Reencontro
2 Capitulo 02
Notas iniciais
Capítulo 02
Pedro estava animado, depois de seis meses ele iria rever sua família e seus amigos do Catete. Ele pagou o taxista e desceu do veículo rapidamente. A praça estava silenciosa e pouco movimentada, o Perfeitão estava fechado, assim como a banca da Dona Dalva e a academia do Gael.
Ele encolheu os ombros e correu até sua casa, ele bateu na porta de ferro ao lado da entrada do restaurante, mas não foi atendido por ninguém. Pedro amaldiçoou ter perdido sua cópia das chaves... Ele voltou para a praça e pegou o telefone do bolso e procurou o número de Tomtom.
—Alô Pê, como vai? -A voz de Tomtom chegou aos seus ouvidos.
–Oi pirralha, onde vocês estão? Acabei de chegar da turnê e não tem ninguém pra me receber. -O guitarrista disse dramaticamente.
—Ei Pê, estamos aqui na casa do mestre, estamos na festa de recepção.
—Recepção de quem?
—Da Ka, ela voltou. —A garota disse animada.
—A Karina está de volta?
—Sim. Sobe aqui Pê, a galera toda está aqui. A mamãe e o papai também.
—Não sei não pirralha, o mestre pode não gostar de me ver.
—Eu me resolvo com o mestre, sobe logo. -Ela desligou o telefone e Pedro suspirou.
Ele pendurou a guitarra no ombro e pegou a mala. Pedro caminhou até o sobrado e entrou subindo até o primeiro andar, onde bateu hesitante na porta.
—Pedro?! -Karina disse ao abrir a porta.
Ela estava muito diferente da última vez que os dois se viram. Os cabelos, outrora curtos, chegavam aos ombros, grossas madeixas loiras emoldurando o rosto surpreso.
—Hey K, Tomtom me disse que a galera estava aqui... Posso entrar? -Pedro disse desconcertado.
—Claro que pode. -Ela deu passagem e ele entrou jogando a guitarra e a mala em um canto e indo em direção a sua família.
—Maninha. -Ele disse abraçando a garota. -Vocês me abandonaram mesmo hem.
—Sem drama Pê. Você nem avisou que chegaria hoje. -Tomtom disse beijando sua bochecha.
—Queria fazer uma surpresa pra minha linda família, mas eles não se importam comigo.
—Ah meu filho, vem aqui vem. -Delma se levantou e abraçou o garoto. -Como foi a turnê? Por quanto tempo você fica?
—A turnê foi maravilhosa mãe, viajamos o Brasil inteiro. Tinha noite de termos que fazer dois shows, a banda é só sucesso. -Ele disse orgulhoso. -Vamos ficar por uns sete ou oito meses, até a Sol ganhar bebê e ele já ter idade pra viajar conosco. Mas vamos fazer shows pelo Rio, paramos apenas com os shows pra outros estados.
—É bom ver que você está feliz, meu filho. -Marcelo disse apertando o ombro de Pedro.
E ele estava feliz, muito feliz. Pedro estava realizando seu sonho, ele era o Rock Star que ele sempre sonhou.
—Hey Pedroso, quanto tempo. O deus da guitarra se lembrou dos amigos mortais. -João disse se aproximando dele.
—Hey Johnny, quanto tempo. -Pedro disse abraçando o melhor amigo. -Cara, você não sabe como é bom te ver. Tenho um monte de coisas pra te contar.
—Histórias que envolvem gatinhas malucas e sexo a noite inteira? -João brincou fazendo Tomtom revirar os olhos e se afastar.
Os dois brincaram e conversaram por mais um tempo, mas logo João voltou pra onde Bianca estava, deixando Pedro conversando com Dona Dalva.
—Mas então menino, hoje foi o dia dos retornos. -A mulher disse fazendo Pedro sorrir.
—Quem diria né, Dona Dalva.
—Sabe de uma coisa, guitarrista, a lutadora não pra de olhar pra cá. -Dona Dalva disse discretamente. -Ela está sozinha, acho que você deveria ir falar com ela.
