirei profundamente ouvindo as batidas compassadas do seu coração.
—Mas você acha o que? Que sim ou que não?
Encolhi os ombros sem saber lhe responder.
—Não sei. – fui sincera. —Mas espero que dê negativo.
Edward se virou para me encarar. Seu rosto ficou um tanto quanto mais sério.
—Porque?
Rolei os olhos e me sentei na cama. Precisei me esforçar para ignorar o leve enjoo que os movimentos rápidos me causou.
—Edward, veja bem tudo o que estamos passando. Nossas vidas estão uma confusão! – coloquei o cabelo atrás da orelha. —Quem quer que seja que esteja atrás de você está cada vez mais perto... – aquilo me deixava completamente apavorada. —E como se esse motivo não fosse forte o suficiente, nós dois não temos nada sério. – vi seus olhos se estreitaram. —Não me entenda mal, sei que estamos nos entendendo, mas não a ponto de termos um filho, não é?
Ele respirou fundo e então se sentou. Foi impossível não reparar em como a camiseta preta delineava seu peitoral forte e largo.
—O que está acontecendo vai passar. Eu sei que está confuso, mas acredito que vai melhorar. – ele esticou o braço e puxou minha mão. —Quanto a nós dois... – seus olhos vieram para os meus e prendi o ar nos pulmões. —Eu nunca gostei de alguém como eu gosto de você. Eu te quero como minha mulher. Quero namorar, casar, ter filhos. – um sorrisinho nasceu no canto dos seus lábios e foi impossível não retribuir. —Eu amo você e vou amar esse possível bebê também.
Mordi meu lábio inferior sentindo meu peito se encher de amor.
Nem nos meus melhores sonhos tinha pensado que um dia ouviria coisas tão lindas daquele homem. Se alguém tivesse me contado, no início de tudo aquilo, que Edward mudaria tanto eu provavelmente teria rido. Rido muito.
Compartilhar a possível gravidez com ele me deixou muito mais aliviada. Ele era meu ponto de apoio no meio de todo aquele caos. E eu sabia que aquilo era uma das faces do amor.
—Vou descer pra buscar o teste, fique deitadinha. – pediu ao se levantar da cama.
Maneei a cabeça em concordância e aceitei seu beijo rápido. Edward me lançou um sorrisinho torto e lindo antes de me deixar sozinha naquela suíte enorme.
O dia amanhecera e o céu estava lindo. Podia ouvir as ondas do mar se quebrando e o cantar de alguns pássaros.
Me desvencilhei dos lençóis e me coloquei de pé, me encolhi no roupão quando uma brisa leve bate contra meu corpo.
O início daquela manhã prometia um dia lindo e esperava que fosse em todos os sentidos. Queria que víssemos algo promissor nas câmeras e que aquilo acabasse logo, para que assim, pudesse focar no meu relacionamento com Edward. E talvez, do possível bebê.
Mordi meus lábios tentando não pensar que poderia haver uma vida dentro de mim. Uma vida concebida entre Edward e eu.
Uma vida que poderia ter os olhos peculiares de Edward e de Melissa...
Me repreendi instantaneamente quando o mero pensamento passou por minha mente. Eu nem sabia se estava grávida e já estava idealizando a criança.
Maneei a cabeça e decidi ir atrás de Edward. Ficar sozinha era o mesmo que pedir para me afundar em pensamentos angustiantes de novo.
Abri a porta do quarto e me preparei para dar de cara com o corredor, mas o que encontrei me fez dar alguns passos para trás.
—O que está fazendo aqui? – foi a primeira coisa que perguntei a Tanya.
Me encarou fixamente e então abriu um sorrisinho cínico.
—Vim procurar o Ed, não consegui vir na festa ontem e vim falar com ele...
—Ele não está aqui. – declarei ao sair do quarto e fechar a porta. —E acho melhor você ir embora, ele nem notou sua ausência na festa.
Lhe dei as costas e estava pronta para caminhar pelo corredor quando sua voz enjoativa cessou meus passos.
—Ed sempre sente minha falta. E você não faz ideia do quanto.
Ela me encarava com cinismo e deboche. Mantinha o sorriso no canto de seus lábios preenchidos para me provocar.
Me tirar do sério, era isso que Tanya queria.
—Você engordou um pouco desde que chegamos das Maldivas, não é? – seus olhos correram por meu corpo.
—Engordei. É normal engordar quando estamos em um relacionamento feliz... Mas você não sabe o que é isso. – dei de ombros vendo-a arquear o queixo. —Vive correndo atrás de um homem que deixa claro que não quer nada com você... Como vai saber o que é ser feliz?
Tanya me encarou com os olhos cerrados, suas bochechas ficaram vermelhas e vi a raiva delinear seus traços harmonizados.
—Acho que se esqueceu da noite em que ele foi me procurar. – rebateu usando o argumento de sempre. —O que aconteceu entre nós aquela noite...
—Não aconteceu nada entre nós dois aquela noite. – a voz de Edward soou atrás das minhas costas e sua presença me deixou instantaneamente mais calma. —Só te procurei aquele dia porque queria causar ciúmes em Bella. – continuou após passar as mãos por minha cintura. —Ela é a mulher que eu amo, Tanya. É com ela que quero ficar. – nada no mundo pagava a cara de surpresa que Tanya fez. —Acho bom que você comece a respeitá-la, caso contrário vou proibir sua presença onde nós estivermos.
Precisei conter a vontade de gargalhar ao ver a surpresa e incredulidade estampar seus traços harmonizados.
Toma vagabunda!
—E que fique claro: ela mora aqui, essa é a casa dela, e você deve respeitá-la.
Se Edward tivesse deixado dois tapas na cara de Tanya teria a ofendido menos. Ela literalmente perdeu o rumo, tanto que cambaleou pelo corredor até sumir pelas escadas. Isso sem rebater qualquer palavra de Edward.
—Porque saiu da cama? – perguntou assim que me virei para olhá-lo.
—Você estava demorando... – ele rolou os olhos. —Trouxe o teste?
Edward enfiou as mãos nos bolsos e me estendeu as caixinhas lilás. Respirei fundo e prendi o ar em meus pulmões. Não sabia exatamente qual resultado eu queria, mas sabia que tudo ficaria bem.
—Quanto tempo demora para aparecer o resultado? – Edward me questionou ansioso assim que segui as instruções dos testes.
—Não sei. – respondi sem tirar os olhos da “caneta" eletrônica. —Como foi quando descobriu que Victória estava grávida?
—Ela fez exame de sangue.
Aquilo realmente não ajuda. Olhei para o relógio no celular percebendo que não havia passado os cinco minutos ainda.
Com o coração disparado no peito mal conseguia piscar. Só fazia por encarar os testes que ainda continuavam nulo.
O toque do celular de Edward me sobressaltou, mas nem isso me fez tirar os olhos do teste.
—Alô. – atendeu um pouco impaciente. —Tem certeza? – perguntou após um período de silêncio. —Ok, estamos indo aí...
A voz de Edward desapareceu no instante em que as palavras do resultado apareceram na microtela. Engoli a seco vendo que os resultados dos testes batiam.
—Bella, Emmet ligou e disse que viram algumas pessoas nas gravações, precisamos ir até... – ele parou de falar no instante em que me viu com os testes na mão. —Saiu o resultado?
Ergui a cabeça para encará-lo ainda sem saber como me sentia perante aquilo. Assenti com um aceno rápido de cabeça.
—E então? O que deu?
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