Redenção

4 Parte I - Terceiro Dia: Flores e Sangue


Notas iniciais
Olá, pessoas, tudo bem? Sei que preciso começar com um pedido de desculpas, pois estou muito atrasada com este capítulo. Havíamos combinado um prazo - uma semana sim, outra não - e de acordo com isso este cap deveria ter sido postado semana passada. Então eu gostaria de pedir desculpas à vocês, mas é que tive uma série de problemas pessoais que me impossibilitaram de postar na semana passada. Além de eu ter passado as últimas semanas preocupada com algumas coisas, as minhas aulas resolveram voltar (das férias, apenas. Não retomamos o presencial, ainda), o que não me ajudou em nada - pelo contrário. Por favor, me desculpem. Para compensar meu erro, o próximo capítulo sai já na semana que vem e, após o próximo, volto a postar dentro daquele prazo que combinamos. Fora isso, gostaria de avisar a vocês que eu fiz uma capa para o prólogo, então se vocês quiserem dar uma olhada... Mas é só isso, não alterei nada no cap, hahahah. Bom, sem mais enrolação, vamos ao capítulo:

Parte I: O Florescer da Primavera em meio a Escuridão

— Por que... Por que você está chorando? – ela me pergunta, ainda meio hesitante. Por um momento, tenho vontade manda-la calar a boca. Que garota irritante, por que ela tem que prestar atenção em um detalhe desses? Mas as palavras morrem em minha garganta e eu sei, em algum lugar aqui dentro, que não consigo ser grosso com essa garota.

— Shinobis não choram – sussurro, enquanto me viro mais para o lado, tentando escapar dos olhos dela. Passo a mão apressadamente pelo meu rosto, tentando enxugar a maior parte dessas malditas lágrimas que insistem em descer.

— Mas acho que está tudo bem em chorar de vez em quando. Afinal, shinobis são humanos – ela diz lentamente e, parecendo se envergonhar um pouco com suas próprias palavras, acrescenta depressa – Pelo menos é isso que minha mamãe me diz.

Ao ouvir isso, finalmente me recomponho. Olhar para essa garota é como ter as palavras da Sakura, essa Sakura razoavelmente estranha, jogadas em meu rosto. Porque, de algum jeito inexplicável, a simples existência dessa menina parece comprovar todas as palavras dela.

Mesmo que algo assim seja impossível. Completamente impossível.

— E então? Quem é você? – ela me pergunta novamente e tenta firmar seu olhar em mim, mesmo que suas bochechas ainda estejam levemente coradas.

— Cale a boca, sou em quem faço as perguntas aqui – digo, ríspido, contrariando meus pensamente iniciais. Em um primeiro momento, fico aliviado por proferir essas palavras, como se o fato de eu conseguir responder essa garotinha à altura pudesse negar tudo isso. Mas meu alívio dura apenas alguns segundos, pois eu continuo aqui, com ela parada à minha frente. Nem sua suposta existência, nem essa situação toda parece ter sido superada com minhas palavras. Suspiro irritado e vejo que ela faz o mesmo, quase que ao mesmo tempo. Estranho. Ela me olha com ainda mais firmeza e dessa vez posso notar um brilho irritadiço em seu olhar, o que quase me faz sorrir de lado, meio divertido. – Sou Sasuke Uchiha.

A irritação em seus olhos desapareceu, sendo completamente substituída por confusão. Talvez eu não devesse ter lhe respondido, mas já estou farto dessa confusão toda. Tudo o que quero é sair dessa cama infernal e voltar à minha vida normal, ou ao menos o que restou dela desde o momento em que os Folhas mandaram meu irmão destruir meu clã.

Ao pensar nisso, finalmente desperto de vez para essa situação. Isso é ridículo, essa história de viagem no tempo. Mais ultrajante ainda é a ideia de que tenha me casado com a Sakura e continuado a morar em Konoha, como se essa vila não fosse a culpada por tudo que eu e meu irmão sofremos. Como se Sakura não tivesse sorrido às custas de nosso sofrimento, como todos os outros fizeram.

A única coisa que irei fazer com essa vila e seus habitantes é destruí-los, vou destruir todos eles até não restar mais nada.

Puxo as algemas mais uma vez, tentando em vão me libertar. Qual a merda do problema com esse lugar? Eles realmente pensam que vão conseguir alguma coisa me mantendo preso aqui?!

— Você não pode ser Sasuke Uchiha, pois ele é meu pai – ouço uma voz sussurrar e, por um momento, quase acho que imaginei isso. Mas finalmente consigo centralizar meu olhar em alguma coisa, mesmo em meio ao ódio. E essa coisa é a garotinha à minha frente, que me olha meio confusa, meio assustada. É sua voz que me traz de volta.

