Reencarnação

27 Encontro com outro Jaeger


Notas iniciais
Olá hehehe *chegando de fininho de novo* Olha, primeiramente, desculpe de novo a demora colossal, juro que tento escrever mais rápido, mas enfim. Vou poupar explicações e resumir dizendo que viajei e fiquei 15 dias fora =3=/ E pra compensar isso eu pretendia postar dois capitulos, mas... fica apenas este mesmo. Espero sinceramente que vocês todos não tenham broxado da história x.x (pq né, do jeito que a autora tchonga demora aqui =3=/) Hehehehe Bem, visto esse extenso intervalo de tempo, vou retomar um pouco do capitulo anterior só pra pegarem o embalo: Levi e Eren fizeram um thupleck topli no haichofly levando em conta o auto nível de estresse do baixinho. Isso o cansou bastante a ponto de até dormir no trabalho, ele então compensou isso limpando o hospital, e mais tarde ainda deu um pulinho na casa da Mikasa pra recolher informações sobre Kenny; Enquanto isso, Eren ouve de Armin sobre uma mulher de olhos verdes bem suspeita e pede que não confie nela. Mas então, na mesma noite esta linda e maravilhosa mulher vem aparecer de visita surpresa para Eren enquanto este está sozinho em casa, e ainda revela ser irmã de Grisha... Uhhh mil tretas xD E agora continua aqui no cap! Boa leitura amores ♥

Eren

Eu pisquei diversas vezes. Não parei de olhar para o rosto daquela mulher um único segundo. Ainda estava processando o que ela acabara de falar... Dei dois passos para trás, espantado.

– I-irmã...?! D-do meu pai Grisha?!

Ela apenas assentiu, deixando escapar mais algumas tímidas lágrimas, aparentemente muito tocada por me encontrar.

– Eren Jaeger... Eu não acredito! – Martha meio que sorria enquanto falava. – Não acredito que esse tempo todo eu tinha um sobrinho solto por aí! Eu... posso te abraçar? – Ela abriu os braços, querendo muito se aproximar, mas ainda mantinha a compostura. Eu, como ainda estava meio paralisado com a situação e pensando milhões de coisas, demorei para reagir.

– Er... Ah, p-pode! Claro, senhora...! – Abri meus braços e ela logo veio ao meu encontro, apertando-me forte ao redor.

– Meus Deus...! Eu estou tão feliz em te encontrar, Eren Jaeger! – Ela ainda chorava, sentia suas lágrimas caindo sobre meu ombro. Demorei de novo na reação, mas logo eu vagarosamente retribuí seu abraço.

– Se-senhora... Er... tia?

– Sim? – Assim que ela ouviu seu novo chamamento, afastou para olhar-me nos olhos.

– Ahh... D-desculpe. Eu fiquei meio fora de foco agora... – Dei uma massageada nas têmporas, tentando agora calmamente organizar as minhas ideias. – P-por favor, entre! Pode se sentar! – Tomei a postura novamente, antes de mais nada, ela era visita e eu, o anfitrião, devia voltar o foco primeiramente nisto.

– Obrigada! – Ela então, educadamente caminhou para dentro da sala, onde se acomodou no sofá. Eu ainda fiquei olhando-a fixamente. Martha vestia roupas compridas, vários tecidos se sobrepunham sobre sua longa saia, em seus pés, um par de botinas. Parecia uma camponesa. – Eren, desculpe esta visita fora de hora. É que eu queria muito te encontrar.

– N-não, n-não foi nada, sem problemas! – Abri um sorrisinho. Senti algo estranho dentro de mim naquele momento. Meu coração se acelerara e meu corpo suava. Não sei explicar bem o que era, mas parecia um fogo que acendera no peito, mas diferente do calor que eu sentia com o Levi. O rosto daquela mulher remetia muito ao meu pai, principalmente os olhos verdes e isso me deixava muito inquieto. Acho que ela não brincaria com algo tão sério assim... e com essas “provas físicas” bem na minha frente, creio que poderia confiar no que ela dissera ser... Sentei-me ao seu lado no sofá. Múltiplas perguntas vieram à minha mente de uma vez. – E-então... Como foi que você me achou? Onde você estava? Você só ficou sabendo de mim agora? Quem mais está com você? E o restante da família? Porque meus pais não tem nenhuma foto sua, nem no casamento deles? O que aconteceu??

– Eren! – Ela colocou o indicador sobre meus lábios. – Acalme-se, eu sei e repito. Isso foi repentino, sem explicação, coisa e tal, mas... Bem... É uma história meio complicada e longa. Por isso vou contar só o principal... – Ela respirou fundo antes de continuar. – Bem, vendo o seu rostinho, creio que o Grisha tenha mesmo ficado com a Carla até o final, né?

– Isso. Conhece minha mãe também? – Cada frase que ela pronunciava me fazia arregalar os olhos um pouco mais. Ela era mesmo a minha tia e sabe dos meus pais.

– Claro, conheço bem a Carla. Aliás, eu não consegui encontrá-los ainda. Onde eles estão? Eles voltam pra casa mais tarde? – Ela perguntou num tom de inocência, o que me fez engolir seco.

– Hã? Ah... Parece que... você não faz contato com eles há anos, né...? – Comecei a brincar com os dedos.

– Pois é... Estou procurando pelo Grisha há muito tempo, olhando de cidade em cidade... Eu só queria poder conversar com ele e fazer as pazes de novo.

– Espera, tia! Primeiro, er... a-antes de mais nada... – Mordi o lábio meio receoso em dar a notícia, mas alguma hora ela iria ficar sabendo. – Tia... os meus pais, Grisha e Carla, já se foram... – Nesse momento ela arqueou a sobrancelha.

– O quê...? O que quer dizer com isso...?

– Eles... os dois já não estão mais aqui, tia. Eles... estão com Deus agora. – Assim que disse isso, Martha abaixou o rosto e cobrira os olhos com as mãos.

– Ai, não... não, não, não...! – Ela ficou bem mal agora. – Droga... M-mas, há quanto tempo? O que houve?

– Tia... – Levantei-me do sofá e fui buscar uns lenços de papel no armário do banheiro. Martha estava chorando muito. Acho que essa informação em específico fora demais para ela. Eu mesmo só não chorei por estar ainda desacreditado de ter encontrado um parente de sangue vivo. Acomodei-me ao seu lado novamente e entreguei-lhe os lenços.

