Redenção
16 Capítulo 15
Notas iniciais
POV FELICITY
Acordei com a sensação de mãos correndo com deliberada lentidão por minha pele.
Existia maneira melhor de acordar?
Perguntei-me enquanto as mãos deslizaram pela minha caixa torácica até alcançar um seio de forma possessiva, meus lábios se entreabriam deixando escapar um suspiro satisfeito.
— Você está acordada. – Oliver murmurou por cima de minha pele, seu fôlego me esquentando e fazendo com que eu estremecesse sobre seu tato.
— Estou? – Perguntei com um sorriso brincalhão e virando-me em seus braços. Eu provavelmente deveria me preocupar em não parecer algo como saído de propagandas de beleza, mas meus pensamentos se quebraram quando sua boca desceu sobre a minha com fome. Apertei seu ombro enquanto aceitava a doce e cálida pressão dos seus lábios. Sua boca se moveu sobre a minha com destreza, seus lábios movendo-se para sugar meu lábio inferior antes de deslizar a língua pela cavidade úmida e encontrar a minha com um roçar lento e picante.
Quando seus lábios afastaram-se dos meus foi para me encarar com absoluta atenção, seu sorriso se ampliando e tornando-se travesso quando desceu pelo meu corpo. Sua atenção indo de imediato para meus seios nus, eu podia ler a intenção por trás de seus olhos, parte de mim queria apenas deitar e deixa-lo livremente fazer um festim de meu corpo, eu provavelmente deveria fazer isso.
Mas eu queria fazer um festim do seu corpo.
Surpresa o dominou quando empurrei seu ombro fazendo com que deitasse de costas na cama e passei minha perna por seus quadris o montando. O contato íntimo me fez soltar um gemido de apreciação, enquanto espalmava minhas mãos no peito amplo.
— Alguém está apressada. – Murmurou levando suas mãos a minha cintura e sentando-se, o movimento fazendo com que eu o sentisse ainda mais duro contra mim.
— Eu me lembro de ter começado algo assim... – Murmurei arranhando levemente a pele de seu ombro. -... Mas que nunca terminamos.
— Eu me lembro que fomos interrompidos. – Sussurrou descendo seus lábios pelo meu pescoço até encontrar o exato lugar onde meu coração batia quase freneticamente. Seus lábios pressionaram sugando a pele, meus dedos agarraram o couro cabeludo embora eu não pudesse dizer se o estava afastando ou o impedindo de fazer exatamente isso. – O que você vai fazer agora princesa? – Perguntou com um brilho predatório no olhar.
— O que você acha? – Perguntei empurrando-o de volta para que se deitasse. Porém Oliver não estava pronto para abrir mão completamente do controle. Suas mãos apertaram meus quadris guiando-me acima de sua ereção, provocando-me com a ponta antes de levar-me lentamente para baixo, minhas mãos estavam espalmadas em seu peito amplo e eu segurava um suspiro de deleite enquanto o sentia dentro de mim, sentia-o maior e cada músculo interno meu o apertava com firmeza, encarei seus olhos notando a sombra selvagem que os deixavam mais escuros, o desejo o dominando assim como fazia comigo, me movi lentamente o provocando e sorri. A esse ponto Oliver soltou um gemido rouco e suas mãos serpentearam por minha coluna até alcançar meus seios os provocando, mordi meu lábio inferior negando-me a lhe dar esse som e voltei a balançar meus quadris o desafiando. Mas contrariando o ar selvagem que o dominava, ele apenas seguiu o movimento com deliberada lentidão, provando a mim tanto quanto eu o provocava.
— Você está se segurando. – Murmurei colocando minha mão sobre a sua e a arrastando pelo meu estômago guiando-a para baixo.
— Eu estou aproveitando. – Concordou guiando seus dedos até que seu polegar alcançou meu clitóris e eu não pude fazer outra coisa se não lhe dar aquele gemido que eu tão teimosamente segurei. – Eu posso levar isso muito, muito lentamente.
— Então pare. – Exigi ainda mantendo meu olhar firme sobre o seu. O desafio em minha voz, a união de nossos corpos, seu intenso desejo, tudo isso o fez se soltar justo como eu queria, suas mãos voltaram-se a segurar meus quadris dessa vez com muita mais força, fazendo-me pensar que logo haveria marcas ali, eu não pude assimilar a pequena dor provocada pela pressão de seus dedos longos, por que ele empurrou toda sua ereção dentro de mim, ofeguei em aprovação.
