Redenção

7 Capítulo 06


Notas iniciais
Boa tarde galerinha, 1 - Sei que demorei muito, e provavelmente continuarei demorando, ainda estou sem meu próprio notebook, então quero agradecer o carinho e a paciência de vocês e pedir que continuem tendo paciência até que as coisas melhorem. 2 - Devido algumas coisas chatas infelizmente estou precisando dar esse aviso, vou dar nessa fic por que é a que estou atualizando no momento, então vamos lá... Cada frase, vírgula, cena, erros e acertos, cada singularidade não só desse enredo, mas de todos os enredos de minhas fics, são MEUS, me PERTENCE, tirar um momento que seja de uma fic minha não faz da sua boa, pelo contrário, então peço que tenham suas próprias ideias, eu incentivo qualquer um, ajudo qualquer um e aconselho, eu crio capas e faço para quem vir me pedir por que eu não me importo em ajudar, mas tirar algo, uma expressão, ou um elemento de um enredo que EU CRIEI tem o poder de me deixar muito puta, vou pedir desculpas pela expressão para quem está lendo e não tem nada haver, mas isso é tudo. 3 - Espero que gostem do capítulo e tenha valido a espera.

POV OLIVER

Desci as escadas já encarando a cabeça loira de Sara e estranhei o fato de mais uma vez ela estar por trás do balcão em vez de estar em uma de suas aulas ou em qualquer outro lugar, seu rosto aborrecido me dizia que ela também não estava feliz com sua nova função, ao menos foi o que eu deduzi ao encarar o olhar de ódio que ela me lançou, a outra opção era que ela soubesse do que havia acontecido comigo e Felicity no banheiro e isso era impossível já que Felicity ainda não havia descido.

– Você não consegue manter o pequeno Oliver dentro das calças? — Perguntou quando parei em sua frente. Cerrei os dentes ao notar que ela não só já sabia do que havia acontecido, como também já havia tomado partido.

– Primeiro: Não há "pequeno" Oliver, você sabe disso. — Ela revirou os olhos com minha necessidade de defender minha masculinidade. — Segundo: Você é minha melhor amiga, a única... — Ressaltei. — Você não pode ficar do lado dela.

– Oliver... – Começou a falar, mas eu não estava em meu modo paciente agora, se é que eu tinha um.

– Eu sei que eu fico falando que ela é imatura, muito nova... — A cortei. — Mas ela é adulta Sara, ela queria... — Respirei fundo tentando afastar as imagens de nós dois que iam e voltavam em minha mente mesmo quando eu fazia de tudo para evita-las. — Ela queria... — Repeti. — Ela queria e só não aconteceu por que eu me contive, eu evitei que nós dois cometêssemos um erro. Graças a mim, Felicity não teve o dia... ou melhor o momento seguinte após a transa em que ela percebe o quanto idiota e insensível eu sou e como foi um erro ter transado comigo, tudo por esperar que eu me tornasse alguém que eu não sou. — Conclui finalmente me fixando em seu rosto incrédulo, ela me encarou longamente e depois cruzou os braços, sua expressão tornando-se mais dura e julgadora. Suspirei percebendo tardiamente no que isso implicava. — Não era de Felicity que você estava falando. — Murmurei arrependido.

– Não. — Confirmou. — Estava falando da loira que acabou de sair gritando aos quatros ventos que eu não podia impedir de vê-lo, estava falando do fato de ter que servir de escudo entre e você e suas garotas novamente... — Sua voz passou a se erguer a medida que sua paciência se esvaía. — ... Eu absolutamente não tinha ideia que você tinha tentado entrar nas calças de Felicity! Que merda você tinha na cabeça Oliver? Você se lembra que tem uma? Ou vai sempre ser guiado pelo o que tem entre as pernas?

– Sara... — Tentei chamar sua atenção e acalma-la, eu esperava uma repreensão, mas não sabia que ficaria tão irritada, de certa forma me deixava surpreso.

– Não. — Balançou a cabeça em negativa. — Não tente se explicar, você sabe que eu desejo que você encontre uma garota e seja feliz, mas enquanto você usar garotas como objetos descartáveis eu não acho que você deva se aproximar dessa forma de Felicity, se você me disser honestamente que está pronto para dar a ela mais do que uma foda eu serei a primeira pessoa a apoia-lo, do contrário deixe-a em paz Ollie. — Pediu. — Pelo menos por agora. — A encarei atordoado, eu sempre estava aberto para escutar os conselhos de Sara, sempre tivemos um ao outro, ela era minha única família. Eu concordava com ela sobre tudo o que dizia, mas ainda assim, vê-la me pedindo para me manter afastado de Felicity me irritou mais do que quando Ra's o fez.

