Redenção
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Abri meus olhos procurando pelo corpo feminino quase que de imediato. Ela não estava por perto, se não fosse pelas marcas deixadas nos lençóis eu concluiria que não havia passado dos efeitos dos comprimidos para dor que eu havia tomado ontem, que a conversa com Felicity não havia sido mais do que uma ilusão e que ela nunca havia deitado ao meu lado. Que ela nunca havia aconchegado sua cabeça em meu ombro e dormido em minha cama.
Surpreendi-me com o fato de estar decepcionado com sua ausência, geralmente eu desejava que as garotas saíssem tão logo acabássemos, não as expulsava de imediato apenas para não ser o bruto do qual todos me acusavam, ou ao menos para não ser tanto assim. Mas com Felicity nem sequer transamos, e ainda assim eu queria que ela tivesse ficado, e o fato de não acordar com ela ao meu lado me deixou... Decepcionado. Tentei me levantar e todas as dores que até então eu ignorava, me assaltaram de vez, fazendo com que eu voltasse a relaxar na cama, ou ao menos tentar. Deus, eu realmente havia levado uma surra ontem. E isso não acontecia em anos.
O som de trinco sendo girado me fez virar minha cabeça em direção à porta do meu banheiro. Felicity saiu de lá, sua cabeça baixa enquanto encarava a pulseira de artesanal em sua mão a ajustando, quando sua cabeça finalmente se ergueu e encontrou meu olhar ela parou bruscamente, como se tivesse sido pega em flagrante.
— Oh, hey. – Murmurou soando envergonhada.
— Hey. – Murmurei deixando um sorriso transparecer em meus lábios.
— Eu já estava de saída. – Murmurou em tom de desculpas. – Você precisa de algo?
Você.
— Eu acho que não. – Murmurei tentando me erguer novamente, a dor ainda me desnorteava, mas eu não ia ficar preso em uma cama. Ela logo esteve ao meu lado, uma mão pousando em meu peito, a outra segurando meu braço. – Eu só preciso me esticar um pouco.
— Oliver. – Protestou. – Eu não acho que você possa “se esticar” no momento. Você está quebrado.
— Obrigado, pela lembrança. – Murmurei irônico. – Não é como se a dor dilacerante fosse capaz de faz isso sozinha.
— Se está doendo tanto assim, esse é um mais motivo para você permanecer na cama. – Retrucou.
— Eu sou um lutador, não é a primeira vez que eu enfrento algo assim. – Murmurei sentando-me na cama e segurando um gemido de dor. – Se você quiser me prender na cama, precisa ser por um motivo melhor.
— Eu não acho que você aguentaria o que está sugerindo. – Respondeu parando em minha frente e cruzando os braços diante de si, em uma postura rígida. Não pude evitar sorrir ao perceber que havia a irritado com a pequena brincadeira.
— Agora você me desafiou. – Falei fazendo com que ela acenasse a cabeça em negativa. Percebi que ela estava chateada com algo. Ainda seria sobre o lance anterior? Eu não podia ter cagado ainda mais as coisas enquanto estava dormindo. Podia? – Felicity? O que aconteceu? – Perguntei preocupado.
— Você. – Murmurou parecendo cansada. – Você me aconteceu. – Falou apontando para mim com a mão aberta. Ergui-me com o objetivo de ficar em sua frente, não importasse o quanto minhas costelas protestassem, mas ela me surpreendeu ao me empurrar forçando-me a me sentar novamente. – Pare. – Exigiu quando tentei novamente. — Você vai ficar aí, e vai me escutar. – Advertiu-me. – E sim, estou me aproveitando do fato de você não pode sair correndo e fugir dessa conversa.
— Sim, eu posso. – Protestei.
— Tente e eu não me importarei em derruba-lo no chão e força-lo a me ouvir. –Devolveu. – Por que bem no momento, você é a definição de indefeso, então cale a boca e me escute.
— Felicity...
