Reencontro

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Como nota quero apenas deixar a letra dá música base da história.

Duas partes (Two Pieces - Demi Lovato)

Há um menino, que perdeu o seu caminho
Procurando alguém para brincar
Tem uma garota na janela chorando
Somos apenas crianças perdidas
Tentando encontrar um amigo
Tentando achar o caminho de volta para casa

Não sabemos para onde ir
Então vou me perder com você
Nunca vamos nos desmoronar
Porque ficamos bem juntos, ficamos bem juntos
Estas nuvens escuras sobre mim, chove e derrama
Nunca vamos nos desmoronar, porque ficamos bem juntos
Duas partes de um coração partido

Sei onde poderíamos ir
E nunca nos sentiríamos decepcionados novamente
Podemos construir castelos de areia
Vou ser a rainha, você vai ser meu rei
Somos apenas crianças perdidas
Tentando encontrar um amigo
Tentando achar o caminho de volta para casa

Não sabemos para onde ir
Então vou me perder com você
Nunca vamos nos desmoronar
Porque ficamos bem juntos, ficamos bem juntos
Estas nuvens escuras sobre mim, chove e derrama
Nunca vamos nos desmoronar
Duas partes de um coração partido

Agora posso deitar minha cabeça e cair no sono
Ah, mas não preciso dormir para ver meus sonhos
Porque estão bem na minha frente
(Bem na minha frente)

Há um menino
Que perdeu seu caminho, procurando alguém para brincar
Não sabemos para onde ir, então nos perderemos de novo
Nunca vamos nos desmoronar
Porque ficamos bem juntos, ficamos bem juntos
Estas nuvens escuras sobre mim, chove e derrama
Nunca vamos nos desmoronar, porque ficamos bem juntos
Duas partes de um coração partido

Há um menino, que perdeu o seu caminho
Procurando alguém para brincar

Algum tempo havia se passado, fazia exatos dois anos desde que tudo começara a mudar. Sua vida estava de cabeça para baixo, indo de um lugar a outro sem nunca se fixar, sem nunca encontrar o que procura. Ele perdeu seu caminho procurando alguém para brincar.

Alguém que o fizesse sorrir por motivos idiotas, alguém que o tirasse do sério, que o irritasse, e que fosse tão imprevisível que o fizesse se apaixonar, como ela havia feito.

...

Depois que terminou seus estudos obrigatórios, seu caminho se dividiu em dois, e como era típico, a escolha pelo mais difícil foi o óbvio. Mas naquele momento era tanta saudade dentro de si, tanta falta de gritos, conversas altas, brigas sem motivos, tanta falta de uma vida que parecia tão pequena antes, e que agora parece tão gigante, tão feliz. Tão melhor. Ela sentia falta de ser a princesinha, a irmã, a prima, e a melhor amiga.

Enquanto olhava a chuva escorrendo por sua janela, deixava as lágrimas caírem junto. Quase nunca se permitia chorar, mas ali sozinha ela apenas se deixou levar pela falta de ser chamada de irritante, melodramática e filhinha do papai. Ela sentia falta dele e de cada palavra que a acertava com facadas.

...

Quando Hogwarts acabou, era hora de fazer escolhas importantes para o futuro. Escolher uma carreira nunca foi fácil para nenhum trouxa e, aparentemente, não seria fácil para bruxos também. Mesmo que eles conseguissem a maioridade ao completar 17 anos, era difícil saber o que fazer com aquela sensação confusa que toma conta de todos que precisam seguir um novo caminho. Que precisam crescer.

Querendo ou não aqueles que buscam um novo caminho, uma nova vida, que fazem escolhas difíceis e se jogam de cabeça em sonhos sempre vão ser como crianças perdidas, buscando amigos, tentando encontrar o caminho de casa, o caminho de uma nova casa.

Ele acabou indo para Londres em busca de aventuras. Ela em busca de histórias. Talvez ele conhecesse pessoas novas. Talvez ela se apaixonasse pela pessoa certa. Por sorte acabariam se encontrando em algum momento. Ambos perdidos. Em busca daquilo que nunca encontraram, encontrando aquilo que nunca deixariam de ser.

Parecia que aquelas nuvens não iriam embora, o céu tão carregado parecia descrever todos os incômodos daqueles que se sentem perdidos, que se sentem entregues às saudades.

Eram nesses momentos que ela tinha certeza de que encontraria histórias. Os bares ficam cheios de pessoas, assim como qualquer lugar coberto e seguro. Aquele quarto minúsculo era um lugar quente, seguro, mas diferente de qualquer outro lugar naquele momento, estava vazio. Apenas ela, e apenas a vontade de sair e nunca mais voltar.

...

Rose Weasley sempre se sentiu pressionada a ser perfeita. Sim, sua mãe era a mulher mais inteligente que conhecia, e seu pai era tão incrível, que ela o admirava mais do que qualquer outra pessoa. Queria ser o orgulho da família. E quando resolveu seguir o seu caminho, colocou na cabeça que não poderia voltar para casa até conquistar tudo que sonhava. Se sua família enfrentou uma guerra, ela poderia enfrentar uma cidade desconhecida.

