Reencarnação

26 Atrás de revelações


Notas iniciais
Bem... Oi, pessoal! Tudo boum..? ^^'' Hehehe *chegando toda sem graça* Bem, é o seguinte, eu demorei pra postar o capitulo? Eu demorei pra postar o capitulo. *faz movimento com os braços igual o Paulo Gustavo* Mas deixe eu me explicar rapidinho aqui os motivos o/ Primeiro de tudo, no fim de ano, lá no meu trabalho, recebemos o triplo de serviço a fazer. Eu tava ficando até 11h da noite lá no trabalho e isso tomava tempo até da minha vida T-T O máximo que eu fazia era Facebook por celular mesmo (ainda bem que tem wifi lá), por isso fiquei sem tempo pra escrever mais capitulos logo x.x O segundo motivo, foi um empecilho maldito que caiu na minha vida chamado "Haikyuu". PQP COMO EU AMEI SAPOHA! ♥ Tipo, viciei mesmo a ponto de deixar EreRi um pouco de lado na minha vida e só pensar em KageHina o/ (tanto que até comecei a escrever uma fic deles!) E bem, isso super me deixou sem muita inspiração para EreRi por um tempinho. (mas só por um tempinho, pq EreRi, hehehe ♥ EreRi é um OTP da vida toda!) Então eu voltei com tudo e escrevi esse capitulo que estou postando agora! o/ Ufa, é isso! Agora um momentinho aqui para agradecer à minha queridíssima Lolla Van Gryme por ter deixado uma recomendação super fofa na fic ♥ Muito obrigada, querida *3* Bem, e acredito que por conta dessa demora colossal aqui que eu levei, vários de vocês já devem até ter broxado da história e já ter esquecido onde parou. Por isso, darei um resuminho do que houve até agora em Reencarnação =3= "Eren e Levi estavam morando juntinhos felizes da vida, se descobrindo no amor romantico, tudo lindo, flores e cheio de corações, tendo até seus momentos calientes acontecendo de vez em quando =3= Mas aí, num belo dia chegou o Kenny para foder a poha toda e ameaçar o Levi usando Eren e os amigos dele de refém sem necessariamente tê-los em sua posse. Tudo pq Levi fodeu com a vida dele no passado o deixando por 12 anos enfurnado numa prisão até que o velho conseguisse escapar igual o protagonista do filme "Um Sonho De Liberdade" para voltar com sede de vingança pra cima do baixinho. Levi ficou num estado de estresse altíssimo com a situação deixando-o sem dormir por várias noites, mas que foi logo aliviada por uma noite de prazeres com o Eren ♥ Ao mesmo tempo, Armin estava com uma mocinha chamada Martha que deixou a todos os leitores bastante curiosos por conta dela ter olhos verdes super chamativos e ter chegado de repente querendo encontrar Eren por algum motivo!" E a partir daí vem a continuação aqui neste capitulo mesmo :3 Muito obrigada, e quem tiver no pique, tenham uma boa leitura, amores ♥

Levi

Despertei no susto ao ouvir a porta abrir e chocar-se com a parede. Pisquei diversas vezes até minha visão focar-se, o ambiente parecia muito claro e embaçado...

– Ahh, foi mal, acordei você? É que a porta emperrou, eu tive que chutá-la. – A reconhecível voz da quatro-olhos ecoou em meus ouvidos.

Olhei a mesa, a qual eu estava apoiado, lotada de papéis. Um deles manchado... provavelmente com a minha saliva. Esfreguei os olhos até eu voltar à realidade. Eu ainda estava no meio do trabalho... e ao parece acabei caindo num sono pesado que me fizera até perder a noção do tempo.

– Quatro-olhos... Que... que horas são...?

– Bem, agora são duas e quinze... – Disse, verificando no celular.

– D-da tarde?? Ah, droga! O Eren! Eu tenho que buscá-lo!

– Ei, se acalme aí, ele pode ir andando como sempre, junto com Armin e Mikasa, relaxa meu filho. – Hanji aproximou-se de mim e levou a mão até minha bochecha, tirando dali um papel grudado. – Hehe, olha só pra você, com a carinha toda amaçada, com baba escorrendo, o cabelo bagunçado, você está fabuloso! – Ela riu e eu rapidamente me olhei no pequeno espelho de mesa.

– Por quanto tempo eu dormi? – Tentei dar uma ajeitada no visual, que estava um desastre.

– Hum... Foi bastante...

– Bastante quanto?

– Umas... duas horas e meia.

– O quê?!! M-mas como? Por que... Cadê a Petra? Petra!! – Chamei pela ruiva, sem sair do lugar, mas não houve resposta.

– Petra está lá embaixo cuidando de uns afazeres, pode relaxar. – Hanji tentou tranquilizar.

– Eram meus afazeres, suponho.

– Falou bem... “Eram”! – Ela revirou os olhos.

– Droga, ela ficou fazendo meu trabalho enquanto eu dormia, então? – Massageei as têmporas. Isso era uma das coisas que eu não queria, passar obrigação demasiada para Petra, pois no ritmo que estava, apenas o trabalho como secretária já seria exaustivo para ela.

– Ai, relaxa! Ela está dando conta, confie nela um pouco, Levi. Como você gosta de carregar o trabalho todo sozinho. – Ela começou o sermão. – Petra não quis te acordar, então fez parte de uns afazeres seus, apenas isso! Não essa a função dela, como sua secretária?

– Hum... Bem, talvez... – Levantei-me devagar. Ainda estava um pouco avoado... Por isso que eu não gostava de dormir de tarde, perdemos toda a noção da realidade quando acordamos. Aí a dor de cabeça aparece...

– Hehe. Venha, querido, lave o rosto e vamos lá na lanchonete tomar um café, sim? – Hanji segurou meu braço e veio puxando.

– Café...? Eu tenho muita coisa pra fazer ainda, quatro-olhos...

– Nhá, é só um café. Ou você quer trabalhar no estado totalmente fora de foco em que está? Hã? Hein? – Diante de seu argumento, apenas deixei que ela me levasse.

– Ok, então...

– Mas só um pouco pra dar uma despertada, hein! Porque você, do jeito em que está, pode acabar voltando ao estado de estresse se ingerir muita cafeína no seu sistema nervoso.

– Hunf. Tá bem...! – Revirei os olhos.

– Outra coisa, não foi só a Petra, eu também dei uma adiantada numas tarefas suas. – Ela sorriu.

– É mesmo...? – Nossa, eu estava ainda num estado meio sonolento, por isso não estava prestando tanta atenção na situação ou no que conversávamos. Só imaginei a cara que Erwin podia fazer se soubesse que apaguei por mais de duas horas no meio do serviço. Não que eu ligasse, sei que aquele loiro não faria nada, mas o sermão dele é mais chato do que um bate-papo com Hanji sobre as plantas medicinais dela.

