Redenção
3 Flores.
Se tiver que decidir qual foi meu pior erro eu direi que foi conhecer e deixar Antony se aproximar de mim. No principio ele foi uma ajuda, mas aos poucos ele me apresentou ao álcool, as drogas, principalmente ao ópio. Naquele momento apenas queria esquecer, porem sabia que está minha volta repentina o atrairia de volta, eu tinha medo, receio. Tentei permanecer o mais longe possível, o ruim é saber que uma hora ou outra iremos nos encontrar. Eu só gostaria de apagar o sangue de minhas mãos
Pequei a flor de narciso e junto com a carta despejei no lixo. Vinte minutos depois sai, como o supermercado não ficava longe fui andando, andei em torno de cinco quarteirões, fiz rapidamente as compras peguei um táxi e voltei, quando cheguei a porta estava entre aberta, entrei sem fazer barulho, mas não havia nada além do meu irmão sentado no sofá.
– Deixa eu te ajudar. — Ele pegou algumas compras que estavam na varanda.
– Você não iria passar a manhã fora ? — Indaguei.
– Sim, deixei a Mel na escola, quando cheguei no seu antigo colégio não demorei pois já havia mandado um fax a diretora explicando a sua volta e ligaram do hospital dizendo que devo começar amanhã e não deveria ir mais hoje.
– Ok. — Terminamos de por as compras em cima da bancada. — Irei cozinhar hoje, você que continuar a conversa de ontem ?
– Claro. — Nou se sentou atrás da bancada e comecei a tirar as compras das sacolas.
– Como disse que a minha querida amiga me vendeu, três garotos apareceram, mas apenas dois se aproximaram e começaram a me tocar e dizer coisas como " Quem vai ser o primeiro. Vai ser aqui mesmo ?" Eles me levaram para as arquibancadas e começaram a tirar minha calça, mas o terceiro que até então não havia se manifestado disse " Larga ela, eu dou a grana para vocês, não façam nada", os garotos não gostaram da novidade, até que por fim foram convencidos.
Comecei a lavar as verduras, como o barulho da água que caia era forte e não dava para haver comunicação cessei por um tempo. Voltei a bancada com algumas batatas e cenouras e comecei a corta-las e reiniciei a historia.
– O nome dele era Antony Carter. — Estava olhando para o seu rosto e quando mencionei este nome o seu semblante mudou.
– Calma, não pode ser, este Antony é o mesmo que era meu colega ?
– Quando tudo aconteceu eu não sabia, ele veio poucas vez aqui em casa, mas da segunda vez o reconheci.- Sentei ao seu lado. — Começamos a no relacionar, ele parecia bom no inicio, me tratava bem, me buscava na escola, até que passei a ir em festas, depois que ele me fez ficar dependente da sua atenção começou a me oferecer tudo o que havia ruim.
– Como ele pode fazer isto, eu mato aquele desgraçado! — Ele vociferou e a expressão no seu rosto era de ódio. — Foi ele que lhe ajudou a fazer toda aquelas coisas ?
– Foi. Ele não aparentava ser ruim, mas se aproximou de mim e conheceu minhas fraquezas e usou isto como suas armas. Eu sabia o que fazia na maioria das vezes, mas aos poucos eu perdi o controle, as doses de bebidas e drogas eram maiores.
– Nossos pais... Eles não viam isto ?
–Estas mudanças começaram junto quando mamãe soube que estava grávida da Mel. Tudo mudou, não os culpo, foi realmente difícil. Eles pensaram que eu já era grande para lidar com os problemas. — Tentei ser forte. — A culpa foi minha, não queria dar mais trabalho a eles com besteiras. Pelo menos assim pensava na época.
– Eu deveria está aqui. — sua voz continuava alterada, um pouco mais grave do que o normal.
