Redenção
20 Capítulo 19
Notas iniciais
Encostei minha cabeça na parede, meus olhos se fechando não por que o impacto havia sido maior do que eu esperava, mas por que eu estava concentrada demais em manter meus lábios pressionados um contra o outro, calando um gemido que seria completamente audível se eu o deixasse escapar, minhas mãos fechavam-se fortemente nos ombros de Oliver, apertando sua pele macia, seus rígidos músculos, sua boca fazendo pequenos estragos em minha parte mais íntima, uma mão forte envolvendo meu seio o apertando, seus dedos beliscando o mamilo, senti o familiar comichão de prazer começar lentamente e então se ampliar rudemente ao ponto de se tornar quase impossível segurar aquele maldito gemido.
Eu não podia o deixar ganhar.
Não.
De jeito algum.
Merda.
Uma onda de satisfação dominou meu corpo, vibrando, explodindo, até o momento em que eu estava chamando seu nome uma e outra vez.
— Eu venci. – Murmurou erguendo seu rosto, um sorriso sacana em seus lábios. Seu sorriso na verdade totalmente vitorioso e arrogante. Um sorriso que poderia receber seu nome. Por que apesar de suas qualidades, eu nunca poderia ignorar o fato que Oliver ainda era um bastardo arrogante. Com minha respiração agitada meus olhos encontraram os seus, seu corpo se elevando, sua perna encaixando-se entre as minhas, separando-as a sua vontade. Meu corpo ainda abalado, já respondendo ao seu. – E eu sequer a penetrei ainda. – Lembrou. Com facilidade suas mãos seguraram minhas pernas me erguendo, abraçando sua cintura.
— Foi uma aposta inútil. – Soltei deixando minhas mãos percorrerem seu corpo e então donas de si mesmas acariciar suas costas. Seu rosto encontrou meu pescoço, seus lábios chupando a pele. – Nem pense nisso. – O adverti.
— O quê? – Perguntou erguendo seu rosto, o ar inocente ali não me enganou. Oliver e inocente em uma frase? Apenas para ser usada como piada.
— Eu estou partindo amanhã. – Murmurei tracejando sua mandíbula, já sabendo que tão logo falasse isso, sua expressão ficaria carregada, sua mandíbula rígida. – Não se atreva a me dar um chupão, um clássico aviso de “Não se aproxime”. Você não vai mijar em mim, Oliver Queen. — Seu rosto voltou a ficar leve, seu sorriso de menino travesso estando presente. Eu era apaixonada por esse sorriso.
— Eu jamais pensaria nisso. – Murmurou antes de descer sua cabeça, seus lábios mudando de alvo agora, indo de encontro rapidamente aos meus seios. Eu era uma escrava do meu próprio corpo, que já respondia ao seu de imediato, arqueando, contorcendo, pedindo sem palavras por mais. Seus dentes escovaram de leve minha pele sensível e eu quase gozei novamente, sua mão voltou a descer, seus dedos encontrando meu calor úmido mais uma vez, ele estava brincando comigo, ao seu bel prazer ele jogou novamente com meu corpo, seus lábios, suas mãos. Esses agiam como fantasmas, indo e voltando, prolongando, mas nunca me deixando chegar lá novamente.
E droga, como eu queria chegar lá novamente.
— Você sabe que estamos a menos de dois metros de uma cama não é mesmo? – Perguntei sem fôlego. Sempre que eu me via perto, sempre que eu sentia que estava prestes a gozar, ele se afastava, encarava-me com um sorriso atrevido e então voltava a me tocar novamente. Enlouquecendo-me.
Uma verdadeira tortura.
Uma deliciosa tortura.
Querendo também fazer parte disso minha mão desceu para seu pênis o acariciando, provocando-o tal como ele fazia comigo. Levando-o a loucura junto comigo.
— Foda-se a cama. – Murmurou com sua voz rouca, antes de ajustar meu corpo ao seu e me penetrar, seus impulsos firmes e vigorosos gerando gemidos entrecortados. Oliver movia-se de forma pecaminosa. Sexo com ele era pecaminoso, seu corpo batendo contra o meus, os sons que saiam de sua garganta, o suor espalhado em nossa pele.
Eu era uma pecadora, e eu amava isso.
