Redenção
5 Era apenas proteção.
O vento fustigava a pequena cabana, a cada trovão que rangia ouvia um grito desesperador lá fora, um pedido de socorro que me incomodava, um sinfonia de dor e angústia me assolava. Sai daquele lugar correndo.
Um garoto ensanguentado estava estirado no chão, o ferimento em seu pescoço fazia com que ele permanecesse ali imóvel completamente pálido. Aproximei-me e pude vê o desespero em seus olhos, ele tentou erguer sua mão e sussurrar algo como "Me ajuda", me ajoelhei ao seu lado, tentei tampar aquele ferimento pousando minha mão sobre ele como uma medida desesperada, as primeiras gotas de chuva começaram a lavar o lugar onde se formou poça vermelha ao nosso redor.
– Eu pedi para que a mademoiselle não estivesse aqui. — Uma voz ressonou ao meu lado.
– Deixa ele ir, eu posso leva-lo. — Implorei.
– Sai de perto e entre agora!
– Antony ele vai morrer, se o deixar ai...
– Ele mereceu. — Seus olhos resplandeciam um ódio incontrolável. — Quem diria que o meu antigo capitão estaria nessa situação um dia.
– PARA, VOCÊ JÁ CONSEGUIU FAZÊ-LO SOFRER.
– Não foi nada perto do que ele fez. — Ele apertou o meu braço e fez com que ficasse de pé ao seu lado. — Já sei, a minha querida pode cessar este sofrimento toma!
Ele me entregou uma faca e deu um riso maléfico.
– Não... Eu não farei isto!
– Faça ou terei o prazer de enterra-lo vivo. — Sua gargalhada foi abafada pelos relâmpagos que estavam cada vez mais forte. — Espera... Mas assim seria tão fácil, vou arrancar unha por unha, dedo por dedo e membro por membro.
– Por favor.
– Faça por mim, vai se um presente, este cara fez mal a muitas pessoas.
Apenas segurei a faca, queria terminar logo com isto e não teria como escapar, tampei seus olhos com a mão esquerda e com a outra que estava a faca cravei em sua garganta fazendo com que fosse uma morte rápida.
Acordei como todas as outras vezes apavorada, eu não conseguia nem dormi em paz, no fundo eu sabia que era um castigo por ter cedido e ser tão fraca como fui. Sabia que carregaria este fardo, as lembranças dos corpos ensanguentados sempre povoavam minha mente.
Peguei meu celular para a vê o horário, como falta pouco para que o despertador tocasse apenas desativei, peguei meu robe e desci para preparar o café. Após deixar quase tudo pronto acordei meus irmão e fui tomar meu banho, para vestir escolhi uma calça jeans, uma camisa preta e um casaco.
– Pode pentear meu cabelo ? — Mel pediu ao entrar a cozinha.
– Me espere na sala, estou indo. -Terminei de fazer o achocolatado e coloquei nas xicaras para esfriar e direcionei-me para onde a pequena estava.
Ela estava sentada na pequena poltrona que ficava de frente para tv, minha irmã estava concentrada procurando algum desenho provavelmente.
– Sente-se aqui, nossa mais que garota mais cheirosa, só espero que não tenhas usado todo perfume de uma só vez.
– Claro que não, eu só usei um pouquinho eu já tenho este cheirinho de morango de nascença.
– Que metida... Você ao menos sabe o que é nascença?
Antes que ela tivesse tempo de responder meu irmão desceu as escadas interrompendo nossa conversa.
– Temos que sair em 15 minutos, não se atrasem vamos logo tomar café.
– Ok. — Peguei a garota no colo e a levei para cozinha. — Ei pirralha que tal irmos tomar aquele sorvete hoje ?
– Claro. — Ela sorriu de uma forma tão encantadora.
Como o meu colégio era mais próximo de casa Nou deixou-me primeiro. Me despedi e desci do carro, escola não havia mudado nada, um grande estacionamento, um jardim com poucos arvores e uma escada de 10 degraus que dava a porta principal. Tentei passar direto para sala da diretora, contudo quando avistei Sara minha antiga vizinha completamente mudada, meus olhos foram mergulhados em lembranças, só consegui voltar a tona quando um garoto esbarrou em mim.
– Desculpa. — O rapaz estava com umas cicatrizes no rosto ele apenas me olhou e seguiu seu caminho.
Passei por aqueles corredores tumultuados, até chegar em uma sala no fim de um corredor do segundo andar. Bati e esperei que a pessoa me mandasse entrar, então o fiz.
