Reencarnado Como Galo em Outro Mundo

5 Capítulo 4 Interlúdio – O Galo Está Servido


Talvez estejam confusos quanto à repentina explosão e se perguntando a respeito, então voltemos um pouco no tempo para maiores detalhes. Agora estamos no exato momento em que o motorista Gilmar ameça Ricardo com sua barra de ferro:

_Não, você não vai!

Júlia empurra Gilmar com todas as suas forças em seguida empunhando a faca ficando entre ele e Ricardo caído.

_Você nem tente! Eu tenho uma faca!

_HA! Você tinha!

Com um rápido movimento como uma tacada de golfe, a barra de ferro zune no ar atingindo a faca em cheio e quebrando sua lâmina, que é lançada para o ar caindo em seguida perto das rodas do caminhão fincada entre um bueiro e o asfalto. Desarmada, Júlia recua tropeçando e cai no chão.

_Olha, eu não bato em mulher, então fica quietinha agora! — Ele se vira para Ricardo — E então, onde estávamos?

_NÃO!

Júlia se recuperou da queda e agarra Gilmar por trás. Levantando-se do chão, Ricardo ameaça ir para cima do motorista em defesa da garota.

_Júlia! Larga ele e corre daqui!


_Seu burro! É você quem ele quer pegar! Some daqui, depressa!

Ricardo vacila por um instante, mas percebe que se correr o motorista irá atrás dele, deixando Júlia segura para trás.

_Então você me quer? Vem me pegar então!

Ele corria da melhor maneira que podia e já tinha se distanciado um pouco quando Gilmar finalmente se livrou de Júlia.


_Volta aqui, moleque! AIII!


Mesmo tendo se livrado, ele não esperava que Júlia o mordesse em seu braço e assim ela conseguindo tirar a barra de ferro das mãos dele e lançando alguns metros à frente.

_Maldita pirralha!

Desta vez Gilmar não consegue se conter e acaba dando um tapa em Júlia, que cai no chão. Queria recuperar sua barra de ferro, mas Ricardo já estava sumindo no final da rua, e ele não seria capaz de alcançá-lo a pé.

_Merda! Você não vai fugir!

Subiu no caminhão às pressas e deu a partida acelerando o máximo que podia. Ouviu um barulho estranho, mas sua ira falava mais alto. Se o baú do caminhão não estivesse cheio de frangos congelados conseguiria mais velocidade, mas não podia se livrar da carga naquele momento. Continuou pisando no acelerador o máximo que podia sem tirar os olhos do fugitivo.

E aqui, meus caros leitores, está a chave para o acontecimento futuro, uma sucessão de fatos que culminaram na situação atual.

Quando Gilmar deu a partida em seu caminhão recomeçando a perseguição, seu caminhão acabou passando com uma das rodas por cima da lâmina quebrada da faca e da barra de ferro que naquele momento estavam próximas uma da outra.


Essa proximidade causou uma espécie de efeito alavanca projetando a lâmina com força o bastante para causar não apenas uma fissura na conexão de um dos cilindros de gás situados abaixo do caminhão entre a cabine e o baú, como causando lascas nos cabos da bateria ao ficar cravada entre eles.


Quando Gilmar foi forçado a encerrar a perseguição a Ricardo, o movimento do caminhão ao ser freado fez a faca que estava ficada precariamente se soltar e cair amparada sobre o par de fios descascados servindo de condutora de eletricidade.


As fagulhas causadas inflamaram o gás que vazava lentamente causando uma forte explosão dos cilindros que arrebenta o baú e lançando um de seus conteúdos para fora arrombando a porta do ba. Uma caixa de papelão cheia de frangos congelados.


A força foi o bastante para a caixa ser lançada feito uma bala de canhão e encontrando seu alvo no tórax de um desprevenido Ricardo que nem mesmo viu o que lhe atingira. Agora que as explicações necessárias foram dadas, voltemos para a história principal.