Sua voz assumiu um timbre profundo quando disse meu nome, nossos corações batendo em um ritmo só. Nosso próprio ritmo. Suas mãos apertaram as minhas e as elevou sobre minha cabeça, seu rosto voltando a encontrar meu pescoço quando eu finalmente senti meu corpo quebrar em mil pedaços novamente. Quando poucos momentos depois eu o senti gozar veio com a doce pressão de seus lábios em minha pele, sua língua correndo sobre o arco perfeito do meu pescoço, suas unhas levemente arranhando meu quadril, uma carícia para distrair, enquanto seus dentes apertavam a pele em seguida e sugava, a pequena dor prazerosa me deixando saber que o maldito havia me marcado.
Eu queria dizer que fiquei com raiva.
Mas não.
Eu estava presa demais naquela névoa pós-orgasmo para me preocupar com qualquer coisa que não fosse quando eu teria mais.
— Eu vou sentir falta do sexo. – Murmurei quando ele me soltou, minhas pernas firmando-se com dificuldade, meu corpo deslizando no seu, a sensualidade do movimento deixando-me alerta novamente. Ele ergueu uma sobrancelha, mais divertido com meu comentário do que qualquer coisa, terminei de tirar meu vestido que de qualquer jeito já não fazia muito para me vestir, seus olhos quentes me observando com calor, os meus voltaram a passear pelo seu tronco desnudo, ele havia ajeitado a calça, mas após me observar suas mãos voltaram a abri-la.
— Apenas do sexo? – Pergunta com humor. – E eu achando que erámos mais do que isso. – Piscou.
— Apenas pelo sexo. – Pisquei de volta. Ele rapidamente envolveu meu pulso com sua mão e me puxou para si.
— Venha aqui. – Murmuro me jogando na cama, seu corpo subindo sobre o meu. – Vamos brindar sexo com sexo. – Murmurou antes cobrir sua boca com a minha fazendo-me esquecer pelos momentos seguintes a pequena brincadeira e o motivo de estarmos sempre brincando sobre isso, não queríamos realmente pensar no que estar distante um do outro podia influenciar em nosso relacionamento.
Quando finalmente desci para a academia Sara estava atrás do balcão, em suas mãos algumas pastas. Seu semblante enrugado, ela parecia irritada e só a percepção disso já me fazia desejar dar meia volta. Oliver com tesão ou Sara irritada.
A resposta vem fácil.
Mas eu precisava ser uma boa amiga, e tendo isso em mente reuni coragem e me aproximei.
— Por que você está no meu lugar? – Perguntei om curiosidade.
— Por que você e Oliver não fazem outra coisa agora, senão transar. – Murmurou ácida. – Por que já que você não estará mais aqui amanhã, eu bem que poderia começar a voltar aos velhos hábitos, por que Ra’s me pediu. – Deu de ombros. — Por que eu quis. Satisfeita? – Meneei minha com certo humor, ela continuava olhando para baixo e a cada frase dita ela colocava uma pasta sobre a outra com impacto. Contornando o balcão eu parei ao seu lado e envolvi seus ombros em um abraço. Eu não precisava imaginar muito para associar sua irritação com o fato de que eu estava partindo.
— Você não pode ficar com raiva de mim por muito tempo. – Brinquei. – Eu preciso ir. Será melhor se eu não for com você chateada comigo. – Apontei. — Oliver está levando isso melhor que você.
— Ollie é um mentiroso. – Acusou virando-se para ficar a minha frente. – Esqueça seu namorado, eu estou perdendo uma amiga, eu vou ter que me conformar com Oliver. Eu não posso falar de Tommy com Oliver!
— Primeiro: Eu não estou morrendo. Pare de dizer que está me perdendo. – Falei. – Segundo: Como assim Tommy? Vocês estão namorando agora?
— Não. – Murmurou de pronto, então me encarou hesitante. – Sim? – Ergueu as mãos e deu de ombros. – Eu não sei, é confuso, e complicado. Eu não acho que eu sirvo para essa coisa de namorar.
— Ele te pediu em namoro? – Sondei. Ela me mandou um olhar descrente.
— É de Tommy Merlyn que estamos falando, Oliver te pediu em namoro? – Retrucou.