– Obrigada, Eren... Desculpe estar fazendo tanto drama... É que é uma história tão complicada que acabou terminando dessa forma. Eu nem pude conversar com Grisha novamente... e agora ele se foi sem podermos fazer as pazes. – Ela enxugou os olhos. – Eu queria levá-los de volta pra casa...

– Tia, espera! – Interompi-a novamente. – Por favor, me explica direito essa história! Eu não entendi nada. O que houve? Você e o papai brigaram?

– É... Mais ou menos. Foi um desentendimento bem feio que o fez fugir de casa.

– M-mas por qual motivo? E ele brigou só com você?

– Não... Foi com toda a família, na verdade. Olhe, Eren... A família Jaeger é bem pequena... Na nossa casa mesmo tinha apenas meus pais, eu e Grisha. Mas então, com essa briga, ele fugiu de casa... e nunca mais conseguimos o encontrar...

– Espere um pouco aí...! – Dei uma leve afastada. – Para o meu pai fazer isso, tem que ter tido algum motivo muito bom. O que aconteceu?

– Ok, eu digo... É que seu pai era jovem, tinha ambições e muita força de vontade. Tinha coragem de fazer qualquer coisa. Mas ele tomou umas decisões estranhas que nos fez ser contra...

– Que decisões?

– Olha... Eren, acredite em mim, eu conheço bem o seu pai Grisha. Eu cresci com ele! E tenho razão quando afirmo que ele tinha umas ideias um tanto inusitadas...

– Hum...

– Então... Primeiro de tudo, ele era perdidamente apaixonado pela Carla. Essa paixão o fez tomar decisões muito radicais... Ele queria se mudar sozinho para a América... Bem, junto com Carla apenas. Foi só isso, achamos muito inusitado e tals... E ele não gostou de ser repreendido. Eu até entendo. Seu pai sempre foi cheio de ambições e com grandes expectativas. Por isso que fugiu de casa e levou Carla consigo... e pelo visto, não tiveram dinheiro pra ir para o outro continente, tiveram que ficar por aqui mesmo... Mas também estávamos preocupados por ele ter um problema cardíaco um tanto delicado... Um infarto nele poderia acontecer assim, de repente... que no caso acho que foi o que houve, não é...? – Ela contava com um olhar chateado. Eu agora começava a ficar com os olhos mais marejados...

– É... meu pai teve infarto antes de eu nascer... – Poucas lágrimas começaram a escorrer por meu rosto. Já logo parei de falar. Quando eu conversava mais a fundo sobre meus pais, não importava com quem, eu sempre chorava.

– E quanto à Carla? – Notei que ela sempre revirava os olhos quando falava da minha mãe.

– Foi uma gravidez de risco... acho que a chance disso acontecer era grande... – Expliquei.

– Bem... Mas ao menos... Mesmo com toda essa tragédia, olha só o que temos aqui. – Ela seu um sorriso mais terno, acariciando meu rosto. – Grisha deixou um herdeiro para a família Jaeger.

– Herdeiro... – Fechei os olhos ao receber sua carícia. – Mas espere, e seus filhos, tia? É mesmo! Eu tenho primos então?!

– Er... Infelizmente não, Eren...

– Ué, por que...?

– É que... bem, vamos dizer que eu não consigo engravidar.

– É mesmo?! Mas por quê? Você não tem marido ou alguma coisa do tipo? Aliás, você é mais nova ou mais velha que o meu pai?

– Oh... Muitas perguntas, Eren. – Ela riu timidamente.

– Oh... S-sinto muito...

– Não se preocupe. Sou mais velha que Grisha e sou viúva, mas não é por isso que não tenho filho. O problema é que eu não consigo ter um filho...

– Ah... entendi... Desculpe.

– Huhu, tudo bem, não me importo. Afinal, encontrei já o nosso quase filho aqui! Por isso estou tão feliz de ter vindo te ver. Nossa família não vai terminar em mim, a suposta “última geração”.

– Ah, caramba tia...! Então quer dizer que eu tenho uma avó e um avô?!! Eu posso conhecê-los?!

– Claro! São sua família! Quer dizer... você tem apenas o avô agora...

– Ah, não... – Fiz um olhar triste. – N-não vou conhecer minha vó?

– Sinto muito Eren... ela se foi faz dois anos.

– Que pena... Mas bem, já estou contente de saber que tenho uma parte da minha família de sangue ainda viva!

– Claro!! Você pode ir à nossa casa quando quiser! Quero dizer... à sua casa.

Quando Martha disse isso, eu senti o coração palpitar novamente. Via diante de mim uma mulher bastante simpática e que era mesmo da minha parente, coisa que eu já havia admitido não ter mais. Agora, eu estava realmente contente em vê-la! Como Armin pôde desconfiar dela? Ela é definitivamente minha tia, uma Jaeger!

– Ah, tia! Ainda quero conversar muitas coisas com você! Quero perguntar coisas do meu pai, da minha mãe, dos meus avós, tudo!

– Bem, se não for incômodo, eu posso lhe contar algumas histórias da família.

– Opaa, claro! – Eu sei que devia perguntar outras coisas mais importantes, mas agora... bem, digamos eu não era muito bom de foco, por isso me desviei facilmente em assuntos sobre o restante da família Jaeger, pois me pareceram bem mais interessantes.

– Mas antes... Er... Eu fiquei meio curiosa. O que é isso aí no seu pescoço? – Ela apontou, apertando os olhos para enxergar.

– Eh? – Fiquei parado um tempo, refletindo do que ela estava falando, até lembrar que a marquinha do Levi ainda estava ali. Visível. Rapidamente tampei-a com a mão. – Ahh, er... N-não é nada!

– Tem certeza...? Parece um pequeno hematoma...

– F-foi um pernilongo!

– Oh... – Ela logo se fechou mais nas vestimentas, aparentemente tentando se proteger. – Meu Deus... Quer dizer que os insetos da cidade grande causam hematomas assim? Preciso comprar citronela mais tarde então...

Levi

Finalmente dera o meu horário de saída. Caminhei pelo estacionamento até chegar ao meu carro. Dei uma boa espreguiçada ao sentar no banco. Apesar de eu fazer faxinas constantemente, o hospital era obviamente bem maior do que o meu apartamento, logo, exigiria mais do meu corpo. Mas foi bom, eu gosto de limpar, por mais trabalhoso que seja.

