Reencarnação

32 Natal na casa do Erwin


Notas iniciais
Olaá pessoal! Novamente, desculpe minha demorinha básica pra postar capitulo novo =3= Novamente, estou tentando ao máximo não atrasar tanto. Não vou embromar aqui em cima, vamos deixar isso com o capitulo x3 Ah, leiam as notas finais, coloquei uma surpresinha ali pra vocês o/ ♥

Eren

Eu estava bastante concentrado em meu quarto, deitado no chão, fazendo algumas séries de abdominais, como sempre faço todos os dias desde o meu teste para entrar para o clube de muay thai. Óbvio que eu tentaria novamente ano que vem, assim que as aulas começassem. Eu vencerei a Annie na próxima vez com certeza! Por isso, fico treinando todos os dias pra fortalecer meus músculos. Levi mesmo já deve ter percebido que algumas áreas do meu corpo já estavam bem torneadas.

Para dar uma animada no exercício, sempre deixava o computador ligado reproduzindo listas das músicas mais dinâmicas da minha biblioteca. Já havia passado do quinquagésimo abdominal, meu corpo já tremia todo e sentia dor nos músculos. Pelo que o Levi me ensinara, é nesse momento da dor que o exercício realmente fazia efeito, então prossegui sem dó.

Entretanto, num devido momento me desconcentrei. Um cheiro bastante agradável tomou conta de meu nariz. Mantive-me deitado por um minuto, recuperando o fôlego. Era cheiro de comida! Alguma comida diferente com o aroma bastante atrativo. Minha barriga roncou na mesma hora.

Levi com certeza teria alguma surpresa no jantar de hoje! Pelo que eu sentia, parecia ter até camarão no meio.

Pus-me em pé e deixei o computador no modo “suspender”, enxuguei o suor de meu rosto com uma toalhinha e saí do meu quarto rumo à cozinha. O cheiro estava de dar água na boca!

— Levi! O que você está preparando para o jan...? – Assim que adentrei à cozinha, fiquei mudo, pasmo, sem reação ao me deparar com uma cena... inusitada. – Que é isso aí?!

— Ah, Eren. – Levi, que ainda mexia com as panelas no fogão, virou apenas o rosto para mim. – Que bom, eu já ia te chamar. O jantar está pronto.

— ... – Não consegui responder nada. Perdi a voz e a concentração com a aparência do Levi no momento. Ele estava de avental... E com isso, quero dizer, apenas de avental. Não havia roupa alguma por debaixo, nem mesmo sua peça íntima. O avental, cobria-lhe toda a parte da frente. Mas atrás... estava completamente exposto. O que ele estava pensando com isso?

— Eren, o gato comeu sua língua? – Ele se apoiou na pia ao lado do fogão, passando o indicador nos lábios.

— L-Le... Levi! – Dei um passinho para trás. Vê-lo vestido como estava agora me deixou nervoso, sem saber como agir. Nunca que eu esperaria encontrá-lo desta forma do nada. Deve ter algo por trás disso! – Por que você está vestido assim?!

— Oh, isto? – Ele fitou ao próprio corpo. – É que eu estava com calor.

— M-mas estamos no meio do inverno!

— Ahh... Tenta ficar aqui na cozinha no meio desse vapor todo e andando para lá e para cá. Eu suei em meia hora. Então, já que estou em casa, resolvi ficar mais à vontade. – Assim que disse, virou-se para o fogão, colocou as luvas e inclinou-se para frente para abrir o forno. Consequentemente... deixou tudo... tudo mesmo muito bem visível para mim.

— L-Levi...!! – Senti meu coração palpitar. Mais pra baixo, me palpitou outra coisa também. – P-por favor, não faça isso... – Pedi em tom implorativo, tentando sem muito sucesso não olhar para as partes de seu corpo que normalmente permaneciam cobertas.

— “Isso” o quê? – Ele pôs a mão na cintura, arqueando uma sobrancelha, olhando-me de forma impaciente. – Não posso mais ficar à vontade na minha própria casa?

— N-não é isso, é que... Você... Você...

Mordi o lábio inferior, já estava para ir até ele e atacá-lo, mas Levi caminhou até mim primeiro, com passos singelos, similares ao de um modelo e com a travessa em mãos. Logo, deu meia volta e inclinou-se para colocar a travessa quente de vidro sobre a mesa, mostrando-me novamente sua região nua que me deixara doido pra fazer maldades. Mas desta vez me segurei... Por algum motivo, achei que tinha algo errado, que fosse algum tipo de teste... Afinal ele nunca se daria assim de graça pra mim. Com certeza era alguma cilada.

— Pronto, o jantar está servido. – Sem sair de sua posição, ele logo virou o rosto lançando um olhar bastante pecaminoso. – Você vai comer, ou vai ficar só olhando? – Um filete de sangue escorreu de meu nariz.

— Levi!!! Pare com isso!! – Recuei um pouco, colocando uma das mãos no nariz na intenção de segurar o sangramento. Usei a outra mão para conter meu baixo ventre, que começara a reagir após essas visões do Levi... Suas costas também à mostra... o contorno de seus músculos... Eu poderia enchê-los de marcas até amanhã. Argh! Não! Concentra, Eren! Isso não está certo! Lembre-se que Levi nunca que faria isso! É uma cilada!

— O que foi, Eren? – Levi resolveu se levantar e andar até bem à minha frente. – Nossa, como você está suado... – Comentou ao me ver de perto.

— E-eu estava fazendo exercícios...

— É...? Oh, muito bem. Aprecio seu esforço. Por que não fica à vontade também, só para dar uma refrescada? – Ele sorriu de canto enquanto empurrava-me com uma das mãos até a mesa.

— Er... E-eu não sei... A-acho que... é possível que isso me deixe com mais calor ainda... – Comentei.

— E não está com fome? Eu estava crente que você veio aqui pra já comer logo... Se é que você me entende... – Ele deu um sorrisinho maldoso e lambeu os lábios.

