Reencarnação

33 Surpresas para Levi


Notas iniciais
*Brota das profundezas do fim do mundo* Er, oi? Bem, não tenho nem o que falar aqui. É tanta vergonha pelo meu abandono nesta fanfic que não tenho nem cara pra me apresentar aqui x.x Mas bem, sei que foi uma pausa (abandono!) muito longa, por isso acredito que vocês que acompanhavam a fanfic antes, possam nem continuar a ler por nem lembrar da estória ou não ter mais tanto pique no casal (aliás, foi por isso que eu dei essa super pausa -cof cof abandonoo!- na fic, entrei no clima de outros animes e outros shipps, então EreRi ficou meio de lado, mas agora voltei à fase) Enfim, mesmo que ninguém leia daqui pra frente, vou atualizando até finalizar. É questão de honra agora. Bem, à qualquer serzinho que aparecer por aqui para ler, boa leitura =3=/ — Parou no momento que está acontecendo uma festa de Natal na casa do Erwin e Hanji preparou uma surpresa envolvendo algo embaraçoso para Eren fazer -

Levi

Fiquei ainda por um tempo no sofá da sala de estar, vendo outros vídeos no celular de Hanji. Francamente, para uma enfermeira, ela era bem desocupada. Havia diversas filmagens aleatórias dela mesma, de situações bobas com narrações e outros dela com o Eren ou com o Mike. Até que me distraiu, eu já nem escutava as conversas das outras pessoas que estavam ali no mesmo cômodo. Mas isso só até o dono da casa sentar-se ao meu lado e me chamar a atenção.

— O que está vendo aí com tanta concentração? – Perguntou Erwin curioso.

— É o celular da quatro-olhos...

— Oh, sim. Tem um monte de vídeo aí, não tem?

— Já bisbilhotou antes, é? – Arqueei a sobrancelha pra ele.

— Um pouquinho... – Ele dera um gole breve na bebida que trouxe consigo. – Mas... E então? Você está bem? – Agora ele mudara pra uma expressão apreensiva. Logo percebi que ele estava se referindo àquilo. Voltei o olhar para a telinha do aparelho e continuei a passar os vídeos e fotos.

— Você leu minhas mensagens?

Erwin apenas assentiu.

— E apagou?

Repetiu o gesto.

— E então? Tudo bem? – Ele perguntou.

— Hunf. Estou normal. Ele não fez nada até agora... – Franzi o cenho ao pensar em Kenny. – Confesso que isso me deixa aliviado... e ao mesmo tempo angustiado.

— Entendo... – Ambos falávamos bem baixo um com o outro, quase num sussurro. Às vezes podíamos conversar só com olhares ou gestos que tudo era entendido pelo outro. Eu havia contado a história toda. Sobre o Kenny, meu passado com ele; como eu o tinha “matado”; como ele reapareceu recentemente; como ele ameaçou o Eren. Senti um grande alívio por ter compartilhado isso com alguém... Ainda mais esse alguém sendo o Erwin. Ele era realmente um dos que eu mais sentia segurança em compartilhar um assunto desses. Agora pode-se dizer que o loiro estava por dentro dos rolos atuais. Tanto do assunto “Kenny” como do assunto “Tia xereta do Eren”. – Então... É a primeira vez que você conta sobre ele a alguém?

— É...

— Confesso que... me surpreendi com essa história. Por isso você era tão fechado daquele jeito no colégio. – Erwin refletiu.

— Hum... – Parei em uma das fotos do celular em que tinha Hanji e eu abraçados. Ou melhor, eu estava de braços cruzados com uma cara não muito amigável, enquanto ela que abraçava-me de forma carinhosa. Fitei essa foto por mais tempo... – Ainda bem que ela me “levou à força” pra lanchar com vocês naquele dia no intervalo. Eu poderia ser sozinho e fechado até hoje se não fosse por isso. – Disse, lembrando-me do dia que os conheci.

— Oh... E quem disse que você deixou de ser assim? – Erwin pendeu a cabeça de lado, com um olhar debochado e um sorriso sacana.

— Tsc. Pare de ser besta. – Desviei o olhar.

— Bem, seja como for, se precisar de qualquer ajuda, estou à disposição. – Finalizou o loiro dando outro gole em sua bebida. – Agora, relaxe e beba um pouco.

— Já estou relaxado.

— Nah... Não tá não. – Erwin fez uma careta, logo virou-se para em direção à porta e gritou. – Ei, Mike! Traz uma bebida pro Levi!

— Não, Erwin... Eu não quero beber. – Avisei.

