Notas iniciais
Bem, retornei aqui com mais um capitulo o/ Espero que gostem, bom, enfim, não vou enrolar aqui porque o capitulo já está bem grandinho Boa leitura amores ♥

Levi

Acho que havia ficado inconsciente por um tempinho, pois abri os olhos ao poucos e pude ver toda aquela fumaceira e vapor de titã... Vapor de titã...? Eren! Tinha que encontrá-lo! O que aconteceu? Será que ele conseguiu? Será que estava bem?

Dissipando-se mais a fumaceira, pude ver o topo da muralha Maria e bem na área de sua cratera feita telo titã encouraçado estava a forma cristalizada do titã de Eren. “Então ele conseguiu!” Sentia leves dores incômodas na perna, mas continuei correndo. Mais titãs poderiam chegar, eu tinha que pegar o Eren e sair logo dali.

– Eren! Eren!! – Chamei-o olhando para todos os lados, mas estava horrível enxergar ali. – Ereen!!

– Heichou... – Ouvi um grito rouco e fraco vindo da minha esquerda. Rapidamente mudei de direção e segui sua voz. – Levi...

Finalmente o alcancei, me deparando com seu corpo exausto sentado na grama e apoiando as costas na muralha. Ele sangrava muito, várias áreas de sua pele aparentavam estar queimadas. Aquela cena me deixou desesperado, ele parecia não estar se regenerando desta vez.

– Garoto! – Rapidamente peguei meu manto verde e o cobri. – Por favor, abra os olhos... – Disse com o rosto bem próximo ao dele. – Olhe, garoto. Você conseguiu! Cobriu a cratera da muralha Maria...

Ele com dificuldade abria seus olhos, virando a cabeça para cima para ver seu feito. Ele logo deu um sorriso fraco, mostrava-se todo orgulhoso.

– Conseguimos heichou...?

– Sim...! – Olhei bem agora que a visão estava menos embaçada, não era apenas uma forma cristalizada do titã Eren, e sim três. Uma gradativamente menos que a outra. Mas ainda assim de bom tamanho para impedir a entrada de mais titãs. – Eren... você fez três transformações seguidas? – Olhei surpreso para aquilo. O garoto apenas fez que sim com a cabeça. – Venha, agora você deve descansar. Vamos encontrar o resto do esquadrão. Com a Mikasa no grupo e as estratégias de Armin, creio que tenham segurado a maioria dos titãs longe daqui.

– Não consigo... andar, senhor... – Ele falava com a voz mais fraca ainda. Dava-me um nó no peito ver seu estado. “Por que não se regenerava?” Bem, obviamente o desgaste de três transformações seguidas tenha afetado seu corpo a ponto de retardar seus efeitos regenerativos. Só espero que não tenha afetado a ponto de nem se regenerar mais. Era o meu maior medo...

Peguei Eren e coloquei-o de “cavalinho” em minhas costas, era o melhor jeito de transportá-lo. Fui andando na direção oposta da muralha até sair totalmente da fumaça à procura do meu cavalo. Olhei para todos os lados, assobiei e nem sinal do bicho. Será que fugiu? Logo agora nessa situação crítica?

Sentia Eren largando seu peso cada vez mais. Parte de seu sangue já manchara minha roupa e sua respiração estava quase imperceptível. Eu mesmo inspirei fundo, tentando me acalmar. “Eren não vai morrer. Eu vou salvá-lo!” Dizia a mim mesmo repetidas vezes.

– Aguenta um pouco mais, garoto... é só encontrarmos o esquadrão que vamos ficar bem. – Dizia a ele. Olhava em volta, consciente de que estava num campo aberto. Não seria possível usar o DMT com tanta segurança como dentro de uma floresta, mas estava muito longe. Eu avistava o amontoado de árvores juntas mais adiante, mas sem o cavalo, demoraria demais chegar lá. Espero que aqueles garotos segurem os titãs longe daqui mais um pouco. Só até eu alcançar a floresta...

