Redenção
15 Luz e escuridão
“Ele me roubou, capitão, durante a guerra. Odin roubou-me dos meus pais”.
Clint abandonou sua habitual postura agressiva e franziu a testa em horror. – Esse vai ganhar o prêmio do canalha do século...
—Que guerra, Loki? Eu não entendo...! – disse Steve quase aos sussurros. – A segunda guerra?
Loki ainda estava na janela, seu rosto agora contorcido em dor. – Foi a última grande guerra de Asgard, mil anos atrás. – Ele suspirou, como tentando se controlar. – Mas não é sobre isso o interrogatório. Há assuntos prementes, eu creio. – Virou-se cruzando os braços.
O barulho metálico soou no ambiente. – Senhor Stark, Thor quer subir a este andar. Ele deseja falar com Loki.
—Negativo, — respondeu o engenheiro. – Ele precisa marcar hora. Veja na agenda pra semana que vem.
—Senhor, ele vai usar o martelo.
O rapaz deu um meio sorriso mau. – Eu não tenho medo dele. E nem da vadia dele. Se quiserem subir, estarei pronto.
—Não! Temos um interrogatório para realizar. Será que ele se acalmará vendo o vídeo da conversa sua com Sif?
Loki concordou. – Acalmar não é bem o termo, mas creio que o foco não será mais minha pessoa.
—Ótimo. Jarvis, mostre o vídeo a eles.
—Sim, senhor.
Nos aposentos dos asgardianos, Thor rugia de raiva e mesmo Fandral e Volstagg, amigos de muito tempo, não ousaram se aproximar dele. Somente Sif estava a sua volta, com seus cabelos curtos espetados, com pontas para todos os lados, alimentando seu ódio contra Loki. — Ele foi longe demais, Thor. Eu sei que é o príncipe, que devemos honrá-lo por conta disso, mas tudo tem limites! Ele quis te atingir fazendo isso comigo! — E pôs as mãos em seu cabelo irregular.
Natasha, que observava a tudo até o momento em silêncio, tentou argumentar: — Thor, deve haver um motivo forte para Loki ter feito isso. Uma discussão, talvez?
—Fique no seu lugar, mortal! — disse Sif furiosa. — Como ousa se intrometer em assuntos reais asgardianos?
—Não fale assim com ela, Sif! — rebateu Thor. — Somos convidados deles aqui.
A espiã deu um meio sorriso. -E mesmo que Loki seja punido por esse ato contra a senhora Sif, lembrem-se que estão em outro reino e que há outras leis regendo o nosso povo e estrangeiros que aqui estão.
O barulho metálico soou. — Senhor Thor, o senhor Stark recomendou que mostrasse a todos o vídeo da discussão entre o senhor Loki e a senhorita Sif.
—C-como? — perguntou ela.
Naquele momento uma tela surgiu no meio do ambiente e mostrou Loki conversando com Volstagg. Thor olhou para ele imediatamente. — Amigo! Conversou com ele e nem me avisou! Sabia que eu queria conversar com meu irmão!
O guerreiro abriu a boca, porém resolveu não argumentar. O vídeo seguia com a entrada de Thor e Fandral no ambiente, Loki escondido aguardando a saída deles. Até que chegou o momento de Sif adentrar o ambiente topando com o rapaz.
—Isso é montagem, mentiras! — balbuciava Sif olhando para a reação de Thor enquanto ele via e ouvia as palavras dela contra seu irmão. Fandral arregalou os olhos ao ver Loki cortando as madeixas da guerreira. — Está vendo? — tentou se defender — Ele é um monstro, quis me humilhar, a futura rainha de Asgard.
Natasha pigarreou, tentando conter o riso. — Loki está bem forte...
Quando, no vídeo, Loki entrou no elevador e saiu, Thor pediu pra que parasse a transmissão. Ele respirou fundo e apertou o martelo em seus dedos. Andou pelo ambiente até chegar na janela e lá ficou em silêncio, enquanto todos os outros olhavam para ele em expectativa.
—Nosso noivado acabou, Sif — disse Thor. — Isso é definitivo.
~o ~
Fury suspirou impaciente. – Vamos poder começar agora?
O rapaz assentiu e o diretor iniciou: — Acho que já sabe o motivo pelo qual estamos aqui, — começou Fury. – Há um caos lá fora, pessoas com medo por conta dos ataques desses Chitauri. Estão culpando os Vingadores e, em especial, o Hulk. Não sabem de você ainda. – O diretor pôs as mãos no rosto. – Agora, o que diabos você está fazendo aqui de novo, na Terra? Foi você quem trouxe essas criaturas até nós novamente? E qual o real motivo daquelas curas?
—Eu não trouxe ninguém voluntariamente até o reino de vocês. É uma perseguição.
—A você?
—Sim, — e Loki abaixou os olhos. Tony e Steve se entreolharam. – Eu devo algo a Thanos que não quero cumprir. Na verdade, foi algo que ele impôs e acha que devo realizar.
—O que seria, Loki? – perguntou Rogers.
O rapaz mordeu os lábios. -Ele deseja uns artefatos de poder que estão no cofre de Asgard. São bem guardados por uma escolta e por magia. Eu tenho acesso a ele por ser da realeza.