— Eu não tenho filhos, principalmente com a Sakura. Não seja ridícula como os outros.

— Pensei que tivesse dito que gostasse da mamãe – ela me diz, hesitante.

E é melhor hesitar mesmo. De onde ela tirou isso? Eu dizendo gostar da Sakura? Tendo uma filha com ela? Morando em Konoha?

Bem, só se for em uma Konoha totalmente destruída. Embora nem assim eu... Paro por um momento. Talvez as coisas só sejam um pouco absurdas. Agora que penso bem, desde que acordei, este quarto foi a única coisa eu vi. Eu, na verdade, não faço ideia de onde estou.

Concluí que tinham, de algum jeito absurdo, conseguido me arrastarem de volta para a vila. Mas eu não vi o Naruto ainda ou o Kakashi, que com certeza teriam sido os primeiros a virem me atazanar e contarem vitória para cima de mim.

Não, eu não vi ninguém. Exceto pela Sakura e aquele cara e essa tal de Sarada. Também foi, aparentemente, a voz deles que ouvi durante à noite.

Sinto-me um pouco tonto, de repente, afundando ainda mais na almofada que colocaram atrás das minhas costas – deve ser coisa da Sakura, com certeza.

Nada disso faz sentido, mas essa com certeza é a coisa mais perto da lógica que já me ocorreu desde que cheguei até aqui. Tanto o Itachi quanto a Sakura comentaram algo sobre passado e futuro e, embora eu ache isso tudo improvável demais, talvez seja verdade. Afinal, eu realmente estou aqui. E a Sakura... bem, aquela irritante realmente está diferente de quando a vi na ponte, apenas alguns dias atrás. Ninguém muda tanto em tão pouco tempo.

Então talvez, apenas talvez, o Itachi realmente tenha me enviado para uma espécie de futuro. Um futuro onde a Sakura realmente decidiu vir atrás de mim, arrependida de não ter feito isso anos atrás. Não que ela pudesse ter feito isso. Franzo as sobrancelhas, confuso. Eu não aceitaria um dos folhas ao meu lado. E ela nunca continuaria me amando depois de ter tentado matá-la.... Não, ela não é suficientemente absurda ao ponto de fazer algo assim, certo?

Mais do que isso... Sakura nunca me perdoaria por destruir sua preciosa vila. A obsessão dela por mim, aquilo que ela chama de amor, não é forte o bastante para aguentar algo assim.

Além disso, por que eu pouparia a vida dela?

Encaro mais uma vez a garota à minha frente e suspiro, cansado. A existência dessa menina é a prova viva de que isso tudo aconteceu. Bem, Sakura se tornou uma ninja médica, até onde eu sei. Ela treinou com a própria Tsunade, segundo dizem, e sempre foi a mais inteligente. Com certeza ela se tornou uma boa ninja.

E embora eu não pense nisso por agora... Ela não seria uma opção ruim para me ajudar a restaurar o clã, de uma outra forma...

Balanço a cabeça, tentando me livrar desses pensamentos desconexos. Não é hora para isso, eu não tenho tempo para isso.

Além disso, mesmo que eu permitisse que ela sobrevivesse, Sakura nunca poderia me amar depois de me ver destruir Konoha.

Mas essa garota está aqui ainda, com os meus olhos e o olhar de Sakura em seu rosto. Então, de algum jeito, isso aconteceu.

Mas só porquê isso pode ser o meu futuro, não significa que vá ser. Eu ainda posso mudá-lo, ainda posso desfazê-lo quando voltar. Desfazer a existência dessa garota, que parece ser tão bonita e tão forte ao mesmo tempo.

— Você não pode ser o papai... Mas com certeza se parece com ele – ela diz com a voz fraca, como se estivesse em dúvida se deveria continuar a conversar comigo ou não.

— Bem, parece que eu vim do passado para cá. Então você é mesmo minha filha...? – eu tento falar com firmeza, afirmando essas palavras esquisitas e impossíveis. Mas minha voz fraqueja no final e mais parece que estou lhe perguntando.

— Como isso é possível...? Você está falando sério?

— Bem, você está me vendo aqui, não? E eu também estou lhe vendo. E isso não é um genjutsu: eu saberia se fosse.

Ela parece pensar por um momento, então volta a me encarar com aqueles olhos tão parecidos com os meus. Parecidos com os do Itachi.