– Não, você deveria está onde esteve, estudando. — Sobrepus minha mão na dele. — O que mais me dói é saber que me corrompi, que desapontei você, que decepcionei a todos. Eu tentei varias vezes acabar, terminar logo com isto, pensei em confessar todos meus pecados e pagar por tudo que fiz.
– Não nos deixe. — Ele sorriu.
– Não mereço conviver com a nossa irmã e nem com você. Porem não queria abandonar tudo assim, sei que os dois precisam de mim.
– Fico feliz que saiba que precisamos, se queres que algo mude queres recompensar alguém pelas perdas que a senhorita causou apenas se cure e procure algo para que possa ajudar alguém. Amanhã você recomeça a estudar e quem sabe não vai para uma faculdade, já pensou nisto?
– Não, de qualquer forma não posso, jamais posso abandonar vocês, lembra ?
– E quem disse que não podemos nos mudar para onde fores fazer faculdade ?
– Serei eternamente grata por tudo o que tens feito por nós.
– Se importa se eu for ao cemitério hoje ?
– Claro que não. Eu não irei com você pois não quero que a Mel vá também, ela já sofreu de mais.
Eram 16:00 horas quando desci as escadas, estava com uma bermuda azul, uma blusa branca social até os punhos e uma sapatilha preta, meu irmão conversava com uma senhora baixa, de cabelos vermelhos, estava meio pálida.
– Aqui está ela. — Ele apontou para minha pessoa. — Olga, essa aqui é a Sra. Spence, ela vai nos ajudar a cuidar da casa.
– Pode me chamar de Amália. — Comentou sorridente.
– Tudo bem. — Dei um sorriso de lado. — Mano estou indo.
– Tome a chave do carro. — Ele me entregou.
– Ah não, eu quero andar.
– Olga Lewis é longe, para ser especifico do outro lado da cidade e já está ficando tarde.
– Tudo bem. — Sabia que não adiantava lutar, o moreno depositou um beijo na minha testa e quando estava quase saindo lembrei. — Não deixe nossa querida pirralha dormir muito.
Ele apenas assentiu. Admirei o belo jardim, mesmo não tendo os cuidados do papai ele ainda se mantinha ali, intacto. Me aproximei da parte que tinha varias tulipas apanhei três brancas e três azuis, eram as preferidas de papai e mamãe respectivamente. Meu pai dizia que que gostava das brancas pois conheceu 'Nivia' em um dia que a neve cobria todas as casas e ajudou a mamãe tirar umas compras do carro e foi ali que se conheceram. Minha mãe dizia que gostava das azuis pois sempre gostou de admirar o céu e na primeira vez que 'Alec' a chamou pra sair eles foram a uma parque e se deitaram no chão e começaram a fazer anjos de neve, depois de cansarem mamãe pôs a sua cabeça em cima do tórax de papai e começaram a admirar o céu azul que pela primeira vez em dias não estava cinza.
Cheguei ao cemitério, estacionei e desci. O primeiro passo que dei ali dentro meu corpo se arrepiou e uma jorrada de vento me jogou de encontro a um rapaz que vinha em minha direção. Acabamos ali um segurando ao outro por algum tempo.
– Desculpa, eu não quis... — Comentei sem jeito.
– O inverno está chegando. — Ele tentou limpar seu rosto que estava meio inchado e os olhos vermelhos, ele devia ter chorado a pouco tempo. — Bonitas flores.
– Obrigada, já vou indo.
– Adeus. — Foram sua ultimas palavras e comecei a andar por entre as lapides daquele lugar.
Flashback on
– Madrinha que saudades. — Exclamei quando ela abriu a porta da minha casa.
– Também estava com muitas saudades. — Sua voz saiu chorosa.
– Está tudo bem ?
– Entre, suba tire sua roupa e venha almoçar.
– Mas tia... — Insisti
– Faça o que lhe pedi.