Mas nos últimos dias ela se sentia tão triste e sozinha. Tão perdida. Ela queria aparatar e sentir os braços do seu pai em volta de si dizendo que tudo ficaria bem, como quando ela não conseguiu fazer um feitiço de primeira. Ele sempre era aquele que afirmava a ela que daria tudo certo, sempre a fazia rir dizendo que se ele conseguia fazer o feitiço era óbvio que ela conseguiria com toda a inteligência herdada de sua mãe.

Sair do pequeno apartamento, mesmo com toda a chuva era a única coisa a se fazer. Entraria em algum lugar movimentado, e mesmo que estivesse sozinha entre milhões de pessoas, pelo menos poderia as observar, e observar as pessoas sempre pode ser inspirador.

...

Quando ele entrou naquele bar à noite, não imaginava que sairia àquela hora. O Dono do lugar já o conhecia, então quando o viu adormecido sobre uma das mesas o deixou despertar sozinho. Tão típico dele nos últimos meses, passar as noites naquele bar tão movimentado. Não fazia absolutamente nada. Não bebia, não conhecia pessoas, apenas escutava as bandas que não tinham repertório ainda, ou as histórias tristes de sujeitos que entravam e saíam reclamando sobre o amor, sobre dinheiro, sobre suas vidas.

Scorpius Malfoy não imaginava que acabaria naquela situação. Como um daqueles sujeitos. Ele não reclamava, não para que alguém escutasse, mas por dentro ele entendia bem o que cada um daqueles homens dizia. O problema não era as mulheres que os tinham abandonado, ou o emprego que pagava mal, e muito menos a falta de sorte que os abatiam. O problema estava dentro deles, o medo de dizer que falhou e tentar novamente.

Exatamente o que ele sentia. Tinha falhado. Suas aventuras se transformaram em cotidiano. E agora o lhe restava eram noites em bares, manhãs em cafés, e tardes entristecidas em parques.

Ela não sabia para onde estava indo. Ele apenas seguia as ruas. Nenhum sabendo para onde ir. Sendo guiados por uma força. Algo que alguns não acreditam, que chamam de destino, de conspiração universal, de escrito nas estrelas. Não importa o nome que se tenha, o que importa é que normalmente é tão mágico que ninguém jamais poderá explicar.

Quando Scorpius entrou no café, ela já estava lá. Sentada em uma das ultimas mesas, olhando para baixo, com um livro aberto entre suas mãos. “Sempre um livro”, ele pensou. Não eram sempre assim seus encontros? Ela com livros, ele com as mãos nos bolsos. Ele sorriu.

Há quanto tempo não sorria? Ele não fazia ideia, mas era há muito tempo. Mas aquele sorriso foi tão natural, tão inesperado. Vê-la foi inesperado. Uma grande aventura.

Seus cabelos continuavam com a mesma cor marrom avermelhado, certamente a mistura perfeita dos seus pais. Mesmo com a cabeça abaixada, ele conseguiu ver as pequenas sardas em seu nariz, e espalhadas pelas bochechas. Ela nunca mudaria.

Scorpius caminhou lentamente, esperando que ela erguesse os olhos. E criando frases em sua mente, não tinha nenhuma completa quando quebrou os poucos centímetros que os separavam. Mesmo assim precisava dizer algo.

— Será que algum dia você vai deixar esses livros?

Ele não queria que a voz saísse tremida, mas ela saiu. E também estava rouca, devido todas as horas em que não disse nada. Quando seus olhos se cruzaram, ele sentiu tantas coisas que seria impossível representar com palavras. Algo muito parecido com amor.

— Você?

Rose não conseguia esconder a surpresa. Lá estava ele, em sua frente, reclamando de seus livros, sorrindo, sendo incrivelmente charmoso como sempre, pelo menos desde que ela descobriu o que significava charme. Ele estava puxando a cadeira e sentando em sua mesa.

— Muito bom te ver também Rosinha.

Scorpius sempre teve um lindo sorriso, e sempre soube o usar muito bem.

— Rose. R. O. S. E. Será que você aprendeu a soletrar nesse meio tempo? Duvido.

Ela disse fechando o livro sem nem mesmo marcar a página que lia.

— Sempre delicada como uma flor.

— Eu tento.

— Provavelmente a chuva arrancou as pétalas e sobraram apenas os espinhos.

— E isso aí no seu rosto é sujeira ou você está tentando parecer com um mendigo?

— Espinhenta, isso se chama barba, por sorte você se livrou das penugens que tinha quando criança.

— Malfoy fique quieto! O que está fazendo aqui?

Ele sempre soube como irritá-la. Uma arma natural. Ela soltava espinhos e ele, farpas.

— Isso é um café, então obviamente que vou tomar um.

— E não tem outras mesas?

