Reencontros, memórias e conselhos.
8 Tormenta
O dia havia começado maravilhosamente belo, o tempo firme e quente, as pessoas saíram de casa para fazerem suas tarefas cotidianas com um bom ânimo, espelhando o clima ameno, porém isso mudou completamente em questão de minutos. Pesadas nuvens negras aproximaram-se da cidade em uma formação circular, os ventos chicoteavam o rosto das pessoas, trovões sacudiam as vidraças, logo os relâmpagos riscavam os céus e todos começaram a procurar abrigo pois parecia que os céus iriam desabar sobre suas cabeças.
Gajeel estava na guilda tomando seu café da manhã, enquanto esperava sua companheira de trabalho que havia dito que iria procurar alguma missão que valesse a pena. O ressoar do trovão alertou o dragonslayer de que algo não andava bem, levantou-se tão apressadamente que derrubou o banco em que estava sentado e a tigela de parafusos que comia, saiu em disparada e pode constatar a imensa tempestade que se formava sobre a cidade, o ar estava carregado de estática e magia. Definitivamente esta não era uma chuva normal. Era a chuva de Juvia.
Sem perder tempo ele começou a correr em direção à cidade, valendo-se de seus sentidos aguçados procurou o cheiro de sua amiga, mas também detectou um cheiro conhecido que não sentia há muito tempo e que não era bem-vindo. Fedor daquele filho de uma cadela: Bora.
-- Vou matá-lo! Eu deveria ter feito isso quando tive a chance! — correndo na velocidade máxima que conseguia, chegou até o parque onde o centro da tempestade se encontrava e o que viu o deixou arrepiado, muito tempo se passou desde que viu a maga da água em seu mais turbulento estado, Juvia das Profundezas, dos Grandes Oceanos, A Mulher da Chuva.
A chuva começou a cair com grande violência, as gotas caíam na pele com força suficiente para fazer doer, o vento soprava impiedosamente, chegando a rasgar as roupas daqueles que ainda estavam perto do epicentro da tempestade. Gajeel tratava de aproximar-se da azulada, mas mesmo com toda a sua força, o vento dificultava seu avanço, apesar disso conseguiu ouvir os gritos de um homem que estava escondido sob o banco, ele sabia quem era. Por um momento pensou em deixar o barco correr, mas vendo o descontrole de Juvia teve medo que ela fizesse algo que a prejudicaria por toda a vida, ele não valia a pena, mesmo Bora sendo o pulha que era, ela não deveria jogar sua vida fora matando o cara, decidiu intervir, pensando em como isso iria doer, num impulso lançou seu corpo pesado em cima dela e a abraçou. O choque da surpresa deu-lhe a oportunidade de tentar acalmá-la.
-- Vamo lá, Pocinha! Acorda! Não faça nada que possa te afastar da gente… Esse bosta não vale isso!
Ofegante, ela lutou para recuperar o controle e retrair sua magia, embora a raiva e a tristeza ainda estivessem em seu coração e turvassem sua mente, ela sabia que Gajeel tinha razão. Queria chorar. Queria enterrar seu rosto no peito de seu irmão, encontrar o conforto em seus braços e dar vazão a todas as lágrimas que havia represado até então, mas não queria, não deveria demonstrar fraqueza na frente daquele monstro que um dia fora seu namorado. Aos poucos a tormenta foi se dissipando, deixando apenas uma chuva triste. Gajeel arrastou o homem para fora da segurança do sob o banco e começou a sacudí-lo.
-- O que cê fez com ela, seu porco? — cobrindo seu punho com ferro, ele preparou-se para começar o castigo físico que o cara merecia.
-- Gajeel-kun pare! Se bater nele com tudo, Bora-san vai morrer e Juvia vai perder Gajeel-kun! — disse ela segurando o braço do moreno — Bora-san não tem mais magia!
-- Ah, tá! Eu não posso descer o cassete nele, mas cê pode quase destruir a cidade com sua chuva? — largando o homem no chão — Explique o que esse lixo fez?
-- Eu vim aqui pedir perdão para ela! — Bora diz enquanto se levanta — Paguei por meus crimes, mas achei que ela merecia uma explicação e um pedido de perdão…
-- Cê acha que eu vou cair nessa? Qual é o teu lance? Diga a verdade ou te arrebento! E que besteira é essa de tar sem magia?
-- Gajeel-kun, o conselho o soltou , mas colocou um bracelete anti-magia como condicional.
Olhando firmemente para Bora, Gajeel concentrou-se tentando detectar alguma farsa na história, mas não conseguiu identificar nenhum traço de magia no homem.
-- Ok. Mas isso não quer dizer que a gente possa confiar no cara, tem mais de um jeito de machucar alguém, mesmo sem magia.
--Gajeel-kun, Juvia pode se defender sozinha!
-- Ah, eu vi como cê consegue se controlar ao lado desse bosta. O que ele te disse?
-- Ei, eu ainda estou aqui! Não me ignorem! Ahh! — nisso Gajeel empurrou Bora em direção ao chão espalmando a mão no meio do rosto do ex-mago.
-- Gajeel-kun, isso é uma coisa entre Juvia e Bora-san. A verdade pode ter sido dolorosa, Juvia admite que perdeu um pouco a compostura, mas pelo menos ela pode entender as coisas que aconteceram e tirar um peso dos ombros. Juvia agradece a Gajeel-kun por ter ajudado ela, mas mesmo assim, isto — apontando para Bora que ainda está no chão — é uma situação que só Juvia pode resolver.
-- Cê que sabe, Azulzinha, vou ficar por perto se precisar. Sei como bater em civis sem matar! — os olhos vermelhos brilharam com malícia.
Bora acreditou que hoje seria seu último dia em Earthland se não tomasse muito cuidado...
Fale com o autor