Com um suspiro final, dei a partida no carro e segui caminho até em casa. No durante, fiquei pensando na conversa que tive com a senhora Ackerman algumas horas atrás. Imaginava como que eu poderia ter uma outra conversa daquela, de preferencia com o pai da Mikasa desta vez, sem parecer muito suspeito. Talvez eu devesse dar um tempo... ou forçar uma casual situação em que nos sentaríamos juntos para bater um papo... Hum... Talvez a primeira opção seja melhor.

Seja como for, eu ainda tenho outras coisas para me preocupar. Amanhã mesmo eu iria até a casa do Mike junto de Hanji para dar uma recordada nas nossas habilidades como banda. Era apenas uma noite de apresentação, não creio que precisávamos nos preparar tanto; Havia mais um restante de coisas a organizar no hospital ainda, mas já estava na reta final, então, tranquilo; Também tinha o natal e o ano novo, mas como eram ocasiões festivas, acho que não havia muito do que se preocupar também; O que deve receber mais atenção é o caso do Kenny. Até agora ele não fez nada. Pelo menos não a mim ou alguém próximo, mas vai saber o que ele anda revirando pela cidade. É uma área muito grande e cheia de edifícios próximos um do outro, milhares de pessoas e carros perambulando de um lado para o outro. Ele podia estar em qualquer cantinho escondido, misturado ao ambiente... Hunf. Que saco. Era muita preocupação apenas com isso, só espero não surgir nenhum outro problema para me levar de volta ao estado crítico de estresse.

Enfim, chegando ao prédio em que morava, estacionei o carro rapidamente e saí rumo ao elevador. Estava doido pra chegar em casa logo, jogar os sapatos para longe e me largar no sofá. Eu sentia aquela dorzinha chata nos ombros novamente... acho que pedirei para Eren fazer uma massagem mais tarde.

Assim que abri a porta de meu apartamento, já chamei pelo garoto.

– Eren! Já chegue... – Dei uma pausa ao ver que havia uma pessoa desconhecida sentada com ele no sofá. Uma moça... Ela e Eren estavam com um álbum de foto aberto. Primeiramente, confesso que fiquei um pouco enciumado, mas logo troquei esse sentimento pelo de choque ao ver o rosto da moça. Sua aparência me era familiar...

– Levi!! – Eren acenou sem se levantar do sofá. – Nossa, não sabia que já era mais de sete horas...! Caramba, o tempo voou, né? – A moça, que degustava um pedaço de nosso bolo de morando, deu um sorriso simpático concordando com o garoto.

– Oh... Não sabia que teríamos visita hoje. – Falei me direcionando à moça. – Com licença, mas quem é a senhorita?

A mulher, de médios cabelos castanhos, direcionou aqueles olhos verdes para mim.

– Ah, sim! Desculpe a grosseria. Eu sou Martha... – Notei que ela fez uma pausa meio receosa antes de continuar. Logo estendeu a mão para mim, em cumprimento. – Martha Jaeger.

– Jae... ger...? – Falei baixinho, um tanto... chocado com essa.

– Levi! Ela é minha tia! – Eren gritava todo feliz. Mas eu ainda não estava processando direito essa história, parecia muito repentino.

– Tia?

– Muito prazer, er...?

– Levi. – Respondi um pouco secamente.

– Muito prazer, Levi. – A moça novamente me lançara um sorriso simpático. Mas eu, por outro lado, apertei sua mão de forma avoada ainda.

– Irmã de... Grisha?

– Sim! Oh, então você o conheceu?

Pensei um milhão de coisas num único minuto ali diante da tal Martha. Mas que história é essa? Assim de repente. Se tem algo que eu aprendi nesta vida é não confiar em ninguém, especialmente num indivíduo que aparece do nada em sua casa dizendo que é seu parente perdido... Eu já teria dado certeza que era uma enganadora se não fosse pelo fato de seu rosto mostrar o quanto parecia, e muito, com Grisha. Era praticamente sua versão feminina.

– E você é amigo do Eren? – Ela perguntou.

– Eu sou o responsável dele. – Falei firme. – Eu moro aqui com ele.

– Oh... – Martha mostrou-se surpresa com essa. – Entendo... – Ela deu uma olhada de cima a baixo sobre mim. Pareceu um pouco receosa, mas logo voltou à sua neutralidade.

– Perdão... Martha... – Comecei, de forma sutil. – Antes de mais nada, como foi que a senhora encontrou o Eren?

Nesse momento, até o garoto se virou curioso para ela.

– Oh, eu... – Ela falava timidamente. – É que eu venho há anos a procura do meu irmão... então quando cheguei nesta cidade, vi este menino saindo de um colégio perto daqui e... – Ela acariciou o rosto de Eren. – E ele me lembrou muito a Carla, mesmo de longe... Isso me deixou curiosa. Então, entrei nesse colégio e perguntei se havia algum Jaeger lá. Quando confirmaram, pedi pelo endereço dele e assim cheguei aqui. – Ela explicou. Mas para mim ainda havia coisa estranha nessa história.

– Oh, verdade, isso era uma coisa que eu tinha esquecido de perguntar. – Falou o Eren.

– Hehe, não se preocupe, sei que eram muitas coisas pra se dizer de uma vez, claro que esqueceria de outras. – Ela falava numa forma que me parecia sincero, mas ao mesmo tempo suspeito.

– Certo, entendi... – Cruzei os braços, já preparando o restante do meu questionário. – E de onde você é?

– De uma cidade do interior, bem longe.

– Hum... Bem, e por que Grisha e nem Carla nunca me falaram de você antes?

– Oh, eles não falaram...? Bem, acho que era esperado... – Ela fez um olhar chateado e explicou rapidamente que houve uma espécie de briga entre toda a família e Grisha, que o fizera fugir com Carla para uma cidade longe. Hum... Em certo ponto até que fazia sentido, mas eu ainda estava com o pé atrás com essa mulher. Eren a olhava com compaixão. Claro, visto que ele se deparara com uma pessoa de sua família sanguínea pela primeira vez na vida, claro que ele ficaria todo fascinado.