— Ora, você não bebe há bastante tempo, não acontecerá nada de mais se beber um pouco hoje. Não estou dizendo pra encher a cara, só pra... dar uma relaxada. Palavra de médico! É melhor do que tomar um diasepam.

— Hum... Médico cachaceiro...

~*~

No final das contas, Mike acabou me trazendo um drink com gelo. Depois de tanta insistência dele e do Erwin, e por andar encucado ainda com Kenny e Martha Jaeger, acabei por entrar na deles.

Depois do primeiro copo, extrapolei um pouco mais do que eu gostaria, e bebi mais uns três copos depois deste. Na hora já senti aquela relaxada boa. Larguei meu peso sobre o sofá e olhava de forma divertida para os dois loiros conversando ao meu lado. Até que serviu para dar uma aquecida em meu corpo diante desse clima frio de inverno que, por mínimo que fosse, invadia a casa de Erwin.

Desabotoei os dois primeiros botões de minha camisa.

— Nossa... Agora deu fome. – Comentei.

— Daqui a pouco é meia-noite e então serviremos o jantar! – Lembrou Erwin.

— Já é quase... meia-noite...? Cadê o Eren...? – Perguntei, olhando para os lados. Levantei-me do sofá repentinamente e isso me deixou meio tonto a ponto de dar uma cambaleada. Quase que perco o equilíbrio, se Erwin não tivesse apoiado minhas costas com a mão.

— Eita, mas já está assim? Você bebeu quanto?

— Um pouco... – Respondi, observando meus próprio sapatos. Notei que podia tê-los lustrado melhor antes de vir.

— Acho que devia ficar sentado por hora e deixar o álcool dar uma abaixada. – Disse o loiro, meio rindo.

— Ah, qual é, ele está ótimo! – Disse Mike, parecendo se divertir com a situação.

— Argh, me deixa. Eu tô normal... – Reclamei.

— Levi!! – Hanji apareceu em minha frente com os olhos brilhando. – Sabe que horas são?

— Hum... Quase meia-noite?

— Exato! Venha pra cá! – Ela então agarrou meu braço e foi me levando até a mesa de jantar que ficava do outro lado da sala, fazendo-me sentar na cadeira de costas para a parede. – Pessoal!! É natal, mas também é niver do Levi, lembram??! – Ela deu sua agitada geral e fez todos voltarem os olhares para mim.

— Ei, para. Você sabe que eu não gosto de chamar atenção...! – Disse num sussurro à ela.

— Pessoal, venham pra perto da mesa aqui!! – Ela ignorava minha fala e continuava agitando. As pessoas logo foram aparecendo e fazendo um montinho em torno da mesa. Todos, os familiares do Erwin, o próprio junto ao Mike, o pessoal do hospital e até a senhora Kirschtein junto ao seu filho.

— Hanji!! Eu disse “sem parabéns”, lembra? Eu não gosto disso.

— Mas vai ter! – Ela então assobiou para a cozinha. – Pode trazer o bolo!!

— Han... – Eis que então eu vejo a figura que vem com a bandeja de bolo em mãos. – Oh... Mas o que...

Eren apareceu usando um vestido preto e um lenço na cabeça. Parecia um traje de empregada inglesa do século XIX. Ele fazia uma expressão de quem tentava ser sexy.

Com sua aparição, Hanji puxa o “Parabéns” e toda a casa segue sem achar nada estranho. Eren então vem andando até mim na sua forma “sensual” trazendo o bolo com duas velas no formato do número “três”. Já pude ver pessoas ao fundo rindo da situação.

Ora eu olhava o Eren se aproximando, ora eu olhava as visitas rindo e cantando a música de aniversário. E tudo que me ocorria na cabeça era: Que porra que está acontecendo?

O garoto, manhosamente, senta-se em meu colo, cruza as pernas, como uma dançarina de cabaré, e então estende a bandeja para as duas velinhas ficarem próximas de minha boca. Eis então que Eren se inclina pra falar em meu ouvido.

— Feliz aniversário, Levi...! M-mais tarde... e-eu deixo você... Er... La-lam... lamber o meu... Ch... chan... Argh! Não! – Ele logo se afastou e começou a lamentar. – Hanji! E-eu não consigo dizer isso! Não consigo! – Ele rapidamente escondeu o rosto em meu ombro. Eu apenas mantive minha sobrancelha arqueada o tempo todo.

— Ahhh, Eren! Você chegou tão perto! – Ela lamentou.

— Hunf. Isso tudo é ideia sua, maníaca?

— Sorriam. – Erwin chegou mais perto com uma câmera fotográfica em mãos, focando a enorme lente em mim, e consequentemente no Eren em meu colo.