— Ok. –Assenti. – Você precisa descobrir o que há entre vocês dois, eu sei o que há entre mim e Oliver, ele sabe que se eu o ver paquerando outra garota ele pode dar adeus ao “Junior”. Tommy sabe que se ele transar com outra mulher ele pode dar adeus ao pequeno Merlyn? – Perguntei.
— Nunca tivemos essa conversa. – Falou. Seu olhar foi para a pasta e por um momento pensei que Sara corava. Mas Sara não corava, corava? – E não é pequeno. – Acrescentou.
— Algumas coisas não precisam ser ditas. – Murmurei séria.
— Sobre não nos envolvermos com outras pessoas? – Perguntou genuinamente confusa.
— Eu me referia ao tamanho do pênis de Tommy. – Falei tentando apagar a imagem da minha mente. – Mas isso também. Para você está bem se Tommy se envolver com outra mulher?
— Que tipo de pergunta é essa? – Falou. Estava claro que ela estava evitando a resposta. – Não somos um casal.
— Como você se sentiria se o visse beijando outra? – Insisti. – Você tem sentimentos por ele?
— Essa conversa está me deixando enjoada. – Desconversou. – Vá transar com Oliver. Eu tenho trabalho a fazer.
— Você estava lamentando por que teria que falar de Tommy com Oliver. – A lembrei. – Estava reclamando sobre não termos feito nada além de transar.
— Eu nunca vou falar de Tommy com Oliver. – Corrigiu-me. – Nunca. E vocês realmente estão tentando vencer algum tipo de recorde. – Defendeu-se. – Espero que ele a libere pelo menos para fazermos algo hoje.
— Hum?
— Uma despedida. – Continuou. – Seu pai tem procurado um lugar para irmos e eu estava pensando em... – Ela parou encarando-me enquanto eu já distraída lançava um olhar em busca de Oliver. -... Você sequer está me escutando! – Bateu em meu ombro.
— O quê?! – Perguntei a encarando. Ela estalou seus dedos em minha cara. – Sara!
— Ok. Eu entendo, é uma bosta você estar indo embora e deixando o amor da sua vida aqui. – Falou me lançando um olhar duro. – O que é Romeu e Julieta comparados a Oliver e Felicity? Mas dane-se, eu exijo um pouco de atenção, eu a mereço, eu a conquistei.
— Eu só estava o procurando para avisar dos planos com meu pai. – Murmurei em tom de desculpas. – Eu já estava pensando em fazer algo com vocês, eu não sabia que meu pai estava planejando também, podemos conciliar as coisas, eu juro, eu te escutei, eu estou prestando atenção a você.
— Jura?
— Você está com ciúmes de Oliver? – Sondei.
— Na verdade estou pensando nas amigas que você já tem lá. – Confessou. Não pude evitar sorrir com a afirmação, sem hesitar voltei a contornar o balcão e a abracei.
— Você é ciumenta, Sara Lance. – Falei. – Eu quase tenho pena de Tommy.
— Não vamos falar de Tommy. – Pediu me abraçando de volta. – Vamos planejar algo para hoje à noite. – Completou me afastando. – O que vocês tinham em mente?
— Eu não sei. – Falei ganhando um olhar rabugento dela. – E é por isso que eu estava procurando por Oliver.
— Por mim? – Oliver perguntou me surpreendendo, ele beijou meu rosto rapidamente e abraçou minha cintura. – Para quê? Oh para... – Ergueu as sobrancelhas sugestivamente.
— Qual o problema com vocês dois? – Sara perguntou meneando a cabeça. – Você não é uma máquina Oliver, não finja que é uma.
— Estamos tirando o atraso, antes do atraso começar. – Esclareceu então continuou. Seu foco voltando para mim. – A gente pode checar se algum dos vestiários precisa de manutenção, ou toalhas extras, eu posso te ajudar com isso. – Sorriu me encarando.
— Humm...
— Felicity! – Sara murmurou chamando minha atenção.
— Ah sim. – Assentiu me endireitando. – Quero dizer não, agora não podemos verificar as toalhas, a sua manutenção, digo do vestiário. Mais tarde. – Prometi. Sua mão apertou minha cintura levemente. – Mais tarde. – Repeti. — Na verdade, estávamos falando sobre os planos para a noite, não só nós dois. – Apressei-me a dizer, antes que sua mente vagasse por outros rumos. – Todos nós. Tommy, Sara, meu pai, Barry, Roy, Diggle... Onde está Roy? – Perguntei o procurando com o olhar.
