Redemoinho

16 16. Ponto de vista II


Notas iniciais
Resumo: Onde tudo é esclarecido, menos os problemas do coração

— Você tem que nos contar o que aconteceu. — Kimmy insistiu para a filha a puxando pelo braço para sentar no sofá da sala.

Ramona encarou o pai que estava sentado em uma poltrona de frente para ela, com os braços cruzados e um olhar ainda irritado no rosto.

— Se ele prometer não me interromper eu juro que conto tudo.

— Eu não quero ouvir como você começou a se agarrar deliberalmente com aquele garoto.

— Fernando. — Kimmy chamou em um tom sério lhe dando um olhar ameaçador que o fez balbuciar baixo antes de fechar a cara ainda mais. Tendo isso como um sinal ela se virou para a filha. — Começa, meu amor.

Ramona assentiu e abraçou uma almofada antes de iniciar o relato. Provavelmente DJ fazia o mesmo interrogatório com Jackson aquela hora.

— Depois que vocês saíram eu e o Jackson combinamos de assistir um filme.

— Óbvio. — Fernando soltou em um tom azedo.

— Mãe!

— Eu já te avisei, criatura.

— Desculpe, Kimberlina.

— Continuando. Nós estávamos na cozinha e...

"Jackson e Ramona discutiam o sabor da pipoca que iriam fazer.

— Mas eu quero de queijo.

— Pois faz logo os três sabores pra vê se você cala logo a boca. — a garota afirmou o lançando um olhar irritado que o fez levantar as mãos em rendição.

Ramona revirou os olhos e começou a procurar algo para comer no congelador. Viu dois picolés de cereja e pegou um, tirando a embalagem e o colocando na boca. Jackson estava preparando as pipocas e iria derreter a manteiga para jogar por cima.

— Soube que o Tyler vai ser pai?

— Cara, eu mal acreditei quando me disseram.

— O pessoal do time não fala de outra coisa. — falou, iniciando uma conversa que demoraria vários minutos envolvendo todas as novas informações de seus colegas que eles sabiam.

Ramona já havia terminado o picolé quando ainda conversavam, ela tinha deixado o palitinho em cima da bancada. As pipocas já estavam prontas há muito tempo e já eram inexistentes por conta da conversa que tomou proporções maiores. Falavam sobre a escola, séries, faculdades e músicas. Esqueceram completamente do filme.

Jackson estava com o braço apoiado perto do palitinho e nem notou que ele estava rodeado de formiguinhas que subiram por seu braço, só foi notar quando começou a sentir várias picadas.

— Ai! Caramba, Ramona. Aqui tá cheio de formiga! — exclamou sacudindo a blusa para que elas saíssem, mas nada surtia efeito. — Tá doendo!

— Então tira. — ela falou tentando não sorrir da forma que ele pulava ao seu lado desesperado.

— Não sai! Para de rir garota!

— Não dá. — afirmou rindo ainda mais o fazendo lhe mandar o dedo do meio. — Olha a educação, Jacksito.

— Vai à merda! — mandou impaciente enquanto puxava a blusa pela cabeça.

— Eu não te pedi um show!

— Repetindo, vai à merda!

Ele terminou de retirar a blusa e ela viu que toda a sua barriga estava vermelha.

— Elas te fizeram um estrago. — disse impressionada ao apontar para seu corpo.

— Graças a você. — resmungou irritado ao jogar a blusa no canto da cozinha.

— Larga de drama que você nem é alérgico. — lembrou enquanto se afastava do balcão e ia a geladeira pegar o outro picolé.

Jackson pegou o palitinho e jogou na lixeira em baixo da pia. Deu a volta novamente e pegou um pedaço de papel para limpar a sujeira que havia ficado. Ramona se colocou ao lado dele o vendo ficar vermelho de raiva.

— Tô esperando.

— Esperando o quê? — se fez de desentendida o fazendo se virar para ela.

— Sério? ‐ perguntou incrédulo tendo que baixar um pouco o olhar para encara-la nos olhos.

Ela levantou uma sobrancelha em divertimento e ele teve que lutar contra o sorriso que queria se formar em seu rosto. Estava tão distraído com a provocação que nem notou que continuava a passar o pano no balcão até um copo de vidro cair e assustar os dois.

