Reencarnação

29 Sim, sou Levissexual!


Notas iniciais
Oie, pessoal! Bem, respondi em alguns comentários que eu iria postar hoje. Bem, como eu esperei, só consegui agora, depois da meia-noite. E olha que eu tive duas chances de postar antes da meia noite o/ (hehe, e´q eu hoje mudou o horário de verão aqui na minha região, tivemos que atrasar os relógios xD) Mas bem, consegui postar mais rápido do que os anterios, então. Boa leitura pessoal ♥

Levi

Esse pirralho era mesmo inacreditável. Era só eu desviar o olhar por um momento e quanto volto, ali está ele, caído no meio das pernas da Mikasa. Mas como sei me controlar bem, não perdi a compostura. Não podia esquecer que ainda estava cantando para um público.

Apesar de ser a última música, não quis esperar terminar pra dar um jeito na pouca vergonha. Sem parar minha performance, andei em passos pesados até onde os dois estavam caídos e parei ali apenas lançando um olhar desgostoso para a cena. Assim que notaram, Eren rapidamente se levantou tentando ao máximo disfarçar, enquanto Mikasa levantava-se com mais calma.

– Ahh!! E-eu só caí! – Não ouvi muito bem sua voz dizendo, deduzi sua fala por leitura labial. Mikasa, agora em pé, deu uma ajeitada nas próprias roupas, agindo meio que se nada houvesse acontecido. Hunf, espertinha.

Não parando de cantar em nenhum momento, agachei na beirada do palco, agarrei Eren pela camisa e vim o puxando para cima, isso com apenas uma das mãos e sem muita delicadeza. Era até uma cena irônica eu salvar meu namorado assim no meio de uma apresentação e sem perder a linha... Espere...! Eu disse “namorado”...?

– Levi!! Espera! O que está fazendo?! – O garoto questionou.

– Ei! – Mikasa tentou segurar as mãos dele, mas eu fui mais rápido. Arrastei Eren para o palco quase até os pés de Hanji. Assim, estendi minha mão e o ajudei a ficar em pé, tudo sem parar o ritmo da música. O próprio garoto ficou meio sem ações depois disso.

“I don't need to try to control you / Look into my eyes and I'll own you / With them moves like Jagger / I've got the moves like Jagger / I've got the moves like Jagger[...]” – Segurando sua mão, puxei Eren para mais perto de mim até que eu pudesse lançar um olhar rivalesco para Mikasa por cima de seu ombro.

O que achei estranho foi o garoto subitamente se afastar de mim e olhar cismado para a plateia. Parece ter ficado embaraçado diante da minha atitude, mas a culpa não era minha se ele é quem estava sendo o tapado e deixando a outra fazer o que quisesse... de novo! Aproximei-me novamente, segurei sua mão e o trouxe para o meio do palco, enquanto cantava olhando fundo em seus olhos. Queria que ele desse uma participada disso, mas ele parecia nervoso, suava mais do que eu e não parava de olhar para o público com medo. Arqueei a sobrancelha diante da reação, não era o normal dele. Por que estava tão nervoso assim? Normalmente, quando se tratava de música, ainda mais sendo “Moves Like Jagger” ele era muito mais animado do que eu.

– Le-Levi... não... – Ele balançava a cabeça negativamente. Parece que ele não queria chamar atenção de forma alguma.

Eu não podia dizer nada a ele agora... Então resolvi apenas deixá-lo descer do palco para que se sentisse mais confortável, mas numa parte da plateia longe da Mikasa. Tiraria satisfação dessa história depois, pois agora eu precisava me concentrar. Era a última música e eu fecharia com chave de ouro! Então, quase em cima da hora, resolvi já chamar a pequena que interpretaria a parte da Christina Aguilera. Fiz um sinal de mão para Petra se aproximar. Por mais tímida que ela estivesse, deixou o equipamento de iluminação de lado e veio até mim.

Ela estava envergonhada, por isso ficou mais para o meu lado. Assim que passei o microfone a ela, demorou um pouquinho por conta do nervosismo, mas logo ela soltou sua voz e cantou sua parte.

– “You wanna know how to make me smile / Take control, own me just for the night[...]” – Petra foi indo bem fazendo sua pequena participação no show. Confesso ficar impressionado ao ouvir sua voz pelo amplificador, era incrivelmente potente e afinada. Ela acabou por chamar atenção de vários marmanjos que viam o show. Eu fui incentivando-a, batendo o pé e mostrando que ela estava indo bem. O que eu queria originalmente era que ela cantasse mais umas duas ou três músicas em dueto comigo, pois ela cantava bem. Mas como ainda era muito tímida para tal, ela deu uma recusada de primeira, mas convenci-a a apenas cantar esse pequeno trecho e ela topou.

Aproveitando minha pequena pausa, voltei rapidamente minha atenção para Eren, que observava a ruiva com a respiração levemente descompassada. Perguntei apenas movendo os lábios:

“Está tudo bem?”

Ele assentiu e abriu seu sorriso novamente.

Mas ainda estranhava... Por que ele ficou tão nervoso aqui no palco? Será que ele tem medo de ser o centro das atenções? Ele não era assim... Bem... Mas eu não podia pensar nisso agora. Fui correndo até Petra e, no mesmo microfone, terminamos juntos de cantar a música do Maroon 5. Ela pareceu ter se soltado mais agora.

Eren

Eu respirei fundo agora pra tentar me acalmar. Meu coração batia a mil e sentia um frio em minha barriga. Caramba, eu fiquei tão sem saber o que fazer quando Levi me puxou pra cima do palco... na hora só conseguia pensar em não dar nenhum indício que sou gay aqui pro pessoal da escola. Acabei perdendo a chance de curtir um pouco um momento de descontração incomum entre Levi e eu. Mas o medo de ser zombado foi maior no momento. Eu nem pude prestar tanta atenção na aparição inusitada da Petra no meio da música. Creio que sua participação era uma pequena surpresa pra fechar o show.

Agora, ela e Levi finalizavam a música em dueto. Dado a batida final de Mike, todos novamente aplaudiram, gritaram, assobiaram e estranhamente alguém até jogou um sutiã para o Levi. Este o pegou por reflexo, mas logo arqueou a sobrancelha. Eu mais ri do que fiquei com ciúme na hora.