—Que artefatos são esses? – perguntou Barton.
—Não posso dizer, é algo que só diz respeito à Asgard.
—Ele tem algum interesse além disso, por nossa Terra, por exemplo? – questionou Tony.
—Talvez. Midgard é um reino menor, mas a magia flui muito bem aqui. Nossa força é muito maior nesse lugar, eu mesmo testei, além do mais não há proteção mágica em nenhum local. Ou vocês são fracos demais... – Clint franziu a testa incomodado. – De qualquer forma, é um reino interessante e talvez ele se estabeleça aqui, eu não sei dos planos dele em relação a isso. Mas ele me persegue para que eu roube o que ele precisa. E, para isso, ele precisa me dominar novamente.
—Eu não entendo, — interrompeu Barton, — bastaria entrar aqui e te sequestrar, algo assim. Você mesmo disse que a magia de vocês é forte na Terra, então o que ele espera?
Loki abaixou a cabeça e respirou fundo. Steve pode notar que ele havia ficado vermelho. – Eu... Antes de vocês me encontrarem, eu lancei uma magia na Torre. E em vários lugares. Eles não podem entrar aqui. Estão protegidos.
—Por que fez isso? – questionou o capitão.
—Ele sabe da minha mente e... – Loki havia ficado mais vermelho ainda e continuou em voz baixa: – E no fim, ele sabe que sou um sentimental, às vezes.
Tony deu um grande sorriso. – Você já gostava da gente, é isso? Como? Eu sei que sou charmoso, mas mal nos falamos! Fora que Hulk te deu uma bela surra...
—Não seja tolo! – respondeu Loki com raiva. – Eu... Eu não sei dizer nada sobre isso.
O gavião arqueiro se aproximou dele com cuidado. – Pelo que percebo, Loki, sua magia estava superpotencializada, é isso? Então, posso concluir que na batalha de Nova Iorque, você poderia ter matado a todos nós?
—Qual o sentido de saber disso?
—Responda! – gritou Clint. – Isso é muito importante para mim.
Loki abaixou a cabeça e assentiu com a cabeça. – Vocês todos estavam muito desprotegidos. Muito motivados, porém são inferiores a mim e a alguns dos Chitauri. Os submestres. Eu tive que matá-los. Tive que fazer isso. O restante eu concluí que não seria páreo para vocês.
—Thanos não estava comandando sua mente? – tornou o gavião. – Ele não viu isso?
—Havia duas pessoas em minha mente, agente. Thanos e eu mesmo. Criei um artifício, um esconderijo para que pudesse pensar por mim mesmo sem ele ver. Foi difícil criar isso, mas consegui. Havia essa parte de mim que maquinava algumas coisas, e foi minha sobrevivência. Eu não podia o deixar destruir tudo. Midgard sempre foi protetorado mais frágil de Asgard e seu encargo, eu não poderia ser o responsável por seu aniquilamento.
Fury suspirou o analisando. – Protegeu os Vingadores assim que voltou a Terra... Não os matou durante a batalha mesmo tendo poderes para tal feito. Qual sua relação com eles? Não deve ser sentimental, se nem os conhecia. Isso tem a ver com as curas?
Loki se virou para ele. – As curas são algo à parte. Eu preciso terminar essa tarefa.
—Por que?
Ele não respondeu de imediato, virando seu rosto para a paisagem do lado de fora da janela. -Fiz um acordo com Hela. Sobre meu filho.
—Espera! – interrompeu Tony. – Seu filho... Aquele que morreu?
—Esse nome, Hela, não me é estranho, — comentou Coulson.
—Hela é a senhora de Helheim, — continuou Loki com austeridade. – É onde os mortos que não morreram em batalha ficam, não é tão honroso quanto Valhalla. Eu pedi a ela que devolvesse meu filho.
Todos ficaram em silêncio. Loki pediu para que ressuscitassem seu filho? – Pensei que as pessoas morressem uma vez só, — disse Steve incomodado.
—Há muitas coisas que não conhecem, — respondeu o príncipe. – Ela aceitou o meu pedido desde que eu cumprisse algumas coisas. Uma delas é curar todas as pessoas prejudicadas durante a invasão dos Chitauri.
—E quais são as outras coisas?
—Não tem a ver com Midgard, com vocês.
—Que garantias temos que o que diz é verdade? – questionou Fury. – Tudo pode ser mentira e enganação. É tão fácil ser tudo diferente, que está a serviço desse Thanos para subjugar a Terra, dominar a todos. Que essa estória de seu filho é uma bobagem sentimental para nos convencer de suas boas intenções. – E ele bateu o punho fechado contra sua mão. – Eu não acredito em você!
Loki sorriu. – É um homem razoável. Eu também não acreditaria. Mas o que farão quanto a isso? Não podem me prender, não há nada contra mim de concreto. Ou pode me prender, mas sabendo que é um total contrassenso. A sua única opção é aceitar.
Fury se aproximou dele. – É um filho da puta, isso que é. Eu não confio em você, Loki. Seu irmão não confia em você, seu pai não confia. Por que confiaríamos? Eu deveria levá-lo agora para Shield. – Steve e Tony se postaram ao lado do rapaz.
