Notas iniciais
Chegueeeiii e já aviso para aqueles que não gostam de doce, pra fechar o capítulo pq a melosidade de Seddie hoje tá enormeeee kskskskks Maaas, aos que ficaram, eu desejo uma boa leitura! 💜 Nos vemos nas notas finais.

"E num piscar de um olho que se enruga

Estou afundando, nossos dedos entrelaçados

Bochechas rosadas nas luzes cintilantes

Me fale sobre a primeira vez que você me viu

Eu beberei o que você pensa e estou embriagada

Fumando suas piadas a noite toda

À beira de uma dobra no tempo

De repente, um dezesseis agridoce."

(So High School — Taylor Swift)


A primeira reação que Freddie teve ao acordar do transe causado pelos olhos azuis, foi correr e abraçar Sam, que imediatamente enlaçou os braços em volta de seu pescoço e pulou em seu colo, intensificando o abraço.

Foi tudo tão intenso, os gestos trocados, os beijos que ambos depositavam na face e no pescoço de cada um, para enfim se beijarem apaixonadamente; de uma forma que nunca se beijaram antes. As línguas se entrelaçavam em uma dança mágica, seu ritmo era eletrizante e durou um tempo que Sam e Freddie poderiam julgar como interminável! Somente se afastaram para retomar fôlego, o moreno então voltou sua atenção ao pescoço da loira para que esta se recuperasse dos efeitos causados pelo beijo. Ambos ofegavam, sussurravam no ouvido um do outro o quanto se amavam e o quanto estavam com saudades.

Quando os olhares enfim se encontraram em meio aquela névoa vermelha da intensidade, lágrimas silenciosas foram derramadas e sorrisos extremamente alegres e sinceros foram abertos. Encostaram as testas, sentindo a energia que ambos os corações emanavam quando estavam juntos.

–Eu senti tanto a sua falta! -ele disse, enquanto colocava um fio do cabelo dourado por trás de sua orelha, gesto que fez Sam fechar os olhos por milissegundos devido a contemplação.

–Eu também! -passou os dedos pela cabeleira castanha, arrancando um sorriso ainda maior de Freddie.

O tempo pareceu parar. Era como se o mundo tivesse sido substituído por uma bolha de amor e paz onde só eles existiam. Nada mais importava além daquela bolha de cor púrpura que os envolvia.

Demorou muito tempo para que despertassem desse torpor, mas quando isso aconteceu, Sam saiu do colo de Freddie, que a colocou no chão. Eles se abraçaram novamente e ao se separarem, Sam segurou sua mão.

–Vem, eu fiz um jantar especial, tem tudo o que você gosta!

–Que incrível, amor! Obrigado.

Samantha acendeu os spots da sala e eles se dirigiram a cozinha. A mesa estava iluminada por duas velas, havia um vinho tinto no centro, e a decoração consistia em um ramo de lavanda e um jogo de talheres muito bonito. Ele se sentou e ela pegou os pratos no forno; lasanha quatro queijos, salada tradicional e batata frita. Ao depositar cada comida em seus lugares na mesa, eles se serviram e começaram a conversar enquanto jantavam.

–O que achou da surpresa, amor? -ela perguntou, enquanto mastigava um pedaço da lasanha.

–Adorei! Você conseguiu me enganar direitinho sua espertinha!

Ele apontou o garfo para ela em gesto acusatório, o que a arrancou gargalhadas.

–Que bom. Eu quis preparar algo especial, sua vinda pra cá não podia passar em branco e muito menos acontecer de forma clichê.

–Como assim, clichê?

–Ah, amor, seria muito clichê eu ir te buscar no aeroporto. Não que eu não quisesse, pelo contrário, eu mal me cabia em mim de tanta ansiedade! Mas eu percebi que teria mais emoção se eu te recebesse dessa forma que você está vendo.

–Entendi. Realmente, se tratando de nós não poderia ter sido feito de outra forma!

Ele levantou a taça e ela fez o mesmo.

–Um brinde ao nosso amor e a essa nova fase nas nossas vidas que se inicia hoje! -disse Freddie, e Sam sorriu.

–Um brinde ao nosso amor e a essa nova fase nas nossas vidas! -ela repetiu as palavras dele, e então encostaram as taças, bebericando o líquido quente em seguida.


