Redenção

2 Ah, fala sério, Júlia!


Notas iniciais
Espero que goste!

Eduarda Lima de Castro. Geminiana, ascendente em peixes. De Porto Alegre. Nasceu e cresceu aqui. Lugar favorito? Bom... Redenção. É, Redenção. 24 anos. Loira. Universitária. Artista. Endividada. Cursava História da Arte na Universidade Federal, primeiro semestre, e dividia um apartamento com mais duas amigas, não muito próximas, que conhecera há pouco tempo na capital. Não era impulsiva, não tinha personalidade forte e nem era bonita. Ela era... uma estudante, estagiária nas horas vagas para pagar o aluguél que rachava na Rua dos Andradas. Tinha um sorriso de matar e olhos escuros, quase pretos
Aos fins de semana, uma balada quando podia. Ou até, uma volta pela Redenção. Ela gostava de caminhar, de sentir o sol do fim da tarde sobre sua pele. Aquilo era arte. Caminhando, Eduarda pensava o que queria para o seu futuro. Era uma loira ambiciosa. Formada, iria cursar um mestrado, pós-graduação. Também sonhava em ir para o Chile, desde muito nova. O amor pela arte, fora herdado de sua avó, atriz quando nova. Eduarda fazia planos, ela sonhava. Em meio a dezenas de pessoas, conversas, latidos, buzinas... ela apenas sonhava. Aquilo a tornava viva. Era como andar sobre nuvens. Se ao menos aquela cidade fora um pouco mais tranquila.
Ao fim do dia, ela voltou para casa. A amiga, Júlia, a abraçou animada.
—Que bom que você voltou! Preciso de ajuda.
Júlia segura dois vestidos, muito diferentes, em suas mãos. Ela olha para a amiga, que está perplexa. Assustada, talvez.
—Duda, rápido! Tu ficou sabendo? Thiago me convidou pra sair. Preciso escolher um vestido rápido. Guria, me ajuda, por favor.
Um vestido, que Júlia segurava com a mão esquerda, era comprido, floriado e muito alegre. O outro, sobre a outra mão, era azul, claro, e muito curto.
—Jú, pra onde que vocês vão?
—Eu não sei. Uma pizzaria, um barzinho... na hora não perguntei, né?
—Mas tu é muito ariana mesmo!
As duas amigas se sentam no sofá da pequena sala, vermelha, rindo da situação.
—O azul!
—Obrigada-Júlia coloca o vestido rapidamente, de forma muito atrapalhada. Em seguida, sai à procura de seu molho de chaves, em cima de uma mesa improvisada para a TV da sala.
—Jú, esse teu Thiago, não tem um amigo? A gente bem que poderia dar uma volta, não acha?
—Olha, guria, ter tem. Uns amigos da faculdade, claro. Mas hoje o chefe dele liberou ele mais cedo, tudo por essa noite. Por favor...
—Está bem, então vá!
—E tu?
—Eu? Vou... não sei! A Ana foi pra casa do Artur? De novo? Ah fala sério, Júlia!
—Foi. Vai dormir lá.

Diz, baixando a cabeça.
—Eu não quero ficar em casa.
Júlia se senta novamente ao lado da amiga, balançando a cabeça negativamente.
—Não precisa. Social! A Bruna convidou. Ela te conhece, já veio aqui buscar um livro, lembra? Aquele roxo, que a Ana tinha e vivia aqui na mesa da sala. Ela me passou o endereço. Pega um táxi, vai se divertir, guria. Semana de prova, seminário... de enlouquecer qualquer um. Van Gogh.
—Ela estuda...
Júlia atrapalha a fala da amiga.
—Direito. Mas, isso pode ser uma oportunidade. Sair, conhecer um cara legal... hum, que acha?
—Penetra... eu vou. Já vai?
—Já. O Thiago está lá embaixo.
—Te vejo amanhã!
—Beijo!
Júlia pega as chaves, abraça Duda e sai, trancando a porta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.