Refém da Paixão

25 Bem-vindo, senhor Cullen


Notas iniciais
Oi, meninas! Voltei mais rápido que o esperado para agradecer a mais uma leitora especial que recomendou a fic: Zero ♥ Meu amor muito obrigada pela recomendação maravilhosa, eu amei muito e espero que goste desse capítulo, ele é dedicado a você! Espero que gostem, boa leitura :)

O clima dentro do escritório estava um tanto quanto pesado. Emmet parecia estar a ponto de ter um surto e não sabia se era pelo o que as câmeras de segurança haviam revelado ou se era apenas um reflexo da noite que passamos em claro.

Nós nos unimos a ele e a Joe que rapidamente trancou a porta assim que entramos no cômodo amplo.

—O que viram? – intercalei os olhos entre os dois. Emmet não respondeu, simplesmente girou o monitor do computador para que Edward e eu pudéssemos ver o que era exibido na tela.

—Esse é o momento em que Jéssica chega na festa. – narrou dando zoom na figura encapuzada. Ela estava visivelmente apressada, passava por entre os convidados com certo desespero. Foi impossível não me sentir mal ao vê-la daquele jeito.

Se tivéssemos nos encontrado antes...

—Percebam que nesse momento ela encontra o Edward. – continuou analítico.

Jéssica permaneceu parada por longos segundos, parecia pensar no que fazer. Até que decidiu sacar a arma. O ângulo daquela câmera mostrava que seu alvo era o Edward e realmente fiquei sem entender.

Porque ela ia querer mata-lo?

—Ela estava mirando em mim, está claro... – Edward apontou visivelmente ultrajado.

—Foi o que pensei, mas Joe acessou as gravações da câmera rotativa de trezentos e sessenta graus, e... – Emmet fez uma pausa e fitou Edward com certa pena como se o que viesse a seguir fosse lhe causar um grande impacto. —É melhor deixar vocês assistirem.

Emmet acenou para Joe que correu em direção a mesa. Seus dedos trabalharam rápido no mouse e então ele deu play na gravação. Dessa vez estávamos enxergando tudo de um ângulo elevado. A filmagem não tinha a mesma qualidade das outras, mas foi possível identificar Jéssica. Seus movimentos repetidamente assistidos se repetiram mais uma vez e assim que ela empunhou a arma, Joe deu pause na gravação.

—Passei horas medindo e remedindo os ângulos, só para ter certeza que o alvo não era o senhor. – ele olhou para Edward por um instante antes de continuar. —Reparem que se traçarmos uma linha reta, a mira de Jéssica ia um pouco mais para a direita e não necessariamente para Jéssica.

Um traço amarelo surgiu na tela para detalhar a explicação de Joe. Era possível perceber que o foco de Jéssica estava a pelo menos trinta centímetros para a direita de Edward.

Não sei exatamente qual sentimento repercutiu com mais intensidade dentro de mim. Um pouco de alívio por saber que ela não havia nos traído, mas muita culpa por saber que ela havia morrido em vão.

—Ok, se o alvo não era eu. Mas quem era então? – Edward não escondeu a impaciência e eu o entendia completamente.

—Pode continuar, Joe. – Emmet deu a permissão após os dois se encararem por um segundo torturante.

Joe deu play nas gravações somente para abrir zoom em outro ângulo. Foi então que as câmeras revelaram a imagem sombria e ultimamente tão especulada por minha mente: James e Victória.

Os dois falavam entre si, pareceram notar a presença de Jéssica e se afastaram segundos antes o disparo de Erick.

Meus batimentos cardíacos aceleraram imediatamente e em um estalo de dedo tudo pareceu fazer sentido. Victória se passava pela ex mulher perfeita, mãe dedicada e apaixonada pelo atual marido. Aquilo a fazia passar despercebido por todos, principalmente por Edward.

Boquiaberta eu o olhei de soslaio e percebi o quão incrédulo ele estava.

—Não. Victória não iria... – correu a mão pelo cabelo e a desceu pelo rosto. —Isso não pode ser verdade!

—Edward, analisamos todos os outros ângulos possíveis e Joe é perito em câmeras, ele não se engana. – Emmet contraiu os lábios, parecia decepcionado. —Jamais te chamaria aqui e te mostraria isso se ainda restasse alguma dúvida. Jéssica ia atirar em Victória ou James.

Edward deu alguns passos para trás e começou a caminhar em círculos dentro do escritório. Podia sentir o quanto ele estava tenso, preocupado, nervoso... Foi impossível não me compadecer. Ele sempre confiou muito em Victória, sempre a defendeu...