– Ah... E onde a senhora está hospedada? Está na cidade há muito tempo.

– Estou aqui há uma semana apenas, num pequeno hotel do outro lado da cidade... Já estou para ir embora, tenho que voltar pra casa amanhã, não posso deixar meu pai sozinho por muito tempo. Mas eu tinha que ver o filho do Grisha primeiro. – Disse dando outro sorrisinho para o Eren.

– Ahh... Já vai, tia? – Ele fez um tom chateado. Isso me deixou levemente irritado. Parece que ele já se apegara à mulher.

– Sim, mas... Bem, se quiser vir comigo e visitar o seu avô...

Antes que Eren respondesse, eu logo o cortei, cobrindo sua boca com a palma de minha mão e o empurrando para sentar-se no sofá.

– Desculpe, mas ele tem muitos planos até o ano novo, está um pouco corrido pra isso agora.

– Oh... Hehe, tudo bem então. Eu volto algum outro dia para visitá-los de novo.

– Claro... Venha quando puder. – Eu disse.

Martha pegou sua bolsa e se levantou, virando-se para Eren. Ela era um pouquinho mais alta do que ele. Também a olhei de cima a baixo analiticamente. Parecia mesmo uma mulher inofensiva e do meio rural... Uma tia que encontrara o sobrinho perdido na cidade grande. Era a cara de Grisha mesmo, só lhe faltavam os óculos e a barba. Quase tudo estava bastante sincero ao meu olhar. Quase... Mas por algum motivo, senti que ela não gostou muito de mim. Eu percebo bem as expressões mínimas das pessoas e notei nela um olhar desaprovador quando soube que eu era o responsável do Eren e morava sozinho aqui com ele. Creio que isso não a agradou muito.

– Tchau, tia! Eu te acompanho até a portaria! – Eren se ofereceu, mas eu logo o cortei.

– Não, Eren, deixa que eu vou.

– Eh? – Ele fez bico. – Mas por quê?

– Eu ainda não passei muito tempo com ela, e eu adoraria conhecer um pouco mais a irmã de Grisha. – Falei, em tom meio irônico, mas que passara despercebido.

– Bem, então vamos. Tchau, Eren! – Ela deu um forte abraço no garoto e então seguiu comigo para fora do apartamento. Achei que Eren encheria mais o saco por eu não tê-lo deixado acompanhar Martha, mas até que ele ficou tranquilo. Talvez ainda esteja processando essa situação. Era como se encontrar com seu ídolo favorito e poder conversar com ele em seu camarim por horas. Você só reflete que isso realmente aconteceu quando chega em casa e fica no silêncio... Eren ainda deve estar desacreditado que tenha encontrado um familiar de sangue.

Assim que entramos no elevador é que ela começou umas outras perguntas.

– Então, Levi... Você é bem novo pra cuidar sozinho de um estudante do colegial e manter um apartamento... Quantos anos tem? – Ela usou um tom casual.

– Não sou tão novo assim... tenho trinta e três anos.

– O quê?! – A mulher se espantou. – É mesmo?!

– Chocada?

– S-sim.

– Todos ficam... Mas saiba então que sou um adulto. Posso cuidar da minha vida sozinho e cuidar do Eren também... – Já falei dando uma pequena indireta, caso... ela, como parente sanguínea do Eren, tenha tido algum interesse nele.

– Haha, claro, claro! Bem, mas... Só gostaria de saber... Como o Eren foi parar com você? – Esse tom foi meio desgostoso, mas eu não liguei.

– Ele não lhe contou?

– Não disse nada sobre você.

– Oh... Ok. – Finalmente, chegamos ao piso térreo, mas demos uma parada por ali fora pra falar sobre esse ponto. – Então... Carla deixou ele comigo.

– ...? Só isso?

– Eu tenho um documento, assinado pela própria Carla, dizendo que se algo acontecesse à ela, a guarda do Eren viria automaticamente para mim. Esse documento é mais valioso do que uma ida automática para um familiar de sangue.

– Hum... Você tem algo assim então. Carla deve ter confiado muito em você... para passar a guarda do próprio filho a um jovem assim do que para a tia legítima... Grisha nem deve ter sabido disso, não é? – Agora ela usou um pouco de ironia. Quer dizer que longe do Eren ela era assim...

– Pois é. Deve ter algum motivo aí para ela ter feito essa escolha. Algum motivo que eu não sei qual é... mas talvez você saiba. – Falei à fim de arrancar algum podre desta história.

Depois dessa minha frase, ela deu seu sorriso simpático novamente.

– Bem, eu realmente não sei. Grisha foi embora há tanto tempo... Mas hoje foi muito bom. Adorei ter conhecido o meu sobrinho Eren e seu responsável. Posso visita-lo mais vezes?

– Hunf... Claro... Afinal você é tia dele, não é?

A mulher deu um aperto de mão antes de se virar e dirigir-se à portaria. Fiquei observando-a até que ela estivesse fora de nosso condomínio. Só assim retornei ao elevador.

~*~

Quando adentrei à sala, vi Eren logo ao lado, na cozinha, esquentando nossa janta. Eu, obviamente, queria tirar algumas satisfações sobre o que acabara de acontecer. Não era possível que, já basta eu ter que me preocupar com o Kenny, agora me aparece uma mulher do nada dizendo que era tia do Eren. E eu tinha a leve suspeita que ela deve ter ficado com vontade de levá-lo embora... Algo aí me cheirava muito mal.

– Eren.

– Ahh, Levi!! – Ele se assustou, provavelmente estava com a cabeça nas nuvens. – Er... Ela já foi?

– Já... Aliás, me deixa falar uma coisa... Que porra foi essa, Eren?!

– Eh?!

– Como é que você deixa uma mulher estranha entrar assim na nossa casa?! Não tem noção de perigo, não?

– Ué, m-mas... é a minha tia, não uma estranha.

– Já está a chamando assim? Acabou de conhecê-la!

– É, mas... Ela é minha tia. – Ele dizia pensativo.

– Ouça, garoto... Não confie totalmente nela.

– Ué, mas por que não? – Ele se virou pra mim com a sobrancelha arqueada. – Você viu a cara dela. É igual o meu pai!

– Não estou dizendo que ela não seja sua tia. Eu mesmo já consegui me convencer disso só de olhá-la. – Falei firme. – Só quero dizer que ela pode não ter boas intenções.