— Erwin, não tire fotos! E Hanji...!!– Falei um tanto indignado. – Por que fez meu namorado vestir essa coisa e fazer essa ceninha na frente da família do Erwin?

— E do pessoal do hospital! – Gritou Auruo de longe, logo mordendo a própria língua.

— Eu queria ver se você sentiria vergonha. – Justificou ela, acanhada. Aquela típica expressão de criança que aprontou, mas fazia uma cara angelical para poupar-se de culpas.

— Bem, quem terminou envergonhado aqui foi ele. – Apontei o garoto em meu colo, que logo se desencostou de meu ombro, olhando com o rosto enrubescido para a doida. – Vê? Não é assim que eu gostaria de revelar nossa relação à família do Erwin.

— E ao pessoal do hospital! – Auruo gritou novamente.

— Tudo bem, Levi... – Eren pronunciou. – Ninguém está ligando, vê? Acharam que foi tudo uma mera zoeira. E foi mesmo! – Ele riu.

Foi aí que vi que o restante das pessoas não prestava atenção em nós. Estavam todos abraçando e cumprimentando uns aos outros... Oh, isso queria dizer que...

— Aeeeeee! Meia-noite! Feliz Natal vocês dois!! – Hanji veio ao nosso encontro, abraçando a mim e ao Eren. E de bônus dera um beijo em minha testa. – E feliz aniversário, Levi!

— Hunf... – Fiz bico, mas não deixei de me alegrar internamente por todo o afeto que ela constantemente me dá, mesmo com todas as minhas patadas. – Obrigado...

— Feliz natal, Hanji! – Eren desejou.

Ela sorriu e então foi até o Erwin e depois para as demais pessoas para dar os cumprimentos. Eu ainda me mantive no lugar, com Eren em meu colo. O garoto apoiou sua testa à minha, logo falando em sussurro.

— Feliz natal, Levi...! – E então ele selou sua fala com um beijo breve.

Olhei-o nos olhos fixamente e mantive minha mão em sua cintura. Parecia que Eren não pretendia sair de meu colo tão cedo.

— Sabe... – Fitei-o por inteiro. – Tá muito frufru essa roupa, sabia?

— É, a ideia era essa, ehehe...

— Hum... Mas... Até que não ficou tão mal em você.

— Que? Mas era pra te fazer passar vergonha de tão ridícula e não pra você ter gostado. – Eren falou.

— Por que eu sentiria vergonha se é você quem está usando-a? – Indaguei.

— Bem... porque... talvez, er... sei lá. – Ele desviou o olhar.

Depois disso, nos levantamos e fomos dar o “feliz natal” a todos os outros convidados, tal como é a tradição. Eram muitas pessoas, e para mim demorou um pouco mais, pois também me davam os parabéns pelo meu aniversário e (os que não viram os números nas velinhas) perguntavam minha idade. A maioria não acreditou na minha resposta, achavam que eu tinha a idade do Eren ou um pouco mais, mas não muito distante dele.

Ora eu via Eren cumprimentando as pessoas com aquele traje estranho dele. Só podia ter sido ideia da quatro-olhos mesmo. Algumas senhoras até pediram para o garoto “dar uma voltinha” para verem seu vestido por inteiro, tirando o maior barato.

Hunf, então quer dizer que essa seria a minha pegadinha de aniversário deste ano? Me fazer passar vergonha na frente de uma multidão? Hunf. Hanji, Erwin e Mike tinham que melhorar. Teria sido melhor tentarem o lance da cola na cadeira de novo.

A sala então se esvaziou, a maioria das pessoas foi para fora, no quintal, pois haviam ligado o som estéreo lá, e isso incentivou as pessoas a irem dançar ou curtir o som simplesmente. Apenas alguns da turma do hospital ficaram aqui, tal como Petra, Erd e a esposa, Auruo, a senhora Kirschtein e seu filho Jean, que por acaso estava tirando uma com o Eren, devido à sua vestimenta de empregada inglesa.

— Ah, Levi! Venha aqui! – Erwin, que continuara na sala também, me chamara.

— O que é?

— Aqui, sirva refri pro pessoal! – Ele logo me estendeu uma garrafa fechada. Eu o olhei torto.

— Ué, sirva você. Eu sou o aniversariante.

— Ah, mas é por isso mesmo! Já vou cortar o seu bolo. É a última coisa que te peço. – Ele fez uma cara pidona e dava uns sinais de “Por favor me ajude, estou controlando a festa toda até agora sozinho”. Dei um breve suspiro.

