Refém da Paixão
32 Montando o Quebra-Cabeça
Notas iniciais
Edward andava de um lado para o outro, estava prestes a explodir e já dava sinais de que estava chegando ao limite. O desespero que sentia era quase palpável e a verdade é que eu me sentia do mesmo jeito.
Já tinha quase uma hora que Melissa sumira e ainda não tínhamos uma pista do que havia acontecido. Minha esperança era que Sarah estivesse com ela e a mantivesse em segurança.
Afundei o rosto nas mãos sentindo a culpa pesar em meus ombros.
Como podemos ser tão relapsos? Como a deixamos sozinha por tanto tempo?
Por mais que acreditávamos que aquele quarto estivesse seguro e protegido, nada justificava aquela negligência. Jamais deveríamos ter deixado Melissa sozinha, e se algo grave acontecesse a ela eu nunca iria me perdoar.
—Como foi que tudo aconteceu? – Carlisle perguntou quebrando aquele silêncio profundo que caímos.
A tensão presente na sala era tão grande que os setenta metros quadrados pareciam terem sidos resumidos a vinte.
—Bella e eu estávamos no quarto principal e a Melissa estava dormindo no outro. – ele cessou os passos correndo a mão pelo cabelo. —Foi tudo muito rápido... Não ficamos nem uma hora sem ir vê-la.
Prendi meu lábio inferior entredentes me sentindo ainda mais pesada. Por mais que tivesse sido um período curto não podíamos ter cometido aquela falha. Demos sorte ao azar e quem estava pagando por aquele ato relapso era Melissa.
—Mas e a babá? Achei que ela tivesse de ficar o tempo todo com a Mel. – Esme tomou um pouco da água com açúcar que lhe fora oferecido por Carlisle assim que souberam do ocorrido. Ela se mostrara extremamente nervosa diante o fato e eu partilhava da mesma sensação.
—Ela é a nossa esperança. – Edward soltou o ar pela boca. —Espero que tenha ido junto com a Melissa. – seu tom de desespero me deixou com o coração apertado.
Maldita hora que entramos naquele quarto, maldita hora quando relaxamos demais.
—Se estão querendo machucar o Edward, vão usar a Melissa para isso. – me virei para olhá-la. —Vão tentar atingi-lo através da minha filha...
Seu desespero real conseguiu perfurar o muro que havia levantado para me proteger de suas falas. Uma mãe conseguia reconhecer o sofrimento de outra mãe, e me pareceu muito sincero.
Engoli a seco e ergui o queixo tentando não me abalar com aquilo.
—Nada de ruim vai acontecer com a Melissa. – garanti.
—Por favor, cuida da minha filha. – seus olhos eram tão suplicantes quanto sua voz.
—Vou cuidar. – afirmei antes de sair da sala.
Mais uma vez a fala de Victória voltou a minha mente e me senti a pessoa mais inútil do mundo. Deveria ter escutado seus apelos, deveria ter confiado na minha intuição...
—E então, alguma notícia? – a pergunta aflita de Edward atraiu minha atenção. Ergui a cabeça assim que vi Emmet entrar na sala e sua face contorcida me deixou em alerta.
—Sim, consegui falar com Sarah...
—E então, Emmet, o que ela disse? – Carlisle perguntou apreensivo diante o silêncio.
—Elas estão na praia. Com a Rosalie. – contou com cuidado.
Prendi o ar nos pulmões enquanto repassava aquela informação.
Rosalie.
—Como assim estão com Rosalie? – Esme encarou Emmet, estava tão confusa quanto eu.
—Sarah disse que ela apareceu aqui e levou Melissa para passear...
—Eu vou matar a Rosalie. – Edward interrompeu a fala de Emmet. —Juro por Deus que eu vou matar ela!
—Edward, tente se acalmar...
—Me acalmar? – encarou a mãe verdadeiramente perplexo. —Aquela filha da puta entra no meu quarto sem ser convidada, some com a minha filha e você quer que eu me acalme mãe?
—Edward, entendo sua aflição. – Carlisle se aproximou do filho. —Contudo, nesse momento, precisa manter os ânimos mais controlados. Rosalie errou, mas é incapaz de machucar Melissa, ela está a salvo com sua irmã.
