Redenção

18 Capítulo 17


Notas iniciais
Eu queria agradecer a paciência de vocês e os comentários dos capítulos anteriores. Eu poderia falar minhas razões e bate um pouco de papo com vocês aqui, mas sabemos que teve gente que nem leu as notas. Vou deixar isso para quando eu não tiver deixado vocês em um regime tão grande. Boa leitura.

POV FELICITY

— Você tem certeza que é uma boa ideia? – Escutei a voz de Oliver ressoar pelo elevador. O encarei de esguelha e notei sua postura inquieta, mãos unidas atrás de si, seu corpo balançando sutilmente. – Um jantar com sua mãe?

— Não foi minha ideia. – Murmurei estranhando o seu comportamento. O jantar que havia ficado para mais tarde acabou ficando para o dia seguinte uma vez que ela teve que procurar um local para ficar, afinal deixar tudo para a última hora era bem típico da minha mãe, mas então o dia seguinte chegou e eu tive que adiar, por que eu havia ligado para Barry pedindo desculpas por ainda não ter aparecido no Boliche e emendei rapidamente que se possível ele me liberasse essa noite por assuntos familiares. Barry foi como sempre foi um encanto de pessoa e muito compreensivo, sem perguntar muito e percebendo minha tensão mesmo pelo celular, ele me liberou, mas não no dia que eu havia dito, com tom de desculpas ele explicou que precisaria muito de mim, e falou que seria bem melhor eu faltar na noite seguinte por que ele teria mais pessoal, e o proprietário não estaria por perto, ou seja, sem riscos de puxões de orelhas para nós dois. Então ficou resolvido, que hoje, dois dias depois, eu estaria jantando com minha mãe. A verdade era que eu vinha considerando cancelar esse maldito jantar desde o momento em que concordei com ele, mas eu não podia, eu havia prometido ao meu pai que tentaria, então sim, eu estaria logo encontrando minha mãe em um jantar que tinha tudo para terminar em um desastre. Quando eu havia falado sobre esse jantar com Oliver ele não havia demonstrado nenhum receio, ele se mostrou atencioso, como ele vem se mostrando muito na verdade, mas agora ele estava muito inquieto, e distraído. – Foi meu pai, lembra? – Acrescentei olhando para o painel e sentindo-me um pouco incomodada com o silêncio.

— Eu concordo com ele quanto a isso. – Murmurou me surpreendendo. — Eu só acho que um reencontro de vocês não deveria ser o cenário para apresentar seu namorado. – Deu de ombros. A frase havia saído hesitante, quase temerosa. Senti minhas sobrancelhas se juntarem enquanto o encarava com confusão, apenas quando as portas do elevador se abriram que eu me dei conta.

— Você está nervoso! – Murmurei incrédula e até mesmo um pouco divertida. Que Oliver estivesse nervoso em conhecer minha mãe o deixava um pouco... Adorável. Ele saiu do elevador exibindo um olhar aborrecido e só então eu percebi o quão arrumado ele estava, nada de camisetas brancas e jaqueta por cima com jeans desbotados, Oliver era lindo de qualquer jeito, mas era nítido que hoje ele havia se preocupado com sua aparência. Vestia uma camisa azul social com as mangas dobradas no cotovelo, e jeans escuros. – Você está nervoso em conhecer minha mãe?! – Perguntei ficando ao seu lado e envolvendo minha mão na sua.

— Não. – Negou rapidamente, embora sua mão tenha apertado a minha com excesso de força mesmo sem perceber. — Talvez. – Cedeu com um suspiro quando paramos em frente à porta do apartamento. – Não me importa se vocês estão tendo um momento difícil. Ela ainda é sua mãe. E eu não posso me esquecer de seu pai, que não gosta de mim.

— Meu pai?- Perguntei ainda confusa.

— Em todos esses anos eu nunca jantei com Ra’s Al Ghul, no máximo bebemos alguma coisa durante alguma comemoração. – Explicou.

— Então você está nervoso por que vai ter um encontro com meu pai? – Brinquei. – Devo deixar vocês a sós? – Ganhei um olhar fulminante seu e não resisti em segurar seus antebraços e me aproximar mais dele, um sorriso se esgueirando em meus lábios.

— Isso a diverte. – Comentou cedendo e deixando um pequeno sorriso escapar, seus braços envolveram minha cintura me abraçando. – Me ver na miséria a diverte.

— Você não está na miséria Oliver. – Ri de sua expressão de pena. – Você sabe muito bem lidar com meu pai, e minha mãe... Bem, mesmo estando em um momento difícil com ela, eu posso afirmar que ela vai se apaixonar por você, provavelmente terei que mantê-la afastada. – Franzi o cenho. – Oh merda, eu não pensei nisso.

— Mesmo? – Seu sorriso se tornou maior.

— Mesmo. – Assenti voltando a me concentrar em seu rosto, meu sorriso encontrou o seu e ele se curvou com a clara intenção de me beijar, mas fomos interrompidos pela porta que se abriu rudemente. Afastamo-nos constrangidos e encarei meu pai que nos olhava com clara irritação.

— Vocês planejavam entrar? – Resmungou.