— Tudo bem... – Fui até ele, peguei a garrafa de suas mãos e a apoiei na mesa para abri-la. Erwin rapidamente se afastou com o bolo em mãos. Na hora me ocorreu... “Ué, por que ele saiu assim?”, “Por que ele pediu para eu abrir assim do nada?” “E por que ele vai cortar o bolo agora se ainda nem tivemos o jantar?”

Bem, eu devia ter indagado isso antes, assim que tirei a tampa da garrafa, vi uma balinha branca escapar dela e cair dentro do refrigerante. Nem deu tempo de reagir, a bebida subiu espumante até expelir-se uns trinta centímetros de altura pra fora da garrafa, encharcando a mim e a mesa da sala de jantar. Tentei por reflexo, tampar com a mão, mas não adiantou. Foi refrigerante pra todo o lado, uma desgraça. Todos voltaram o olhar para mim na hora. Quando o jato espumante parou de transbordar, eu só conseguia apertar os punhos, com aquela veiazinha pulsando nervosamente em minha testa, ouvindo o riso irritante dos três idiotas que provavelmente eram responsáveis por esse ocorrido. Pacientemente fechei a garrafa e olhei minhas roupas, todas ensopadas e grudentas. Fora meu cabelo também.

— Ô caralha!! Quem foi o filho da puta que teve essa ideia?! – Virei-me furioso para Erwin, Hanji e Mike, que não conseguiam responder nada a não ser rir, o que me deixava mais fulo ainda. – Parem de rir, seus merdas!! Olha o que fizeram! – Peguei em minhas roupas, sentindo-as ficarem cada vez mais grudentas. – Tsc! Ah, vão pra casa do caralho vocês!

Então, simplesmente fui saindo do cômodo. Aí sim os três deram gargalhadas bem altas. Hunf, vou foder com eles depois, vão pagar por isso. O pessoal do hospital continuava a se segurar pra não rir também, pois sei que ainda se intimidavam comigo, então nem ousavam rir descaradamente na minha cara. A única que parecia estar meio em choque era a mãe do Jean. E o Eren... Bem, como esperado, o garoto veio atrás de mim, um tanto preocupado.

— Levi! – Ele me chamou antes que eu subisse as escadas.

— Você já estava sabendo disso também? – Perguntei.

— Claro que não! Nem sei como que fizeram isso! Nunca fiz transbordar daquele jeito, mesmo chacoalhando um mont...

— Tinha um Mentos preso por um fio na tampa da garrafa. Quem abrisse, deixaria a bala cair dentro...

— Oh! Mentos! Armin já me mostrou um vídeo disso! – Foi então que ele se tocou.

— Hunf. Que bom. – Eu já ia pisar no primeiro degrau, mas Eren segurou meu braço.

— M-mas... Você está bem mesmo? Isso foi bem cruel... o que eles fizeram. – Ele falava todo apreensivo, aproximando-se de mim e afastando minha franja ensopada para o lado. – Mas não se preocupe, eu te ajudo a dar o troco neles! – Eren deu uma piscadinha.

— Tá bom... Mas não encoste em mim por enquanto, tem refrigerante escorrendo pelo meu corpo todo... Argh... nojento. Vou enxugar tudo com as camisas brancas do Erwin. – Fui murmurando coisas enquanto subia a escada. Claro que eu iria tomar um banho depois dessa! Tentaria fazê-lo rápido para então pegar a hora da ceia, afinal, eu estava morrendo de fome.

Hanji

Bem, eu sei que fomos cruéis desta vez, mas foi a única ideia de pegadinha de aniversário que pensamos que funcionaria. E deu mais certo do que imaginávamos, Levi não desconfiou de nada. Depois de rirmos bastante, fui até o hall perto da escada me encontrar com o Eren.

— Ei! Cadê o Levi?

— Ele foi tomar um banho. – Respondeu.

— Oh, como imaginei. Bem... o que achou da nossa brincadeira, hein? – O cutuquei com o cotovelo.

Eren olhou-me com seriedade no começo, mas logo se largou de rir. Quase tanto como nós.

— Tá brincando?! Mentos na garrafa?! Foi a melhor ideia que vocês poderiam ter!! Ele ficou muito bravo! – O garoto ria tudo o que ele segurou enquanto Levi ainda estava presente. Eren sempre fazia esforço pra não rir das “desgraças” que fazíamos ao baixinho, mas sei que no fundo ele se divertia tanto quanto nós.

Ele então voltou para a sala de estar e continuou conversando com o amigo de escola, Jean. Aliás, ele não parecia nem um pouco preocupado em trocar de roupa. Estava com o vestido há mais de meia hora! Mas bem, nem o lembrei disso, deixa ele curtir o traje mais um pouco.