— Espera! Você tá falando sério? V-você... Agora...? Você está a fim...? Você me permite...?! – Meu coração foi acelerando cada vez mais com as expectativas. Se fosse o caso então... Se Levi estivesse mesmo disposto a me deixar ultrapassar o limite que ele havia me dado antes, quer dizer que... – Você me deixa ser o ativo? Aqui e agora?! – Eu sentia como se fosse explodir. Meu corpo todo ficara muito quente. Eu começava a perder a sanidade.

Levi, com o pé, puxou uma das cadeiras e me empurrou até que eu sentasse. Logo em seguida ele subiu em meu colo, sentando com as pernas abertas, colando seu peito ao meu. Estremeci ao sentir suas intimidades em contado direto com minha elevação... não tão direto pois eu ainda estava de calça. Ele então se inclinou até meu ouvido.

— Como você é lerdo, menino. Estou dando o maior mole pra você e ainda fica com dúvida? É pra você fazer o que quiser comigo. Agora. – Levi segurou minhas mãos e as levou até as suas nádegas, enquanto deu uma outra bela rebolada sobre minha elevação.

— Awwmm... Levi...!

— Vai, Jaeger...! Eu estou com tanto tesão agora... Não me faça esperar mais...

Depois dessa, não aguentei. Simplesmente ataquei-o agressivamente.

— Oh, Levi... Oh... Nossa, você me tira do sério fazendo essas coisas! Ahhm...

. . .

— Eren!! – Uma voz muito estridente fez me pôr sentado rapidamente com os olhos bem abertos.

— O quê?! Hã?! Eu não estava tendo um sonho erótico!! – Gritei por ato reflexo.

— Eita, até que enfim acordou! Eu te chamei quinhentas vezes, que sono é esse, rapaz? – Depois de esfregar meu olhos é que pude confirmar a figura da Hanji bem à minha frente. – Como pôde dormir numa hora como esta? Eu pedi pra você ficar de olho no bolo! Ah, meu Deus, o bolo!! – Assim, ela jogou uma sacola de compras em meu colo e correu para a cozinha, toda desesperada.

Bolo...?

Eu ainda estava um pouco embriagado devido ao sono pesado que tive agora, demorava um pouco até eu me sintonizar com a realidade novamente. Pisquei diversas vezes, observando o cenário à minha volta... Aqui era... o apartamento de Hanji, e eu estava em seu sofá... E eu devia estar de olho no...

— Droga! – Foi aí que me toquei. Eu devia estar vigiando o bolo no forno para evitar de queimá-lo enquanto Hanji dava uma ida no mercado. Mas acabei adormecendo a ponto de sonhar. Aliás... Nossa, que sonho...! Ainda estava fresco em minha mente, agora que me dei conta que realmente era algo realmente impossível de ocorrer.

Hehe, imagina só... Levi dar mole assim pra mim... Até parece.

Assim que me levantei do sofá pra ajudar a Hanji é que eu senti...

Meu maldito corpo de pirralho cheio de hormônios reagiu ao sonho. Lá estava uma bela de uma barraquinha armada no meio das minhas pernas.

— Ufa, graças ao senhor o bolo não queimou. – Hanji suspirava de alívio enquanto colocava a assadeira quente sobre a mesa, enxugando o suor da testa. – Eren, seu desatendo, eu pedi só pra você ficar de olho no bolo. Só isso. – Ela falou indignada.

— Ahh! Er... Bem... – Fiquei nervoso por me dar esse pequeno problema bem na casa da Hanji. – D-desculpa! É que eu estava cansado... aí eu deitei no sofá e quando dei por mim, já estava em sono profundo... – Ri de forma tensa enquanto caminhava de fininho até a porta a fim de sair dali e ir até o banheiro de meu apartamento cuidar desse problema.

Ao mesmo tempo, fiquei todo sem jeito de não ter conseguido cumprir uma tarefa tão simples. Foi sem querer, era meio comum eu dormir com facilidade assim no meio da tarde. Já houve um dia que dormi em frente ao computador logo depois do almoço... só fui acordar às seis da manhã do dia seguinte...

— Huhu, tá bem, eu te perdoo. Agradeça por ser comigo, se fosse o Levi, ele não deixaria barato assim.

— Hehe, eu sei... Levi... – Continuei corado. O bendito sonho ainda estava fresco em minha mente. Estranho que este eu não esqueci tão rápido como a maioria dos meus sonhos... Com certeza foi por neste ter acontecido algo tão... inesquecível. Agora confesso até sentir uma tristeza por ter interrompido na melhor parte... Será que se eu me concentrasse no acontecimento eu poderia voltar nesse sonho na minha próxima dormida?

— Eren? Onde você vai? E por que está andando assim todo torto?

— N-nada! – Tentei disfarçar.

— Não me parece que é nada... – Ela logo veio de aproximando.

— Não! N-não chega perto, Hanji...

— Oh...! – Ela analisou minha posição. – Não me diga que fez xixi nas calças?

— O quê?! – Achei isso o cúmulo. – Não, eu estou com uma ereção!

Ela caiu na gargalhada.

— Ahh, meu Deus!!! Eu não te aguento, Eren! – Ela até se sentou no sofá pra respirar. – Não acredito que você acha isso menos embaraçoso do que xixi nas calças!

— É...É que...! – Gaguejei, não sabendo o que declarar em seguida. Na verdade as duas coisas eram embaraçosas, só que... xixi nas calças era muito infantil.

— Tudo bem, não precisa explicar nada. Vai cuidar disso, eu vou guardar as compras e pôr a cobertura no bolo. – Disse ela, normalmente.

— Ah... Ok! – Imediatamente, abri a porta de sua casa, já correndo até o apartamento do lado. Eu sentia latejar... Precisava de um alívio.

— Ah, mas é pra você voltar aqui, hein! Ainda preciso da sua ajuda! – Ela gritou da cozinha.

— T-tá bem!

~*~

Levi

O centro da cidade estava uma correria. Isso porque era dia vinte e três de dezembro. Como é na noite de véspera que é comemorado o tão esperado Natal, então bem dizer que o evento aconteceria amanhã. Por isso tanto alvoroço hoje, todos que deixaram afazeres para a última hora então tentando ficar em dia.