. . .

Já na lanchonete do hospital, Hanji e eu nos sentamos no balcão. Ela mesma fez o pedido por nós. Agora, eu já estava até achando bom tomar um cafezinho pra dar uma acordada. Meu sono começava a pesar de novo.

Não demorou muito para sermos servidos.

– Obrigado, Nina... – Agradeci à pequena de cabelos escuros que sempre preparava os pedidos numa velocidade espantosa.

– ‘Magina, estou aqui pra isso! – Ela rapidamente voltou ao seu trabalho, indo atender o próximo cliente, enquanto Hanji e eu atacávamos nossas bebidas quentes.

– Ah... – Dei um suspiro logo após a primeira golada.

– Hum...

– Que foi...? – Virei-me para a quatro-olhos ao notar seu olhar sobre mim.

– Cara... É que você está tão exausto hoje. Não dormiu bem esta noite?

– Dormi... Dormi muito bem. Acontece que faz oito noites que eu não durmo nada, Hanji!

– Ah, ok ,ok! Não foi exatamente o que eu quis dizer. É só que... Você usou a minha dica, né? – Ela abriu um sorrisinho estranho.

– Eh?

– Seu danado!

– O quê?!

– Claro, por isso ficou tão exausto agora a ponto de apagar por mais de duas horas no meio do trabalho. Eren levou sua taxa de noradrenalina lá em cima, né? – Agora ela fez aquele tom de espertinha que sempre me irritava.

– C-cale a boca...! – Desviei o olhar, dando outra golada em meu café.

– Haha, bem que eu vi que você chegou hoje com um sorrisão de orelha a orelha!

– C-como?! Isso é impossível... Eu não sorrio.

– Haha, o seu sorriso é implícito, meu filho. Só os amigos íntimos aqui é que sabem lê-lo nas entrelinhas. – Ela estufou o peito pra falar.

– Melhor regular isso aí então.

– Ora, não negue, pare de ser orgulhoso e diga bem alto: Eu sou Levi Ackerman e ontem à noite tive relações sexuais!! – Depois dessa, eu cuspi parte do meu café e rapidamente tapei a boca daquela maldita que não sabe medir o volume da voz.

Cala a boca! Tá falando alto demais, sua sonsa! – Disse, num sussurro.

– Tá bom! Tá bom! Eu só queria te irritar, ehehe!

– E conseguiu... Vê se para com isso!

– Hunf... Você que ficou por baixo desta vez?

– A... C...Co...! – Até engasguei. – Hanji, saia da minha presença!

– Calma! Tá bom, eu paro de falar essas coisas. – Ela riu. – Vamos mudar de assunto... E então... Já sabe onde vai ser o nosso natal este ano?

– Hm... na casa do Erwin, suponho. – Falei num tom de óbvio, todos os anos nos reuníamos sempre lá.

– Isso! E vai mais gente desta vez, um pouco do pessoal do hospital, inclusive a Nina, né? – A de óculos se virou para a mocinha da lanchonete.

– Ah, aham! Pode contar comigo! – Disse ela, sem tirar a atenção de seu trabalho.

– É... Olha só não quero outra surpresinha pra mim, como no ano passado. – Falei com leve tique na sobrancelha.

– Ué!! Mas você conhece as regras! Temos que zoar o aniversariante da forma mais inusitada possível! – Hanji falava como se isso fosse normal.

– Você passou cola no assento da minha cadeira! Sabe qual era o preço da calça que eu estava usando naquela noite??

– Não, mas a cara que você fez valeu todas as calças do mundo! – Ela começou a gargalhar lembrando daquela demência que, em parceria com Erwin e Mike, aprontaram na noite de natal. Até o Eren riu, mas logo depois foi o único a vir me ajudar a sair daquela situação.

– Hunf... Juro que qualquer coisa que você ousar fazer comigo... me vingarei com o triplo de maldade pra cima de vocês, tá ouvindo?

– Uhh, isso é um desafio?

– Talvez... – Lancei-lhe um olhar bastante ameaçador que a fez sorrir de empolgação.

– Enfermeira Hanji! Aqui está o seu misto quente! – Nina, logo apareceu à nossa frente depositando um prato com um lanche enorme para a quatro-olhos. Até fiquei meio chocado... Aquilo era quase uma janta.

– Oba!! Bora que meu estômago já está colado com a coluna...! – Ela, rapidamente atacou seu lanche com bastante fome. Devia ter trabalhado sem pausas hoje... É, como já havia dito, essa é a rotina do fim de ano, quando o hospital vira cenário de The Walking Dead. Os funcionários já estavam todos “zumbizando”. Eu mesmo ainda tenho muito trabalho a fazer, apesar de Petra já ter executado uma parte. Já logo pedi uma segunda xícara de café expresso antes mesmo de terminar o primeiro. Quis me entupir com o máximo possível de cafeína para conseguir terminar todas as tarefas com disposição.

Quando Nina foi prepará-lo para mim é que eu prestei atenção na pequena televisão ligada na parede ao lado do painel de preços. Estava passando noticiário...

“...o dono do banco localizado no centro novo da cidade deu seu depoimento à polícia a respeito da acusação do uso de cédulas falsas nos caixas eletrônicos de seu estabelecimento. O proprietário alega ter sido vítima de um assalto e só notou o ocorrido quando verificou que as cédulas dos caixas eletrônicos eram todas falsas, declarando que as verdadeiras haviam sido trocadas sem o seu conhecimento. Entretanto, a polícia afirma não haver nenhuma prova concreta de que o banco fora realmente assaltado.”

“- Não há absolutamente nada, nenhuma evidência nas câmeras de segurança e nem dentro do estabelecimento mostrando que houve exatamente um assalto ali ou algum tipo de troca. Por enquanto, as evidências apontam que o banqueiro acusado simplesmente quis abastecer seu banco com dinheiro falso...”

Ouvir as palavras do policial me fez engolir meu café de jeito seco.

Esse “crime”... Estranhamente parecia uma situação familiar para mim. Um crime acontecer, mas ser depois acobertado por um falso crime. No caso, creio que o banco tenha sido sim assaltado, e o culpado tenha feito lá as suas manhas para criar evidências perfeitas de um outro crime, o de falsificação de dinheiro, para acobertar o primeiro... Isso era muito a cara dele. Eu sei, afinal, fui seu comparsa durante boa parte da minha juventude.