Pedro virou a cabeça e encontrou Karina o observando, ele sorriu e acenou. Ela desviou os olhos rapidamente.
—Com licença Dona Dalva. -Ele se levantou e caminhou até onde Karina estava. -Hey K, como vai?
—Hey Pedro, vou bem na medida do possível, -Ela indicou as muletas e encolheu os ombros. -E você?
—Não poderia estar melhor, a banda está fazendo sucesso e eu estou feliz por isso. -Pedro disse colocando as mãos nos bolsos. -Fiquei sabendo da sua lesão, eu sinto muito por isso.
—Há, isso... Já estou me acostumando com o fato de não poder lutar mais. -Karina respondeu o que sempre dizia quando alguém mencionava sua lesão.
—Não K, de verdade. Eu, mais do que ninguém, sei que lutar era seu sonho. Eu sei que deve estar sendo difícil pra você, deixar esse sonho ir.
Os olhos de Karina encheram de lágrimas, lágrimas que ela segurou e não permitiu caírem.
—Obrigado Pedro, de verdade. E realmente está sendo difícil, mas eu estou me acostumando. Já chorei, gritei, fiz birra... Mas tive aceitar de qualquer forma. -Ela encolheu os ombros e tratou de mudar de assunto. -Vi que a Sol está grávida, de quanto tempo ela está?
—Sete meses, o pequeno Daniel chega em breve, por isso decidimos parar com a turnê. -Pedro disse puxando uma cadeira e se sentando à frente da loira.
—Wallace deve estar radiante né? -Karina disse apoiando o cotovelo na mesa. -Que saudades que eu tô do negão... Acho que eu deveria ter vindo visitar algumas vezes.
—Não é hora de se sentir culpada, Karina. -Pedro disse sorrindo. -Agora é recuperar o tempo perdido. Podemos ir visitar eles amanhã, caso você queira.
—Você iria comigo? -A loira disse animada.
—Claro, Dona Bete vai adorar te ver. -O guitarrista disse com um sorriso gigante.
—Também vou adorar ver ela.
—Adorar ver quem, posso saber? -Bianca se aproximou com João a tira colo.
—A Bete, o Pedro vai me levar até a casa da Sol amanhã. -Karina respondeu animada.
—Poderíamos ir também né João, tô morrendo de saudades da Sol. -Bianca olhou pro namorado que encolheu os ombros numa clara expressão de "tanto faz".
—Combinado então, nos encontramos na praça as 10. -Pedro disse sorrindo animado.
—Vamos meu filho? Você deve estar cansado. -Delma chamou e Pedro concordou.
—Tchau gente, até amanhã. -Ele se despediu dos três e foi se despedir do resto do pessoal. -Obrigado pela recepção Mestre Cruel, estava tudo maravilhoso.
—Tô de olho em você, Menestrel do Capiroto. -Gael disse fazendo o guitarrista sorrir.
Os cinco integrantes da família Ramos se despediram e se foram. Pedro provocando o cunhado enquanto atravessavam a praça.
—É sério Gustavo, sou muito jovem pra ser tio, então melhor tomar cuidado. -Pedro disse quando eles entraram em casa.
—Pedro, para de ser idiota. -Tomtom disse revirando os olhos. -Vi você e a K conversando...
—E?
—E que você ainda é caidinho por ela. -A garota disse como se fosse óbvio.
—Não viaja Tomtom, estávamos apenas conversando. -Pedro desconversou enquanto tirava o sapato.
—Ela está linda né? Eu adorei os cabelos compridos.
—Sim, combinou bem com ela. -Pedro disse distraidamente. -Vou tomar um banho maninha, estou mortasso.
—Vai lá Pê, vai lá. -Ela disse se sentando ao lado do namorado. Uma expressão pensativa no rosto.
—O que você está pensando dona Antônia? -Gustavo perguntou beijando a bochecha dela.
—Em um jeito de juntar meu irmão e a esquentadinha. -Ela respondeu sem olhar pra ele.
Juntar os dois já havia dado certo uma vez, por que não tentar de novo?
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