– Hei... chou... – Eren murmurava, mas notei que apenas tentava pronunciar qualquer coisa. Segurei mais firme em suas coxas e acelerei o passo. Foi quando senti um tremor no chão... E pior, não era um tremor lento de passos, e sim mais veloz... Nem precisei olhar para trás, dava pra sentir o titã vindo correndo em sua direção mesmo ainda estando longe. Pelo som de cada pisada devia ser um de quinze metros. Nada bom.

Mantive Eren bem colado ao meu corpo e comecei a correr o máximo que consegui. Suava frio. Assim que dei uma olhada pra trás vi que não era apenas um ali no campo, mas cinco titãs. De todos os lados, inclusive um vinha bem de frente comigo. Eu e Eren estávamos cercados. Tinha que pensar rápido. Lutaria ali sozinho com auxilio de poucas árvores baixas? Esperaria os titãs se aproximarem mais para usar o DMT neles próprios? Veria qual o titã mais baixo de todos e seguir em sua direção? Sim, a última alternativa era a melhor, entretanto... eu estava com o Eren...

É, não tinha outra escolha. Na hora H, apenas o deitaria no chão e mataria os titãs. Se é que eu ainda tinha gás pra isso. Fui na direção do que estava a minha direita, era um de sete metros, pelo meu ver era o mais baixo dos cinco. Corri e corri o máximo que conseguia até chegar bem perto dele. Encostei Eren em uma das árvores daquele campo.

– Aguente mais aí, Eren... Só mais um pouco... – Saquei minhas lâminas e estava pronto para levantar e atacá-lo, ouvi um murmúrio do Eren.

– Fu... fuja... Levi... fuja...

– O quê?

– Sozinho eu sei... que você con... segue...

– Imbecil! Você acha mesmo que te deixaria aí? De jeito nenhum... – Dito isso, corri em direção ao titã de sete metros à diante. Esse até que foi fácil matar, era mais lento. Prendi meu cabo do DMT em seu ombro e facilmente fiz a manobra até cortar sua nuca, fazendo o grandalhão cair inanimado sobre a grama.

Ao mesmo tempo via os outros dois titãs, o que estava atrás e o que estava a minha frente anteriormente. Os dois eram de quinze metros. Mas sem receios, avancei neles. Fiz o mesmo que no primeiro, mas sem muita facilidade porque esses eram mais rápidos. Assim que os dois caíram no chão, causando um tremor, avistei os dois restantes. Esses pareciam ser do tipo anormais. Estavam ainda bem longe, uns oitocentos metros de nós, mas vinham nesta direção mesmo que lentamente.

Ajeitei bem as armas em mãos, segurando de minha maneira característica, com as lâminas de ambas as mãos voltadas para meu lado esquerdo. Fiz minha posição de combate, mas minha concentração sobre os dois foi interrompida ao ouvir o grito esforçado do Eren.

– Atrás de você...!!

Assim que me virei, deparei com um outro anormal correndo de quatro até nós.

– Droga! – “De onde ele saiu? Nem o ouvi chegar.” Quando estava para voar em cima dele, notei que meu gás havia acabado. – Não... Agora não!

– Heichou...! – O garoto, mesmo quase sem forças, tentava com força de vontade fazer com que alguma parte se sua forma titã surgisse, mas até agora nada.

– Eren, não!

– Eu vou... te salvar... – E assim, mesmo que menor que as anteriores, veio a explosão em torno do Eren. Um braço enorme e sem pele surgiu da fumaça e foi logo agarrando o pescoço do titã que andava de quatro. Com certa dificuldade, esmagou-o até ele cair sem vida na grama.

Vendo que os outros dois titãs que vinham mantinham o ritmo vagaroso, corri preocupado até o Eren. Ele não podia ter esforçado assim agora.