Rose sentia falta dessas conversas, desses momentos de Rosa e Escorpião. Mas ela não daria o braço a torcer, ela nunca dava, e isso não mudaria tão fácil ou rápido.

— Hum... Prefiro confraternizar com um conhecido.

— Confraternizar? Seu vocabulário melhorou pelo visto.

— Rose...

...

Existem pessoas que em certos momentos da vida se separam. Deixam de se falar. Fazem escolhas diferentes e seguem caminhos contrários. Muitas dessas pessoas jamais voltarão a se ver, serão apenas lembranças uma das outras. Boas lembranças. Mas existem aquelas que quando menos esperam se esbarram.

Em uma esquina, em um mercado, na escola dos filhos, em outro país, ou em um café de uma rua movimentada. Em um momento em que só lembrar não é o suficiente.

E quando essas pessoas se encontram as coisas mudam. O destino, as estrelas, o universo faz com que linhas se juntem e fica visível que aquilo iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Um reencontro. Porque é nítido o quanto essas pessoas ficam bem juntas. E que elas não vão desmoronar.

Porque são duas partes de um coração partido.

...

Rose e Scorpius conversaram, exatamente como faziam no último ano de Hogwarts. Sem pensar nas horas, sem deixar de brigar, sem mudar de opinião, e ainda assim sorrindo, trocando olhares e sabendo que nunca encontrariam uma pessoa que os fizesse sentir como se sentiam naquele momento.

Não é questão de afinidade, é questão de alma. As almas deles se reconheciam, mesmo que os corpos discutissem até o ultimo segundo.

Já passava das 11h da manhã quando eles saíram do café. E a chuva tinha ido embora trazendo um sol renovado. Cheio de vida, e de vontade de brilhar.

Juntamente com a ganância do sol em se fazer notar, era a vontade de continuar a conversa. Scorpius não a deixaria ir tão rápido e ela também não queria partir assim. Um adeus em frente a uma cafeteria.

Ainda bem que existem mais vantagens em ser bruxo que boa parte dos trouxas nem desconfia. O poder de estar em um lugar e no minuto seguinte estar em outro, pode fazer momentos curtos se transformarem em breves eternidades.

Um beco escondido.

Mãos dadas.

Uma praia.

E a breve eternidade criada entre castelos de areia, uma rainha mandona, um rei irritante, e conversas duradoras. Rose e Scorpius não apenas reinaram, mas também deixaram pegadas pela areia molhada, sentiram a água gelada em seus pés e os raios do sol em seus rostos, enquanto as mãos continuavam ligadas, como se ao afastá-las tudo chegasse ao fim.

— Rose...

Existe uma parte boa no fato de ser uma criança perdida e tentando encontrar um amigo. Quando você o encontra pode dizer que também encontrou o caminho de volta para casa.

— Scorpius... Uma vez li que lar não é exatamente um lugar, mas sim uma pessoa.

Ambos estavam olhando para o mar, sentados lado a lado, com as mãos dadas, e a cabeça dela sobre o ombro dele. Respirações combinadas, e uma necessidade de falar.

— Sinto que isso faz todo sentido, Rose.

— Por que diz isso?

— Procurei aventuras, conheci pessoas, mas nunca me senti como agora.

— E como está se sentindo?

— Como quem achou o caminho de volta para casa.

Finalmente Rose soltou sua mão da dele e se deitou na areia enquanto sorria. Ele olhou para ela confuso, talvez não tivesse dito o que ela gostaria de escutar. Mas aquele sorriso contradizia tudo.

— E como você está se sentindo?

— Scorpius, eu estou sentindo que comprovei uma teoria.

— Qual?

— Lar realmente é uma pessoa e não um lugar.

Scorpius se aproximou de Rose encostando seus lábios com a delicadeza de uma seda, ou de uma pluma, mas logo o beijo se tornou profundo, quente, e desesperado. Afinal era o segundo beijo deles, dois anos depois do primeiro. E entre duas partes de um coração partido. Transformando-se em um novo coração que batia tão rápido a ponto de quase sair do peito.

...

Afinal, eles ficam bem juntos.

Notas finais
N/B: Oh. My. God. Geeeeeente, vocês leram isso atentamente? O.O
Fic profundamente linda. Não quero fazer um dos meus big comentários aqui, mas já tenho uma frase preferida: Não é questão de afinidade, é questão de alma.. Ameeeei aparecer de novo betando (sim, a culpa dos erros que houver ainda é minha) e Anny me surpreendeu com essa one, assim de repente numa manhã de quinta-feira. Sim. Foi uma ótima surpresa :)

N/A: Oiiiiiiii (de novo) espero que tenham gostado da one e se sim deixe uma review, eu amo recebê-las... Mas se tiver criticas também as deixe para que eu possa crescer e melhorar minhas simples histórias... E quero agradecer muito essa minha Beta diva que é super rápida no gatilho e anda me ajudando muito...

Beijinhos e Obrigada sempre!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!