—Porque ela faria isso? – perguntou de olhos fixos em Emmet.

—Não sei, mas vamos descobrir, eu te garanto...

—Não acredito que seja ela. – bateu o pé tentando soar firme, mas a verdade é que seu semblante não escondia o desgosto. —Não faz o menor sentido, ela é a mãe da minha filha...

—Eu também não queria acreditar que Victória está envolvida nisso, mas pense bem, Jéssica trabalhava lá dentro. Ela ligou para a Bella e disse ter descoberto coisas, onde mais ela poderia ter descoberto, senão na casa deles? – o argumento de Emmet era incontestável, tanto que Edward nem se moveu. —Sei que é difícil para você acreditar, mas há provas que são incontestáveis.

Edward continuou imóvel e o olhos se perderam em algum pensamento. Vê-lo daquela maneira me incomodava mais do que pensei que fosse. Não queria vê-lo sofrer. Nunca.

—Eu não... Não sei nem o que dizer... – seus ombros caíram e sua voz deixou explicito o quão perdido ele estava.

Sentou em uma das cadeiras e apoiou os braços nos joelhos. Os olhos permaneceram fixos no piso de mármore como se a solução de seus problemas fossem sair de lá.

—Será que vocês podem dar licença um minuto? – pedi a Emmet e Joe que rapidamente acataram ao meu pedido.

Prendi o ar nos pulmões ao fechar a porta e me ver sozinha com Edward. Não sabia exatamente o que lhe dizer, mas precisava que ele percebesse que eu estava do seu lado, assim como ele sempre esteve do meu.

—Hey. – agachei a sua frente e segurei em suas mãos. Seus olhos demoraram a vir para os meus e quando vieram, pude ver o quanto ele estava sofrendo com tudo aquilo. —Eu sei que nada do que eu disser vai amenizar as coisas, mas eu quero que saiba que estou com você, ok? – toquei seu rosto afagando seu queixo, sua barba cerrada pinicou meu polegar.

Edward contraiu os lábios e então respirou fundo.

—Não quero que esteja. – respondeu para toda a minha surpresa. —Quero que saia do caso.

Rolei os olhos diante sua insistência sem fundamento.

—Já tivemos essa conversa...

—É, mas você não estava grávida. – me interrompeu ainda mais firme. —E se estava, não sabíamos. Quero que se afaste de tudo isso e vá ficar em segurança. Quero você e meu filho em segurança.

Bufei alto ao me colocar de pé. Havíamos acabado de chegar a uma conclusão coerente, estávamos perto de terminar tudo aquilo, e a única coisa que ele sabia dizer era que queria que eu deixasse o caso.

—O que você sugere que eu faça, Edward? – o encarei, mas não esperei por sua resposta. —Que eu arrume as mala e vá tirar férias na América Latina em um dos seus hotéis maravilhosos?

—Quero que se afaste dessa confusão, será que você não percebe que pode estar em perigo? – ele se colocou de pé e correu a mão pelo cabelo, visivelmente nervoso. —Se Jéssica te ligou da casa de Victória, eles podem muito bem ter ouvido... Já tentaram te fazer mal uma vez, tenho certeza que vão tentar de novo...

—Não vão, porque nós vamos prendê-los antes disso...

—Quem garante? – seus olhos sérios pararam em mim. —Eu não estou disposto a pagar para ver. Se Victória está por trás disso, o motivo só pode ser dinheiro, e ela não vai querer dividir a herança da Melissa com o bebê que você está esperando.

Eu entendia seu ponto de vista, mas jamais ia me afastar dele. Principalmente em um momento tão crítico.

—Eu não vou me afastar de você. – disse silaba por silaba na esperança de que ele me ouvisse. —E ninguém vai saber que eu estou grávida até que tudo isso acabe. – ele rolou os olhos e soltou o ar pela boca. —Você precisa entender que me afastar de você agora, é o mesmo que assinar seu atestado de óbito!

—E ficar comigo é o mesmo que pedir para... – parou verdadeiramente horrorizado com o que poderia acontecer. —Podem machucar você. Pode acabar perdendo o bebê. É difícil entender isso?