– E aí pessoal!!! Curtiram No Name esta noite?! – Hanji roubou o microfone e logo chamou a atenção da plateia toda para si. Todos a respondiam em coro. Mike rapidamente estendeu uma garrafinha de água para Levi, que aceitou na hora e aproveitou do discurso de Hanji para sentar-se e descansar um pouco. Realmente deve ter sido bastante exaustivo para ele ser o centro das atenções durante tantas músicas que cantou. Ele jogava os cabelos pra trás, deixando bem visível as gotículas de suor pingarem.

– Eren! – Levi me chamou e fez um sinal com o dedo para que eu me aproximasse.

Não sei por que, mas eu fiquei corado. Acho que de vergonha pela forma como agi antes. E também, claro, por ter caído em cima da Mikasa naquela posição sugestiva... Ele deve com certeza não devia estar muito contente com isso. Timidamente, subi no palco e engatinhei até ele.

– Levi... er... F-foi incrível...! O show foi perfeito! Estou bobo até agora... – Agora com o som da bateria e da guitarra em silêncio, apenas a voz de Hanji falando, me possibilitou de falar em sussurros com o baixinho. Logo já tentei não falar da Mikasa. Ele se encontrava bem ofegante e suado, até abria os botões de sua camisa.

– Hunf... Que bom. Mike errou o tempo algumas vezes e Hanji enroscou no fio do pedal uma hora, você viu?

– É mesmo? – Eu ri. – Eu não percebi... Estava distraído demais te olhando...

– Hum... – Levi pendeu a cabeça de lado e passou a mão em meus cabelos de novo. – Chamei sua atenção, foi...?

– Ehe, acho que chamou atenção de todo mundo, Levi...

– Hum... é... – Ele deu um gole em sua água. – O vocalista sempre chama mais atenção.

– É...

– Mas...Está tudo bem com você agora? – Ele perguntou mais sério. – Você estava meio estranho quando te trouxe para o palco. Não sabia que tinha medo de público...

– Não! Er... não tenho... não é isso... – Desviei o olhar para o piso. – É que eu não queria dar pinta...

– É o quê? – Ele arqueou a sobrancelha.

– Não, nada. Nada! – Resolvi não falar desse problema com o Levi. Afinal, era só ignorar zombarias homofobias alheias, não era algo que ele precisava ficar sabendo.

– Tá... só mais uma coisa... – Ele então deu um tapão em minha cabeça. E foi razoavelmente forte!

– Ai, ai! O que foi isso?!

– Se der outro mole pra Mikasa de novo, vai levar uma pior do que esta!

– F-foi um acidente! Juro!

– E conseguiu cair certinho com o rosto bem no meio das pernas dela? Você é inacreditável... – Ele massageava as têmporas.

– Hehe... Não precisa ficar com ciúme assim... – Disse achando graça do seu jeito.

– Não estou com ciúme, só estou impressionado com os desastres que acontece com você. Trate de evitar isso!

– Tá bem...!

– Levi!! – Hanji chamou nossa atenção estendendo a mão. – Venha! Vamos nos despedir dos alunos juntos. – Levi então, soltou um último suspiro antes de se por em pé.

– Ouça, vá indo na frente. Daqui a pouco falo mais com você. – Ele disse e então foi até Hanji e Mike e todos juntos se curvaram em agradecimento ao público. As garotas novamente gritaram pelo Levi, tanto as alunas mais novas como as veteranas. Todas definitivamente caíram de amores por ele. Mas a culpa é do próprio Levi... ele era muito atraente. Cantando então... estava pedindo para se apaixonarem por ele. Fiz bico ao ouvir algumas coisas...

– Levi!!! Posso tirar uma foto com você?!

– Ahh, eu também quero!!

– Eu quero tirar com os três!!

– Eu também quero foto!!

– Depois é a minha vez!

De repente essas garotas começaram a subir no palco e rodear os três com câmera em mãos. Em meio à aglomeração, resolvi me afastar um pouco e olhar aquilo abismado. Levi, mesmo cansado, aceitou tirar as fotos. Aí, eu parei e fiquei só de olho...

– Ei!! Sem abuso!! – Gritei de longe ao ver uma das meninas passando a mão onde não deveria. Levi riu de canto para mim depois dessa.

– Eren! – Agora, Mikasa reapareceu diante de mim. – Vamos indo, depois você fala com ele. – Dei uma última olhada nas pessoas aglomeradas e vi que realmente agora não daria para falar qualquer coisa com Levi, Hanji ou Mike. As pessoas formaram uma enorme muralha em torno deles.

– É, vamos. – Resolvi descer do palco e seguir Mikasa enquanto o esperava.

Caminhamos até Jean e Marco, que conversavam entre si no canto da sala, próximos à saída.

– Ah, que bom que voltaram vivos, achamos que tínhamos perdido vocês. – Brincou Marco.

– Como assim? Não viu o cabeção aqui ser arrastado pra cima do palco? Ele tava lá na frente. Hahahaha! Aliás, aquela cena foi hilária! – Jean comentou.

– Obrigado, cara de cavalo. – Revirei os olhos ironicamente.

– Nossa, foi coincidência? Ele escolheu logo você! – Marco novamente falava impressionado.

– Marco, o vocalista é o responsável dele, você não sabia? – Esclareceu Jean.

– O quê? Jura?! Nossa, não sabia, ele parece ser um estudante...

– Pois é, hehehe... Levi é meu responsável.

– É basicamente o pai dele. – Mikasa disse.

– Mikasa... – Revirei os olhos novamente.

– Bem, não importa... – Jean deu uma olhada em volta, antes de continuar. – E onde está o Armin? Quase não o vi hoje...

– É, sim, ele sumiu já faz um tempo. – Comentou Marco.

– Er... Eu não sei onde ele está... Ele saiu da nossa sala de repente sem falar nada. – Expliquei.

– Vamos procurá-lo então, Eren. – Mikasa já foi logo me puxando para o corredor.

– Tá, não precisa me puxar... – Murmurei.

– Ei, espere, nós vamos também! – Jean e Marco vieram atrás de nós.

Enquanto saíamos, eu dei uma última olhada no Levi, que continuava em cima do palco dando atenção a alguns alunos. A sala agora se encontrava mais vazia e silenciosa... exceto pela voz animada de Hanji ecoando até o corredor. Os três ainda tiravam fotos com quem fosse pedindo. Bem, acho que eu podia dar uma saidinha rápida sem avisá-lo, depois nos encontraríamos de novo... Devido à minha distração, não olhei por onde andava e acabei encaixando meu pé no calcanhar de alguém, passando-lhe uma rasteira sem querer. A pessoa caiu no chão meio que trombando em outras, pois o corredor estava cheio.

