Reencontro
3 "Pare de frescura, isso foi só um arranhãozinho."
Notas iniciais
Quando achei que ele iria falar algo sem gaguejar, o mesmo se virou para mim e disse:
-N-não é nada, depois a gente se fala. – e sumiu da minha frente.
Vendo que ninguém estava olhando para onde estávamos, saí de lá rapidamente e fui procurar a Hinata. Não tive que procurar muito, parecia que ela queria ficar perto para ouvir alguma coisa. Depois de lhe contar tudo e ouvir várias exclamações de sua parte, ela não perdeu tempo em dizer:
-Caramba Sakura, ele não te disse nada?
-Não.
-Porque não perguntou o que ele tinha pra falar? – Hinata parecia irritada.
-Eu disse pra ele andar logo e falar, mas ele só ficava gaguejando.
-Não o culpe Sakura, com certeza tinha algo importante para disser.
-Eu sei muito bem o que ele quer disser e não é nada de importante, pode ser pra ele, mas pra mim não é. Ele quer me convidar para o baile, é óbvio.
-Hã?
-Sim. Na aula de hoje, ele estava me olhando para ter certeza de que faria isso e, obviamente, ele vai fazer. Meu Deus, vai acontecer o que eu menos quero que aconteça. — Hinata me encarou com uma cara incrédula e depois sorriu.
-Você está doida Sakura. – e levou o suco á boca.
-O único doido é ele. Se ele me convidar você sabe que vou negar e ele vai ficar magoado, mas a culpa não é minha.
Hinata terminou de comer primeiro. Saiu do refeitório e foi direto pra casa dizendo que não poderia chegar atrasada. Depois de ela sair, fiquei lá um tempo comendo de vagar e pensando na vida quando senti que alguém tinha sentado ao meu lado. Virei-me e vi um belo sorriso branco, mas não era a única coisa bela naquele rosto meio pálido, seu cabelo meio bagunçado era uma visão sensacional.
-Sasuke? – Senti meu rosto corar.
-Se incomoda que eu me sente aqui? – O sorriso não saia de seu rosto.
-C-claro que não, po-pode ficar.
Ficamos em silêncio por muito tempo. Cada vez que ele me olhava, sentia meu rosto corar com tanta severidade que já estava me sentindo um tomate. O estranho mesmo é que ele esteja sem a Karin. Se estivesse com ela, ele nunca que chegaria perto de mim, Karin não iria deixar. Acho que ele só está aqui porque sabe que sem a Hinata sou só uma garota solitária que não fala com ninguém. Ele sim deveria ter pena de mim e me convidar.
-E-está animado p-para o baile? – dei um sorrisinho sem graça.
-Sim e você?
-N-não muito...
-Por quê?
-Não tenho com quem ir, – fiz uma cara de desânimo, mas dei de ombros — ninguém me convidou.
-Não se preocupe, eles estão perdendo muita coisa se não forem com você. – Acho que fiquei roxa. Ele me olhou sorrindo, mas ficou sério de uma hora pra outra. Vi seu rosto corar um pouco – Quero dizer, você é simpática e uma boa companhia. – O sorriso voltou a ocupar seu rosto.
-Ér... Você vai com a Karin? – sorri
-Sim.
-É, ouvi disser que você ajudou a escolher o vestido dela. – Falei com um pouco de raiva na voz e mordi uma maçã.
-F-foi sim – vi seu rosto pálido ficar meio vermelhinho. Mas eu tipo que saí de um transe. Fiquei muito arrependida de ter dito isso.
“Meu Deus – murmurei baixo – Ele vai achar que sou uma dessas pessoas que fica escutando atrás da porta.”
-Falou alguma coisa?
-Não – disse rapidamente.
Depois de um tempo conversando, eu e Sasuke nos levantamos da mesa e fomos colocar as bandejas vazias no balcão. Estava tão distraída com a presença dele que nem percebi quando Karin e Ino passaram. Após passarem, ouvi um barulho ensurdecedor de vidro se quebrando e uma fisgada na mão. Quando olhei para o chão, vi todos os copos e pratos que estavam sob a minha bandeja á segundos atrás, em pequenos pedacinhos espalhados pelo chão.
-Você está louca? – disse quase rugindo e me abaixei para pegar os caquinhos.
-Oh meu Deus, eu não queria... – disse Karin, com uma voz enjoada.
-Porque fez isso Karin? – Sasuke abaixou para me ajudar.
-Eu já disse meu amor, foi um acidente. – Aquela voz melosa me fazia querer dar na cara dela.
-Quer ajuda Sakura?
-Nada disso Sasuke, você vem comigo – disse Karin.
-Karin, você não se importa em ajuda — lá?
-Claro que não, ela que estava na minha frente.
-Você está bem? Machucou-se?
-Não, só um corte na minha mão.
Levantamos-nos com todos os pedacinhos de vidros já catados. Ele pegou a minha mão e colocou a sobre a dele. A mão dele era fria e não muito áspera, já a minha estava quente e macia de tão envergonhada que eu estava. Quando ele apertou a minha mão senti uma coisa no estômago que não sei disser o que era. Ele olhou o corte que estava na minha mão. Realmente o corte estava grande e um pouco fundo.
-Você precisa fazer um curativo antes que inflame.
-O que? – disse Karin – Pare de frescura, isso foi só um arranhãozinho. Um caco de vidro não faz tanto estrago assim.
-Depois conversamos Karin – disse Sasuke me levando pela mão. – E tome isso aqui – ele entregou a bandeja que estava com os cacos de vidro para a Ino, que segurou antes que caísse no chão novamente. Antes de sairmos do refeitório, ouvi Karin disser para a Ino:
-Porque ele não é assim comigo? Se eu quebrasse uma perna, ele diria que passaria logo...
-Novamente lhe peço desculpas, não sei o que deu na Karin. – dizia ele várias vezes, após estar voltando para casa.
-Isso não foi nada. Já estou acostumada...
- A Karin é muito ciumenta e acaba deixando que isso fale mais alto.
-É, mas não foi culpa sua.
-Desculpe mesmo.
-Não precisa se desculpar. Você nem precisava ter me levado na enfermaria. Aposto que todos acharam que eu sou uma “fresca”.
-Isso parece uma coisinha de nada, mas podia inflamar. – e deu uma risada.
-E você é especialista no assunto?
-Só um pouco – ele corou e levou a mão á cabeça.
Dei um sorriso e depois falei:
-Você nem devia ter me trago em casa também.
-Eu só queria ter certeza se estava bem. E não tem problema, moro aqui perto.
-Obrigada por se preocupar.
-Não foi mais que obrigação. – ele olhava diretamente em meus olhos.
-Bom, mas vou ter que ir agora. – disse desviando o olhar dos olhos dele.
-Tudo bem. Cuide-se, ok?
-C-claro – Eu realmente não acreditava que isso estava acontecendo.
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