—Eles não confiam porque eu sei dos segredos deles. Segredos de Asgard! Eu não tenho motivos para ficar aqui além dos que expus. Não preciso de outro reino, já sou herdeiro de dois.
Tony e Steve se entreolharam. Essa é nova, pensaram.
—E por que não está lá, Loki? – Fury se aproximou mais dele e Loki o encarou. – Eles não poderiam te ajudar, sobretudo – e apontou pras pulseiras dele, — para devolver sua magia? Ou nem eles te querem? Nem eles confiam em você, não é?
Loki respirou fundo e respondeu entredentes: — Eles não sabem de mim.
—Como?
—Isso que ouviu. Eu não me revelei a eles. – E ele se virou para janela, escondendo o rosto novamente. – Eu não pude... Eu não consegui me revelar. Sou filho da falecida princesa élfica e filho do falecido rei jotun. Quando fui lá, em cada um dos reinos, eu fui disfarçado. Eles não me receberiam se eu fosse como Loki, príncipe de Asgard, é claro. Somos inimigos. Fui como vendedor de jóias de Vanheim, com outra aparência. Eles estão tão bem sem minha existência... Estão adaptados. Sem ela. Sem mim. Há um primo da minha mãe como herdeiro direto dos meus avós em Alfheim. Em Jotunheim, há meu irmão comandando o reino. Estão todos bem. Não há lugar para mim, não mais.
Fury notou que as mãos do rapaz tremiam e se afastou, indo para perto de Coulson. – Eu entendo. Isso só reforça minha tese: você não tem reino nenhum e quer um pra você. Aliando-se a Thanos, terá esse lugar pra vocês!
—Se eu tivesse Thanos como aliado, ele teria me libertado dessas malditas pulseiras e já teríamos deitado Midgard abaixo!
—Não faz isso por medo de Asgard, — rebateu Fury. — Como você disse, a Terra é protegida por esse reino. Vocês têm medo.
Stark pigarreou. – Pelo seu raciocínio, todos seriam suspeitos. Até você, Fury, poderia ser um agente infiltrado de alguma organização terrorista. Tipo a Disney. E Coulson estaria a serviço do IRA. Veja, quantas possibilidades! É só bolar alguma atitude suspeita e enfiar argumentos em todas elas e voilà! Presos e interrogados. Talvez mortos... Por favor, não está lidando com amadores. Estamos vendo o que está fazendo!
—E não vamos deixar que leve Loki, — disse Steve com raiva. – Ele é inocente até que se prove, provar mesmo, o contrário.
—É a segurança desse país que está em jogo! – gritou Coulson. Clint, estranhamente, permanecia calado.
—Não vamos sacrificar vidas inocentes em prol desse país, — tornou o capitão. – E fora que precisamos mesmo saber os motivos desses alienígenas além da perseguição a Loki e seria bom ele está conosco para podermos monitorar isso. Não vamos entrar em um estado de exceção para justificar arbitrariedades! Esse não é o país que jurei defender!
—Cuidado com o que fala, capitão, — disse Fury, — pois pode se tornar facilmente em traição.
—Basta torcerem para o lado que quiserem, pelo que vejo, — rebateu Steve.
Fury e Coulson se entreolharam e o diretor disse: — Tudo bem. Vamos embora agora. Vou precisar de você mais tarde, Stark, para resolvermos a questão das criaturas do laboratório que estão se desenvolvendo muito rápido. As alienígenas. – E olhou para Loki. – Estarei observando você de perto, Alteza.
Quando Fury e Coulson saíram, acompanhados de Barton, Stark soltou um sonoro suspiro e sentou-se na cama. – Que cara chato! — E somente naquele momento notou o criado-mudo quebrado ao lado da cama. — Passou uma tempestade aqui?
Steve também suspirou. – É um idiota aproveitador. – E voltou-se para Loki. – Está tudo bem, estamos com você. – O rapaz manteve-se em silêncio.
—Muita informação, muita informação, meus caros amigos — disse Tony. Queria tanto uma bebida!, pensou. – Loki, você é de outra realeza? Entendi direito?
—Eu não quero mais falar disso, Stark, — disse o rapaz num fio de voz. – Gostaria de ficar a sós.
—E sobre seu filho... – Continuou o engenheiro, mas Steve balançou a cabeça para ele em negativa. – Tudo bem. Vamos indo. Eu voltarei para jantarmos, tudo bem? Eu tenho agora uma multidão para convencer e vou precisar de todo meu charme.
Quando saíram, Loki foi para sua cama e ficou próximo a cabeceira, tentando acalmar suas mãos trêmulas. Pegou a faca debaixo do travesseiro e a colocou próxima a si enquanto pensava no que faria. Eu contei, eu contei tudo!, — pensava. Quase tudo, — se corrigiu. Ele precisava tanto sair dali, cumprir sua tarefa e voltar para ela. Se esconder. Fingir que não havia mais nada fora dali, do seu mundo construído a prova de decepções. Nove reinos, e em nenhum havia lugar para ele e Sigyn.
Acalme-se!, sussurrou pra si mesmo, e lágrimas brotaram em seus olhos. Acalme-se!, repetiu, e largou a faca do lado e pôs as mãos no rosto. E começou a soluçar.