Em um movimento fluido ele girou-me fazendo com que minhas costas batessem contra o colchão, suas mãos separando minhas pernas ainda mais, enquanto ele deslizava para fora e me penetrava novamente mais forte, seu ritmo aumentando rapidamente. Não foi lento, não foi suave e decididamente não foi delicado. Foi intenso, áspero e teve o poder de me deixar ainda mais excitada. Havia tanto prazer no que estávamos fazendo que minha cabeça não seguia um só pensamento coerente... Seus impulsos eram rítmicos e poderosos, sua mão deslizando até a lateral do meu pescoço, seus dedos rodeando a parte de trás.
Eu conhecia a força de Oliver, eu sabia que as mesmas mãos que agora me tocavam com reverência eram capazes de provocar dor, de tirar uma vida, mas eu sabia que elas também eram capazes de provocar imenso prazer, e oferecer um incondicional carinho. Então tê-lo me subjugando dessa maneira não me preocupava, não me assustava, me excitava como o inferno. Minhas unhas cravaram-se a sua pele de uma forma que deveria estar lhe provocando alguma dor e escutei seu rosnado como resposta. Sua boca foi até meu ouvido trazendo uma breve mordida antes de sussurrar, seu fôlego se arrastando. Uma última e poderosa estocada seguindo a frase.
— Goze para mim, princesa. – Eu me senti quebrar em mil pedações, não de uma maneira ruim, de uma forma sensual e viciante, do tipo que eu queria ser quebrada uma e outra vez. Eu me desfiz. Meu corpo estremecendo quando o orgasmo me atingiu, gritei seu nome e quando ele veio logo em seguida escutei o meu nome vir rouco em sua garganta. Estávamos suados e satisfeitos, mas mesmo quando seu corpo saiu de cima do meu, ele se negou se afastar, seu braço me puxou para si em um abraço intimo seus lábios procurando os meus em um beijo delicado, onde antes não havia suavidade agora cada gesto seu estava cheio dela, seus olhos me encaravam com um brilho suave, com algo de que no momento eu não queria nomear, mas que eu tinha certeza se via refletido nos meus.
— Nós temos que nos apressar. – Murmurei deslizando meus dedos em seu rosto, seguindo a linha de seus lábios que formava neste momento um sorriso.
— Podemos nos esconder nesse quarto. – Sugeriu.
— E Sara entraria sem sequer percebêssemos. – Argumentei.
— Vamos fingir que estamos doentes. – Sugeriu.
— Os dois? – Perguntei rindo.
— Exausto de fazer amor. – Piscou.
— Eu não me sinto exausta. – O provoquei.
— Eu sei. – Concordou. – Mas eu planejo mudar isso. – Falou deslizando seus lábios pelo meu pescoço.
— É isso que eu vou dizer a meu pai? – Perguntei fazendo com que ele se afastasse, o olhar que ele me deu fez com que eu risse alto. – “Eu sinto muito, pai. Eu não posso trabalhar hoje por que Oliver planeja sugar todas as minhas energias com sexo.”
— Eu estou impressionado. – Meneou a cabeça. – Você realmente sabe como cortar o tesão de um cara.
— Desculpe. – Murmurei sincera, mas ainda rindo. Ele se afastou do meu toque parecendo aborrecido, mas eu sabia que ele não estava realmente.
— Quando se está na cama, não se trás o pai. – Argumentou erguendo-se. Meu riso parou no momento em que eu tomei meu tempo admirando o corpo masculino.
— Ok. Agora você tem toda minha atenção. – Ele sorriu, um sorriso que me dizia que eu não ia gostar do que vinha por aí.
— Bom, mas não podemos. – Murmurou com falso tom moralista. – Por que temos que trabalhar. – Falou se afastando. – Eu vou tomar uma ducha. – Falou entrando no banheiro. Suspirei jogando minha cabeça contra o travesseiro com um suspiro aborrecido, até o momento em que escutei sua voz. – Eu posso deixar você abusar de mim na ducha. – Eu podia sentir o sorriso por trás da frase.
