Redemoinho

11 11. Baile part. II


Notas iniciais
Onde Ramona e Jackson aproveitam uma noite na realeza.

Ramona andava apressada tentando não cair ao subir os degraus que davam acesso ao local onde o baile acontecia. Segurava a barra de seu longo vestido azul marinho e torcia para não chegar suada no topo daquela imensidão de degraus. Era para ela estar lá dentro com Jackson se sua mãe tivesse lhe escutado e não tivesse pego a curva errada quando voltavam da casa de sua avó. Agora ela estava atrasada, irritada e com fome. Teve que se trocar às pressas quando chegou em casa e quase sofreu um infarto a cada curva brusca que seu pai dava com o carro.

Parou no último degrau e inspirou profundamente. Levantou o olhar e notou o garoto de smoking que à esperava ao lado da porta de vidro que dava acesso a uma imensa entrada. A Gibbler já se preparava para o sermão que seu amigo iria lhe passar. Retomou a caminhada em sua direção e parou a sua frente soltando a barra do vestido e cruzando os braços o encarando envergonhada.

— Desculpa pelo atraso, mas aconteceu um monte de coisas e. — ela parou quando notou que ele não a escutava.

Jackson somente lhe encarava com um olhar estranho. A analisava dos pés a cabeça como se estivesse em um transe. Mas não o transe tipo bocó que ele ficava perto de qualquer garota bonita, mas um tipo novo que Ramona nunca tinha visto. Estalou os dedos à frente do rosto do Fuller a fim de que ele despertasse. O garoto balançou a cabeça atônito e a encarou nos olhos sem jeito.

— Desculpa. Você tá linda a propósito. — afirmou, desviando o olhar para qualquer lugar menos para ela.

— Obrigada. Você também está ótimo. — falou, notando pela primeira vez o quão bem ele ficava em uma roupa social.

Foco Ramona!

Se advertiu e abriu um sorriso quando ele lhe estendeu o braço. Aceitando o gesto eles adentraram o lobbe do imenso hotel onde estava ocorrendo a festa.

— Aqui é muito perfeito, né? — Jackson perguntou observando o olhar encantado que ela lançava ao redor.

Grandes colunas de mármore seguravam um teto destalhamente decorado com arabescos pintados de dourado. O chão era de um porcelanato que refletia as luzes dos candelabros que pendiam do teto. Parecia um palácio e a Gibbler sentiu que estava entrando em uma festa da realeza. Até porque esse era o tema do baile e ficou imensamente feliz por eles terem procurado o lugar mais incrível da cidade para fazê-lo.

— A comida deve tá incrível! — ela exclamou animada apertando o braço de Jackson que riu do quase pulo que ela deu.

— Eu ainda não entrei na verdade, estava te esperando. Tô morrendo de fome por sua culpa. — acusou em uma falsa irritação enquanto andavam em direção à um corredor a esquerda.

Bobos da corte vestidos com tecidos caros os guiavam em direção ao salão.

— Realmente quem organizou tudo isso se superou.

— É futebol americano, todo ano algum patrocinador é responsável pelo baile e ficam nessa guerrinha de poder. Mas nem todas as escolas são convidadas, é tipo um sorteio. Por isso no ano passado que o tema era Espaço eu não vim. — explicou quando pararam às portas fechadas que davam acesso ao local.

— Imagina o vestido maravilhoso que eu podia usar no ano passado. — falou, soltando um suspiro sonhadora.

Jackson revirou os olhos e disse:

— Menos que eu não ia te chamar no ano passado.

— Eu sou praticamente sua única opção hoje, tenho certeza de que no ano passado você não estaria em uma situação diferente. — afirmou com um sorriso convencido quando o viu fechar a cara por falta de respostas. — Agora vamos logo que eu quero dançar.

Ela o puxou pelo braço e abriu as duas portas.

— Caralho!

— Santa Madre!

Exclamaram juntos olhando ao redor sem reação. Adolescentes já dançavam na pista, outros riam sentados à mesas ricamente decoradas. Luzes coloridas passavam por cada ponto enquanto não deixavam o escuro tomar de conta do espaço. Ali parecia que a realeza havia se misturado com um mundo contemporâneo. Dourado tomando espaço e brilhando como se fosse mil estrelas nas mesas, lustres, jarros, tecidos com fios e coroas que se encontravam na cabeça de muitos jovens.

— Eu quero uma! — Ramona praticamente gritou ao ver uma garota passar com uma grande coroa dourada presa à seus cachos. — Jackson, anda que eu realmente preciso de uma coroa.

— Que lugar foda! — ele exclamou novamente enquanto se deixava ser arrastado por Ramona em direção à uma mesa. — Essa noite vai ser incrível.

— Só preciso da minha coroa e de uma bandeja de comidinhas que eu vou estar perfeitamente bem. — informou o fazendo rir enquanto se aproximavam de uma pequena armação em forma de torre.

Uma mulher vestida de rainha entregava coroas e tiaras a uma pequena fila que havia se formado. Ramona ficou à frente de Jackson se balançando ao som da música eletrônica que tocava. Torceu seu pescoço para trás e viu seu amigo procurar alguém com o olhar, provavelmente seus colegas de campo. Ela só sabia que não iria passar a noite ao lado de alguns dos idiotas que jogavam com Jackson.

Só precisava comer e depois iria se jogar na pista atrás de algum gatinho de outra escola. Jackson estaria com seus amigos se divertindo e ela encontraria diversão nem que fosse sozinha. Não teria como dar errado. Ela esperava que realmente não tivesse como dar errado.