Quer dizer que Kenny está mesmo por aí fazendo o que bem entende para se beneficiar. Comecei a sentir palpitação... Isso não é bom. Com ele na cidade, na minha cidade, escondido em qualquer canto dela... eu não podia saber por onde o perigo poderia vir. Droga... Eu tenho que matar logo esse desgraçado! Antes que eu entre em estado de estresse novamente... ou pior, antes que ele tente alguma coisa com algum dos meus conhecidos... E o Eren...? Kenny faria algo com ele mesmo eu não o dedurando para a polícia? Bem, nunca se sabe... Eu tinha que manter todos sob minha vigilância. Uma sutil vigilância... A começar pelo Eren, que parecia ser o melhor “refém” para Kenny usar contra mim. Devia evitar qualquer brecha fácil por onde o desgraçado poderia atacar o garoto... E sei bem de uma ocasião em que ele estará sozinho... quando digo sozinho, quero dizer, sem a minha vigilância; e também distraído com amigos e bobagens...

– Hanji... – Chamei pela doida, assim que vi que ela terminara seu lanche.

– Oi?

– Vamos encontrar o Mike mais tarde para ensaiarmos... – Dito isso, simplesmente levantei-me da cadeira, já pronto para retornar à minha sala.

– Eh...? Ehh?! Quer dizer...?! Isso que dizer então...!!! – Hanji rapidamente ficou empolgada.

– É... Vou me apresentar com você e Mike na escola do Eren... como “No Name”.

– Yaaaay!!

~*~

Eren

Passei água bem gelada no pescoço... passei toalha úmida... passei sabão líquido...

Tentei de tudo, mas eu via pelo espelho perfeitamente a marca ainda intacta. Parecia que havia sido “feita” agora... Eu ficava corado cada vez que olhava. Era embaraçoso... mesmo tampando-a com o cachecol, eu ainda tinha em mente que a marquinha estava ali e que em qualquer descuido, ela poderia ficar visível para os outros. Droga, Levi...!! Isso é que dar “fazer” no meio da semana... Hoje é o meu último dia de aula, será que ele não podia ter esperado um dia? Se bem que eu também não fui muita boa influência deixando-o avançar.

Bem... se vissem a marca, eu poderia mentir e dizer que foi uma menina que fez... Mas e pra manter a mentira depois? Mikasa já iria me encher de perguntas. Eu diria que foi com quem? Com a Annie?? Com a Sasha talvez...? Não, vou dizer que foi um pernilongo, todos acreditam nessa, não é...? Ah, não! Não dá! Está muito evidente que era uma marca de boca! Então era só não deixar ninguém ver, que estaria tudo bem... Isso, ser bastante cauteloso e não deixar ninguém ver...

– Oi, Eren!

– Ahh!!! – Eu, quase me desequilibrando, apoie-me na pia e tampei a marquinha rapidamente com a mão. – A-A-Armin!! Er... O-oi...

– Ei, calma aí, cara... Está meio nervoso hoje. Você não me olhou nos olhos o dia inteiro... Você está bem? – O loiro olhava-me apreensivo.

– E-eu tô normal, e eu te olhei nos olhos sim...

– Não está olhando agora! Eren, sou seu melhor amigo, já falei que não ligo de ter ouvido qualquer coisa estranha pelo telefone...!

– Argh...! Armin!! – Tampei meus ouvidos. Meu rosto ficou agora completamente vermelho.

– Eren, relaxa. Não precisa ter vergonha. Você já me viu em momentos mais constrangedores do que esse!

– É...? Hm... Tipo aquele dia que você perdeu o controle da bexiga no meio da educação física...?

– Por favor, nunca mais me lembre desse dia! Eu faltei uma semana inteira por causa disso! A zoação foi muito cabulosa!

– Hehe, Ok. – Ri, dando um toquinho em seu ombro. – É... acho que tem razão. Mas mesmo assim continua sendo uma coisa embaraçosa, não conte a ninguém!

– Ah... eu já guardo um monte de segredo seu mesmo... Que diferença faz mais esse? – Ele revirou os olhos. – Mas bem, não era sobre isso que eu queria falar... estou o dia inteiro tentando conversar algo sério com você! E quero aproveitar agora que está sozinho!

– Nossa, Armin... Você não veio até aqui pra me dizer que também virou gay, né?

– Eh...?! C-como assim?! Não é nada disso! De onde tirou essa ideia?!

– Na verdade eu falei meio inconsciente... – Cocei a nuca.

– Enfim, o que eu quero saber é... Er... Por acaso... Assim... Você tem algum parente de sangue que... esteja vivo? – Armin, de forma cautelosa, perguntou. Eu arqueei a sobrancelha diante da pergunta.

– Não... Era só o meu pai e a minha mãe. Não tem mais ninguém, Armin, você sabe disso. – Falei em tom óbvio. O loiro logo ficou pensativo... – Por que quer saber?

– Não... N-nada não. Era só curiosidade mesmo...

– Hum, você acabou de me falar que era algo sério, Armin! – Ajeitei meu cachecol.

– E é! É que eu nem tenho certeza de nada ainda... – Armin respirou fundo, tentando assim organizar suas ideias. – Olha, eu só vou dar um aviso. Se aparecer alguma pessoa estranha... er, dizendo coisas estranhas, por mais que a aparência dela te deixar curioso, não confie totalmente! – Novamente ele falava umas coisas sem sentido.

– Armin, está começando a me deixar nervoso. O que você quer dizer com tudo isso?! Não estou entendendo nada! – Fitei o mais baixo de frente, que parecia receoso em querer contar detalhes. – Armin!

– Tá, eu falo!

– ... Tem a ver com a ligação que você me fez ontem?

– É... tem. Olha, eu sei como você é e imagino que se eu disser, você pode fazer alguma imprudência... Não é que eu não confie em você, eu só... te conheço.

– Armin, fala logo!

– Então... ontem, uma mulher veio falar comigo do nada, enquanto eu estava na cafeteria. Ela reconheceu que eu era o seu amigo, disse que queria te encontrar e pediu que eu te chamasse, então eu te liguei...

– Ô, espere aí! Mulher? Quem é?

– Ela não falou quase nada sobre si. Toda pergunta pessoal que eu fiz ela tentou dar uma... uma contornada pra não se revelar muito, acredito eu.

– M-mas... Como é o nome dela?

– Martha. É familiar pra você?

– Não... Não conheço nenhuma...

– Hunf. Bem que eu imaginei. Ela também parecia não te conhecer, pelo que eu fui analisando. Ela não falou seu primeiro nome em nenhum momento. Apenas “Jaeger”...

– É mesmo...? – Fiquei olhando para o nada, por alguns momentos, refletindo sobre esse ocorrido. Era estranho... Uma coisa muito repentina... e eu nem entendia muito bem o que isso tudo queria dizer.

– Enfim, só digo que achei essa mulher muito suspeita. Não dê informação sua pra ninguém, tá ouvindo. – Armin dava seu aviso de uma forma bem “materna”.

– Ah, Armin, relaxa, eu sei me virar sozinho, não precisa agir como mãe. Já basta a Mikasa...