Era até engraçado de se ver, não havia uma única pessoa que não tinha uma sacola de compra em mãos. Na maioria delas, estampada um logotipo de uma loja cara.

Observei a minha sacola em mãos e vi como eu não estava muito diferente. Este ano comprei presentes mais caros para o pessoal. Claro, eu não dava presente para muitas pessoas. Limitei-me apenas à Hanji, Erwin, Mike, Petra e Eren. Penso se deveria dar algo a Armin e Mikasa, eu sempre tinha em mente que Eren já os presenteava então já me tirava esta pequena obrigação.

Hunf... No final das contas, não deveria ser uma obrigação. Só de presentear uma pessoa você deve presentear todas? Haja conta bancária que aguente... “Presenteie se você quiser e puder”, todos deviam pensar assim. Bem, eu também não tenho nem ideia do que daria para Armin ou Mikasa.

Dei um suspiro final, cobri meu rosto com o cachecol e continuei andando no calçadão, junto ao restante da população da cidade. Hoje estava tão frio que mal dava pra sentir o abafado que sempre havia no meio de um aglomerado de pessoas, uns trombando com os outros.

Olhei um pouco para cima... O céu estava pálido hoje. Provavelmente era tudo uma enorme camada uniforme de nuvens que cobriram o sol. Pode-se dizer que o dia estava bem branco mesmo, mas não havia nevado ainda. Nem um único floquinho caíra. Dei um sopro no ar enquanto caminhava, vendo a fumacinha branca saindo de minha boca. Apesar de gostar do frio, naquele momento queria me aquecer em qualquer lugar.

Avistei uma cafeteria aberta perto de onde eu estava. Ficava bem numa esquina. Já de longe pude ver que estava cheio de gente. Embora eu não gostasse de ficar no meio de muitas pessoas em lugar fechado, resolvi ir até lá no intuito de me aquecer com um bom café expresso. Minha boca até salivou de imaginar o gosto da bebida quente. Depois disso, voltaria para casa.

Adentrando o lugar, por coincidência vi sentado ao balcão a silhueta super familiar do médico loiro que eu conhecia muito bem. Não havia lugar ao seu lado, então simplesmente cheguei até ele por trás.

— Erwin.

— Hã? – Ele se virou. – Oh, Levi, você aqui? – Ele se virou no banquinho para me fitar de frente. – Está comprando presentes, é?

Eu rapidamente escondi as sacolas atrás de mim, fazendo uma cara de desagrado.

— Não é da sua conta...

— Huhu. – Ele riu. – Não quer se sentar aqui? Já estou terminando...! – Disse dando umas goladas mais apressadas em sua pequena xícara.

— Não, tudo bem...

— Ah, não precisa fazer cena. – Erwin desceu do banquinho, que era fixo ao chão, e estendeu a mão em sinal de que eu me sentasse.

— Hum... – Revirei os olhos. – Tá... Já que insiste. – Me acomodei ao seu lugar e pedi um café expresso à atendente, que imediatamente começou a preparar. – Mas e você, ô loiro... O que está fazendo aqui? Veio comprar presentinhos também?

— Não apenas isso, vou passar no mercado. Ainda tenho que comprar umas coisinhas e preparar para amanhã. Ah, e também vou levar o Scott para o pet shop depois. – Explicou ele.

— Por quê? O que deu no pulguento?

— Nada, está apenas sujo, precisa de um banho e estou sem tempo.

— Ah, entendi... Então bancará o chef de cozinha sozinho esta noite?

— Não, Mike me ajudará. Ele irá dormir lá hoje.

— Ué... por quê?

— Hum... Ele não tem mais nada melhor pra fazer.

— Precisa fazer tanta comida assim?

— Não se esqueça que não virão apenas os meus amigos, no caso, vocês. Virão também pessoas da minha família, e são muitas, fora o pessoal do hospital.

— Oh... Nosso Natal está crescendo pelo visto.

— Um pouco. – Ele riu.

— Aqui está seu café, senhor. – Disse a jovem atendente enquanto colocava o pedido à minha frente. Sobre o pires, ao lado da xícara, uma bolachinha açucarada em formato de coração.

— Obrigado. – Agradeci-a já começando a adoçar minha bebida quente.

— Bem... – Erwin colocou sua mochila nas costas, já pronto para partir. – Vou indo logo, se eu precisar de você pra limpar algumas coisas, posso chamar? – Disse rindo. Notei que ele não estava usando roupas brancas agora.

— Hunf, folgado... Você não vai para o hospital, não é?

— Não, hehe, minhas férias começaram hoje. O outro cirurgião vai ficar em meu lugar até um pouco depois do ano novo... – Ele fitou meu rosto antes de sair. – Ei, Levi... Está com uma cara estranha... Aquilo ainda está te incomodando?

— ... – Mordi o lábio inferior, entes de dar o primeiro gole no café.

— Esse silêncio foi um “sim”?

— Erwin... – Fiquei de cabeça baixa, fitando o balcão. – Eu acho que ela vai voltar. – Falei desgostoso. – Ela vai tentar levar o menino consigo... Não sei se o documento de Carla pode impedir.

— Hum... – Erwin parou por um momento, observando-me. – Primeiro, eu diria pra você parar de pensar nisso e se lembrar do que o Eren quer. – Ele disse firme. – E o que ele quer é ficar com você.

— Mas...

— Pelo que observei todos esses anos, vocês dois possuem um laço bastante indestrutível, eu diria. – Ele falou bastante convencido. – Pra mim, mesmo com qualquer obstáculo, vocês dariam um jeito ou outro de permanecerem juntos.

Fiquei quieto por um momento, observando as pequenas bolhas na borda da xícara do café.

— Com “dar um jeito”... você quer dizer “agir fora da lei”?

— Hunf. – Ele riu. — Pode até ser, mas há muitos outros jeitos. É só não se preocupar com isso agora. Martha Jaeger não está aqui. Foque mais no Natal de amanhã, acho mais agradável. Você não concorda?

— Hum... É.