– Eren, seu idiota! Por que fez isso? – Ajoelhei-me ao seu lado, vendo-o mais cansado ainda. A transformação dele foi se dissipando. Ele respirava freneticamente, mas bem fraco. – Eu dou conta! Você se esqueceu de quem eu sou, Eren?

– Levi... – Ele segurou meu braço. – Por favor... fuja. Você só está aqui ainda por minha causa... – Sua voz saía rouca.

– Pare de falar um pouco, Eren! Sua voz está ficando cada vez mais fraca... – Eu checava seu pulso, notando o enorme intervalo entre uma pulsação e outra. – Eu vou salvar nós dois... Prometo. – Passei a mão em seu rosto, querendo que ele parasse com todo aquele pessimismo. Sei que ele achava que morreria agora... mas eu não quero! Não aceito isso!

Mesmo sem muitas forças, ele deu um sorriso para mim.

– Minha vida valeu a pena, senhor... – Ele falava de forma terna olhando para cima.

– Hã...? O que está dizendo, Eren...? Pare de falar besteira!

– Eu cumpri meu dever... não cumpri? – Seu jeito de falar parecia de uma criança.

– Sim... Sim! Claro que cumpriu.

– Ah... – Ele ainda sorria, todo orgulhoso, mesmo com as dores que imagino que ele esteja sentindo. Muitas partes de sua pele estavam queimadas e suas roupas cobertas de sangue. Retirei minha jaqueta para cobrir a área mais machucada. Desenrolei o meu cravat e usei como bandagens, amarrando em sua perna. – Levi... não precisa mais...

– Por que fica recusando minha ajuda? Eu já falei que vou te salvar!

Ele sorria mais enquanto eu falava.

– Estou tão feliz... Levi se preocupa assim comigo, mesmo agora... – Ele, com a mão parcialmente ensanguentada, acariciou delicadamente meu rosto. Lançava-me aquele olhar encantador, mesmo seu tom verde super chamativo dos olhos estarem agora mais apagados. – Eu amo tanto você... Levi. Estou muito feliz de ter... te conhecido...

– Não!! Pare de falar tanta merda, Eren! Por favor... – Desta vez deixei lágrimas escaparem de meus olhos sem vergonha de ser visto. – Não diga coisas como se... não fossemos mais nos ver. Ainda vamos fazer muita coisa lembra? Hein... Eren?

Seus olhos agora iam pesando cada vez mais, como se fosse adormecer...

– Eren!! Pirralho!! Se você me deixar assim, eu não vou te perdoar. Fique acordado! É uma ordem! Eren... – A angustia, o desespero e o medo tomaram conta de mim naquele momento. – Eu te amo, Eren!! Se mantenha acordado! Nós ainda não fomos ver como é o mundo lá fora! Vamos juntos viver lá ainda!

– Ow... Obrigado... por me amar... Levi heichou... – Suas duas últimas palavras foram as mais fracas que ele já pronunciou. Lágrimas escorreram de seu rosto e seus olhos se fecharam totalmente. Seu braço caiu sobre a barriga, parecendo agora... inanimado.

– Oe, Eren... Não, por favor, não! Não faça isso comigo, Eren! Está apenas sem ar não é? – Imediatamente selei meus lábios aos dele, soprando ar pra dentro de seu corpo, seguido por uma massagem cardíaca. – Vai, Eren... respira! Abra os olhos! – Fiz novamente duas, três, cinco, sete vezes e seu corpo continuava inanimado. – N-não pode... v-você tá brincando comigo, não é? Só quer me ouvir falar que te amo de novo, não é? Então tá. Eu te amo, Eren!

Nenhuma resposta.

– Não foi o suficiente? Então eu falo quantas vezes for preciso! Eu te amo! Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo...

