Notas iniciais
Agradeço a JuhViolet e Ms Wyvern por toda a ajuda que me deram ♥ Amo vocês, minhas duas lindas. Então, essa é dedicada pra vocês ♥ Espero que gostem.

Reencontro





Estava agachado frente aquela lápide havia muito. Não era capaz de se conformar que o tinha perdido. Mantinha o olhar de sempre, duro, irônico, conformado. A urna da armadura pendia em um único ombro. Suspirou.

Ler o nome daquele que jazia ali lhe doía. Doía muito. Desde que foram juntos para a Itália, em missão, fazia de tudo para se aproximar. Conseguira até mesmo dar-lhe um apelido. Sorriu com a lembrança, e releu novamente a inscrição da lápide.

Pisces Albafica.

- Eu pedi não pedi? – Sussurrou. – Pedi pra você matar aquele Juiz e voltar vivo, Alba-chan.

Passou a mão na pedra, com uma doçura fora de seu feitio. Uma doçura que dirigia apenas a ele. Não entendia bem o motivo, afinal o outro era um cavaleiro tão forte quanto si mesmo, mas sentia necessidade de trata-lo diferente. Sentia que se não fosse assim, não seria de outro modo, não estaria próximo dele.

Ah, a proximidade... Aquela que lhe fora arrancada. Maldito era Minos. Cerrou o punho, prometendo que se vingaria, de um jeito ou de outro. Não deixaria a morte dele ser em vão. Não podia ser assim. Não com ele. Suspirou novamente, deixando-se cair displicentemente no chão. Fechou os olhos, se lembrando da ida a Veneza.

Estavam no quarto do hotel, tinham acabado de vencer Don Avido e a Nero. Albafica estava sentado na janela, e Manigold estava frente ao espelho, cuidando de suas feridas, ao mesmo tempo em que o olhava pelo reflexo.

O pisciano estava sentado no beiral da janela aberta, o rosto virado e levemente inclinado, atencioso com a movimentação da rua. A brisa leve que batia era o suficiente para fazer seus fios esvoaçarem. Seu corpo possuía um contorno alaranjado, devido ao sol que se punha. Os machucados em seu rosto, causados pela recente batalha, estavam avermelhados e contrastavam com a pele pálida, assim como a roupa negra que usava.

- Por que tanto me olha, Câncer? – Sibilou, sem se mexer.

- Eu tenho um nome, você poderia usar ele de vez em quando. – Virou-se para ele, sorrindo sarcástico como sempre.

Peixes o olhou e sorriu, como poucas vezes fazia. O moreno gravou essa cena em sua memória, maravilhado. – Desculpe-me, Manigold. Do que precisa?

Mordeu o lábio e olhou o antisséptico em sua mão. Não que necessitasse de ajuda, mas queria-o próximo a si. Mostrou-lhe o frasco. – Me ajudaria?

Suspirou, cruzando os braços. – Não posso me aproximar de você.

- Suas mãos estão machucadas? – O outro as analisou, constatando que não haviam feridas ali. – Então você pode.

Um olhar contrariado apareceu em seu rosto e contraiu suas feições, mas foi para mais perto e, pegando o algodão com uma pinça, começou a aplicar cuidadosamente o medicamento. Afastava o algodão caso o canceriano fechasse os olhos, indicando ardor. Mesmo que fossem cavaleiros, treinados para suportar a dor, ela ainda os incomodava.

- Dói?

Manigold abriu os olhos e o fitou. Ele encarava um machucado em seu pescoço, tratando-o sem fazer questão de olha-lo diretamente. Estranhou. – Arde, apenas. Por que não me olha nos olhos?

Albafica suspirou. – Estou cuidando de uma ferida em seu pescoço, não em seus olhos.

- Você nunca me olha nos olhos.

Levantou o olhar, confuso. Os orbes se fixaram uns nos outros, e o pisciano corou, abaixando a cabeça novamente. – Já terminei.

Câncer não pode se impedir de sorrir. Com as maçãs do rosto levemente avermelhadas daquela forma, ele era ainda mais belo. – Está com vergonha de mim, Alba-chan?

O pisciano o olhou, indignado. – De jeito maneira! E não me chame assim! – Reclamou, corando ainda mais.

- Pois eu acho que está. – Sorriu, sacana, ignorando a segunda parte.. – Mas eu nem te dei motivos pra isso... – E o enlaçou pela cintura, trazendo-o para mais perto de si, deixando-o furioso.

- Manigold de Câncer, me solte agora! Você não pode ficar tão perto assim de mim, meu sangue—

Não pode terminar de falar. Os lábios do moreno foram pressionados contra os seus, e o vidro de antisséptico escapou de suas mãos tremulas, quebrando-se no chão.

Estava atônito. Não sabia o que fazer. Levou as mãos ao tórax dele, mas não tinha forças para empurra-lo. Tentou contestar, mas o canceriano apenas se aproveitou, introduzindo a língua em sua boca. Deixou escapar um suspiro e desistiu, o envolvendo em um abraço, fechando os olhos, deixando-se levar, retribuindo-o com carinho.