— Cala a boca. – Repetiu. Bufei não gostando em todo de ter que baixar minha cabeça diante dela. – Você tem ideia do que está fazendo conosco? – Perguntou. – Cala a boca. – Murmurou quando eu abri minha boca para responder. Por que diabos ela fez uma pergunta a mim? – Eu acho que não. Ou você é apenas estúpido demais para perceber. Então serei eu que terei que falar para você com todas as letras. Você se importa comigo Oliver, você gosta de mim, talvez você até esteja se apaixonando por mim, mas eu não sei posso ir até longe, mas é essa a impressão que eu tenho. O que quer que seja, não importando o nome que você queria dar, não muda o fato de é algo mais do que você já sentiu por qualquer garota e isso o assusta como o inferno. – Concluiu. Eu era incapaz de falar qualquer coisa no momento, eu era incapaz de até mesmo encara-la. – Eu não sei o porquê. – Confessou. – Eu realmente não faço ideia. Mas você está assustado. Você me disse uma vez que provavelmente quebraria meu coração, e eu posso perceber algo. – Murmurou soando triste. — Você tem se empenhando tanto em se manter afastado e não me magoar... Que você não percebe que já está me magoando.
— Você não entende. – Murmurei em tom baixo ainda sem encara-la. Ela me surpreendeu ao se ajoelhar diante mim, suas mãos pousando em meus joelhos, seu rosto preenchendo minha visão.
— Então me faça entender. – Pediu. – Por que se eu quero honestidade vinda de você, então eu preciso ser honesta também. Você não é o único que se importa. – Murmurou com intensidade. – Eu me importo com você, eu gosto de você e talvez eu até esteja me apaixonando por você. Dizer a mim mesma para me afastar não tem o poder de mudar isso. Então, eu estou pedindo, me faça entender. – Seus olhos me encararam ansiosos. — Do que você tem medo?
Escuta-la dizer que estava se apaixonando por mim me deixou tonto, eu tinha muita certeza de boa parte do meu oxigênio deixo de para o meu cérebro e por alguns momentos eu fui incapaz de ter um só pensamento lúcido. E quando pude finalmente conseguir um resquício de raciocínio foi quando encarei seu rosto, meus olhos passando pelos os fios loiros que o emoldurava, correndo por seus lábios e as pequenas sardas em seu rosto, quase imperceptíveis, então finalmente os pousei em seus olhos que me encaravam com expectativa, sua pergunta preenchendo o silêncio que dominava o quarto. Eu nunca pensaria que quando eu tivesse Felicity em meu quarto novamente seria para escutar tal pergunta. Nem nunca imaginei que sua pergunta seria tão difícil de responder.
Eu deveria rir de sua pergunta. Certo?
Eu deveria empurrar suas mãos de meus joelhos e dizer que estava sendo tola. Dizer que estava enganada, que eu não sentia nada além de atração por ela, eu deveria segurar-me firme quando o brilho em seus olhos diminuíssem e finalmente ela chegasse a conclusão que eu era um filho da puta que não merecia um segundo olhar seu, que não merecia sua atenção, e inferno, que eu nunca mereceria seu coração. Mas eu era um filho da puta egoísta, que não poderia fazer essas coisas, por que eu a queria por perto, por que minha menina estava errada, não existia isso de talvez eu estivesse me apaixonando por ela. Eu já era um fodido apaixonado por ela.
Então, do que eu tinha medo?
— Oliver? – Decepção alcançou seus olhos quando notou que eu permanecia em silêncio. – Você precisa dizer algo Oliver, por que eu juro por Deus, que a próxima vez que eu sair desse quarto vai ser para juntar minhas coisas e ir embora, eu não posso mais seguir jogando esse jogo. Eu tenho que cuidar de mim. – Deu de ombros. – Eu apenas achava que merecíamos ao menos tentar. – Confessou. – Sabe, as pessoas dizem que você é destemido nos ringue. Implacável. Que nenhum adversário não importe quão bom ele seja, é capaz de te assustar. Eu já o vi lutar, eu concordo com cada um deles. Mas eu também acho que fora do ringue você não passa de um covarde.
— Você não entende. – Repeti meneando minha cabeça e voltando a desviar meu olhar do seu. Talvez ela estivesse certa, talvez eu fosse apenas um covarde.