— Ajudando Diggle. – Oliver esclareceu. – O que você tem em mente? – Oliver perguntou para Sara.
— Tirar vocês dois de qualquer lugar que possam conseguir alguma privacidade para subir um no outro. – Falou séria.
— Você precisa de sexo. – Retrucou.
— Eu não preciso...
— Tommy deve estar deixando algo a desejar. – Oliver deu de ombros.
— Eles não sabem o que são ainda. – Falei. – Eu acho que sexo não deve estar em falta, podemos voltar para o assunto em questão?
— Ehh, isso mesmo, sim. Podemos voltar para o assunto em questão? – Sara murmurou enfrentando Oliver com o olhar.
— Claro. – Assentiu. – Qual era?
— Oh Deus, por que não vamos para o boliche? – Sugeri. – Eu duvido que eu possa tirar Barry de lá mesmo.
— E eu pensando que ele já tinha planos. – Sara murmurou me dando um olhar desconfiado.
— Só não sabíamos onde. – Oliver defendeu-se, então me encarou. – Por favor, não me faça jogar boliche.
— Você pode ficar aqui. – Falei.
— Sem você? – Encarou-me desapontado.
— Sem eu. – Assenti.
— Boliche parece bom para mim. – Oliver murmurou cedendo. – Agora, eu preciso treinar um pouco. Grande luta nesse fim de semana. – Falou dano-me um leve beijo e deixando-me com Sara. O observei se afastar e cumprimentar um colega com um sorriso antes de calçar as luvas.
— Sara... – A chamei.
— Eu vou cuidar dele. – Murmurou já adiantando meu pedido. A encarei surpresa, ela sorriu ternamente. – Você o encarava como se estivesse perdendo parte de si.
— Eu sei que estamos exagerando um pouco, mas...
— Não estão. – Apressou-se. – Qualquer um que tenha olhos sabe que vocês se amam, é normal se sentir assim quando está se afastando de alguém que ama, pode não ser o fim do mundo, mas é um pequeno colapso no seu.
— Eu só preciso que ele seja feliz. – Falei. – Eu não estou dizendo que eu sou a única chance de felicidade dele, mas eu temo que ele comece a ficar ranzinza, e entre em problemas, não deixe que ele fique ranzinza e entre em problemas. Pedi. — Não deixe que ele volte para essas lutas clandestinas, não o deixe esquecer que eu o amo. – Pedi.
— Ok. – Assentiu. – Eu posso cuidar dele Felicity, venho fazendo isso por um tempo, não se preocupe. Eu me preocupo com você.
— Eu? – Perguntei surpresa.
— Quem vai te impedir de ficar ranzinza e se meter em problemas? – Perguntou.
— Eu ficarei bem. – Prometi. – Eu tenho algumas amigas que a deixariam ciumenta. – Brinquei. – E eu tenho Nyssa. Eventualmente, quando ela me perdoar por mandar mensagens obscenas para ela quando eu estava bêbada.
— Ela ainda está chateada? – Perguntou-me divertida.
— Eu não tinha ideia que possuía uma mente tão poluída. – Ri. Agora eu dava boas risadas sobre isso, mas quando eu vi para quem eu havia mandando as mensagens, eu havia praticamente tido um pequeno enfarte, e deitado em um manto de puro constrangimento. Eu acho que podia agradecer aos céus por não ter sido para o meu pai. O riso de Sara acompanhou o meu até que este morreu, seu olhar ainda demonstrava preocupação. – Sério, Sara, eu vou ficar bem, você sabe por quê? – Ela meneou a cabeça em negativa. – Eu basicamente vou te importunar todos os dias com mensagens e ligações.
— Eu tenho pena de você se não fizer exatamente isso. – Sorriu amplamente. – Agora eu vou procurar Roy, você pode ter seu balcão de volta.
— O que há com Roy? – Perguntei preocupada.
— Ainda superando o fato de você está indo. – Piscou.