Ainda sem resposta. Realmente... Eu não queria aceitar isso. Não queria... Eu mandei esse pirralho ficar acordado, como pode desobedecer minha ordem? As lágrimas desciam em grande quantidade. Baixos soluços saíam de minha boca. Era muita coisa na minha cabeça... E agora...? O que eu faço agora...?

Tudo que consegui ouvir foram os dois titãs, que já se aproximavam mais rapidamente, estavam agora a uns cinquenta metros de mim. Limpando o sangue de Eren de meu rosto, agora eu tinha um olhar vazio também. Sem brilho. Encarei as duas criaturas desengonçadas vindo ao meu encontro, saquei as lâminas novamente, desprendi as duas bainhas de minha pernas e sem pensar muito nas coisas, corri. Corri a mil na direção deles. Sem DMT, sem cabo, sem gás. Tinha apenas as laminas e minhas pernas como arma. Tudo que eu queria agora, era matar... Matar todos eles. Mesmo estando a pé e sozinho.

– Morram seu desgraçados!!

~*~

Pus-me sentado rapidamente, assustado e ofegante. Meus batimentos cardíacos estavam acelerados. Primeiro dei uma boa olhada em volta e passei a mão em meu peito pra ver se estava tudo bem.

Graças a Deus eu estava em meu quarto e sem qualquer machucado. Massageei as têmporas com a respiração levemente descompassada. Esse sonho foi tão real...

Mas como todos os sonhos, conforme iam passando-se os minutos, esquecíamos a maior parte dele depois de acordar.

Levantei-me da cama e fui vagarosamente até o banheiro, acendendo a luz e me olhando no espelho. Meu cabelo estava bem bagunçado desta vez. Eu tinha leves olheiras, isso é pelas noites mal dormidas... Abri a torneira e lavei bem o rosto, com intuito de literalmente esfriar a cabeça. Enxuguei com uma toalha, logo verificando se minha aparência havia melhorado. Não muito...

Por que eu não dormia bem? Agora que não tem mais choro de criança aqui em casa. Então por que essa insônia? Por que eu não relaxava? Eren está bem agora, não está? Foi aí que arregalei os olhos, sem parar de fitar meu reflexo.

Lembrava de tudo, da menina loira do mercado, de Carla e Grisha, de Hanji... Como ela ficou decepcionada quando disse que deixei o Eren no orfanato... Eren...

Embora esquecesse boa parte do sonho, eu continuava a lembrar do que me chamava mais atenção. E aquele garoto... seu rosto não estava muito nítido em minha mente agora, mas eu lembro perfeitamente que eu o conhecia... Nada dele era estranho para mim, embora eu nunca o tenha visto na minha vida. Ele era muito familiar para mim. Seu cabelo, sua voz, seus olhos verdes...

– Eren... – Murmurei inconscientemente. Fui arregalando os olhos de novo. – É ele. É o Eren! – Foi aí que notei e pensei direito nas coisas...

“Eu entreguei o tesouro mais precioso de Carla e Grisha a um bando de estranhos!” Só agora eu olhava esta frase de outro jeito, dando total importância. Como fui fazendo as coisas sem pensar duas vezes? Eu acho que devia estar muito distraído na hora, mas lembro de Carla, na sala da maternidade, um pouco fraca, segurando o Eren recém-nascido em seus braços. Ela me pediu com as próprias palavras.

“Por favor, cuide do Eren, Levi.”

O Eren... é meu. Eu sou o seu responsável. Ele precisa de mim!

Por ato reflexo, corri de forma apressada até o telefone. Mas aí me lembrei de que não havia anotado o número do orfanato. Merda! Abri os armários apressadamente em busca da lista telefônica, mas eu não conseguia achar em lugar algum, vi que ia demorar demais. E se nem me atendessem? Olhei para o relógio, que marcava duas e cinquenta da manhã. Não importa. Eu tinha que procurá-los agora... E se Eren já fora adotado?