— O quê? O quê eu não entendo? – Murmurou cansada. Respirei fundo quando senti suas mãos deslizarem mostrando que se afastava, que já desistia de minha resposta, que já desistia de mim. Eu não pude impedir a mim mesmo quando segurei uma impedindo que se afastasse.
— Eu posso contar em apenas uma de minhas mãos as coisas boas que aconteceram em toda minha vida. – Murmurei por fim. – E uma a uma, de maneiras diferentes, foram tiradas de mim. – Conclui. — Eu não sou estúpido Felicity, eu sei que na maioria das vezes eu me comporto como se eu fosse, mas eu não sou. Tão logo você chegou, eu já sabia que você seria uma das coisas boas, talvez a melhor. – Murmurei a surpreendendo, um sorriso pequeno escapando. Por que ela era. — E eu não a quero sendo tirada de mim, o que de alguma forma sempre acaba acontecendo, então eu decidi ao menos uma vez ter o controle. É irônico, até mesmo engraçado, estúpido e doloroso, mas eu me afastei, por que meu maior medo é perdê-la, e ainda assim o que torna tudo ainda mais sádico é que eu sou egoísta ao ponto de não deixa-la ir.
— Oliver...
— Eu a quero desesperadamente e não sei o que fazer com relação a isso. – A cortei. – E eu preciso que você me diga... – Comecei. – Eu preciso... O que eu devo fazer? Por que eu sou uma maldita bagunça quando se trata de você. E eu preciso de você para me dizer o que vem a seguir.
Segui a encarando enquanto seu rosto demonstrava um misto de emoções, dentre elas a que mais se sobressaia era a confusão. Eu não havia bem feito uma pergunta, mas tinha deixado à dúvida no ar, e agora cabia a e ela responder. Eu não poderia ainda ser 100% honesto com ela. Havia perguntas não feitas que eu não poderia responder, todas ela envolvendo meu passado. Então eu não podia força-la a apenas aceitar dessa forma, tinha que vir dela. Eu a queria, inferno como eu a queria, não apenas seu corpo, não apenas seus toques e beijos, eu queria tudo nela, seu sorriso, seu carinho, sua afeição. Mas não estava no meu direito de pedir. Roubar isso para mim. Então no momento tudo o que eu poderia fazer era aguardar, e saber qual seria sua reação. Eu não tinha certeza se qualquer um de nós estávamos prontos para isso, mas não havia como voltar. Bem agora nossa relação mudaria, eu só não sabia se seria para uma total hostilidade.
POV FELICTY
Encarei o rosto masculino, enquanto várias emoções, todas elas contraditórias, me dominavam. Eu havia começado isso, eu havia o empurrado a isso, por que eu estava cansada demais do no jogo de gato e rato, eu queria apenas uma brecha em que Oliver seria sincero consigo mesmo e comigo sobre o que ele sentia por mim. Sobre o que ele queria fazer sobre isso.
Então eu descobri um Oliver confuso.
Que assim como eu tinha sido pego desprevenido por tudo isso, por esses sentimentos. Oliver não tinha apenas medo, ele não sabia o que diabos fazer com relação a nós dois. E esse foi provavelmente o momento em que ele foi mais sincero comigo. Ele foi vulnerável, inseguro e sincero. Nesse exato momento ele encarava sua mão que ainda envolvia a minha, acariciando-a com movimentos suaves de seu polegar, ele não queria me encarar, Oliver estava completamente fora de sua zona de conforto. Ele não era mais o bastardo arrogante que conseguia o que queria uma garota com apenas um sorriso sacana seu, ele não era o lutador confiante que fazia com que seu oponente duvidasse de si mesmo com apenas um olhar impassível. Saber que eu estava tirando-o de seu papel me fez lentamente exibir um sorriso pequeno e gratificante. Ele não o percebeu por que seguia encarando nossas mãos unidas. Seu semblante carregado me dizendo que seus próprios pensamentos estavam em conflitos.
