Refém da Paixão
3 Minha Mulher
Notas iniciais
—Isso é tudo, senhor?
O funcionário encarou a Edward ansioso por uma aprovação, enquanto eu esperava a última mala ser colocada na suíte presidencial. Queria informá-lo logo das regras dali por diante.
—Ainda não. – Edward respondeu. — Avise à minha equipe que não quero ser interrompido. Depois me encontro com eles, como combinado em uma das salas de conferência reservada para o meio-dia.
—Pode deixar, senhor. Darei o recado. – o carregador fez um aceno com a cabeça e me encarou atentamente. —Quer que eu chame a camareira para desfazer as malas?
—Queremos que nos deixem a sós. Ponha o aviso de "não perturbe" na maçaneta, por favor. – Edward pediu secamente ao rapaz continuava na porta. Edward tirou a carteira do bolso, puxou um maço de notas e entregou ao jovem.
—Obrigado. – o carregador agradeceu, mas não obteve uma resposta de Edward.
Tinha muita coisa para falar com Edward, mas quando a porta fora fechada, não consegui pronunciar nada. O quarto havia sido inspecionado horas antes, mas ainda assim deveria me assegurar de que o local estava realmente seguro. Depois de trancar a porta, puxei uma conversa casual enquanto começava a vistoria.
—Lindo quarto. – disse. —O banheiro é divino.
O zíper da minha bolsa de mão rangeu ao ser aberto. Puxei uma das armas que estavam lá dentro e a coloquei na gaveta da cabeceira. Desci das sandálias de salto agulhas e meus pés relaxaram instantaneamente quando os firmei no chão. Era tão prazeroso estar livre daquelas sandálias desconfortáveis. Chequei cada porta, os armários, o fundo dos espelhos, dos quadros e o arranjo de flores.
Soltei um suspiro ao perceber que estava tudo certo. A minha frente, Edward me fitava claramente surpreendido. Seria cômico, se não fosse ultrajante.
—Isso é mesmo necessário? – rolei os olhos veementemente. Como ele podia ter dúvidas depois de tantas explicações?
—Acredite ou não, sei muito bem o que estou fazendo. Então, por favor, não questione minhas ações. – pedi apertando os pés no carpete macio. Nunca mais usaria aquelas sandálias. Nem sob tortura.
— Supondo que alguém entre aqui às três da manhã? – retrucou. — Odeio ter de questionar o seu trabalho, mas de que serve uma arma na gaveta se a dona está dormindo? – seu tom fora irônico e debochado. Eu sabia que ele era assim, que tais atitudes faziam parte de sua personalidade forte, mas comigo as coisas seriam diferentes.
— Não serve de nada. – dei de ombros. —Não vou estar dormindo, Edward. Vou descansar quando você estiver nas reuniões de negócios.
—Então, vai ficar acordada a noite toda?
—Exatamente.
—Vai ficar me olhando dormir? – a pergunta foi feita de maneira direta, como as outras. Ele me olhava bem nos olhos. No entanto, o brilho dos olhos era diferente, estava carregado de sensualidade e provocação. Desviei o olhar desejando fortemente que minhas bochechas não corassem.
—Não vou estar olhando para você. Vou estar olhando para a porta.
—Vai ser uma longa noite para você. – colocou enquanto desabotoava os primeiros botões da camisa social. Foi impossível não reparar na pele lisa de seu tórax. —Mas se ficar cansada, podemos dividir a cama...
Insinuou abrindo um sorriso safado. Aquilo me deixou levemente irritada. Ele mal me conhecia e já queria me levar para cama? Bufei alto arrumando a postura e o encarando duramente.
—É bom que algumas coisas fiquem bem claras aqui. – pedi com a voz firme. —Só estou aqui para protege-lo. Nada mais. – Edward sorriu torto enquanto arregaçava os punhos da camisa. Sua postura era pura provocação. Algo em seus olhos me dizia que não acreditava em mim.
—Segundo? Acho que tem mais para me dizer. – estreitou os olhos e correu a mão pelo cabelo.
Ele era tão irritante quanto lindo. Como podia aquilo?
—Não pode sair do quarto sem falar comigo antes. Ou o acompanho aonde for...
—Posso ir ao banheiro sozinho? – bufei alto diante seu comentário irônico. —Estou brincando! – arqueou as mãos e me lançou uma piscadela divertida. Ele estava se divertindo as minhas custas.
Babaca!