– Eu sei, só... estava preocupado com isso... De novo, não se deixe levar pela aparência dela. Eu quase me deixei...

– Armin! – Segurei seus ombros, dando-lhe uma chacoalhada, tentando assim fazê-lo deixar de pensar paranoias. – Eu já falei pra relaxar! Não ouse ficar estressado que nem o Levi!

– O quê? Claro que não...!!

Neste momento, a porta se abre e adentram ali no banheiro Jean junto ao Marco. Ambos param ao nos ver. Marco acena amigavelmente para nós, mas Jean olhou estranho para Armin e eu. Foi aí que eu percebi que ainda estava segurando os ombros do loiro. Rapidamente o soltei.

– E-ei! E-eu não sou gay, caso tenha sido isso que pensou! – Falei, de novo, sem pensar. O que era meio desnecessário, afinal, Jean já sabe da verdade. Mas eu me negava para qualquer um por puro ato reflexo.

– É... Eu tô vendo! – Jean bufou, logo afundou as mãos no bolso e simplesmente saiu do banheiro. Pareceu irritado. Eu e Armin o olhamos interrogativos e nos viramos para o sardento.

– Marco, o que ele tem? Demência? – Perguntei sarcástico.

– Ué... eu não faço ideia. Era ele que queria usar o banheiro, eu só vim junto. – Explicou Marco.

– Hunf. Cara estranho. Parece que se irrita com qualquer coisa que eu faça... não posso mais seguir minha rotina em paz? – Bufei, cruzando os braços. Enquanto isso, Armin ainda olhava pensativo para a porta.

– Bem, já que eu tô aqui. Vou usar o banheiro então... – Decidiu Marco. – Ah, Armin! A Ymir estava te procurando agora mesmo.

– Hã? Ymir? – Ele arqueou a sobrancelha. – Por quê?

– Não sei, mas parece ser importante.

– Iiih.... – O loiro coçou a cabeça. – Bem, vou tentar achá-la então. Vamos, Eren?

– Hum, claro... – Segui Armin, mas não deixando de pensar na bronca que eu tinha do Jean... Cara chato.

Assim que saímos do banheiro, meu celular vibrou. Desbloqueei a tela e vi uma mensagem da Hanji. O texto dizia:

“Eren, adivinha quem resolveu se apresentar como cantor na sua escola? Três dicas, ele tem meio metro, carrancudo e teve o traseiro colado na cadeira no natal passado!”

Meus olhos se arregalaram e logo parei de andar. O Levi... vem cantar aqui na escola? Junto de Hanji e Mike? Abri um sorriso de orelha a orelha. Fiz até uma dançadinha ali no meio do corredor aproveitando que Armin estava de costas. Mas rapidamente parei e fingi estar me espreguiçando quando Ymir e Christa surgiram da esquina do corredor.

– Ahh, te achei lourinho! – A sardenta acenara para nós enquanto se aproximava. Eu logo guardei meu celular.

– Ymir, você estava atrás de mim...

– Sem conversas, deixa eu ver uma coisa. – Ela rapidamente segurou os ombros de Christa e a posicionou bem ao lado de Armin, olhando de um loiro para o outro analiticamente. Eu fiquei apenas observando meio de longe o que ela pretendia.

– Ah, Y-Ymir, e-eu não acho que...! – Christa tentou dizer algo, mas foi interrompida pela outra.

– Yay!! Achamos, Christa! Achamos! Tem que ser ele!

– Espere aí! O quê tem que ser eu, gente?! – Armin olhou confuso para a garota alta, que deu um sorriso super simpático.

– Armin, você vem com a gente aqui rapidinho?

– Ir fazer o quê aonde? – O loiro sempre punha um pé atrás quando pessoas chegavam assim com tanta intimidade para com ele, imaginando que nunca havia intenções muito boas por trás.

– Oe, Ymir. Onde pensa que vai assim com o Armin de repente? – Perguntei confuso.

– Segredinho...! – Ela passou o braço pelos ombros do Armin e já foi o levando para longe. Christa deu uma acenada tímida para mim e logo a seguiu. – Isso é coisa do clube de teatro, Eren.

– Hã? Mas Armin não é desse clube! Ei, Ymir!! – Chamei-a novamente. – Até que horas pretende ficar com o Armin? Já tínhamos combinado de almoçar fora depois da aula...

– Relaxe, ele estará com você até lá. – Disse simplesmente até sumir do corredor, levando meio à força um Armin bastante confuso sob seu braço. Eu olhei desordenado pra tudo isso. Parando para raciocinar melhor, imagino que estejam fazendo uma peça e estão com ator faltando e, com base na aparência, Ymir escolhera Armin pra preencher o lugar. Pelo menos foi isso que me pareceu. Ymir, embora não fosse, agia meio como capitã do grupo do teatro do colegial, justamente por ter a personalidade mais forte. E medonha... E Christa, como sempre, estava junto da dela.

Bem, no caso agora, o que eu faço? Último dia de aula não tem quase nada pra fazer na escola. Professores não passam lição... não precisávamos necessariamente ficar na sala... Meu colégio era rigoroso sim, mas hoje era o único dia que podíamos ser livres assim para perambular e ficar de bobeira. No caso, acho que seria uma boa voltar para a cantina e comprar outro lanche. Ajeitei mais o cachecol, virando-me para a direção do refeitório.

Na mesma hora, Marco saíra do banheiro.

– Ué, Eren, por que ainda está aqui? E sozinho...?

– É... A Ymir levou o Armin embora... – Pus as mãos no bolso e dei um chutinho no ar. – Vou na cantina agora e ficar um pouco por lá...

– Como é que é...? – Marco fez uma careta. – Não, tem muita coisa pra fazer lá na nossa sala para o festival! Venha, volte agora para o trabalho e chega de moleza! – Ele então veio me puxando pelo braço.

~*~

Levi

Agora me sentia com a cabeça bem mais leve sobre o assunto “Kenny”, entretanto eu ainda estava em alerta. Obviamente eu não demonstrava a ninguém. Apenas continuei segurando o cabo do esfregão e terminando de limpar bem aquele chão, para que assim eu pudesse ir logo para o próximo andar. Aqui é um hospital, no final das contas, deve ter o triplo de higiene normal, e eu peguei uns cantinhos bem escondidos que estavam empoeirados, fora isso até que o restante do chão estava ok. Mas limpeza nunca é demais, por isso, uma segunda camada não faria mal.

– Senhor Levi? O que está fazendo aí? – A voz reconhecível da pequena ruiva ecoou em meus ouvidos. Bem, ecoou no corredor inteiro, afinal estava totalmente vazio.

– Petra, ah, até que enfim te achei! Onde você estava, garota?

– Er... Eu fui resolver uns assuntos no depósito e compra de materiais e... Ah... O que está fazendo aqui, senhor? – Ela fitou estranho o esfregão e todo o restante do kit de faxina do hospital sob meu domínio.