– Eu não quero nada com ela. — Murmurei em tom firme e gélido que não passou desapercebido aos seus ouvidos.

– Ollie...

– Eu entendo, mesmo você não pode fechar os olhos para o que eu sou. — Ela começou a negar, mas a contive. — Eu não estou interessado em Felicity, uma foda seria tudo o que ela seria, nada mais, duvido que após tivéssemos transado eu ainda tivesse qualquer interesse nela. Eu já tive mulheres muito mais bonitas em minha cama — O olhar de Sara se desviou do meu e parou na figura feminina que eu ainda não tinha percebido ter se aproximado. Engoli em seco ao observar o rosto de Felicity mostrar decepção e mágoa, eu a havia machucado, eu não esperava que isso me afetasse como afetou.

– Felicity... — Comecei embora não soubesse exatamente o que eu diria, negar? Pedir desculpas? Eu não poderia.

– Eu estou indo para o Boliche. — Falou me interrompendo e erguendo o queixo, de fato ela sequer me encarava, fingia não ter escutado o que eu tinha dito e fixava sua atenção em Sara. — Preciso falar com Barry, vou avisar que não voltarei a trabalhar lá. — Sara a encarou com surpresa, tudo o que eu fiz foi me segurar ao balcão com força enquanto analisava as linhas duras do seu rosto e o que significavam suas palavras, não entendi por que me sentia atordoado com isso, quando seria a solução pela qual eu ansiava, a única maneira de me manter afastado dela, por mais que eu tenha falado aquelas ridículas palavras, seria quando Felicity estivesse realmente afastada. Sara seguia a encarando confusa e Felicity se apressou a responder sua pergunta muda. — Agora que meu pai chegou eu não tenho dúvida que estarei voltando amanhã para meu apartamento em Nova York.

– Felicity, você tem certeza? — Sara perguntou com o semblante triste.

– Era temporário Sara, sempre foi. — Explicou com a expressão mais serena, em nenhum momento me designou um só olhar, queria me mostrar indiferença, mas eu podia ver além do véu que havia criado. Colocou sua mão sobre a de Sara e soltou um sorriso tranquilizante. — Sem dúvida nenhuma você foi um dos bons aspectos da minha vinda aqui, eu não esperava encontrar uma amiga e espero que se um dia você passar por lá que não hesite em me visitar.

– Eu fico feliz de que você me considere uma amiga. – Sara falou sincera e devolveu o elogio. — Eu também a considero, fico triste por você precisar ir, mas se é isso que você deseja não posso fazer outra coisa se não desejar boa viagem. — Exibiu um olhar preocupado para Felicity antes de tirar sua mão de baixo da sua. — Ainda assim antes de falar com Barry eu sugiro que converse com seu pai, ele está no outro andar, mas me pediu para te avisar que precisa falar com você e que é urgente, falou também que dessa vez uma porta não o impediria e que a derrubaria. — Comentou confusa. Nesse momento Felicity me dirigiu um rápido olhar que mostrava constrangimento.

– Melhor eu me apressar e falar com ele então. — Murmurou colocando uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha. — Quanto antes isso acontecer, mais cedo estarei livre para voltar para minha vida. — Encarou-me. — Nada do que você disse chega a ser uma novidade Oliver, tire esse olhar arrependido do rosto, ambos sabemos que não combina com você.

– Eu...

– Não tente. — Interrompeu-me uma vez mais. — Não finja que se importa, você precisaria ter sentimentos para isso. — Murmurou antes de me dar as costas e sair em direção as escadas que a levaria até seu pai. Segurei um suspiro de aborrecimento e voltei a fitar Sara.

– Eu não sei quanto ao "Pequeno Oliver" mas sem dúvida nenhuma você tem uma boca enorme. — Repreendeu-me.