Ignorando sua postura idiota, continuei a ditar as normas, mas Edward já não prestava atenção. Virou-se de costas e retirou o macbook da maleta, em um gesto claramente insolente.
—Ainda não terminei. – ao invés de se virar, ele ligou o computador. —Estou falando com você, Edward.
—Pode falar, minha linda. Não preciso olhar para você para escutá-la.
Sua atitude me irritou ainda mais. Entreabri os lábios algumas vezes procurando algo para dizer, enquanto ele tirava os sapatos e se sentava calmamente na cama gigante. Minha respiração forte pareceu chamar sua atenção e finalmente seus olhos se voltaram para mim. Novamente aquela diversidade azulada e esverdeada me surpreendeu. Eram tão raros, tão lindos.
—Desculpe. – seu pedido me pegou de surpresa. —É que eu prometi ligar para a minha filha, ela deve estar esperando.
Sua justificativa fora o xeque mate do jogo. Não o contestei, nem podia. Uma das coisas que Emmet havia me dito era sobre o amor que Edward tinha pela menina, e eu pude sentir um pouco daquilo na breve reunião que tivemos em Miami. Fora por causa da segurança dela que ele aceitara toda aquela operação.
Eu só esperava que, se não pegássemos a pessoa que estava por trás de todos aqueles atentados naquele fim de semana, Melissa gostasse de mim e me aceitasse como “namorada” de seu pai. Não só ela, mas toda a família Cullen.
Procurei lhe dar certa privacidade para que falasse com a filha, e mesmo estando na pequena sala de estar, pude ouvir a voz doce e infantil. Não precisei ver Edward para saber que ele se desmanchava quando falava com ela.
Aproveitei o momento a sós para olhar as mensagens em meu celular, a maioria era de Alice, reclamando da perseguição de Ângela que ainda não “engolia” sua presença. Emmet também havia mandado algumas repassando cada uma das instruções.
Rolei os olhos diante o irônico fato de que quem parecia não se lembrar das regras era Edward e não eu.
—Pronto, minha linda. – o perfume de Edward chegara à sala, antes mesmo que ele. Arrumei a postura no sofá e de soslaio o vi entrar no cômodo. Parecia mais relaxado que antes. —Minha atenção é toda sua!
—Me chame de Bella, por favor. – pedi um tanto quanto sem jeito por causa de suas palavras. Edward sorriu torto e caminhou até o bar, visivelmente sem dar importância ao meu pedido.
—Bebe algo, minha Bella? – sua voz entonara provocação enquanto ele se servia com whisky. Rolei os olhos.
—Não, obrigada. – Edward se virou sorrindo e veio em minha direção caminhando feito em leão. A postura reta e a camisa levemente desabotoada. Sentou à minha frente e correu a mão pelo cabelo tirando os fios cobres do penteado bem feito pela primeira vez. O cabelo desgrenhado lhe dava um charme a mais...
—Sou todo ouvidos! – suas palavras me obrigaram a sair dos devaneios e pigarreando, abaixei os olhos até meus pés. As unhas bem feitas os deixaram atraentes como nunca pensei que pudessem ficar.
—Precisamos estar em sincronia caso alguém faça perguntas sobre o nosso suposto namoro. – comecei evitando olhar dentro daquelas joias profundas. —E eu tenho certeza que farão.
—Sim. – concordou tomando um gole da bebida âmbar. —Principalmente minha família.
—Pois é. Não podemos deixar brechas, ninguém pode suspeitar que não estamos juntos de verdade. – Edward já estava casando de ouvir aquilo, a impaciência que delineou seus traços perfeitos, deixou bem claro. Mas eu precisava repetir, não tínhamos a oportunidade de errar.
—Emmet já me disse isso milhões de vezes. – rolou os olhos tomando mais um gole do whisky. —E eu sei muito bem como agir na frente dos outros. Sei como tratar uma mulher. Ou melhor, a minha mulher. – seu sorriso malicioso me fez recuar.
—Não sou sua mulher. Não confunda as coisas. – fiz questão de deixar aquilo bem claro, Edward era famoso pela lista infinita de mulheres com quem havia dormido, e eu não pretendia fazer parte dela.
—Mas temos que fazer os outros acreditarem que sim, não é?
Ele estava jogando, eu sabia. Me encarava com diversão enquanto esperava por minha resposta. Bufei alto com a impaciência crescendo dentro de mim.