— Se isso é verdade, então por que ninguém me deixa ver você? – ela pergunta e continua a me olhar inquisidoramente. Como se justo eu fosse ter alguma resposta para o que está acontecendo aqui. Eles todos é que deveriam me responder ao invés de ficarem me enchendo de perguntas.

— Como é que eu posso saber?

Ela fica parada, me analisando um pouco e então se aproxima mais, ficando quase ao lado da cama.

— Nossa, eles até mesmo colocaram algemas que sugam chakra em você. Isso não é meio exagerado...? – Ela olha firmemente para as algemas e finalmente consigo sentir que as coisas vão melhorar um pouco.

— Abra-as.

— Como é?

— Eu disse para você abrir as algemas. Eu sou seu pai, lembra? Bem, ao menos parece ser isso. Possivelmente. Me soltar não seria um problema, então.

Olho fixamente para ela, tentado a fazer uma careta pelas palavras que disse. Pai. Essa com certeza não é uma palavra que eu esperava voltar a ouvir tão cedo. Especialmente em uma situação como essa. Ela me olha hesitante e posso ver que está analisando melhor a situação, ponderando antes de tomar uma decisão. Por um breve momento, sinto uma sensação estranha me preencher o peito, mas a afasto para lá. Neste momento, não é a inteligência dela que quero ver e sim conseguir com que ela me tire daqui.

Ela finalmente se aproxima mais e, cuidadosamente, começa a mexer nas correntes em meus pulsos, tentando ao máximo evitar qualquer grande contato comigo.

Ela solta minha mão esquerda primeiro e fico pateticamente aliviado pela sensação de finalmente estar livre. Espero para sentir o mesmo com a direita, mas eu não sinto nada. Me viro abruptamente para a garota, de novo, e ela está ostentando um sorriso confiante enquanto prende a outra algema em seu pulso esquerdo, me prendendo à ela.

Droga, por que ela tem que ser tão inteligente?

— O que pensa que está fazendo? – pergunto, tentando esconder a irritação em minha voz.

— Bem, essa história toda de viagem no tempo é bem absurda, não acha? Apesar de eu acreditar que seja verdde, simplesmente porque de fato estou vendo você aqui, isso tudo ainda me parece muito confuso. E por mais que o meu papai realmente não ligue muito para mim, minha mamãe também se recusou a me deixar vê-lo. E você estava preso, o que com certeza não deve ser bom sinal.

Fico com as palavras presas em minha garganta — de novo -, após ela terminar de falar, ainda com aquele sorriso confiante em seu rosto. Eu tinha a resposta para ela pronta, alegando que ela deveria me obedecer, já que supostamente sou seu pai – independente do quão absurdo isso soe.

Mas fico surpreso com as palavras dela, a frase “mesmo que o meu papai não ligue muito para mim” continua ressoando em minha mente. Teoricamente, eu sou o pai dessa garota no futuro. Então como ela pode falar assim de mim?

Como ela pode alegar que eu não me importo com a minha filha? Com minha... progenitora?

— Não seja boba, garota. Essas malditas algemas só ficaram presas em mim por conta da confusão que essa história toda gerou, afinal, como você mesma reconheceu, viagem no tempo não é uma coisa com a qual alguém está acostumado a lidar – tento contornar a situação, pronto para insistir que ela libere meu outro pulso. Mas me detenho, vencido pela curiosidade. Droga.— Você tem outros irmãos? É a mais velha? Onde eles estão?

— Até onde eu sei, você e a mamãe só tiveram a mim. – ela fala de prontidão, fazendo um pequeno bico com os lábios, o que dá a entender que talvez ela esteja emburrada com isso.

— Você gostaria de ter irmãos? – pergunto, enquanto sinto um pequeno sorriso se formando em meus lábios. Que garota irritante, como pode um ato tão infantil lhe fazer parecer quase.... fofa.

— É claro. Assim eu e a mamãe não ficaríamos mais tão solitárias aqui em casa.

Novamente, suas palavras me fazem congelar no lugar por alguns minutos. O que ela está falando, de novo? Como essas duas irritantes podem se sentir solitárias comigo estando por perto? Tsc, que garota absurda.

— Seria realmente ótimo que a mamãe engravidasse de novo – ela continua falando, sem notar a forma como suas palavras me atingem – Quem sabe a vinda de um bebê não convencesse meu papai a ficar algum tempo por aqui, conosco? Quer dizer, quem sabe isso não convencesse você.

— Seu pai... Digo, eu não fico aqui com vocês? Por quê?