Eu só consegui olhar abismado quando vi as costas da camisa dele. Era o capitão do time de futebol do terceiro ano, Chad. Ele, mesmo caído se virou para mim com um olhar nada bom. Os próprios colegas de time dele riam da situação e as outras que caíram deram uma reclamada. Eu tentei dar meia volta e disfarçar, colocando as mãos no bolso e saindo de fininho... O corredor estava cheio, acho que ele poderia acreditar que não fui eu quem o derrubou.

– Jaeger!! – Tarde demais. – Seu viadinho do caralho! Não olha por onde anda não?! Olha o que você fez!

Foi aí que vi que sua camisa ficara toda suja de sorvete, bem na área do peito. Acredito que ele andava com um pote em mãos e o derrubara em si mesmo durante a queda. Droga... Isso não podia ficar pior. Mikasa, Jean e Marco logo retornaram para o meu lado pra ver o que estava havendo.

– F-foi mal, é que eu estava distraído... – Falei sinceramente.

– Hunf! Distraído?! – Ele chegou de forma intimidadora até mim, agarrou a gola da minha camisa e me prensou contra a parede. – Olha o que a sua distração fez com a minha camisa! Ainda tínhamos mais um jogo hoje e estou sem uniforme reserva! O que você tava olhando, posso saber? – Logo Chad se virou para a direção que antes eu fitava, dentro do salão do palco menor. – Afe... Cê tá brincando... Tava babando no vocalista da banda que tocou aqui? Hahahahahaha! – Ele e algumas pessoas que estavam no corredor, incluindo meninas, riram ou ficaram cochichando coisas entre si. Eu logo fiquei sem graça.

– Ah, por isso que ele ficou daquele jeito quando subiu no palco... – Comentou uma garota ao lado. É, parece que, ao tentar não dar pinta lá na hora, acabei foi dando mais pinta ainda...

Mikasa, que se mantinha na compostura até agora, começava a estralar os dedos e arregaçar as mangas. Provavelmente ela causaria algum estrago ali se ninguém impedisse. Então eu simplesmente fiz sinal para que ela se acalmar e me deixar cuidar disto sozinho. Estava farto de ter que contar com a Mikasa para me livrar desses caras, eu sou homem, devia conseguir fazer alguma coisa.

– Marco... – Chamei-o de canto. – Vá indo procurar o Armin na frente... Leve Mikasa com você. – Falei com o máximo de calma que pude, sem tirar os olhos do capitão. Marco então assentiu e rapidamente entendeu o que eu pretendia.

– Mas, Eren... – Mikasa olhava com preocupação para mim.

– Vamos, Mikasa. Confie nele. – Marco então puxou segurou a mão dela e foi puxando-a para longe do aglomerado que agora se formara em torno de nós. Realmente adolescente adora uma confusão. Apesar de receosa, ela se deixou levar pelo Marco. Jean continuou no lugar, de braços cruzados, olhando feio para o capitão que ainda segurava-me com força contra a parede. Eu estava quase na ponta dos pés, além de nervoso e prestes a dizer coisas que preferia que Mikasa não ouvisse.

– Há, resolveu querer virar homem e enfrentar seus problemas sem a valentoninha? Muito bem, Jaeger. – Ele já fechara o punho, pronto para me acertar um golpe. Mas fui rápido, fiz um movimento que aprendi com Levi para me livrar das mãos dele e logo desviei para a área mais vazia do corredor. Ali parei e fiquei o esperando...

– Ora, ora, então a bichinha aprendeu a lutar. – Chad era alto, quase da altura de Bertholdt. Ele veio até mim na intenção de lutar, mas eu logo estendi as mãos.

– Espera! Eu não quero brigar! – Até porque, acho que não ganharia dele sozinho.

– Devia ter pensado antes de me fazer cair que nem um idiota aqui, na frente da minha namorada. – Ele apontou uma loira que estava junto de mais duas meninas e com os caras do time. Que aliás, estava com um decote tão cavado que chamou minha atenção... Foi aí que eu percebi algo...

– Ah... Você só está querendo se mostrar para a sua namorada... – Murmurei.

– É o quê? – Chad mirou um soco em mim, mas desviei. Ele era mais lento do que o Levi ou a Annie.

– Hum, acho que entendo agora... – Eu fui meio que refletindo no durante. – Vocês implicam comigo e com o Jean, pois tem medo que a gente dê em cima de vocês?

– Eren, não põe meu nome no meio! – Reclamou Jean.

– Está doido?! Sai fora, raça ruim! – O valentão então chegou mais rápido e me empurrou para o chão, fazendo-me cair sentado. – Vocês não deviam existir. Afe, sério, não sei como é que podem preferir uma pica a uma pepeca. Vocês devem ser muito burros mesmo... – Agora ele abaixava o nível do vocabulário. – Gosta tanto disso, é? Então vem aqui e chupa!

Os amigos dele riam de suas piadas, por mais baixas que fossem. Eles não tinham medo do diretor Pixis aparecer não? Oh, claro que não... Eles são veteranos, não iam mais estudar aqui ano que vem, por isso estavam abusando da sorte.

Assim, vagarosamente me pus em pé. Minha outra preocupação não era apenas com o diretor Pixis, mas também do Levi aparecer aqui e ver essa pequena confusão. Era uma coisa que eu não queria, então tinha que finalizar rápido.

– Ué, Jaeger, por que não assume logo sua viadagem aqui, na frente de todo mundo? Você e o Kirschitein!

– Já falei pra não pôr meu nome no meio! – Jean reclamara de novo.