—Já que essa parte está certa, vamos para o que interessa. – mudei de assunto e odiei o sorriso vitorioso que ele abriu. —Tem alguma ideia de quem pode estar querendo fazer mal a você?
—Não. – deu de ombros deixando explicito que não se importava.
Respirei fundo encarando-o firmemente, as vezes parecia que tudo aquilo não passava de uma brincadeira para ele. Retirei o cabelo disposta a tentar de novo.
—Tem algum inimigo?
Edward riu alto de alguma piada que deixei passar. A ironia brilhava em seus olhos preciosos. Preciosos demais para pertencer a um homem tão irritante.
—Vários. Faço mais inimigos do que fecho negócios. – ergueu o copo e o parou a frente do rosto, seu semblante contraiu um pouco enquanto pensava. —Só esse mês fechei dez contratos.
Gabou-se tomando o último gole do whisky. Como ele podia ser tão insolente?
—Preciso que seja mais direto, Edward, se tem alguma suspeita, alguma pista de quem pode estar por detrás dessas ameaças e atentados, é fundamental que você me conte.
—Tenho muitas suspeitas. Muitas pessoas não gostam de mim, não dá nem para nomear a todos.
Apertei os lábios sentindo o peso em meus ombros. A maioria das pessoas que se encontravam na mesma posição de Edward criavam lista com nomes e mais nomes de prováveis mandantes, mas ele continuava ali. Sentado à minha frente na mesma postura impassível, olhar debochado e sorriso malicioso.
—Desse jeito não vou conseguir proteger você. – confessei e no mesmo segundo, me arrependi.
—Não posso imaginar como uma mulher que tem metade de meu peso, que sua altura não chega nem nos meus ombros, tem qualquer chance de me proteger... – deixou o copo vazio sobre a mesa lateral enquanto falava. —Talvez seja excelente em artes marciais, pode ser. Mas nenhuma faixa preta vai poder impedir uma bala. Esse não é o tipo de trabalho para mulheres.
Não sei exatamente o que me irritou mais. Suas palavras machistas, o olhar de desdém, ou a mordida sensual que deixou em seu lábio inferior antes de sorrir torto.
—Posso saber qual o tipo de trabalho para uma mulher? – minha voz saíra destilada pela raiva que sentia. —Gravidas que cozinhem, lavem e passem?
—Não seja ridícula!
—Não tão ridícula quanto as conclusões que acabou de tirar. Pelo menos as minhas conclusões são baseadas em fatos reais. Andei lendo muitas coisas a seu respeito, senhor Cullen.
—Visitou alguns sites de fofoca e acha que me conhece? – seu olhar era desafiador.
—Como você é arrogante! – dizer aquilo em voz alta era um alívio. —Deve achar que a única coisa que uma mulher sabe fazer é massagear seu ego já inflado de tanto convencimento. – me levantei em um impulso rápido, sentia meu rosto arder pela raiva. —Mas vidas estão em jogo aqui. Não apenas a sua. Por isso, é melhor que aceite as regras do jogo, Edward. Pelo menos, por alguns dias. Goste ou não, vai ter de me suportar. E qualquer problema que tenha com relação a isso, é bom guardar para si mesmo. Depois, nunca mais precisará me ver novamente.
Não esperei que me respondesse, lhe dei as costas e marchei até o banheiro fechando a porta com certa brutalidade. Apoiando as mãos trêmulas na pia de mármore preto me encarei no espelho. Meu rosto estava levemente vermelho e sabia que a maquiagem anulava um pouco do rubor que a raiva provocara. Estava perplexa com o diálogo firme que tinha trocado com Edward, como ele podia ser tão machista e mal-agradecido?
Abri a torneira com água fria e molhei os pulsos, tentando me acalmar e organizando os pensamentos antes de voltar para o suntuoso quarto. Estava esperando outro round de ironias e ofensas. Ele devia estar ainda mais furioso por eu ter me fechado no banheiro.
Pois ele que abaixasse aquela crista. Problema dele se todas as mulheres caíam aos seus pés e faziam o que ele queria. Comigo seria tudo diferente. Poderíamos fingir para o mundo que havia algo entre nós dois, mas eu jamais seria uma de suas amantes alienadas. Jamais.
Decidida, saí do banheiro com o peito inflado e completamente preparada para rebater qualquer comentário idiota que ele fizesse.
O carpete macio abafou o barulho dos meus passos, e talvez tenha sido por isso que Edward não notara minha presença na sala de estar. Parado em frente as janelas que iam do chão ao teto, ele encarava o horizonte fixamente.
