Reencarnação de um amigo imaginário

1 Reencarnação de um amigo imaginário


Notas iniciais
"It's not like love at first sight, really. It's more like... gravity moves.... suddenly. It's not the earth holding you here anymore, she does.... You become whatever she needs you to be, whether that's a protector, or a lover, or a friend." - Meyer

E eles se encontraram. Não deveria demorar, pelo menos era o que seu horóscopo semanal lhe dizia. Não se dava bem com os números nem com as pessoas. Não se encaixava em nada. Não sabia o que queria do futuro, embora ele nada o devesse. Aspirava continuar feliz com sua família e amigos maravilhosos. Não via lógica na necessidade incessante de dizerem que uma pessoa só é feliz quando encontra sua outra metade. E se ele já se sentia completo, o que seria ele então? Não acreditava em extraterrestres, mas não seria ele um? Ou seria ele apenas uma reencarnação de um amigo imaginário de alguém aleatório no mundo?

Naquela quarta-feira de junho ele estava impaciente para deixar a sala, mas não sabia aonde ir no dia seguinte, então ele chegou num grupo aleatório de adolescentes e perguntou sobre os truques do labirinto que era aquele instituto federal. Um deles se propôs a levá-lo à localização correta e assim o fez. Eles se apresentaram e ele sofreu um imprinting. Santa Meyer. Coitado. Ele se lembrava dele de alguma lembrança esquecida. Santa Kate. A gravidade não fazia mais sentido. Santo sentido. Sentia-se um Gregor Samsa. Santo Kafka. Não se sentia mais estranho só por ser estranho. Santo ele mesmo. Algo havia mudado. Eles então se despediram e o encanto de cinco minutos acabou. Não houve sequer um “Non ti scordar di me!”, até por que ele ainda não manjava do italiano. Na verdade o encanto só havia começado.

Nos outros dias, eles se reencontraram. A sensação foi a mesma. Seu Gregor Samsa interior queria agora tornar-se uma borboleta. Na verdade ele não gostava de borboletas, preferia aranhas, por serem mais fáceis de seguir e por serem mais coloridas. Bem mais coloridas.

Eles então foram se conhecendo melhor. Um passo de cada vez. E o casamento estava sendo marcado. Já o imaginava naquela sua gravata azul claro preferida. Os sapatos um pouco desconformes quando comparados ao resto da roupa. O orador de Odin estaria lá à beira-mar para unir os dois amantes. Seria uma simples cerimônia. Sem muitos convidados. Mas muito linda.

Ele então voltou ao mundo de fadas onde a desgraça valia dinheiro. O tempo valia dinheiro. As relações sociais valiam dinheiro. Tudo fedia, mas ele tinha de viver em meio ao caos para perceber as coisas simples e lindas da vida. Conhecê-lo foi uma das coisas mais interessantes que lhe aconteceram no último ano, pois era como se estivesse entre tabas ou bons livros: ele se reencontrava. Seria ele então apenas a reencarnação de um amigo imaginário?

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