O problema não era apenas ela... Tem o filho da puta do Kenny também. E tenho quase certeza que os dois estão ligados. Martha não me assusta tanto... Já o maldito... Ninguém estava consciente dele. Havia muitos momentos que eu queria contar à alguém e pedir uma ajuda. E o primeiro da minha lista era o Erwin. Cada vez que eu me encontrava a sós com ele, quase acabava falando tudo sobre o Kenny. Mas se eu o fizesse, e ele descobrisse, o que faria...? Faria algo ao Eren com certeza...

— Bem, é o conselho que te dou. Relaxe, é Natal. – Erwin então acenou enquanto ia até a saída da cafeteria. – Até amanhã, Levi.

— Tchau... – Foi então que tive uma ideia. Uma ideia que... com certeza daria certo. Imediatamente olhei rápido à minha volta, pessoa por pessoa verificando se não havia ninguém suspeito me espiando. Rapidamente chamei-o de volta. – Espere!

O loiro, já na porta da cafeteria, me olhara de forma interrogativa. Fiz sinal com a mão para que voltasse. Novamente, desviando do monte de pessoas, ele voltou ao lugar que estava.

— O que houve? – Eis que então eu me inclinei no banquinho até chegar bem perto de seu ouvido.

— Vou te mandar umas mensagens pelo celular mais tarde... Mas só as leia quando chegar em casa e estiver sozinho. Depois que as ler, apague-as. É importante... – Depois dessa minha fala, ele ficou mais confuso ainda, olhando-me curioso.

— Você está dando em cima de mim?

— Argh!! N-não! – Franzi o cenho e fiz bico, voltando-me para o balcão. – Idiota...! É sério o que estou falando, Erwin.

— Huhu. – Ele deu um leve riso, mas logo assentiu. – Muito bem... Só me diga se é algo que... envolve perigo. Use o código.

Dei-lhe uma olhada de canto e logo dei uma única golada em meu café, que, no nosso código que criamos no ensino médio, queria dizer “sim”.

— Entendi... Bem, então até amanhã. – Ele deu leves tapinhas em minhas costas antes de definitivamente deixar o estabelecimento. Bem, como esperava. Erwin era a melhor pessoa a quem eu poderia dividir esses assuntos delicados. Ele sabia agir normalmente como se o problema nem existisse e mantê-lo consigo. Realmente, o mais confiável no momento.

Eren

— Hanji!! Hanji!!! – Gritei de susto.

— Que foi?? – Ela então veio correndo preocupada.

— Tem um rato aqui. – Apontei um armário grande em sua área de serviços;

— O quê?! Impossível! Como um rato pode entrar em prédio? Estamos no terceiro andar. – Disse indignada.

— Hum... Talvez por estar frio... eles estão entrando em qualquer lugar. – Supus.

— Ora, então...

— Ahhh!! – Asustei-me.

— Aaahhh! Que foi?! – Ela se assustou com meu susto.

— Ele se mexeu! – Apontei.

— E-então mata logo!

— Er... Ok. – Rapidamente fui até o fundo do cômodo apanhar sua vassoura. – Bem... Vamos lá então. Fecha a porta pra ele não ir pra cozinha.

— Ah, tá. – Hanji o fez com certa ansiedade. Ela não tinha muito medo de ratos, mas tinha ansiedade em mata-los. – Tem que matar logo, antes que o Levi volte!

— É sim! Ele vai ficar doido se souber que os ratos estão começando a subir nos prédios.

— Haha, é sim...! Ahhh!! Ahhh, mexeu!! Ali, Eren!!

— Cadê?? – Fiquei olhando para o lugar que eu havia visto mexer antes, mas Hanji apontava o outro lado. Fiquei com a vassoura em mãos pronta para dar uma rebatida em qualquer bicho que surgisse.

— Ah, meu Deus, espera aí! Não mata ele ainda. Deixa eu pegar o celular. – Ela então, saiu rapidamente atrás do aparelho.

— Por quê? – Fiz uma cara perplexa. O que ela pretendia numa hora dessas? Ia ligar pra alguém?

— Eu tenho que filmar isso!

— O quê?? H-Hanji, isso aqui é sério.

— Ah, mas tenho certeza que vou me arrepender se não filmar. – Assim, meio rindo, ela já segurou o celular virado para mim e deu o click para início da filmagem. – Vai! Já começou.

— Er... Hehe tá bem. O-oi! – Acenei para a câmera, meio que entrando na dela. – Mas espera, você vai mostrar isso pra quem??

— Ora, é só pra ter registrado, hehe!

— Tá... Bem, então... – Eu logo ri. A prioridade dela era isso? Bem, não tinha jeito. Falei um pouco com a câmera antes de começar o serviço mesmo.

~*~

Bem, passei por bastante trabalho, preparando quitutes refinados com Hanji, comprando presentes e até matando ratos para chegarmos agora... noite do dia vinte e quatro de dezembro, a véspera de Natal, onde teríamos um belo encontro na casa de Erwin. Agora era exatamente quinze para as oito. Eu estava em meu quarto me aprontando para ir. Acabara de tomar um banho meio que demorado devido a eu lavar umas partes minhas que tinha esperança de usar esta noite depois da festa.

Mas antes disso, claro, eu devia ficar muito bem arrumado. Dividi meu cabelo de lado desta vez, mas não passei gel, apenas ajeitei-o com o pente. Passei um creme no rosto e finalizei borrifando um pouquinho de perfume, nada muito exagerado ou o cheiro daria dor de cabeça.

Normalmente eu não gostava de ficar horas numa indecisão do que vestir, mas este era o primeiro Natal que eu passaria como namorado do Levi. Fora que era aniversário dele. Mesmo já morando juntos e ele já ter me visto no meu pior estado diversas vezes, queria aparecer elegante esta noite. Eis que então, depois de muita demora, escolhi uma camisa social com um suéter de lã escuro por cima. De calça, o jeans basicão junto a uma bota masculina com cadarços que ganhei do Erwin no meu último aniversário. Por fim, coloquei meu cachecol verde e jaqueta tom de creme por cima, pois pelo que via pela janela, o frio devia estar de lascar.

Agora sim, estava prontinho para sair!

— Eren! Vamos indo. – Chamou Levi batendo à minha porta.