– Bom dia, me Chamo Olga Lewis vim buscar meu horário. — Disse para a secretaria .
Ela era uma moça bonita, negra com o rosto fino, olhos verdes, boca carnuda, maças do rosto saliente, alta e magra;
– Bom, pode sentar ali enquanto procuro por seus horários. — Proferiu.
Não demorou muito e me entregou um pedaço de papel, antes de sair a moça perguntou:
– Minha querida, você não está matriculada em nem uma atividade extracurricular e como a senhorita já está no ultimo ano deveria procurar algo pois isto conta muito nos currículos quando as universidades analisam.
– Você tem a lista dessas atividades ?
– Sim, mas como não estamos no inicio do ano letivo terei que perguntar a todos coordenadores se ainda há vagas. Passe ao final da aula aqui e lhe darei uma resposta.
– Obrigada. — Dei um sorriso forçado e sai da sala averiguando meu horário, os dois primeiros seriam preenchidos com história contemporânea.
Quando cheguei na sala o professor já havia iniciado, bati e esperei ele abri-la.
– Bom dia, sou Olga Lewis e...- O Homem careca, de rosto quadrado me cortou.
– Eu sei muito bem quem você é, apenas entre. — Comentou com rispidez
Todos me encaram, apenas baixei minha cabeça e como não havia nem um lugar vazio lá atrás, tive que sentar na fila da parede. Logo o professor prosseguiu com sua aula metódica sobre o crescimento da indústria na atualidade.
– O campo intelectual e a indústria nos E.U.A se formaram e se desenvolveram de maneiras diferentes e em tempos diferentes, dissemelhante do que aconteceu nos países subdesenvolvidos. Aqui o campo intelectual já estava formado quando a industruia começou a se estruturar.
Estava atenta ao que ele dizia até uma bolinha de papel cair em minha mesa. Tentei olhar de onde veio, mas não deu em nada. Abri o papel estava escrito " Seja bem vida ", a letra era feia provavelmente de algum garoto. Tentei não ligar e me mantive concentrada na aula. Ao bater a campa o professor terminou a aula e pediu para que fosse até sua mesa antes de sair.
– Ontem após sermos avisados do seu retorno alguns professores se reuniram com a equipe pedagógica para vê como iriamos recuperar o tempo perdido, já que seu ensino terminou sendo penalizado por conta dos fatos súbitos ocorridos. — Eu vi Sara passar ao meu lado, contudo logo voltei a prestar atenção no que o professor dizia. — Então decidimos que você devera ter aulas particulares com algum aluno que vamos indicar, está aqui o nome e o numero dele, pode se retirar agora.
Segui para próxima aula, sentei no fundo da sala joguei minha mochila em cima da mesa, olhei o papel, eu simplesmente balancei meu rosto negativamente.
– Eu pensei que as coisas não poderiam piorar, o Miguel como professor vai ser complicado. — Sussurrei.
Na hora do intervalo, peguei o numero do meu novo professor e liguei.
– Alô, quem fala ?
– Olga.
– Oi, qual motivo de está me ligando?
– Estou na escola, você foi indicado para ser meu professor.
– Uma péssima escolha irei repassar para uma outra pessoa lhe ajudar.
– Tudo bem, apenas me avise. — Suspirei.
Recolhi minhas coisas, guardei dentro da mochila e andei mais rápido possível fui para um lugar que tinha atrás do colégio era uma parte cheia de arvores onde quase ninguém ia, o gramado era baixo e de lá podia observar o céu. Me escorei em um tronco e deslizei até chegar ao chão. As lagrimas lavavam meu rosto, os soluços eram irremediáveis, meu coração estava apertado eu havia sido uma idiota, uma idiota que apenas fez isto para proteger ele.
Flashback
– Não chora, por favor. — Miguel disse pondo minha cabeça em seu tórax.
– Como vai ser agora, se Noulan está longe, se Mel ainda é pequena e eu ainda nem terminei os estudos...
– No final ainda vai da tudo certo. — O moreno estava afagando meu cabelo.
– Eu pensei que tudo ia ganhar um novo rumo, que eu iria conseguir ser feliz.
– E quem disse que você está privada da felicidade, até onde eu sei muita coisa mudou. — Ele me levantou e olhou em meus olhos. — Não desanima, sei que seus pais são parte essencial de tudo, mas uma hora terás que sair desse quarto. Hoje completa uma semana que eles se foram, vamos baixinha, larga essa cama, vamos passear com a Mel, faça isto pela sua irmã.