— Existe alguém aqui que não está chateado comigo? – Perguntei para o vento, já que ela já se afastava. Abaixei minha cabeça e voltei a organizar as pastas que ela havia deixado em cima do balcão, colocando-as em seu devido lugar.
— Eu não estou. – Levantei minha cabeça e encarei Ray que exibia um enorme sorriso.
— Hey! – Sorri. – Pronto para começar alguns exercícios?
— Ah não. – Negou. — Na verdade hoje eu só vim te ver. Não posso treinar hoje. – Explicou. – Eu tenho uma reunião importante.
— Oh, que pena. – Falei sincera. – Mas fico feliz por se lembrar de mim, e por não estar chateado comigo, a propósito.
— Eu não acho que vou te ver amanhã. – Explicou. – Você sai cedo, certo?
— Exato. – Assenti.
— Então, vim me despedir. – Murmurou dando de ombros, sem hesitar me estiquei por sobre o balcão e abracei. – Tenha uma boa viagem, e que o retorno não demore, vamos sentir falta de você por aqui.
— Obrigada. – Murmurei sincera.
— Até mais, Felicity. – Devolveu antes de me soltar e se afastar.
Tomei meu tempo o observando e em seguida dirigi meu olhar ao redor.
Lembrava-me do momento em que pisei aqui pela primeira vez, mesmo tendo morado antes com meu pai, eu nunca tinha tido o interesse de visitar meu pai na academia, eu me pergunto se teria sido melhor, se tudo seria diferente. Se conviver com eles antes teria amenizado minha relação com meu pai e que por consequência eu nunca teria tido a decisão de me mudar. Talvez sim, talvez assim como agora eu tivesse feito laços, talvez eu também tivesse odiado Oliver a primeiro momento, e depois tivesse me apaixonado.
Ou talvez não.
— Pensando em desistir? – Encarei meu pai que parou em minha frente, tomando minha visão que no momento era Oliver lutando.
— Você acha que tudo seria diferente? – Deixei escapar. – Se eu o tivesse visitado na academia? Se eu tivesse me aproximado mais, se eu os tivesse conhecido antes?
— Não. – Falou sem hesitar. – As coisas só aconteceram dessa forma agora, por que você se deixou envolver, você se permitiu. Se eu a tivesse obrigado me acompanhar aqui na academia... Por que acredite, seria obrigada, você estaria fechada, você os ignoraria, e provavelmente ninguém gostaria de se aproximar de você.
— Então, as coisas acontecem no momento que é para acontecer? — Sorri.
— Eu prefiro acreditar nisso. – Deu de ombros. – Soa melhor do que somos idiotas demais para fazer as coisas acontecerem.
— Talvez um pouco dos dois então. – Brinquei.
— Então, você não está desistindo. – Sondou. Ele vinha fazendo isso, me encarando como se a qualquer momento eu pudesse mudar de ideia.
— Eu não vou desistir. – Respondi. — Eu acho que já desisti demais, as coisas vão dar certo, eu e Oliver vamos saber lidar com isso. Tudo vai ficar bem.
— Você acha?
— Eu preciso acreditar. – Dei de ombros. Então o encarei com o intuito de mudar de assunto. – Espero que saiba jogar boliche.
— Isso sequer pode ser considerado um esporte. – Murmurou indignado.
— Eu não me importo. – Murmurei com um sorriso. – Você ainda vai estar lá, vai ser amigável com meus amigos, e não vai me constranger. Podemos ser do mesmo time.
— Você joga bem?
— Não. – Murmurei em tom de desculpa. Ele me encarou perplexo. – Eu sou horrível, mas ainda vamos.
— Você está se aproveitando por ser seu último dia aqui? – Perguntou rabugento.
— Claro que sim. – Assenti sem me envergonhar. – Eu gosto da sensação. Eu poderia ter vários últimos dias, apenas para vocês fazerem minhas vontades.
— E eu pensando que havia perdido o tempo de mima-la. – Balançou a cabeça com diversão. – Eu preciso subir, tenho uma turma, mas depois me diga que horas eu preciso aparecer nessa tortura.
— Claro. – Concordei.
— E Felicity? – Chamou-me. Eu o encarei aguardando.
— Vocês vão fazer dar certo. – Murmurou me deixando momentaneamente surpresa, por fim deixei um sorriso surgir.