– Tsc... – Apertei os punhos. Confesso que eu estava tremendo de falar algo do tipo, pois de tanto ouvir falar que o correto era um homem ficar com uma mulher, criei receio de que estivesse cometendo um crime. Mas não dava para evitar... Eu sentia sim atração por um homem. Sentia de verdade! E ainda por cima um homem muito mais velho do que eu. E isso com certeza era inaceitável na sociedade... Lembro dos dias anteriores... Não só desses caras do time de futebol, mas lembro das expressões de vários outros alunos, meninos e meninas, alunos e não alunos, que olhavam para mim e para o Jean de forma enojada e cochichando pra todo mundo a respeito do nosso beijo acidental na escada. Eu já estava farto de ver tanta gente olhando assim pra mim, com esse olhar enojado. Quase não tinha gay aqui nesta escola, ou se tivesse, ele não se pronunciava por medo desse bullying. O único jeito de calar-lhes era dizer o que Hanji havia me dito pra falar antes. Respirei fundo antes de continuar... – É...

– O quê? Então você confessa que gosta de dar a bunda para um bombado de academia?! Diga mais alto! – Eles continuavam a rir. Jean olhava puto para eles.

– Er... N-não necessariamente... Mas se quer sua resposta... Sim! Eu sou gay! – Falei com firmeza, tremendo, mas com firmeza. – E-eu gosto de homem!! Eu gosto daquele vocalista que cantou ali na banda! Nunca fiquei com nenhuma garota durante a minha vida toda! – Agora fui dizendo tudo. Já estava querendo falar isso há muito tempo e agora deu a chance, então não a perderia. – E é bom todo mundo aqui já ficar sabendo! – Olhei um por um das pessoas que estavam no corredor e pararam para assistir a confusão. – Não sei quanto ao Jean, mas sobre mim, pode ter certeza. Sou gay mesmo! E agora... eu tô começando a achar que vocês só implicam com isso por medo de eu dar em cima de você e vos fazer gostarem da coisa também.

– Uhhhhh. Essa doeu, hein, Chad! – Agora Jean também incentivava minha fala. Os caras pareceram ficar sem resposta depois desta.

– Er... Tá fumando erva? N-nada a ver o que você está falando... – Replicou um dos outros jogadores.

– Tudo a ver! – Continuei. – É... olha vocês aí, pagando de machões para as garotas. E como fazem isso? Subjugando um homossexual e tentando dar ênfase no quanto são héteros. É uma excelente maneira de mostrar o quanto é macho! – Eu falava agora o que vinha na telha e tudo com bastante ironia, algumas pessoas já começavam a rir dessas minhas “patadas”. Eu logo me aproximei, já quase peitando Chad. – Pra vocês, a ideia do cara másculo é aquele que não tem medo de nada. Então... Se é tão másculo assim, quero ver você dar pra mim então.

– Ficou doido, Jaeger, sai fora!

– Nada a ver o que você tá falando...

– Exatamente... Vocês todos tem medo de fazer isso, né? Então acho bom parar de subjugar um gay assim. Vocês não tem a coragem que a gente tem! Porque... um cara tem que ser muito macho mesmo... pra dar a bunda pra outro e ainda ter coragem de assumir pra todo mundo. E no caso... vocês não são. Não estão sendo másculos, estão sendo babacas! – Fiz um olhar mais insano antes de dar meia volta e retornar ao lado de Jean. – Anda, vamos atrás da Mikasa e do Marco. – Falei e Jean apenas olhou-me boquiaberto.

Assim que dei minha frase final, vários dos que estavam ao redor começaram a gritar, assobiar e até aplaudir. Juro que até me assustei, não esperava uma reação dessas, até porque... tudo o que eu falei foi meio que inadequado. Os caras do time e outras pessoas que antes zoaram agora olhavam-me enfurecidos, mas com um ar derrotado. O capitão Chad, logo apontou para mim com olhar mais insano ainda.

– Jaeger, agora você pediu, se eu te encontrar sozinho na rua...

– Você vai fazer o quê, rapaz? – Levi surgiu de repente ao meu lado com os braços cruzados e uma expressão nada amigável.

– Ué... Você... Conhece o vocalista da banda? – Perguntou a namorada de Chad, dando uma olhada meio abusiva para ele.

– Sou o namorado dele. – Levi disse... Isso fez geral ficar em silêncio. Eu o olhei abismado... Aliás, nem tive qualquer reação na hora. E pelo que notei, todo o corredor ficou na mesma também.

– O que você disse...? – Chad perguntou desacreditado.

Levi deu uma pequena vacilada, mordendo o lábio, mas logo repetiu.

– Eu disse... sou o namorado deste imbecil! – Disse apontando para mim.

– Levi... – Senti novamente meu coração acelerar e lágrimas cismarem de descer, mas segurei ao máximo. Não queria chorar agora, não depois de toda a verba que falei, ia perder toda a minha pose. Mas reações diversas aconteceram no meu corpo, meu rosto se avermelhara, minha mente ficou em branco...

– Acho bom você nem se atrever a fazer qualquer coisa ao Eren... – Levi então levou sua mão de forma lenta até a minha, entrelaçando nossos dedos timidamente, mas com firmeza. – ...ou então serei obrigado a fazer coisas que me levariam à cadeia. – Ele falava em seu tom normal, mas mesmo assim era medonho. – Não é uma ameaça, é só um conselho.

Dito isso, Levi deu meia volta e foi me puxando pela mão pra longe desse pessoal. Jean dera uma última olhada para Chad e mostrou “o” dedo para todos os caras do time antes de nos seguir, ele pareceu bastante impressionado comigo. Levi deu de ombros para tudo e para todos e seguiu caminho até a sala do palco menor, sem se importar com olhares sobre nós. Apertava minha mão com mais força. Confesso que eu ainda estava abobado com tudo o que eu acabara de dizer e com o que o Levi disse.

~*~

Jean

Confesso que estava ainda besta com o Eren. Eu não esperava que ele tomasse alguma atitude contra Chad, Bruce, Tyler e todo o restante do time. Muito menos que fosse assumir que era viado assim... Mas a vida é uma caixa de surpresas.

Agora, ainda por cima, estava andando pelos corredores do colégio de mãos dadas com o responsável baixinho dele, sem se preocupar de estar sendo visto ou não. Ele realmente foi bem corajoso de se assumir assim... Ainda mais aqui.

Eu estava junto deles, indo ao encontro de Marco e Mikasa, que por sua vez estavam atrás de Armin. Marco me enviara uma mensagem pelo celular dizendo que estavam na última sala do terceiro andar, então para lá íamos. Enquanto isso eu observava discretamente os dois pombinhos ao meu lado. Eren estava com uma expressão leve, sorria para Levi de uma forma que eu nunca havia visto antes. Parecia até outra pessoa.