Assim, recolhi a toalha de mesa encharcada de refrigerante para já aprontarmos rapidamente o banquete da ceia. Claro que não caberia todos sentados ali, então a mesa serviria apenas para self-service.

Passando pelo quintal, encontrei Erwin conversando com um casal de velhinhos. E eles rapidamente chamaram-me.

— Oh, com licença, mocinha. – A senhora pronunciou. Erwin olhou-a de forma curiosa.

— Sim? – Por educação, parei em sua frente para responder-lhe.

— Olha, minha querida, é a primeira vez que visitamos meu neto Erwin aqui, pois somos de outra cidade. – Ela sorriu para o loiro. – Queria dizer que foi uma honra conhecer os amigos dele, isso inclui você. É uma moça tão linda.

— Oh, muito obrigada! – Agradeci lisonjeada.

— Sim, e queríamos dizer também que adoramos o Levi. Ele é um rapaz bem polido e educado. Meus parabéns! – Agora o senhor que falou e Erwin fez uma cara de desentendido.

— Oh... Sim, ele é! Hehe nós gostamos do Levi. – Referi a mim e ao Erwin, sem entender muito bem o velho. – Oh, e o “parabéns” deveria ser para ele, não? Ele é o aniversariante. – Falei num tom cômico.

— Sim, nós vimos. Mas achamos que devíamos parabenizar a mãe também! Levi é um excelente garoto, moça. – A senhora falou e eu arregalei os olhos juntamente ao Erwin.

— Hein?! – Arqueei a sobrancelha numa expressão perplexa.

— Er... Vovó... – O loiro tentou dizer algo, mas seu avô aproximou-se de mim, olhando bem o meu rosto.

— Waw, você deve ter dado a luz bem jovem, não, minha querida?

Rapidamente virei-me para Erwin com uma cara de indignada. Ele apenas fez um gesto com os braços de que não tinha resposta para essa situação.

Eren

— Er... Levi? – Bati duas vezes a porta do banheiro, ouvindo claramente o som do chuveiro. – Você precisa de alguma coisa? Pegou toalha, roupas?

Ele ficou quieto por um momento, mas logo respondeu um tanto baixo.

Esqueci a ro...

— Hein?? – Encostei o ouvido à porta. – Não entendi o final.

Esqueci a roupa.

— Oh! – Dei um discreto riso. – Você ficou bravo mesmo com essa brincadeira, hein? – Falei zombando, pois sei que quando Levi se irritava muito, costumava esquecer coisas.

Deixa eu despejar uma Fanta em você pra ver se você fica feliz.

— Tá, tá, entendi. Relaxa. Mas então, quer que eu traga alguma roupa do Erwin pra você? – Perguntei.

Não...

— Ué...? – Arqueei a sobrancelha. – Mas ent...

Quero as suas roupas.

— As minhas?!

Você nem as está usando. Continua com esse vestido aí, não é?

Er... é que... achei confortável usar saia. – Brinquei com os dedos.

Vai se trocar você também.— Levi ordenou.

— Ué, você não tinha gostado? Mas espere, se eu vou dar as minhas roupas pra você, o que eu vou vestir então?

Eu fico com as suas e você pega as do Erwin.

— Por que precisa ser as minhas? – Perguntei curioso.

— ... – Ele ficou quieto de início, mas logo respondeu mais timidamente. – As roupas do Erwin vão ficar grandes demais em mim...

— Ohh... Tá. – Não insistindo mais no meu protesto, virei-me e fui até o quarto de hóspedes buscar as minhas roupas. Quando as recolhi é que me lembrei de algo... Logo bati em minha própria testa.

O presente do Levi!

Desci rapidamente até o armário perto da porta da frente para encontrar o pacotinho. Era um presente minúsculo, mas creio que lhe seria útil agora. Subi para o segundo andar novamente até chegar ao banheiro, de novo bati a porta.

— Levi, pronto!

Apenas uma fresta foi aberta, e um pouco do vapor da água quente escapara para o corredor. Meio rosto do Levi com os cabelos encharcados me ficou visível. Ele estendeu a mão para fora e apanhou as roupas e mais o pacote em cima.

— O que é isso? – Ele olhou curioso o embrulho.

— Er... é o meu presente. P-pra você! Feliz aniversário, amor... Q-quer dizer, Levi! – Rapidamente senti minhas bochechas corarem.

— Oh... Resolveu me dar... agora?

— Er... pra você usar no jantar! – Sorri pra ele.

