Reencontro
7 No Passado...
Escócia, 1523 d.C
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Eu os seguia por entre a floresta, esse era o lugar para onde eles viam quando queriam privacidade.
Ver suas trocas de carícias e declarações me magoava,, mas era necessário, eu deveria saber de tudo o que ocorria.
— Meu amor, meus pais não concordaram com isso, se eu vos avisar, iram me trancar em meu quarto e me casar com um nobre qualquer! — falou ela.
— Então se seus país não haverão de aprovar nosso amor, fuja comigo! — pediu ele, fazendo meu coração apertar e se remoer em meu peito.
Ela estava hesitante, a bastarda ainda hesitou. Ah! Se tal pedido fosse direcionado á mim!
— Mas... eles vão nos caçar... — resmungou.
— Vamos voltar para onde eu vivia, vamos voltar para a Inglaterra, vamos começar uma família, não poderei te oferecer o luxo e as regalias que aqui eram lhe proporcionadas minha querida, mas seremos felizes!
Depois de se encararem, ela balançou a cabeça assentindo, e eu apenas me virei para não ter que presenciar a cena de seu beijo.
Me dirigi ao castelo com o intuito de alertar a seus pais, não a deixaria levar Christian assim, tão facilmente.
— O que faz aqui, plebeia imunda? — perguntou um dos guardas barrando minha entrada.
— Tenho informação que é de interesse de sua alteza. — falei.
Ele riu, bufando.
— Sua alteza real não tem mais tempo para vocês sujos oportunistas, fazendo-o perder seu tempo com assuntos inúteis! — disse o maldito me chutando para fora, nem sequer tive a oportunidade de falar pelo o que me encontrava lá.
Haveria de ter que encontrar outra forma de convence-lo, de que ele foi feito para mim, e somente a mim. Que o que tinha com Adelina Annesley era uma paixão boba e passageira, fui em quem cresci ao seu lado, nossas mães são melhores amigas á tanto tempo, estávamos destinados um ao outro!
Peguei meu vestido que havia lavado a dois dias, o melhor que tinha, encontrava-se já enxuto. Lavei-me com leite de rosas e trancei meus cabelos, esperei até a hora que voltaria carregando seus instrumentos de caça.
Assim que o avistei me dirigi á sua casa, chamando-o. Ele abriu a porta, seus olhos azul safira me encarando de volta, me fazendo perder o ar, lhe dei um de meus melhores sorrisos.
— Olá Christian.
Ele me encarava confuso.
— Katrina? O que houve? — perguntou.
— Eu preciso de ajuda em casa, um jarro muito pesado, mamãe já está dormindo, seria incômodo? — falei, em expectativa.
Ele acenou negativamente, me seguindo até em casa.
Christian não sabia que minha mãe não estava em casa, havia dormido na casa de pasto, perto das lavouras de trigo onde cultivava-os.
Assim que ele entrou eu retirei meu vestido, quando ele visse uma mulher de verdade, ele sim iria saber, iria me notar e ver que Adelina não passa de uma criança mimada.
Ele parecia olhar ao redor á procura do jarro, quando se virou para mim e me viu postada, completamente nua á sua frente.
— Katrina? O que é isso? Cubra-se! — pediu ele, desviando o olhar e procurando alguma coisa, seja la o que for para me cobrir.
— Não Christian! Isso é pra você. — falei indo em sua direção. — Seja meu. — pedi.
Eu tentei lhe tocar, lhe beijar e colocar sua mão em meu corpo, mas ele apenas me empurrou segurando meus ante-braços.
— Cubra-se! — pediu me encarando nos olhos, parecendo furioso.
Então meu coração se apertou novamente, ele não havia gostado de mim.Meus olhos se encheram de lágrimas contidas.
— Você não gostou de mim? Me acha feia? — perguntei.
Seu olhar pareceu amolecer.
— Não é isso, Katrina você não é feia, você é bonita sim? Mas não faça isso, nunca mais. Não é coisa de uma dama.