— Fica difícil te levar a sério quando você abre a porta usando um avental. – Oliver falou com um sorriso de deboche, passei a mão na base de suas costas e o belisquei. Ele não ganharia nada com meu pai o provocando dessa forma. Apesar de que eu deveria concordar, Ra’s Al Ghul de avental era um pouco cômico. Meu pai o ignorou e me encarou.

— Eu vou deixar ele do lado de fora. – Alertou.

— Desculpe. – Oliver murmurou apressadamente antes de entrar, eu o segui, mas parei em frente ao meu pai que fechou a porta tão logo passamos. Oliver continuou explorando, observando tudo com interesse.

— Eu pensei que você ia encomendar algo. – Confessei o analisando.

— E eu pensei que seria amigável fazer algo, fazer com que a pessoa se sinta bem recebida. – Explicou. — O que ela vai ser, então, por favor, tente não ataca-la no momento em que ela entrar aqui. – Pediu.

— Eu sei ser educada. – Limitei-me a responder. – Tente fazer o mesmo com Oliver. – Acrescentei em tom baixo. Desviei meu olhar até onde Oliver estava, ele havia parado em frente a alguns retratos e segurava um em suas mãos. Caminhei curiosa até parar ao seu lado, eu já sabia qual foto estava em suas mãos, mas eu não entendia por que ela havia chamado sua atenção. Ele voltou-se para mim.

— Está é... –Murmurou mostrando-me o porta retrato.

— Nyssa. – Ele me encarou surpreso e até mesmo um pouco decepcionado. Fixei minha atenção na Nyssa quando bebê, e só então percebi o que ele queria. – Oliver Queen, você não está procurando uma foto minha de quando era bebê. – Ele deu de ombros parecendo culpado. Exibi um sorriso enorme e feliz comigo mesma. Fotos constrangedoras não fariam parte desse jantar. – Você não vai encontrar uma foto assim, lembre-se que não fui criada por meu pai.

— Oh, mas eu tenho uma. – Meu pai falou atrás de nós. Eu não havia escutado sua aproximação e no momento estava atordoada demais observando ele levar uma mão ao bolso traseiro de sua calça e tirar de sua carteira uma foto pequena e recortada. Oliver foi para o seu lado de imediato enquanto eu os encarava com perplexidade. – Ela era fofa não era?

— Ela era daqueles bebês gorduchos. – Oliver comentou com um sorriso.

— O quê? – Murmurei incrédula. Saindo da minha inercia fui até eles, meu pai se virou negando-me acesso à foto, mas tive um vislumbre por cima de seu ombro quando me estiquei. Oh Deus, realmente era uma foto minha, de fralda e toda lambuzada de papa. – Como você... Esqueça isso, desde quando você anda com essa foto pronta para ser sacada e me envergonhar? — Oliver arrancou a foto de sua mão e continuou analisando, eu corri para seu lado, mas o desgraçado ergueu acima de sua cabeça.

— Você ainda não sabe comer. – Provocou-me.

— O quê? – Perguntei em uma mistura de choque e raiva ainda tentando alcançar a maldita foto. – O que você quer dizer com isso?

— Eu só estou dizendo que às vezes eu tenho que avisar que tem uma sujeirinha ou outra no canto da sua boa. – Explicou com um sorriso arrogante. Infelizmente eu podia escutar muito bem a risada do meu pai soando próxima de nós. Com minha boca aberta observei Oliver entregar a foto a ele e me abraçar colocando minhas mãos atrás de si. Não havia mais risada, apenas um sorriso terno enquanto eu ainda o encarava com um olhar mortal. Era ótimo que ele e meu pai não estivessem se atacando, mas era péssimo que sua camaradagem fosse a minha custa. – Podia ser pior. – Oliver comentou em tom suave. – Podia ser uma foto na banheira.

— Em seus sonhos. – Escutei meu pai murmurar quebrando a trégua e voltando para cozinha.

— Eu ainda quero saber como conseguiu isso. – Gritei por cima do ombro de Oliver. Ele acenou ainda de costas e entrou na cozinha. – E eu não gostei nadinha desse momento sogro e genro de vocês dois. – Murmurei encarando Oliver.

— Durou tão pouco que você não pode ficar chateada por muito tempo. – Murmurou com um sorriso. Meneei minha cabeça enquanto segurava um sorriso e entrelacei minhas mãos as suas, ergui-me até encostar meu queixo em seu ombro, por um pequeno momento me permiti desfrutar da simplicidade e complexidade desse abraço.

Até o momento que a campainha tocou.

— Eu ainda posso fugir? – Perguntei em tom baixo contra seu peito.

— Felicity. A porta! – Escutei meu pai gritar da cozinha.

— Eu acho que essa é uma resposta. – Oliver murmurou de volta, afastando-me e empurrando-me com toques de encorajamento. — Vamos. Eu estarei com você. – Ainda hesitante eu o acompanhei, minhas pernas precisando de uma força de vontade extra para alcançar a porta que estava a apenas poucos metros a minha frente, e quando por fim parei nela ainda obtive meus segundos de hesitação antes de finalmente abri-la. Minha mãe me encarou com seu enorme e característico sorriso, aquele sorriso que tinha o poder de provocar outro como resposta, eu costumava reagir dessa forma, mas agora, eu me descobri tendo que forçar um sorriso cortês no seu lugar.

