Redenção
8 O alvo
—...E mais um ponto e voilà, estará bem, — tagarelava Tony narrando o trabalho de Bruce. – Não poderá mexer muito seu pulso, senão os pontos irão se abrir. Aí seria o inferno: mais antibióticos, mais pontos, e possibilidade de noventa por cento de inflamar. Se inflamar, teremos o problema da sua fisiologia: o que vocês usam para tratar inflamações? Algum chazinho ou baba de dragão? Se for a baba, não temos aqui disponível, oh céus! Não, não quero todo o exército de Asgard contra minha Torre, ela não foi estruturada para isso. Viraria pó. Meu seguro não cobre ataque alienígenas ainda, mesmo depois da batalha...
—Você não vai mesmo parar de falar? – perguntou Rogers de mau humor.
—Tenho que concordar com Rogers, — disse o doutor terminando o procedimento. – Cala-a-boca!
Loki manteve-se em silêncio, olhando consternado o estrago em seus pulsos. Bruce tinha limpado as feridas o quanto pode, visto o aperto das pulseiras, e colocado pomada anti-inflamatória nas áreas críticas. Alguns pontos tiveram que ser dados em feridas profundas. – Parece que foi cortado com faca. Não sei se funcionará para sua fisiologia, mas eu passarei alguns antibióticos, também.
Após terminarem, Loki voltou ao seu quarto acompanhado de Tony. O rapaz foi até a janela e lá ficou, olhando vagamente para fora em teimosa mudez. – Você gosta muito dessa janela, hein? – O engenheiro disse após um bom tempo, puxando assunto. – E está escuro aqui... Jarvis, 80% de luminosidade.
O quarto clareou, saindo da penumbra em que estava. Isso pareceu despertar Loki, que olhou em sua volta. – Oh, Stark... – Ele secou suas lágrimas que estavam em seu rosto. – Eu gostaria de ficar a sós.
—Ok, eu entendo. Mas antes... Eu, sabe, eu gostaria de dizer que sinto muito. E tenho a quase certeza que, sobre a perda de seu filho, eu tenho certeza que há uma história bem ruim aí. E que aquele merda de seu pai deve estar envolvido nisso. – Tony bufou. – Gostaria de ter super poderes para ir lá e soca-lo, mas soca-lo muito. Até ele pedir perdão. Por tudo.
Loki olhava para ele pasmo e depois sorriu. – Obrigado.
Tony foi até ele e pegou na mão do asgardiano, que se assustou e se afastou. – Oh, desculpe, desculpe, não tocarei em você, eu me esqueci... – Estúpido!. – Loki, ninguém deu crédito as palavras daquela digníssima senhora, — e filha da puta, pensou – noiva de Thor. Só o que você disser é que valerá. Eu acho justo, a história é sua. – Ele suspirou. – Como Thor deixa uma pessoa tão venenosa para escolta-lo? Alguém que, obviamente, não gosta de você?
O rapaz ergueu a sobrancelha. – Se não fosse assim não teriam ninguém capacitado para tal. Ninguém gosta de mim em Asgard.
—Por quê? Para mim você é um cara bem legal.
Loki corou um pouco. – Obrigado. Mas não sou benquisto em minha terra. Acho que eles pressentiam quem eu era.
Stark franziu a testa e o outro esclareceu. – Jotun, o monstro azul.
—Você também não gosta deles, dos jotuns.
—Eu fui ensinado a odiá-los. O rei me ensinou, mesmo sabendo quem eu era. – Ele riu amargo. – Até a rainha. Mas não sou totalmente jotun, minha verdadeira mãe era uma elfa, por isso sou pequeno.
—Essa sua mãe morreu?
—Sim, — e seu olhar voltou a ficar triste.
Naquele momento Steve adentrou o quarto, observando os dois. – Tudo bem? Loki?
O asgardiano assentiu com a cabeça. –Estou bem.
—Está doendo?
—Sim, — e pôs a mão no pulso. – Mas nada extraordinário.
—Bom, — disse o engenheiro, — vou deixa-los a sós para namorarem. Preciso cuidar das pesquisas em andamento. Uma delas, aliás, sobre os rastros.
Steve ficou vermelho. – Tony, você é tão inconveniente...
Stark deu uma risadinha e saiu do quarto. O capitão, então, olhou para o asgardiano. – Sei que Tony já deve ter falado sobre aquele assunto... O assunto de seu filho e deve estar cansado.
—Ele não tocou no assunto, não diretamente.