Nem fiquei parado pensando demais. Bati a porta dos armários e saí de meu apartamento, sem nem me trocar. Fui do jeito que estava, de moleton, uma camisa e descalço. Sem paciência para esperar o elevador, desci o prédio pelas escadas o mais rápido que podia.

Saindo do prédio, senti as gotas de chuva sobre mim. Não era uma tempestade, mas julgando a distância da minha casa até aquele orfanato, com certeza eu chegaria lá ensopado, mas nem liguei. Minha única preocupação naquele momento é saber se Eren ainda estava lá ou não. O desespero aumentava a cada passo que eu dava. Escorreguei e até caí umas três vezes devido ao chão molhado e eu estar descalço. Mas todas as vezes eu me levantava rapidamente e continuava a correr. Virei esquinas, atravessei ruas, pisei em poças de água já meio lamacentas. Todas as minhas roupas pesavam devido à umidade. Mas nada disso importava agora. Sentia meu peito doer pela lástima. Por saber que eu já estava com o menino seguro em minha casa antes, e agora... ele estava com outras pessoas que eu nem verifiquei se o tratariam bem. Lembrava de seu rostinho chorando ao me ver deixa-lo... Será que aquela teria sido a última vez que o vejo?

Depois de cair uma última vez de joelhos, eu consegui chegar à entrada do orfanato. Bati a porta freneticamente e de forma meio bruta.

– Ei!! Tem alguém aí?! Por favor, abram a porta!! – Gritava, o máximo que conseguia, esperando que logo aquela porta se abrisse para mim.

Foi quando ouvi a porta sendo destrancada. E ela se abriu. Logo vi uma mulher, que tomou um susto ao me ver no estado em que estava. Não era a mesma que me atendeu da outra vez, era uma mulher bem mais velha.

– O que houve, rapaz? – Ela perguntou preocupada notando agora que eu era um mero adolescente.

– Eren Jaeger!

– Hã?

– Onde está o meu bebê? Eren Jaeger! Tragam-no para mim, eu cometi um erro! – Pedia nervoso e ao mesmo tempo desesperado. – Por favor, me diga que ele ainda está aí!

– Ah, um momento, moço. – Ela me pedia calma para entender a situação. – O senhor veio... agora em busca de um bebê que está aqui?

– Sim! Fui eu quem o trouxe, dona! Mas agora eu... eu me arrependo, eu o quero de volta!

– É Eren do que? – Ela logo se sentava no balcão.

– Jaeger. Eren Jaeger!

Ela digitou o nome no computador.

– Calma, moço, todas as crianças que estão no orfanato estão com o nome registrado aqui na lista de espera, se o nome de estiver aqui...

– Está ou não está?

– Hmm... – Ela digitava de novo. E demorava... demorava muito a achar. Minha paciência estava quase se esgotando. – Sinto muito... Não tem nenhum Eren Jaeger registrado aqui...

– O quê?! – Nesse momento perdi a razão. – Não brinque comigo moça, por favor... O que isso quer dizer? O nome dele não está aí?!

– Er... Ah... – Ela dava um olhar triste. – Sinto muito. Se o nome não aparece na lista de espera, isto quer dizer que a criança já foi adotada...

Assim que ela disse essas palavras, eu não quis acreditar na hora. Não consegui pronunciar nada depois disso. Apenas sei que... meu olhar deve ter se apagado. Passei a mão em meus cabelos, puxando-os. Agora sim, a dor que eu sentia neste momento foi a pior... Horrível... Tristeza, arrependimento, culpa, ódio... tudo ao mesmo tempo, chegava até a dar dor no estômago.

– M-mas... e quem adotou?! Quem foi?! Você tem o nome aí?!

– Desculpe-me, não consta nada sobre.

– Não... não, não, não... – Murmurava a mim mesmo. O arrependimento estava maior ainda naquele momento. – Por que...? Não... não acredito no que eu fiz...