{...}


O jantar seguiu maravilhosamente bem. O casal se deliciou com a comida, conversaram como nunca antes, trocaram carinhos, acabaram com a garrafa inteira do vinho e terminaram o jantar degustando o maravilhoso mousse de limão que Sam fizera.

Após terem terminado, colocaram as louças na pia para serem lavadas no dia seguinte, e seguiram para o quarto. Freddie foi tomar banho, e Sam -como já havia tomado banho antes- apenas vestiu uma camisola roxa antes de sentar na cama, para esperar o namorado.

A loira tinha a cabeça nas nuvens. Enquanto olhava para o teto de seu quarto, recostada na cabeceira, pensava nos acontecimentos de horas atrás.

Finalmente havia chegado o dia do reencontro.

Finalmente Freddie chegara para colorir seus dias, e dessa vez seria para sempre! Sem mais despedidas e separações, apenas eles e uma vida cotidiana.

Sentiu o lado vazio do colchão afundar, e sorriu ao ser envolvida pelos braços do namorado em um abraço de lado, aproveitando para deitar a cabeça em seu ombro.

–O que está pensando? -perguntou, enquanto acariciava a bochecha da namorada.

–Em como eu estou feliz por você estar aqui! -começou a desenhar linhas imaginárias no peito dele.

–Eu também estou muito feliz por estar aqui! Pensei que esse dia não chegaria nunca...

Ela deu uma risadinha.

–E quem era que me dizia para controlar a ansiedade? Hein?

Ele riu pela provocação.

–Eu nunca prometi coerência, meu amor.

Caíram em uma gargalhada juntos e ela saiu do abraço para olhá-lo nos olhos. Ficaram alguns segundos assim, castanho no azul, azul no castanho. Até que em uma iniciativa mútua, os lábios se tocaram delicadamente.

Uma onda de paz novamente os envolveu, era apenas mais uma das vezes que acontecia naquela noite. Era assim que se sentiam; em paz, não apenas por estarem juntos, mas por saberem que todos os planos que os envolvia até o presente momento havia dado certo, afinal.

Os braços de Freddie envolveram a cintura de Sam e ela sorriu, ainda com os lábios colados um no outro. Ela então levou as mãos aos ombros dele, que como resposta também sorriu. O beijo se encerrou com inúmeros selinhos e eles novamente se olharam; sua íris pareciam dialogar sempre que isso acontecia.

Freddie suspirou profundamente enquanto encostava sua testa na da loira a sua frente. Ele mal podia acreditar que finalmente a tinha nos braços novamente, a ausência daquele corpo delicado em sua cama a deixava gelada e o causava uma certa tristeza, se acostumara tão rápido a dormir abraçado com ela, que apenas a ideia de voltar a dormir sozinho lhe era estranha.

Delicadamente, ele levou suas mãos até as pernas de Sam, e a levantou para que se sentasse em seu colo, o gesto causou um gritinho baixo dela, que sorriu. Em resposta, ela o beijou, enquanto deixava as mãos vaguearem pelo cabelo castanho. O rapaz ainda acariciava as pernas da namorada, subindo para a coxa, quadril, cintura, costas, e depois voltando.

Sam podia jurar que ele a estava querendo enlouquecer, e é claro que ela não deixaria barato.

Ela havia esperado tanto quanto ele por esse momento.

A loira então, desceu as mãos do cabelo dele até seu pescoço, o arranhando de leve, como uma espécie de punição. Separaram os lábios e o moreno começou a beijá-la e mordiscá-la no pescoço, deixando algumas marcas no local.

–Ah, nerd... -ela sussurrou em seu ouvido, o causando choques de prazer imensos, e esse foi o estopim para que ele levasse a mão direita por dentro da camisola roxa, acariciando sua barriga até que alcançasse-lhe os seios. Dessa vez ela arfou, descendo as mãos as costas do rapaz e deixando que suas unhas as cravassem mais fundo, o fazendo arfar.

Freddie continuava com as carícias ousadas por dentro da camisola quando sentiu a camisa de seu pijama sendo levantada. Ele parou o que estava fazendo e se afastou um pouco para facilitar o trabalho da namorada, que sorriu quando finalmente conseguiu se livrar da peça.