Estranhei pois minha tia sempre foi um pouco séria, mas não tanto assim e pouco lhe via, ela morava na cidade vizinha com seu marido. Ela era minha segunda mãe, se chama Clarice, tinha estatura media, seu cabelo era cacheado castanho escuro, rosto oval, seus olhos sempre ficavam escondidos por trás de seu óculos cor de cereja, mas percebi que estavam vermelhos.
Tomei banho e quando estava descendo as escadas escutei algumas palavras soltas " Como vai ser, morreram, desabar". Um choque passou pelo meu corpo desci desesperada e corri para cozinha pois de lá vinha aqueles murmúrios. Quando cheguei tia Clarice estava abraçada e em prantos com o tio Jhon.
– O que aconteceu, Noulan está bem ?- Eles me olharam surpresos. — É com a Mel o problema... Cadê meu pais ?
–Minha filha sente-se. — Titio falou.
– Não, parem com está tortura, me falem ! — Gritei desesperada
– Seus pais minha querida. — A voz da minha tia falhou. — Morreram
Flash Back off
Não preciso dizer que passei pelo estagio de negação, claro que não poderia acontecer aquilo, eram meus pais. Revoltei-me eles não podiam, como foi? Alguém fez isto ?. Tentei fazer barganha, eu prometo que vou mudar que não vou mais pisar na bola. E o estágio que por muito tempo fiquei foi a depressão. Os peritos disseram que eles estavam no lugar errado, na hora errada, estava tendo confronto entre alguns bandidos e policias e os acertaram, meus pais morreram por conta de duas balas perdidas.
Cheguei a tumulo de Nívia Lewis e Alec Lewis, algumas flores ainda estavam ali pareciam ter sido postas recentemente, me abaixei depositei a tulipa azul e branca nos dois túmulos.
– É uma minha, outra da Mel e do Nou.
A partir deste momento minha voz simplesmente cessou, não queria sair, não podia sair. Minha mente foi invadida por lembranças, a melhores lembranças, papai me pondo para dormi, mamãe lendo historias, os jantares que dividimos, a primeira vez que andei só de bicicleta e mamãe ali do meu lado tendo cuidado para que não me machucasse, até as brigas eu lembrei claro apenas da parte que papai ou mamãe se abaixavam e ficavam da mesma altura que eu e diziam " Minha filha nós te amamos, só queremos o melhor para você"
Quando as lagrimas e soluços cessaram, eu me levantei, estava feliz pois parece que senti mais uma vez a felicidade de fazer parte daquela família. Escutei passos vindo em minha direção. " Por favor, que não fosse o Antony" , pensei.
Quando me virei encontrei um rapaz de cabelo castanho bem claro, olhos verdes, pardo, estava com um moletom azul, bermuda bege e uma tênis preto, eu o conhecia era Miguel Gabor. Apressadamente limpei meu rosto e peguei a minha bolsa.
– Oi Lewis. — Em suas mãos tinha algumas flores.
– Oi Gabor.
– Eu não sabia que estava de volta.
– H-hum, eu não esperava voltar. — Ele me puxou pela cintura e me abraçou. Sentia falta daquele abraço.
Nos soltamos dei um beijo em seu rosto.
– Você também perdeu alguém ?
– Digamos que sim. — Ele pôs as flores em cima do túmulos dos meus pais. — Quando você perdeu seus pais, eu também lhe perdi. O engraçado que nunca lhe tive para poder perder.
– Você vem sempre aqui ?
– Olga, não acredito que você está me cantando.
– Miguel, estou dizendo aqui... Trazer flores para eles.
– Você me fez prometer não foi ? — O fitei, ele havia ficado ainda mais bonito desde eu parti.
– Fiz. — Sussurrei.
– Eu cumpri minha promessa, disse que sempre viria aqui trazer flores pros seus pais. — Sua voz estava melancólica. — Uma pena que certas pessoas não cumpriram suas promessas de me ligar sempre, e ainda fizeram pior trocaram de numero. Já vou indo Olga, ele beijou minha testa e foi embora.
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