— Olá querida. – Murmurou antes de dar um passo para dentro e sem hesitar me abraçar fortemente. Como na outra vez eu fiquei dura em seus braços, mas dessa vez eu estava mais aborrecida do que chocada, ela não podia esperar que fôssemos toda cheia de abraços quando mal conversamos nos últimos anos. Revirei os olhos enquanto lembrava-me que havia prometido nada mais do que ser educada, então ainda desconfortável esperei pelo fim do abraço. – E quem é esse rapaz bonito? – Perguntou se afastando e analisando Oliver com interesse.

— Mãe, este é Oliver. – Murmurei voltando minha atenção para ele que aguardava as apresentações com óbvia expectativa e ansiedade. Sério, o que havia transformado esse lutador em uma criança de olhos esperançosos? – Meu namorado.

— É um prazer conhece-la, Sra. Smoak. – Sorriu amplamente.

— Oh, por favor, querido. – Sorriu tocando em seu braço com aprovação. – Você pode me chamar Donna. – Piscou. – Eu não estou tão distante assim da sua idade.

— Sim, você está. – Murmurei. Oliver me lançou um olhar de repreensão. – O quê? Foi dito em um tom respeitoso.

— Tudo bem, querido. – Murmurou o acalmando. – Mesmo quando não me odiava ela já tinha a língua afiada. – Envolveu o braço de Oliver fazendo com que ele a acompanhasse. – Por que não me diz o que você faz e como conquistou minha filha?

— Eu acho que vou apenas fechar a porta. – Murmurei percebendo que havia sido deixada para trás. Virei-me notando que ela tinha facilmente conduzido Oliver para o sofá, como se ela fosse à anfitriã e nós fôssemos seus convidados.

— Oliver é um lutador. – Levantei meu rosto observando meu pai entrar na sala, havia deixado o avental para trás e agora parecia mais como o pai nada caseiro que eu conhecia. – Na minha academia. – Informou. Houve um breve momento estranho em que eles se encaram sem saber ao certo como abordar ao outro, finalmente minha mãe se ergueu e lhe deu um breve e doloroso de se assistir desajeitado abraço.

— Lutador, heim? – Minha mãe perguntou olhando de um para o outro antes de voltar a se sentar. Seu olhar caiu sobre mim com um sorriso divertido, já aguardando seu próximo comentário eu me aproximei de Oliver, ou eu sentava no sofá oposto ao lado do meu pai, ou sentava ao lado da minha mãe que havia ficado no meio, deixando Oliver em uma ponta, eu não sentei a o seu lado, optei por sentar-me no braço do sofá ficando ao lado de Oliver, seu braço rapidamente circundou minha cintura. Com apenas uma pequena pressão me fazendo um pouco mais tranquila. – Eu acho que a filha tem as fraquezas da mãe afinal. — Meu pai ocultou uma risada com uma tosse, lhe dirigi um olhar com um misto de incredulidade e aborrecimento. – E olha que ela jurou nunca se envolver com o bad boy.

— Mãe... – Comecei com um protesto.

— Mesmo? – Oliver murmurou interessado.

— Oh sim, ela sempre me contava tudo, então eu sei que ela nunca deu uma chance, mesmo em suas paqueras de adolescente, para o tipo garoto problema.

— Mãe... – Murmurei novamente tentando para-la. Não ajudava que Oliver tivesse se voltado para dar toda sua atenção a ela.

— Felicity namorando um lutador? Um grande choque para mim. – Continuou me ignorando. — Nem parece à garotinha de dez anos que disse que se um dia cassasse seria com alguém entediante, um contador, ou algo do tipo. Felicity nunca foi fã dos bad boys, ela sempre os evitou, o primeiro beijo? Ela que beijou o rapaz, aos 14 anos ela escolheu um rapazinho do clube de xadrez, o encurralou e disse que era melhor para os dois acabar logo com isso, se eu não me engano foi logo após o tal de Jake, o encrenqueiro, dizer que um dia você seria sua namorada.

— Oh, por favor, não faça isso mais difícil para mim. – Murmurei entredentes. Ela sorriu apesar do meu comentário. Meu pai me encarou incrédulo e aborrecido, sua expressão passando rapidamente para repreensão.

— Aos 14, Felicity? – Eu o encarei sem humor.

— Eu só estou surpresa. – Respondeu dando de ombros. – Eu pensei que você nunca se envolveria com um lutador, você sempre escolheu os certinhos, embora eu entenda o que a fez mudar de ideia. – Sorriu para Oliver. – Você tem uma exceção e tanto aqui.

— Eu confesso que não foi fácil. – Oliver murmurou lhe dando trela. – Você sabe, quebrar essa convicção dela. Ela estava decidida a não me dar uma chance. – O encarei irritada, eu sabia que ele estava apenas se divertindo, fazendo sua própria piada, mas eu não gostava disso.