– Hum... – Ele fez bico. – M-mas ela foi toda bondosa comigo... e até chorou assim que me viu. Você não conversou com ela o tanto que eu...

– E depois de toda essa conversa, você não achou nada de estranho? Eren não seja iludido.

– Hã...? Er bem... Eu tinha tanto pra perguntar que acabei esquecendo de esclarecer algumas coisas...

– Primeiro. – Interrompi-o. – Seu pai e sua mãe nunca mencionaram nenhum dos familiares deles comigo, nem sequer convidaram para o casamento deles. Deve ter algum bom motivo pra fazerem isso, não?

– Hum... é, eu pensei isso também... Mas deve haver algum mal entendido...

– Eu ainda não terminei. – Interrompi novamente, já com a paciência mínima. – Segundo, acha mesmo que a sua escola, do jeito que é rigorosa com tudo, daria o nosso endereço à alguém que não esteja na lista de contatos autorizados deles?

– Oh... – Eren parou para refletir.

– Terceiro, o pouquinho que eu conversei com ela ali no elevador, já notei uma certa diferença no jeito dela falar. Essa mulher não foi com a minha cara, Eren! E tenho o mau pressentimento de que ela queira te levar embora pra morar com ela...!! – Nesse momento, Eren bateu o pé.

– Para! Para de falar assim dela! Quer dizer, eu...! Levi, estou a vida inteira achando que eu não tinha família! E agora ela apareceu e se mostrou boa! Acabo de descobrir que eu tenho uma família.

– É?! E eu? E a Hanji?? Erwin e Mike?? O que nós fomos para você?

– Levi, estou falando de família legítima, de sangue. Eu achei que não tinha ninguém! Você não entende?

– ... – Agora respirei bem profundamente. – Antes, abaixe esse tom... E também... Você acha mesmo que eu não entendo? Logo eu?

Ele fitava o chão, aparentemente acudido.

– Pirralho eu sou como você! Nasci, não conheci mãe, nem pai, nem tia, nem merda nenhuma! E estou assim até hoje! – Ele se manteve em silêncio diante do argumento. E não me olhava nos olhos. – Trate de dar valor ao que você já tem.

– Hm... D-desculpe, Levi... – Agora ele deu uma acalmada nos nervos, mas sei que ainda estava chateado por eu não confiar em sua tia. Ele simplesmente se virou, apagou o fogão, retirou seu avental e foi para o corredor.

– Ei, garoto! Ô garoto! – Chamei-o. – Onde você vai?

– Pro meu quarto.

– É? Vai agir assim agora? Nem vai comer?

– Estou sem fome... – Sua voz saiu baixa, mas a batida da porta de seu quarto foi alta. Eu suspirei alto diante dessa atitude rebelde dele. Fiz um esforço pra deixar isso quieto. Ele precisava de um tempo sozinho pra refletir sobre essa tia. Se eu fosse atrás dele pra falar mais um monte, poderia piorar.

Então, peguei um prato no armário e fui me servir da comida recém-esquentada. Dei umas bufadas. Quando eu pensava que finalmente podia relaxar, me acontece uma dessas, outra preocupação grande aparece do nada...

Assim que me sentei à mesa, sozinho, é que refleti. Essa tia do Eren apareceu um pouco depois de Kenny ter se revelado para mim... Dei uma franzida na testa com o pensamento. Isso podia ter alguma ligação, foram acontecimentos quase que simultâneos. Quer dizer que tinha grande chance de Martha ter alguma relação com Kenny. Sim... Isso explica como ela conseguira nosso endereço, pois tenho certeza que o Kenny sabe...

Dei a primeira garfada cheio de ansiedade.

“Então é isso que você quer, Kenny? Você foi até os confins do mundo para encontrar algum parente perdido do Eren, mandá-lo para cá para tirá-lo de mim. Oh... é realmente a sua cara.”

Eu tinha que matá-lo logo, e tinha que ficar de olho em Martha também, afinal, ainda não sei das intenções dela, não sei se está sendo manipulada e não sei se o sentimento dela pelo Eren é verdadeiro. Mas, em prioridade, eu devia colocar consciência naquela cabecinha do pirralho pra que ele não se iludisse muito com sua tia recém-encontrada, pois pelo que eu vi, ela sabia atuar muito bem. Mas daria um tempo agora. Sentia meu estresse retornando... Tanto eu quanto o garoto tínhamos que dar uma espairecida em nossas mentes.

Eren

Fiquei deitado de bruços na minha cama por um bom tempo. Mantive as luzes apagadas, apenas olhando para o nada e pensando na minha conversa com a Martha e no que Levi dissera lá na cozinha.

Posso dizer que realmente fiquei contente de conhecê-la. Ela foi dócil, contou histórias do meu pai, olhamos diversas fotos no álbum que eu tinha, apesar de não ter nenhuma foto dela, ela contara que se lembrava de alguns momentos que ali estavam registrados. Eram poucas fotos, mas mostrava que meu pai já vivera na fazenda uma vez na vida pelo menos.

Ah, pai... O que aconteceu entre vocês? Foi brigar com ela só porque não apoiaram uma viagem sua? Não parece ser algo que você faria pelo que já conversei com você...

Revirei-me sobre a cama, ainda solto em pensamentos. Nada sobre Martha me pareceu mentira, mas Levi disse algo que eu também percebi... Ela não pareceu ter gostado muito dele, mas fez vista grossa. Não entendo o porquê...

“E tenho o mau pressentimento de que ela queira te levar embora pra morar com ela...!!” O Levi disse...

Bem, claro que eu não me mudaria. Eu não era louco assim de fazer minhas malas e sair de vez pra morar com a minha tia. Apesar de tudo, Levi tinha razão, eu acabara de conhecê-la. E também... eu não acho que conseguiria viver sem o Levi... Ele... Ele foi tudo pra mim. Ele que cuidou e cuida de mim até hoje. É ele quem eu mais amo. Claro que eu nunca o abandonaria. Mas é que eu fiquei feliz de ter encontrado uma Jaeger legítima. Talvez ele tenha se sentido um pouco ameaçado diante de Martha. Bem, o mínimo que eu devia fazer é deixá-lo mais confortável sobre isto... deixar claro que eu não o abandonaria mesmo se minha tia aparecesse.