Ela começou uma trilha de beijos que começava no pescoço, descia ao tórax, abdomen e depois voltava. A saudades que sentia de fazer isso era imensas.

–Ah, Sam... -dessa vez fora ele quem sussurou em seu ouvido, a fazendo sorrir contra sua pele.

E foi impossível para ele continuar tentando se controlar quando sentiu as mãos da namorada tentando puxar a calça de seu pijama. E quando ela conseguiu fazê-lo, foi sua vez de usar as suas mãos para tirar a camisola roxa que ela usava. Ele começou devagar, queria apreciar com calma todos os detalhes daquele corpo perfeito do qual sentia tanta falta. Freddie já sabia que a namorada não estava usando sutiã devido as carícias que fizera antes, mas foi impossível para ele não abrir um enorme sorriso quando se deparou com aquele lindo par de seios expostos á sua frente. Percebendo sua empolgação, Sam decidiu provocá-lo um pouco, pegando sua mão direita -que se encontrava na cintura dela- e a levando até um dos seios. A empolgação do moreno apenas cresceu, e ele passou a acariciar, para então apertar, e sugar, e mordiscar, a arrancando suspiros e gemidos prazerosos. Em resposta, ela passou a puxar os cabelos da nuca e arranhar o pescoço e as costas do namorado.

–Ahh... Freddie!

Ouvi-la gemendo seu nome foi o que bastou para que o Benson se sentisse ainda mais enlouquecido pelo prazer e a virasse, deitando por cima dela. A Puckett recebeu de bom grado o peso que, ao enfim se concretizar por completo, causou um choque em ambos os corpos, que a essa altura já se encontravam transpirados pelo fogo que os envolvia.

Freddie se afastou por alguns segundos, apenas para observar aquele rosto que tanto amava, e então, se inclinou para beijar os lábios rosados que se encontravam entreabertos, tão convidativos quanto o jantar que Sam preparara, horas atrás.

Se beijaram em iniciativa mútua enquanto novamente os corpos falavam por si, e as únicas roupas íntimas restantes desaparecessem, acabando com qualquer barreira que ainda estivesse entre eles. As carícias recomeçaram, ainda mais fortes. E antes que Freddie pudesse fazer mais alguma coisa, Sam se afastou por alguns segundos, colocando as mãos em seus ombros para que invertessem novamente as posições. O moreno se sentou e, segurando as mãos e a cintura da namorada, a auxiliou a se sentar em seu colo, e no instante em que seus dedos se entrelaçaram, puderam sentir a união completa do amor os envolver. Gemeram juntos pelo contato e então Sam começou a se mover, lentamente no início, -agora ela estava no controle, adorava isso!-.

Os movimentos iam e vinham, cada vez mais frenéticos. Em dado momento, Freddie percebeu que Sam estava perto de atingir o máximo, e então segurou seus quadris, a fim de ajudá-la com os movimentos. Ele a observou; estava tão linda em cima de si, as bochechas, a clavícula e o colo rosados. Os olhos, outrora fechados, outrora se revirando. A cabeça pendia para trás, e quando ela voltou a encará-lo nos olhos, com os azuis dilatados pelo desejo, deixando seu nome escapar em sussurros e gritos prazerosos, foi que ele soube.

Atingiram o máximo daquela conexão avassaladora juntos, um chamando pelo outro em meio a declarações. Sam deixou seu corpo cansado cair sob o de Freddie, que imediatamente a abraçou, se arrastando na cama para que deitassem direito. Ambos os corações batiam acelerados, as respirações estavam descompassadas, Sam acariciava os braços de Freddie enquanto este lhe acariciava os cabelos.

Não precisavam de mais nada!


{...}


Quando Sam acordou na manhã seguinte, a primeira coisa que percebeu foi que sua cintura estava envolvida em um abraço. Logo sorriu, se lembrando da noite anterior. Abriu os olhos e lentamente se virou para o lado, constatando a figura de Freddie adormecida de forma tão tranquila. Queria tocá-lo, beijá-lo... mas ele estava tão adorável daquela forma, e parecia tão cansado, que ela se limitou a sorrir e se aconhechegar ainda mais em seus braços, voltando subitamente a adormecer.