Ao redor, pessoas cochichavam coisas ao vê-los e fitar suas mãos com os dedos entrelaçados. Eu sinceramente não sabia o que achar disso tudo. Só que... ter que olhar esses dois assim do meu lado fazendo tanta gayzisse assim dava vontade de me jogar pela janela. Dava pra sentir os caraçõzinhos voando até mim. Eren ficava falando umas coisas um tanto “cabulosas” para o Levi, que apenas assentia sem mudar muito a expressão.

Desviei o olhar para o meu reflexo das janelas do corredor, pensando várias coisas. Admito que tudo que Eren disse para o Chad mexeu um pouco comigo, só não entendo bem como. Embora Marco viva falando que não, mas eu sei que sou “hétero”. Mulheres me atraem, isso é um fato! Sempre foi assim. Bem... era. Ultimamente... na verdade desde o meu beijo acidental com o imbecil do Jaeger, eu meio que me senti estranho. Achei que não era nada, mas conforme os dias iam se passando, comecei a olhar alguns outros rapazes... inclusive o próprio Eren... a ponto de sentir um pouco de tesão pelo mesmo...

Ok, depois desse pensamento, acho que não sou tão hétero assim...! Mas talvez bi... Afinal, sempre que Mikasa reaparecia, meus olhos voltavam para ela novamente. Só que mesmo em relação a ela, eu já começava a perder um pouco daquele tesão que eu tinha antes, pois havia uma coisa que ela não demonstrava muito e que eu admirava demais numa pessoa: delicadeza. Mikasa até podia ser delicada à sua maneira, mas depois de vê-la no muay thai, sem camisa, com aquele tanquinho e a forma como derrubava fácil um homem, me fez perder um pouco da “magia” que eu sentia por ela, pois parecia meio bruta. Mas não deixou de ser atraente aos meus olhos.

Entretanto, surgiu uma outra pessoa que me fascinara de uma forma que eu ainda não conseguia acreditar. Afinal, não era lá grande coisa... e ao mesmo tempo era. Mas eu comecei a prestar mais atenção nessa pessoa depois de ela ter vindo me defender de Chad e dos caras do futebol, mesmo sabendo que não teria chance alguma numa briga. Então, depois disso, comecei a observá-lo de longe, tentando entender porque me chamara atenção assim. E foi aí que eu percebi que é por ele ter aquela delicadeza que me atraía; fora o jeito um tanto descoordenado para fazer as coisas... e como era inteligente e gentil. A partir daí fui descobrindo várias qualidades dele... Mas eu logo me bloqueei. Preferi tentar não alimentar isso, pois havia momentos que ele me parecia ser assexual. Nunca o vi demonstrar afeto romântico por ninguém, ou pelo menos, não percebi. Só sei que a bronca que eu tinha com o Eren aumentou de ver como eles eram íntimos. Hunf...

– Jean? – Eren chamara minha atenção. – Ei, tô te chamando faz tempo. Tá viajando?

– Hunf. Mais ou menos...

– Não tá pensando em bater no capitão soberano não, né?

– Não é uma má ideia, ele já bateu em mim. Por que não retribuir o favor...? – Argumentei.

– Garoto, melhor não se envolver mais com aquele rapaz. A menos que ele venha comprar briga contigo. – Levi aconselhou.

– Eu sei, não vou fazer nada.

– Acho bom... É um conselho de um adulto já bem vivido. Sua mãe não iria gostar de ver o filho machucado por causa de uma bobeira. – O baixinho completou.

– Entendi... – Revirei os olhos. Ele falava mesmo como um adulto responsável, o que contradizia totalmente com sua aparência, pois ele parecia ser um punk doido e medonho, com esse penteado. Assim que chegamos à última escada antes do final do corredor, ele parou de andar.

– Eren, vou descendo na frente. Não demore muito, eu te esperarei lá no carro.

– Tá bem! – Foi meio inacreditável para mim ver essa cena, mas Eren inclinou-se e deu um selinho em Levi antes de se separarem. Fiquei meio... sem jeito diante disso. Me senti a terceira pessoa maldita que fica de vela numa saída em trio. Assim, Levi desceu as escadas enquanto eu e Eren seguimos no corredor. – Ei, o que foi? Tá fazendo uma cara estranha...

– Hã? Nah... Não é nada. Eu só... não precisava ter visto essa ceninha deprimente...

– Hunf... Já nos beijamos antes, acho que não há nada mais deprimente do que isso. – Eren agora parecia falar dessas coisas com mais liberdade do que antes. Nem gaguejava ou ficava encabulado de falar do nosso acidente. Que, por acaso, aconteceu duas vezes!

– Hunf. Idiota... Pior que eu concordo.

– Jean, me fala uma coisa... – Eren coçou a bochecha antes de continuar. – Você é gay mesmo também?

– Argh! Ahh, Er... Eh...?! – Dei uma engasgada. Acho que isso não foi um bom começo de resposta. – C-claro que não! – Pois é, no fundo eu ainda estava confuso sobre a resposta, sinceramente. Mas preferia optar por “hétero”, pois era mais aceitável.

– Então você é hétero.

– Sim!

– Completamente hétero?

– Aham.

– Não sente absolutamente nada se eu fizer isso... – Repentinamente ele passou a mão em mim. Eu logo a afastei e agarrei sua camisa, bem irritado agora.

– Que ideia foi essa? Já quer virar putinha agora e sair dando em cima de todo mundo? Você já tem um namorado bem carrancudo na cola.

– Relaxa...! Eu só queria te ver admitir.

– Admitir o quê?! Acabei de falar! Você não me vê dando em cima da Mikasa o tempo todo? – Falei indignado.

– Hunf... Você é muito estranho cara. Você gosta da Mikasa, mas fica meio desordenado perto de mim, que eu já notei. Fora que você anda grudado demais no Marco, às vezes eu acho isso suspeito. Além de eu já ter visto você olhar de forma estranha para o Armin... – Quando ele disse “Armin”, senti meu coração dar uma pontada.

– Hein?!

– Então, hoje eu peguei pra desabafar tudo, então agora eu só queria saber... Qual é a sua, ô, cara de cavalo?

– “Qual é a sua” digo eu. Tá me estranhando? – Continuei a andar bufando até a última sala do corredor, na tentativa de escapar dessa conversa. Mesmo de fora, foi possível ver Mikasa e Marco, no fundo da sala junto à várias outras pessoas, todas fantasiadas.