Eu tive vontade de revirar os olhos, agora que se encontrava com Adelina ele achava que sabia o que era se ser uma dama, quando aquela bastarda travessa vivia aprontando á das piores pelo vilarejo. Mas a afirmação dele, dizendo-me que era bonita me deixou feliz e cheia de esperanças.
Ele se retirou me deixando plantada como uma macieira, mas eu não me importei, sabia que Christian era um cavalheiro, mas ele havia me achado bonita e isso era tudo o que importava.
No dia seguinte, encontrei-me com minha mãe na lavoura, ela me explicou sobre a natureza, e eu fiquei ouvindo pacientemente, ela me explicava todas essas coisas desde que nasci, me dizia que havia nascido diferente e por isso tenho dons que outras pessoas não tem, e isso fazia de mim uma pessoa especial.
— A natureza não é só a nossa fonte de poder e energia, é a de todo o mundo, sem ela não viveríamos, ela nos concedeu esses dons por motivos desconhecidos, mas é assim que as coisas funcionam minha querida, não temos explicações para tudo. — disse ela respondendo uma de minhas perguntas.
— Esses dons, posso usá-los como bem entender? — perguntei, logo depois me arrependendo pelo olhar reprovativo que mamãe me deu.
— Claro que não Katrina! A natureza tem a sua própria ordem, ela flui como as águas dos rios e ela sempre sabe o curso das coisas, não cabe a nós a mudar ou interromper isso, use seu dom para cultivar mais natureza e apenas isso, não faça com isso uso egoísta e de benefício próprio, porque a natureza sempre nos devolve tudo o que arrancamos dela.
Eu dei de ombros.
Não acreditava nisso.
Mamãe falava da natureza como se ela fosse uma pessoa física, e para mim isso era bobeira. Não poderia mentir que com minhas poucas proclamações já havia feito vestidos de nobres voarem, e pessoas escorregarem em poças d'água, e isso não havia me feito mal algum, muito pelo contrário, me rendeu boas gargalhadas.
Na volta pra casa, carregando grandes cestas de trigo estava animada, pois sempre encontrávamos com Christian vindo com caças juntamente com os outros homens.
Mas dessa vez ele não veio.
Perguntei ao velho de barba ruiva se havia o visto, e ele disse que Christian não havia aparecido o dia todo.
Peguei o caminho mais rápido até em casa, assim que cheguei, fui diretamente para o lugar que eu sabia que ele se encontrava com Adelina.
Escondida atrás de um arbusto os avistei, pareciam ter uma discussão, e não pude impedir de sorrir, talvez eu não precisasse interferir, se eles brigassem e desistissem por si mesmos de fugir.
— Adelina, não foi nada, nem ao menos olhei, senão porque haveria de estar lhe contando?
— Quando eu lhe disse que aquelazinha lhe encarava apaixonada pelos cantos, você não acreditou!
Sua conversa me deixou em alerta, estavam falando de mim?
— Katrina sempre foi uma amiga, fomos criados juntos apenas, não sei o que deu nela.
— Sorte a dela que não sou de sua mesma índole, quem ela acha que é a se postar nua á sua frente? Eu a via o observando, e suspirava apaixonada toda vez que lhe vislumbrava, aquela estúpida — falou ela indignada.
Bastarda ridícula, bem sabia a diferença entre mim, uma mulher, para ela, uma mimada de família nobre.
— Mais uma vez, nem ao menos a olhei, fiquei irritado na verdade, Katrina é muito insegura e não sabe o que faz ou o que sente, é muito ingênua e avoada, não a vejo como mulher, ela é apenas a garota com quem eu cresci, só tenho olhos para você, minha querida. — disse ele.
Meus coração agora não se apertou, pareceu ter sido cravado por uma estaca afiada, doendo insuportavelmente.
— Tem certeza? — perguntou Adelina.