Não. De jeito nenhum que eu ia correr atrás dele sedenta por mais sexo.
De jeito nenhum.
Nem pensar.
Nop.
— Você realmente vai me deixar fazer o trabalho sozinho?
Merda.
Eu quero mais sexo.
[...]
Quando desci as escadas meu olhar encontrou de imediato a figura de Sara sentada nos últimos degraus da escada e estranhei de imediato. Sara estava sempre andando de um lado para o outro, dando suas aulas, assumindo meu lugar no balcão enquanto eu não chegava ou apenas provocando Roy. Sara nunca ficava sentada nas escadas com ar perdido. Eu sempre tive a impressão de que Sara era incapaz de se manter quieta.
— O que aconteceu? – Perguntei preocupada. Ela me lançou um olhar confuso quando sentei ao seu lado, quase como se não tivesse percebido minha aproximação ou não entendesse minha pergunta. – Você está sentada nas escadas.
—E você está atrasada. – Deu de ombros. Ergui uma sobrancelha. – Pensei que estávamos trocando informações óbvias.
— Sara...
— Eu não tenho nenhuma turma por agora. – Esclareceu. Ou ao menos foi o que ela pensou, por que para mim tudo continuava igual, ela não deveria estar sem turma agora. Eu conhecia o horário de cada um nessa academia.
— Meu pai roubou sua turma novamente? – Perguntei com um suspiro dando-me conta que essa era a alternativa mais óbvia.
— Eu a ofereci. – Respondeu realmente me surpreendendo. Sara amava o que fazia. Meneei a cabeça e me sentei ao seu lado, ela se afastou me dando mais espaço.
— O que aconteceu? – Tornei a perguntar. – Não me faça chamar Oliver para tirar as informações de você. – Isso teve o poder de irrita-la.
— Você deveria cuidar de sua vida. – Salientou preparando-se para se erguer, mas a impedi segurando seu braço.
— Assim como você está sempre cuidando da sua? – Perguntei em tom irônico. – Somos amigas Sara, isso aqui é uma via de mão dupla. Eu vou pegar no seu pé quando te vê chateada e vou perguntar por que, então quando eu descobrir o que aconteceu vou chutar o traseiro de quem provocou isso. – Ela sorriu ao escutar isso.
— E se for Oliver? – Sugeriu. Eu sabia que ela estava apenas me provocando, mas a resposta foi mais sincera do que ela esperaria.
— Eu vou ter um imenso prazer chutando o traseiro de Oliver. – Falei. – Claro que eu gostaria de estar fazendo outras coisas, mas se ele fez por onde, não vou hesitar em coloca-lo em seu lugar,
— Ele é seu namorado. – Respondeu com um sorriso.
— E vai continuar sendo. – Dei de ombros. – Apenas vai ter seu traseiro dolorido. – Empurrei seu ombro com o meu de leve. – Oliver fez algo que a chateou?
— Ollie vive para me chatear Lis. – Brincou com um sorriso, mas seu sorriso já não chegava aos seus olhos.
— Sara, o que houve? – Perguntei voltando a ficar séria. – Por que você não está com sua turma?
— Nada. – Negou rapidamente. A encarei com óbvia descrença fazendo com que ela se encolhesse diante meu olhar reprovador. – Eu acho que eu apenas estou me sentindo um pouco sentimental hoje.
— Por quê? – Questionei ainda incerta do que estava acontecendo.
— Eu não sei. – Meneou a cabeça. – Talvez eu esteja apenas sentindo um pouco de inveja. – Confessou.
— De que? – Ela ficou em silêncio observando meu rosto enquanto aguardava eu chegar à conclusão. – De mim?
— Não de você. – Esclareceu. – De você e Oliver.
— Você está com ciúmes de Oliver? – Endireitei minha coluna ficando um pouco tensa.
— Inveja, Felicity. I – N — V – E – J – A. – Soletrou e bufou. – Por que diabos eu teria ciúmes de Oliver?
— Por que diabos você teria inveja de nós dois? – Retruquei.