—Nada vai acontecer comigo ou com o bebê. Eu nunca fui o foco deles. Sempre fizeram de tudo para te atingir. É a sua cabeça que eles querem. – porquê era tão difícil fazer ele entender aquilo? —Não vou deixar a Melissa sem pai, não vou deixar que meu filho cresça sem o pai. – Edward contraiu o maxilar, pude perceber que aquilo o assustava tanto quanto me assustava. —Não é hora de discutir, nós precisamos agir. – fiz uma pausa para poder respirar e aproveitei para me aproximar dele. —Precisamos tirar a Melissa de lá e coletar provas concretas para condená-los...

—Não consigo acreditar que isso está acontecendo... – assumiu com pesar.

Preferi não expressar meu apoio em palavras, as vezes um abraço falava muito mais que frases. Passei os braços por seu pescoço e o puxei para abraça-lo. Edward retribuiu prontamente. Sabia que ele precisava de mim, por mais que ele pedisse para eu me afastar.

Abri a porta para que Emmet voltasse para o escritório assim que Edward demonstrou mais firmeza. Nós nos sentamos nas poltronas e soube que estava na hora de traçar um plano, só esperava que daquela vez funcionasse.

—O que vamos fazer agora? – perguntei a Emmet que respirou fundo algumas vezes antes de se pronunciar.

—Vamos varrer a casa deles de cima a baixo até encontrar algo que os ligue a algum atentado...

—Não dá para prendê-los e coloca-los contra a parede? – Edward questionou um tanto quanto aflito.

—Não. Não temos provas, Edward. Eles podem negar e tudo cairá por terra... – Emmet respirou fundo e então voltou sua atenção para mim. —Vocês precisam ir buscar a Melissa, e quero que você dê uma circulada pela casa...

—Porque ela? – Edward interrompeu. —Porque não coloca outra pessoa para fazer isso?

—Porque a Victória não é idiota. Se eu colocar um agente infiltrado lá, ela pode perceber que estamos vigiando-os. – respondeu o obvio. —Vocês vão lá para buscar a Melissa, a Bella vai passar despercebida...

—E se a Victória souber que a Bella é uma agente? – Edward rebateu ainda inconformado. —Não vou deixar que ela se arrisque assim...

—Ok, eu vou junto. – Emmet teve que ceder as pressões de Edward. —Ligue para Victória e avise que quer trocar seus dias, que vai viajar a trabalho, enfim... Avise que vamos passar lá a noite.

—Ainda acho uma péssima ideia...

—Edward, não temos tempo para perder, eles sabem muito mais sobre nós, do que nós sabemos deles. – minha fala atraiu sua atenção. —Não sabemos até onde eles estão dispostos a ir, o que estão dispostos a fazer... Precisamos tirar a Melissa de lá, e precisamos de provas para poder acabar com isso logo!

Edward não pareceu nem um pouco confortável com aquilo, mas pela primeira vez na manhã resolveu não contestar.

—Acho melhor vocês irem descansar. Fortes emoções nos aguardam a noite! – Emmet deu o conselho.

Saímos daquele escritório muito mais preocupados do que entramos. A verdade é que a preocupação só aumentava. Quanto mais o tempo passava mais pessoas estavam envolvidas, estavam em perigo, aquilo era torturante demais.

—Edward, sua família está reunida lá em baixo para o café da manhã. – Senna informou assim que nos viu no corredor. —Posso arrumar seus lugares na mesa?

—Pode, Senna. Vamos nos trocar e já descemos.

—Certo. Com licença. – ela maneou a cabeça e se afastou com toda sua educação de sempre.

Nós seguimos em direção a suíte master no mais profundo silêncio, podia sentir o quão tenso e contrariado ele estava. Entendia toda a preocupação de Edward em relação a mim e ao bebê, mas não podia correr o risco de me afastar da missão no momento mais crítico de todos.

Tudo aquilo que tinha acontecido nas ultimas horas, somada a noite em claro e o susto da gravidez inesperada, deixaram meu corpo moído. Eu precisava de um banho para recuperar ao menos um pouco da minha energia.

—Vem tomar banho comigo? – chamei assim que entramos na grande suíte.

Edward me olhou fixamente por alguns segundos e então assentiu com a cabeça. Ainda em silencio me seguiu até o banheiro e nos despiu com calma. Entramos de baixo do chuveiro juntos, a pressão da água era perfeita e ajudava bastante a relaxar meus músculos tensos.

—Eu estou tão cansado disso tudo. – sua voz saiu baixa e levemente abafada pela água. Apoiou a cabeça em meu ombro e pude sentir que ele estava exausto. —Não vejo a hora desse pesadelo acabar para que possamos focar no que realmente importa...