Sua postura solitária me fez recuar. Parecia perdido, o que me surpreendeu um pouco, emitia um ar de fragilidade em um homem sempre orgulhoso e seguro, que evidenciava um lado que ele fazia questão de não revelar.
—Edward? – chamei com a voz livre da secura de antes, e esperei que ele voltasse a vestir a máscara do magnata Cullen, que demonstrasse a indiferença de sempre. Porém, ele continuou olhando através da janela e a voz saiu baixa e suave quando ele finalmente falou.
—Desculpe-me.
Nem por um segundo imaginei que Edward fosse se desculpar. De alguma forma, senti que as palavras dele foram sinceras. De alguma forma, sabia que alguém como Edward Cullen não se desculpava a não ser que realmente achasse que estava errado.
—Às vezes, passo dos limites.
—Às vezes? – um breve e sutil sorriso surgiu em meus lábios.
—Está tudo...
Edward ergueu os ombros em busca da palavra certa, o semblante contorcido pela frustração.
—Uma bagunça? – o ajudei. Ele fez que sim, lentamente.
—Sei que não queria tudo isso, mas logo vamos descobrir quem está por trás disso. No final, tudo vai dar certo, não se preocupe.
—Não é isso que me preocupa.
—O que é, então? – me aproximei uns passos verdadeiramente ansiosa pela resposta.
Ele se voltou para mim sem pressa. A preocupação que seus olhos refletiram me impactaram tanto que dei um passo atrás. Contudo, ele se recompôs no mesmo instante, recuperando o estado habitual, e sorrindo como se nada o incomodasse. A máscara estava firmemente recolocada, como eu bem havia previsto.
—Só quero que isso acabe logo. – tirou as mãos do bolsos e abotoou os botões da camisa que havia soltado mais cedo. —Agora, se quiser, pode avisar aos seus colegas que estou indo para a sala de conferência para começar o meu dia.
Senti um grande alívio quando Edward entrou na reunião. Um alívio em voltar para o quarto, trancar a porta e, finalmente, deixar que minha própria máscara caísse por algumas horas. Saí daquele vestido justo e quente, fechei as cortinas, e me espalhei na cama onde passaria as próximas noites. Precisava dormir e descansar um pouco.
O vibrar do celular na mesa de cabeceira me despertou do sono profundo, soltei um rápido bocejo antes de atender a ligação.
—Oi, Emmet. – estiquei o corpo sobre o colchão espreguiçando todos meus músculos.
—Oi, Bella. Como estão as coisas? – sua voz era uma mescla de preocupação e curiosidade.
—Funcionando. Eu acho. – me sentei na cama em um impulso rápido. —Edward ainda não parece muito satisfeito com tudo que estamos fazendo.
—Ele se acostuma. – respondeu após soltar um riso rápido. —E... Está tudo bem entre vocês dois?
—Você deveria ter me avisado que ele é mais prepotente e machista do que a maioria dos homens, mas tirando isso... – Emmet voltou a rir, dessa vez com vontade. —Estou falando sério, mal começamos e ele já está questionando meu trabalho.
—Edward é assim com todo mundo. Nada o irrita mais do que estar fora do controle da situação.
Eu imaginava que sim. Um homem poderoso, que comandava uma cadeia de hotéis e negócios bem sucedidos, deveria crer que poderia controlar o mundo. No entanto, ele que aprendesse a lidar com as próprias frustrações.
—Mudando de assunto, estamos monitorando o hotel e investigando cada um dos funcionários. Aparentemente não há nada de errado aí, mas continue atenta.
—Sempre.
—Se tudo der certo, pegamos a pessoa que está por trás disso nesse fim de semana, e você tirará longas férias.
Sua promessa fora tão doce quanto mel. Aquilo era tudo que eu precisava.
—Mas pelo sim, e pelo não, já estou cuidado da volta de vocês para Miami. – seu complemento me sugou para a realidade. Contive o suspiro de frustração, sabia que quando voltássemos para Miami tudo seria ainda mais difícil. —Bom, Alice acaba de informar que a reunião está prestes a acabar. Vá se arrumar, Edward se encontrará com você no bar.
Afundei o rosto na mão tendo consciência de que era hora de voltar ao trabalho. Fui direto para o banho, assim que encerrei a ligação com Emmet. Tomei cuidado para não molhar meu cabelo perfeitamente escovado e tive certa dificuldade em escolher o que vestiria. A maioria das roupas dentro das malas eram vestidos provocadores e sensuais demais para mim, mas o que eu podia fazer? Tudo aquilo fazia parte da personagem.