Steve balançou a cabeça. – Entendo. – Ele se aproximou de Loki. – Quer falar sobre isso?
Loki negou com a cabeça. – Não há o que dizer, capitão. – E os olhos dele pareceram mais brilhantes do que nunca. O outro chegou mais perto dele e pôs as mãos nos cabelos do asgardiano, que olhou para ele com espanto.
—Esse é um modo de consolarmos as pessoas, um dos modos. – E continuou a acariciar, feliz por Loki não ter recuado. As mechas negras escorriam entre seus dedos devagar. – Também nos abraçamos, quando necessário... – E ele deslizou a mão dos cabelos para o ombro.
—O que está fazendo? – Loki recuou assustado.
—Eu ia te dar um abraço. – E Steve tentou novamente.
—Não! Não ouse! – E a expressão dele era de raiva. – Nunca mais coloque as mãos em mim! – disse entredentes e foi para o outro lado do quarto.
Steve não se aproximou dele. – Eu nunca te faria mal, Loki. Eu sei o que passou com seu irmão. Mas nem todos são como ele. Você precisa confiar em alguém, está carregando muita coisa sozinho.
—Eu estou acostumado, capitão. – A voz dele estava trêmula. – Não se preocupe.
—Por que eu não me preocuparia?
Loki olhou para ele com raiva. – Vocês não entendem, não é mesmo? Viveremos por seis mil anos e vocês, com sorte, cem anos. Dezenas de gerações de vocês se passarão até que eu morra, se eu chegar a velhice. Não há nada que vocês possam fazer, nada. Nossa vida é longa demais, com problemas além do alcance dos mortais.
—Você não quer tentar, ao menos?
—Não, Rogers, não! Será... sofrido. Entende? – Loki se abraçou, encolhido em um canto. – Vocês partirão e eu ficarei. Ficarei por muito tempo ainda. Será inútil, como eu disse.
Steve abaixou os olhos, entendendo finalmente. – Eu não sei o que dizer sobre isso. Você não quer se envolver com a gente, você não quer sofrer...
—Sozinho é mais garantido. Eu sei o que me espera na solidão, eu a conheço muito bem. – E olhou para o capitão. – Gostaria de ficar sozinho agora, se não for incômodo.
O outro assentiu com a cabeça e saiu do quarto. Loki suspirou profundamente e tocou seu rosto, sentindo a umidade das lágrimas. Droga.
Em outro local, em um dos escritórios de Stark, Natasha olhava pelo monitor a cena que acabara de acontecer. Ela ainda viu o asgardiano deslizar pela parede até o chão e esconder a cabeça entre as mãos. Um caso difícil, realmente.
~o ~
Sede da S.H.I.E.L.D.
Nick Fury observava alguns relatórios mensais de atividades incomuns no país. Alguns deles indicavam corpos estranhos que surgiram em algumas coordenadas. Curioso... Não haviam atravessado a atmosfera, como Thor e companhia faziam com aquele raio estranho. Aqueles surgiam do nada, como mágicos.
Magia... Mas que merda!
Coulson chegou naquele momento no escritório do diretor. – Senhor, mandou me chamar?
—Sim, Phil. Estou analisando esses relatórios e verifiquei que houve atividades alienígenas em... – Ele pesquisou as coordenadas em seu computador. – San Diego.
O agente suspirou. – Sim, senhor. Detectamos faz alguns dias e uma equipe foi até lá. Enviamos um memorando ao senhor e...
—Memorando? – Ele vasculhou sua pilha. – Ok, eu vejo. “Resíduos alienígenas em rochas encontrados no Parque Balboa, San Diego. Amostras foram levadas para análise e o local interditado.”
—Só uma parte, senhor. E obrigamos aos empregados a não especularem sobre o assunto.
—O que, é claro, fez com que a notícia se espalhasse rapidamente. – Ele checou na internet os tópicos mais comentados, e as investigações no parque Balboa estavam no “Top 10”. – Bom... não sabem o motivo. Apenas que o “governo investigava”. – E ele deu um sorriso mínimo. – E como estão nossas investigações?
Coulson engoliu em seco. – Senhor, eis o problema: as amostras parecem estar vivas.
—Como?
—As amostras A, R, Y-Z se multiplicaram em dez, semelhante a matriz. A amostra E tem crescido, e ainda não sabemos qual será sua forma final. Por fim, as amostras G, K e AA apenas pulsam como uma bolha viva.
Fury ergueu a sobrancelha. – E o que são as amostras? Alguma espécie conhecida?