Acalme-se, Loki! Ou não vai conseguir sobreviver, pensou em desespero.
~o ~
Sif olhava para ele a princípio sem entender, depois sentiu todo seu corpo tremer. — Não pode fazer isso comigo, Thor. Temos um acordo entre nossas famílias. O compromisso do rei com meu pai. Não pode desfazer!
—Acho que deixarei vocês a sós… — comentou a espiã saindo do ambiente. Logo depois, em seus aposentos, ela ligaria o vídeo para observar o que se seguiu.
—Farei com que ele veja esse vídeo, — disse Thor a Sif, — e isso o convencerá sobre o rompimento. Verá o quão baixa seria a futura rainha de Asgard.
—Tudo por causa daquele maldito ergi! Maldito!
—Ousa ainda ofender a meu irmão? – Ele balançava a cabeça. – Como pude ser tão cego!
—Você está ansioso, não é? Ansioso para fodê-lo novamente! Mas será outro estupro, porque na boa vontade não terá nada!
Thor avançou contra ela, sendo impedido por Fandral e Volstagg. — Parem os dois! Melhor cada um ir para um canto esfriar a cabeça, — pediu Volstagg.
—Como vai fazer, querido Thor? Ele vai ser sua concubina? Seu escravo de cama? — E ela cuspiu no chão. — Seu pai nunca vai aceitar isso. Não terá herdeiros e será uma vergonha. O Conselho vai destituí-lo e será o fim da dinastia de Odin! E tudo por causa dele, do jotun!
—Eu não quero mais ouvir sua voz, — disse Thor em voz baixa, com os olhos perigosamente escuros. — Se eu continuar, acabarei fazendo uma besteira. Vou ao meu andar e não quero que me siga. – E saiu pegando um elevador.
Chegando ao andar dele, respirou fundo e imediatamente procura pelo A.I. – Jarvis? Onde está Loki?
—Ele está a sós no quarto dele.
—Eu vou até lá!
—Senhor, devo lembrá-lo que está proibido de ir até ele.
—Droga! – E se lembrou de Natasha, que o ajudara na confusão de Sif havia pouco tempo. – Onde está Lady Natasha?
—A agente Romanoff está nos aposentos dela.
—Tenho como ir lá?
—Não, senhor, está proibido também.
Droga! – E ela poderia vir até aqui? Você pode pedir isso a ela?
—Sim, senhor. Vou verificar com a agente. – Passaram-se alguns minutos e ele retornou. – Ela está indo até o senhor.
Ela chegou em poucos minutos com olhar curioso. – Thor, está tudo bem?
—Lady Natasha, sei que é muito sábia e preciso de seus conselhos. Normalmente faria isso com minha mãe, mas estou sem acesso a ela e...
—Tudo bem, Thor. – Ela sorriu e sentou-se numa poltrona. – Estou ouvindo você.
O guerreiro suspirou e sentou-se perto dela. – Eu estou em conflito. Isso não é bom para um guerreiro. Nós temos que ter certeza das coisas. Incertezas podem gerar perdas e mortes.
—Incertezas podem evitar mortes também, Thor. Levar a não se precipitar. E, em geral, é um indício que algo está errado e precisa ser analisado. Lembre-se: você não é só um guerreiro, será o rei de Asgard. Terá que tomar decisões difíceis o tempo todo.
Ele balançou a cabeça concordando. – Eu sei. Mas eu gosto das coisas mais simples. Houve um tempo em que não havia nada disso, dessas confusões...
—No útero de sua mãe? – Thor ergueu a sobrancelha. – Desculpe, mas desde que nascemos é assim. E o que te aflige em especial? É Loki?
—Sim, — respondeu engolindo em seco. – Sempre ele. Na minha vida toda.
—O que ele faz que te aflige?
Thor respirou fundo e não conseguiu responder, abaixando a cabeça.
—Eu estava vendo um vídeo dele agora, do interrogatório de Fury, -contou ela. – Se me prometer ficar calmo, eu mostro o que houve durante e depois.
—Interrogaram meu irmão? – perguntou agressivo.
Ela pediu para que Jarvis mostrasse o vídeo e Thor havia se erguido, andando de um lado para outro ouvindo e vendo toda a cena. Diversas vezes empunhou seu martelo em ódio. – Ele contou! Traidor...! – Mas chegando na parte da confissão de Loki sobre os pais verdadeiros, Thor voltou a se sentar, olhando fixamente para a imagem projetada. – Eu não sabia... – E, após a saída de todos do quarto, vendo Loki chorando, lágrimas também escorreram dos olhos do guerreiro. – Meu irmão, eu estou aqui — sussurrou.
—Já acionei o Steve quanto a faca escondida. Ele irá logo até Loki para retirar dele. Thor, ele estava com ela para se defender de você ou de seu amigo. – Ela suspirou. – O que achou do interrogatório? Temos muitas informações... Ele deliberadamente nos protegeu na batalha. E protege agora. Você sabe o motivo?
Thor balançou a cabeça em negativa. – Não. Ele não conhecia vocês. Isso é muito estranho. Loki está sofrendo muito, está se sentindo sem lar, mas se esquece de que Asgard sempre será seu reino. Quando eu assumir o trono, ele terá posição de honra, não precisará dos elfos e nem dos jotuns!