— Sim! Já estou indo! – Antes, rapidamente abri meu armário e dali retirei bem do fundo o pacote que seria o presente do Levi. Agora que eu percebia como era pequeno... Mas ignorei, o que importa é que eu que fiz. Bem, eu não, mas a gráfica. Enfim, Hanji sempre dizia que o que valia era a intenção, então...

— Eren, anda logo. Eu vou contar até três.

— Argh! – Abri minha mochila num piscar de olhos e coloquei o presente de Levi e mais os dos outros lá dentro e rapidamente fechei-o. Corri para a porta abrindo-a e dando de cara com Levi. – Pronto!

— Hun... – Ele me olhou com impaciência. – Que bom, já estava na hora. – Me olhou de cima a baixo. – Oh... Nada mal.

— Er... Obrigado. – Ri encabulado. – Você também está bonito. – Disse observando sua vestimenta quase inteiramente preta. Usava uma calça e botas como as minhas, mas por cima, um sobre-tudo e um cachecol vermelho, amarrado como um cravat, que se destacada do restante da roupa.

— Que bom... Vamos então. – Disse totalmente indiferente, dando meia volta e indo até a porta. Eu logo o segui.

~*~

Chegamos à casa de Erwin não muito rapidamente. Acabamos por pegar um pequeno trânsito na avenida principal do bairro onde ele morava. Óbvio que estava sendo “o” horário para as pessoas se movimentarem para as casas umas das outras e comemorar o Natal. E também, o bairro de Erwin era mais, digamos, “chique”. Quase não havia moradores de classe média para baixo vivendo ali, por isso creio que, além de Erwin, vários outros moradores da área seriam anfitriões de sua própria reunião familiar. Essa seria uma outra justificativa para o trânsito de agora.

Agora era oito e meia. Levi estacionara não muito longe, sob a luz de um poste. Assim, caminhamos a pé até o portão da casa número cento e vinte e cinco. Já pudemos ver a Hilux prata de Mike estacionada dentro da garagem ao lado da CR-V do Erwin.

— Hum. Mike dormiu aqui? – Perguntei, enquanto tocava a campainha. Levi logo arqueou a sobrancelha, observando a camionete.

— Sim. Está observando bem, hein?

— Hã? Mas isso é simples de deduzir, tá duvidando das minhas capacidades? – Agora eu que arqueei a sobrancelha. Levi esquentou as mãos uma na outra antes de responder.

— Não é isso. Mike poderia simplesmente ter sido o primeiro a chegar e por isso pôde pegar a vaga da garagem do Erwin antes de qualquer um.

— Ora, mas o Mike é de chegar atrasado. – Observei.

— Sim, mas isso não é uma regra. Às vezes ele chega mais cedo do que todo mundo, ainda mais num evento onde terá muita comida.

— Sim, mas a minha suposição foi mais...! – Fomos interrompidos pelo som do portão abrindo.

— Oh, até que enfim vocês dois chegaram! O que foi que houve? – Levamos um sustinho com a aparição repentina de Erwin. O portão dele era todo fechado, não havia uma única fresta a não ser a da caixinha do correio, por isso não dava pra ver se estavam vindo nos atender ou não.

— Hehe, oi, tio Erwin!

— A gente pegou um trânsito na avenida que passa na pracinha. – Levi murmurou enquanto entrávamos e já subíamos a escada. A casa propriamente dita de Erwin ficava sobre a garagem e o jardim, tendo dois andares, e ao lado um pequeno terraço. Ali já logo vi alguém que me alegrava sempre que vinha.

— Scott! – Assim que chamei, o cão veio correndo até pular sobre mim, fazendo-me cair sentado no chão, devido ao seu tamanhão e força, logo começou a lamber meu rosto. – Ei garoto, senti saudade! Hahaha!

— Ei, não, Scott! Já disse pra não pular nas visitas. Volte para a casa. – Erwin ordenou, mas não em forma de sermão. O cachorro antes foi até Levi, cheirando sua roupa.

— Ei, sai, pulguento. – Levi deu uma esquivada e seguiu para dentro da casa.

— Ei, não o chame assim, Levi, ele acabou de tomar banho. – Disse Erwin.

— Ora, é o meu apelido carinhoso para ele, esqueceu-se? – Disse num tom divertido.

— Hunf, mesmo assim. – O loiro riu.

Eu, por outro lado, não prestava muita atenção no que diziam, pois sempre me distraía bastante com Scott, eu adorava ficar mexendo com ele e fazendo-o dar a patinha e outros mais truques que Erwin o havia ensinado.

— Eren. – Levi chamara minha atenção. – Vamos entrar logo, depois você brinca com ele.

— Ah, mas...

— Traga-o para dentro também, Eren. Está frio. Vou deixar o Scott no meu quarto. – Disse Erwin. E assim fomos os quatro para dentro finalmente nos aquecer.

Foi bastante confortante, o ambiente estava mais quentinho do que pensava. Me fez tirar o casaco e o cachecol rapidamente e deixar dentro do armário de entrada. Nela já vi muitas bolsas e mochilas de outras visitas guardadas. Só por isso e pelo tanto de vozes conversando que ouvíamos, podia-se concluir que a casa já estava bem cheia.

Passando o corredor, Erwin subiu as escadas com Scott, enquanto eu e Levi nos dirigíamos para a sala de estar. Pode-se dizer que havia bastante loiros ali. Boa parte da família de Erwin se encontrava no local, uns conversando com os outros. Eu conhecia apenas alguns parentes de Erwin, então somente a esses cumprimentei. Levi fez o mesmo, mantendo sua típica indiferença. Só que, diferente de mim ele conhecia quase todos os parentes de Erwin.

Indo para os outros cômodos, chegamos à sala de TV, onde já haviam uma parte do pessoal do hospital. O oftalmologista, Erd estava ali com o controle da TV em mãos, ao seu lado, sua bela esposa. No outro lado do sofá estavam Gunther e Auruo da área de enfermagem. Os cumprimentamos em sequência. Os três haviam trazido seus familiares. Na mesma hora, os irmãozinhos de Auruo passaram correndo por nós fazendo a maior algazarra. Perguntamos por Petra e Erd disse que ela estava lá no quintal. Então para lá fomos.