Soltei minha mão da sua o surpreendendo e decepcionando. Pude percebe pela linha que se formou em seus lábios. Sem hesitar envolvi minhas mãos em seu rosto e me inclinei depositando um pequeno beijo justo em cima de sua sobrancelha ferida. Notei parcialmente que havia fechado os olhos impedindo-me de lê-los nesse exato momento, sem me alterar me dirigi ao lado oposto e depositei outro beijo em sua bochecha direita, na ponta do seu nariz e finalmente em seus lábios.
— Nós podemos descobrir juntos. – Murmurei encostando minha testa contra a sua, seus olhos se abriram e tomei meu tempo os admirando, eram impressionantes. Tão intensos. Sua mão arrastou meus cabelos quando envolveu meu pescoço, mantendo-me assim. – Podemos? – Perguntei deixando-o saber que sua decisão tinha grande peso. — Você me quer?
— Sim. – Sussurrou em tom de voz profundo, nossas respirações juntas e surpreendentemente uniformes. – Você é tudo o que quero, princesa.
— Então eu não estarei indo a lugar nenhum. – Murmurei por fim. Ele engoliu em seco antes de finalmente deixar que aquela linha reta em seus lábios se curvasse em um sorriso. Meu sorriso. E não pude fazer outra coisa se não retorna-lo.
Quando sua boca desceu sobre a minha eu não tinha razão para protestar. Eu não tinha um motivo para resistir. Deixe-me levar em um beijo que para minha surpresa foi incrivelmente doce. Já havíamos nos beijado antes, mas nunca tinha sido assim, nunca com esse sentimento. Antes tinha sido repleto de luxúria, e urgência. Nunca com esse carinho, com essa delicadeza. Nunca como se eu fosse um presente.
Sua boca era suave sobre a minha, seus lábios escovavam os meus com delicadeza, quando entreabri os meus, sua língua entrou em contato com a minha em um movimento lento e sensual. Me fez perceber que não importava a forma com que ele me beijasse, carinhosa, passional, erótica ou tempestuosa. Seu beijo sempre me faria querer mais. Mas quando envolvi seus ombros e o apertei contra mim em busca de um maior contato, percebi um gemido de dor e lembrei que Oliver não estava exatamente nos seu melhor. Afastei-me observando seu rosto fazer uma careta de dor.
— Desculpe! – Pedi erguendo-me e atraindo sua cabeça para meus seios, de forma que ele estava me abraçando e não o contrário. Sendo assim eu não poderia machuca-lo. – Eu acho que me excedi.
— Eu acho que estou no paraíso. – Retrucou. Puxei sua cabeça analisando seu sorriso infantil e resisti à vontade de estapeá-lo.
— Oliver! – O recriminei.
— Eu sinto muito, princesa. – Seu sorriso se abriu ainda mais. – Mas você sabe muito bem como minha mente funciona.
— Que sua mente crie imagens incríveis, por que não sei se você percebeu garotão... – O provoquei me afastando, sua mão tentou me alcançar, mas dei um passo mais longo para trás. –... Você mal aguenta um abraço.
— Eu posso muito bem ficar deitado. – Sugeriu se erguendo devagar. – O trabalho seria todo seu. – Piscou.
— Boa tentativa. – Meneei a cabeça com divertimento. – Mas não. Eu acho melhor me concentrar em fazer o café da manhã. Você está com fome?
— Morrendo. – Sussurrou com seu melhor olhar sugestivo.
— Comida, Oliver. – Falei revirando meus olhos.
— Bem, eu aceito isso também. – Murmurou um pouco desanimado.
— Então... – Apontei para a porta um pouco sem jeito e envergonhada, eu honestamente não sabia como agir agora. – Acho melhor eu ir indo.
— Ei. – Interrompeu-me segurando minha mão. – Eu só quero te certeza...
— Hum? – Perguntei hesitante.
— “Nós podemos descobrir juntos” significa que estamos juntos, certo? – Perguntou voltando a sua insegurança. – Nada de loiras em sofá, nada de encontros com nerds?
— É melhor para o seu próprio bem que eu seja a única loira no sofá. – Murmurei soando até mesmo um pouco ameaçadora, o que trouxe de volta seu sorriso.
— Então, sem Barry? – Perguntou em tom claro.