Após o que pareceu meia hora, sentiu um aroma delicioso e familiar; bacon e ovos, algo que a fez imediatamente abrir os olhos. E foi inevitável que um sorriso enorme surgisse em seus lábios ao ver Freddie segurando uma bandeja farta de café da manhã, enquanto lhe lançava um de seus habituais sorrisos de lado.

–Bom dia, amor.

Ele depositou a bandeja na cama e se sentou ao lado da namorada, curvando para dar-lhe um selinho e um beijo demorado na testa.

Ela retribuiu os gestos e se sentou na cama, subindo o lençol para que cobrisse o corpo desnudo.

–Bom dia. O que é isso tudo?

–Como ontem você me surpreendeu com um jantar maravilhoso, eu decidi te surpreender hoje com um ótimo café da manhã, não apenas para retribuir, mas também para agradar a minha Princesa.

Ela sorriu ainda mais, e deu-lhe um selinho demorado.

–Ah, amor... você não existe! -acariciou-lhe a bochecha direita e sentiu os pequenos beijos que ele depositava em sua mão. -Vai, me mostra tudo o que tem aí, tô vendo que caprichou...

Ele chegou a bandeja mais para perto de ambos e assumiu uma postura comicamente séria, como se estivesse tentando imitar um chef de cozinha profissional.

–No prato maior, senhorita Puckett, temos exatamente quatro panquecas; duas salgadas e duas de banana. As salgadas estão decoradas com mel e frutas, e as de banana estão apenas com mel, mas não muito. Nas duas taças temos uma salada de frutas com; morango, laranja, manga, maçã e uva. Nesses pratos menores temos bacon e ovos, uma das comidas favoritas da senhorita. E, para finalizar, nas duas jarras apresentadas temos café e suco de laranja. E é claro, no canto da bandeja temos açúcar, adoçante e colheres para mexer. Além dos outros talheres para comer.

Sam sentiu vontade de rir com a performance de Freddie ao apresentar o café da manhã que tinha preparado. Havia tanta empolgação na voz do rapaz que ela realmente sentiu sua gratidão sendo retribuida, apesar de ela achar que ele não precisava retribuir nada do que ela havia feito para recebê-lo.

Resolveu entrar na brincadeira dele, não sem antes dar uma leve gargalhada.

–Ora senhor Benson, obrigada por todas essas delícias. Mas eu quero continuar sendo apresentada a elas, se me entende...

É claro que ela não perderia essa oportunidade, e só o que restou a Freddie foi rir.

–Como quiser, senhorita.

Ele então pegou uma das taças com a salada de frutas, colocou um pouco na colher e então levou a boca de Sam, que já estava aberta. A loira apenas fechou os olhos em apreciação, a combinação dos sabores estavam excelentes!

–Hum... Freddie isso daqui tá muito maravilhoso! Sério, você tem que provar!

Então ela repetiu o gesto dele; pegou a outra taça, colocou um pouco das frutas na colher e levou à boca dele, que assim como ela, fechou os olhos para apreciar melhor os sabores.

–Nossa, é verdade! -ele disse- Vou ser obrigado a comer mais frutas no café da manhã a partir de hoje.

–Ah, e com o calor de Los Angeles isso não será impedimento. -ela disse, e deu um rápido selinho nele; os sabores das frutas em seus lábios se intensificando.

–Não mesmo, princesa.

Eles riram e terminaram de comer a salada de frutas em um confortável silêncio. Logo depois, foi a vez de apreciar as panquecas, das quais estavam igualmente deliciosas, apesar de Sam ter preferido a salgada com mel e frutas e Freddie ter preferido a de banana, com o argumento de que era a mais saudável, considerando que a banana é a fruta mais completa.

–Não acredito que com esse calor do caramba você vai tomar café! -Sam se indignou ao ver o namorado servindo sua xícara com o conteúdo quente. Ele ergueu as sobrancelhas, pronto para se defender.

–Ei, eu senti um vento gelado essa noite, ok? E além do mais estamos no outono, é completamente normal tomar bebida quente, e não só no café da manhã!

–Eu sei, bebê, mas olha só o sol lá fora, isso parece clima de outono para você? -deu uma mordida no bacon molhado na gema do ovo, foi impossível não fechar os olhos em apreciação, por pelo menos a décima vez só naquela manhã- E além do mais, tenho certeza que esse vento gelado que você sentiu, foi do ar condicionado, e da sua ausência de roupas!