Cobri meu rosto com maquiagem usando do poder dos corretivos para cobrir as olheiras que se instalaram abaixo dos meus olhos, sabia que era resultado do cochilo a tarde.
Inspecionei meu visual dentro do elevador, e o reflexo me agradou bastante. O vestido preto tinha decote ombro único, caimento slim e bainha assimétrica, modelava meu corpo e combinava muito bem com as sandálias prateadas que usava, que apesar de serem tão desconfortáveis quanto as outras, eram lindíssimas.
Tirei o batom nude de dentro da pequena bolsa onde minha arma também estava, e o retoquei em meus lábios um instante antes das portas se abrirem no bar.
Caminhei pelo bar com o queixo erguido procurando não olhar para ninguém ao meu redor. Não podia abandonar aquela postura de mulher esnobe e fútil, por mais que aquilo me incomodasse horrores. Sentei no banco de veludo confortável e fingi indiferença quando o garçom se aproximou perguntando o que eu gostaria de beber.
—Daiquiri de morango. – respondi enquanto olhava de relance para Erick para ter certeza de que ele me viu entrar. Era imprescindível que ninguém suspeitasse nem por um segundo que eu estava checando o local cuidadosamente. Caso estivesse sendo observada, poderia causar suspeitas se pedisse um copo de água. Erick tinha sido escalado para trabalhar no balcão, servindo drinques. Além de observar os hóspedes que iam e vinham, tinha de garantir que os drinques servidos aos detetives disfarçados não tivessem álcool.
Os executivos começaram a chegar da reunião, e não precisei virar-me para notar a chegada de Edward. O burburinho e as risadas no local diminuíram. As conversas cessaram momentaneamente quando ele entrou. Os empregados voltaram suas atenções para ele e as mais lindas mulheres começaram a se ajeitar sem tirar os olhos de Edward. A presença dele era majestosa e também carismática. Seus movimentos e trejeitos eram singulares e causavam frisson.
Edward era mesmo um homem lindo, que enfeitiçava as mulheres e acuava os homens. Não tinha certeza do que esperar dele, enquanto o via caminhar até mim, em toda sua honra e glória.
Talvez a mesma atitude machista e arrogante, ou uma breve apresentação à sua equipe.
Sua atenção estava toda concentrada em mim, os olhos fixos em mim e apenas em mim, quando cruzou o bar após dispensar a equipe. Uma coisa eu não podia negar: ser o alvo daqueles olhos tão lindos e peculiares causava sensações gostosas no estômago.
Ele veio direto para mim, sem desviar os olhos. Era bom demais para ser verdade e, por alguns segundos, regozijei-me com aquela situação, e fingi acreditar que era realmente especial para Edward.
—Como foi a reunião? – perguntei quando ele se sentou. A proximidade era mais embriagante que um licor, suas coxas fortes tocavam as minhas e a voz era baixa e penetrante. Por causa dos ruídos do ambiente, tive de me inclinar para escutá-lo melhor.
—Não é assim que você me cumprimentaria se fosse minha mulher.
As mãos quentes tocaram meus cabelos, enquanto os dedos massageavam minha nuca. Pequenos choques eletrificaram todo o meu corpo, ao mesmo tempo que a boca de Edward se aproximava da minha.
Olhou no fundo dos meus olhos e abriu um sorriso malicioso antes de me beijar. O sabor era puro perigo.
O beijo era tentador, de tirar o fôlego. Mesmo que as palavras "minha mulher" fossem machistas e preconceituosas, ainda assim causaram uma pontada de excitação em meu estômago. Talvez pela fantasia de ser a mulher dele, por ser recebida com um beijo tão divino. A língua de Edward era tão macia e habilidosa, que cheguei a tremer por dentro. Sua total falta de inibição, e a completa inconveniência dos seus atos, causaram um efeito estarrecedor em meus hormônios.
—É assim que você devia me cumprimentar.
Me lançou uma piscadela quando se afastou, a respiração tão ofegante quanto a minha, os olhos queimavam feito chamar. Ainda extasiada por aquele beijo delicioso me vi completamente sem palavras. Nenhuma resposta coerente passava por minha cabeça.
O que eu podia dizer a ele? O que eu queria dizer a ele?
Não sabia. Só sabia que estava me enfiando em problemas. Problemas extremamente deliciosos.
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