— Hum... Ok. – E assim, ele simplesmente fechou a porta, provavelmente sem entender bem do que eu falava.

~*~

Já entregue as coisas para o Levi no banheiro, eu estava no quarto de Erwin, procurando alguma coisa em sua gaveta para eu vestir. Afinal né, realmente não daria pra jantar com aquele vestido. Isso foi só pela zoação do momento do “parabéns”, agora eu deveria voltar ao normal.

Bem, não era apenas no Levi, mas em mim as roupas do loiro também ficavam grandes. Revirei as gravetas em busca de alguma bermuda e um cinto.

Enquanto eu atirava algumas peças pra fora da gaveta, Scott permanecia deitado na cama, observando todos os meus movimentos com as orelhas erguidas.

— Há! Achei! – Apanhei uma bermuda xadrez junto a um cinto de couro. Assim que a vesti e olhei no espelho, sorri de satisfação. – Uau, serviu bem. – E por fim, vesti minha própria camisa mesmo, visto que o Levi não precisaria dela. Afinal, o meu presente era uma camiseta.

— Eren. – Levi chamou abrindo apenas um frestinha da porta.

— Oi... – Virei-me para ele. Assim que o olhei, meus olhos brilharam. A camiseta serviu certinho nele. Era simples, de mangas curtas, toda lisa, exceto pela palavra “Ravioli” escrito na frente, à altura do peito.

— Obrigado pelo presente... namorado.

— V-você gostou? Foi tudo que... eu consegui pra este ano.

— Hum, “Ravioli”, é...? – Ele sorriu de canto. – Você que fez?

— Sim!

— Hum... nada mal... Não tem como não lembrar de você com essa camisa. – Ele roçava a ponta dos dedos sobre as letras estampadas. Eu logo me senti aliviado pelo elogio. – Já terminou de se trocar então? O Mike já chamou, o jantar está na mesa.

— Ah, sim! – Virei-me para ele, abrindo os braços. – Olha, o que acha? Serviu bem! – Levi olhou a bermuda que eu vestia.

— Essa coisa é do Erwin? Que brega... – Ele disse.

Olhando bem para o Levi, notei que minha calça ficara meio comprida nele, tinha barra sobrando sobre os sapatos.

— Vamos, venha logo... antes que o cachorro escape. – Ele disse já indo pra escada.

— Scott não foge. Ele é bonzinho.

Erwin

Fiquei em pé no hall, perto da porta, de frente para o armário onde as visitas guardaram as bolsas, tentando de alguma forma confortar minha querida amiga que milagrosamente conseguiu ficar meio depressiva. Ela nunca se afetava com nada do que diziam a ela, mas agora parece que ela ficou mesmo chateada.

— Hanji, já disse pra não ligar pra isso. Eles são velhos, não estão mais enxergando direito.

— Eles enxergam bem sim! São da parte da sua família que enxerga bem até a terceira idade. Alias, olha só você, já tem quase quarenta e não usa óculos. Levi começou a usar óculos antes de você! Argh! – Ela dava voltas em círculos, de braços cruzados e com uma cara chorosa. Sei que ela não choraria, mas fazia uma cena pra parecer mais dramático.

— Olha, Hanji, só aqueles dois que acharam isso. Ninguém aqui mais acha que você é mãe do Levi! Você nem tem cara de ser mãe dele. Eles mesmos disseram que acharam você bastante nova.

— Mas mesmo assim! Erwin, Levi tem trinta e três anos! Como posso ter cara de ser mãe de alguém com essa idade?! Eu devo parecer muito mais velha do que sou! – Logo ela parou de andar, para apoiar a mão no peito. Novamente fazendo um draminha teatral.

— Ei, pare. Nada a ver. Eles nem sabem a idade dele. Já viu o rosto do Levi? Todos pensam que ele tem a idade do Eren, então relaxe.

— Mesmo assim! Um filho com a idade do Eren? Eu?

— E por que não? – Fiz um tom de óbvio. – Você é só dois anos mais velha que o Levi. Pode ter um filho da idade do Eren! Você teria engravidado então com uns... – Fiz as contas de cabeça. – Vinte anos! Acho meio prematuro, mas até que é viável.

Ela ficou quieta por um momento, mas depois ela novamente fez seu choro dramático e me abraçou como um apelo. Eu apenas a olhava surpreso.

— Não, Erwin! Não é possível. No bolo do Levi tinha uma vela com os números trinta e três enormes! Não tem como seus avós não terem visto isso! Eles acham que sou uma mãe solteira com um filho de trinta anos!