— Bem, parece que você sempre tem missões super importantes, de forma que eu e a mamãe não somos nada se comparadas à elas – apesar de seu olhar firme, consigo sentir a mágoa em sua voz. Cerro os punhos em uma reação involuntária, me lembrando de coisas que eu preferiria esquecer para sempre.

— O meu irmão também sempre tinha muito o que fazer como shinobi para ficar me dando atenção o tempo todo – falo de forma rude, mas ela parece surpresa apenas por um momento, em questão de segundos, seus olhos passam a olhar para mim carregados de compaixão. Droga, por que essa garota tem que ser tão parecida com a Sakura? Não importa o quanto a aparência dela carregue os traços dos Uchihas, ela continua sendo tão irritante quanto aquela maldita garota de cabelos rosas. Por que ambas insistem tanto em achar que entendem um assunto sobre o qual elas não sabem nada?

Qualquer missão que eu possa ter no futuro, não é nada se comparada a que meu irmão teve que fazer. Então, como ela ousa me olhar assim? Como se essa garotinha pudesse entender algo desse tipo.

Ranjo os dentes, inconformado. O sacrifício de Itachi e a dor que Konoha causou a ele, a destruição do meu clã... Tudo isso está vívido novamente em minha cabeça. Como essa garota pode reclamar da ausência de um pai, quando pelo menos o pai dela ainda está vivo? Como essa garota pode sequer existir? Eu destruirei Konoha. Eu farei todos os folhas pagarem pelo que fizeram com o meu irmão.

— Bem, o pap... Você nunca havia me dito isso. Agora vamos logo, afinal, você já deve estar cansado de ficar trancado aqui dentro – ela diz toda empolgada e eu já sinto o chidori se formar, lentamente, em minha mão esquerda quando ela simplesmente salta pela janela, me levando junto com ela.

Malditas algemas, por que não consigo reagir? Por que diabos o chidori não se forma logo? Por que tudo o que consigo fazer é me deixar ser arrastado por essa garota estúpida?

Ela aterrissa levemente, comigo pousando ao seu lado – mesmo que a contragosto. Bem, com ou sem algema, com todo o meu chakra ou apenas uma parte dele... Não importa, eu com certeza sou muito mais forte do que ela. Me viro para ela, prestes a agarrar o seu pescoço, quando finalmente me dou conta de onde estamos.

O símbolo dos Uchihas brilha mortalmente por todo o local, mesmo que as ruas continuem tão vazias quanto estavam quando pisei no Distrito Uchiha pela última vez.

— Está tudo bem? – ela me pergunta com uma voz suave, me olhando com preocupação, mesmo que eu consiga ver uma leve confusão no fundo dos seus olhos.

Abro a boca para responder, mas a fecho quase que imediatamente. Por mais absurdo que tudo tenha sido até agora, nada me preparou para isso, nada me preparou para a visão do lugar que eu cresci, o lugar que uma vez eu tive uma família. E também o lugar que eu a perdi.

— Vamos – Sarada murmura, como se estivesse indecisa quanto a alguma coisa e então me puxa mais uma vez.

Pateticamente, me deixo mais uma vez ser arrastado por ela, mesmo sem saber direito para onde essa garota quer me levar.

Enquanto corremos para fora do Distrito Uchiha, eu noto que, de algum jeito, este lugar não é mais o mesmo de quando eu fui embora.

Não é mais o mesmo de quando eu vivi sozinho aqui.

Mesmo em alta velocidade – essa garota é mais rápida do que eu tinha imaginado – eu consigo perceber o quanto esse lugar, de repente, passou a brilhar. Não há mais fitas impedindo a saída e entrada desse lugar, as casas não parecem empoeiradas.... E há flores e plantas por toda parte. Até mesmo cerejeiras, que eu tenho certeza que nunca antes haviam estado por aqui.

De um jeito impossível, as marcas de sangue por todo o distrito Uchiha foram substituídas por flores desabrochando.

Por cerejeiras irritantemente rosas.

Perdido em pensamentos, simplesmente continuo seguindo essa garota que parece ser tão irritante quanto todas as cores ao meu redor.

Notas finais
E aí?! O que acharam?! Confesso que, desde que comecei a pensar nessa fic, este é o capítulo que eu mais queria escrever. Mas acabou sendo o que eu mais tive dificuldades para escrever - pelo menos até agora - pois a Sarada é uma personagem "nova" para mim, ao menos se comparada ao Sasuke e os demais, já que eu assisto Naruto desde criança, hahahah. Me digam, o que vocês esperam da relação desses dois? Vou adorar saber a opinião de vocês, então por favor não deixem de comentar! Beijos e até o próximo capítulo ♥