—A salvo? – Edward encarou o pai com ironia. —Que ser humano está a salvo perto daquela desiquilibrada? – esperou por uma resposta, mas ela não veio. —Rosalie não está tomando os remédios.
—Edward. – o chamei tentando impedi-lo, aquele era de longe o pior momento para dizer tal coisa aos pais.
—Como é? – Esme indagou se levantando do sofá e se aproximando de Edward, os olhos eram tão descrentes quanto a postura. —O que você disse?
—Isso mesmo que ouviu, mãe. Rosalie não está tomando os remédios. – repetiu com a voz dura. —Já era para eu ter contado isso a vocês, mas com tudo o que aconteceu não tive tempo.
Carlisle e Esme se entreolharam e pude ver que aquela informação os deixou desconexos por longos segundos. Apertei os lábios enquanto corria as mãos pelo rosto, tudo estava saindo do controle e aquilo não era nada bom.
—Há quanto tempo sabe disso? – Carlisle finalmente rompeu o silencio.
—Isso não faz diferença agora. – Edward rolou os olhos. —O que eu quero é ir atrás da minha filha. Não vou deixa-la nas mãos daquela mulher doente.
—Edward, já falei com Sarah. – Emmet colocou tentando manter a calma. —Ela me disse que vai retornar com a Melissa...
—Não vou esperar, Emmet. – Edward o cortou com extrema impaciência. —Não vou esperar que algo ruim aconteça para eu me mover, vou atrás delas agora mesmo!
Me levantei do sofá na mesma hora, aquela era uma péssima ideia.
—Edward, já está escurecendo... Vamos espera-las aqui, Sarah está com a Melissa...
—Não vou ficar aqui, Bella. – seus olhos firmes se voltaram para mim por um breve instante. —Vou atrás da minha filha agora mesmo, e quero ver alguém tentar me impedir.
Prendi o ar nos pulmões assim que percebi que aquela era uma batalha perdida. Não iria adiantar impedi-lo, só me restava acompanha-lo naquele confronto tão adiado.
Nós cinco descemos de elevador até o hall do hotel em um silêncio tenso que era quebrado vez ou outra pelos suspiros raivosos de Edward. Não queria estar no lugar de Rosalie, não queria lidar com aquela fúria que ele estava sentindo. E por mais que achasse totalmente compreensível da parte de Edward, sentia que Rosalie não estava gozando do seu pleno juízo.
O sol começava a se por no horizonte e já não havia muitos turistas na praia, Emmet ligou para Sarah e tentou entrar em contato, mas os olhos clínicos de Edward as encontraram antes de que pudéssemos amenizar as coisas.
Nunca vi uma pessoa caminhar tão rápido, nem mesmo a resistência da areia o impediu de marchar em direção a irmã.
—Sua desgraçada! – a voz de Edward soou feito um trovão. —Você perdeu a merda do juízo? – sua postura agressiva fez Rosalie recuar.
Melissa que fazia contente um castelo na areia se levantou assustada e correu em direção a avó.
—O que... – Rosalie se levantou e tentou esboçar uma reação, mas Edward não lhe deu a chance de resposta.
—O que te fez pensar que poderia tirar a minha filha de perto de mim ainda mais sem a minha permissão?
A voz alterada de Edward estava chamando a atenção de todos os presentes na praia. A maioria dos turistas parou para olhar aquele “show” e nós precisávamos intervir antes que Edward perdesse ainda mais a cabeça.
—Ela pediu para vir na praia fazer castelo de areia. – Rosalie se levantou e encarou o irmão. —Ela estava sozinha na sala enquanto você se divertia com a sua noivinha no quarto. – senti minhas bochechas arderem diante seu comentário e não fui a única a sentir algo em relação a fala acusatória. Edward ficou ainda mais puto diante aquilo.
—Você não tem o direito de pegar a minha filha. – Edward berrou palavra por palavra. —Se chegar perto dela mais uma vez eu juro que acabo com sua raça!
—Estou morrendo de medo. – ela cruzou os braços em pleno desafio.
—Já chega. – Emmet finalmente interviu ao se aproximar com Carlisle. —É melhor resolverem isso mais tarde, em um lugar mais privado. – proferiu se colocando entre os irmãos.