– Estou limpando o chão.

– U-ué. Mas por quê? – Ela achou graça.

– Pra me desestressar.

– Mas... e a faxineira?

– Mandei ela pra casa mais cedo. Eu que quero limpar isso aqui! – Disse, já retornando ao afazer.

– E quem está cuidando das papeladas lá no escritório, senhor?

– O Erwin, ele não está atendendo ninguém então pegou esse trabalho por mim.

– E a enfermeira Hanji?

– Não tenho a menor ideia de onde ela está... E também não ligo.

– Senhor Levi, não devia falar assim...!

– Petra, o que é que você quer me falar? – Já perguntei cortando a fala da pequena. Se deixasse ela ia perguntar sobre minha vida inteira.

– Oh, é que já encomendei todos os materiais faltantes da lista até o fim do ano! – Ela entregou-me a prancheta, fazendo o jeito meiguinho que ela sempre era. E pelo sorrisinho creio que esperava por um elogio meu. Bem, até que era merecível. Ao verificar a lista vi que ela já me adiantou uma parte burocrática bastante chata do meu serviço, o que me deu mais tempo para me concentrar em outras coisas.

– Oh... Muito bom... Excelente trabalho, Petra. – Passei a mão no topo de sua cabeça, tentando assim demonstrar minha gratidão. Ela logo ficara sem graça.

– Er... Hehehe, imagina senhor, é o meu trabalho te assessorar!

– Hu... É, muito bem então, pode voltar ao seu trabalho normal. E não brigue com o Auruo pelo telefone, lembre-se que o Erwin está na minha sala agora e não gosta de ouvir discussão.

– Relaxe, senhor. Eu não faço isso! – Ela sorriu e logo seguiu seu caminho pelo corredor. Depois de se distanciar um pouco , ela começou timidamente a cantarolar. Isso estranhamente chamou a minha atenção. Parei um pouco para ouvi-la. Ao meu parecer, devia ser uma música folk.

Ela tinha uma voz suave, com um timbre bastante peculiar. Um tom agudo e limpo, que poderia servir para outros gêneros também... Rapidamente me veio uma ideia.

– Petra! – Chamei-a de longe e ela logo me fitou.

– Senhor?

– Venha aqui... Quero te pedir uma coisa... Será que você me atenderia? – Disse em um tom mais baixo enquanto me aproximava dela. Ainda estava num local público, não queria que muita gente sabendo dos meus afazeres pessoais.

– Q-que coisa...? É sobre a lista de atrasados...?

– Não, agora é uma coisa mais pessoal...

– Oh... A... E-e...! P-pe...!! – Seu rosto avermelhou-se e ela repentinamente deu uma vacilada nas pernas. – Oh, senhor...! E-eu não estou pronta pra ser notada ainda... – Assim, percebi que ela ia desmaiando aos pouquinhos, corri até ela pra dar uma assistência antes que caísse. Fiquei surpreso por essa, porem nem tanto. Algumas moças tinham umas reações dessas perto de mim, Petra às vezes agia como tal.

~*~

Apesar de ter tido um bom lazer limpando o hospital, o dia foi bem trabalhoso e eu estava exausto. Fisicamente e mentalmente. Tanto de ficar pensando nos afazeres como no problema enorme que me aparecera direto do inferno e que agora virara a tormenta do ano. Mas neste momento eu estava mais calmo para lidar com isso. Pra começar... O retorno dele me obriga a esclarecer algo que eu já havia decidido não esclarecer antes... “Ackerman”.

O negócio agora era falar com uma pessoa realmente portadora desse sobrenome, que no caso, não era eu.

Eren também sempre me perguntava sobre essa história, mas eu contornava de alguma forma ou outra e deixava claro que não falaria sobre esse assunto. Normalmente eu dizia que “Ackerman” é um sobrenome bastante comum na comunidade mestiçada da America do Norte. Isso aparentemente funcionava quando ele era criança, mas hoje em dia eu via que ele ficava insatisfeito com essa resposta, mesmo não questionando nada mais. Mas isso também porque eu não tinha uma explicação melhor. Se eu falasse que “Ackerman” é um sobrenome que eu roubei de uma outra pessoa para uso próprio, provavelmente levaria a outras perguntas que consequentemente chegariam aos assuntos ocultos do meu passado que eu pretendia ainda guardar só para mim. O lance é eliminar o Kenny sem nem ninguém saber que ele existiu. Simples, porém difícil.

O primeiro passo era o que eu estava dando agora.

Aqui estou eu, diante da porta de uma bela casa de médio porte. Os moradores, claro, deveriam ser classe média. Já passei por aqui muitas vezes, mas nunca entrei. Além de ter visto os rostos de duas figuras importantes que moravam no local apenas duas vezes.

Deixei meu carro no hospital e vim a pé mesmo pelo caminho mais lotado de pessoas. Esperei justamente dar o dia de feira numa das ruas a caminho daqui. Assim eu poderia dar uma misturada e casualmente dando uma mudada rápida no visual quando saísse da multidão. O ponto era não ser visto vindo para cá. Não sei o quanto Kenny já me observou ou quem mais ele estava de olho. Mas agora eu me encontrava numa roupa mais fechada, encapuzado e usando cachecol para cobrir parte do meu rosto.

Toquei a campainha e não demorou muito para me atenderem.

– Só um momentinho, já estou indo! – Uma voz feminina, aparentemente preocupada em atender logo, se manifestou até a porta se abrir, revelando uma mulher de cabelos negros longos e olhos orientais bem evidentes. – Oh, posso ajudar, mocinho? – E como sempre, eu era tratado como um adolescente.

– Olá, como vai, senhora? Desculpe-me o incômodo. Você é mãe da Mikasa, não é?

– Sim... Oh, espere um momento. – Finalmente lembrara-se de meu rosto. – Você não é o primo do Eren? – Ela perguntou, olhando bem meu rosto.

– É, tipo isso. Levi! – Estendi minha palma até a dela para que assim, pudesse cumprimenta-la da forma tradicional do meu lugar de origem, com um beijo nas costas de sua mão.

– Oh, que cavalheiro...! – Ela se impressionou, bem, não era por menos. Na verdade eu não era de fazer isso sempre... – Hehe. Não estava te reconhecendo com esses panos todos cobrindo o rosto. Por favor, vamos entrando! Vou trazer-lhe um café!

– Oh, um café até que não é mal. – Adentrei o local já abaixando o capuz e retirando de vez o casaco. Dentro da casa estava bem mais quente.

– Por favor, sente-se! Está um frio hoje, não? – Ela foi bem educada e atenciosa, tal como o costume dos anfitriões orientais. Sempre preparam algum petisco para a visita. Bem, eu não faria doce, apenas ia aceitando as gentilezas da mulher. – Gosta de açúcar ou adoçante, meu jovem?