Afundei meu rosto no travesseiro. Eu me sentia avoado ainda, mas agora mais pé no chão. Sim, eu confiaria desconfiando da minha tia Martha por enquanto, por mais que ela me pareça bastante inofensiva. O que me fez perder a total compostura foi a aparência incrivelmente idêntica à do meu pai. Foi como se... ela fosse uma forma de eu conhecer meus pais mais à fundo... Afinal... Não era sempre que eu... conversava com eles em meus sonhos.

Virei-me novamente fitando o teto, agora pensando no Levi... “Eu... acabei respondendo pra ele...” Arregalei os olhos e fiquei branco. “Eu respondi o Levi!” Droga! O que foi que eu fiz?! Ele vai me dar algum castigo por isso! Talvez ele me mande limpar o apartamento sozinho com uma escova de dente.

– Argh...! – Dei uma murmurada arrependida. Respirei fundo, levantei-me da cama e saí do meu quarto a fim de encontrar o Levi.

Fui andando de fininho pelo corredor até a sala. A TV estava ligada, mas ele não estava ali. Olhei na cozinha, e nada dele. Nem um prato sobre a mesa. É, ele já deve ter jantado faz tempo...

Supus então que ele estivesse no quarto. Deliguei a televisão e fui para o corredor. No silêncio, pude ouvir nitidamente o chuveiro ligado. Claro! Levi estava tomando banho. O que me lembra de que eu não tinha tomado o meu ainda.

Bem, eu sei que não deixei lá um clima muito legal entre nós, então achei melhor dar uma descontraída com uma conversa casual, e vi aqui uma boa oportunidade. Dei três toquinhos na porta do banheiro.

– Er... L-Levi? V-você acabou de entrar? É que... e-eu também queria tomar banho...

Ouvi a voz dele sair bem abafada dali de dentro. Fora uma resposta rápida e baixa.

– O quê, Levi? Eu não entendi! – Apoiei um dos ouvidos sobre a porta a fim de amplificar o som de lá de dentro. A surpresa pra mim foi que a porta estava apenas encostada, e com o peso de meu apoio ela logo se abriu. – Aahhh!! – Caí com tudo sobre o piso azulejado, dando um murmúrio de dor.

Logo o box se abriu.

– Eren! O que pensa que está fazendo? Eu falei que sim, acabei de entrar. – Ele bateu o pé impaciente. Assim que virei meus olhos para ele, meu rosto enrubesceu.

Levi estava completamente nu num ambiente claro dentro do meu campo de visão. Waw, a pele dele era tão branquinha...! E seu corpo todo molhado...

Eu rapidamente me virei para o outro lado.

– D-d-desculpe!! Eu não queria abrir a porta! Foi s-sem querer! – Falei alto e nervosamente. – M-mas a culpa foi sua também...! Deixando a porta só encostada...

– Ué... Por que está agindo assim? – Levi, por outro lado usava seu tom normal.

– E-e-eu n-não queria atrapalhar seu banho...!

– E... Por que está olhando para o outro lado? – Ele perguntou irônico. – Pare de fingir. Eu sei que você está doido pra ver...

– N-nãão. – Eu suava.

– Argh, que preguiça de pirralhos moles como você. – Levi fez um tom enjoado e então agarrou minha blusa e me puxou para dentro do box também. Me ensopando inteiro, meu cabelo, minhas roupas, tudo.

– Q-que que é isso?!! – Comecei a perder totalmente a compostura. Levi me empurrou contra a parede fria e molhada, enquanto ele ficara praticamente em baixo da ducha. Boa parte daquela água também me molhava da cabeça aos pés. Ele me lançava aquele olhar penetrante... – Levi... Desse jeito eu não vou...

– Shhhh... Você não queria tomar banho também? – Ele subiu vagarosamente minha camisa até retirá-la, por fim, pendurou-a no vidro do box. – Por que não economizamos água e tomamos banho juntos?

– O quê?! – Sua fala e a voz rouca me deixaram arrepiado. Não conseguia acreditar que ele estava agindo assim, nem parecia o Levi! Quer dizer que ele queria...? Ali e agora? – I-isso não está parecendo muito um “banho”, Levi...!

– Ah, pode crer que é sim... – Ele sussurrou deleitosamente em meu ouvido. – Vou te dar um banho de prazeres...! – Me derreti todo com essa frase. Ele logo levou sua boca até a minha e começamos o beijo mais molhado que já tivemos na vida. Fiquei até com um sério medo de nos afogarmos ali. Suas mãos passeavam por todo meu corpo, dando fortes apertadas. Eu murmurava a cada uma delas. Levi não estava sendo muito delicado, mas eu não liguei... até que eu gosto quando ele me pega assim de jeito.

Suas mãos desceram pelo meu corpo acompanhando todas as minhas curvas, até ele adentrar uma delas em minha calça... bem .

– Ownn, Levi... Oh... Assim eu... eu...

. . .

– Eren!!!

– Ahhhh!! – Dei um pulo da cama a ponto de cair de costas no chão, junto veio o edredom. Fiquei me debatendo ali até afastar o tecido da minha cara e dei várias piscadas até minha visão focar-se. Foi um sonho? – O quê?! O que houve?! Eu não estava tendo um sonho erótico!!

Me deparei com a expressão sarcástica de Levi me encarando impacientemente na sua pose típica, batendo o pé.

– É... pelos seus gemidos, tenho certeza que não. – Disse ironicamente.

– E-eu posso explicar...! – Corei muito.

– Deixa, não quero saber. – Ele ergueu sua mão em sinal de “basta”. – Pelo menos... não agora.

– Hã? – Somente agora fui notar em suas mãos um prato de comida.

– Vim trazer seu jantar. Você está aqui dentro há muito tempo e ainda nem comeu. – Levi estendeu-me o prato recém-esquentado. O cheiro estava bem agradável... após senti-lo é que minha barriga começou a roncar. Olhei meio constrangido para o baixinho. E pensar que agora mesmo eu estava sonhando uma coisa tão... tão... Oh, Deus, é melhor eu não me lembrar enquanto estiver diante dele.

– Ah, o-obrigado! – Aceitei o prato de bom grado e logo comecei a comer.

– Está se sentindo melhor agora? – Ele me perguntou.