—Nossos pesquisadores ainda não sabem. Está inconclusivo.
O diretor suspirou pesadamente. – Isso está ficando perigoso, Coulson. Não quero acreditar que essa notícia tem ligação com os rastros que Stark está pesquisando agora.
—Precisamos ver com ele como as pesquisas estão.
—Vá até ele. Veja por si mesmo o andamento do projeto. E aproveite para ver o “convidado” Loki. Sinto que teremos mais histórias com aquele alienígena. – E minha dor de cabeça voltou novamente, resmungou.
~o ~
Torre Stark
No laboratório de pesquisas, Tony mostrava os dados que obtivera das ondas para Bruce. – Veja, tudo aponta para cá, para Torre. Eu sinto que seremos alvo de alguma coisa em breve.
O doutor franziu a testa, pensativo. – Isso é sério. Você poderá ser atacado, e seria por Thanos? Ele voltará com seus monstros?
—Eu não sei, ele pode ter outras armas.
—Será que Loki não se lembraria?
O engenheiro parou por uns instantes, aflito. – Espere... – Ele releu os dados, refazendo os relatórios com outros parâmetros. -Elas não apontavam para cá, inicialmente. – E fez uma pesquisa sobre as coordenadas antigas. – Hum... Era para S.H.I.E.L.D.
—O quê? Em qual período?
Ele suspirou. – Período em que Loki estava lá.
—Oh... e agora, ele estando aqui...
—Merda... será que estão mandando algo para ele?
Bruce balançou a cabeça. – Não... ou estão apontando para ele. Como alvo. Esses não são rastros, são rastreadores! Devem rastrear e mapear o comportamento de Loki.
—Por isso que ele retirava dos prédios? Que merdinha, nem falou nada para gente.
—Ou ele não se lembra. Sabe que é importante, mas não se lembra. Não vejo por que ele não falaria para gente.
Tony bufou. – Eu não vou interroga-lo hoje. Basta o que aquela imbecil fez para ele. Amanhã conversaremos.
—Vamos, então, para a cozinha. Já é hora do almoço.
—Será que Loki subirá?
~o ~
—Não, ele não gostou de ervilhas da outra vez, — avisou Bruce a Tony enquanto preparavam a bandeja do almoço para ele. Loki não subiria à cozinha com Sif como companhia, então eles decidiram fazer o prato dele.
—Ok, vamos ver outra coisa. – E Tony foi vendo outras opções.
Natasha rolou os olhos. – Ele precisa comer o que tem, gente. Isso é o básico no manual de mãe de primeira viagem.
—Não se esqueça da sobremesa, — pediu Bruce olhando os itens, ignorando Natasha. – É pudim? Ele vai adorar, tenho certeza.
—Será que ele vai gostar de refrigerante? – perguntou o engenheiro. — Temos Coca-cola, Soda...
—Melhor não, — pediu Nat. – Faz mal aos dentes. – E ela deu um sorriso irônico.
—Ela tem razão, — disse Tony sem perceber a intenção da espiã. – Um cálice de vinho, então.
Barton, que havia ido almoçar com eles, pegou um dos pacotes e foi retirando as coisas para preparar a mesa. – Não existe só o Loki, ok? Também quero comer!
—Então levo isso, — disse Bruce ignorando todo o restante. – Você me ajuda, Tony?
O engenheiro prontamente levou uma sacola com uma garrafa de vinho e um cálice, enquanto Bruce levava uma bandeja com almoço e a sobremesa. Os dois se dirigiram para o elevador e partiram para o andar do rapaz.
—Vamos todos à mesa, — disse Natasha suspirando olhando para Clint. – A comida parece muito boa.
Barton comia em silêncio e sua amiga o cutucou sorrindo para ele. – Está de mau humor, gavião?
—Ele me incomoda ainda, — disse ele enquanto comia. – Não consigo entender como vocês gostam tanto dele. Estão todos apaixonados por esse cara.
Nat suspirou. – Você ouviu a história dele. Ele é um sobrevivente, Clint. Acho que todos nós nos identificamos com ele, de certa forma.
—Que coincidência, nós somos sobreviventes, e dele! – disse sarcástico. – Mais um pouco seríamos história. Não sei... Para mim ele ainda apronta.
Ela não empurrou mais. Barton nunca superaria o fato de ter sido dominado e matado muito de seus amigos durante esse período. Ele não perdoaria e nunca se perdoaria.
Sif e Fandral chegaram naquele momento e ela logo notou as ausências. – Onde está o restante? Loki?