—Thor, você entendeu que ele não quer isso?
—Eu não vou mais me casar com Sif, — disse afobado. – Eu assumirei o trono solteiro. Não vou mais me casar. Com ninguém. E Loki... Ele poderá governar comigo. Eu já me decidi.
—E o que Loki quer?
—Ele vai querer. Eu serei o rei dele, afinal.
Natasha quase rolou os olhos. – Thor, ele não vai obedecê-lo. Loki tem uma vida independente agora.
Os olhos dele brilharam. – Ele pertence a mim. O que ele está passando agora vai acabar quando eu assumir o trono. Meu pai... O rei fez coisas reprováveis, mas é impossível e nem prudente enfrentá-lo agora. Precisamos do reino estável. Loki e eu devemos ser pacientes.
—Você aceitará o filho dele e Sigyn na vida de vocês?
—Sigyn e o filho deles terão uma boa casa fora do palácio. Serão bem cuidados.
Natasha se ergueu incomodada e foi andando pelo ambiente. – Você está decidindo por ele e isso não é bom. Deve perguntar para o Loki o que Loki quer. Lembre-se que você o estuprou e provavelmente ele tem trauma disso. Tanto que ele tem escondido aquela faca debaixo do travesseiro!
—Eu não sei por que fiz isso! – gritou ele também se erguendo. – Eu nunca machucaria meu irmão, ele é a pessoa mais importante da minha vida! Sempre o protegi, sempre. Eu sinto tanta falta dele! – Natasha pode ver os olhos dele marejarem.
—Eu entendo, Thor. Mas esse fato é gravíssimo. Aqui na Terra você seria encarcerado por isso e por muitos anos.
—Lá em Asgard, Loki é quem pagaria, sendo executado. Mas escondemos o que aconteceu de todos.
Ela bufou. – Ah, sim, lá a vítima é quem é a culpada. Havia me esquecido disso. Mas qualquer que seja o resultado legal, ele está traumatizado e não confia mais em você. E nem no seu amigo.
—Eu preciso recuperar a confiança dele, Lady Natasha. Eu preciso provar que nunca machucaria meu irmão.
Natasha ergueu uma sobrancelha. – Thor, se garante que não fez nada... Talvez devesse investigar isso. Você foi drogado?
—Drogado?
—Alguém colocou algo em sua comida, bebida, ou mesmo... Bem, lançou algum feitiço em você? Sei que no reino de vocês isso é bem comum.
Ele sacudiu a cabeça. – Eu saberia se tivesse acontecido.
—Você garante que não machucaria seu irmão, no entanto o estuprou. Claramente não sabe o que está acontecendo! — disse sem paciência. – Eu vou verificar nos vídeos algo estranho sobre seu amigo, se houve alguma coisa antes dele atentar contra Loki. Talvez ache uma pista também sobre seu caso.
—Eu ficaria eternamente agradecido, — disse ele solenemente.
Natasha se despediu e foi diretamente ao escritório de Tony, que estava vazio. – Jarvis, onde está Stark?
—Ele está com a imprensa no momento. Ao vivo.
—Oh... Mostre a transmissão.
Uma tela apareceu no meio do escritório e Tony apareceu em frente a muitos repórteres ladeado por seguranças. – É como eu já disse: a iniciativa Vingadores não foi feita para ação, e sim para reação. Quando há algo ameaçando a cidade ou o país, temos o dever de protegê-la. Mas nós podemos controlar nossas ações, não as do inimigo! E isso resulta em alguns estragos e, infelizmente, em mortes. Várias agências de segurança têm lutado para precaver-se desses ataques, e tem feito com muita competência, mas às vezes há algo que escapa. Aí que entramos, prontos para defender cada vida que aqui existe. – E fez uma pausa dramática. – Cada um de nós defenderá com a própria vida os cidadãos americanos e nosso lar. Esse é o nosso compromisso.
Um dos repórteres o interrompeu: — E quanto a Hulk? Ele tem feito mais estragos que os próprios invasores! Quem o controla?
—Hulk, a seu jeito, tem lutado contra os inimigos com fúria inigualável. Muitas vezes ele exagera, mas é por uma boa causa. A iniciativa Vingadores tem cuidado disso, para o direcionar no caminho certo, e tenho certeza que chegaremos num bom termo.
—Onde está o Thor? – perguntou outro. – Não seria bom convocá-lo já que estamos lidando com seres de outro planeta?
Stark pigarreou. – Thor tem seus próprios problemas em seu planeta e não pode comparecer. Eu, Anthony Edward Stark, me comprometo a ajudar financeiramente a todos que ficaram prejudicados com os eventos recentes. O prefeito, — e ele deu um tapinha no ombro do homem engravatado ao seu lado, — fará uma lista com tudo que deve ser reconstruído.
—E aquelas criaturas? – perguntou uma repórter. – Voltarão a nos amedrontar?
Tony olhou bem pra ela com um sorriso nos lábios. – Estão sendo monitorados e agiremos antes de darem um passo fora da linha. Protegerei você e a todos que necessitarem. O Homem de Ferro não falhará. – E deu uma piscadela, sendo retribuído com um sorriso.