— Isso quer dizer que Oliver finalmente ganhou sua benção? – Brinquei.
— Sim. – Respondeu com sinceridade. Mais uma surpresa. – E aí dele se eu tiver uma razão para voltar atrás.
— Obrigada. – Murmurei. Ele sorriu brevemente antes de finalmente se afastar. Eu podia dizer que a sensação de estar partindo era agridoce. Era horrível por tudo o que eu estava deixando para trás, as pessoas, mas era maravilhoso pensar no que eu teria quando voltasse para casa.
O plano de ir ao boliche foi mantido, minha razão de querer ir para lá era não só por Barry. Mas era reconfortante a sensação de deixar o meu ex-chefe tão pouco a vontade ao me ver cercada por lutadores.
Eu tinha minha cota de maldade.
Eu também queria um ambiente alegre, já era muito estressante pensar na despedida que haveria no aeroporto, nas lágrimas, eu não queria uma prévia disso em um jantar formal em minha casa, ou em um restaurante qualquer, eu queria o boliche por que era um ambiente descontraído, a competição entre Oliver e Tommy me fazia rir. Observar meu pai jogar me mostrava que o fato de ser horrível no boliche era uma herança que adquiri por parte dele, me divertia. Ver Roy revirar os olhos sempre que Sara respondia em tom cortante a Tommy me fazia sorrir. Observa-la beijar Tommy logo em seguida de forma doce me fazia sentir feliz pelos dois, pela promessa do que eles ainda seriam, um verdadeiro casal.
Abraçar Barry mais tarde foi o único momento que me deixou com aquela pontada de tristeza, por que eu sabia não ia vê-lo amanhã, tentei fazer graça sobre o fato de estar indo embora por que ele havia me despedido, mas me senti péssima quando ele realmente levou a sério e começou a pedir mil desculpas, por fim o tranquilizei com um novo abraço. No fim da noite eu tive minha primeira e significante despedida.
Quando entramos em casa Oliver não exibia mais o mesmo humor que havia exibido durante toda a noite. Ele não estava mais alegre, não vestia mais seu sorriso fácil, quando entramos no quarto e nos encaramos, por fim ele me abraçou. Envolvi suas costas e deitei minha testa em seu peito, senti mais do que ouvi sua respiração profunda. Pesarosa.
— Você quer transar para tirar o atraso? – Brinquei.
— Não. – Sussurrou. – Eu quero te abraçar.
— Eu também. – Confessei.
— Vamos para cama. – Chamou-me. Ele me puxou lentamente até que nos deitamos, seu braço envolveu minha cintura novamente, atraindo-me para si, abraçando-me. – Vamos apenas dormir. Eu quero você, eu sempre quero você. Eu sempre vou querer, mas agora eu quero a sensação te tê-la comigo, de segura-la junto a mim. De ter esse controle. Por essa noite a única forma de você ir embora seria eu a soltando. E eu não quero, então não pode acontecer. Por essa noite eu tenho o controle.
— Então não me solte. – Murmurei. – Nunca.
— Não vou. – Sussurrou junto ao meu ouvido. Foi um bom tempo até que ele finalmente eixasse cair no sono, eu fiquei esperando por isso, para que eu pudesse finalmente deixar as lágrimas que havia teimosamente segurado, escaparem. Eu não queria Oliver me vendo chorar, por que eu sabia muito bem que ele não conseguiria lidar com isso.
Eu sabia mesmo sem ele ter dito qualquer coisa, que ele me amava. E que por me amar ele poderia pensar em me acompanhar até NY, e eu sabia também que não era o momento, para ele, para mim. Quando finalmente caí no sono foi de forma relutante, eu não queria me entregar, eu não queria deixar o dia chegar. Eu queria lutar contra isso, mas fui vencida, e o único conforto foi saber que caí no sono estando em seus braços.
Na manhã seguinte tomamos café e fomos para o aeroporto de forma automática. Sara, Roy e Tommy dividiram um carro, enquanto eu e Oliver fomos com meu pai em seu carro. Preenchemos o silêncio com ocasionais conversas sem sentindo, sem nexo, apenas para preencher. Esse ritmo foi mantido enquanto esperávamos meu voo e só mudou quando escutamos a primeira chamada para embarcar.