— É do que vocês dois tem juntos que eu tenho inveja. – Explicou. – Eu nunca tive isso com ninguém. Na verdade a única pessoa que eu costumava ter uma ligação era Oliver. E nós dois meio que somos a família um do outro. Eu não tenho relacionamentos. Sim, eu tenho tido um pouco de sexo, e sim eu gosto de ambos os gêneros, mas seja homem, ou mulher, eu sou incapaz de me relacionar a sério com alguém. Eu só estou um pouco invejosa por não ter alguém a quem chamar de meu. “meu namorado” “meu verdadeiro amor” “minha dor no traseiro”.
— Oliver não é minha dor no traseiro. – Murmurei antes de perceber que ao negar um, eu dizia que todas as outras eram reais, e absorvi a importância do que isso significava. Sara me encarou com um sorriso cúmplice, dessa vez um sorriso verdadeiro, ela percebeu meu deslize, mas ainda assim não fez nada para me deixar constrangida.
— Oliver é uma dor no traseiro de todo mundo. – Murmurou com o intuito de me dar algo para mudar de foco.
— Você vai encontrar alguém assim. – Prometi. – Homem, mulher, não importa. Você vai encontrar alguém.
— Eu gosto disso em você. – Confessou.
— O quê?
— Você sabe que mulheres me atraem da mesma forma que homens. – Esclareceu. – Mas não fica tensa perto de mim.
— Você planeja me atacar ou algo assim? – Brinquei.
— Claro que não, só que...
— Roy também gosta de mulheres. – Murmurei fazendo com ela parasse e me encarasse confusa.
— E?
— E? – Devolvi. – Eu sou uma mulher. Eu deveria ficar tensa por que Roy gosta de mulheres? Eu devo presumir que ele irá me atacar do nada? Que uma amizade entre nós tem que ser entendido mais do que amizade porque aparentemente isso faz com eu seja irresistível para ele?
— É exatamente disso que eu gosto em você. – Piscou.
— Você não vai gostar de mim por muito tempo. – Murmurei a advertindo enquanto encarava a figura masculina que havia entrado na academia. Ela acompanhou meu olhar e eu quase pude ouvir o ranger de dentes ao perceber em que caminho minha mente havia ido. – Vá até ele. – Exigi.
— Eu não vou dar em cima de Ray Palmer por que estou emocionalmente carente. – Negou.
— Sim, você vai. – Falei me erguendo e ficando em sua frente com as mãos na cintura. – Mas você não chamará de dar em cima, você irá ter uma conversa amigável com ele. Uma conversa amigável e decente. – Esclareci. – Eu não quero saber de seus bons dias murmurados rapidamente e dar as costas dizendo que está atrasada para algo.
— Felicity... – Protestou.
— Você gosta desse. – Falei não aceitando uma negativa. – Não ainda como você quer, ele ainda não é algo mais, mas ele pode ser. Você sabe disso e por isso você se mantém afastada. Então se você quer sua dor no traseiro, você vai ter que ir buscar sua dor no traseiro. Levante-se. – Exigi ignorando seu olhar ranzinza. Cruzei meus braços demonstrando que já não estava mais brincando e realmente esperava por uma atitude vindo dela. Para ser honesta eu não saberia dizer de certeza se Ray era o que ela procurava. Tudo o que eu sabia era que ela o achava atraente, e que ele é um cara decente, mas eu precisava que ela tentasse. Eu conhecia pouco do passado de Sara, eu peguei algumas coisas do que ela havia deixado escapar, e do que Oliver havia me dito uma vez ou outra. Juntando tudo, o que eu sabia era apenas de que Sara não teve um apego emocional com sua família, não era o tipo de família de carinho, seu pai tal como a mãe de Oliver gostava de beber, sua mãe não se importava muito e ela havia amadurecido muito cedo já que não lhe foi permitido ser uma criança, seu desapego com seus familiares era tão grande que ela não havia sequer piscado antes de aceitar sair da cidade com Oliver, a única família que realmente conheceu. Agora ela tinha a mim, ela tinha a todos na academia que a adorava, da sua forma, ela tinha uma família. Agora ela precisava de um parceiro. E se eu teria que bancar a cupido para isso, eu ia abraçar o papel com afinco.
