Reencontro

4 Preciso te Proteger


Notas iniciais
Nesse capítulo vamos ver o ponto de vista de Yasuo, então será narrado por ele. Espero que gostem e que possam entender o que se passa na cabecinha dele.

Estava exausto por conta da longa viagem que havia feito de Ionia até Shurima. Já tinha dificuldades para dormir normalmente e durante o trajeto só me dei o luxo de cochilar por alguns minutos para seguir em frente. Eu não podia demorar, algo poderia acontecer com ela. Jamais me perdoaria se acontecesse. O sol que batia no meu rosto me forçou a abrir meus olhos e acordar. Taliyah não estava ali.

Logo me levantei de prontidão e em alerta, preocupado com o que poderia ter acontecido com ela. Mas estávamos num lugar seguro, era a casa dela. Me espreguicei, tentando ficar menos tenso e fui até a varanda do simples quarto, analisando as ruas e vendo se não encontrava nada de estranho. Estava preocupado, afinal. As palavras de um noxiano que havia derrotado enquanto procurava pela assassina de meu mestre ecoavam pela minha cabeça.

— A g-garota que consegue mover pedras, ela está procurando por ela... Noxus exige uma grande recompensa por ela, após terem descoberto o grande poder que ela possuía — o fraco soldado olhava para mim, pedindo clemência. — Eu já disse tudo que eu sei! Por favor não me mate!

Deixei escapar um suspiro ao me recordar daquela cena. Depois de saber disso, vim imediatamente para Shurima, onde ela com certeza estaria. No caminho escutei sobre os feitos de minha aprendiz. Havia salvo uma pessoa importante para o Imperador e por isso conseguiu um cargo em sua guarda. Não podia deixar de sentir orgulho dela. Estava passando por momentos felizes depois de toda angústia que passou longe de casa. Também parecia bastante animada e contente em me ver novamente. Eu também estava feliz em vê-la novamente, afinal. Ela estava diferente. Não era mais a garota que tinha medo do que seus próprios poderes poderiam fazer contra as pessoas. Havia se tornado uma mulher forte e bondosa, sempre colocando as pessoas acima de si mesma. Eu me orgulhava dela. Não podia contar a verdade para ela, então disse que vim até aqui para descansar. Uma grande ironia. Nunca terei descanso até encontrar a mulher que me causou tudo isso. Me dispersei de meus pensamentos quando ouvi o barulho da porta do quarto se abrir.

— Vejo que você acordou. — ela disse. — Você dormiu bem? Eu esqueci o fato de que você era bem maior do que eu e que ficaria desconfortável ali...

Me sentia um pouco mais tranquilo ao ver toda a sua preocupação só para saber se eu dormi bem. A sua bondade era uma das coisas que eu mais gostava nela.

— Dormi como uma criança, passarinho. — respondi, terminando de analisar se aquele lugar era realmente seguro para ela.

Enquanto comíamos, acabamos entrando numa discussão sobre honra, mortes e a minha vingança que estava por vir. Era um assunto que eu não gostava de falar. Perdi o controle quando ouvi suas palavras.

— Eu quero estar com você quando a encontrar.

— ...Como? — eu questionei, não esperando ouvir aquilo — Você não pode se meter nisso, ela é perigosa.

Não. Ela não podia. Eu vim até aqui para proteger ela dessa mulher. Riven nunca pode te encontrar. Eu não posso te perder também.

— E você pode morrer pra ela também! Eu não posso deixar isso acontecer!

Uma sensação esquisita tomou conta de mim. Fazia muitos anos que uma pessoa se preocupava comigo e com a minha vida. Alguém via valor em mim. Eu era importante pra ela. E ela era importante e preciosa por me trazer um pouco de alegria. Por isso mesmo que não posso deixar isso acontecer. Não posso deixar ela se ferir ou morrer por minha causa. Eu preciso te proteger, Taliyah.

— Não se meta nisso, não é da sua conta. Cuide dos seus afazeres aqui, em Shurima. — eu disse friamente, levantando-me e pegando meus equipamentos. — Eu vou procurar uma pousada para passar a noite de hoje, não vou trazer problemas aos seus pais.

Encontrando uma pousada, eu poderia sair pela noite e vasculhar a cidade em busca de informações sem que Taliyah soubesse e ficasse preocupada. Era a melhor opção no momento. Seria difícil que algum ataque repentino acontecesse de dia, já que a cidade era movimentada demais nessa hora.

— Mas Yasu--

— CHEGA! Esse assunto já acabou. Não se meta nos meus assuntos.- eu gritei e por fim, saí pela varanda o mais rápido possível, não querendo ver a expressão que a menina fizera ao ouvir aquelas palavras.

Desembainhei minha espada e fiz uma pequena rajada de vento para aliviar a queda daquela altura, parando de pé. Segui andando pela cidade movimentada, sem pensar e analisar as coisas que via naquela cidade. Com alguns minutos de caminhada, eu logo encontrei uma pousada bem posicionada no meio da cidade. Enquanto ainda era dia, passei todo o tempo procurando informações à respeito de estrangeiros em Shurima. Não havia encontrado nada de útil. Apoiei minhas costas na parede de uma das moradias, tomando um pouco do sakê que estava no cantil de bambu em minha cintura. Era um gosto nostálgico e doloroso que fazia lembrar-se do lugar que antes chamava de lar.