— Não se preocupe. – Sorriu. – Eu posso afirmar que você fisgou minha menina, nós mães sabemos dessas coisas...

— Mesmo? – Murmurei ao mesmo tempo em que me dava conta que deveria ter ficado calada, mas tal como um desastre de trem eu não pude fazer nada para frear minha língua, nem diminuir a acidez com que eu disse a frase seguinte. – Por que você não tem sido uma mãe nos últimos anos. – Não era necessário dizer que o que reinou logo em seguida foi o silêncio. Puro e desconfortável.

— Nossa. Você foi mais rápida do que eu esperava. – Ela murmurou olhando para suas mãos.

— Felicity. – Meu pai me chamou quebrando-o e vindo ao meu socorro. – Por que não me ajuda a preparar a mesa?

— Era exatamente isso que eu ia fazer. – Menti aliviada em poder me afastar. Ele fez um gesto vago para que eu o seguisse, encarei Oliver no que podia esperar ser um olhar de alerta, mas ele encarava minha mãe que como se não tivesse acontecido nada, começou imediatamente a falar sobre a vez que me apaixonei pelo meu vizinho e sugeri que fôssemos namorados. Pelo amor de Deus, eu tinha 12 anos. O namoro não passou de um trocar de pulseiras. Meneando minha cabeça com descrença entrei na cozinha e caminhei até a pia, minhas mãos parando quando notei que ia começar uma louça que estava completamente limpa. – Ela é impossível!! – Murmurei finalmente me virando e encarando meu pai. Tem o quê? Cinco minutos que ela chegou? Cinco minutos e eu já preciso de um tempo? – Murmurei não deixando espaço para que ele chegasse a falar qualquer coisa, passei a andar de um lado para o outro. – Ela está lá, falando sobre minha infância, com Oliver! Ela está tagarelando sobre momentos constrangedores da minha vida com meu namorado. Um namoro recente, devo acrescentar, ainda frágil, basta mais duas ou três histórias e ele sairá correndo porta a fora. Ela está...

— Sendo sua mãe. – Murmurou fazendo com o que eu me calasse. O encarei notando-o sua posição relaxada, quadril encostado ao balcão, braços cruzados, havia algo em seu rosto, algo estranho, algo que me lembrava a um sorriso?

— Você acha isso divertido? – Perguntei imitando sua postura ao cruzar meus braços. – Ela aparece literalmente do nada e...

— Oh, por favor, Felicity. – Interrompeu-me se aproximando. – É sua mãe, você vai me dizer que se você nunca tivesse vindo para cá, se tivesse continuado morando com ela... Você quer me dizer que isso seria diferente? Que ela não contaria essas mesmas histórias? Que apresentar Oliver ou qualquer outro namorado não seria exatamente igual a isso? Ela está sendo sua mãe... Ela não pode evitar.

— Esse é o problema. – Murmurei minha voz caindo. – Ela está agindo como se nada tivesse acontecido, como se fosse um dia qualquer, como se ela estivesse chegando do trabalho após algumas horas fora, não vindo de outra cidade após anos sem contato. Era de se esperar alguma atitude mais humilde, não?

— Eu tenho certeza que ela só está nervosa. – Deu de ombros. – Assim como você. Eu conheço você, apesar de tudo. Eu sei muito bem quando você está uma pilha de nervos, como agora.

— Você não pode me dizer que a conhece o suficiente para saber quando está nervosa. – Falei com teimosia. – O tempo que ficaram juntos foram incríveis sete dias. Você não a conhece.

— Não. – Concordou. – Eu não a conheço, apesar de que venho falando com ela por telefone todos esses anos desde que soube de você. Não apenas a atualizando de seu bem estar, ou dizendo que você não quer atender ao telefone, eu posso dizer que ficamos amigos. – Pisquei surpresa. — Mas você está certa, eu não a conheço. Não como você, você a conhece, ela é a mesma, assim como você. Podemos mudar durante os anos, mas nunca nos distanciamos realmente do que somos, amadurecemos. Você amadureceu, então não há mais espaços aqui para uma birra de adolescente. Eu posso te dar duas opções, pulamos o jantar e você tem logo sua conversa ou discussão com ela a sós para depois ir embora, estando bem ou não com ela, ou temos esse jantar, um pouco de conversa civilizada, podemos descobrir através de perguntas simpáticas o que ela tem feito, como ela está e depois, eu e Oliver podemos deixar as duas sozinhas para conversarem, de um jeito ou de outro a conversa acontecerá. Resta apenas você me dizer se vai nos permitir ou não uma refeição decente antes.

— Ouça, eu não preciso repetir a conversa de mais cedo. – Murmurei após um suspiro. – Eu sei que também sou a grande responsável por tê-la afastado, mas uma vez feito isso, não é tão fácil assim voltar a me aproximar, entende? — Ele assentiu lentamente esperando que eu continuasse. Lembrei-me de Oliver e seu nervosismo mais cedo, de Oliver que mal teve uma família, mas que estava ansioso em “conhecer” a minha. – Está bem. – Concordei. – Vamos ter “Um jantar decente” antes. Não quero estragar a noite e decepcionar Oliver. – Meu pai me encarou surpreso.