Tive que abandonar meus pensamentos quando ela finalmente se levantou de repente. Afastei-me lhe dando espaço, mas para minha surpresa ela exibia um olhar de pura descrença e um sorriso de boas vindas. Não era assim que ela deveria encarar Ray. Virei-me sem hesitar e percebi que Ray nem estava mais a vista, ele provavelmente havia subido sem sequer ter nos cumprimentado. Abandonei meus pensamentos estúpidos quando notei por que Sara havia reagido dessa forma e agora ela dava alguns passos indo de encontro ao nosso novo visitante, sem hesitar a acompanhei.
Ele estava apoiado ao balcão, seu peso sendo colocado em um cotovelo. Era de ser esperado que ele tivesse nos visto, mas ele encarava seu celular com absoluta concentração.
— Está perdido Merlyn? – Sara perguntou parando ao seu lado, eu por minha vez tomei meu habitual lugar e comecei a ligar o notebook, meu plano era fazer meu trabalho e manter meu olho na conversa dos dois. Eu havia negligenciado o balcão por tempo demais. Era uma boa coisa que eu fosse filha do proprietário, por que eu preciso admitir, às vezes eu exagerava em meus intervalos, e sempre tinha alguém me cobrindo. No Boliche meu comportamento era impecável, mas aqui eu me via sendo constantemente distraída por Oliver, Sara, meu próprio pai, ou alguém como nosso visitante que agora nos encarava receptivo. Tommy abriu um sorriso enorme que eu tinha certeza era sua característica mais atraente e sem deixar de olhar de uma a outra não hesitou em começar com seu galanteio, ou como posso melhor nomear: cantadas baratas.
— As moças sempre vêm aqui? – Sua frase ridícula foi acompanhada por uma piscada. Eu não havia dedicado muito do meu tempo pensando em Tommy Merlyn, até por que nosso encontro havia sido breve, tumultuoso e pouco sóbrio, minhas memórias estavam mais relacionadas à luta do que ao que veio depois. Contudo, ainda assim eu me vi respondendo seu sorriso.
— Essa é a sua preferida do repertório? – O questionei. – Muito suada, heim?
— Apenas com garotas que tendem a arrancar meu coração com apenas um olhar de desdém. – Murmurou encarando diretamente Sara que exibia exatamente esse olhar. – Quando você me dará uma chance passarinho? – Tommy recuou encostando-se ainda mais ao balcão ao perceber que Sara havia dado um passo ameaçador em sua direção ao som do apelido.
— Passarinho? – Murmurei confusa.
— Ele é um estúpido. – Sara fez um gesto com a mão pedindo para deixar o assunto de lado, então voltou a encarar Tommy que a observava divertido. – O que você está fazendo aqui?
— Eu vim ver Ollie. – Murmurou sem se alterar com seu tom ríspido, abri uma planilha memorizando os nomes de quem eu deveria lembrar sobre sua avaliação física e senti seu olhar sobre mim. – Eu me lembro de você.
— Por algum motivo eu sinto que deveria ficar lisonjeada com isso. – Murmurei deixando um pouco de sarcasmo gotejar na frase.
— Você é a garota de Oliver. – Estalou os dedos. Então seu cenho franziu. – Bem, você era a garota de Oliver da noite. – Corrigiu-se. Franzi os lábios em irritação. Não era culpa dele, Oliver antes era um verdadeiro pedaço de merda, e não matinha uma mulher por muito tempo, ou horas, eu não deveria me sentir ofendida por algo que ele presumiu e que já foi verdade com tantas outras. Parecia que havia sido uma eternidade desde que Oliver não era mais que o cara irritante que não conseguia colocar seu pênis dentro das calças, mas já não era assim, poucas semanas depois e eu sentia que jamais voltaria a ser, e era por isso que me irritava ser considerada a garotado da noite.
— Eu sou Felicity. – Murmurei com aborrecimento. – E eu não era a garota de Oliver. – Neguei, não repeti, nem frisei o restante da frase. – Eu não era nada de Oliver.
— Não? – Perguntou mostrando uma atitude relaxada e um ar receptivo, sem precisar adivinhar muito eu sabia que as palavras seguintes envolveriam de alguma forma nós dois juntos de uma maneira nada platônica. Então voltei a me concentrar na tela na minha frente. Ele estava implorando pela atenção de Sara, e agora ia me paquerar. Homens.
— Poupe seu charme Merlyn. – Sara o advertiu.