– Er... mocinho. – A senhora vinha sem graça até mim. – Ouça... você está todo molhado e... pode pegar um resfriado, acho que seria melhor ficar até...

– Não. – Respondi seco, e num tom mais baixo. Fitando o chão, vendo as marcas de meus pés que sujaram o piso de madeira. Eu estava indo até a porta já para sair daquele lugar, quando uma voz familiar me chamou.

– Oh, você voltou! – Era a moça que havia me atendido no dia que deixei o Eren aqui. Parecia bastante contente em me ver pelo seu tom de voz.

– Desculpe... Já estou de saída... – Falei, sem olhá-la.

– Espere! Você não queria o Eren? Ele está aqui.

Assim que ela disse isso, rapidamente me virei com os olhos bem abertos para ela.

– O que disse...? – Perguntei, apenas para confirmar se não ouvi errado. Ela apenas riu.

– Venha comigo... – Ela me chamou, adentrando o corredor, e eu sem pensar duas vezes segui-a. Notei que a senhora que estava no balcão agora pareceu não entender muito bem a situação.

Eu só sei que uma onda de calor preencheu todo meu peito pela esperança de poder ver meu pequeno de novo. Ao entrar num pequeno quarto, pude vê-lo ali... no mesmo carrinho, todo enrolado nas mesmas mantas, dormindo profundamente.

– Eren! – Corri até o carrinho, pegando o garoto no colo, nem me importando se estava com as roupas molhadas ou não, eu apenas queria carrega-lo e senti-lo em meus braços novamente. – Oh... você está aqui... Ainda bem. – Suspirava aliviado, dando um beijo na testa do pequeno. – Me desculpe, Eren... Por favor, desculpe. Prometo... Prometo nunca mais te abandonar, viu? Você... vem pra casa comigo. – Falava baixinho com ele, sentindo meus olhos marejarem... apenas marejarem. A moça, apoiada à porta, assistia a cena dando um sorriso discreto.

Eren, aos poucos foi despertando, dando uma bocejada até finalmente abrir os olhos... seus olhinhos verdes. Eram os mesmos olhos que havia visto em meu sonho.

– Oi, Eren...! – Falei com ele, mesmo sabendo que não responderia. – Ei, é você Eren... É você mesmo... Meu Eren... – O garoto, sem parar de me olhar, passando as mãozinhas em meu queixo, logo deu uma risadinha. Bem fina, mas gostosa de ouvir. Eu fiquei boquiaberto, foi a primeira vez que o vi rindo. Depois desta sim, coloquei a minha mão livre em meus olhos, sentindo minhas lágrimas começaram a escorrer pelo rosto. “Como fui tão imbecil de abandoná-lo?” Neste momento, ignorava todos os meus problemas, meu salário não muito alto, minha moradia de apenas um quarto, meus planos com faculdade, meu trabalho... Só pensava “Dou um jeito depois, mas o Eren vai crescer comigo!”. Ele deu outra risadinha para mim.

Olhei para a moça ao meu lado e notei que ela estava encantada com a cena também.

– Oww, finalmente você está rindo. – Ela falava com ele.

– Hã...? Você nunca viu...? – Perguntei, enxugando os olhos, afinal, passei uma semana inteira longe dele. Ele podia ter feito isso na frente dela nesse meio tempo.

– Não, ele não riu nenhuma vez. Essa foi a primeira. – Explicava ela.

– Oh, sim... E o que vocês pensam que fizeram? – Me dirigi a ela, curioso. Ela me olhou interrogativa. – Quase me mataram do coração! A outra lá na frente falou que ele havia sido adotado...

– Er... eu sei. É que... eu achei que você fosse voltar. – Dizia a moça. – Então... nem registrei o nome do Eren na lista de espera. Não conte isso para minha chefe, ela me mataria. – Dizia ela sem graça. – Eu tenho um filho, então sei como você deve se sentir em relação ao Eren.