– Tudo bem, me espere lá em baixo. — Quando o rapaz estava saindo do quarto minha madrinha entrou.
– Meu querido você já vai embora ? — Indagou.
– Não, apenas vou esperar Olga na sala vamos da uma volta com a Mel.
– Fique um pouco, preciso ter uma conversa séria com está moça. — Ela apontou para minha pessoa. — Isso diz respeito a vocês dois.
– Ok. — Ele se sentou ao meu lado na cama.
–Bom, como você sabe não tem nem um parente próximo que possa acolher você e sua irmã, como seu irmão disse que não tem como voltar agora pois está concluído sua graduação, a única saída foi virem morar na minha casa, até que seu Noulan possa oferecer o mesmo padrão de vida que vocês tinham, isso implica mudar de colégio, abandonar amigos. — Sua voz saiu melancólica. — E romper relacionamentos. Meu jovem sei que se não fosse sua boa vontade em cuidar da minha afilhada ela estaria péssima, sei que isto não estava nos planos de ninguém, então não entenda que estou mandando o casal terminar, a nossa casa sempre estará a disposição se quiser passar final de semana lá, são 10 horas de viajem, eu e meu marido temos que voltar a trabalhar então amanhã após o almoço vamos partir.
Mel corria com medo de Fox o nosso cachorro pegar seu sorvete eu estava deitada ao lado de Miguel no gramado da praça.
– Agora que ia lhe pedir em namoro. — Ironizou.
– Eu não quero ir embora. — Comentei com uma voz chorosa.
– Não tem outro jeito.
– Posso lhe pedir um favor ?
– Deixe flores toda semana no tumulo dos meus pais, vai fazer isto, promete ?
– Prometo com uma condição, se você sempre me ligar, dizer como esta e quando puder vim me visitar ?
– Fechado. — O beijei ternamente, não foi nada urgente, era apenas um beijo que conseguia abrasar nossos corações;
– Eu vou lá buscar a Mel. — Ele se levantou e beijou minha testa e foi.
– Nossa palmas, que casal mais lindo. — A voz veio de um homem encostado em uma arvore ao meu lado.
– Eu já pedi para sair da minha vida.
– Minhas condolências antes de tudo. — Proferiu sarcasticamente. — Eu já sei que está indo embora, mas eu só irei pedi uma coisa, não volte a falar com seu principezinho ou vou matar este desgraçado, vou arrancar cada gota de sangue do corpo deste imundo e mandarei para mademoiselle a língua dele em um vidro.
– Você não seria capaz. — Não sei o motivo de falar aquilo, apenas me arrependi.
Ele levantou a blusa e retirou uma arma de fogo do cós do seu jeans. Ele foi em direção a minha pequena irmã e ao rapaz que tanto gostava.
– Para, o que você quer. Me fala que faço, apenas não machuque os dois. — Miguel viu Antony e saiu correndo em nossa direção.
– Eu sei que por enquanto não posso lhe ter, apenas se afaste dele, não esqueça onde você estiver eu terei meus contatos. — Antony guardou a arma e saiu antes de Miguel chegar
– O que aquele desgraçado está fazendo aqui ? — Não consegui responder apenas estava sem chão.
Flashback off
Limpei meu rosto e voltei para escola. Assisti a ultima aula de matemática, que foi muito chato pois nunca gostei, como o combinado passei na diretoria para buscar a resposta sobre as atividades extracurriculares.
– Ah, consegui falar com quase todos coordenadores, e alguns ainda tem vaga como economia, Inglês e Literatura, Composição Governo e Política, Teoria da História da Música, 2D e 3D Studio Art — desenho . — Ela deu uma pausa para respirar. — Apenas não falei com o coordenador da atividade de instrumentos musicais.
– E quando a senhorita poderia me da a resposta dele ?
– Posso tenta ligar agora se você quiser.
– Pode ser. — Ela fez sinal para que sentasse.
Depois de alguns minutos ela conseguiu falar com alguém, contudo não consegui escutar.
– O coordenador que também é professor, disse que este curso e apenas para quem já toca algum instrumento e o seu caso ?
– Sim.
– Então ele disse que a senhorita deve vim amanhã as 15h para conversar com ele. No prédio B sala 12, chegue pontualmente pois amanhã não haverá aula já que ele tem uma reunião as 16:30.
– Obrigada, novamente.
Fale com o autor