POV FELICITY

Mantive minha coluna ereta enquanto me afastava da linha de visão de Oliver. Eu não o deixaria saber o quanto suas palavras tiveram o poder de me machucar, eu não deveria me sentir atingida por elas, sequer era uma surpresa que ele pensasse assim. Nem mesmo eu pensava que qualquer coisa que tivesse entre Oliver e eu seria algo duradouro, mas escutar o desdém em sua voz, ouvir as palavras saindo de sua boca era algo totalmente diferente do que eu apenas imaginar o que ele pensava. Eu queria sufocar minha atração por ele, queria poder dizer inabalável que nada do que ele pensasse ou falasse de mim importava, queria ser indiferente a forma com que ele agia, mas eu não era, então tudo que eu podia fazer era fingir.

Entrei na última sala e observei a figura masculina que flertava com a mulher mais nova enquanto "casualmente" a ensinava um golpe. Suspirei enquanto me aproxima e me preocupava em conter meu humor que tendia a se exaltar quando eu estava próxima da figura pouco paternal que era Ra's Al Ghul.

– Ouvi dizer que você estava me procurando. — Ergui minha voz enquanto cruzava meus braços e parava em frente a eles. Ele me lançou um olhar avaliador, sem dúvida nenhuma analisando como estava meu humor, se afastou da garota com um pedido de desculpas e pediu que ela se retirasse.

– Sem abraços? — Perguntou erguendo uma sobrancelha.

– É seu aniversário? — Perguntei com sarcasmo. — Então não sei por que você está pedindo seu presente.

– Preciso que você guarde suas garras no momento. — Falou sem se alterar. Então olhou ao redor notando que a sala ainda não estava inteiramente vazia e que atraíamos alguns desses olhares curiosos, sem erguer sua voz ele conseguiu se livrar de todos. — Saiam. — Em questão de poucos segundos estávamos sozinhos, soltei um bufo com a rapidez que atenderam seu pedido.

– Por que você precisa sempre mostrar que tem poder sobre algo ou alguém? — Perguntei irritada por todos seguirem seus desejos. — Você não é Deus.

– Não sou, não tenho a mesma paciência que ele teria para lidar com você. — Retrucou.

– Lidar comigo? — Repeti incrédula.

– O que você tinha na cabeça para ir aquela festa? — Perguntou sem rodeios. — Como você soube dela?

– Eu não sei por que você acha que vou responder quaisquer dessas perguntas. — Murmurei sem me alterar.

– Está bem, então por que não vamos diretamente para a origem de tudo isso. — Observei sua fisionomia se alterar, nada mais havia de tranquilo em seu rosto, eram poucas as vezes em que ele mostrava realmente o quanto ficou chateado ou irritado com alguma coisa, isso sempre teve o poder de me irritar ao extremo, mas eu também sabia como fingir. — O que diabos você estava fazendo com Oliver Queen?

– Como assim? — Nem me dei o trabalho de piscar. Ao que parece ele não era um fã de Oliver. — Eu moro com ele.

– Felicity. — Murmurou sem paciência. — Oliver Queen não é um homem com quem você quer se envolver mesmo que seja para me provocar.

– Te provocar? — Repeti quebrando minha aparente frieza e elevando minha voz. — Eu não sou uma criança petulante, eu não faço joguinhos, eu não estaria na festa se antes eu não estivesse na luta que Oliver foi, eu não saberia dessa luta se eu não passasse o tempo na academia, eu não estaria nessa maldita academia se você não tivesse me obrigado a passar os dias aqui, eu não teria conhecido Oliver se não fosse por você, então não me culpe pelas coisas que estão acontecendo, nada delas teriam ocorrido se eu estivesse no meu maldito apartamento assistindo TV a cabo enquanto esperava minhas férias acabarem! — Observei a veia da sua testa latejar enquanto ele se aproximava inquieto.

– Tédio? — Perguntou incrédulo. — Você foi a uma luta clandestina por tédio? Até onde eu sei você tem uma TV a cabo aqui também, ainda não quer que eu a trate como uma criança?

– Oh meu Deus! — Exclamei cada vez mais irritada. — Você sempre faz isso, você pega o que eu disse e transforma completamente em algo totalmente diferente, o meu ponto é: Você não tinha o direito de exigir que eu passasses os dias aqui, principalmente quando você nem se deu ao trabalho de vir. Você não pode fazer exigências e julgar a forma com que passei meu tempo.

– Eu sou seu pai, eu posso fazer o que eu quiser. — Veio a resposta curta e arrogante.

– Não é bem assim que as coisas funcionam. — Protestei rapidamente.