O moreno engasgou ao ouvir o comentário da namorada.

–Engraçadinha, Puckett, muito engraçadinha!

Ela ergueu a perna direita e colocou o pé no rosto dele, de brincadeira. No entanto Freddie, ao invés de afastá-lo, o segurou e o beijou. Os beijos foram subindo para as pernas da namorada, até que ela mesma interrompeu o contato.

–Melhor terminar de comer, querido, sei que eu sou linda, gostosa e irresistível, mas "ligar a antena" a essa hora não, né?

A voz de ambos irrompeu em gargalhadas altas pela situação, mesmo quando não queriam, a sensualidade aparecia, era como se ela os perseguisse. Mas afinal, não há muito o que se esperar em relação a isso, quando água e fogo se juntam, em qualquer situação, o resultado é sempre o mesmo!

{...}


Horas depois Freddie se ocupava em organizar suas coisas, com a ajuda de Sam, que fizera questão de apresentar a ele todas as mudanças que fizera para que ele se acomodasse.

O rapaz já havia guardado alguns pertences na gaveta da mesa de cabeceira. Tais como: agenda, caneta, carregadores, fones de ouvido e balinhas de hortelã. Enquanto que na superfície optou apenas por deixar o abajur e o livro que estava lendo no momento.

As coisas de banho foram bem acomodadas no armário no banheiro e nos nichos do box. Depois fora a vez do closet, que optaram por deixar por último devido a demanda de coisas a serem guardadas ser maior.

Freddie não pôde deixar de elogiar Sam pela organização e pelo zelo que ela tivera com ele, beijando-a em seguida.

Quando iam começar a arrumação das gavetas, a loira riu ao encontrar uma camiseta sua na mala do namorado.

–Amor, o que é isso aqui?

O rapaz sentiu suas bochechas esquentaram com o flagrante, enquanto a camiseta do Fleetwood Mac era estendida em sua frente por uma Sam risonha.

–Ah, você esqueceu lá... e eu não te disse nada porque você não deu falta...

–Aham, tem certeza?

–Tenho... mas o motivo maior foi que eu queria ficar com ela pra mim, porque quando eu sentisse muito a sua falta, eu teria alguma coisa sua para cheirar e deixar na minha cama... sei lá, é como se você estivesse comigo.

Sam parou de gargalhar e abriu um sorriso doce, abraçando o namorado em seguida.

–Ah, amor isso foi tão fofo... agora eu posso confessar que também furtei uma peça de roupa sua.

Ele a olhou surpreso.

–Sério? Caramba eu nem dei falta! O que é?

–Aquela sua camisa branca que você estava usando quando a gente se beijou lá na saída de incêndio, no dia do jantar. -ela caminhou até o quarto e voltou com a peça nas mãos- Eu a deixo na gaveta da minha mesa de cabeceira, e assim como você, eu também a cheirava quando a saudade ficava insuportável!

O rapaz sorriu de forma doce e encantada, e enlaçou a cintura da namorada.

–Somos dois idiotas! -ele disse, acariciando o rosto dela.

–Sim... fazer o que se é o que o amor faz com as pessoas, né?

Ele assentiu e a beijou.


{...}


Samantha encarava o relógio em seu pulso e na parede. Estava aguardando naquela recepção há apenas cinco minutos, mas sentia que o tempo na verdade correspondia há cinco horas. A ansiedade em si era enorme, não via a hora de essa consulta chegar!

E quando a terapeuta saiu da sala e chamou seu nome, ela nem pôde acreditar que aquilo finalmente estava acontecendo.

Entrou na sala após cumprimentá-la e se sentou de frente para a doutora Owens, da qual tinha um sorriso simpático no rosto.

–E então, Samantha, o que a levou a procurar a terapia?

Sam não acreditou na pergunta que a mulher a estava fazendo, "Como assim? não é óbvio?" Pensou. Mas manteve-se calma e resignou-se apenas a responder.

–Bom... eu tenho um trauma, e preciso e quero tratá-lo!