– Ora, então prove que é hétero! – Eren disse em tom desafiador.

– Você está querendo que eu seja gay só pra você não apanhar sozinho aqui ano que vem, né? – Falei em tom irônico.

– Não necessariamente... Só quero tirar a prova!

– Hunf. Vai me mandar fazer o quê?

– Hum... – Ele olhou para dentro da sala, pensativo. Acreditei por um momento que ele fosse me pedir para ficar com a Mikasa. – Duvido você beijar a Christa agora!

– Christa?! – Arqueei a sobrancelha. – Por que a Christa e não a Mikasa?

– Porque... acho que seria mancada com a Mikasa...

– O quê?!

– Brincadeira! É porque a Christa é mais desafiadora, pois você teria que passar pela Ymir pra chegar a ela. E aí? Tem coragem?

– Isso não prova que sou hétero ou gay.

– Covarde.

– Hein?!

– Covarde! Covarde!! Tem medo da Ymir! – Ele começou a cantarolar que nem uma criança do primário.

– Hunf! Seu grandessíssimo veado... – Olhei dentro da sala e vi que Christa estava conversando com Mikasa e Marco. Parece que aquela sala estava servindo de vestiário para o pessoal do clube de teatro, que tinham acabado de se apresentar na peça da escola. Christa usava um vestido simples, com avental e botinas. Seu cabelo estava preso num rabo frouxo, como de costume. Bem, apesar dos apesares, Christa era uma das garotas mais atraentes da nossa sala e, bem, beijá-la seria um privilégio.

– Aproveita que a Ymir não está olhando. – Eren incentivava apontando a sardenta do outro lado da sala, conversando com um outro grupo de pessoas.

– Sabia que você fica diferente quando está com o Levi? Com ele você fica mansinho igual um cachorrinho. Quando ele sai de cena, você volta a ser um capetinha irritante. Achei isso adorável. – Tirei sarro e ele ficou sem graça.

– C-cala a boca! Não muda de assunto! – Seu rosto ficou bem corado. – Vai aceitar o desafio ou não?

– Argh... Eu vou! Só pra você engolir tudo o que falou, Jaeger!

Assim, entrei na sala, respirando fundo. No final, eu pediria para Christa não contar nada à Ymir, assim eu sairia vivo dessa. Acho que seria uma tarefa mais fácil do que com a Mikasa, pois tenho certeza que a mestiça me bateria muito se eu a beijasse de surpresa, já a Christa não, ela não faria mal nem a uma mosca. Dei passos largos até ela. Até que estava ansioso, eu não beijava uma menina há muito tempo, quem sabe se eu beijar agora eu volte a ser como era antes, sem essas dúvidas estranhas sobre a minha sexualidade.

Assim que a alcancei, segurei seus ombros e virei-a para mim.

– Desculpe, Christa. – E assim selei meus lábios aos dela. Não introduzi língua, mas também não fiquei só no selinho, foi um beijo “na média”. Passei a mão em seu rosto rapidamente, para manter sua boca colada à minha. Ahh... fazia tanto tempo que eu não beijava uma garota... Havia até me esquecido como era. O toque era macio, úmido e principalmente delicado. Tudo na medida certa... Espero que Ymir não arranque meu couro por isso.

– Oh, Jean, o que está fazendo? – A voz da Christa estranhamente veio de trás de mim... Espere. De trás de mim...? Como assim? Fiquei tão entretido no beijo que demorei pra raciocinar. Ué... Então quem eu estava beijando?? Foi aí que abri os olhos e separei-me. Fitando os grandes olhos azuis de Armin, olhando-me abismado e com o rosto bastante vermelho.

– A... A... – Fiquei completamente sem fala.

Não só Armin, como Mikasa, Marco, Chista e Ymir, que estavam em volta, olhavam para mim com os olhos interrogativos. Logo, quem ficou mais corado que todo mundo ali fui eu.

– J-Jean... V-você...? – Armin ainda estava sem ações.

– M-mas... Eren!! – Chamei pelo cabeção.

– Ué... – Ele logo se juntou ao grupo. – Não era a Christa...? Armin, por que está vestido assim?

– E-eu... participei da peça do clube de teatro. – Explicou o loirinho. Enquanto isso, eu me afastei sutilmente dele, à procura de algum lugar onde eu pudesse enfiar minha cara.

– Mas... você está igualzinho a Christa! – Disse Eren.

– É que a peça contava história de duas irmãs gêmeas que foram separadas no nascimento, Christa fez a irmã rica e Armin fez a irmã pobre. – Ymir explicava. – Vou falar, foi um sucesso! Armin convenceu a todos de que era uma garota!

– Y-Ymir, por favor... – Armin mostrava-se encabulado.

– Convenceu até o Jean! Hahahaha – Ela gargalhou e eu lancei-lhe um olhar não muito amigável. – Aliás, Jean... Por acaso você beijou Armin na intenção de beijar a minha Christa?

– Ymir! – A loirinha se envergonhou.

– Ah, nãão!! Eu quis beijar o Armin mesmo! – Essa saiu sem querer, como “resposta-reflexo” para me safar da sardenta medonha, só que acho que acabei piorando.

– O quê? – Agora o loirinho olhava incrédulo para mim. Enquanto isso, Marco só ria.

– Não! Er... Não foi isso que eu quis dizer! É só que... A culpa foi toda do Eren!!

Eren

Finalmente, depois de me despedir dos meus amigos, fui até a saída dos fundos do colégio, junto de Armin. Este ainda estava meio quieto depois do “acidente” de alguns momentos atrás.

– Armin, sério, foi mal. Não sabia que era você, achei que fosse a Christa, então mandei o Jean... – Sim, eu me senti culpado pelo que houve, e agora o silêncio dele estava me preocupando.

– Não. Tudo bem! Não tem problema... Não estou bravo.

– Tem certeza? Você tá meio quieto...

– Estou bem! É que... na verdade eu não queria que ninguém me visse vestido de menina... é meio cabuloso...

– Ué, por que não recusou a atuar na peça, então?

– Porque... eu não consigo dizer não. – Armin apertou os punhos. – Muito menos para a Ymir. Ela me dá medo...

– Ah... E por que não me contou? Sou seu melhor amigo! Podia ter evitado um beijo do Jean!