– Sabe eu sempre achei que Nyssa seria quem me deixaria com cabelos brancos. — Provocou-me. — Nada no mundo me preparou para o presentinho que sua mãe tinha guardado para mim.

– Sabe o que fazemos com presente que não gostamos? — Trinquei os dentes não gostando do rumo da conversa. — Devolvemos.

– Eu nunca me arrependi ter te trazido para minha vida. — Corrigiu-se com o semblante menos carregado. — Só por que não sabemos lidar com algo não significa que não gostamos.

– Não vamos começar com conversas emocionais. — Eu não queria ir por esse caminho, nossa relação sempre foi muito tumultuada, eu sabia que parte era por minha culpa, eu nunca deixava-o entrar inteiramente, parte de mim sempre se mantinha fechada a ele. — Eu só quero falar sobre amanhã.

– O que tem amanhã? — Perguntou-me estreitando os olhos em desconfiança.

– Eu volto para NY amanhã. — O informei. — Eu não posso mais ficar, logo o semestre irá começar, eu preciso estar com tudo certo antes de voltar para as aulas.

– Você definitivamente entendeu errado. — Seu olhar me informava que o quer viesse de sua boca dali em diante eu não gostaria nem um pouco, eu tinha um pressentimento de que na verdade eu iria odiar. — Você não veio para ficar alguns dias, você veio para ficar alguns meses.

– Você só pode ter enlouquecido. — Murmurei incrédula.

– Não se trata de um truque. — Negou. — Você ficará aqui, até que eu me convença.

– Do que diabos você precisa se convencer? — Tentei controlar meu tom e falhei miseravelmente. — Você não pode apenas determinar isso, eu não sou como os outros, eu não vivo para fazer seus desejos, eu tenho uma vida em NY, eu tenho amigos, eu tenho um curso e obrigações, não posso simplesmente apertar o botão de pausa por que o poderoso Ra's pediu.

– Você vai ficar. — Repetiu. — Até que você me convença que realmente tem uma vida lá, que realmente está nesse curso por que deseja. Eu não sou idiota, eu sei que temos nossas diferenças, mas ambos somos muito parecidos Felicity, mesmo que não queira admitir, eu te conheço e sei muito bem que a única razão para você estar lá é por que quer se manter afastada de mim. Você não gosta do seu curso, eu mantenho contato com sua irmã, eu sei de absolutamente tudo que acontece na sua vida, eu sei que você não tem amigos.

– E está aqui supostamente vai me fazer abrir para vida? — Soltei uma risada irônica. — Isso é ridículo!

– Eu não sei bem o que você vai encontrar aqui. — Confessou. — Eu espero que possamos melhorar nossa relação, mas até que eu esteja convencido de que sua estadia em NY não é mais do que um capricho eu não vou estar mandando cheques para você pagar a faculdade.

– Você não pode fazer isso...

– Já está feito. — Deu de ombros. — Você vai trancar a faculdade, por enquanto. Depois de alguns meses voltaremos a ter essa conversa e levarei a sério seu pedido de voltar a NY, não vou mais interferir se esse realmente for seu desejo. – Concluiu.

– Isso não pode ser levado a sério. — Passei uma mão em meus cabelos me negando a acreditar que isso estava realmente acontecendo. — Por favor me diga que você não está falando sério.

– Estou. — Reafirmou com convicção, nada mudaria sua horrorosa ideia, dei um passo para trás sem saber ao certo como reagir, ele voltou a se aproximar notando que eu estava à beira de uma explosão. — Não leve tudo tão duramente Felicity, eu poderia dizer que estou apenas pensando em seu bem e você jamais acreditaria, se está tão certa de que sua vida está em NY pegue o que estou oferecendo, uma oportunidade de me mostrar que estou errado, você tem algumas opções, você pode fingir que não acredita que eu estou falando sério e partir amanhã apenas para voltar quando perceber que eu não estava mentindo, longe disso, você também pode acreditar e persistir em sua teimosia assumir que pode arcar financeiramente com todas suas despesas, o que ambos sabemos que não dará certo e que por fim você retornará, e por fim você pode aceitar que não há nada a fazer se não acatar o que digo e se mudar comigo até nossa antiga casa, no final você terá sua oportunidade de argumentar comigo se ainda quer ou não permanecer com sua antiga vida, perceba que de uma forma ou de outra você passará os meses aqui, comigo.

– Voltar para nossa antiga casa? — Perguntei confusa.