—Por quê?
— Por que ela é minha garota. – Levantei meu rosto ao escutar a voz de Oliver e seu tom possesivo. – Mantenha suas patas longe dela. – Tommy encarou com olhar acusador.
— Você disse que era solteira!
— Eu nunca disse que era solteira. – Falei ao mesmo tempo em que Sara também dizia o mesmo. Tommy dispensou nossos argumentos com um olhar de falso aborrecimento e abriu os braços para abraçar Oliver com um típico abraço masculino, tapinha nas costas e tudo, apesar de toda a cena de “Mantenha suas patas longe...” Oliver não hesitou em responder o abraço, um sorriso marcando as feições.
— O que você está fazendo aqui? – Oliver perguntou a Tommy.
— Eu venho perguntando isso desde que ele chegou. – Sara interveio soando irritada.
— Eu te disse. – Tommy retrucou. – Eu vim ver Ollie. – Concentrou-se no amigo. — Eu soube que você perdeu uma luta.
— E você veio me ver por isso? – Perguntou descrente. – Se eu fosse te visitar sempre que você perde uma luta, eu teria que me mudar. – O provocou. Tommy ignorou sua provocação.
— Eu vim perguntar se você está a fim de ganhar uma. – Esclareceu. Lancei um olhar receoso para Sara, ela entendeu minha pergunta feita em silêncio e assentiu em resposta. Tratava-se de uma luta clandestina. – Com o mesmo cara.
— Eu não estou interessado nisso. – Oliver falou rapidamente. – E você poderia ter me ligado para isso. – Acrescentou.
— E perder a oportunidade de conversar com duas loiras bonitas? – Sara meneou a cabeça com a resposta e deu as costas para se afastar, mas para seu aborrecimento Ray se aproximava, e ela teria que passar por ele, então girou de volta enfrentando o olhar perspicaz de Tommy que havia pegado sua ação, Oliver franziu o cenho não entendendo a reação da amiga.
— Bom dia. – Ray nos cumprimentou com sua costumeira empolgação.
— Hey Ray. – Acenei com a cabeça.
— Eu tinha visto vocês duas conversando na escada, mas não quis interromper, parecia ser sério. – Desculpou-se.
— Mas agora você não teve problemas em interromper. – Tommy murmurou com um grande sorriso, seus braços cruzados.
— Eu o reconheci. – Ray falou erguendo uma mão para um tradicional aperto. – Tommy Merlyn, certo?
— É o que está em minha identidade. – Tommy murmurou apertando sua mão.
— Ray Palmer. – Ray apresentou-se, como no dia em que soube que Oliver era Al Sahim, Ray passou a tagarelar sobre campeonatos. Sara exibiu um suspiro exasperado e contornou o balcão para se aproximar de mim.
— Eu me esqueci de avisa-la...
— Você está arranjando uma desculpa para se afastar? – Perguntei em tom baixo.
— Eu pareço precisar de uma? – Questionou-me apontando os dois conversando, no exato momento Tommy a encarou e lhe lançou uma piscadela, ela virou o rosto o ignorando. – Eu me esqueci de avisa-la que seu pai estava procurando por você, parecia muito ansioso para falar com você. Eu tenho certeza que a única razão dele não ter subido escada acima foi por que ele tem medo de abrir a porta e encontrar você e Oliver transando no sofá.
— Oh... – Murmurei corando. Existia essa possibilidade.
— Ele sequer queria assumir minha turma. – Acrescentou. – Então, antes da próxima turma começar o procure.
— Você não vai pegar nenhuma hoje de manhã? – Franzi o cenho.
— Não. – Meneou a cabeça e começou a se afastar. – Hoje, essa garota aqui está tirando o dia para fazer absolutamente nada. – Falou antes de tomar o caminho das escadas que dá para o apartamento. Notei tardiamente que Sara ia fazer “Absolutamente nada” em meu apartamento.
POV OLIVER
Observei Sara subir as escadas e voltei meu olhar para Felicity. Ela tinha desviado sua atenção de volta para a tela, eu não sabia o que estava acontecendo com Sara, mas estava claro que algo a incomodava, mais tarde eu conversaria sobre. Agora eu escutava vagamente a conversa em que eu aparentemente estava envolvido, mas apenas acenava de vez em quando fingindo estar escutando. Tínhamos afastando um pouco do balcão quando alguns lutadores se aproximaram para conversar com Felicity sobre seus horários, mas meu olhar permanecia nela.