— E eu achando que estava fazendo algum sacrifício por mim. – Resmungou.

— Eu estou aqui não estou? – Sorri antes de me inclinar e beijar sua bochecha. – Vamos. – O chamei pegando os pratos em cima da pia. – Ou a comida que você encomendou esfriará.

— Eu não encomendei. – Negou pegando os talheres. – Eu fiz.

— Não tente. – Neguei divertida. – Vi as embalagens no lixo quando me aproximei da pia.

— Está bem. – Rendeu-se. – Mas para qualquer um que pergunte... Eu fiz.

— Ok. – Cedi segurando o riso.

— 14, heim? – O escutei segundos antes de entrarmos na sala de jantar fazendo com que eu quase derrubasse os pratos.

— 14 é perfeitamente aceitável. – Retruquei.

— Para um pai, 30 é perfeitamente aceitável. – Argumentou.

— Oh claro. – Concordei. – E eu e Oliver apenas andamos de mãos dadas. – Ironizei.

— Ele tentou ir além disso? – O encarei divertida notando seu falso semblante severo e meneei a cabeça. Oliver que da sala viu o momento em que entrei apressou-se a se levantar para nos ajudar, e é claro meu pai imediatamente perdeu o bom humor.

POV OLIVER

Observei de esguelha Felicity se afastar com os ombros tensos.

Eu queria me erguer e perguntar se ela estava bem. Queria saber se queria deixar tudo de lado e perguntar se ela queria voltar para casa.

Casa.

De algum jeito o pequeno apartamento soava mais como um lar para mim desde que ela havia chegado. Mais do que eu havia considerado todos esses anos. Tudo havia começado como uma briga de cão e gato, ela não era mais do que um incômodo, um inconveniente.

Como encontrar um gatinho esfomeado na porta de sua casa. Você quer expulsa-lo, mas não pode.

Não haviam sido essas as palavras que eu havia usado no primeiro de sua chegada? Havia começado como uma provocação. Um estorvo. E agora, em tão pouco tempo (Ao menos para mim era sim pouco tempo) eu estava mais do que preocupado com o bem estar e felicidade da “Princesinha de Ra’s”. Inferno, eu poderia dedicar meus dias apenas tentando fazê-la feliz. No que isso... No que ela havia me transformado?

—... Não é mesmo? – Pisquei meus olhos em sinal de confusão. Ao que parecia nos breves momentos em que eu apenas sorria e assentia para a mãe de Felicity, ela me fez uma pergunta.

— Perdão? – Murmurei ciente que não poderia concordar com algo que não havia escutado e que não poderia disfarçar que não estava realmente prestando atenção a ela. Ela não pareceu chateada, nem um pouco, ela abriu um sorriso enorme, como se aprovasse minha falta de atenção.

— Eu disse: “Ela é especial, não é mesmo?” – Repetiu com um brilho suave em seus olhos. – Mas foi uma pergunta idiota tendo em conta que sua atenção está completamente naquela cozinha, onde ela está. Isso é bom. – Voltou a assentir. – É bom vir aqui e ver que apesar de todo olhares de ódio dirigidos a mim, ela não está cercada por isso.

— Sinto mui...

— Tudo bem. – Sorriu. – Eu sempre quis isso para ela. Eu sempre desejei que ela fosse amada sabe? Eu quero dizer, ela era amada, muito. – Apressou-se a se explicar. Eu estava naquela desconfortável situação em que você se via preso escutando desabafos profundos de outra pessoa e não sabia como diabos agir. Ainda incerto do que fazer, me limitei apenas a encara-la enquanto ela continuava. — Mas não parecia justo que ela fosse amada só por mim. Ela tinha um pai, uma irmã. Lá ela tinha apenas a mim, uma casa mais velha do que ela poderia notar, contas que eu escondia em minha gaveta secreta, e garotas na escola que a atormentavam por ela preferia se sentar na arquibancada lendo livros do que estar lá em baixo, torcendo e babando os jogadores de futebol. Eu sabia que ela era especial, eu precisava que as outras pessoas soubessem também, eu precisava que ela tivesse mais. Ela merecia mais do que uma mãe que trabalha em dois empregos. Que provavelmente não conseguiria arcar mais tarde com os gastos da faculdade que ela escolhesse.

— Eu não acho que Felicity se importa realmente com isso. – Murmurei. – Ela é uma pessoa humilde e isso parece ter vindo de sua criação. – Continuei. – Ela é sim especial, e apesar de estarmos juntos, eu posso afirmar que o fato de você ter dois empregos apenas a orgulhava. Você é especial para ela também.

— Era. – Corrigiu-me. – Eu não a culpo. Eu praticamente abandonei.

— Ninguém gosta de ser abandonado. – Concordei. Eu tinha certa experiência nesse ramo. – Mas apesar de tudo, eu não vejo por que vocês não voltariam a se dar bem. – Falei a surpreendendo. – Se você conversar com ela, se disser o que me disse, não vejo porque não. – Ela inclinou sua cabeça me avaliando, um gesto tão Felicity que me vi piscando confuso.