Olhei para frente e no meio da grande movimentação de pessoas, vi Taliyah. Preocupado com sua segurança, eu a segui. Ela fora até o palácio de Azir. Infelizmente não poderia entrar ali já que seria recebido com lanças e em seguida com muitas perguntas. Decidi então ficar do lado de fora, aguardando que voltasse em segurança. Era noite quando ela saiu, despedindo-se de uma mulher de longos cabelos negros e um ascendente com cabeça de chacal.

Tomando vento em meus pés, eu subi até umas das grandes rochas que rodeavam a cidade e observei por onde ela ia de longe. Senti uma enorme vontade de ir até ela e abraça-la, de acariciar os cabelos rebeldes que tanto gostava e tirar um sorriso dela por isso. Senti vontade de pedir desculpas pelo o que havia dito antes. Mas não podia. Não queria entrar em outra discussão sobre os meus objetivos novamente. Precisava fazer isso sozinho, ou ela poderia morrer também. Assim como o meu mestre e irmão. Então apenas a observei e zelei pela sua segurança. Estranhamente, a rua que ela andava estava deserta. Eu logo me mantive atento, desembainhando a minha espada.

A distância que estava não me permitia ver perfeitamente, então me aproximei... mas era tarde demais.

Arregalei meus olhos e corri o máximo que pude, me deparando com Taliyah inconsciente nos braços da mulher de cabelos brancos. Saltei em cima dos soldados noxianos e fiz uma enorme rajada de vento em suas direções, fazendo com que voassem longe. Eu rapidamente olhei para a aprendiz inconsciente. Sua cabeça estava sangrando. E ela conseguiu encontrar Taliyah. Ela a feriu. Eu nunca me perdoaria se a levassem. Um enorme ódio tomou conta de mim. Só havia eu e ela agora.

— Riven.

— Ao julgar pela sua expressão, essa garota é muito preciosa para você. — ela disse, levantando seus braços e deixando o corpo de Taliyah cair de encontro ao chão.

Dei dois passos para frente, tentando pegar a minha aprendiz de volta. E fui recebido pela enorme espada de Riven.

— Não será tão fácil assim, Yasu. — ela deu um sorrisinho perverso e abaixou-se, de modo que o decote de suas roupas ficassem bem visíveis para mim.

— Então as informações que eu obtive eram verdadeiras. Você enlouqueceu logo depois de perder todo o seu poder e glória.

— Eu não me importo, na verdade... — ela apoiou a espada em seu ombro. — A única coisa que eu me importo nesse mundo é com você.

— Você é louca.

— Yasu, me responda algo. Por que você se importa tanto com essa Shurimane? — perguntou de maneira lenta e sensual. — Eu sou mais bonita do que ela...

— Ela me trás tranquilidade em momentos que a minha mente me torturava quando não consegui matar você.

— Você a ama, Yasu? Da mesma forma que me amou quando não sabia a minha verdadeira identidade...?

Me irritei mais ainda ao ouvir aquelas palavras que me traziam más lembranças e parti para cima da mesma. Num instinto, ela defendeu-se com sua enorme espada. Fazendo com que as lâminas fizessem barulho ao batessem. Coloquei mais força em meus braços e fiz com que ela se afastasse.

— Hasagi! — eu gritei, disparando uma rajada de ar em sua direção.

O vento impulsionou seu corpo para longe e eu parti para cima dela, fazendo vários cortes rápidos em seu corpo. Ela gritava de dor enquanto via seu sangue saindo de seu corpo, caindo de dor com sua espada muito longe de si. Estava pronto pra disparar outra rajada de ar caso ela levantasse.

— Isso já acabou, Riven. Você está fraca. Já não é mais a guerreira forte e conhecida de antes.

Seus olhos arregalaram-se e sussurrava palavras inaudíveis. Repentinamente, ela sorriu e começou a rir desesperadamente. Apenas levei como um surto da sua loucura. Levantei minha espada, prestes a dar o ataque final. Até que sinto algo acertando minhas costas. Uma dor terrível tomou conta do meu corpo e eu não conseguia mais me mexer direito. Virei-me e me deparei com uma criatura que era metade mulher e metade cobra. Ela não estava sozinha.

— Eu não tentaria lutar se fosse você, espadachim... Correr só vai fazer o veneno agir mais rápido. — A desconhecida disse, com um sorriso perverso em seu rosto.

Sentia meu corpo perder suas forças a cada segundo e a minha mente só pensava na segurança de Taliyah. Eles não podem leva-la daqui. Eu tenho que proteger ela. Segurei minha espada com força e disparei mais rajadas de vento. Essas que foram lançadas em locais aleatórios por conta da tontura que tomou conta da minha visão.

— Eu deixei um recadinho especial para Sivir. Ela com certeza virá para buscar a garota. E aliás, você tem um péssimo gosto para homens, Riven... — Cassiopéia disse, divertindo-se com a cena.

— Ele é adorável, não vê...? Vamos para casa, Yasu. Só eu e você.

Disparei mais e mais rajadas de vento, errando o meu alvo novamente. A minha visão começou a escurecer e passei a suar frio. Isso não poderia estar acontecendo. Não, não podia. Sua vingança precisava ser feita. Taliyah não podia voltar para Noxus. Ela não era uma arma.

— Nunca mais verá a sua amiguinha novamente.

Taliyah...

Notas finais
Foi de grande alívio ter conseguido expressar bem todos os sentimentos que o Yasuo sentia naquele momento. Eu espero que vocês também tenham gostado! E Cassiopéia e Riven aparecem na trama, o que será que vai acontecer? Comentem o que vocês acharam!