– É, foi um erro não falar, foi mal. Mas o beijo não foi de todo ruim... – Nessa hora arqueei a sobrancelha.

– Hein?

– Quer dizer...!! Podia ter acontecido coisa pior, não?

– Hum... Talvez. – Notei que Armin estava quieto assim, pois estava era pensativo no que houve. – Ah, você não sabe o que aconteceu! – Logo me lembrei de contar-lhe...

– O quê?

– Sobre o valentão do time de futebol!

– Ah é, Mikasa estava comentando sobre isso comigo! Aliás, você deixou ela bem preocupada.

– Não tem porque se preocupar, eu acabei com ele! – Falei inflando o peito.

– Sério??

Assim, contei ao Armin que me assumi na frente de um monte de gente e que esperava não me arrepender disso mais tarde. Ele ficara impressionado e logo riu imaginando a reação deles. Afinal, realmente não dava pra dar uma resposta à altura depois de tudo o que eu disse. Pelo menos, eu acho que não...

Assim, chegando na saída dos fundos do colégio. Armin avistou deu avô encostado no carro à espera dele.

– Ah, meu vô já está aqui! – Ele olhou preocupado para o relógio.

– Por quê? Já passou das dez. Está atrasado pra alguma coisa, por acaso?

– Pior que sim. Nós dois vamos até a casa de uns parentes agora. A gente vai pescar... – Armin revirou os olhos. – Sabe como é, né? Coisa da minha família. O povo adora uma pescaria em turma.

– Ah, é verdade! – Eu ri. – Então até mais, Armin!

– Tá, tchau! – O loiro acenou e caminhou rapidamente até seu avô. Pude notar um par de varas de pesca no banco de trás do carro. Fiquei por um momento pensando que... deve ser legal uma atividade assim com a família. Uma família legítima...

Chacoalhei a cabeça, espantando sentimentos estranhos que eu sem querer acabava tendo. Eu já tenho uma família! E não tinha do que reclamar. Podia não ser de sangue, mas eram ligados pelo sentimento. E agora... Eu corava só de lembrar... Agora parece que até um namorado eu também tenho agora...

Saindo da escola e caminhando pelo estacionamento a céu aberto, já logo tremi ao sentir o vento de inverno soprar contra mim. Me encolhi todo. Estava ficando mais frio a cada dia, mas até que estava suportável.

Não demorou muito para avistar o carro de Mike. Vi o diretor Pixis acabando de sair dali. Parece que estava conversando com Levi. Suei frio por um momento, achando que eu estava encrencado. Mas não foi nada de mais, ele viera apenas para elogiar a banda e dizer que estava meio escondidinho na plateia, mas que conseguira ver parte do show, para logo depois ir ver a peça do clube de teatro. Claro, como diretor, ele quis ver todas as apresentações que as classes tinham para hoje.

Ao passar por mim, o diretor me cumprimentou e seguiu seu caminho de volta para a escola.

Levi, Hanji e Mike terminavam de guardar os instrumentos e o restante dos equipamentos no porta-malas do carro. Era um modelo SUV, logo, mais espaço para caber tudo sem problemas. Enquanto Petra terminava de se despedir de todos para ir embora com seu próprio carro. Não demorou para os três me notarem.

– Eren, você demorou. O que estava fazendo? – Levi perguntou impaciente.

– Ah, nada, é que ficamos conversando bastante. Hehehe.

– Hum... Entendi...

– Eren, oi! – Petra chegou até mim já me abraçando.

– Ah, Petra! Foi mal, não te vi até a hora que você apareceu pra cantar, aliás, você foi muito bem!

– Aw, obrigada! – Ela sorriu amigavelmente. – Eu também só fui te ver quando Levi te puxou para cima do palco. Hihi, aliás, aquilo foi engraçado. – Novamente fiquei sem graça diante dessa fala.

– É, foi inesperado pra mim também... – Cocei a bochecha.

– Aliás, seu cabelo está meio bagunçado...! – Petra tentou dar uma ajeitadinha. – Oh, está com gel!

– É, acho que vai ficar assim até eu lavá-lo.

– Haha, entendi. Bem, eu tenho que ir agora. – Petra novamente abraçou-me e deu um singelo beijo em meu rosto. – Gostei da sua escola, Eren! Até uma próxima!

– Até...

– Tchau, Levi... Eu fiquei muito nervosa na hora, mas... você estar do meu lado me ajudou. – Petra continuava com aquele sorriso gentil enquanto beijava o rosto de Levi.

– Hum, não foi nada, eu que agradeço por você ter vindo.

Então Petra foi até Hanji e Mike para se despedir deles também antes de seguir caminho até seu próprio carro.

– Bem, pessoal!! Bora!! – Hanji nos chamou de longe. – A carroça já tá montada, é só a gente ir!

– Hanji, não chame meu carro de carroça... – Murmurou Mike. Assim, todos nos acomodamos dentro do veículo. Mike dirigia, obviamente, Hanji ia no banco do passageiro enquanto Levi e eu sentamos atrás, ambos nas janelas.

– Ahh, Eren, sua escola é perfeita! Não sabia que era tão bonita assim, parece uma universidade inglesa lá dentro. – Hanji comentou empolgada.

– Haha, é, eu sei. É bonito mesmo! – Falei empolgado, pois gostei de tê-los em minha escola hoje. O festival ficara mais divertido com a presença deles.

– O pessoal foi bem animado também. Até que gostei de tocar aí. – Completou Mike enquanto dava partida no carro e já manobrava para a saída do estavionamento. – Não é, Levi?

– Hum... é, pode ser... – Levi continuava aquela indiferença de sempre.

– “Pode ser”? Isso não é resposta para o tipo de pergunta que eu fiz.

– Hunf. Tá... Foi bom. – Ele admitiu. – Até que lembrou bastante nosso tempo de colégio.

– Não é? Ah, Eren, você tem colegas de sala bem bacanas! Conversei um pouco com um tal de Thomas Wagner que...

– Hanji, estamos exaustos, nos poupe de suas historinhas. – Levi falava com seu tom cansado. Eu apenas ri e concordei com a fala de Hanji.

– Deixe-a falar, Levi... – Pedi de forma gentil.

– Não. Ela é muito chata...

– Ei!! Eu estou te ouvindo, viu?! – Reclamou Hanji.

– Tsc... Não ligo... – Levi mantinha-se indiferente, observando o caminho lá fora pela janela.