—Não há o que resolver. – Edward bateu o pé. —Quero essa louca bem longe de mim e da minha família!
—Eu não sou louca! – Rosalie gritou se jogando sobre Emmet na vaga tentativa de acertar Edward.
—Já chega Rosalie! – Carlisle esbravejou segurando-a pelo braço. —Basta! Você está errada, tem que ficar calada!
Rosalie encarou o pai por alguns instantes antes de romper em um choro alto.
—Eu não sou louca, pai! – lamentou afundando o rosto no peito de Carlisle. Edward rolou os olhos e bufou antes de dar as costas para ela.
—Agora vai se fazer de vítima. – correu a mão pelo cabelo indo em direção a mãe. —Você está bem, princesa?
Melissa se mostrou um tanto quanto assustada, mas não recusou o colo do pai. Ainda perdida e em meio a toda aquela confusão e gritaria tentei colocar meus pensamentos no eixo. De um lado, Rosalie se desmanchava em choro e do outro Edward se certificava de que estava tudo bem com Mel.
—Você está bem, Mel? – perguntei assim que me aproximei, com a cabecinha recostada no ombro de Edward, ela assentiu.
—É melhor subir, ela está muito assustada. – proferi a Edward enquanto alisava o cabelo húmido de Melissa.
—Sim, você vem? – Edward se mostrou um pouco mais calmo, mas seu rosto continuava vermelho de raiva.
—Claro. – lhe lancei um micro sorriso, o qual Edward não retribuiu, sabia que ele estava completamente atordoado.
Nós voltamos para o apartamento com Sarah ao nosso enlaço, dava para notar o ar de preocupação em sua face, mas sentia que ela não era culpada pelo o ocorrido. Precisávamos ouvir tudo o que havia acontecido antes de culpar alguém além de Rosalie.
—Quer tomar um banho de banheira? – Edward fora todo cuidadoso ao dar a ideia para Melissa.
—Acho que sim. – respondeu baixinho.
—Já volto. – Edward me disse antes de seguir para o quarto com Melissa.
Me sentei no sofá e encarei Sarah, ela fitava o chão e seus ombros estavam caídos.
—O que aconteceu exatamente, Sarah?
Seus olhos negros evitaram os meus, ela entreabriu a boca e tomou fôlego antes de começar a falar.
—Rosalie chegou e disse que tinha permissão para entrar. Não ficou cinco minutos aqui dentro e saiu com a Melissa no colo, disse que iria levar a menina para a praia. Não tive tempo de impedi-la e precisei escolher se iria segui-la ou entraria para avisar vocês. – narrou tudo em um único folego.
—Entendi...
As batidas na porta interromperam minhas palavras. Sarah e eu nos entreolhamos e esperamos a pronuncia de um dos funcionários, ou então alguém da família de Edward, mas apenas silêncio seguira as batidas.
Me levantei do sofá e me aproximei da porta, me coloquei na ponta dos pés para ver o corredor vazio no olho mágico.
—Não tem ninguém. – olhei-a por cima do ombro.
—Que estranho. – Sarah proferiu com as sobrancelhas cerradas.
Destranquei a fechadura e girei a maçaneta, a porta aberta me revelou um corredor vazio, mas não precisei de muito tempo para notar a presença daquele sinal maldito. No chão de mármore claro, bem a frente dos meus pés, estava um vaso de flores. Um vaso de lírios amarelos.
—Sarah... – quase não tive voz para chama-la.
—Meu Deus... – soltou tão pasma quanto eu. —Mas isso não faz sentido... Eles estão presos.
Agachei a frente do buquê e com o coração disparado peguei o cartão branco.
“Bem-vindo, senhor Cullen!”
Engoli a seco sentindo o ar faltar nos meus pulmões. Aquilo só podia ser brincadeira, uma brincadeira de muito mal gosto...
—Sarah, eu preciso ir atrás do Emmet. – falei me obrigando a sair daquele transe. Não era hora de ficar em choque, precisávamos agir. —Por favor, não diga nada ao Edward. – pedi me virando para encará-la.
—Bella, eu acho meio arriscado você sair sozinha.