Mas então, a razão pareceu lhe acertar como um raio, e o empurrou. – Manigold!

O canceriano apenas sorriu. Levou as mãos à cabeça, sentindo-se levemente tonto. Os lábios de Albafica estavam cortados, o que lhe fizera entrar em contato com o veneno de seu sangue. Recostou-se a parede, deixando o corpo escorregar. Sentiu o outro se aproximar, dando-lhe algo para beber. Um antidoto, talvez?

- Você retribuiu. – Sussurrou, antes de cair no sono. Nem sequer sabia se Peixes o ouvira.

Deixou uma lágrima escorrer quando se lembrou. Mas permaneceu sorrindo. Sabia que ele gostava de seu sorriso. O próprio Alba-chan quem lhe dissera isso, quando voltaram de viagem.

Devido ao trabalho, tiveram muitos relatórios para escreverem, juntos. Nesses momentos, Manigold sempre aproveitava para tentar beijá-lo novamente. Sorriu mais ao lembrar que ele nunca o repelia, mas não
deveria passar de um leve roçar de lábios, para não o enfurecer.

Fechou os olhos e se ajoelhou. Vir visitar seu túmulo havia virado um costume. O fazia todos os dias, ouvindo alguns comentários maliciosos por parte de alguns cavaleiros, como Escorpião.

Passou novamente a mão pelas palavras gravadas na pedra, suspirando. Nunca se demorava tanto, mas no dia seguinte teria de acompanhar Pégaso, Unicórnio e Grou.

- Acredita nisso, Alba-chan? – Riu. – Vou ter que ser babá de três pivetes de Bronze... – Suspirou pesadamente. – Se você estivesse aqui, poderia estar indo comigo...

Sentou-se no chão, baixando o rosto, deixando a franja lhe cobrir os olhos. Não conseguia acreditar. Não podia ter sido assim. Não ele... Depois de todo o trabalho que tivera para conseguir se aproximar...

- E ainda por cima, você não cumpriu a promessa que me fez...

Sentiu o cosmo de seu mestre se aproximar e se ergueu, se recompondo. Nunca comentara sobre seu relacionamento com o guardião da décima segunda casa, mas tinha certeza de que o mais velho sabia, embora nunca tocasse no assunto.- Está na hora de ir, Manigold. – O Grande Mestre falou, ainda distante.

Câncer assentiu, baixando o olhar pela ultima vez para a lápide do outro. – Eu vou voltar, Alba-chan. – Disse-lhe, e saiu junto do mais velho, sendo levado para onde deveria encontrar os outros três cavaleiros.

O que Manigold não sabia, é que jamais voltaria. Daquela missão, acompanharia Sage, e se encontraria com Hypnos e Thanatos, os Deuses Gêmeos. Se sacrificou para ajudar seu mestre a selar a alma do Deus da Morte, na tentativa de atravessar para os Campos Elíseos.

-

-

Suspirou, sentando-se numa rocha. Sabia bem onde estava: o Mundo dos Mortos. Olhava ao redor, sem saber o que fazer, ou se tinham chances de reencontra-lo.

- Ele deve estar bem longe daqui... – Resmungou, fechando os olhos, e jogando a cabeça para trás.

- Quem? – Ouviu alguém sentar do seu lado e lhe responder, mas não fez questão de se virar e ver quem era.

- A pessoa que mais amo. – Sorriu, se lembrando dos olhos do pisciano.

- E como ele é? – A pessoa continuou.

- Perfeito... – Respondeu, pensando no sorriso dele.

- Abra os olhos um instante, por favor.

Pensou, por um instante, em mandar o outro ir pastar, mas por algum motivo, resolveu se sentar direito e olha-lo. Ficou boquiaberto com o que viu. O outro pegou sua mão e a dirigiu até seu rosto, fazendo com que sentisse a textura de sua pele, e sorriu. Ah, aquele sorriso...

- Albafica? – Sorriu abertamente, como só se permitia fazer para ele.

- Sim, Manigold? – Ele se aproximou mais. Agora não havia veneno para se preocuparem.

- Você precisa cumprir uma promessa que me fez.

Peixes riu, como o outro nunca antes vira, e se aproximou, beijando-o docemente, mas ainda assim, com todo o desejo que reprimira por todo o tempo. Enlaçou-o pelo pescoço, puxando-o para mais perto, fazendo questão de sentir o amado próximo a si, como nunca lhe fora permitido antes.

- Te amo, Alba-chan.

- Eu também te amo, Mani. – Sorriu, puxando-o novamente para perto de si, beijando-o mais uma vez. Agora tinham a eternidade para ficarem juntos, sem nenhum veneno para lhes causar incômodo.

Notas finais
E ai? Primeira tentativa de escrever com Lost Canvas. Fui bem? Preciso melhor? Quero opiniões sinceras, por favor :3
E minhas lindas, espero que tenham gostado ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!