— Está na hora. – Murmurei com um pequeno sorriso forçado. Sara me devolveu o sorriso, sua mão envolta da de Tommy que me observava como um cachorro que estava se despedindo de seu dono. Era de dar pena.
E estava me deixando confusa.
— O quão ridículo será se eu me agarrar sua perna e a impedir de ir embora? – Sara perguntou em meio a uma brincadeira.
— Muito. – Murmurei imaginando a cena e fazendo uma pequena careta. – Por favor, não faça isso.
— Está bem, então a pouparei disso. – Falou soltando-se de Tommy e me abraçando. – Não se atreva a me esquecer.
— Não vou. – Prometi. – Não seja dura com Tommy.
— Eu vou. – Falou antes de rir. Ela se afastou ainda segurando minha mão, então encarou Oliver que havia se afastado para me dar mais liberdade ao me despedir deles. – E eu vou cuidar dele. – Refez a promessa.
— Obrigada. – Murmurei antes de voltar meu olhar para Tommy que ainda me encarava triste.
— Eu pensei que você me achava irritante. – Falei o abraçando. Ele me apertou com força.
— Eu tenho mania de me aproximar de pessoas irritantes. – Falou. – E depois, você indo embora é um aliado a menos contra Sara.
— Você não deveria encarar sua namorada como oponente. – Insinuei me afastando. Ele pegou, mas sorriu levemente e meneou a cabeça.
— É de Sara que estamos falando. – A resposta tão parecida a da própria me fez querer puxar os dois no canto e dar um sermão, mas isso teria que ficar para outro dia, então tudo o que pude fazer foi da um último conselho.
— Seja paciente. – Murmurei. Ele assentiu antes de murmurar votos de boa viagem e se afastar permitindo que Roy me abraçasse dessa vez, ele de todos era o que mais parecia chateado comigo, o que fez com o abraço fosse mais longo, por que sussurrei em seu ouvido minhas desculpas por está indo, ele murmurou que não se tratava disso que entendia, mas que não fazia mais fácil, que ele realmente havia encontrado uma irmã em mim, uma amiga, e que se despedir de quem alguém que considerava da família não fazia as coisas serem mais fácil.
— Eu posso perguntar por que todos estão agindo como se você não fosse voltar no fim do semestre? – Meu pai perguntou divertido, ele me abraçou, mas não demorou. – Eu não vou fazer parte disso, é melhor você voltar nas férias Felicity Smoak. Ou terei que usar da mesma artimanha novamente.
— Não será necessário. – Respondi mais como uma promessa. O que era.
— Eu acho que isso faz com que seja minha vez. – Escutei a voz de Oliver soar atrás de mim, ele segurou minha mão e nos afastou um pouco. Olhei brevemente para o portão de embarque me perguntando quanto tempo ainda tínhamos.
— Eu não quero chorar. – Avisei. Ele soltou um suspiro falso.
— Droga, garota. – Murmurou. – Você estragou todo o meu plano de fazê-la chorar como uma garotinha. – Ri de sua brincadeira, mas meu riso morreu quando sua mão foi até meu rosto o acariciando. Sua voz saindo mais suave. – Eu tenho algo para te dar...
— Não...
— Apenas vire-se. – Cortou-me. O encarei aborrecida, se ele queria fazer desse momento, algo para me deixar irritada com ele, estava indo no caminho certo. –Eu não quero irrita-la. – Murmurou me surpreendendo ao ler meus pensamentos. – Está no seu rosto, princesa. – Continuou. – Agora, vire-se e erga os cabelos. – Com um suspiro fiz o que queria, deixei meus olhos caírem no restante que não escondiam estar nos observando, quando ele fechou o colar e acariciou minha nuca levemente eu soltei meus cabelos e finalmente deixei meus olhos caírem no colar.
O colar.
O meu colar que havia sido roubado. O que minha mãe havia me dado, o que eu pensei jamais encontraria. Que até mesmo já havia esquecido. Este colar.
— Oliver... – Sussurrei ainda incrédula, virei-me para encara-lo. – Como... Quando?
— Eu comecei a procurar poucos dias depois que você me disse da importância dele para você. – Confessou. – Eu já estava desistindo quando um amigo me disse três dias atrás, que havia encontrado, eu suponho que era para ser assim.