—Não podemos perder tempo. Prendemos as pessoas erradas e o verdadeiro culpado está a solta. – o desespero que sentia era imenso. Sabia que algo estava errado, sabia que as peças não estavam se encaixando... —Por favor, fique de olho neles. Eu não demoro.
Sarah se mostrou um tanto quanto contra a minha decisão de ir procurar Emmet, mas ele precisava ficar a par do que estava acontecendo.
—Deixe a porta bem trancada. – alertei antes de pegar o buquê amarelo e seguir em direção ao elevador.
A ansiedade e nervosismo queriam me consumir, quanto mais encarava aquelas flores, mais apreensiva eu ficava. Quem quer que fosse a pessoa que estivesse por trás de tudo aquilo, estava mais perto do que imaginamos.
Pressionei o botão do elevador mais uma vez, mas ele simplesmente não subia.
Mordi meu lábio inferior batendo o pé no chão. Tudo o que eu precisava agora era daquilo!
Dei as costas para o elevador e segui em direção as escadas. Não tinha tempo a perder, não podia esperar, precisava encontrar Emmet o mais rápido possível.
Meus pés eram ligeiros aos descer os degraus da escada em formato de caracol. O silêncio era quebrado apenas pelos meus passos apressados e minha respiração ofegante.
Precisei fazer uma pausa assim que desci três andares completos. O ar começava a faltar nos meus pulmões e o cansaço me deixava ainda mais ofegante. Apoiei o corpo no corrimão segurando o vaso de flores com o outro braço para poder pegar meu celular e tentar entrar em contato com Emmet.
Meus dedos foram ágeis ao discar os números conhecidos.
—Emmet. – soltei o ar um tanto quanto aliviada quando ele atendeu no primeiro toque. —Onde você está? Preciso falar com você!
—Estou voltando para o quarto... Aconteceu alguma coisa?
Entreabri os lábios para responde-lo, contudo a pancada forte na minha cabeça me deixou desorientada. Minhas mãos perderam a força e tudo o que eu segurava foi para o chão. Encarei o piso de cerâmica gasto e o vi girar. Minha cabeça latejava e meus olhos estavam cada vez mais pesados.
Tentei me segurar no corrimão da escada, contudo, meus dedos estavam completamente dormentes. Como se o mundo estivesse girando em câmera lenta eu cedi a todo aquele peso que caíra sobre mim assim que minha cabeça fora acertada.
Senti o impacto do meu corpo contra o chão frio, mas nada doía mais que minha cabeça. Em um último ato de consciência tentei me levantar, no entanto, meu cérebro já não conseguiu me manter acordada.
Apertei os olhos algumas vezes e me arrependi no mesmo instante. Minha cabeça estava explodindo e até mesmo o mero movimento me causava uma dor extrema. Tentei movimentas meus braços, mas os sentia pesados demais.
Alguma coisa estava errada, eu sabia que estava acontecendo alguma coisa ruim.
Abri os olhos e luz clara machucou minha retina. Precisei piscar algumas vezes para conseguir mantê-los abertos. Quando finalmente consegui erguer a mão pude ver o cateter preso a minha veia através de esparadrapo e algodão.
Que merda tinha acontecido comigo?
—Bella? – a voz doce de Esme chegou até mim antes de sua presença. —Como você está, querida?
Tentei responder, mas me faltou voz. Precisei pigarrear e aquilo me deixou zonza de dor. O que tinha acontecido com a minha cabeça?
—Minha cabeça... Está doendo. – não evitei a careta. —O que aconteceu?
—Só um segundo, vou chamar o médico. – pediu após afagar meu rosto.
Medico?
Tentei me esforçar para lembrar o que havia acontecido, o que havia me levado até aquele lugar, mas minha mente estava completamente confusa.
—Ele já está vindo te ver. – Esme proferiu assim que se postou ao meu lado. —Não se lembra do que aconteceu?
Neguei com a cabeça e foi a pior decisão que poderia tomar visto a dor latente que me atingira.
—Tente não se mexer querida. – pediu docemente. —Você caiu nas escadas, bateu a cabeça... Por sorte Emmet te encontrou.
Repassei suas palavras com calma e foi impossível conter o sobressalto quando as lembranças retornaram.