– Hã? Mas eu não estava mal. – Respondi sinceramente.

– Quero saber se já se acalmou com essa coisa toda da sua tia e de outros possíveis parentes.

– Ah, sim... Sobre isso... Desculpe eu ter te respondido. É que... eu fiquei muito feliz em saber...

– Deixa. Eu sei... – Ele bagunçou meus cabelos, indiferente. – Eu sei... Não precisa explicar nada. Apenas... coma. – Sua voz estava bem mais tranquila agora. Fitei-o com brilho nos olhos e me sentindo desconfortável ao mesmo tempo. Ele ainda não me parecia não chateado.

– Mesmo assim... Desculpe. – Desviei o olhar. – Eu disse que você não entendia... Mas você, no final das contas, é o que mais me entende. – Sorri timidamente e assim continuei minha comida. Levi ficou me olhando com um rosto sereno, mas nada respondeu, apenas sentou-se ao meu lado na cama e ficou por ali. Parado, sem dizer nada... Mas não tirava os olhos de mim. Procurei me concentrar no jantar, mas era inegável o arrepio de senti-lo olhando-me fixamente. – O que foi?! – Perguntei meio sem paciência, meio rindo.

– Não ligue pra mim. Continue seu jantar. – Disse ele de forma natural, mas eu fiquei meio cismado. Mesmo assim continuei a comer e Levi teimou em continuar me encarando, daquelas encaradas de te deixar constrangido.

– Levi...! – Já ia reclamar de novo, mas parei ao sentir seus dedos roçarem em minha orelha. – E-ei, o que você...? – Foi aí que percebi que ele parecia querer fazer um carinho. Corei rapidamente diante disso. Levi brincou um pouco com minha orelha, para depois passar a roçar os dedos em algumas mechas de cabelo. Ainda não entendi direito o que ele queria, mas tentei ignorar e continuar a janta.

Não era sempre que Levi fazia carícias em mim assim, sem motivo... Por isso fiquei um sem reação. Ou, pelo menos, criando umas expectativas muito fantasiosas em minha mente, mas não creio que seja o que ele pretendia. Sentir sua mão roçando em meu cabelo me trazia uma sensação estranha. Parece aquele arrepio que sentimos quando ouvimos aquele momento triunfal de uma música orquestrada... Olhei para Levi de forma tímida e logo corei lembrando do sonho que acabei de ter com ele.

– Por que está vermelho? – Ele perguntou num sussurro.

– P-por nada! – Comecei a rir baixinho. Dependendo da situação, eu acabava rindo quando me sentia constrangido. E tenho certeza que Levi sabe disso.

Ele nada respondeu, só foi descendo o “carinho” até o meu pescoço... depois em minhas costas... Quem é que conseguia jantar numa situação dessas? Ele trouxe comida para mim pra no final ficar fazendo isso?

– Levi! – Fiz um tom protestante. – Desse jeito eu não vou conseguir comer! – Eu ainda falava em meio a risos.

– Hunf. Já disse, só me ignore. – Dito isso, ele se arrastou de fininho até atrás de mim e apoiou a cabeça no topo das minhas costas, quase como se eu fosse um travesseiro.

Vendo através do espelho pendurado na parede em frente, pude ver que ele praticamente afundara seu rosto em meu ombro. Parecia que estávamos “de conchinha”, mas sentados. Eu ri novamente. Ainda não conseguia entender o que Levi estava querendo. Pelo que eu notava, creio que ele pretendia só ficar assim mesmo, encostado em mim. O que me tirou as esperanças de que ele estava fazendo um “charminho” com segundas intenções... Pois é, adolescentes sempre vão pensar nisso primeiro!

Assim que acabei de comer, deixei o prato sobre o criado-mudo e virei a cabeça para tentar vê-lo.

– Levi?

– Hm...

– Já terminei.

– Hum... – Seus braços logo passaram pela minha cintura, abraçando-me.

– O que é que você quer...? – Agora eu estava rindo mais era dele. Levi estava parecendo uma criança agarrada em seu ursinho de pelúcia. – Você... só quer ficar abraçado comigo, então?

– ...

– Haha, que... adorável!

– Cala a boca. – Agora ele reclamou, mas eu continuei achando graça. E foi aí que eu finalmente me toquei... Lembrei-me de novo do que ele dissera antes...

“E tenho o mau pressentimento de que ela queira te levar embora pra morar com ela...!!”

O tom dele ao pronunciar essa frase me pareceu inseguro naquele momento, como se ele tivesse medo que isso acontecesse de verdade. E pelo tanto que conheço o Levi, sei o quanto ele é orgulhoso para falar... mas para mostrar através de gestos, em silêncio, isso ele fazia bem. Então... ele vir aqui, me trazer comida e agora me abraçar assim só por ficar abraçado... Traduzindo em palavras, eu creio que ele esteja dizendo: “Ei, pirralho, eu me importo com você. Você mora comigo a vida inteira e quero que continue morando. Por isso, não deixarei ninguém te tirar daqui.”

Senti meu coração bater mais rápido diante disso. Levi é mesmo um bobo... Tenho que deixar claro minha opinião pra ele ficar livre de preocupação.

– Levi... s-se está achando que eu vou morar com Martha... Pode esquecer. – Falei tudo em sussurros, afinal, Levi estava com o rosto bem pertinho. – Essa ideia nunca me passou pela cabeça. Acha que eu tenho coragem de ir pra algum lugar sem você? Nunca que eu vou te deixar... Eu amo muito você...

Não vi sua expressão, mas senti-lo agarrar minha camisa com mais força.

– Repete isso...

– Hã? Ah... Então... E-eu disse que não vou morar com a...

– Não isso. – Ele interrompeu.

– Hu? Oh... – Foi aí que refleti. – Eu... te amo muito, Levi.

Depois disso, senti que ele deu uma boa relaxada nos músculos.

– Eu também... – Levi sussurrara mais baixo ainda do que eu, mas deu para ouvir bem sua pequena fala. Fiquei tão abobado que novamente comecei a rir. – Tá rindo do quê agora? – Ele falara mais alto.

– Eu não sei. – E continuei a rir. Levi desencostou-se das minhas costas e levantou minha camisa.

– Então vou dar um motivo de verdade pra você rir. – Sem avisos, ele começou a me fazer muita cócega com as pontas dos dedos. Pior que ele sabe bem onde que são os pontos que eu mais sinto.