–Sim, entendo. Bem, você sabe que a minha especialidade é perda gestacional, certo? -Ela apenas assentiu, e a doutora continuou- Então eu posso concluir que isso já aconteceu com você? -Mais uma vez Sam apenas assentiu, e a doutora suspirou, como se sentisse por ela- Pois bem... antes de tudo, vou te explicar como eu trabalho. A sessão de hoje é mais um bate papo para nos conhecermos, eu vou te dizer como eu trabalho e você vai me contar mais de você. Bom, o meu nome é Agatha Owens, tenho quarenta anos, sou formada em psicologia há dezoito anos e me especializei na área que atuo há quinze anos. Eu trabalho muito com a autorreflexão e diálogo, isso significa que nossas consultas não serão muito técnicas, justamente para que você sinta confiança em mim aos poucos. Tudo bem para você? -Mais uma vez, Sam apenas assentiu- Muito bem, agora me fala de você.

Sam respirou fundo, afim de tomar fôlego.

–Bem... o meu nome é Samantha Joy Puckett, mas você pode me chamar apenas de Sam. Tenho vinte e nove anos, sou advogada, especializada em violência contra a mulher e crianças em situação de vulnerabilidade, mas as vezes também pego casos de outras áreas. E... eu também não gosto muito de fazer rodeios em nada, então já vou logo dizendo o que aconteceu comigo.

Um silêncio se instaurou no local, e as sobrancelhas da doutora Owens se ergueram em surpresa, definitivamente não esperava que a paciente fosse se abrir logo na primeira sessão, assim, de livre e espontânea vontade.

Sam relatou os ocorridos de seis anos atrás, e chorou muito no processo, sentindo muitas vezes sua mão descer até o ventre de forma involuntária, o que emocionou a Doutora. Contou sobre as férias que passou em Seattle, o fato de ter reatado com o amor de sua vida, a ocasião em que desabafou com ele sobre a perda que sofreu, e como eles deixaram claro em conversas que querem muito formar uma família juntos. E que foi após isso tudo, que ela percebeu que precisava de ajuda.

–Entende agora porquê eu te procurei? Eu não posso ter um bebê antes de superar a enorme dor que eu carrego há anos... não posso olhar para minha criança e ver o bebê que eu perdi. Isso não seria justo com nenhum dos meus bebês! Nem com o que eu perdi, e nem com o que eu vou criar.

Mais um silêncio se fez presente. Sam era um caso raro no consultório da doutora Owens, não apenas por ela já ter se aberto na primeira sessão, mas também por ela ter uma consciência tão grande da dimensão de seu trauma e de sua cura.

A mais velha deu um singelo sorriso e segurou as mãos da paciente, em um gesto reconfortante.

–Sam... eu estou realmente admirada com você! A sua determinação e os sentimentos que você carrega em relação ao seu bebê e aos futuros filhos que você terá com o Freddie, me emociona. E você está mais do que certa em pensar dessa forma e de ter vindo me procurar, saiba que você não esta sozinha nessa luta! Vamos juntas trabalhar nesse trauma, e te garanto que se você continuar determinada dessa forma, será questão de meses até que seu tratamento se conclua, no máximo um ano.

Sam ergueu as sobrancelhas, surpresa.

–Pensei que tratamentos psicológicos não tivessem uma data para se encerrar.

–E de fato não tem, mas você é uma paciente muito diferente!

Sam gostou de ouvir aquilo, e sorriu.

Um sentimento suave e muito bom surgiu em seu peito no momento, e ela soube, mais do que nunca, que havia feito a escolha certa!


{...}


Quando Fredward passou pelos portões da Pear Company, olhares curiosos e admirados o acompanharam, mas o jovem estava alheio a tudo isso. O nervosismo que habitava em seu ser, não o permitia prestar atenção em nada que não fosse a sala que tinha que entrar; a de reuniões.

Foi combinada uma reunião rápida para que ele se apresentasse aos sócios e funcionários da empresa.

Quando adentrou a sala, percebeu que fora o primeiro a chegar, então aproveitou para abrir as janelas, tomar um copo d'água e se sentar, afim de aguardar os outros.

Não demorou muito para que a sala se enchesse, e por algum motivo, todo o nervosismo que Freddie sentia havia desaparecido, talvez tivesse sido substituído pelo dever que tinha em mãos a partir daquele momento.