—Tenho certeza que vai acabar mais rápido do que pensamos. – queria acreditar que sim, queria me apegar aquilo também.

Edward ergueu a cabeça para me encarar, seus olhos peculiares estavam fartos de sentimentos, era difícil saber qual se expressava mais naqueles orbes raros.

—Não quero que nada de ruim aconteça com você ou com o nosso filho. – sua sinceridade foi quase palpável.

Nosso filho.

Pensar que estava grávida de um filho de Edward era quase surreal. Tudo aconteceu tão rápido, desde os sintomas, as suspeitas, a confirmação. Ainda era difícil assimilar que havia uma vida dentro de mim.

Felizmente eu havia tomado a decisão certa de lhe dizer o que estava acontecendo. Edward me deu todo seu apoio e aquilo foi fundamental assim que vi a palavra “gravida” nos dois testes de gravidez.

Ele me abraçou e disse muitas palavras positivas, fez questão repetir que estava muito feliz por saber que seria pai novamente. E foi então que percebi como tive sorte de estar grávida daquele homem incrível e que eu amava tanto.

—Nada ruim vai acontecer com a gente. – garanti enquanto afagava seu rosto.

—Depois que isso acabar, você vai deixar essa vida para trás, não vai?

Engoli a seco diante sua pergunta. Eu sempre amei a minha profissão, ela nunca foi um problema para mim e pensar em desistir dela me deixava extremamente desconfortável. Contudo, de outro lado estava a família que eu sempre quis, o homem que amava e meu bebê.

—Vamos deixar para resolver isso depois, ok? – não queria lidar com mais uma questão naquele momento. Já tinha coisa demais na cabeça.

Edward não insistiu no assunto, me puxou pela cintura e me beijou de baixo do chuveiro, enquanto a água quente corria por nossos rostos. Nossas vidas estavam completamente confusas, mas eu saber que podia contar com ele deixava as coisas um pouco mais leve.

O cansaço me pegou em cheio assim que saímos do chuveiro. Tudo o que eu queria era cair na cama e dormir por horas, e iria fazer aquilo assim que terminasse de tomar o café da manhã. Não sabia se era a gravidez, mas estava faminta!

—Bom dia. – Esme desejou assim que nos viu. Ela usava óculos escuros e sabia que era para cobrir as possíveis olheiras que contornavam seus olhos.

—Bom dia. – Edward e eu respondemos juntos enquanto nos sentávamos a mesa. O clima ainda estava pesado e com razão.

Ninguém estava afim de falar muito e isso ia desde Carlisle a Rosalie, que ultimamente andava bastante quieta. Não entendia muito sobre o transtorno mental que ela tinha, mas sabia que devíamos ficar de olho, principalmente porque ela não estava se medicando.

—Vocês conseguiram descansar? – Jasper perguntou enquanto comia uma panqueca de cacau.

—Ainda não, Bella passou muito mal durante a noite. – senti o corpo de Edward tensionar assim que ele terminou de falar, havia falado demais e sabia disso.

—O que você tem, querida? – Esme perguntou com certa preocupação.

—Fiquei um pouco chocada com tudo o que aconteceu. – expliquei rapidamente. —Mas já estou melhor.

—Que bom! – seu sorriso foi doce e sincero.

Por mais que tivesse considerado a opção de Esme estar envolvida nos atentados contra Edward, estava feliz e aliviada por ela ser inocente. Edward não precisa se decepcionar ainda mais, por mais que Victória e James tivessem lhe deixado impactado, sabia que se fosse alguém de sua família ele teria ficado ainda pior.

Nós comemos em um silêncio pesado que as vezes era quebrado, a verdade é que ninguém estava com muita vontade de conversar.

—Você está melhor mesmo? – Alice me perguntou quando nos afastamos da roda de despedida, era hora de cada um voltar para sua casa, para sua vida.

—Estou. – concordei com a cabeça. —Preciso dormir um pouco, estou esgotada!

—Eu também. – soltou o ar pela boca. —Qualquer coisa me avisa?

Maneei a cabeça em concordância. Queria muito contar sobre a gravidez para Alice, mas ainda precisava processar tudo o que estava acontecendo, e não estava conseguindo pensar em nada. Minha mente estava zonza de sono.

—Já avisei a Victória que vou buscar a Melissa hoje. – Edward contou assim que voltamos para a suíte. Eu me sentia em casa quando lá estava lá dentro, em casa e segura.