– Pode ser açúcar...! – Logo, acomodei-me ao sofá, dando uma boa olhada na casa. Já trouxe Mikasa de carona, mas esta é a primeira vez que via sua casa por dentro. Havia móveis de madeira maciça estilo japonês, juntamente colocados com utensílios americanos. Mikasa tem a aparência mestiça, vendo sua mãe puramente japonesa, suponho que seu pai seja um ocidental, logo, o portador original do sobrenome “Ackerman”.

– Ouça, está procurando pelo Eren? Mikasa ainda não voltou do colégio, provavelmente estão juntos em algum lugar. Os dois e mais o rapazinho loiro adoram fazer umas saídas juntos depois da aula, né?

– Ah, claro...! – Respondia em meu tom normal, mas no fundo, me sentia levemente incomodado imaginar os dois juntos, Mikasa e Eren, fora da minha vista.

– Haha, engraçado. Eu acho que a Mikasa gosta do seu primo. Acha que eles não fariam um bom casal? – Dei uma engasgada sozinho depois de ouvir essa fala.

– Ah, claaaro...! Sem dúvida alguma. – Não pude disfarçar muito meu tom irônico, que felizmente fora passado despercebido pela senhora Ackerman. Ela retornara com uma bandeja contendo duas xícaras e um pequeno bule, logo servindo o café para nós.

– Bem, mas então o que veio fazer por aqui?

– Bem... Seu marido não está em casa, não é?

– Oh, não, agora ele está no trabalho. O que queria tratar com ele?

– Na verdade, acho que posso falar com a senhora mesmo. – Iniciei sutilmente minha investigação, por mais que eu quisesse fazer com que fosse uma conversa natural, creio que minhas intenções poderiam ficar um tanto evidentes nas minhas perguntas. No caso, assim como na arte de conquistar uma garota, eu devia ir devagar e deixar o assunto ir até que eu conseguisse naturalmente chegar ao ponto que quero saber. – Ouça... No ano novo, eu e Eren pretendíamos ir para uma casa de praia do meu chefe... er, colega de trabalho, Erwin. O conhece?

– Hm... Eu acho que o vi algumas vezes... – Ela tentava recordar.

– É um loiro, alto... bonitão.

– Oh, sim! É o médico que atendeu a Mikasa uma vez, doutor Smith!

– É, esse mesmo. Então... Nós vamos para uma praia do litoral leste e, bem... Eren queria que sua filha fosse junto conosco. A senhora permitiria?

– Oh, um garota viajar sozinha assim na companhia de garotos... – Ela ficou pensativa.

– Se a senhora e seu marido quiserem ir também. – Fui convidando como se a casa fosse minha, mas bem, depois me entenderia com o Erwin. Agora eu arriscava diversas coisas para conseguir informação sobre o Kenny sem que a senhora Ackerman perceba.

– Ah, isso não vai dar, nós já planejamos ir para o festival do centro da cidade. No ano novo, terá um show do Jack Johnson! Isso eu não quero perder.

– Hum... O Eren tinha comentado sobre isso... Jack Jonhson, é? Nada mal... – Bem, eu não tinha muito interesse, até que gostava do cantor, só que eu odiava mais ficar no meio daquele povo suado pulando de um lado pro outro na maior imundice e ainda por cima longe de banheiros...– Bem, então creio que sua filha também não possa vir conosco, né?

– Hm... Na verdade, ela é sempre meio desanimada pra essas coisas tipo show, sabe? Ficar no meio de multidões... Mikasa não é muito fã disso.

– Entendo...

– Pois bem, converso com ela quando voltar! – A moça sorriu docemente. Agora que eu notei a tamanha semelhança dela com a filha.

– Ok, será que o seu marido concordaria em deixar a filha sair assim sozinha? Sabe que os pais são bem mais bloqueadores do que as mães. – Falei em tom brincalhão. – Mas qualquer coisa, terá uma mocinha conosco na viagem também. A minha vizinha.

– Haha, bem, posso conversar com meu marido mais tarde. Já vamos passar o natal com a família toda dele, então, com jeitinho eu posso convencê-lo a autorizar. Mikasa já está grandinha, ela pode ter suas saídas sozinha! – A japonesa comentava. Assim, já notei um bom início para o ponto em que quero chegar.

– Oh, se o natal será com a família de seu marido, o ano novo...?

– Não seríamos apenas nós três e uns parentes, poucos, do meu marido.

– Ué, mas... Não querendo me intrometer tanto, mas e a sua família?

– Não... Agora ainda não posso encontrá-los, estão todos no Japão. Algum outro final de ano reservaremos para viajar para lá.

– Isso quer dizer então que... Só a família de seu marido está aqui.

– Isso!

– É uma família grande?

– Olha, mais ou menos, não são todos que aparecem nas festas em família. Aparece mais o pessoal mais velho, alguns primos e tal...! – Pelo tom natural de sua fala, creio que ela não esteja achando minhas perguntas muito invasivas. Até que, para uma japonesa, a moça conversava bastante.

Papo vai, papo vem, conseguimos trocar várias falas ali. Mais ela que falava. E eu, obviamente, deixava. Passara-se cerca de uma hora só com a conversa. O café fora posto e reposto diversas vezes e o papo continuava.

– ...Então, Mikasa bem que herdou esse gene de dominante do lado do pai. Pode perceber como ela é uma moça durona ao contrário de mim, né? Visto que ela até faz parte do clube de muay thai da escola.

– Seu marido é durão, então?

– Bem, na verdade nem tanto. Lembro que ele me contava histórias da cidade dele lá na América. Parece que a família Ackerman era bastante conhecida por ter pessoas duronas e muitas entravam em academias de lutas. Mikasa tem três primos que também lutam.

– Oh... Então esse espírito forte já está no sangue. Bacana...! Quer dizer que a sua família... perdão, a família do seu marido veio da América?

– Sim!

– E ainda tem parentes por lá?

– Bem, alguns, é que a família Ackerman mudou-se de lá há algumas gerações. Mais ou menos na época em que o meu marido era criança é que vieram para a Europa. – Agora eu dei uma segurada na minha ansiedade. A conversa estava no caminho que eu queria.

– É mesmo? Mas o que fez vocês mudarem assim? Tipo... Todo mundo, quase...

– Ah, isso é um assunto meio restrito. Ninguém fala muito sobre isso. Meu marido mesmo não sabe muita coisa.

– Entendi... – Droga! Eu quase consegui uma informação, possivelmente, muito boa. – Tudo bem, não precisa comentar, acho que já estou até invadindo demais os seus assuntos.

– Ah, não se preocupe! Não há nada de invasivo, relaxe, meu querido!