–Bom dia, gostaria de agradecer a presença de todos nesta reunião. Como todos sabem eu sou o novo gerente da Pear Company da Califórnia. Meu nome é Fredward Karl Benson e atuei há muitos anos na Pear Store de Seattle, minha terra natal; primeiramente como estagiário e logo depois como gerente. Então não há com o que se preocuparem, já estou nesse ramo há muito tempo e sou acostumado com tudo o que vem com ele, mas é claro que vocês poderão me procurar sempre que quiserem e sentirem necessidade!

Os presentes apenas assentiram e fizeram algumas perguntas, das quais Freddie respondeu com paciência e profissionalismo, algo que deixara muitos admirados. Certamente pensaram que por ele ser jovem, não sabia de quase nada, era visível o alívio nos semblantes da maioria, principalmente daqueles que já trabalhavam na empresa há anos.

Ao final da reunião, a secretária o acompanhou até a sua sala, Freddie agradeceu e pediu para ficar sozinho. Olhou em volta, constantando que a sala era enorme, muito maior do que a sala que ocupava na Pear Store. Se sentou na cadeira e checou a agenda; não havia mais nada a ser feito na parte da manhã, então aproveitou esse tempo para arrumar a sala.

Após pegar suas caixas no carro, colocou três porta retratos em sua mesa; uma de Sam, uma dele e de Sam abraçados -quando ainda eram adolescentes- e outra de sua mãe. Os livros foram organizados na estante. Alguns blocos de notas, canetas, lápis e borrachas na mesa. E após o que pareceu cerca de quase duas horas, a sala havia ganhado personalidade; a personalidade de seu novo dono.

–É Freddie... agora sim; seja bem vindo!

O jovem disse para si mesmo, e sorriu.

Era simplesmente revigorante finalmente sentir a ficha caindo, após tantos meses, estava ali, em mais um capítulo em sua prestigiosa carreira!

Olhou de relance para a foto da mãe, pensando que ela gostaria de ver seu progresso, e antes que pudesse sentir, havia limpado uma pequena lágrima no canto de seu olho direito.


{...}


–Você vai amar a comida desse restaurante! Juro, amor, parece até mesmo o tempero do Pini's!

O casal estava arrumando a mesa para jantarem após o dia cheio que tiveram. Como nenhum dos dois havia tido tempo de cozinhar, Sam resolveu pedir comida no seu restaurante favorito de Los Angeles; o Streets Without Name, o lugar era rústico e servia comidas de vários países, mas sua especialidade eram as comidas típicas do interior do país local. Havia um vinho tinto na adega perfeito para acompanhar a comida, e um ótimo sorvete no freezer da geladeira.

–Tenho certeza que sim, amor, você é especialista nesse assunto! Confio em você!

–Ah, bebê.

Ela deu um selinho rápido nele, e logo terminaram de arrumar a mesa. Se serviram e começaram a conversar.

–Como foi seu dia? -perguntaram em uníssono, algo que os fez dar gargalhadas. Freddie fez um sinal para que Sam fosse a primeira a falar.

–Meu dia foi bom! Fui na terapia de manhã, depois almocei com a Cat e passei a tarde no escritório, peguei um caso agora que vai me alugar por semanas, não vou poder pegar mais nenhum até encerrar esse! -deu uma mordida na carne e logo em seguida um gole no vinho.

–Entendi... e sobre o que é esse caso? -deu um gole no vinho.

–Uma mulher que está sofrendo violência patrimonial. Ela quer viajar para visitar uma amiga que teve neném e mora no Arizona, mas o marido reteve o passaporte dela pra ela não ir. Sério, quando eu vejo casos assim, de homens escrotos que se acham no direito de tratar a mulher como um objeto pessoal deles, me sobe um ódio, uma vontade de acabar com eles! Mas infelizmente não posso, então a minha única alternativa é ajudar a vítima de outra forma... eu sei que já era pra eu estar acostumada já que trabalho com isso há anos, mas eu simplesmente não consigo!

Freddie largou os talheres no prato e segurou a mão direita de Sam, que estava estendida sob a mesa.

–Eu entendo, amor, é uma situação realmente revoltante e muito séria! E o fato de você nunca ter se acostumado com isso, é uma coisa boa, demonstra que você tem empatia, ciência da situação e uma garra infinita para mudar a realidade dessas mulheres! Eu tenho muito orgulho de você!

Sam deu um singelo sorriso.