– Eu ainda a mantenho. — Explicou. — Não mandei você para lá por que ela é muito grande e achei que sentiria só e desprotegida, mas agora que estou aqui você pode pegar suas coisas no apartamento de Oliver e hoje mesmo nos mudamos para lá.

– Não. — Neguei rapidamente. — De jeito algum.

– Vai insistir em voltar?

– Eu vou fazer como você quer. — Assenti ainda que tivesse vontade de mandar sua "oportunidade" para o inferno. — Até certo ponto. Eu ficarei aqui, mas continuarei no apartamento de Oliver, dividindo o apartamento com ele.

– Isso não vai mais acontecer. — Negou firmemente.

– Por que não?

– Por que eu o encontrei com a mão em sua bunda. — Murmurou perplexo. — Um envolvimento com Oliver é o pesadelo de qualquer pai.

– Por favor, me poupe dessa proteção paternal. — Resmunguei. — De qualquer jeito eu não quero nada com ele além de dividir o apartamento, já que você está roubando minha independência de mim, eu quero pelo menos a falsa ideia dela, eu vou continuar morando com ele e trabalhando com Barry...

– Quem é Barry?

– ...E não duvide.... — Continuei ignorando sua pergunta. — Que no final desse seu prazo ridículo estarei mais disposta a partir do que antes.

– Você permanecer com ele não é uma opção. — Negou com veemência.

– É a única que vou aceitar. — Retruquei. Observou-me com interesse, analisava minha convicção, eu não sabia ao certo por que eu estava batendo o pé no que se referia a isso, tudo o que eu sabia era que não queria voltar a morar com meu pai e já que eu continuaria aqui tudo o que eu queria era manter minha rotina, apenas precisava aprender um jeito de lidar com tudo o que vinha acontecendo entre Oliver e eu, então poderia esperar os meses acabarem e voltar para minha antiga vida. Uma vida menos conturbada, um pouco mais entediante sim, mas onde eu tinha o controle sobre o que eu fazia e sentia. Como ele não disse nada mais dei por fim a nossa conversa e entendi seu silêncio como um consentimento e lhe dei as costas.

Meu humor não estava melhor quando desci as escadas, Sara ainda estava lá envolta em seus afazeres, mas nenhum sinal de Oliver. Ela elevou sua cabeça e me encarou com certo receio.

– Você sabia que ele ia bloquear qualquer tentativa de eu partir não é mesmo? — Perguntei sem estar aborrecida com ela, apenas com tudo o que vinha acontecendo.

– Sim. — Assentiu culpada. — Ele comentou que você estaria por aqui por um tempo mais longo e que moraria com ele...

– Eu vou continuar no apartamento de cima. — Meneei a cabeça a interrompendo. Surpresa dominou seu rosto.

– Com Oliver?

– Eu acho que não conseguiria expulsa-lo de lá. — Dei de ombros a provocando.

– Você entendeu o que eu falei. — Suspirou. — Felicity vocês dois não conseguem encontrar uma forma de permanecerem tranquilos com relação um ao outro, estão fortemente atraídos entre si e são muito teimosos, o que aconteceu a pouco tempo... Oliver não queria realmente ter dito.

– Claro que ele quis. — Ri sem humor. — E honestamente eu não me importo, Oliver é um porco com as mulheres, eu sempre soube disso, só porque suas bobagens foram dirigidas a mim, não significa que vou me trancar no quarto e chorar como várias outras das garotas com quem ele já ficou. — Ela meneou a cabeça não levando a sério o que eu dizia. — Sentimos atração um pelo outro, sim, claro que Oliver me atrai, ele é bonito, tem um corpo incrível e inclusive sua áurea de cafajeste exerce certo charme, mas é algo com que eu sou completamente capaz de administrar.

– Você não poderia estar mais enganada. — Ela falou com um sorriso pequeno. — Eu não duvido que você não seja igual as outras garotas, se fosse eu não estaria perdendo meu fôlego com essa conversa, elas nãos estão interessadas realmente em Ollie, na verdade elas o usam tanto quanto ele as usa, elas querem apenas sexo, que é o que ele pode oferecer a elas, as lágrimas, os pedidos para continuarem mais do que isso, são apenas peças de teatro, qualquer coisa para justificarem ter estado com ele, não querem ser taxadas de vadias, então agem como se Ollie tivesse prometido algo que nunca prometeu.

– Eu não quero ficar aqui discutindo o comportamento de suas garotas. — Resmunguei.