– Ahh, n-não! L-Levi! Para! – Desta vez eu estava gargalhando, logo fui tentando me afastar. – Por favor! Acabei de comer!

– Isso foi por responder pra mim lá na cozinha! Aprenda a ser um garoto mais educado!

– D-desculpe, desculpe!! – Eu já estava praticamente chorando de tanto rir. Quase não conseguia pensar direito. Foi então que resolvi usar minha altura como vantagem e assim, segurei-me nele e nos atirei no chão.

– Ai, ai! – Levi caíra e antes que se levantasse, me pus sentado sobre ele.

– Há! Peguei! – Desta vez, eu comecei a fazer cócegas... Só vi o quanto foi inútil diante da expressão indiferente que ele me lançara. Era como se não estivesse sentindo nada. Passei-lhe os dedos em vários pontos de sua barriga e cintura, mas ele não mostrava alteração alguma no rosto. – Ué... Você não tem cócegas...? Em lugar nenhum?

– E você não sabia? – Ele arqueou a sobrancelha sarcasticamente.

– É que eu nunca consegui te pegar!

– Huhu, verdade. – Abriu um sorrisinho. – E também... – Num movimento rápido, Levi conseguiu inverter as posições, ficando ele por cima agora. – Nunca abaixe sua guarda diante do inimigo, garoto. Já se esqueceu do que eu lhe ensinei no muay thai?

– Hunf! Com certeza não! – Tentei usar um golpe de fuga para escapar dele, mas o problema é que eu estava lutando contra... o professor. Fiz vários movimentos, até tentei chutá-lo, mas isso só serviu pra ele me imobilizar cada vez mais. Ele segurou meus braços e pernas de uma forma que me deixou com o corpo totalmente torto e espremido em baixo dele. – Ahhh, Levii!! Eu não consigo mexer nada!

– Pede água!

– O quê?!

– Vai, pede água!

– Á-água...! – Dito isso, Levi me soltou e se pôs em pé, logo estendendo a mão para mim.

– É... Precisa treinar mais.

– M-mas isso é trapaça! Você me pegou desprevenido!

– Não interessa, escapar de mim é o mínimo que você devia ter conseguido. Julgando sua altura...

– Hunf! – Fiz bico e cruzei os braços, recusando a aceitar sua mão estendida.

– Vem, levante. Na próxima eu facilito um pouco. – Agora era ele quem estava meio rindo.

– Não, não quero que facilite!

– Hum, ok então.

Levi

Meia-noite, sentados no sofá da sala, eu e Eren descansávamos do longo e exaustivo dia. Não dava pra negar que aconteceu coisa demais hoje. Fiquei trocando de canal até encontrar algum programa menos cansativo do que esses de auditório, não deixando de segurar um copo de suco de limão. Eren se encontrava deitado, com a cabeça apoiada em meu colo, também fitando fixamente a TV.

– E então... Como foi a escola? – Perguntei. E somente agora, afinal, Martha foi nosso único assunto desde que eu voltei pra casa hoje.

– Ah... Era último dia de aula. Não teve nada por lá.

– É mesmo...? – Deu uma breve golada em meu suco.

– Ah, isso me lembra!! Hanji disse que você vai cantar na minha escola! É verdade mesmo?! – Seus olhos verdes rapidamente aumentaram e ficaram mais brilhantes.

– Hum... Se a quatro-olhos disse, é porque é.

– Ebaa!!

– Mas não vou cantar muito não. Já não tenho mais idade pra ficar dando showzinho pra pivetada.

– Ahh, eu sei que você vai mudar de ideia quando estiver lá no palco da escola.

– Hunf. Tavez... E você? Não tem nenhum afazer pendente pra esse festival?

– Só passar minha roupa, mas isso eu posso fazer amanhã.

– Entendi... – Quando passei por um canal que exibia uma propaganda de sabonete é que eu me lembrei. – Oh, ainda tenho que tomar banho.

– Eh? – Eren me olhou.

– Levante, Eren, vou tomar banho agora. – E assim, ele se colocou sentado, permitindo que eu saísse do sofá. Caminhei rumo ao banheiro.

– P-posso ir também?

Depois dessa, eu parei de andar e me virei para Eren. Juntei as sobrancelhas numa expressão interrogativa.

– Como é que é?

– Ah, nada!! E-eu não disse nada!! – Tentou disfarçar e voltou sua atenção para a TV. Eu sorri de canto. Ele falava umas coisas meio inapropriadas, mas já estava me sentindo melhor por ele não estar falando tanto de sua tia agora... Aliás, meu corpo ficou muito mais leve quando ele disse que não moraria com ela e que a ideia nem lhe passara pela cabeça. Depois do dia agitado que tive hoje limpando o hospital, resolvendo afazeres atrasados, indo conversar com a mãe da Mikasa, me preocupar novamente com Kenny... o pouco tempo que já passei com Eren agora, fora um belo tranquilizante. Se eu não estivesse tão cansado, até o chamaria pra vir tomar banho comigo. Sei bem o que ele pretendia com isso... Moleque tarado...

Notas finais
Uhuuu, e aí chegaram todos vivos aqui em baixo? Hehehe pq esse capitulo tbm foi bem extensinho, eu sei (além de ter sido paradão tbm, mas isso vai mudar) x.x Deixo avisado aqui tbm que no próximo capitulo já começa esse tal festival com Levi, Hanji e Mike se apresentando como No Name ¬w¬ Falando no Levi, já viram o trailer do segundo OVA dele que lançou? *w* Geeente ♥ Com direito a uma ceninha do nosso heichou sorrindo ♥ Eren iria pirar *¬* Ai sério, eu fico hipnotizada e arrepiada com a animação de Shingeki, sem dúvida um dos animes mais bem produzidos da atualidade o/ Hehehe Bem, voltando aqui, agora uma perguntinha, assim, básiquinha, nada muito importante: Er... Então, eu posso prosseguir com Jearmin aqui na fic? Tipo, avançar para o próximo nível? =3= Se for um casal que lhe incomoda, por favor, me avise, viu? Bem, é isso então... até o próximo capitulo, que, agora que não tem viagens nem nada, espero postar logo. c: Muitos beijinhos da Nikki ♥