—E o que ela disse? – arrumei os travesseiros para que pudesse me deitar. Não deveria ter comido tanta panqueca, meu estômago começava a enjoar novamente.

—Não se opôs. – deu de ombros antes de se sentar ao meu lado. —Ainda não consigo acreditar que Victória está fazendo isso. Nós sempre nos demos tão bem, sempre confiei nela...

—Imagino a decepção que deve estar sentindo.

—É mais que decepção. – assumiu. —Estou, sobretudo, preocupado. Não queria que minha filha perdesse a mãe. Imagine o que a Melissa vai sentir quando descobrir tudo isso? – seus olhos se uniram aos meus e pude sentir tudo o que ele sentia. —Óbvio que ela vai levar um tempo para entender, mas e quando entender? Como vou explicar para ela que a mãe dela estava tentando me matar?

—Vai ser difícil para ela. – aquilo era incontestável. —Mas você vai estar do lado dela, eu vou estar do lado dela. – tomei ar pela boca antes de continuar. —Eu tinha treze anos quando minha mãe decidiu ir embora com outro homem e me deixou com o meu pai. Foi horrível, não vou negar. Mas doeu muito mais quando meu pai morreu, porque ele era incrível. Mesmo trabalhando muito, ele era incrível. E você também é incrível, tenho certeza que a Mel vai perceber isso. Vai ver a sorte que ela tem.

Edward não pareceu muito convencido daquilo, mas esticou o corpo e se deitou sobre mim.

Passei os braços por seu pescoço e aceitei os beijos que ele deixou em meu rosto.

—O que eu seria sem você, hein?

—Um homem mais machista com certeza. – brinquei e o vi rir pela primeira vez em horas.

—É, acho que você me passou umas lições. – me lançou uma piscadela e beijou a ponta do meu nariz. —Uma delas bem doloridas aliás.

Daquela vez fui eu quem riu. Gargalhei, aliás. Foi impossível não me lembrar do acontecimento no hotel. Ainda nem nos conhecíamos direito e tive de usar da força para domar aquela fera.

—Ainda não esqueceu aquilo?

—Não. – rebateu. —Aquilo doeu muito!

—Awn! – curvei os lábios e tentei reconforta-lo com um abraço. —Mas você mereceu!

Edward rolou os olhos, mas não contestou. Ele sabia que era verdade.

Me lembrar de como éramos no começo daquilo tudo me fazia ter uma nostalgia imensa. Fazia quase quatro meses que havíamos nos conhecido, mas eu tinha a sensação que já tinha anos.

Era incrível com o tempo era relativo quando se tratava de Edward e eu.

Ter aqueles momentos de descontração com ele serviu para me deixar mais aliviada, e não sei dizer exatamente qual de nós dois caiu no sono primeiro. Só sei que quando despertei, o dia já havia ido embora, e era hora de levantar e me arrumar para encontrar Victória.

Foi difícil encontrar algo que me servisse, a maioria das peças estava apertada e não se era coisa da minha cabeça, mas já conseguia ver uma volta de crescimento na minha barriga.

Eu precisava ir no médico para descobrir de quanto tempo estava!

—Você está linda. – Edward elogiou assim que terminei de me arrumar. O vestido preto justo de alças finas marcava cada volta do meu corpo, inclusive minha barriga, mas o recorte do tecido ajudava a disfarçar.

—Você também está lindo. – ele sorriu, mas não conseguiu esconder o nervosismo.

Me aproximei com calma e segurei seu rosto entre as mãos. Edward contraiu os lábios e respirou fundo.

—Vai dar tudo certo, ok?

—Espero. – soltei o ar pela boca.

—Vai sim. – me coloquei na ponta do pé e deixei um beijo sobre sua boca. —Vamos?

Edward assentiu com a cabeça e segurou minha mão. Fizemos o trajeto até a sala de estar no mais profundo silêncio.

Tudo o que estava acontecendo estava nos deixando completamente abalados. Lidar com as confirmações em cima de Victória e James havia desestruturado tudo. Mas nós íamos conseguir passar por tudo aquilo.

—E então, prontos? – Emmet perguntou assim que chegamos na sala. Ele parecia tão aflito quanto Edward e eu, e minha desconfiança em cima dele estava começando a ir embora.

A verdade é que ninguém estava pronto para lidar com aquilo. Saber que a pessoa que estava tentando matar Edward estava tão perto era completamente perturbador.

O clima no carro permaneceu tenso e pesado. Ninguém ousou quebrar o silêncio, estávamos todos aflitos.