Apenas dei um suspiro de alívio. Bem, acho que eu devia uma a essa moça.

– Hum... perdão, acho que não nos apresentamos formalmente até agora... Eu sou Levi. Qual é o seu nome? – Perguntei. Ela logo deu outro riso.

– Pode me chamar de senhora Kirschitein.

~*~

Esperei a chuva dar uma pausa para eu poder voltar pra casa com o Eren. Comparada à minha vinda, a volta foi bem mais tranquila, obviamente. Eu continuava imundo de lama por causa das minhas quedas, e meus pés, então, nem se fala. Mas vim andando calmamente pra casa, com a mochila enorme nas costas e empurrando o carrinho de Eren. A viagem toda ele ficou muito bem acordado, olhando para todos os lados, achando tudo uma grande novidade. Ele balançava os bracinhos cada vez que passávamos por um local cheio de luzes acesas. Encantava-se totalmente pela visão, parecia algo mágico para ele. Eu apenas achava graça de seu jeito.

Finalmente, chegando em casa, deixei Eren na sala, retirei rapidamente minhas roupas e as joguei no cesto para lavar. Tomei um banho rápido (e quente pra compensar a chuva que eu tomei) com a porta do banheiro aberta, caso Eren começasse a chorar. E foi exatamente o que ele fez. Sequei-me rapidamente, me enrolei numa toalha e fui ver o que ele queria. Frio não devia ser, fome também não porque a senhora Kirschitein me disse que havia dado leite a ele pouco antes de eu chegar lá... Com certeza desta vez era pra trocar frauda.

Mesmo de toalha, troquei-lhe com paciência. Apesar de não gostar muito de fazer este tipo de serviço, estava contente por fazê-lo agora... Sentindo novamente meu Eren ali comigo. Assim que coloquei toda a roupinha nele, enrolei-o em sua manta e o coloquei deitado no colchão. Ainda estava sem berço, então o jeito era ele dormir em minha cama...

Vesti minhas roupas limpas pronto para dar uma dormida no restante de noite que ainda tinha. Pensei em dormir no sofá, como fiz as duas semanas que fiquei com ele, mas aí pensei... o menino é tão pequenininho. Cabemos os dois numa cama só. Meu único medo era acordá-lo com minhas remexidas, mas, se não tentar agora, nunca se acostumaria.

Acomodei-me ali, deitando de lado, trazendo o pequeno pra mais perto. Deixei-o deitado de bruços, seu rostinho ficou virado para mim. Estava com os dedos na boca, como se estivesse mamando e seus grandes olhos verdes não paravam de me fitar.

– Não fique olhando assim, não... Já devia estar dormindo, garoto. – Falei bem baixinho, acariciando sua cabeça e suas costas, num cafuné. Conforme acariciava-o, seus olhos iam fechando, abriam um pouquinho, fechavam novamente, e assim foi até finalmente pegar no sono. Ainda chupava o dedo. Devo me lembrar de comprar uma chupeta para ele amanhã... – Ah, Eren... Você me deixou tão preocupado hoje... – Puxei o cobertor, cobrindo a mim e a ele. Meus olhos já pesavam também, mas fiquei olhando-o até eu pegar no sono também.

“Estou tão feliz que você tenha voltado pra mim, pirralho”

Notas finais
E aí? O que acharam? Ah, e estão vivos aí, não estão? Espero que estejam mais felizes com o que aconteceu agora ^w^ Olha, só vou confessar uma coisa, pode ser muita melosidade da minha parte, mas eu chorei escrevendo esse capitulo, juro pra vocês. *-* Sou muito sensível pra essas coisas =3= Bem, uma coisinha que eu queria perguntar: Posso usar o sobrenome do Levi aqui? Ou tem alguém que ainda não tá sabendo do capitulo 56? Hehe só pra saber mesmo, ok? (Pfvr, quem não lê o mangá, não me matem =3=) Beijinhos da Nikki ♥