— Hanji... – Realmente, eu não tinha mais o que falar para confortá-la. Então apenas retribuí o abraço e passei a mão no topo de sua cabeça. – Esqueça isso por enquanto. Como eu disse, são velhos e já devem estar meio gagás... – Falei tentando animá-la.

— Erwin... – Depois de um tempinho ela se afastou um tanto espantada. – Meu deus... Pensando bem, acho que... eu já devia ter tido filhos, Erwin.

— O quê? – Arqueei a sobrancelha.

— Eu já tenho trinta e cinco, e não fiz nada a respeito de ter uma família... – Ela então ajeitou os óculos, entrando num surto de novo. – Meu Deus! Eu só tenho mais cinco anos pra encontrar um marido e ter filhos! Como farei isso em tão pouco tempo?! Argh droga, talvez eu nunca me case! Talvez eu nunca tenha filhos! Oww... O que eu faço, Erwin, só agora me toquei disso! Acho que vou adotar o Eren e o Levi...

— Shhhh... – Tapei os lábios dela com a palma inteira da mão. Hanji era uma faladeira de primeira, então só assim para quietá-la. – Calma. Você só estava mais focada no trabalho, mas você... Hu, você pode achar um homem quando quiser! – Olhei fundo em seus olhos castanhos, que agora brilhavam devido às lágrimas que ali marejavam, porém não escorriam. – Você é uma enfermeira, é engraçada, bem humorada, uma pessoa tranquila de se conviver, além de muito bonita... – Sequei com o polegar a única lágrima que escapara de seu olho. – Não precisa se desesperar... Seu futuro marido... pode estar mais perto do que você imagina.

Ela olhou fixamente em meus olhos. Demorou bastante para ela ter alguma outra reação, mas ela logo sorriu e se afastou. Deu uma abanada em si mesma e respirou fundo para se acalmar.

— Ufa, beleza, vamos jantar então! – Logo seu humor voltou à tona como a Hanji deve ser. E seguimos até a sala de estar vendo Mike colocar o último prato sobre a mesa.

— Ok pessoal, podem atacar! – Mike anunciou.

~*~

Eren

Já no meio da ceia de Natal, todos jantavam os pratos italianos diversificados que tinham preparado. Todos espalhados por toda a casa, uns comiam sentados no sofá, outros lá fora no quintal, outros na sala de TV. E a mesa da sala de jantar ficou reservada para apenas oito pessoas. Obviamente o aniversariante, no centro da mesa, eu, Hanji, Erwin, Mike, Petra, Auruo, Erd, Gunther e por insistência de Hanji, o Jean também, sentou-se perto de mim.

Notei que Hanji bebia um pouco mais do que o normal. Ela não parava de repor sua taça de vinho, e logo mais, ela ainda pedira pra trazer-lhe cerveja. Mesmo sendo “a Hanji”, isso me deixou um pouco preocupado.

— H-Hanji... Não está exagerando na bebida? – Perguntei inocentemente.

— Hã? Nãum... – Ela então sorriu de forma bem mole. – Aww, para com isso, Eren. Já sou adulta, sei muito bem me controlar. – Ela riu.

— Quatro-olhos, também acho que está bebendo demais. – Comentou Levi dando outra garfada em sua comida.

— Oh, não, de você não quero ouvir isso, filho. Eu é que lhe passo sabedoria, não o contrário. – Ela disse e Levi arqueou a sobrancelha.

— Erwin, tire a taça da mão dela. – O baixinho pediu.

Erwin nada respondeu, apenas limpou a boca com um guardanapo e levantou-se da mesa.

— Hanji, venha comigo. Vamos buscar o presente do Levi. – O loiro disse na maior naturalidade.

— Ah... – Hanji, de forma bem zonza, olhou fixamente Erwin, provavelmente raciocinando o que ele havia dito. – Ah, sim! Vamos. – Ela, então, largou a bebida sobre a mesa e seguiu Erwin para fora da sala. Levi e eu os olhamos interrogativos.

— Mike, o que deu na quatro-olhos? – Perguntou Levi.

— Hum... Eu não sei. – Respondeu com a boca cheia.

— Hanji não é de beber assim, acha que ela está triste com algo? – Perguntei.

— Hum... Não sei. – Respondeu ainda de boca cheia.

— Mike... você é um inútil. – Levi disse.

Depois de alguns minutos, Hanji e Erwin voltaram com uma caixa enorme e aparentemente pesada em mãos. Estava embrulhada num papel de embrulho vermelho bem forte e com um laço verde amarrado em cima. Todos da mesa ficaram prestando atenção naquilo. Já logo arregalei os olhos.

Aquele ali seria o presente deles?