—Acho que ficou sem fome,- disse simplesmente a espiã. – Podem se servir.
Após o almoço, Barton se despediu e foi em alguma missão. Fandral se esticou, satisfeito. – Bom, vou fazer a sesta. Com a comida de vocês acabarei ficando gordo.
Natasha forçou um sorriso. – Temos academia aqui na Torre. Creio que gostarão de treinar.
Os olhos de Sif brilharam. – Sério? Estou ansiosa para algum exercício! Eu e Fandral temos treinado no nosso andar alguns golpes com espada, mas o espaço é muito pequeno.
—Quebramos algumas coisas... – disse o loiro. – Espero que o Sr. Stark não fique chateado.
—Daremos algumas moedas de ouro, creio que ficará satisfeito, — disse ela com arrogância.
Quando Fandral se retirou para a sesta, Sif e Natasha se encararam. A espiã disfarçou o quanto pode sua raiva. – Sua declaração de manhã causou certo tumulto.
A guerreira sorriu. – A verdade, com Loki, é sempre terrível. Acostumem-se. A vida toda dele é um drama.
Natasha espremeu as mãos. – É verdade. Tem muita coisa acontecendo na vida dele no momento. Sobre o filho... o que aconteceu, realmente?
—Oh, aquele filho... Eu sinto muito ter causado aquele alvoroço entre vocês, — mas ela não parecia sentida. – Eu soube por conversas, nem Thor falou comigo sobre o assunto.
—No enterro, talvez?
Ela meneou a cabeça. – Não, você quer dizer a cerimônia fúnebre? Ele não teve, párias não tem esse direito. O bebê foi jogado em uma vala qualquer.
A espiã teve que se lembrar de respirar essa hora. – Pária?
—É, pária. Era um jotun nojento. Um a menos, como costumamos dizer entre os guerreiros. – E fez cara de nojo.
Natasha se ergueu de repente, respirando com força. – Eu irei aos treinamentos. Preciso me exercitar.
Sif se esticou feliz. – Irei depois. Vou fazer a sesta.
No andar dos treinamentos, Natasha colocou sua roupa de ginástica e começou a bater forte em um dos sacos. Ao longe, ela pode ver o capitão também se exercitando, estragando a intervalos regulares seus sacos de bater. Ele não tinha almoçado com eles...
—Você estava sem fome hoje? – perguntou ao se aproximar.
Steve batia com muita força no saco, que foi arremessado ao longe. Ela notou que havia mais cinco sacos estourados jogados ao longe. Ele pegou outro saco e pendurou no gancho e desferiu mais socos potentes.
—Estamos chateados hoje? – Ela arriscou. – Foi Loki?
O soldado parou para olhar para ela. – Não vigiaram pelo monitor? Como sempre fazem?
Ela ergueu as mãos, em sinal de paz. – Calma, Steve. Estou do seu lado.
—Você está de vários lados, Natasha. – E Steve fechou os olhos. – Desculpe... Não quis dizer isso.
Natasha cruzou os braços. – Eu me preocupo com ele também. Mas eu não posso ajudar se ele não quiser. Nem você.
—Ele não confia em mim.
—Loki é uma pessoa traumatizada, Steve. Vai demorar muito para ele confiar em alguém. O que podemos fazer é dar apoio e tentar protegê-lo o máximo possível de Asgard.
Ele deu uma risada triste. – Não vamos conseguir, não é mesmo? Ele precisa é recuperar essa bendita magia dele. Sem isso, logo Thor estará de volta para leva-lo. Eles vão fazer o que quiser com ele. Nem posso imaginar o quê! – E ele dá um forte soco no saco, que também estoura como os outros. – Droga!
—Eu vou pensar em alguma coisa, Steve. – E ela segurou o braço dele. – Eu prometo.
~o~
—Senhor Stark, o agente Coulson solicita autorização para entrar na Torre.
Tony estava em seu laboratório de pesquisas junto com a equipe e Banner. – Ele está sozinho, Jarvis?
—Sim, senhor.
—Dê a permissão. No 88º. andar.
Bruce tinha expressão preocupada. – Fury querendo seu relatório. Contamos a ele?
—Sim, não temos alternativas. E claro que fará uma checagem em nosso convidado. – Disse em voz baixa. – Vem comigo?
Eles já estavam estabelecidos em uma grande mesa quando o agente chegou. – Stark, Banner, como vão?
—Até agora estamos bem, — disse Tony sorrindo. – Uma bebida?