– Ele está sendo um idiota com você Felicity, por que ele se importa. — Meneei a cabeça em negativa. — Não é algo que ele quer admitir, mas ele não quer te machucar.

– Então ele vai me machucar agora, para não me magoar depois? — Perguntei não vendo qualquer sentido no que dizia.

– Ele não acha que você entenderia muito das coisas que ele já fez. — Explicou. — Ele a chama de princesa, mas ele nunca poderá ser seu príncipe. Honestamente há muito de ogro em Ollie, eu não acho que você esteja pronta para lidar com muita merda que está em seu passado, mas eu penso que não vai demorar muito e você vai estar, mas agora, tudo o que os dois podem fazer um ao outro é machucar.

–O que há no passado de Oliver para você me alertar? — Perguntei estranhando essa parte do que falava. Sara parecia não ser contra qualquer envolvimento entre nós dois, mas ainda assim havia veemência em afirmar que eu não estava pronta para ele ainda. Isso me intrigava, eu sabia muito pouco sobre Oliver e o que eu sabia apenas eram facetas que gritavam para eu me manter longe.

– Apenas Oliver pode responder essas perguntas. — Deu de ombros. Eu queria fazer mais perguntas, mas não queria demonstrar mais algum interesse pela vida de Oliver, principalmente por ter dito que poderia administrar qualquer coisa que eu sentisse por ele. Então me fixei em mudar de assunto, sentei na banqueta e fingi estar atenta ao que ela fazia.

– Por que você não está em uma de suas classes? – Não era todo fingimento, Sara deveria sei lá... Dando socos em algum boneco de plástico.

– Seu pai me roubou minhas turmas. — Comentou, fez uma careta demonstrando que não gostava disso. — Ao menos até eu encontrar alguém para ficar nessa maldita recepção. – Resmungou.

– Eu posso. — Falei a surpreendendo. — Mas apenas nos horários em que antecedem minha ida ao Boliche, eu não gosto da ideia de meu pai tirando algo que você gosta também, então posso ficar pelos horários da manhã e no meu dia de folga no Boliche, são apenas atividades administrativas não é mesmo?

– Você tem certeza? — Perguntou inquieta. — Você terá que passar mais tempo aqui.

– Passar mais tempo aqui parece algo de que não posso fugir no momento. — Sorri tentando não mostrar o quão ainda estava irritada. — E eu acho que é tudo o que posso fazer, eu não posso lidar com qualquer outra atividade já que não consigo sequer dá um chute sem tropeçar nos meus pés. — Brinquei.

– Eu posso te ajudar com isso. — Ofereceu.

– Não, obrigada. — Dispensei sua oferta. — Nyssa já tentou me ensinar um pouco de defesa pessoal e tudo o que eu consegui foi jogar toda sua paciência fora. — Ela sorriu divertida.

– Nyssa não é conhecida por sua paciência. – Comentou.

– Eu vou deixar você aqui com seus papéis e vou para o boliche agora, mas amanhã você pode me dar as dicas do que preciso fazer e posso assumir por você. – Avisei.

– Ótimo. — Concordou. — E Felicity... — Chamou-me quando deslizei meus pés para o chão e já me preparava para partir. — Eu sei que você não está feliz com a decisão de Ra's, mas eu confesso que estou contente por você ficar mais um tempo conosco. — Não respondi, apenas sorri e assenti, então parti agradecendo a caminhada para manter meus pensamentos calmos, ou tentar pelo menos, eu queria ter tanta certeza de que continuar no apartamento não havia sido uma péssima ideia, mas persistiria com minha decisão, quando cheguei ao Boliche, Barry me abordou preocupado, ele havia ligado para mim, queria ter certeza que eu estava bem, mas não respondi nenhuma de suas chamada ou mensagens, dei-me conta também que não havia visto meu celular desde que havia acordado e que isso podia não ser algo bom, comentei com ele que ficaria na cidade por mais tempo do que eu esperava, e perguntei se meu trabalho tinha algum prazo de validade, ele foi veemente quando afirmou que meu trabalho seria meu enquanto eu assim desejasse. Barry era tão... Fofo, que eu me perguntava porque não era por ele que eu estava interessada, tudo seria muito mais fácil se assim fosse, resolvi que merecíamos uma oportunidade e se Barry não me convidasse para um encontro nos próximos dias eu mesma tomaria iniciativa.