— Você disse que faz pouco tempo que estão juntos. – Murmurou me surpreendendo.

—Sim. – Confirmei.

— Então aqui vai um conselho. – Falou com certa seriedade, fazendo-a tão diferente da mulher que havia entrando toda sorriso e flerte. – Minha filha tem muitas qualidades Oliver, eu posso estar sendo um pouco arrogante dizendo isso, mas imagino que seja um mal de mãe. Em fim, apesar de todas as inúmeras qualidades que ela tem e você certamente já conhece algumas, o perdão não está entre elas. Felicity é orgulhosa. Perdoar é uma verdadeira batalha para ela, não é que seja uma pessoa ruim, mas assim são as coisas para ela. Então, não seja tão confiante. Faça de tudo para não ter que perdi perdão a ela, por que muito provavelmente ela não irá concedê-lo.

Estreitei meus olhos absorvendo suas palavras. Eu havia contado que havia feito algo imperdoável, brutal. Que seria facilmente justificado se tivesse sido em legítima defesa, mas não foi. E eu não omiti esse detalhe, e ainda assim ela estendeu sua mão não para me empurrar para longe, mas para me aproximar ainda mais de si. Eu não acho que concordava com o que Donna Smoak disse.

—Eu acho que você está errada. – Murmurei a surpreendendo e também a mim. Ela abriu a boca para dizer algo mais, mas Felicity e Ra’s entraram. Ergui-me de imediato ao nota-la vacilar um passo reagindo a algo que seu pai havia dito e me apressei a ir até eles.

— Eu espero que você não esteja. – Escutei a voz de Donna murmurar atrás de mim enquanto me seguia.

POV FELICTY

Observei o perfil de Oliver enquanto bebericava meu suco.

Ele parecia tenso.

Enquanto eu havia relaxado mais, ele parecia pouco a vontade durante o jantar. Temi um pouco isso afinal ele estava bem e alegre até o momento em que o deixei a sós com minha mãe. De alguma forma eu sentia que esse havia sido meu grande erro, ele apenas assentia educadamente, e soltava um sorriso forçado cada vez que meu pai o provocava, mas fora isso ele parecia distraído.

E tenso.

Muito tenso.

— Então Felicity... – Minha mãe começou limpando sua boca suavemente com um guardanapo. – Eu confesso que não esperava que você estivesse aqui com seu pai por agora, devo ter me confundido com esses calendários loucos de vocês estudantes. – Riu. – Pensei que a essa altura suas aulas estivesse começando, mas como estão as coisas? — Oh merda. De todas as perguntas que ela podia fazer, ela perguntou sobre a faculdade. Por que sempre sobre a faculdade? – Quando começa o próximo período?

— Em breve. – Murmurei fracamente. – Muito em breve.

—Oh então você já deve estar arrumando suas coisas. – Sorriu, então encarou Oliver brevemente e voltou o olhar para meu pai que permanecia em um inteligente silêncio. – Imagino que vocês meninos sentirão muita saudades dela.

— Humm. – Oliver aquiesceu.

— A questão ainda estar em aberto. – Meu pai murmurou finalmente. Ela franziu o cenho não o compreendendo.

— Que questão? – Perguntou por fim. – Se vocês vão ou não sentir sua falta?

— Faculdade. – Esclareci.

— Felicity está revendo alguns conceitos. – Meu pai explicou. – Eu a forcei a isso na verdade, eu queria ter certeza que seguir a carreira de médica é realmente algo que ela queira.

— Isso é bobagem. – Minha mãe murmurou após um breve apertar de lábios. – É claro que ela quer isso.

— Eu posso decidir por mim mesma. – Murmurei entredentes.

— Por que você iria querer reconsiderar? – Perguntou me encarando brevemente antes de fuzilar meu pai com o olhar. – Você não tinha o direito de tira-la de lá.

— Sim, eu tinha. – Retrucou.

— Não. – Murmuramos juntas. O que o surpreendeu.

— Está vendo? – Minha mãe apontou para mim. – Ela não quer reconsiderar nada.

— Eu não disse isso. – Apressei-me a corrigir.

— Felicity, esta não é a hora de você discordar de mim apenas para ficar contra mim. – Falou rapidamente.

— Eu não sua criança. – Murmurei elevando minha voz. – Eu não estou dizendo isso para ser do contra, e é por essa mesma razão que você não deveria ter me chantageado para vir para cá. – Murmurei agora para o meu pai. – Sou eu que devo decidir ou não sobre meu futuro, não vocês, não mais. – Ambos me encaram com o cenho franzido, porém parecia que eu não havia dito nada que soava familiar a sua língua por que ela voltou-se para ele com o mesmo olhar de reprovação.

—Ela precisava desse tempo aqui. – Argumentou antes mesmo que ela pudesse abrir a boca. – Eu decidi que...

— Quem lhe deu o direito de tomar decisões assim por minha filha? – Meu pai ergueu as sobrancelhas surpreso com o ataque, isso o chateou, eu podia notar na forma que ele alisou a toalha de mesa, seu olhar baixando-se até sua mão por alguns segundos, então ele calmamente ergueu seu olhar até o dela e com tom frio respondeu.