—Não, obrigado.
—Eu vou aceitar,- disse o engenheiro se servindo.
Coulson se sentou e ligou seu tablet. – Tenho aqui uma coleta no Parque Balboa que Fury gostaria que visse.
Tony fez um gesto com as mãos e a tela do tablet se refletiu em tamanho maior como holograma. – Mostre.
As imagens e os vídeos mostravam o início da coleta e as investigações sendo processadas nos laboratórios da S.H.I.E.L.D. – E aqui o link para o vídeo em tempo real das amostras. – E acessou a ligação.
—Oh... – Banner se aproximou do holograma e viu uma das amostras soltar uma espécie de ganchos laterais. – Isso está ficando perigoso.
—Concordo, — disse Stark. – Parece um monstro em formação.
—Não se preocupem, se ficar perigoso o mataremos. Mataremos todos.
—Tudo bem, Phil, já vimos o que queria mostrar. O que você quer?
Coulson suspirou, desligando o dispositivo. – Achamos que esses “monstros” têm a ver com os rastros. É muita coincidência que Loki esteja retirando ou colocando esses rastros e essa espécie alienígena aporta em nosso território.
Banner deu um sorriso. – Você disse bem. Só em nosso território. Podem ter ocorrências em outros países e eles não estão preparados como nós nessa área, tanto para detecção quanto para detenção.
—Talvez uma revisão planetária? – perguntou Tony. – Podemos acionar os satélites e fazer uma varredura em cada pedaço da Terra.
O agente sacudia a cabeça. –Sim, sim. Mas isso seria invasão territorial. Fury deverá convencer ainda o Conselho dessa necessidade, pois o preço por descobrirem será alto demais para a América.
Tony suspirou. – Ok, Coulson. Direcionaremos parte de nossa pesquisa nessa hipótese de ligação com suas amostras no Parque Balboa. Aliás, faz tempo que não vou a San Diego. Um final de semana lá não seria nada mal.
—Tony, volte à terra, — disse Banner estalando os dedos. – Era só isso, agente...?
—As pesquisas de vocês, como estão os resultados?
—Estão confusos ainda, Coulson, — disse Bruce. — Veja, tudo aponta para cá, para Torre. Eu sinto que seremos alvo de alguma coisa em breve.
O agente franziu a testa, pensativo. – Isso é sério. Poderemos ser atacados, e seria por Thanos? Ele voltará com seus monstros? Serão essas coisas que achamos no Parque?
—Eu não sei, ele pode ter outras armas, — disse Tony. – Como minions...
—Será que Loki não se lembraria?
—Não sei. E essas ondas não apontavam para cá, inicialmente. Era para S.H.I.E.L.D.
—O quê? – Ele engasgou. — Em qual período?
Ele suspirou. – Período em que Loki estava lá.
—Oh... e agora, ele estando aqui... – Coulson sacudiu a cabeça, pasmo. --Merda... será que estão mandando algo para ele?
Bruce balançou a cabeça. – Não... ou estão apontando para ele. Como alvo. Esses não são rastros, são rastreadores. Devem rastrear e mapear o comportamento de Loki. Foi essa nossa conclusão.
Phil suspirou. – Quero ver Loki agora. Preciso, aliás, precisamos fazer umas perguntas a ele.
Logo todos os três estavam no andar dele. Loki, como sempre, estava na biblioteca lendo seu décimo livro e agora fazia anotações em um grande caderno que Natasha havia lhe dado.
—Ocupado? — perguntou Tony assim que entrou.
—Vejo que tenho visita, — disse o asgardiano sem desviar o olhar do livro.
—Senhor Loki, sou o agente...
—Eu sei quem é. A questão é: o que quer?
Coulson suspirou e foi até ele. – A S.H.I.E.L.D. tem interesse em saber sobre o andamento de sua estadia aqui na Torre Stark.
Ele continuava a ler seu livro. -Tenho comido bem. Dormido bem. As distrações são poucas, mas os livros me servem. – E se virou para ele. – Agradeço a preocupação.
O agente sacou seu tablet e mostrou a ele as mesmas imagens que mostrara para Tony e Bruce. – Reconhece isso?
Loki olhou com indiferença. – Não. Deveria?
—São espécies estranhas ao nosso planeta. Acreditamos ser alienígena.
O asgardiano olhou bem para Coulson. – Acredito que o mundo “alienígena” deva ser bem vasto, o suficiente para que me escape o nome de todas as espécies existentes em todos os reinos, inclusive os que não compõem o domínio de Asgard.