Minha mente estava um pouco dispersa, ela ainda estava presa aos momentos em que eu e Felicity passamos juntos, momentos que envolviam muito sexo. Honestamente, minha mente estava na sarjeta. A observei morder o lábio inferior, e notei suas bochechas rosadas, então eu percebi que ela não estava concentrada realmente, ela estava evitando me encarar, por que assim como a minha, a mente dela estava povoada por cenas em que nós dois estamos no mínimo parcialmente despidos e que eu estava enterrado completamente em seu calor. Oh merda, eu queria poder leva-la para algum canto privado agora.
Movi-me inquieto quando percebi que esses pensamentos estavam tomando seu preço e que se eu não me controlasse rapidamente, haveria o momento constrangedor em que qualquer um perceberia que eu queria levar minha namorada para a primeira superfície plana que encontrasse e que me curvaria sobre seu corpo suave e a tomaria.
— Sua mente está na sarjeta. – Tommy murmurou chamando minha atenção. – Você a está encarando como um cachorro encara a um pedaço de carne que é balançado em sua cara. – Ray encarou Felicity e olhou em volta franzindo o cenho.
— Onde está Sara?
— Subiu quando percebeu que não tinha nenhum interesse em nossa conversa. – Tommy respondeu.
— Eu ia lhe perguntar... – Balançou a cabeça como se apagasse os pensamentos em sua mente apenas com o gesto. – É melhor assim.
— Eu tenho coisas a fazer. – Murmurei descruzando meus braços, eu precisava me concentrar em coisas que não envolvessem sexo. – Eu já devia estar treinando.
— Que tal um parceiro de verdade? – Tommy perguntou com um sorriso. – Vamos dar um show a esses jovens ansiosos.
— Isso seria legal. – Concordei vagamente. – Eu preciso que você chame Roy. – Falei para Ray. – Eu ainda não o vi, mas ele deve estar por aqui, eu quero que ele observe essa luta.
— Eu o vi lá em cima. – Assentiu. – Ele está ajudando Ra ‘s com uma turma.
— O tire de lá. – Falei rudemente. – Diga a ele que se ele me quiser como mentor, ele tem 30 segundos para descer as escadas. – Eu vinha pensando nisso, no começo eu era contra treinar alguém, por que achava que qualquer um teria muito mais o que aprender com outros lutadores, Diggle ou em um dia de bom humor, com Ra’s do que comigo. Mas ultimamente eu me via querendo treinar alguém, e eu imaginava que Roy seria minha melhor opção.
— Você sabe que eu não trabalho aqui. Não é? – Ray devolveu com mau humor. – Eu não tenho que estar seguindo suas ordens.
— Foi um pedido. – Retruquei. – E sabe o que sei? – Perguntei sentindo o olhar divertido de Tommy alternando entre nós dois. – Que você está louco para tentar algo com Sara, então se me quer como aliado...
— Eu estou indo. – Falou, mas retornou para acrescentar rapidamente. – Mas não é pelo o que acabou de dizer.
— Sara heim? – Tommy perguntou quando Ray se afastou completamente. – E você com Felicity. – Balançou a cabeça com um sorriso. – Eu quase me sinto orgulhoso por vocês dois evoluírem emocionalmente. Quase. – Murmurou voltando a encarar as escadas.
— Sara e Ray não é um casal. – Neguei e empurrei seu ombro. – Vamos, eu quero observar seu rosto quando perde para mim. De novo.
— Eu imagino que sua próxima carreira será de humorista. – Comentou com uma risada. – Você sabe, já que a de lutador não está mais dando certo.
[...]
— Oliver! – Ambos, Tommy e eu paramos ofegantes ao escutar o rugido de Ra’s Al Ghul. Estávamos exaustos, mas nenhum dos dois quis dar o braço a torcer. Eu sabia que em vários momentos tanto Felicity como Sara devem ter revirado os olhos com nossas atitudes. – Onde está minha filha?
— Quem? – Tommy franziu o cenho.