— Claro Adelina, não seja boba, pra mim ela não significa nada! Se significasse estaria com ela e não contigo, estaria hoje morando com ela e não fugindo para ficar contigo.
Ela sorriu, o beijando.
— Hoje no final da tarde. — disse ele.
— Hoje no final da tarde. — ela assentiu.
E os dois foram por seus respectivos caminhos. Fiquei nos arbustos por um tempo, sentindo pena de mim mesma com vontade de morrer, de me matar, até que a fúria se apossou de mim.
Se ele não me amava não a teria para amar, e eu acabaria com qualquer resquício de felicidade que os dois achariam poder ter.
Voltei para casa e fiz o que nunca achei que iria fazer. Mas valeria a pena, para acabar com eles, valeria, eu deixaria Christian na miséria, para ele entender o que fez comigo, como me deixou.
Voltei ao vilarejo e fui até ao Monion, tinha ordem restritas para nunca me aproximar dele, mas agora eu já não me importava. Sem ele saber surrupiei seu livro, sabia que ele trabalhava com magia negra, e apesar de ser proibida como minha mãe haveria de dizer, era a mais poderosa. Abri o grande livro negro e lá estavam as proclamações, tudo o que precisava também, na língua em que entendia com certa dificuldade, estava escrito que perderia minha alma, também precisava de sangue de um Monion.
Eu consegui o sangue, havia matado pela primeira vez na minha vida, alguma coisa gritava em meu sub-consciente que isso era extremamente errado, mas eu entorpeci meu coração e não via absolutamente mais nada. Eu seria uma Monion agora, levei o sangue e o livro para a floresta quando a noite já se aproximava.
Invoquei as proclamações, suguei os poderes da natureza, usei para o ritual o sangue do Monion também dando um pouco de meu. Tudo corria bem, até minha mãe me encontrar.
— O que está fazendo Katrina? — gritou ela encarando-me mortificada.
— Saia daqui mamãe! — gritei ainda invocando, agora não tinha mais volta.
— Katrina, pare com isso agora!
— Saia mãe!
— Não vou permitir que faça isso! — disse ela levantando sua mão, vindo em minha direção, mas eu fui mais rápida levantando a minha e proclamando rapidamente, jogando-a forte contra a arvore ao meu lado.
Seu corpo depois de bater violentamente em um tronco tronco caiu derrubando todo o sangue do ritual na bandeja, agora o sangue de Monion misturava-se ao dela, eu apenas encarei em choque.
— Mamãe? — chamei, balançando seu corpo, ela não respondeu. — MAMÃE! — agora gritei.
Não adiantava, seu corpo encontrava-se já sem vida.
Eu havia matado a minha mãe.
Depois de chorar por sobre teu corpo, entorpeci a mim mesma novamente com o ódio, e voltei a focar no ritual, o sangue se encontrava agora no chão, misturado com o que saia da cabeça de minha mãe, as coisas haviam mudado e eu temia que não funcionasse, eu supostamente deveria bebe-lo.
Mas então depois de minhas proclamações a terra o sugou todo, as folhas das árvores ao meu redor começaram a cair e os troncos começaram a perder sua vistosidade..
Então suas raízes saíram da terra e se postaram em minha direção, eu não estava com medo, depois de tudo não me importava com o que aconteceria, eu deixei as raízes me levarem para debaixo da terra, senti minha respiração sufocar e tossi inutilmente engasgada com a terra com gosto um metálico de sangue.
Depois apaguei.
Não sentindo que encontrava a paz, meu corpo não se relaxava, muito pelo contrário, ele ficava forte, e em meus últimos segundos de vida me senti muito poderosa.
Quando abri os olhos novamente, agora a terra cobrindo-me já não mais me incomodava.
Me levantei, vislumbrei o corpo de minha mãe e com apenas uma proclamação o enterrei no buraco onde se encontrava o meu, não sabia como eu havia acordado sabendo dessas coisas, mais não me importava.
Minha única convicção era trazer a miséria para a vida de Christian e Adelina.
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