Como nos outros dias ele foi me deixar em casa e partiu apenas quando entrei em segurança. Subi as escadas sem nenhum rastro do meu pai e parei em frente a porta temendo que minha briga com Oliver tivesse resultado em mais uma rapidinha com uma loira no sofá, porém quando entrei estava tudo muito silencioso, as luzes estavam desligadas exceto a do banheiro em que eu havia me trancado com Oliver, entrei no corredor e parei ao escutar o trinco ser girado, a porta se abriu e Oliver saiu de lá vestido apenas com sua calça do pijama, tentei a todo custo olhar para qualquer lugar que não fosse seus olhos, ele estava hesitante também. Resolvi ser eu mesma a quebrar o silêncio.

– Por que você está usando esse banheiro? — Eu queria apenas preencher o silêncio que reinava.

– O chuveiro do meu quebrou. — Respondeu. — Felicity sobre hoje...

– Podemos apenas esquecer? — Sugeri, seus olhos não me diziam o que estava pensando, mas eu definitivamente queria evitar essa conversa. — Eu imagino que meu pai tenha avisado que ficarei aqui por um tempo indeterminado, então teremos que apreender a convivermos juntos, eu acho que teríamos maior êxito se apenas evitássemos falar sobre o que aconteceu no banheiro hoje mais cedo.

– Não é apenas sobre o que quase aconteceu no banheiro. – Negou. — É sobre....

– Oliver eu sou feito de um material resistente. — O interrompi. — Não teria resistido ao colegial se não pudesse lidar com palavras duras ditas pelo bonitão da escola. — Observei sua mandíbula enrijecer, mas ele assentiu concordado.

– Por que você resolveu continuar aqui? — Perguntou me surpreendendo. — Não fará bem a nenhum de nós.

– Se deixarmos tudo de lado, não sei por que fará algum mal. — Respondi. — Eu não quero morar com meu pai Oliver. Apenas por isso.

– Você poderia dividir apartamento com Sara. — Pisquei diante seu raciocínio.

– Honestamente eu sequer pensei nessa possibilidade. — Dei de ombros. — Mas já está feito. — Ele assentiu aceitando o que eu tinha dito e já ia se retirar, mas o impedi colocando minha mão em seu braço. — Mais uma coisa. — O puxei até entrarmos no banheiro deixando-o confuso, fechei a porta sob seu olhar atento e girei a pequena chave. — Fecha.... — Voltei a gira-la destrancando. — ... e abre. — Sorri diante seu cenho franzido demonstrando aborrecimento e percebendo o que eu fazia. — Não é tão difícil e pode evitar uma ou outra situação constrangedora. — Dei-lhe um leve tapa no ombro. — Eu acho que agora você já sabe como usar. — Ele me lançou um olhar irritado que eu pude sentir em minhas costas enquanto saia do banheiro com ele me seguindo. Apenas quando eu estava em frente a porta do meu quarto me lembrei de algo. — Oliver...

Ele já estava entrando em seu quarto e retornou quando me escutou chama-lo.

– Você está com meu celular? — Perguntei.

– Sim. — Assentiu como se tivesse se lembrando apenas agora. — Eu ia entregar quando você acordasse, mas... — Cortou-se e meneou a cabeça deixando o restante da frase de lado. — Está no meu quarto. — Murmurou antes de entrar em seu quarto e aparecer poucos segundo depois, colocou o celular em minha mão como se estivesse tendo todo o cuidado para não tocar em minha pele, mas algo mudou em sua expressão e sua mão envolveu a minha sobre o eletrônico deixando-me surpresa. — Eu sinto muito. — Sussurrou prendendo-me com a intensidade que dominava os olhos azuis antes de em fim me soltar e entrar em seu quarto. Entrei no meu ainda abalada com o pedido de desculpas repentino e sentei em minha cama encarando o celular sem no entanto usá-lo, quando por fim desbloqueei a tela e franzi o cenho confusa por não encontrar nenhuma das ligações e mensagens de Barry, não pude evitar segurar o sorriso que escapou quando meu dei conta de que haviam sido deletadas por Oliver.

Notas finais
Obrigada pela atenção e mais uma vez peço desculpas para as palavras duras a quem não merece, peço desculpas por quaisquer erros, mas antes estou escrevendo no evernote e só então posso corrigir junto a minha amiga e beta Luna Lovegood. Vejo vocês nos comentários... Xoxo LelahBallu