Redescoberta
4 Noite Rotineira.
Notas iniciais
Saiu de sua sala, pegou casaco e chapéu. Despediu-se de colegas e superiores e foi em direção a porta. Era um dia frio e ventava muito. Seu casaco balançava com o vento passando entre ele. Tinha que segurar o chapéu com uma mão, o casaco com o braço para não abrir em seu corpo e andar encolhido e de cabeça baixa. Esse foi mais um dia cansativo na telemarketing onde Carlos trabalhava.
A rua era deserta, não tinha capacidade nem de ser perigosa. Não havia ninguém lá. Nem assassino, nem ladrão, nem pedestre, ninguém. Morava em um bairro pequeno. Não localizado no mapa, mas era lá pro sul do Brasil. Um bairro esquecido pelos de fora mas lembrado com muito amor de quem vive ou saiu de lá.
Carlos. Um homem alto. Aproximadamente 1,80. Careca, barba mal feita, corpo forte mas gordo e negro.
Estava louco para chegar a quatro quarteirões dali. Era quarta feira e como de costume, era o dia mais cansativo. Precisava mais de um café naquela noite do que em qualquer outro dia da semana.
A quatro quarteirões se localizava um bar humilde. Não muitos iam lá mas era conservado, bonito e aconchegante. Perfeito para um cara como Carlos.
Finalmente. Chegou.
Abriu a porta segurando seu casaco e a maçaneta ao mesmo tempo, entrou, deixou seu casaco e seu chapéu no cabideiro ao canto do bar. Pediu um café à barwoman e se sentou na mesa ao fundo, rente à janela.
Eram dez horas da noite e estava ali, feliz tomando seu café mesmo que seu rosto não expressasse isso. Mas ele adorava. Aquele café para ele era como um sinal de dia concluído e que agora poderia descansar para começar uma noite... Digamos... Um pouco mais pesada.
Passaram-se alguns minutos, estava em seu segundo copo de café, ouve o barulho da campainha na porta do bar. Carlos olha discretamente para o reflexo do vidro da janela quem está entrando. É um homem. Como está de noite, a rua escura e deserta facilita a visão no vidro e pode-se ver claramente a fisionomia do homem. É alto, barba média, cabelo curto e veste uma roupa simples para frio.
Toma um gole de café.
Enquanto toma, observa o assunto de Beca e do homem que se sentou no balcão.
Estavam falando sobre algo relacionado ao que passava na televisão no canto do bar.
Parecia que já se conheciam a muito tempo e que tinham laços fortes de amizade ou algo assim.
Carlos era novo naquele bairro mas já sabia e conhecia muitas pessoas de lá.
Depois de um tempo, o homem olhou para ele de lado e voltou a conversar com Beca. Carlos desconfiou mas não reagiu qualquer sentimento ou expressão sobre aquilo. Com certeza estavam falando sobre ele.
Levantou-se, pagou a bebida, agradeceu e foi embora.
Seguiu o rumo de sua casa.
Chegando lá, abriu uma espécie de garagem na parte de trás da casa, fechou o portão, acendeu as luzes e não havia nada lá além de muitas prateleiras de livros, revistas e uma mesa encostada no canto da parede. Carlos pegou um controle remoto de televisão que estava em seu bolso, abriu o compartimento onde se coloca as pilhas e lá havia apenas uma pilha. Pegou outra que estava na gaveta da mesa e colocou esta no controle remoto. Isso fez abrir um buraco na parede. Um buraco quadrado com mais ou menos 2 metros.
Carlos entrou ali e o fechou novamente tirando a pilha do controle e colocando no bolso esquerdo de sua calça.
Havia uma escada de corda que dava para um cômodo subterrâneo grande.
Pegou novamente o controle remoto e dessa vez tirou a outra pilha de dentro. Então as luzes do cômodo se acenderam e revelaram uma variedade de coisas. Dentro dessas coisas, corpos de homens e mulheres vivos pendurados em ganchos pelas mãos. Todos eles com as bocas tampadas com Silver Tape.
Deviam haver mais de 20 pessoas lá neste mesmo estado.
Ao canto, em uma mesa cirúrgica de inox iluminada por uma luminária, estavam todos os documentos alinhados de cada um deles. Ao lado desta, havia outra mesa com armas e equipamentos pertencentes a essas pessoas.
— Heitor Taylor Silva. Quarenta e sete anos. Sua vez. Se você colaborar, pode até comer um pouco mais hoje. — Disse Carlos se aproximando e olhando para a carteira de identidade desse homem que estava pendurado junto aos outros.
Carlos tira uma foto 3x4 de dentro do bolso e mostra para Heitor.
— Lembra desse menino aqui?
Pois é.
Faz apenas duas semanas que ele morreu nas mãos um verme desgraçado e foi jogado sem piedade no meio do mato. E eu achei uma coisa muito legal encravados nos dentes do meu filhinho.
Tenta adivinhar o que é.
Exatamente!
A porra de um tecido de uma jaqueta preta com uma ponta verde semelhante as cores que os filhos da puta da sua gangue usam nessas jaquetinhas de merda!
Agora vou te dar 2 minutos para falar. Vou tirar essa merda da sua boca e você vai falar o que souber sobre isso. Caso contrário, quero que imagina o quanto dói ter um gancho enfiado nas bolas.
FIM DO CAPÍTULO 4
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