O apartamento de Victória não ficava muito distante da casa de Edward, ela morava na cobertura de um prédio de luxo e enquanto subíamos até o triplex só conseguia me perguntar se ela estava realmente fazendo aquilo por dinheiro.

—Haja naturalmente, Edward. – Emmet pediu diante a postura dura de Edward.

Apertei meus dedos aos seus, ele pigarreou e estalou o pescoço relaxando um pouco. Muito pouco.

—Olá, boa noite! – James atendeu a porta, o sorriso era grande e mantinha nas mãos um copo de whisky.

—Boa noite. – nós respondemos em um coro desorganizado.

James liberou nossa entrada e não precisei conhecer os três andares do apartamento de Victória para perceber que eles viviam no mais alto luxo. O ambiente era aberto, moderno e muito claro.

Havia fotos de Melissa por toda a parte, uma delas me chamou a atenção. No retrato, Melissa parecia ter uns cinco meses, era uma bebe gordinha e quase não tinha cabelo. O que mais chamava atenção ali eram os olhos redondos e heterocromáticos.

Era uma princesa!

—Porque não se sentam? Victória já deve estar descendo, está terminando de dar banho em Melissa. – nós nos sentamos nos sofás brancos e quadrados, podia sentir como a postura de Edward estava tensa. —Maria, por favor, sirva nossos convidados!

—Claro. O que os senhores e a senhorita gostariam de beber? – a empregada foi educada e reservada.

Emmet e Edward seguiram James e ficaram no whisky, eu me reservei a pedir uma água com gás. Meu estômago já dava sinais de que iria enjoar novamente e não sabia se era um sinal da gravidez, ou do nojo que estava daqueles dois.

—E então, como estão as coisas? Prenderam o segurança que atirou em Jéssica?

—Não, ele não está preso. – Edward respondeu seco. —Vai responder por homicídio culposo, em liberdade.

—Que bom! – James sorriu escarnio. —Acharia um absurdo prender o homem que salvou sua vida...

—Até onde sabemos, não é? – Emmet analisou tomando um gole da bebida âmbar.

—Se me permitem observar, sempre achei Jéssica meio descompensada. – proferiu com certa repulsa. —Acho que ela trabalhava para alguém que queria te fazer algum mal, Edward. – sua piada não teve a menor graça, pelo contrário, me soou ainda mais culpada.

Engoli a seco e respirei fundo, não via a hora de desmascará-lo.

—James, será que eu posso ir ao banheiro? – estava na hora de tentar encontrar alguma coisa.

—Claro! – sorriu fingindo uma simpatia que não existia. —Os lavabos daqui de baixo estão em reforma, mas se subir as escadas encontra o banheiro a esquerda.

—Certo. – me coloquei de pé e senti a preocupação de Edward aumentar. Fiz um aceno rápido com a cabeça tentando lhe garantir que tudo ficaria bem. —Com licença. – pedi antes de me afastar.

Meus passos ecoaram pela escada de mármore italiano. A pedra brilhava tanto que podia ver meu reflexo nela.

O segundo andar do apartamento de Victória era tão silencioso quanto o primeiro, e por isso preferi tirar os sapatos, eles eram um aviso da minha presença e tudo o que eu queria era passar despercebida.

Havia um mar de portas naquele corredor, mas consegui encontrar um escritório sem muita dificuldade. Seria meio obvio ter algo que os incriminava ali, mas não custava dar uma inspecionada.

O perfume de ambiente exalava um aroma de canela que era extremamente enjoativo para o meu organismo de grávida. Tentei manter a respiração presa enquanto abria as gavetas e folheava as agendas.

—Caralho! – praguejei quando deixei cair uma das pastas, e um mar de papeis forrou o chão do escritório.

Tentei recolhe-los o mais rápido que pude, mas foi um retângulo branco com escritas simples que me fez congelar.

No pequeno cartão branco que destacava letras negras dizia: “Bem-vindo, senhor Cullen.”

Um arrepio correu minha espinha assim que reconheci o cartão. Era o mesmo que era entregue a Edward com os lírios!

—Bella? – a voz chamou meu nome e foi impossível não me sobressaltar. —O que está fazendo aqui?

Notas finais
Eitaaaa... quem será que viu a Bella? E simmm, temos bebe a caminho o/ Fortes emoções nos aguardam, hein? Estão preparados? Pq de agora em diante vai ser bomba atrás de bomba hahahaha Por enquanto é isso... Nos vemos em breve! Beijos e boa semana!