— Aqui, feliz aniversário, Levi! – Eles colocaram o pacote no chão.

— Essa coisa vai explodir? – Perguntou o baixinho, desconfiado, sem sair da mesa.

— Não, seu bobo, agora é sério! Não é uma pegadinha. – Dizia Hanji.

— Abra. — Insistiu Erwin. – Esse presente é meu, da Hanji e do Mike. Pra você.

— Hum... – Levi arqueou a sobrancelha, mas, levantou-se da mesa na hora pra ir ver o que era. Rasgou o embrulho da enorme caixa, deixando visível uma parte de uma palavra escrita na embalagem. Parecia algum aparelho doméstico. – Isso é...?

Assim que ele abriu tudo, vi os olhos do Levi brilharem na mesma hora ao fitar a imagem do produto. Ele não sorriu, mas uma expressão de espanto e felicidade ficaram muito evidentes em sua reação, pelo que notei.

— Oh...! Um... Um vaporjet. – Ele olhava a caixa com o maior fascínio. Virava a caixa para todos os lados, procurando algum lugar onde pudesse abri-la.

— Que coisa é essa? – Jean, ao meu lado, perguntou baixinho, também curioso sobre o presente.

— Sei lá... – Respondi.

— Sim, é a versão com a mais alta tecnologia de ponta. – Erwin explicava. – Tem um jato forte o bastante para tirar até as sujeiras encardidas há anos numa parede.

— Meu Deus... Dá pra lavar azulejos, concreto, vidros, os canos, os tapetes, o carro e até a louça com isso aqui. Essa máquina supera todos os equipamentos de limpeza que tenho! – Levi se empolgara. Assim que ele disse isso, deixei meu garfo cair sobre o prato.

Logo... Olhei novamente a camisa preta que Levi usava e voltei o olhar para o tal vaporjet. Eram coisas incomparáveis.

— Puxa... Eu sabia que não daria o melhor presente, mas... – Comentava comigo mesmo, mas no fundo eu me dirigia a Jean, que ficou prestando atenção na minha fala. – Isso fez a minha camiseta parecer... uma bostinha.

— Deu uma camiseta pro seu príncipe? No aniversário dele? Hunf, você realmente não manja nada de relacionamentos. – Disse Jean, tirando um sarro.

— Mas... Eu que fiz. É essa que ele tá usando agora. – Apontei.

— Hum... – Jean analisou a camisa no corpo de Levi. – É, não é mal, mas... ele parece gostar mais de coisas de limpeza. – Jean observou.

— Não me diga! Eu sei, mas... – Continuei falando em sussurro. – Eu não tenho tanto dinheiro pra comprar uma coisa dessas...

— Tanto faz... Uma camiseta foi um presente bem de pobre, sabia? – Jean continuava a tirar sarro. Dei um alto suspiro, lastimando por não ser o meu melhor amigo a estar sentado ao meu lado no lugar do Jean.

— Hunf! É... ninguém substitui o Armin. Ele sim é o melhor ouvinte que tenho...

— Hehe, eu tô só pegando no seu pé porque eu gosto de te ver irritado, Eren. – Disse Jean. E eu continuei a olhar a expressão de felicidade (sem sorriso, mas felicidade) na cara do Levi enquanto tirava as peças do vaporjet da caixa. – Tá... Vou dizer isso só porque fiquei com pena de você agora... – Jean começou.

— Hã?

— Se eu fosse o Armin, eu diria: “Cara, não dê tanta importância pra reação que ele teve dessa coisa agora. E daí se é uma máquina de vapor de última geração que limpa qualquer coisa? Você dá a sua bunda pra ele, e aí? Algum deles deu isso para o senhor Levi? Eu acho que não!”

Fiquei com as bochechas vermelhas imediatamente.

— O Armin nunca diria isso!

— Argh, eu sei. Não sou tão delicado como ele. Mas o que eu disse faz sentido, não? – Jean fez uma expressão de esperteza. Apenas franzi o cenho e continuei meu jantar, agora um pouco mais envergonhado.

Notas finais
Oi, você que leu. Chegou vivo aqui em baixo? Bem, o próximo capitulo postarei amanhã (espero que eu consiga =3=/) Vou tentar dar uma encurtada na estória tbm pra fanfic não ficar muito longa, pq nee, já tem mais de 30 caps pqp, não foi o planejado quando comecei a escreve-la, mas, ideias e ideias vieram surgindo =w=/ (Fora que escrevo detalhe demais, desculpinha por isso tbm, até corrigi isso nuns capitulos anteriores) Bem, beijinhos e até mais ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.