— Obrigada. – Murmurei sincera enquanto segurava o pingente. – Agora eu tenho mais um motivo para esse colar ser tão importante para mim. – Sorri. – Obrigada por não ter desistido, eu realmente espero que você não tenha entrado em problemas o procurando.
— Nenhum problema a vista. – Tranquilizou-me. – Eu só sabia a quem perguntar, eu quase não me envolvi. Agora venha aqui. – Chamou-me segurando minha mão e me aproximando de si. – Há algo que preciso lhe dizer.
— O quê? – Perguntei temerosa.
— Nada tão preocupante. – Sorriu. Mais uma vez me vi presa no calor de seu abraço, sua respiração em meu pescoço enquanto me abraçava forte, se deslocando até meu ouvido. Mantendo-se assim enquanto falava. – Ou talvez seja sim, preocupante. Ao menos para mim. Eu quero que você escute algo que você já sabe, por que eu sei que não há forma nenhuma, de qualquer um que esteja nos observando não saiba disso, muito menos você. Eu quero dizer que eu te amo. Você sabe disso. Não há como não saber, é tão óbvio que eu deveria me sentir um pouco envergonhado, mas não me sinto, por que a verdade é que me sinto orgulhoso. Orgulhoso por ser alguém que você se permite amar, ser amada. Eu sempre pensei que não merecia coisas boas, talvez eu ainda pense assim, você não é apenas uma das melhores coisas que me aconteceu, você é a melhor. Eu não te mereço. Eu sei que não, mas eu prometo a você, princesa, que eu vou passar cada momento que possa estar ao seu lado, lutando para merecer. Desculpe por ter demorado tanto a dizer algo que é tão óbvio, eu não sou bom com palavras, e demorou um pouco para reunir coragem para dizer essas, mas a verdade é que eu te amo. – Seus olhos encontraram os meus, o brilho intendo me cativando, suas palavras me cativando. — E eu não poderia deixar você ir, sem que você escutasse isso. – Fechei meus olhos absorvendo suas palavras e envolvi seu pescoço, limitando-me a seguir o abraçando, por que a essa altura meus olhos estavam cheios de lágrimas, e não havia forma de que eu falasse qualquer coisa sem ser estragada pela minha voz embargada. Quando por fim o soltei eu respirei fundo e o encarei.
— Eu sabia assim que pisei na academia, que você era o tipo que emitia um alerta de perigo. – Falei. – Letras brilhantes e tudo, eu também sabia que eu ia ignorar isso, e que de alguma forma você seria aquele que me faria chorar. Você disse naquele dia que eu ficaria feliz se ganhasse um bom dia seu, hoje eu estou ganhando um “Eu te amo”. Eu acho que posso dizer, que no final disso tudo, eu saí ganhando. – Sorri. – Você era um pedaço de merda quando cheguei, não volte a velhos hábitos. – Pedi voltando a abraça-lo. – Se quiser se apegar a algo, lembre-se que eu te amo, e que eu vou chutar sua bela bunda se tiver que voltar por que você se meteu em encrencas.
— Anotado. – Murmurou. – Mas agora me fez querer entrar em encrencas só para ter você de volta. – Meneei a cabeça com diversão, mas minha atenção se voltou à última chamada do voo, com um suspiro saudoso, voltei a encara-lo. – Você tem que ir. – Sussurrou antes de inclinar seu rosto para um beijo. Meus lábios encontram-se ansiosos aos seus, parte de mim querendo que durasse mais, outra parte querendo terminar logo para não prolongar a dor que era a de ter que separar. A parte masoquista em mim venceu, e fez com que o beijo fosse mais longo, mais saudoso, mais doce, mais amargo. Com sua testa encostada a minha ele sussurrou mais uma vez que me amava, segurando seu rosto eu enxuguei uma lágrima, não minha, mas sua. – Não me solte. – Pediu.
— Nunca. – Prometi antes de sentir suas mãos me afastarem de si, uma mão masculina foi até meu ombro, erguendo meu rosto encarei Tommy que segurava minha bolsa de colo, ele me afastou de Oliver e me levou até o portão, com um último aceno me empurrou a dar um passo para dentro, voltei-me e com uma última olhada me despedi daqueles que eu amava. Da minha família.
De Oliver.
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