O sumiço da Melissa. A discussão na praia. Os lírios. As escadas.
Senti o ar faltar nos meus pulmões diante a enxurrada de informações.
—Se acalme, meu bem. Está tudo bem. – Esme segurou minha mão e afagou meus dedos. —O doutor já está vindo para te ver, mas tenho certeza que vai poder ir para o quarto assim que o soro acabar.
Ainda arfante, segui o caminho que o tubo fazia da minha mão até a bolsa de soro que estava pendurada. Já estava quase no fim.
Então eu havia caído na escada... Mas não me lembrada de ter tropeçado ou algo do tipo... Sabia que a falta de memória era comum pela pancada na cabeça, no entanto... Meu bebê!
—Esme... O meu bebê...
—Está tudo bem. – sorriu ao me tranquilizar. —Fizeram um ultra e o bebê está bem.
Soltei o ar pela boca me sentindo um pouco mais aliviada. O que me importava naquele momento era a saúde do meu grãozinho e sabia que uma queda poderia ser fatal para ele.
—Você e o Edward, hein? Quando iam nos contar? – o sorriso cresceu em sua boca.
—Estávamos esperando tudo isso acabar... – expliquei ainda desorientada. —Onde está o Edward? E a Melissa?
—A Mel está com o Carl e o Jasper. E o Edward está resolvendo os últimos detalhes para irmos embora. – falou com calma. —Ele ainda não sabe o que houve, estávamos esperando você ficar para contar a ele... Não queríamos que ele ficasse ainda mais nervoso depois de tudo o que aconteceu com a Melissa.
Me preparei para assentiu com a cabeça, mas a dor me impediu.
—Eu preciso falar com ele....
—Logo, logo. Primeiro, precisamos saber se já pode ir para o quarto.
Engoli em seco sentindo a aflição crescer dentro de mim. Não podia esperar, precisava me encontrar com Edward ou Emmet logo e alertar sobre o perigo que estávamos correndo.
—Quando descobriu a gravidez? – Esme mudou de assunto, seus olhos estavam brilhantes e pude perceber que a ideia de ter mais um neto lhe fizera muito feliz.
—Já tem uns dias...
Por mais que perceber sua felicidade em relação ao bebê me deixasse muito satisfeita, no momento, a única coisa que eu queria era sair dali e ir atrás de Edward.
—Edward deve ter ficado tão feliz... Ele ama ser pai. – fez uma pausa para suspirar. —E a Mel vai amar tanto ter um irmão, ou uma irmã... – o sorriso cresceu em seus lábios. —Quando o Emmet pediu para o médico ver se estava tudo bem com o bebê, fiquei em choque, mas agora estou muito feliz!
Vi a silhueta de Esme girar e meu estômago começou a enjoar. Fechei os olhos e respirei fundo. Tudo o que eu não precisava era de uma crise de vômitos agora.
—Mal descobri que vou ser avó e já estou sonhando com a carinha do bebê! – sua voz voltou a ficar nítida quando abri os olhos. —Será que vai vir parecido com você? Ou será que se parecerá com o Edward?
—Não sei... – minha voz quase não saiu, me sentia completamente desorientada, completamente desesperada para sair dali.
—Bom, puxe para qualquer um, o bebê será lindo, com toda certeza! – cantarolou. —Já viu alguma foto do Edward bebê? Era a coisa mais linda do mundo...
—Não. – neguei me certificando que estava sentindo todos os meus membros. —Esme eu preciso...
—Vou ver se tenho alguma foto dele aqui no meu celular, você vai ficar encantada! – proferiu ignorando aos meus apelos.
Ela estava cega, surda, ou apenas se fazendo? Eu queria sair dali, precisava sair dali e Esme simplesmente estava ignorando aos meus apelos!
—Oh, achei! – comemorou encarando a tela do celular. —Essa foto é do dia que saí da maternidade... Olha só!
Esme virou o celular em minha direção, a foto escaneada preenchia todo o espaço disponível. Não estava interessada em ver fotografias naquele momento, por mais que elas se tratassem de Edward e de como nosso filho poderia ser, no entanto, alguns detalhes chamaram minha atenção.