— Você. – Murmurou fazendo com que ela recuasse na cadeira com apenas aquela palavra dita de forma tão calma, mas que ainda assim parecia ter sido gritada. – Você me deu todos os direitos quando me chamou para busca-la. Você me deu uma lista, uma grande lista, dizendo tudo o que ela gostava, as comidas, tipos de filmes, suas pequenas manias, e alergias, mas você nunca me disse como eu deveria agir ou não quando achasse que ela não estava feliz, então me perdoe, se eu não segui seu roteiro fielmente, mas eu precisava ser o pai dela. A questão da faculdade está em aberto e não será você, ou eu que tomará essa decisão. Será ela.

— Sobremesa?- Oliver perguntou me encarando como se desejasse sair dali o mais rápido possível. Minha mãe o encarou rapidamente, seus olhos pareciam serem capazes de lançar fogo.

— Você. – Murmurou ainda sem desviar o olhar do seu. – Pedaço de coisa quente, você não é a razão dela concordar com isso, eu espero.

— Sobremesa seria ótimo. – Murmurei me levantando e puxando seu braço.

— Felicity, não. – Minha mãe murmurou me parando. – Eu entendo que esteja apaixonada, e isso é ótimo, mas, por favor, não me diga que está mudando todo seu futuro por conta de um namorico qualquer.

— Isso não é da sua conta. – Falei rudemente.

— Eu não acho que essa seja a hora de se ter essa conversa. – Oliver murmurou.

— Não é da minha conta? Isso é besteira. – Reclamou. – Você tem uma vida em New York. Eu respeitei sua distância por conta disso, eu jamais pensei que você estaria aqui gastando suas horas atrás de um maldito balcão. — Isso me irritou, na verdade irritar não chegava nem perto de como eu poderia descrever.

— Não que eu deva isso a você, mas qualquer decisão que eu tome com relação ao meu futuro, não vai ser decidida com relação ao que eu sinto por um homem. Ou sua, ou do meu pai, eu não preciso da aprovação de vocês, de nenhum. E se é tão importante assim para você saber, eu vou voltar, já está tudo preparado, então, por favor, pegue seu maldito voo e pare de se intrometer em um assunto no qual você nunca foi chamada. Tentem não se matar. – Acrescentei antes de me afastar levando Oliver comigo.

— Felicity Smoak, a sobremesa definitivamente não está em seu quarto! – Escutei meu pai gritar, mas o ignorei e fechei a porta atrás de mim tão logo passamos.

— Sobre o que você disse... – Eu não podia deixa-lo terminar sua frase, na verdade, no momento eu queria muito fazer qualquer coisa que não terminasse em uma longa conversa, ainda mais por que enquanto eu estava ali despejando tudo em minha mãe, eu havia ignorado o fato de que eu nunca havia comentado isso com Oliver, então tudo o que pude fazer foi empurra-lo nada delicadamente forçando para trás. – Felicity? – Perguntou poucos segundos antes que suas pernas encontrassem minha cama e ele caiu sobre ela. Sem demorar um piscar sequer subi em seu corpo. – Espere.

— Eu não quero conversar. Eu quero sexo. – Murmurei antes de beija-lo. Oliver não costuma me desapontar nesse quesito, então sua mão não demorou em envolver a lateral do meu rosto enquanto a sua língua rapidamente entrava em contato com minha, por alguns segundos ele me permitiu ser cercada pelo seu cheiro e pelas sensações que apenas o mero contato de nossos corpos e um beijo seu era capaz de produzir. Mas Oliver me decepcionou ao afastar meu rosto do seu e recuar na cama.

— Eu não posso fazer isso. – O encarei incrédula.

— Não?

— Não. – Assentiu.

— Você não está... – Sugeri olhando para baixo. – Está tudo funcionando aí embaixo? – Ele naturalmente se viu indignado com minha pergunta.

— É claro que está tudo bem aqui embaixo, mais do que bem, você não poderia ter escolhido um melhor. – Salientou.

— Ótimo. – Assenti engatinhando até ele. – Tire suas calças. – Murmurei enquanto alcançava seu cinto.

— Espere, Felicity. – Interrompeu-me segurando minhas mãos. – Não podemos fazer isso aqui, com seu pai a uma porta de distância.

— Besteira. – Falei soltando minhas mãos e retomando o processo. – Quase fizemos em um banheiro, com ele literalmente colado à porta.

— Ok. Então eu não posso fazer isso por que você claramente está tentando me usar como válvula de escape. – Argumentou parando minhas mãos novamente. – E por que você não quer eu converse com você, por que sabe que eu vou perguntar o que você decidiu sobre New York. Mas precisamente quando decidiu e por que não me falou disso antes.

— Oliver... – Protestei.

— Quando decidiu? – Murmurou ajeitando-se.

— Você poderia ao menos tirar a camisa.

— Se eu tirar a camisa você vai me tocar. – Respondeu rapidamente. – E então vamos transar.

— Essa é a ideia.

— Felicity. – Chamou-me mais sério. – Quando decidiu?