– Huhu – Hanji então fez uma cara bem maldosa. – Então, sabe...? Por acaso ouvi por aí que tem gente na-mo-ran-do...! – Assim que ela disse isso, senti meu rosto todo esquentar e aquela arritmia no coração recomeçar. Fiquei olhando para minhas próprias mãos pra disfarçar meu embaraço.

– Está certa.

– Levi!! – Fiquei surpreso com o quão direto ele foi.

– Não temos nada a esconder deles, Eren... – Levi falava num tom de óbvio. – Afinal, já estava meio subentendido faz tempo. Só faltava alguém falar oficialmente.

– Hum... a-acho que sim. – Sorri que nem bobo. – Er... Então... eu tenho que comprar alianças? – Perguntei de forma inocente. Levi logo se virou para mim com uma cara de quem achou graça.

– Huhu, garoto, isso não é um noivado. – Ele disse, passando de leve os dedos em minha bochecha.

– Ah! F-foi mal...! Foi a primeira coisa que me veio à cabeça. E-eu falei sem querer... – Vi que ele lançava um olhar um tanto... faminto. – Levi...?

Ele passou de leve sua mão em meu cabelo, bem na parte que estava arrepiada e ainda com um pouco de gel. Parecia tentar dar uma arrumada.

– Seu cabelo tá bagunçado assim faz tempo, sabia?

– Ah, é? Mas a culpa não é minha, não me olho no espelho desde que Mikasa arrumou pra mim!

– Hum, não é uma crítica. É só que... ficou meigo. – Sua carícia agora ficara com ar de segundas intenções.

– Meigo...? – Mordi o lábio inferior. Sem dizer mais nada, Levi se arrastou para mais perto de mim, segurando meu rosto e aproximando sua boca da minha até que se tocassem num mero selinho. Desta vez, vendo que ele estava com um olhar bem intencionado, o beijei de volta, mas desta vez fiz durar mais tempo. Vendo que Levi correspondera, fechei os olhos e aproveitei pra sentir novamente a maciez de seus lábios, que aos pouquinhos iam ficando cada vez mais úmidos.

– Eren... Levi...?

Ele então resolveu dar uma intensificada no movimento da boca e deixar o beijo mais molhado ainda. Agora eu ia entrando em transe aos pouquinhos... Ah, o beijo dele é tão bom, ainda mais quando ele fazia devagar assim.

– Hanji, o que eles estão fazendo?!

– Meu Deus! Levi! Estamos no meio da avenida!

Nossas respirações começavam a se alterar, mostrando claramente a ansiedade de ambos. Ele então deu uma pequena separada para continuar beijando-me em outros lugares no rosto até chegar ao ouvido.

– Olha, te perdoo desta vez por conta do discurso que você deu àquele rapaz metido. Isso até que me deixou impressionado... Mas se você der mole pra Mikasa outra vez... Ah, garoto... – Ele deu um beijo próximo ao meu ouvido que fez até um estalo. Isso meio que me deixou arrepiado. — ...Pode esquecer o “sexo”.

– Eh?! – Fiz uma expressão perplexa que logo fora quebrada por outro beijo na boca.

– Esteja... avisado... – Ele falava entre beijos.

– Então... você ainda está bravo...?

– Humm... Agora não mais... – Ele passou um de seus braços pela minha cintura, trazendo-me para mais perto. Eu já estava quase me deitando sobre o banco. Eu fiquei muito em transe, por isso não pensava direito nas ideias racionais. Só conseguia refletir que... aquele cara que cantara da forma mais sexy possível sobre o palco da minha escola e fizera muitas meninas caírem de amores estava ali me beijando de forma sedenta.

Simplesmente larguei mão do último fiozinho de sanidade que me restava e passei meus braços em torno de seu pescoço, aproveitando ao máximo do beijo dele, que agora estava mais molhado do que nunca. Isso era excitante...

– Humm... – Gemi baixinho ao sentir sua língua deslizando ao encontro da minha. Ele não explorava minha boca como antes, bem... pois já conhecia bem a área. Se concentrou mais em sentir a minha língua se movimentando agora com mais experiência contra a dele.

Enquanto isso, suas mãos passeavam pelas laterais do meu corpo e desceram até minhas coxas. Eu sentia meu coração acelerar a cada “avançada” de estímulo que ele dava. Me entreguei completamente. Agora que eu me assumi Levissexual... ops! ...homossexual publicamente junto à declaração de Levi em sermos mesmo namorados... Isso me fez perder medo de ser visto com ele em público assim... Ok, não necessariamente “assim” como estamos agora, mas sermos vistos como um casal...

Enquanto estava com a mente perdida nas carícias do Levi, eu podia ouvir algumas vozes ao longe, mas não prestava atenção no que diziam. Alguma coisa na minha consciência dizia para ouvi-las... Ah, mas os beijos do Levi eram tão bons... Não dava vontade de parar.

– Ei, vocês não estão ouvindo a gente?! Eeei! Levi! Eren!!

– Ô Levi!! Não quero ninguém transando no meu carro! Você entendeu? Hein?? Levi? Eren?! Hanji, me ajuda aqui...

– Heheheh, caramba, é a primeira vez que eu os vejo assim... Não, dá dó de cortar o clima...

– Ahh, não! Não sou obrigado a ver essas coisas... Levi, vou jogar vocês dois no meio da avenida se não pararem agora! Tá de noite, mas dá pra ver, sabia?

– Será que é mancada eu filmar...?

– Hanji, não!

Notas finais
Oieee, chegaram todos vivos? Bem, espero que tenham gostado do nosso festival escolar aqui xD Aconteceram mesmo muitas coisinhas inusitadas ¬w¬ Inclusive esses argumentos do Eren contra o valentão, bem, eu peguei de um amigo meu, na verdade meu onii-chan, que sempre falava "Olha, eu respeito gay pra caralho, pq tem que ser macho pra a bunda pra outro cara! Eu tenho medo de fazer isso!" xD Eu nunca mais esqueci essa frase, e olha que esse meu onii-chan é bem hétero mesmo xD E acho uma boa verba mesmo pra falar à algum imbecil que se acha o machão o/ Bem, mas enfim, era só isso. Espero poder postar o próximo capitulo em menos tempo ainda do que este o/ Até lá então! Beijinhos da Nikki ♥