Reencontros

4 Conversas misteriosas


P.O.V Mônica

Não entendi muito bem por que Magali não gostou quando falei com Cebola. Parecia até que eu tinha feito algo de errado! (como um crime, um assalta ou até mesmo um assassinato, mais eu não havia feito nada disso. A única coisa que fiz foi conversar com um menino)

– Por que você não gostou quando eu falei com ele?

– Ele é o mais irresponsável daqui, quando você menos espera, ele vira as costas pra você e te deixa em maus lençóis.

– Mas ele sempre foi assim?

– Não, quando ele era pequeno era um amor de pessoa, mas algo mexeu muito com ele. Na verdade não só com ele, mas com o Limoeiro inteiro.

– E o que foi que mexeu com todos?

TRRIIMMM

Esse bendito sinal tinha que bater justo agora?

O restante da aula passou muito devagar, finalmente o sinal toca. Eu me despeço de Magali e vou caminhando para casa.

Estava quase chegando quando ouço vozes perto de um beco e decido parar para escutar (não que eu seja fofoqueira, mas é que bate uma curiosidade...)

– Tem certeza Cebola?

– Tenho Cascão, parecia de verdade com ela.

– Mas não pode ser a mesma pessoa. E se for, e daí?

– Eu ainda provo pra você que é ela!

Era o Cebola conversando sobre alguém com um tal de Cascão.

Essa turma é meio misteriosa. Algo aconteceu na infância deles. Continuei andando.

Cheguei em casa e minha mãe já começou com o interrogatório.

– Como foi a aula?

– Normal.

– Fez algum amigo?

– Sim, uma menina chamada Magali. Ela é gente boa. Também tive uma conversa com um tal de Cebola, mas acho que não chegamos a ser amigos, afinal só conversamos.

– Então quer dizer que você não está mais chateada comigo por causa da mudança?

– Não. Nem estou mais sentindo tanta falta assim do Rio de Janeiro.

– Que bom ouvir isso.

Subi para o quarto e percebi que era verdade o que eu havia dito pra minha mãe. Eu não estava mais com tanta saudade do Rio de Janeiro e dos meus amigos por lá. Estava mais interessada era nos mistérios que essa turma esconde.

De repente o meu celular toca.

– Alô

–Alô, Mônica. Aqui é a Thália, eu estou te ligando para saber como você está.

– Estou bem, obrigada por se preocupar.

– Onde você está morando?

– Numa casa no Bairro do Limoeiro.

– Bairro do Limoeiro? – A voz dela pareceu meio assustada, como se acabassem de apontar uma arma pra ela.

– Sim, por quê?

– Preciso desligar o meu crédito tá acabando. Tchau.

– Tchau.

Achei essa conversa meio estranha. Por que Thália ficou assustada (ou nervosa, sei lá) quando eu falei que estava no bairro do Limoeiro?

P.O.V Cebola

– Por que me chamou aqui?- Disse Magali irritada.

– Porque eu já tentei conversar com o Cascão sobre um assunto...

– Que assunto?

– Magali, você acha que essa Mônica, sua nova amiga, tem chance de ser aquela Mônica?

– Por que está me perguntando isso? Eu mal conheci a menina!

– Eu sei mas...

– Mas nada! Isso é um absurdo! Nós precisamos de provas para confirmar essa suspeita absurda sua, apesar da chance ser mínima... — Essas últimas palavras foram mais um sussurro, por isso eu não consegui ouvir direito.

– Aí é que está. Você pode fazer ela te convidar para ir a casa dela. Se você ver algo que prove o que estou dizendo, me fale ou melhor, tire uma foto.

– E por que eu faria isso? Você já me decepcionou muito!

– Eu sei, mas você sabe o quanto eu gostava dela... E eu pesso desculpas por tudo. Prometo que vou tentar corrigir todos os meus erros. Em nome dos velhos tempos?

– Ok, em nome dos velhos tempos.