— Ouça podemos fazer isso depois. – Murmurei me erguendo. – Quando não tivermos minha mãe e meu pai do lado de fora prontos para comentar qualquer coisa quando sairmos.

— Então tudo bem transarmos aqui e agora, mas não podemos conversar? – Franziu o cenho.

— Eu só acho que esse não é o momento para nós dois conversarmos sobre minha volta a NY. – Dei de ombros.

— Oh. Entendi. – Assentiu levantando-se e passando as mãos por sua roupa, tirando rugas invisíveis.

— Não. Você não entendeu. – Falei ficando em sua frente e impedindo-o de sair.

— Você vai voltar para lá. – Murmurou. Seus olhos encontrando os meus. – Eu entendo, e honestamente eu não pensei que seria diferente, mas eu acho que eu merecia mais do que escutar você falando que eu não tenho nenhuma influência na sua vida, na sua decisão.

— Oliver...

— Você que ir para lá? Ok. – Falou me interrompendo. – Eu estava me preparando para isso, eu estava procurando maneiras de fazer isso dar certo. Mas essa sua reação, sua necessidade de fazer tudo sozinha, me faz pensar que eu não sou mais que um namorico, como sua mãe disse. Eu não queria que você tomasse uma decisão por mim, Felicity. Eu queria que você tomasse comigo. Que tomasse sua decisão, mas que me deixasse fazer parte, que não fosse algo escondido.

— Eu sei. – Assenti. – Desculpe. – Eu sabia que o que eu havia dito havia o chateado, mas eu não percebi que havia tomado uma decisão, essa decisão de voltar, até que deixei escapar momentos antes. Ou eu havia, mas não queria assumir até então.

— É preciso de dois para fazer dar certo. – Continuou. – E eu estou começando a achar que estou nisso só. Você quer tanto fazer as coisas sozinha, que pode acabar realmente sozinha. – Falou antes de abrir a porta e sair.

Droga.

Eu realmente havia estragado a noite.

Não para mim, não para minha mãe, mas para Oliver.

Eu fiquei mais alguns minutos no quarto antes de voltar para a sala de jantar. Minutos em que eu respirei fundo e refleti em como essa conversa deveria ter sido. Eu nunca planejei me envolver com Oliver, mas uma vez feito, eu nunca planejei terminar com ele antes de voltar, então a minha maneira eu havia decidido que teria os dois. Minha volta e Oliver. Eu deveria ter dito a ele desde o começo e ter conversado com ele sobre como poderíamos fazer dar certo. Eu deveria dizer isso agora.

Decidida a retomar a conversa e dessa vez termina-la bem, eu procurei por ele na sala de jantar, quando fui para a cozinha meus pais estavam ocupados dividindo a tarefa de lavar a louça, uma cena tão casual e familiar que me deu vontade de sair correndo a aceitar isso.

— Onde está Oliver? – Perguntei quando não o encontrei lá. Minha mãe se virou com culpa nos olhos.

— Ele já foi. – Murmurou rapidamente. – Disse que haviam ligado para ele, Sara eu acho, que ele precisava ajuda-la com algo. – Estava claro que nenhum dos dois, nem mesmo eu, acreditou na desculpa.

— Eu tenho que ir. – Falei.

— Mas querida... – Interrompeu-me antes que eu saísse da cozinha. – Eu estava pensando, que poderíamos conversar um pouco.

— Eu realmente não posso fazer isso agora. – Dei de ombros. – Eu te ligo ou algo assim, mas agora eu tenho que ir.

— Nós precisamos disso. – Argumentou.

— E Oliver precisa de mim. – Falei a surpreendendo. – Nós dois precisamos conversar agora. Eu sei que nós duas também precisamos, mas no momento, eu só posso lidar com isso ok? Boa noite. – Falei finalmente me afastando. Escutei passos duros me seguirem até a porta e sem me virar eu sabia que meu pai estava logo atrás de mim.

— Felicity...

— Amanhã. – Prometi. – Amanhã eu escuto toda sua sabedoria sobre o momento.

—Eu posso imaginar o que o chateou. – Falou me surpreendendo por não ter sido em tom de crítica. – Não tente forçar uma conversa agora, ele ainda estará chateado quando você chegar, e provavelmente você não conseguirá consertar nada, deixe para conversar amanhã.

— Você não devia estar comemorando qualquer desentendimento nosso? – O provoquei.

— Talvez. – Assentiu. – Mas vocês estão apenas começando, então ainda vai ter muito disso, eu estaria comemorando em vão. E apesar de tudo, eu não sou cego, eu posso ver que você realmente se importa com ele.

Analisei o que ele havia dito e percebi que a forma como ele dizia tornava tudo muito simples. Eu não apenas me importava com Oliver, se fosse assim tudo seria mais fácil, e a ideia de ficarmos milhares de km de distância não seria tão aterradora.

— Eu o amo. – Se ele havia me surpreendido ao me dar certo apoio no meu relacionamento com Oliver, minha declaração vinda com tanta facilidade o deixou em choque. – Eu sei, é novo para mim também.

Notas finais
Espero que tenham gostado, vejo vocês nos comentários!! Xoxo LelahBallu.