— Sem Barry. – Confirmei. – Estamos juntos.
— Bom. – Sorriu. Não pode evitar dar mais um passo invadindo seu espaço pessoal e erguendo-me nas pontas dos pés lhe dando um beijo rápido. Após isso me apressei em sair de seu alcance e ir para o meu quarto. Tirei meu pijama e entrei no banheiro para uma ducha rápida. Ontem eu havia acordado no meio da noite, apenas para perceber que eu ainda vestia minhas roupas do encontro, maquiagem e tudo, a contragosto me forcei a sair da cama de Oliver que dormia profundamente e voltar para o meu, após remover a maquiagem e trocar minhas roupas eu dei a mim mesma a desculpa de checa-lo, então quando mais uma vez estive em seu quarto me vi deitando ao seu lado novamente. Eu não podia me impedir, eu apenas tinha que fazê-lo.
Eu estava feliz por ter tido uma conversa sincera com ele, por era o que precisávamos. Eu era bem ciente de que tudo podia dar errado, que se havia alguém que pudesse quebrar meu coração, esse alguém realmente era Oliver. Mas tínhamos que tentar. Continuar as coisas do jeito que estavam não era uma opção.
Quando entrei na cozinha, lembrei-me rapidamente que havia ficado de ligar para Sara e saber como estava Lyla. E eu estava fazendo exatamente isso quando escutei vozes animadas conversarem momentos antes de Roy e Sara entrarem na cozinha.
— Lis! – Sara cumprimentou-me colocando sua sacola em cima da mesa, enquanto Roy fazia o mesmo. – Bom dia!
— Bom dia? – Murmurei confusa. – Você ainda tem a chave do apartamento?
— Yep. – Sorriu sem se preocupar em parecer envergonhada. – Trouxemos café da manhã.
— Eu... Ah... – Pisquei meus olhos estando ainda um pouco confusa e encarei Roy que me observava parecendo esperar por algo... Mas o quê? – Oh meu Deus Roy! – Murmurei indo o abraçar. – Parabéns! Soube que você detonou em sua primeira luta.
— Sorte de principiante. – Sara resmungou.
— Obrigado. – Roy murmurou apertando-me contra si.
— E Lyla? – Perguntei quando me afastei ainda segurando seu braço. Desviei meus olhos para Sara que me encarou com um sorriso enorme. – Ela está bem? O bebê está bem? – Perguntei enquanto me movia inquieta e caminhava até a bancada da pia para me encostar nela.
— Eles estão ótimos. – Sara murmurou assentindo. – É um garoto. – Murmurou em som fôlego de tão animada que estava. — Ollie vai cair para trás quando souber o seu nome. Como ele está?
— Eu estou ótimo. – Escutei Oliver murmurou chamando nossa atenção. Havia tomado banho e mudado de roupas, trocou sua calça de pijama por um moletom com capuz e calça igualmente confortável. Ele me encarou brevemente antes de voltar sua atenção para Sara. – Um garoto?
— Diggle está exultante. – Assentiu animada. – Ele disse que vai chama-lo de Jonas. Estou impressionada Oliver, eu pensei que ainda o encontraria na cama. – Completou com o cenho franzido.
— Ele é teimoso. – Murmurei observando como ele estava meio encurvado e um pouco pálido.
— Mesmo? – Perguntou nos ignorando e com certo brilho no olhar. – Jonas?
— Por que Jonas é importante? – Perguntei estranhando. Roy caminhou até mim e ficou ao meu lado, seu ombro empurrando o meu em uma pequena brincadeira. Eu percebi o olhar atento de Oliver em mim, mas eu honestamente não sabia como agir. Parávamos a conversa e do nada falávamos “Estamos juntos”?
— É meu nome. – Respondeu sucinto.
— Seu nome? – Repeti confusa. Ele sorriu diante minha confusão e se aproximou ignorando os olhares atentos em nós dois.