Alguns aplausos tímidos foram iniciados e depois o ambiente todo se encheu do barulho. Stark saudou a todos e se retirou do ambiente. O repórter que transmitia a coletiva deu seu discurso final.
—Desligue, — disse Natasha. – Jarvis, agora me mostre o vídeo de Loki e Fandral, há cinco dias.
—Sim, senhora.
Agora vamos ver se acho alguma coisa.
~o~
Banner andava solitário em seu laboratório. Todos já haviam partido e ele observava, melancólico, cada item do local. Tudo inútil, pensou. Em breve seria caçado, mas conseguiriam matar Hulk? Ninguém consegue, pensou com orgulho, que logo se transformou em desespero.
Talvez... Talvez fosse melhor... Ele sacudiu a cabeça, batendo o punho contra uma mesa. Droga. Não posso ficar com raiva. Não posso. – Jarvis? Como estão todos?
—A definição de todos é muito ampla, senhor.
—Stark, Romanoff, Rogers, Barton, Loki, Thor...
—O senhor Stark acabou de dar uma entrevista coletiva a imprensa e encontra-se conversando com uma das repórteres. Parece que estão marcando um encontro. — Bruce rolou os olhos. – A agente Romanoff está vendo um vídeo da gravação do quarto do senhor Loki.
—Que gravação?
—Da ocasião da visita do senhor Fandral.
Oh... – E os outros?
—O agente Barton não está na Torre. O senhor Rogers está indo para o quarto do senhor Loki. E o senhor Loki está tomando um banho demorado no momento. Thor está sozinho em seu quarto.
—Ótimo. Todos ocupados. Jarvis, entre em contato com Fury. Eu preciso falar com ele urgente.
—Sim, senhor.
~o ~
Loki terminou seu banho e foi até seu closet vestir algumas roupas. O barulho metálico soou no ambiente. – O senhor Rogers está subindo para este andar.
—Obrigado, Jarvis.
Terminou de se arrumar e respirou fundo. Sentia um medo estranho em ter outra pessoa no quarto a sós. Aliás, outro homem. Loki foi até a biblioteca e pegou um livro qualquer, sentando-se em uma das cadeiras e simulando despreocupação. O barulho do elevador indicou a chegada dele. – Loki.
—Capitão, — respondeu sem tirar os olhos do livro.
Ele sentiu Rogers se aproximar e ouviu um arrastar de cadeira. – Eu trouxe um lanche para você. – Loki ergueu os olhos e viu uma bandeja com algumas frutas.
—Obrigado, — disse pegando uma uva em um dos cachos. – Saborosa, pena que...
—... Que tenha substâncias nocivas. Já sabemos disso.
Loki deu um meio sorriso. – A verdade dói, não é mesmo?
—Dói quando não podemos fazer nada sobre isso. Quando vemos que é possível, mas mesmo assim nada muda.
O rapaz sentiu um arrepio e ficou vermelho. Rogers sorriu. – Eu vi o vídeo com você e a Sif. E depois da discussão dela com seu irmão. Eles estão brigados.
Loki deu de ombros. – Eu não me importo. O engraçado que tudo que vocês sabem é com esses “vídeos”. Quando estou com minha magia, bastaria encostar meus dedos na testa da pessoa e veria toda memória dela. Muito útil.
—Como é? Demonstre para mim.
Ele esticou suas mãos até a testa de Steve e pousou suavemente na pele dele. – Ficaria um instante, até achar o que procuro. Não duraria nem um minuto.
—As pessoas cedem assim, de boa vontade, como eu? – perguntou, seu rosto muito próximo. Os dedos frios de Loki queimavam.
—Teria que usar outra magia, para imobilizá-la, — disse rindo suavemente retirando os dedos. – Nada voluntário, — e seu olhar se cruzou com o do outro. – Bom — e se afastou, — vou terminar de comer essas frutas.
—Deveria sorrir mais vezes, Loki – disse o capitão. – Tem um sorriso lindo.
Loki respirou fundo. – É normal em Midgard esses galanteios? De um homem para outro homem?
Steve sorriu enrubescendo. – Não em todos os lugares. E você se importa com isso?
—Sim, — e ele abaixou a cabeça enquanto comia outra uva. Steve observou discretamente os movimentos dos lábios do rapaz. – Galanteios são só para mulheres, sobretudo as donzelas.
—Estamos na Terra. E você não é de Asgard, de verdade. Como é nos seus outros reinos?
—São permissivos. Tanto elfos quanto os jotuns. – Loki ergueu-se, se afastando de Steve. – Mas fui criado em Asgard, com princípios de Asgard. Sinto em desencorajá-lo, capitão, mas não sou ergi.
Steve também se ergueu e se aproximou novamente dele. – Eu não quero usar essa palavra “ergi”, parece tão depreciativa! Eu vejo você como alguém que merece todo o carinho e galanteio que fosse possível. Não entendo metade de suas ações, dos motivos que o leva a nos proteger, proteger essa Torre, mas me sinto honrado e cada vez mais... Bom, você sabe.
—E-eu não sei, capitão.
—Meu nome é Steve, pode usá-lo.
Loki engoliu em seco. – Essa conversa está indo para um mau caminho. Gostaria de terminar minhas frutas em paz. – Nesse momento ele sentiu a mão de Rogers em seu braço.