—O que você fazia naqueles prédios?
—A brisa lá em cima é muito agradável. – E voltou para sua leitura.
Coulson tomou o livro de Loki e o jogou contra parede. – Cacete, isso é sério!
O rapaz olhou para ele novamente com um sorriso irônico. – Se queria minha atenção, era só pedir.
—Oh, seus pulsos... – Ele tinha notado a vermelhidão no local e algumas pomadas aplicadas.
—Um acidente. – E cruzou os braços, escondendo as feridas.
—Loki, — recomeçou o agente, — precisamos de sua ajuda. Tudo converge para você, os rastros apontam para sua pessoa. Alguém está monitorando sua localização e gostaríamos de sabe quem.
Phil pode finalmente ver uma reação interessada em Loki, apesar de que ele disfarçou. – Não sei dizer. E se soubesse, o que fariam? Se for Thanos, o que fariam? Ninguém de Midgard será páreo para ele.
—Já o derrotamos uma vez, — afirmou Tony com altivez.
—Não, vocês não tem ideia do que é Thanos. Midgard irá precisar da ajuda de Asgard, com certeza.
—Ou a sua? – sugeriu Banner.
—Talvez, — resmungou em voz baixa.
O agente desistiu. – Vamos monitorar mais de perto a Torre Stark. Sim, Stark, será necessário. Thanos pode querer invadir isso a Terra através desse link com Loki.
O asgardiano ergueu a sobrancelha. – Vocês irão me salvar, ou serei apenas uma isca?
Phil sorriu maldoso. – O que acha?
Quando ele saiu, Loki foi direto para o quarto, ignorando Bruce e Tony. Ele fez questão de bater a porta e ficar isolado de todos.
—Agora ele acha que também desconfiamos dele, — disse Bruce.
—Isso está estranho, Banner. Precisamos investigar mais. Por que Loki não nos conta o que sabe?
Bruce espremeu as mãos. – Acho que devemos interroga-lo mais. Talvez amanhã, quando ele estiver mais calmo.
—Eu temo que descobriremos coisas que não gostaríamos de saber.
~ o ~
Sua cama era tão macia. O cheiro de alfazema pairava no ar, mas Loki não queria abrir os olhos. Seu corpo pedia mais sono, e ele se virou para melhor se acomodar e dormir novamente. Uma mão sacudiu seu ombro e depois alisou seus cabelos. Ele sentiu essa mão, depois, deslizar para sua nuca e o calor arrepiou seu corpo. Depois a mão deslizou para suas costas, numa carícia ousada. Ele resmungou algo, mas a mão não se retirou. Antes foi descendo mais...
Loki se ergueu assustado e demorou um tempo para entender que estava no quarto em Midgard. E que era madrugada ainda, pela luminosidade da janela. – Jarvis?
—Sim, senhor.
—Que horas são?
—Três e meia.
Ele se deitou, cansado. Cansado de estar preso ali. Ele precisava sair um pouco, senão ficaria louco. Olhou para a janela e viu uma sombra estranha na persiana. Estou vendo coisas agora, pensou. A sombra não tinha silhueta de nada, deveria ser de algum prédio ou qualquer coisa por perto. Loki fechou os olhos e virou de lado, tentando dormir novamente.
No silêncio da madrugada, ele ouviu um barulho estranho. Ergueu-se novamente e olhou para a janela e não havia mais sombra. –Jarvis?
—Sim, senhor.
—Que barulho foi esse?
—Não detectei nenhum barulho, senhor.
Loki deitou-se e ficou olhando para o teto. Mesmo no escuro, aos poucos alguma luminosidade aparecia no quarto e ele pode ver o jogo de luzes dançando nas paredes. Dormir, precisava dormir. Se tivesse sua magia, haveria distração suficiente. Ele poderia ir para outros reinos. Ele poderia voltar para sua casa. Para Sigyn.
Outro barulho soou e Loki se levantou, indo direto para a janela. Não havia nada. – Jarvis? Eu ouvi de novo o barulho.
—Meus sistemas não apontam nada de anormal, senhor. Quer que eu chame o senhor Stark?
Ele balançou a cabeça irritado. – Não. Ele dirá que é culpa minha, provavelmente.
—Isso não parece lógico, senhor.
Loki se abraçou e começou a andar pelo quarto até que o sono o venceu. E, quando finalmente voltou a dormir, não pode ver a sombra tomando forma em sua janela e o observando com cuidado.
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