— Oliver Jonas Queen. – Falou pausadamente, parando em minha frente sua mão alcançando a minha e puxando-me contra si, o abracei de lado com cuidado enquanto seu braço envolvia meus ombros e ele sussurrava contra meu ouvido. – Algo novo para descobrir. – Concluiu antes de plantar um beijo delicado na lateral da minha cabeça. — Sorri para seu comentário, mas fiquei imensamente constrangida quando encontrei os olhares perplexos de Roy e Sara. Roy havia caminhando para ficar ao lado de Sara no momento em que Oliver se aproximou e agora ambos nos olhavam como se fossemos aberrações.
— Você não sabe fazer nada suave. – Murmurei para Oliver como se ele de fato fosse o culpado. – Você os assustou.
— Não é minha culpa. – Negou. – Eles que não sabem aceitar uma transição de forma discreta.
— Vocês... – Roy murmurou piscando os olhos. – Vocês... Vocês estão juntos? – Perguntou confuso. – Tipo juntos... Juntos?
— Roy. Pare de gaguejar. – Sara o repreendeu lhe dando um leve tapa no braço, antes de colocar toda sua atenção em nós dois. – Vocês estão juntos?
— Sim. – Murmurei um pouco envergonhada.
— Juntos... Como um casal? – Roy perguntou incrédulo. – Sem brigas, sem rodeios, olhares distantes e saudosos?
— Nós não fazemos isso! – Protestei.
— Juntos... Namorando? – Roy insistiu.
— Juntos, juntos. – Oliver murmurou sem paciência. – Do tipo ela é minha namorada, do tipo tire seus olhos dela, entendeu?
— Oliver!
— Eu estava apenas explicando. – Respondeu com ar inocente. – E Sara, tire esse sorriso da cara.
— Gostaria de vê-lo tentar. – Sorriu ainda mais abertamente. – Finalmente! – Comemorou. – Eu não acredito que vocês finalmente deixaram de serem completos idiotas! – Murmurou admirada. – Finalmente a mente pequenina de vocês colocou-se para funcionar e deixaram de ser tão... Idiotas!
— Eu estou profundamente ofendida. – Murmurei chateada.
— Eu já estou acostumado. – Oliver por sua vez disse. Soltei-me dele com um sorriso e concentrei minha atenção nas sacolas.
— O que vocês trouxeram? – Perguntei sem erguer minha cabeça.
— Nem tente. – Sara alertou-me. – Nem sequer ouse.
— O quê? – Perguntei confusa.
— Mudar de assunto. – Respondeu.
— Sara... – Comecei meu protesto.
— Você precisa me contar o que exatamente aconteceu. – Falou parando em minha frente. – Agora!
— Mas eu estou com fome. – Protestei.
— E isso é devido ao fato de que vocês passarem a noite gastando energia com... – Sugeriu.
— Sara! – A recriminei.
— Olhe para Oliver Sara. – Roy murmurou ganhando um olhar carrancudo de Oliver quando fizemos exatamente isso. – Pergunte-se se ele aguentaria o tranco.
— Melhor do que você no seu auge. – Oliver murmurou com arrogância.
— Vocês três, parem! – Pedi.
— Eu só preciso saber como aconteceu. – Sara pediu novamente. – Você deve ser a primeira garota que vai a um encontro com um cara à noite e acorda namorando outro. Você precisa me ensinar isso.
— É sério. – Falei fulminando-a com um olhar. – Você realmente está me envergonhando.
— Mas...
— Como está Diggle? – Oliver perguntou forçando-a a focar em outro assunto, lhe lancei um olhar agradecido para em seguida encara-la com um olhar desafiador.
— Feliz. – Roy murmurou dando de ombros. – Como um pai orgulhoso. Ele está apaixonado pelo filho.
— Eu queria conhece-lo. – Murmurei sorrindo diante a cena que se formou em minha mente. – Eu acho que terei que esperar um dia pelo dia que Diggle resolva leva-lo a academia.
— Por que não antes? – Oliver perguntou estranhando.
— Eu não conheço Lyla. – Dei de ombros.
— Mas nós conhecemos. – Oliver falou apontando para o trio. – Você pode ir conosco. E você conhece Diggle. Podemos ir quando você quiser.
— Soa como uma boa ideia. – Sorri concordando.