— Ai, merda! — a Gibbler gritou colocando as mãos na bancada para dar impulso para ela saltar e sentar.

Lembrou na hora que estava descalça, diferente de Jackson que foi atrás de uma pá e uma vassoura resmungando o quanto aquele dia não podia ficar pior."

— E foi assim que ele ficou sem camisa e eu fui parar no balcão. — disse para os pais, ocultando completamente os momentos de provocação implícita que eles tinham compartilhado.

— Ok, mas não explica porque ele estava com as mãos em cima de você e a centímetros do seu rosto. — Fernando insistiu com o tom azedo, o que lhe rendeu um suspiro impaciente de sua filha e um revirar de olhos vindo de sua esposa.

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— Tá, entendo a parte das formigas e do balcão, mas e o resto? — DJ perguntou para o filho.

Eles estavam no quarto de Jackson, que por muito tempo havia sido o de Ramona. Ela estava sentada em uma cadeira de frente para ele que estava na cama.

— Você tem mesmo que comer pipoca? Parece até que eu tô contando um filme.

— Continua. — insistiu ignorando completamente a reclamação do filho.

— Tá bom. — cedeu soltando uma risada dela. — Depois que eu terminei de limpar...

"- Eu acho que não tem mais nada aqui. Bom, eu espero. — Jackson disse olhando atentamente ao redor.

Ramona terminava de comer o resto do picolé e daquela vez jogou o palitinho direto na pia. Ainda estava sentada na bancada e balançava os pés de forma despreocupada. Apertava os lábios os sentindo frios e provavelmente estavam vermelhos e inchados.

— Você deveria vestir uma camisa, não que o futebol não esteja te fazendo bem, mas é que eu já tô ficando enjoada de olhar pra branquedão do teu corpo. Chega brilha. — provocou balançando os dedos no ar com as palmas das mãos abertas.

— Eu sei que você tá adorando. — se aproximou um pouco sendo impedido pelo braço estendido dela.

— Que. Nojo. — disse com uma careta que o fez rir. Mas ela franziu o cenho preocupada quando viu uma linha vermelha descendo pela lateral do rosto dele. — Vem aqui.

— Agora você quer?

— Larga de ser idiota e vem logo aqui. — rosnou impaciente o puxando para perto dela. — Acho que você cortou sua testa.

— Quando? — perguntou assim que sentiu a mão dela em seu rosto.

— Não faço ideia, mas não é grande. — avisou enquanto colocava agora as duas mãos em seu rosto para analisar melhor.

— Suas mãos estão geladas. — reclamou quando levou um susto ao sentir as pontas dos dedos dela completamente geladas, no automático ele levou as duas mãos as coxas dela e as apertou com força quando ela passou um dedo pelo corte.

— Vai sarar logo.

— Mas que porra é essa?!"

— E foi nessa hora que ele apareceu. — Jackson terminou a narrativa vendo sua mãe lutar contra os risos. Óbvio que ele também havia ocultado o flerte descarado que havia tido com Ramona.

— Desculpa, mas é que. — ela não conseguiu segurar a gargalhada, o olhar de seu filho era de mais e toda a situação era muito azar.

— Grande mãe eu tenho. — resmungou enquanto ela continuava a gargalhar.

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— Acho que alguém deve um pedido de desculpas. — Kimmy cantarolou quando sua filha terminou de contar a história.

Fernando resmungou baixinho e se levantou. A única coisa que elas entenderam foi que ele voltava logo antes que ele saísse pela porta.

— E eu vou pro meu quarto. — avisou ao se levantar.

— Espera, mocinha. — Kimmy chamou a fazendo parar ao pé da escada. — Não aconteceu mais nada naquela cozinha?

— Mãe, eu lhe disse tudo. — afirmou a lançando um sorriso seguro que a convenceu.

Correndo os degraus para chegar logo em seu quarto ela tentou ignorar o calor que percorria seu corpo a cada vez que lembrava da imagem de Jackson sem camisa.

— Esse garoto vai ser a minha morte. — falou irritada assim que chegou em seu quarto.

Mal sabia que ele também tentava livrar seus pensamentos dela.

Notas finais
Até outro dia pessoas, bjs