– Huhu, ok.

– Aliás, fale um pouco de você e do Eren. Vocês moram sozinhos, não é? Mikasa que me contou.

– É... Moramos só nós. Num apartamento a caminho daqui. – Dei uma lastimada interna pela conversa ter sido desviada quando eu estava quase chegando a algum ponto mais interessante.

– Vocês sempre moraram sozinhos?

– Bem, na verdade desde que... er, a dona Carla e doutor Jaeger, pais do Eren, vieram a falecer, o garoto ficou sob minha guarda.

– Aw, sinto muito, mas também é algo incrível! Quer dizer que vocês cresceram juntos?

– É... eu sou bem mais velho do que o Eren.

– Ah, entendi. Nossa, não parece... Pensei que tivessem a mesma idade...

– É o que todos pensam... Bem, mas claro, pra cuidar do Eren, tive ajuda dos meus amigos. O doutor Smith mesmo está nesse meio! – Falava completamente descontraído. – E mais uns outros amigos de escola, Hanji, que é a minha vizinha e Mike... além de um outro colega de outra classe, chamado Kenny... – Agora eu menti nessa última frase.

– Hum...! Ei! Espere... Kenny... – Ela fez uma pausa, coçando a ponta do queixo. Aparentemente consegui fazê-la se lembrar de algo ao jogar o nome do infeliz na conversa.

– O que foi? – Me fiz de desentendido.

– Não, nada! É que eu lembrei de uma coisa com esse nome...

– É mesmo...? Sobre o quê?

– Não... Hehe, na verdade eu só estava lembrando mesmo. Era um caso aí! – Ela novamente riu. Parece que não queria falar desse assunto logo com um estranho. O que era uma reação óbvia e que eu não levei tanto em consideração quanto devia. Achei que essa mulher fosse falar tudo o que sabia sem se importar tanto... claro, eu pensei alto demais. Sendo assim, eu tentaria deixá-la mais à vontade.

– Há, entendi... Bem, mas então, voltando ao assunto do início... A senhora pode ver com seu marido se a Mikasa pode viajar conosco.

– Oh, sim, claro! E ver se ela topa também, porque ela é do tipo... neutra sobre coisas como sair de casa.

– Quer dizer desanimada...?

– É, também...! – Ela riu de novo. No mesmo instante, a porta da frente se abrira e adentrou à sala a protagonista do nosso assunto. Eu logo mordi o lábio, vendo que agora não poderia mais conversar com a senhora Ackerman sozinho.

– Mãe, já chegue... – A mestiça olhou torto assim que me viu em seu sofá de casa.

– Ah, Mikasa! Bem vinda de volta! – A japonesa cumprimentou a filha ao seu estilo oriental. – Viu a visitinha que temos aqui?

Eu, com um olhar irônico, acenei para ela, que respondeu com um gesto semelhante. Bem, não podia ser negado que eu e essa garota não nos dávamos lá muito bem. Nunca brigamos nem discutimos, mas sei que tanto eu quanto ela sentíamos um peso no ar quanto estávamos próximos. Esse peso ficava maior ainda quando Eren estava presente. Óbvio que o motivo era ele!

– Tio Levi... O que está fazendo aqui?

– Mikasa... – Mantive uma voz suave. – Já falei que pode me chamar só de Levi. Você já é bem grandinha.

– Desculpe, foi a força do hábito... Ainda não respondeu o que está fazendo na minha casa.

– Mikasa! – A senhora Ackerman chamar sua atenção. – Não trate a visita assim.

– Não se preocupe, senhora. Eu já estou de saída, afinal, já dei meu recado. – Levantei-me do sofá já batendo minhas roupas e vestindo meu casaco, pronto para ir embora. – Muito obrigado pelo café.

– Ah, mas já vai? Está cedo! – A japonesa, gentilmente indagou.

– É, tenho que voltar para o meu trabalho, pegar meu carro... um monte de coisa pra fazer ainda. – Falei e ela logo compreendeu.

– Oh, que pena, tudo bem. Volte mais vezes, Levi. E traga o Eren! – Ela apontou discretamente para a filha.

– Claro, vou trazer ele sim...! – Fiz o tom mais natural que consegui no momento. Mas claro, eu não podia me dar o luxo de trazer o meu garoto para “território inimigo”, se é que me entende.

– Mikasa, filha, acompanhe-o até a saída. Tenho que voltar para a cozinha! Até mais, Levi!

Dei uma última acenada para a moça e logo segui a mestiça até a porta de saída. Estranhamente ela não disse nada até que ambos estivéssemos do lado de fora da casa... Sim, ela saiu junto comigo e ainda fechou a porta atrás de si. Provavelmente queria tirar satisfação da minha inesperada visita à sua casa. Esse era um dos motivos de eu querer ter ido embora antes que ela chegasse.

– Então... você costuma correr atrás da mãe dos outros? – Quando ela disse isso, senti meu estômago dar uma contraída nervosa.

– O quê...? – Meu tique no olho esquerdo logo se manifestara. – Como é que é...??

– Que outro motivo você teria para vir até aqui do nada quando minha mãe está sozinha?

– Olha aqui... Fique sabendo que eu vim até aqui porque o Eren quer que você vá na viagem de ano novo conosco, eu só vim pedir a permissão dos seus pais pessoalmente para dar mais segurança a eles permitirem, ok? – Não gostava de dar tanto luxo assim a ela, especialmente quando se tratava do Eren, mas agora abri uma exceção para esconder o mínimo de pista a respeito do meu questionário sobre a família Ackerman. Ela pareceu ter engolido... Pareceu.

– Oh... – Logo ficou sem graça. – O-o Eren disse isso?

“É, mas não vá ficando muito animada porque quem come a rosca dele ainda sou eu!”

– Sim, ele quer os amigos dele na viagem. Armin também vai provavelmente.

– Ah, entendi! Posso passar o ano novo com o Eren então...

“Mas você é amiga! Amiga!! Não se esqueça disso.”

– Isso, entretanto sua mãe disse que você não é muito de sair, então...

– Não, eu vou! S-se o Eren vai estar junto...! – Ela mecheu no cachecol de forma encabulada.

Droga... olha o que eu fiz pra ter tão pouco retorno. Convidei uma garota tarada no Eren pra ficar confinada num lugar com ele e longe dos pais... e não consegui o tanto de informação que desejava, mas tudo bem. Terei outras oportunidades. Algumas coisinhas eu descobri, apesar de não ser muito, foram melhor do que nada... Agora eu só teria que ficar de olho na Mikasa. E assim como eu, ela me olhava com certa rivalidade. Não sei se ela sabe ou não que eu e Eren temos uma relação já... er... meio estranha... quase de casados, então... Mesmo que ela não saiba, ela deve suspeitar, afinal, sendo alguém que gosta do Eren assim como eu, sei que sente o cheiro da ameaça no ar.