—Eu gostaria que confiasse em mim. Nunca faria nada para rebaixá-lo. – O rapaz não recuou e Steve se aproximou mais, agora passando a mão no rosto dele. – Sei que, com sua magia, é mil vezes mais poderoso que qualquer mortal, mas quero oferecer mesmo assim a você minha proteção e dedicação. Sempre estarei ao seu lado, se me permitir. – E ele pegou na mão de Loki com delicadeza e a beijou demoradamente. Loki sentiu seu coração acelerar e soltou uma respiração profunda.
Depois de um tempo Loki desvencilhou-se dele e se afastou um pouco. – Obrigado, cap... Steve — disse num fio de voz. — Sua amizade é muito apreciada.
Ambos ficaram um tempo se encarando por um momento até Loki desviar o olhar e voltar a sua mesa com olhos baixos.
—Loki, eu também vim aqui para recuperar algo da nossa cozinha. Sim, sabemos que tem uma faca embaixo do seu travesseiro.
O rapaz se mexeu nervosamente. — Vão me tirar minha única defesa contra… Você sabe.
—Eu serei sua defesa, Loki, já disse, até recuperar sua magia. Deixe-me ser…
—Dia e noite? Todos precisam dormir, eventualmente.
Steve olhou em volta. — Posso dormir aqui, em seu andar. Coloco um colchonete no cômodo ao lado deste. Jarvis me acordaria se houver algum problema.
O príncipe ergueu a sobrancelha. — Isso seria um sacrifício imenso.
—Não é sacrifício, Loki. Eu sou um soldado e esse é um dever de um soldado: proteger. Ainda mais se for algo tão precioso.
Loki o observou por algum tempo e, de repente, se ergueu e caminhou para seu quarto. Logo retornou com a faca em mãos e a depositou em cima da mesa. — Leve-a, então. Terá meu voto de confiança.
Steve sorriu. — Tudo bem. Estamos de acordo, então.
~o ~
—Jarvis, volte 50s.
A imagem do vídeo congela e retorna para o tempo pedido. Fandral estava sentado vendo algo e ele se ergueu, indo para o elevador. -Imagens do vídeo do elevador, — pediu Natasha.
A cena mudou e Fandral apareceu. Ele estava inquieto, tamborilando na parede de aço do elevador, aguardando que chegasse a seu destino. Ele saiu um pouco apressado quando as portas se abriram e se dirigiu até Loki. Ele disse algo assim que encontrou o príncipe e Natasha viu que ele se abanava. — Com calor… Jarvis, volte para a cena da cozinha. — Quando retornou, ela solicitou que fosse a outra minutagem. — Aos 40s.
A câmera não pegara bem o ângulo, e lá estava Sif de costas preparando algo, talvez um suco. Ela serviu a Fandral e depois jogou todo resto fora no ralo da pia. Tinha também Steve e Bruce no ambiente, mas afastados dos asgardianos. Natasha tentou encontrar algo de anormal, mas tudo parecia bem. — Droga. O que está me escapando? Será que é algo anterior a isso, algo implantado? Ou há alguma coisa invisível próxima a Loki? Deus, estou fazendo suposições absurdas agora… — E ela se frustrava. Com magia, abria-se um leque de opções infinitas.
A porta do escritório se abriu e viu Tony entrar. — Olá, Nat. Sabe, preciso polir minha armadura do Homem de Ferro. Fazer depois umas demonstrações particulares…
—Sem festas, Tony, por enquanto. Temos um problema sério a resolver primeiro, — disse ríspida.
—Ok, mamãe — respondeu erguendo as mãos. — Já está anoitecendo, vamos levar algo para Loki? Fora que quero dar uma olhada nele, como ele está.
Ela suspirou e aceitou. Prepararam uma bandeja com jantar e uma bebida e outra com sobremesa. — Ele adora pudim, — disse Tony animado. Natasha colocou mais opções para ele escolher.
Quando lá chegaram, encontraram Loki mordiscando um morango com Steve a seu lado. Ambos riam de algo.
— Opa, atrapalhando alguma coisa? — perguntou o engenheiro com um sorriso malicioso com uma das bandejas.
— Vejo que já trouxeram algo para você… — disse Natasha constrangida. — Acabou com todo apetite dele...
—Eu sabia que tínhamos que consultar o Jarvis antes! – disse ele em sussurros altos para ela. – Somos os legítimos empata-fodas. — E se voltou para os dois. — É, então, vejo que estão ocupados, voltamos outra hora...
—Não, Stark, está tudo bem, — disse o rapaz pegando outro morango. – Lady Natasha, adoraria jantar, obrigado. – Eles, então, depositaram as bandejas na mesa.
Steve estava na mesma posição de antes e sacudiu os ombros. – Jarvis é muito útil mesmo, Stark, quando consultado. — Natasha sufocou um riso.
—Bom, — ignorou o engenheiro, — do que conversavam?
—Contava ao cap… a Steve sobre como é organizada a defesa de Asgard. E uns casos interessantes sobre os guerreiros.
—Loki tem histórias bastante divertidas, — disse o capitão ficando vermelho.