Aquilo era novo para nós. Ao que pudemos notar, Erwin colocou um telhado até metade do grande quintal dos fundos. Em seu limite, haviam toldos verticais que impediam o vento de entrar, porém não impediu o frio que estava no lugar. Mesmo assim, muitas pessoas estavam ali em mesinhas de plástico, parecia um mini barzinho.

Lá num balcão ao fundo estava Mike preparando algumas bebidas, como um barman. Antes que fossemos cumprimentá-lo, Petra nos chamou. Estava sentada numa dessas mesas junto ao seu pai, então fomos até ela. Como sempre, ela fitava Levi com um olhar brilhante de admiração. Bem, isso só confirmava minhas suspeitas que ela era muito a fim do Levi. Mas eu não me sentia ameaçado com isso. Na verdade até me sentia um pouco mal por ela, pois sei o quanto Levi é discreto com tudo, especialmente com a nossa relação, então creio que Petra nem saiba que agora... bem, Levi era gay, e o mesmo procurava esconder isso dela.

Quando desviei o olhar para o lado, avistei uma pessoa bastante inusitada estar ali. Aquela senhora meio gordinha e com um super jeitão de mãe ria com um grupo de moças. Enquanto Levi conversava com Petra e seu pai, corri até a mulher, que rapidamente me reconhecera.

— Oh, Eren, finalmente chegou! – Disse acenando, chamando a atenção as demais moças para mim.

— Oi, senhora Kirschtein! Senhoritas. – Dei uma cumprimentada geral para todas, pareciam ser da área de maternidade, por isso estavam sentadas juntas.

— Você está bonito. Está querendo impressionar alguém? – Disse ela em tom brincalhão.

— Hehe, é... Pode até ser. – Também ri, meio sem graça. – Ah, se você está aqui. Quer dizer então que o Jean...?

— Oh, sim! Acho que ele está na cozinha agora. Uma doidinha de óculos o levou para lá. – Ah... só podia ser a Hanji. – Fico feliz de ter alguém da idade dele para lhe fazer companhia. É a primeira vez que visitamos a casa do senhor Smith então, bem, estamos meio deslocadas.

— Oh, não se preocupe, também não conheço a todos ainda, e olha que venho aqui a vida toda.

— Haha, é mesmo? É uma belíssima casa, não?

— É sim. Ah, a senhora já viu o cachorro do Erwin?

— Aquele labrador que estava lá fora? Oh, ele é uma fofura, não estranhou ninguém. Quer dizer, apenas o Jean e não sei bem o motivo.

— É mesmo? – Eu ri. – Bem, ele também não vai muito com a cara do Levi, ele sempre tem que cheirá-lo toda vez que o encontra.

— Oww, Levi, esse menino. Aliás, onde ele está? – Perguntou ela.

— Ali, perto daquela moça ruiva. – Apontei.

— Oh, ok, já já falarei com ele. Pode continuar andando, Eren, não o prenderei aqui comigo.

— Imagina, senhora Kirschtein. – Ri sem graça novamente. – Bem, até mais então. – Acenei à mãe do Jean e fui até o Mike, que só percebeu minha presença quando cheguei bem perto e o chamei. – Mike!

— Oh, ei, Eren. – Disse daquela forma bem preguiçosa. – Ei aí? Tá atrasado, hein rapaz.

— É que pegamos trânsito.

— Na avenida da praça, né? – Adivinhou ele. – Eu sei, lá é sempre foda... Mas agora que está aqui, não quer uma bebidinha pra esquentar? Tá bastante frio hoje. – Disse ele já colocando um pouco de vodca num copo.

— Er... N-não! Você sabe que eu não bebo, Mike.

— Ué? E por que não? Já não tem mais de dezoito?

— Eu tenho quinze!

— Oh... – Ele ficou olhando para o nada, refletindo. – Então beba isso aqui, é mai fraco. – Ele me estendeu uma latinha de cerveja.

— E desde quando isso é fraco?

— Para mim é... – Ele deu de ombros. – Vaamos. Apenas um gole, é só pra sentir o gosto. Não ficará bêbado apenas com isso.

— Hum... Tudo bem então. – Eu não era acostumado com álcool e basicamente todos os meus amigos, exceto Armin, já bebiam. Pensando nisso, não acho que teria algum problema experimentar. Dei uma grossa golada na cerveja, mas antes de engolir já fiz uma careta. Logo cuspi tudo na direção da pia perto do balcão.

Mike fez uma cara perplexa.

— Que é isso, garoto? Você nem engoliu...!

— Argh... Esse negócio é muito ruim! Como consegue beber isso? – Murmurei lambendo os lábios, tentando tirar o gosto da boca. Aliás, quase nem deu pra sentir gosto de alguma coisa, parecia ser sabor amargura eterna. – Você ficou encarregado de fazer o drink das pessoas?

— Oh, não. Eu vim aqui preparar um saquê com kiwi para mim e para Hanji. Vou até ela na cozinha agora? Você vem?

— Sim. – Então, eu e Mike caminhamos juntos rumo ao cômodo mencionado. Ao passar por Levi, Mike deu um leve tapa no topo de sua cabeça como forma de dar “oi”, o que não o agradou muito. Ele continuou dando atenção à Petra e seu pai, que pelo visto falavam bastante.

Chegando à cozinha, Mike entrou primeiro e foi ao encontro de Hanji, entregando-lhe a bebida. Ela assim que me viu rapidamente veio me abraçar.

— Ereen!! Chegou numa boa hora. Tem umas últimas coisinhas a fazer no bolo, você pode dar uma mão?

— Er... Ok! – Concordei, mas achando estranho. Eu era bem dizer a “criança” ali daquele lugar cheio de adultos e também a visita, e assim que eu chego já me é dado trabalho pra fazer? Quando olhei para o outro lado foi que percebi a presença super reconhecível de alguém muito irritante na minha vida. Ele foi o primeiro a falar.

— E aí, viadinho? Chegou atrasado. – Disse ele sem tirar atenção do que fazia.

— Jean... Foi uma surpresa, não pensei que fosse ver você ou sua mãe aqui.