– Ok, então. Os detalhes eu disse à sua mãe... Agora... Antes de ir embora mesmo, queria saber... Por onde você, Eren e Armin andaram até agora? A aula de você não acabou há umas três horas?

– ... Nós demos umas passada numa lanchonete para almoçarmos.

– Oh, entendi... O Armin estava junto, não é?

– Não precisa desconfiar tanto de mim, tio Levi... Não pretendo roubar o Eren de você... Porque eu não sou besta e sei que você tem uma queda por ele... por mais doente que isso me pareça.

Essa foi como uma facada no meio do peito.

– Como é que é...?!

– Saiba que o que você está fazendo é errado. Deve parar de induzi-lo a aceitar suas necessidades estranhas... – Ela olhava de forma maligna. – Se Eren está correspondendo, é porque ele ainda não experimentou da “outra coisa”.

– Ah... Espertinha você, Ackerman. – Fiz um sorriso bastante invocado. Essa garota, ao mesmo tempo que me irritava também me impressionava, pois ela lembrava muito a mim mesmo, tanto no jeito quanto na esperteza. – Agora fiquei a um fiozinho de te desconvidar para ir, mas só não faço porque o Eren quer você e o Armin juntos dele.

Ela deu uma piscada provocadora para mim.

– Não se preocupe... Não vou forçar nada. Ele virá naturalmente até mim...

– Hunf... Claro, claro. – Passei a mão no topo de sua cabeça, segurando a vontade de revelar que minha relação com o Eren já tinha atingido o nível sexual da coisa, mas deixei quieto. Não tinha como eu perder o Eren para uma mulher a esta altura do campeonato. – Passar bem, Mikasa. Pelo visto, nosso ano novo será bem divertido...

~*~

Eren

Cheguei em casa e me joguei no sofá, morto, mas feliz! Minhas aulas finalmente terminaram e eu estava livre de aulas, livre de acordar cedo, livre de lições de casa! Agora só me preocuparia com as tarefas domésticas e com o Levi... Ah, Levi... Será que agora, nas férias... ambos vamos ter mais tempo... vamos ter mais inspiração... Seria legal se pudéssemos “fazer” todo dia.

Sorri abobado, sentindo-me um grande promíscuo. Não, Eren, deve pensar em outras coisas também. Ainda terei o festival de fim de ano da escola para me preocupar. E Levi, Hanji e Mike vão se apresentar lá... como No Name. Eu estava doido para ver isso! Já estava imaginando-o vestido da mesma forma como aparece nas fotos do colegial. Hoje, o diretor Pixis até comentou comigo que a minha tia era meio doida por ter oferecido uma coisa dessas do nada. Mas bem, de graça, o diretor aceitou na hora.

Seria bom para dar uma animada, esse festival é sempre meio monótono, sem graça... Talvez um showzinho de No Name anime as coisas por lá.

Chacoalhei a cabeça, voltando à realidade. Ainda hoje tinha coisas a fazer... tipo esquentar a comida e recolher as roupas do varal. E passar o traje que eu usaria no festival, visto que seria uma espécie de garçom na “cafeteria” que a nossa sala foi incumbida de fazer. Demos duro no trabalho para enfeitá-la e deixa-la com cara de cafeteria.

Bem, a comida eu poderia esperar, visto que já almocei fora com Mikasa e Armin. Levi também só chegaria depois das sete, então... a prioridade do momento era tomar um banho e recolher a roupa.

Dei uma leve espreguiçada e levantei-me, pronto para começar. Antes, lembrei-me de um bolo de morando guardado na geladeira... Até que uma sobremesa iria bem agora...! Fui até a cozinha rapidamente, assim que eu abri a geladeira, o telefone da portaria tocara. Fitei com um olhar interrogativo... Era difícil aquilo tocar a menos que Armin, Erwin ou Mike viessem de visita... É isso... acho que poderia ser o Armin que veio me devolver algo que eu possa ter deixado com ele. Logo fui atender.

– Oi?

Eren?

– Oi, Frau! O que houve? – Perguntei ao nosso porteiro.

– Você tem uma visita, Eren. Uma moça quer te encontrar.

– Moça?

– É, o nome dela é Martha.

– Martha... – Foi aí que lembrei. Esse foi o nome que Armin me disse hoje... Isso logo me deixou curioso... Mas espere! Como ela sabe onde eu moro? Ela não tinha usado o Armin para saber sobre mim? Isso... era muito estranho. Eu tinha que tirar satisfação agora ou ficaria com essa pulga atrás da orelha por muito tempo. – Pode deixar ela subir, Frau!

– Ok, Eren...

E assim, o interfone fora desligado e eu já fiquei atento. Deixei essa moça subir. Agora teria que tomar a responsabilidade. Seja como for... eu só queria esclarecer as coisas e logo a deixaria ir embora! Isso! Só uma visita rápida não prejudicaria ninguém.

Não demorou muito para a campainha de meu apartamento tocar. Fui calmamente abrir a porta. Para minha surpresa, me deparei com uma mulher um tanto... chocante. Não que ela estivesse vestida de forma extravagante ou coisa do tipo... Mas seu rosto... Seu rosto... Me pereceu assustadoramente familiar.

– Er... P-pois não? – Dei uma gaguejada, mas foi mais pelo fato de ter me perdido nos olhos dela. Tinham alguma coisa ali que me hipnotizara...

– Olá! – A moça sorriu gentilmente. – Você é o Jaeger? Eren Jaeger?

– Ah... er... Sou.

Com essa resposta, lágrimas tímidas logo escorreram pelo seu rosto e eu fiquei um tanto sem ações.

– Ei...! T-tudo bem aí, moça?

– Sim, me desculpe...! – Ela chorou um pouquinho, mas ela não parava de sorrir. Logo reconheci! Os olhos dela... Iguaizinhos! Mesmo que eu tenha visto apenas por foto, eu podia dizer com toda a certeza que eram iguais os do meu... – Eren... Meu nome é Martha... Martha Jaeger, irmã de Grisha Jaeger.

Notas finais
Ufa, quem leu, chegou vivo aqui em baixo? Esse capitulo foi bem extensinho, mas foi pra compensar a demora que eu levei o/ Sério, desculpinha por isso =3= Bem, mas quem chegou até aqui deve estar querendo me matar mais por eu ter parado num momento solene como este, não? xD Mais ainda por Eren e Levi não terem tido nenhuma interação aqui. Mas... The treta begins!! E eu só digo uma coisa, eu não digo é nada, e digo mais! Só digo isso! o/ Muitos beijinhos a vocês amorzinhos que acompanham a fic mesmo com as demoras absurdas da tchonga aqui xD Muitos beijinhos e abraços a vocês e até mais o/ Nikki ♥