—Sei sei… — respondeu o engenheiro malicioso. — Mas vamos mudar de assunto. Eu estava agora pouco conversando com uma moça linda, perfeita, e ela será a mãe dos meus filhos!
Loki franziu a testa. – Ela é ruiva?
—Como?
—Ruiva. Eu predisse seu futuro e tinha dito que se casaria e teria filhos. Mas seria com uma ruiva, muito bonita, alta, esguia, magra. Olhos bem azuis.
Os Vingadores se entreolharam e Stark pigarreou. – Não, essa é baixinha, boas curvas, morena, olhos castanhos. Cabelos compridos e cacheados.
—Não é essa, — rebateu o rapaz. – A ruiva tinha cabelos pelos ombros, lisos e retos.
—Está parecendo a descrição de alguém, — cantarolou Nat.
Steve franziu a testa. – Sua ex-esposa não é...
—Gente, o Loki vai virar uma bola com tanto de comida que vocês trazem! – disse Stark pegando um dos doces da bandeja de sobremesa. – Esse é do quê?
—Pedaço de torta holandesa, — avisou a agente, — e fomos nós quem trouxemos. Loki, preciso conversar com você.
Ele assentiu, já sabendo do que se tratava. Ela continuou: — Conversei com Thor.
—Com Thor? Ele quer que eu peça desculpas pra Sif? Jamais farei isso!
—Não, não é sobre isso. Aliás, Thor está chateado é com a noiva. E quer falar com você.
Ele ficou nervoso e Natasha continuou. – Bom, o meu assunto tem a ver com vocês. Estou investigando uns vídeos e não terminei ainda, mas até o momento nada achei... Loki, você não acha que o que aconteceu com você e Thor e o que quase aconteceu entre você e o Fandral, não foi obra de magia? Pois Thor afirma categoricamente que não fez nada, que nunca machucaria você.
O rapaz ficou olhando para ela por uns instantes e depois se ergueu, andando pela biblioteca. – Mas Thor ainda era Thor. Ele agiu conscientemente. Fandral também!
—Ele afirma que nunca faria mal nenhum a você. Eu acredito nele, de certa forma.
Stark interrompeu: — Thor pode estar dizendo qualquer coisa para se reaproximar de Loki.
—Mas ele já violentou alguém antes, em Asgard? – perguntou Steve.
Loki sacudiu a cabeça. – Ele nunca precisou. E eu nunca o vi com nenhum homem. Só com mulheres.
—E você, — completou Tony. – Mas não vejo problema algum investigar isso, porém como Natasha vai identificar o que é magia? Isso seria sua especialidade, Loki.
—Tem razão, — ele concordou. – Eu vou ajudar nas investigações, se me permite.
Ela sorriu. – Era essa a resposta que queria. Poderíamos começar hoje, após jantar toda essa comida.
Ele sorriu e assentiu.
~o ~
Bruce vai descendo os andares pelo elevador até chegar ao térreo. Lá, ele observou que os protestos haviam diminuído, restando apenas uma dezena acampada próxima a entrada da Torre. Sentado num sofá na recepção estava Fury. – Pontual, — disse o cientista.
O diretor sorriu. – Fico contente com sua decisão, Banner. Na Shield temos um lugar especial reservado para o Hulk.
O cientista balançou a cabeça. – Só quero que tudo isso acabe. Ele precisa morrer.
—Temos uma grande papelada para assinar antes disso. Na Sede explicaremos tudo.
E ambos se dirigiram para a calçada, onde um carro grande esperava por eles. Banner ainda deu uma última olhada em tudo a sua volta, como se despedisse de todas as coisas vivas naquela noite. Depois disso, partiram rapidamente.
~o ~
Sif andava pela cozinha de um lado a outro sozinha. Ela havia lavado os cabelos e os penteado, mas isso evidenciou ainda mais sua irregularidade. – Meus longos cabelos... Estou tão feia! Preciso voltar a Asgard, reparar esse problema. – E ela olhou para cima. – Heimdall! – gritou. – Precisamos voltar! Heimdall!
Ela suspirou, tentando a muito custo conter as lágrimas. Thor sempre foi seu amor, desde a infância. Sif sabe que não ficará sozinha se não quiser, há meia dúzia de bons partidos ansiosos por alguma chance com ela. Porém seu coração será sempre de Thor. Era impossível cogitar sequer a possibilidade de outra pessoa.
Loki pagará caro por isso. E como vai.
Ela foi até a geladeira e de lá tirou uma jarra com suco, estava quase vazia. Foi até o armário e pegou uma caixa e fez mais preparado de uma bebida. De seu bolso retirou o pedaço de raiz e enfiou no líquido com raiva, mexendo sentido horário e sentido anti-horário algumas vezes cada. Depois, guardou a jarra de volta na geladeira. Olhou se tinha mais alguma coisa: viu refrigerantes fechados, vinhos semi-abertos, e alguns potes de sobras. Ela pegou o vinho, tirando-lhe a rolha, e pegou uma ponta da raiz e jogou lá dentro, mexendo na forma como fez com o suco. Fez o mesmo com o outro e, depois, fechou a geladeira em definitivo.
—Eu quero ver se vai sobreviver depois disso, Loki. Essa noite, meu caro jotun, vai virar a caça de todos. E eu vou rir muito. Pode apostar.
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