— Felicity. – Esclareci, antes de voltar meu rosto para Ra’s, mas infelizmente todo mundo que estava por perto escutou sua exclamação surpresa.
— Merda, você está pegando a filha de Ra’s Al Ghul? – Virei meu rosto de volta para Tommy e o fulminei com um olhar.
— Oliver! – Ra’s voltou a chamar minha atenção caminhei até o lado que ele estava, mas voltei minha atenção o para o balcão antes de encara-lo.
— Ela estava bem ali, com Sara. – Falei enxugando o suor com uma toalha. O balcão agora estava vazio, e Sara estava apoiada a ele nos observando com curiosidade.
— Ela atendeu ao celular e se afastou por causa do barulho. – A informação veio de Roy que havia se mantido por perto desde que eu o havia chamado.
— Aconteceu algo? – Perguntei percebendo a urgência de Ra’s. – Tem algo de errado?
— É pessoal. – Falou entredentes. – Não me importa se ela o chama de namorado ou algo do tipo, isso é entre nós dois. – Falou se afastando.
— Ouch. – Escutei Tommy brincar. – Alguém precisa ganhar a aprovação do sogrão. – Não me importei em responder, pois percebi que Felicity voltava distraída encarando o celular e que Ra’s se aproximava com passos firmes.
— Eu preciso ver do que se trata. – Falei me afastando.
— Besteira, você está desistindo. – Acusou-me.
— Esse é um empate! – Falei sem me dar o trabalho de me virar e me aproximei de pai e filha.
—... Toda a manhã? – Pegueii metade da frase de Ra’s e sem me intimidar me posicionei ao lado de Felicity após dirigir um olhar a Sara que havia se posicionado atrás do balcão fingindo estar ocupada, quando na verdade o que a movia era a curiosidade.
— Aqui. – Deu de ombros.
— Eu te procurei várias vezes!
— Na academia. Não exatamente em frente a um balcão. – Esclareceu. – Vestiário, trocando toalhas, lá em cima conversando com a nossa fisioterapeuta... Por que está tão desesperado? O que aconteceu? É Nyssa? Ela está bem?
— Nyssa está ótima. – Negou. – Eu preciso falar com você a sós. – Completou me olhando firmemente.
— Eu não estou fazendo isso novamente. – Felicity negou após um suspiro. – Se você...
— Felicity. – A interrompeu. – Não é sobre ele, não tem nada haver com seu namoro, eu preciso falar com você sobre algo que fiz. – Admitiu parecendo se sentir culpado.
— O quê? – Perguntou receosa.
— Eu só queria que conversássemos, mas ela tomou tudo errado. – Adiantou-se em defesa. – Ela mal me deixou falar e falou rapidamente e quando percebi, eu recebi uma mensagem sua confirmando que estaria no próximo voo para aqui. Eu nunca a chamei para vir até aqui!
— Quem? – Felicity perguntou franzindo o cenho. Eu estava confuso tanto quanto ela, mas a diferença era que enquanto eu ainda estava me questionado do que diabos Ra’s falava e por quê ele parecia aflito com a reação de Felicity... A expressão de Felicity se alterou aos poucos, mostrando que ela chegava à conclusão antes mesmo que seu pai tomasse coragem para responder. Isso era algo de que eu pensei jamais chegaria a ver, Ra’s precisando de coragem para algo. Concentrei minha atenção em Felicity cujo rosto mostrava-se cada vez mais pálido e envolvi minha mão a sua, mesmo sem entender o que se passava. – Oh, pai, o que você fez?
— Eu... – Sua frase não chegou a ser terminada, pois o baque de algo caindo contra o chão roubou nossa atenção, encarei pasmo a figura feminina vestindo um vestido justo levar uma mão a boca, sua bolsa jogada ao chão, seu rosto dominado pela emoção, demorou apenas alguns segundos antes dela iniciar uma corrida e seu corpo se chocar com o de Felicity nos separando.
— Oh querida. – A frase foi dita com um fungar. Felicity se mantinha rígida, seus olhos mostrando choque. – Tem sido um longo tempo.
— Mãe? –Felicity finalmente murmurou fazendo com que eu piscasse surpreso.
— Mãe? – Sara perguntou atrás do balcão ao mesmo tempo em que eu também o fazia.
Ela disse mãe?
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