— O doutor Smith nos convidou, então resolvemos aceitar pra ter um Natal diferente e blá blá blá. – Disse aparentemente imitando sua mãe.

— Er... E tá fazendo o quê? – Perguntei, mas fazendo pose de quem não estava muito curioso.

— Sua tia doida de óculos me pediu pra ajudá-la. Havia uns pratos que precisavam ser feitos na hora, por isso... – Jean fora interrompido por Hanji, que veio até mim, já com o drink feito por Mike em mãos. Trouxe na mão livre o bolo que eu quase havia deixado queimar ontem. Já estava com uma camada simples de cobertura e apenas com isso já parecia bastante atraente.

— Aqui Eren! Faça uns “enfeitinho” do jeito que quiser com esse ganache! – Ela enxugou o suor da testa. – Bem, vou até o Levi e mantê-lo longe da cozinha por enquanto. Bye bye. – E assim, ela deixou seu avental comigo e saiu do cômodo. Não havia muitas pessoas aqui na cozinha. Mike também acabou ficando por aqui pra finalizar alguns pratos que seriam servidos à meia-noite. Pelo que eu percebia, esta ceia seria bem rica. A maioria dos pratos eram tipicamente italianos. Mas vi um único prato francês ali: Ratatouille. Que era o que o cara de cavalo preparava... ou melhor, dava os toques finais.

O ambiente ali estava bem mais quentinho que todo o resto da casa, por isso, agradável. Olhei para o bolo, que seria para o Levi, à minha frente, imaginando como eu poderia enfeitá-lo... Hanji me dera um saco de confeiteiro recheado de ganache de chocolate. Poderia fazer diversos enfeites com isso... Eu precisava ser criativo...

Olhei de canto para Jean ao meu lado dando os toques finais no Ratatouille. Ele mantinha o rosto bem sério, até mesmo meio carrancudo. Mas fazia bem o seu trabalho.

— Ei, que cara é essa? Precisa dessa concentração toda pra cozinhar? – Perguntei de forma irônica.

— Não... É que essa sua presença me irrita.

— Hã?! – Uma veia pulsou em minha testa.

— Ah, pare de impressionar com meus insultos. Já sabe que nunca fui e nunca irei com a sua cara, Eren. – Disse normalmente.

— Hum... Eu é que digo isso. – Falei com descaso.

— Mas... mesmo assim, minha mãe me obrigou a te dar alguma coisa... – Jean então colocou a mão no bolso da calça e dali retirou um pacotinho minúsculo e me entregou. – Taí, feliz natal, ô viado.

— Oh... – Olhei um tanto perplexo para ele. Não esperava nem um pouco essa atitude. – Er... Nem sei o que dizer...

— Não precisa dizer nada, já é humilhante o bastante dar alguma coisa pra você. – Disse com descaso. – Mas mesmo assim, escolhi com muito carinho.

Abri o pequeno pacote na hora. Não espero grande coisa do Jean, mas ainda assim, fiquei curioso. Puxei dali de dentro um chaveiro em formato circular todo metálico, no centro do circulo estava escrito... “I am a dork”. Rapidamente olhei com uma cara de quem se agradou muito com o presente.

— Não me julgue. Achei que combinava bem com você. – Disse com um sorriso maldoso.

— Hunf. É claro. – Guardei o chaveiro em meu bolso. – Não esperava menos de você, cavalão. Obrigado. Só me senti meio mal... Não tenho nada pra te dar.

— Não precisa, já disse que não quero nada de você.

— Há, espere só um pouco mais, depois dessa vou lhe dar um presente à altura. – Disse com um sorriso maligno.

— Hunf... Tá, vou esperar por isso...! Bem, mas... mudando de assunto... er... – Jean coçou a cabeça. – C-como está o Armin? E-ele vai vir?

— Hu? – Foi aí que me lembrei do pequeno acidente que aconteceu no festival da escola. – Oh...! Você tava querendo encontrar com ele, é? – Fiz um olhar malicioso.

— Não! Er, bem, sim... Ele vem ou não?!

— Não, Armin não está na cidade, ele viajou com o avô dele no dia do festival pra casa de uns parentes. Ele só voltará um pouco antes do ano novo.

— Oh, entendi... – Jean fez um tom desapontado.

— Nossa... Você queria mesmo encontrá-lo... Não me diga que agora, além da Mikasa...?!

— Não!! Eu só... queria me desculpar com ele... pelo que aconteceu... – O rosto de Jean enrubesceu levemente.

— Ah, é. Aquele beijão...

— Esqueça isso, idiota! – Jean Tampou minha boca rapidamente. – Foi um acidente! Um acidente!! E eu queria me desculpar com ele.

— Ué... – Pendi a cabeça de lado. – Por que está tão encucado com isso? Já foi. O Armin também nem ligou...

— Não ligou...? Como assim?

— Ah, ele não achou ruim... – Falei simplesmente enquanto começava a passar o ganache no bolo, finalmente com uma ideia de enfeite.

— Não achou... ruim...? – Depois dessa minha fala, Jean pareceu ter relaxado os ombros.

Levi

O pai de Petra e a própria ruiva eram bem falantes. Fiquei dando atenção a eles por quase meia hora. Mas por sorte (ou não), a quatro-olhos apareceu e me tirou dali, foi aí que pude cumprimentar a senhora Kirschtein, que não estava sentada muito longe. Ela havia comentado que trouxe seu filho consigo e que estava na cozinha.

Depois disso, resolvi passar lá para dar um “olá” geral, pois no fundo eu estava farto de cumprimentar as pessoas, por isso queria acabar logo com isso. Nunca fui muito social pra fazer esse tipo de coisa, mas somente o fazia por questão de ética. Em especial hoje, por ser quase Natal... e também meu aniversário.

Hanji, por algum motivo, não queria que eu fosse à cozinha, ficava me puxando para outros cômodos. Já pensei em duas causas bem óbvias para tal. Primeiro, devia estar preparando algo para meu aniversário lá e não queria que eu visse; Segundo, poderia estar também planejando alguma brincadeirinha maldosa que sempre faziam no meu aniversário. Mas continuei a me fingir de bobo.