Ignorei a dor quando ergui os braços para segurar o celular. Meus dedos deram zoom na imagem e senti meu coração pular uma batida assim que reconheci o arranjo de flores nos braços da criança.
Eram eles. Os lírios amarelos.
E, para fechar de vez aquele enigma que tanto lutamos para desvendar, estava a faixa branca pendurada na parede da sala que eu tanto conhecia, onde em letras garrafais estava escrita a mensagem: Bem-vindo, Edward Cullen!
Intercalei os olhos entre a imagem e Esme que me encarava com expectativa, esperando algum elogio ao bebê, ou a foto.
Com os dedos absurdamente trêmulos lhe entreguei o telefone.
—Lindo. Muito lindo. – minha voz saíra falha. —Você pode chamar o médico? Não estou me sentindo bem...
—Claro, querida. O que está sentindo?
—Dor. Muita dor. – respondi rápido clamando aos céus que ela se afastasse.
—Tudo bem. Tente se manter calma, eu já volto. – Esme afagou meu rosto antes de se afastar de mim, ergui a cabeça para me certificar de que ela havia saído da sala e praguejei com a dor.
Quando me vi sozinha, puxei os curativos do meu braço e me desliguei do soro. Fora difícil me colocar de pé e quase impossível andar sem me escorar na parede, visto a dor que sentia na minha cabeça.
Cada passo que dava em direção ao elevador mais certeza tinha de que aquele golpe contra mim fora planejado por aquela pessoa que soube se manter invisível diante nossos olhos.
Como foi que não percebi antes? Como não encaixei aquelas peças? Estava tudo tão nítido... era tudo tão óbvio....
Minha cabeça rodava tanto quanto o chão em que eu pisava. Entrei no elevador e me sentei no chão frio assim que pressionei o andar da cobertura. Precisava encontrar Edward o mais rápido possível...
Afundei o rosto nas mãos sentindo o impacto de toda aquela lógica tão absurda e ao mesmo tempo tão clara.... A paternidade reconhecida, a devoção que Carlisle tinha por Edward, o orgulho que ele sempre demonstrara sentir pelo filho... Era tão claro que tudo isso iria repercutir mal aos outros envolvidos. Era claro que iria gerar inveja... ódio...
O elevador se abriu e precisei piscar algumas vezes para firmar os olhos. Me levantei com cuidado e caminhei devagar pelo corredor silencioso.
Meu coração pulou uma batida assim que vi a porta entreaberta.
Não poderia ser tarde demais... Não... Tinha que dar tempo....
—Edward. – chamei com a voz baixa. Me apoiei no sofá quando minha cabeça rodou mais uma vez... —Edward. – aumentei a voz.
O barulho de passos me deixou com o corpo gelado, mas soltei o ar pela boca me sentindo verdadeiramente aliviada assim que Edward apareceu na sala.
—Bella? – sua voz saíra tão chocada quanto seus olhos se mostraram ao me ver. Imaginava que minha aparência estivesse péssima. —Meu Deus, o que aconteceu com você?
—Edward, onde está o Emmet? Nós precisamos sair daqui....
—O que houve com você? Meu Deus, sua cabeça está sangrando! – ele me pegou no colo e me obrigou a sentar no sofá.
Quis chorar de desespero diante toda a confusão mental que me encontrava. Mal conseguia controlar meu corpo, minha fala...
—Edward, me ouça, nós precisamos sair daqui...
—O que? Porque?
—Você deveria ouvir mais sua noiva, meu irmão...
A voz conhecida, se intrometendo na conversa e senti o pânico crescer dentro de mim. Edward se virou, claramente irritado com a interrupção. Lutando contra aquele desnorteamento que a pancada na cabeça me causara, tentei me lembrar de onde as armas estavam camufladas, mas já era tarde demais... A pistola semiautomática já tocava o pescoço de Edward e mesmo que eu agisse rapidamente, sabia que não daria tempo.
—Mas agora já é um pouco tarde. – a risada maquiavélica me deixou estática. Os olhos claros se voltaram para mim e nunca vi tanta maldade refletida. —Espero não ter machucado muito você, cunhadinha. – debochou pressionando a arma contra a cabeça de Edward que continuava em choque.
—Estou muito bem. – menti arqueando a cabeça. —Obrigada, Jasper.
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