–Obrigada, amor, só você mesmo para me acalmar... -trocaram olhares por mais alguns segundos e logo Sam soltou suas mãos, voltando sua atenção a comida. Freddie fez o mesmo- Mas diz aí, e o seu dia, como foi?

–Foi bom também. Tive uma reunião pra me apresentar e foi tranquila. Depois, como eu não tive mais nada para fazer na parte da manhã, aproveitei pra organizar e arrumar a minha sala, aí a tarde li alguns relatórios, assinei contratos... a mesma burocracia de sempre, com a diferença que é outra empresa. -deu uma risadinha e levou o garfo com macarrão á boca.

–Eu sei que já falei isso inúmeras vezes, mas eu acho tão sexy essa sua postura de empresário! Sério, um dia eu vou te fazer uma surpresa no trabalho só pra ver com os meus próprios olhos.

–Aí a gente aproveita pra transar na minha mesa. -ele disse, e os dois riram.

–Exato! Nunca disse mas essa sempre foi uma fantasia minha!

A voz de ambos soaram em risadas mais uma vez e quando elas cessaram, ficaram em silêncio por alguns minutos. E quando já estavam na sobremesa, Freddie decidiu que era a hora propícia para fazer uma pergunta da qual ele queria ter feito desde que se reencontraram no final da tarde.

–Amor, e como foi a terapia? Não precisa me dizer se não quiser, eu só perguntei porque você estava tão ansiosa antes de sair de casa, você esperou tanto por essa consulta...

–Tudo bem, amor, eu queria mesmo compartilhar isso com você. Até que foi tranquilo, sabe? A Doutora é bem legal, senti profissionalismo nela. Ela que ficou espantada comigo, por eu já falar tudo na primeira sessão, acho que isso é uma raridade na psicologia...

–É sim. Mas, por que você não esperou mais um pouco?

–Ah, amor, você me conhece, sabe como eu detesto rodeios! E eu penso assim; se eu preciso tratar o meu trauma que me impede de me abrir para o meu maior sonho, por quê eu vou ficar enrolando? Eu já amarguei seis anos essa situação... não quero amargar mais tempo e só conseguir me abrir quando eu já estiver na idade em que a gravidez se torna de risco!

–Entendo, amor... olhando por esse lado, você está certa!

Ela sorriu, pegou a mão do namorado e a beijou.

–Obrigada por estar comigo... não sei o que seria de mim se eu tivesse que dividir isso com você através de uma tela...

Ele sorriu para ela e colocou uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha.

–Eu sempre vou estar com você, amor, independente de tudo e qualquer coisa!

Os olhares que trocavam dava a certeza do que Freddie havia acabado de dizer.

E encerraram a noite daquele jeito; dialogando através dos olhares, de mãos dadas enquanto se deliciavam com um sorvete de morango.

E claro, com as implicâncias de sempre, uma vez que Sam disse que daquela forma, estavam parecendo adolescentes. O que foi rebatido por Freddie, que discordou e disse que tomar sorvete enquanto trocam olhares apaixonados não é algo exclusivo de adolescentes.

Bom, sendo ou não, coisa de adolescentes, uma das certezas que tinham é que poderiam mudar o quanto quisessem, mas sempre seriam os mesmos!


Notas finais
•O restaurante que a Sam menciona, o Streets Without Name, não existe. Eu dei esse nome pq enquanto eu escrevia essa cena, eu estava ouvindo a música Where The Streets Have No Name, do U2, daí eu me inspirei ksksksks. •Eu sei que o final do capítulo ficou uma bosta mas infelizmente não consegui pensar em outra forma de encerrar ele ksksks foi mal. Enfim meus amores, espero que tenham gostado. E não deixem de me contar nos comentários o que acharam, viu? Só avisando que se eu não responder os comentários de ninguém nessa história, não foi pq eu não li, ou por falta de educação, é que depois da atualização que esse site teve (🙄) muitas coisas ainda estão sendo reformuladas então a opção de responder comentário ainda não chegou. Então, caso alguém queira me contar o que acharam (por favor façam isso) e quiser que eu responda, podem me contar lá no Twitter, meu @ é windscardigan. Bjinhusss 💜🫶🏻 Playlist da fic: https://open.spotify.com/playlist/3mvzWwp2ydsWteXG7nNQib?si=dGUiJeWcT92d3-4orr9E9g&pi=ZICn6UQvQx-MB