— Eu me pergunto quanto dessa paz teremos. – Escutei Roy falar em tom baixo.
— O quê? – Oliver murmurou ameaçado.
— Nada. – Roy responde rapidamente.
— Agora, eu vou fazer o café. – Falei voltando a mexer nas sacolas. – Assim poderemos comer com essas delicias que vocês trouxeram.
— Supostamente era para Oliver. – Roy deixou escapar. – Pensamos que ele estaria na cama implorando por nossa atenção e morrendo de dores.
— Em seus sonhos. – Oliver murmurou o encarando rabugento. – Não se apegue muito.
— Mas você está morrendo de dores. – Sara interveio. – Eu o conheço bem. Você deveria estar na cama Ollie.
— Eu não vou ficar preso em uma cama. – Negou-se.
— Felicity pode se juntar a você. – Roy sugeriu.
— Estou no meu caminho. – Murmurou nos dando as costas.
— Nem se anime. – Murmurei ganhando um suspiro cansado como resposta. – Eu tenho que descer.
— O movimento hoje vai ser pequeno. – Sara murmurou concordando. – Mas ainda vamos precisar de você.
— Então eu vou descer também. – Oliver falou ganhando olhares incrédulos de cada um. – Eu não vou ficar aqui em cima trancado e sozinho.
— Você não pode lutar. – Murmurei. – Nem treinar, você mal suporta um abraço. – O lembrei.
— Um abraço? – Sara sorriu.
— Eu não disse que ia fazer quaisquer dessas coisas. – Negou a ignorando. – Eu só vou ficar lá embaixo, observando o movimento.
— Você está bem tranquilo para quem perdeu. – Roy murmurou admirado. – É porque ganhou uma namorada?
— Garoto. – Oliver murmurou o encarando. – Não confie muito em si mesmo por que ganhou uma luta, você vai perder, você vai se lembrar de cada luta que perder, talvez até mais das que vai ganhar. Eu luto há anos, você realmente achou que essa foi à primeira luta que eu perdi? Eu não costumo perder, é verdade, mas isso não faz com que seja impossível, é preciso saber ganhar e perder. Cuidado de agora diante, não confunda confiança no ringue com arrogância. Não espere perfeição em suas lutas futuras, pode ter certeza que você vai perder muitas lutas ainda.
— Nossa. – Sara murmurou admirada. – Você quase soou como seu mentor.
— Nos sonhos dele. – Repetiu. Ri de sua atitude exagerada quando se tratava de Roy e sem nenhuma palavra mais me concentrei em fazer o bendito café. Sara disse que preferia suco e passou ela mesma a preparar um, Roy sentou diante a mesa em uma atitude relaxada enquanto Oliver mantinha-se lhe lançando olhares ameaçadores. Em um determinado momento ele inventou uma desculpa fraca para sair da cozinha, mas imagino que tenha ido em busca de seu remédio para dor, ele era orgulhoso demais para admitir que Sara tinha razão.
Quando descemos o que Sara havia dito foi confirmado. Devido ao evento de ontem o movimento foi bem mais lento, mas ainda assim ela tinha uma turma para dar aula, então tomou seu caminho junto a Roy que a ajudaria hoje e me deixou para trás. Oliver assim como havia dito se limitou a puxar um banco diante o balcão e se sentar. Só que em vez de olhar para o movimento, ele ficou me encarando, deixando-me nervosa.
— Você deveria estar lá em cima. – Falei sem paciência. Ele ergueu uma sobrancelha estranhando meu humor.
— Eu pensei que você seria a última a reclamar de minha presença. – Murmurou franzindo o cenho. – Você não deveria ser a namorada feliz?
— Não espere que passe a beijar seus pés de agora em diante. – Ri. – Não vai funcionar assim.
— Pés? – Sorriu abertamente. – Eu nunca pensei em pés.
— Você possui uma mente suja. – Falei apoiando meus cotovelos no balcão.
— Você não faz ideia. – Piscou. – Em breve.
— Oh, eu tenho uma ou outra ideia. – Retruquei.
— Não comece uma conversa que nos vai levar em algo em que não poderemos terminar. – Pediu.