— Ei, quatro-olhos, o que deu em você?

— Nada! Só... Vá falar com as pessoas da sala, hehehe. – Ela ria sem graça.

— Eu já fui lá.

— E na sala de TV?

— Já também. Os irmãozinhos do Auruo estão lá... Não quero ficar no meio daqueles pirralhos...

— E o quintal??

— Acabamos de voltar de lá.

— E... não está a fim de ir ao banheiro não?

— Hanji, está querendo me manter longe da cozinha pelo quê?

— Não, espera! Quero te mostrar uma coisa, vem cá! – Ela agarrou meu braço e foi me puxando até sentarmos na área vazia de um dos sofás.

— Hanji, o que você...?

Ela então apanhou seu smartphone do bolso, colocou em um vídeo e me mostrou.

— Olha isso! Aconteceu ontem!

— Ué... – Apertei os olhos para enxergar a tela. – É o Eren? – Murmurei olhando para o filminho que passava. – Isso aqui é o seu apartamento?

— É sim! Assiste tudo isso aí, você vai dar boas risadas! Veleu, já volto! – E assim ela levantou-se do sofá e foi até a cozinha. Continuei a prestar atenção no vídeo. Ao mesmo tempo refleti a última fala de Hanji. Hunf. Que fala foi essa? Como se eu risse com facilidade assim.

Parece que Hanji filmava o Eren fazer algo... Eu não entendi muito bem, pois estava no mudo. Além de eu não enxergar muito bem de perto devido à minha vista cansada... Demorou pois estava lá no fundo do bolso de trás, mas seu consegui apanhar meus óculos sem tirar os olhos da tela e os coloquei. Não ligando também de chamar atenção, resolvi aumentar o áudio do vídeo, mesmo estando em estéreo. Eren disse algo sobre matar um rato, eis que então...

Tampei minha boca rapidamente, impedindo um único rouco riso de escapar. Eren sapateava de um lado para o outro com a vassoura na mão. Realmente era um vídeo ridículo. Tão ridículo... Eren e Hanji gritando sem parar e tentando pegar um rato com a vassoura. A câmera balançava tanto que chegava a dar tontura. Até que foi cômico... Continuei ali no sofá da sala de estar do Erwin me distraindo com aquela babaquice.

Eren

Finalmente, o bolo estava prontinho. Coloquei-o na geladeira e dei um suspiro final. Levi ia ter bastante chocolate para comer hoje. Olhei para o relógio no topo da porta, que marcava nove e quarenta. Ainda tínhamos muito tempo até meia-noite.

Jean também acabara seu trabalho e já retirava o avental.

— Bom trabalho Jean, não sabia que era bom assim de cozinha. Já pode ser uma excelente esposa. – Zombei.

— Hunf, olha quem fala. A putinha do vocalista da banda.

— Hã?! Repete isso!

— Putinha...!!

Eis que então novamente eu fui pra cima do cara de cavalo e começamos aquela típica briga de meninos do primário, puxando gola de camisas e falando mais infantilidades um para o outro, era inevitável.

Mike olhou preocupado para nós, mas logo deu de ombros, continuando o que fazia. Hanji entrara de forma escancarada.

— Eren! Preciso falar com você...! Ué?? Que é isso? – Ela pendeu a cabeça de lado. Eu e Jean a olhamos e logo nos entreolhamos para em seguida largarmos a camisa um do outro e seguir o caminho como se nada tivesse acontecido.

— Não é nada. O que queria me falar? – Perguntei parando bem à sua frente.

— Bem, é um pedidozinho a respeito do aniversário do Levi, você é quem decide se fará ou não... Mas seria interessante que topasse. Relaxe, não é nada abusivo ou humilhante. Seria algo mais cômico, eu diria...!

— O que é? Fala logo, Hanji, está me deixando nervoso. – Falei, agora curioso.

— Ouça, na hora do bolo, você podia... – Nessa parte, ela inclinou-se para falar a ideia no meu ouvido sua magnífica ideia. Conforme ela contava, mais meu rosto ia ficando vermelho.

— Está doida, Hanji? No meio de todo mundo? Não vou fazer isso!

— Ahh, vamos! É o primeiro aniversário dele tendo você como namorado. Vai ser engraçado!

— Hum... Mas os familiares do Erwin estão todos aqui, fora o pessoal do hospital. E a Petra... o Levi não ia querer que ela...

— Hã?

— Você sabe... Acho que ela é a fim do Levi... e...

— Oh, Eren... Você acha mesmo que a Petra, a secretária do Levi, não saberia da relação dele com você?

— Er... bem...

— Não duvide de uma mulher, Eren. Mulheres são mais observadoras do que qualquer homem jamais será. — Disse passando o braço sobre meus ombros.

— M-mesmo assim... Eu não...

— Humm...?

— Argh. Tá, eu faço. Mas não vou fazer com essas roupas que você falou.

— Pelo menos a parte de baixo então?

— Hum... – Revirei os olhos. – Mas e o que os outros vão pensar...

— Tenho certeza que vão achar que é tudo uma grande brincadeira.

— Ok... Espero que pensem que é piada mesmo, hein! Se não... nunca mais vou conseguir encará-los de novo.

Creio que, no final das contas, Hanji só queria era ver a reação do Levi com relação a isso tudo.

Notas finais
Oi pessoas? Chegaram vivos até aqui do extenso capitulo? =3=/ Espero que sim. Uheuheuhe Queria só deixar este videozinho aqui pra vocês verem. Não sei se vão rir tanto quanto eu (pq pqp eu parecia uma foca sendo eletrocutada de tanto que eu ri dessa merda xD), mas eu queria deixar aqui pra dar uma ideia de como eu imaginei o video do Eren matando o rato e a Hanji filmando tudo. Sério achei muito a cara desse video xD Então quem quiser, pode dar uma assistida aí xD ~~ https://www.youtube.com/watch?v=QdG57nogBsQ Agora, bem, já tenho a ideia completa do próximo cap em mente então, creio que escreverei mais rapidamente. ^^/ Então até lá, pra quem ainda não broxou da fic =3= Beijinhos da Nikki ♥