— Por que não? – Perguntei inocente. – Como você mesmo disse eu posso fazer a maior parte do trabalho.
— Princesa... – Murmurou em tom de advertência.
— Hum? – Perguntei ainda assumindo ar inocente. Ele não respondeu, apenas seguiu me encarando deixando a pergunta no ar. Forcei-me a me lembrar de que ele estava machucado e que estávamos na academia, não estávamos sozinhos. Desviei meu olhar do seu e acabei focando em algumas figuras que vieram atrás. – Você quer saber por que eu não o quero aqui, agora e machucado?
— Por quê? – Perguntou curioso, mas antes que eu pudesse abrir a boca e lhe responder, duas garotas o cercaram, uma o surpreendeu abraçando-o por trás fazendo com que ele soltasse “Aí” como resposta antes que pudesse parar a si mesmo.
— Ollie! – A morena o encarou com pena enquanto a amiga alheia ao fato que o machucava seguia o apertando. – Ficamos sabendo de tudo, como está nosso campeão.
— Com dor. – Veio à resposta curta de Oliver ao se soltar do abraço da loira atrás de si. Segurei o riso quando notei que ela era “A loira” do dia em que os encontrei no sofá, e que Oliver parecia alheio a isso.
— Sinto muito gatinho. – Murmurou acariciando seu cabelo. Ele teve a decência de me lançar um olhar envergonhado com um quê de desculpas. Meneei minha cabeça e cruzei meus braços enquanto ele se preocupava em afastar as mãos femininas de si. – Você precisa de uma massagem?
— Garotas... Eu... Eh... – Ergui uma sobrancelha e lhe lancei um olhar desafiador.
— Por que não subimos? – A morena murmurou sugestivamente, enquanto puxava a manga de seu moletom.
— Eu acho melhor...
— Felicity. – Escutei Sara me chamar do alto da escada. – Eu preciso de sua ajuda. – assenti concordando e saindo de trás do balcão diante o olhar perplexo e aflito de Oliver.
— Nos vemos mais tarde. – Falei de alguma forma conseguindo ganhar a atenção das duas mulheres e dele. – “Gatinho.” – Completei ironicamente antes de me afastar.
— Felicity...
— Até mais... – Continuei andando sem me preocupar em olhar para trás. Eu não estava realmente preocupada ou chateada com a cena daquelas duas. Eu sabia que até que a notícia de que erámos um casal se espalhasse e que se acostumassem com a ideia de Oliver namorando alguém, eu teria muito disso, temia que infelizmente mesmo depois disso. Eu gostaria de uma atitude mais firme de Oliver, é claro sim, mas não fazia nem uma hora que estávamos namorando, para alguém que não mantinha uma garota por mais do que umas horas, Oliver também precisava se acostumar ao fato de que não era solteiro. Essa era o meu lado racional falando, o outro lado queria voltar e beija-lo diante toda a academia para não gerar dúvidas sobre seu atual status.
Eu já estava quase alcançando a escada quando notei o sorriso de Sara. Demorou apenas alguns instantes no qual me perguntei à razão desse sorriso presunçoso antes que eu pudesse sentir a mão masculina envolvendo meu pulso com firmeza e girando-me contra o corpo masculino, eu assimilei vagamente a sua careta de dor quando meu corpo chocou contra o seu, segundos antes de inclinar sua cabeça e que sua boca tomasse posse da minha. Sorri ainda em meio ao beijo quando notei que Oliver também tinha sua própria maneira de anunciar que não estava mais solteiro. Sua mão forte envolveu meu pescoço enquanto um braço desceu para minha cintura aprofundando o beijo, eu era vagamente ciente de que Sara nos fazia passar vergonha enquanto batia palmas parando apenas para emitir um assovio comemorativo. Mas foram as palmas firmes e lentas que teve o poder de nos arrancar de nosso momento, afastei-me de Oliver tomando fôlego e sentindo meu coração acelerar dessa vez de pânico, ao observar meu pai se aproximar ainda batendo palmas, um olhar sombrio em seu rosto.
— Ora, ora. – Murmurou com um sorriso frio. – O que temos aqui?
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