Red lips

1 Rising from the storm


Notas iniciais
ESPERO QUE GOSTEM DA FIC! Reviews serão muito bem aceitos, não seja um fantasminha, estar vivo é ótimo!

Sete de agosto, 1719.

Uma grande tempestade assolava o navio Lágrimas de Circe, com gigantescas e fortes ondas balançando o seu forte casco rubro e raios ameaçando danificar as velas e a bandeira escapando do mastro gradativamente, sendo assolada por ventos fortes. A madeira rangia com a tensão, junto a todos os marinheiros, que caíam de joelhos em milhares de orações implorando misericórdia. O único a quem o desespero e angústia não conseguiam perturbar era Regis Morim Bonny, também conhecido como Capitão de Aço, filho de dois dos mais épicos piratas de todos os tempos. Era extremamente jovem para um capitão de navio, beirando os 22 anos, e tão belo quanto era desalmado. Sua vida era destinada a pirataria, sua mente focada para estratégias visando o sucesso. Dizem as más línguas que ele trocara o coração por uma bola de ferro e o reposicionara no lugar. Nada lhe despertava o menor traço de emoção visível; era um homem de poucas e certas palavras, sério, temido, respeitado, calculista e inabalável.

Após a chuva ter apagado toda a iluminação do barco, a única fonte de luz disponível eram os frequentes relâmpagos, que não facilitavam totalmente a navegação, mas foi o suficiente. Porque entre os flashes momentâneos que a tempestade fornecia, o capitão e seu segundo em comando (o que menos estava apavorado, depois do capitão) notaram uma forma estranha em movimento sobre um dos faróis quebrados por causa da chuva. Após pouco tempo, conseguiram enxergar uma silhueta naquela boia:

–Capitão? Meus olhos me enlouquecem ou você também vê aquilo?

–Vejo sim, senhor Bartholomew. –Ele respondeu, sua voz impassível.

–Vamos trazê-la a bordo, senhor.

–O vinho está lhe subindo a cabeça? E se por acaso for uma estratégia, e houver algum navio pronto para o ataque?

–Se nem o senhor conseguiu pensar nessa estratégia em primeira mão, duvido que qualquer outro homem pudesse.

–Sugere então que trouxéssemos alguém em farrapos e insano para nossa tripulação, potencialmente perigoso, que dança nesta perigosa tempestade, e surgiu do nada para o nada?

–Não pode me intimidar com palavras brutas, capitão. Conheço-lhe desde a flor da idade. E o que disse são justamente razões para trazer tal pessoa a bordo. – O capitão balançou levemente a cabeça. Estava quase convencido. –Não tem vontade de saber sobre o caso?

O último empurrão dá resultado. Regis olha novamente para a boia e observou uma garota, com idade proporcional a dele e roupas de gala, que dançava tranquilamente ao redor do farol, os cabelos balançando com o vento de uma forma poética, seus movimentos graciosos e olhos fechados que ignoravam o meio ao seu redor. E o capitão sentiu em seu peito a primeira retumbada de algo que nem ele próprio acreditava possuir: coração.

–Tem permissão para trazer a garota a bordo, Bartholomew. Tenha consciência do que faz. –Ele lhe disse, sem ao menos desviar os olhos da moça, enquanto ouve passos retumbando sobre a madeira. Ainda encarando fixamente a menina e a boia, sente a âncora se firmar e vê uma corda grossa e muito entrelaçada descer esticada até a boia, onde a garota ainda permanece em transe. Um forte, porém covarde marinheiro começa a descer lentamente a corda presa no farol. Somente quando seu pé podia tocar a moça caso se esticasse ela o nota e entra em um estado pânico. Joga-se da boia e começa a tentar nadar sobre aquele mar tempestuoso.

O capitão toma sua primeira atitude impensada em nome dela: pula, pega a corda, desliza com as mãos queimando até o farol e pula também. Começa a dar braçadas rápidas e fortes, vencendo pouco a pouco a corrente ininterrupta, e leva pouco tempo até conseguir alcança-la; confusa, perdida e se afogando. Ele a puxa pelo braço, desta vez sem nenhuma resistência, e a carrega de volta para o farol, a uma distância considerável. Seus movimentos fluidos ajudaram para carregá-la através da água, mas não para mantê-la de pé. O capitão por fim consegue apoiar a garota em seus ombros e amarra a cintura ensopada de ambos na corda. Enquanto os marinheiros assombrados puxam os dois para cima, ele a observa melhor. Seus olhos castanhos enormes estavam abertos, porém vagavam fluidos para algum lugar inatingível. O cabelo era escuro, revolto e macio, roçando seus ombros nus. Sua pele era pálida como a louça de uma madame, como se o sol tivesse se apiedado da sua derme. E seus lábios... Eram tão rubros quanto seria o sangue das rosas vermelhas caso existisse. O vestido que trajava era enorme, e pinicava as mãos do capitão. Claramente uma roupa formal que, exceto pela água que o abaixava um pouco, não sofrera nenhuma modificação. Isso é impossível, ele pensava. Deve haver uma explicação lógica para lábios tão naturalmente de cor carmim, para uma fisionomia tão delicada e sinuosa, e para roupas em tão bom estado em pleno alto mar.

Esses foram seus últimos pensamentos antes de chegar ao barco, escalar a mureta e puxar a jovem consigo, se deparando com olhares de surpresa e estranhamento sobre uma atitude tão ousada para um rapaz tão racional.

–Ahn, capitão Regis... — O mesmo marinheiro que se acovardara na corda falou, deixando a frase solta no ar.

–Quando tomo responsabilidade por algo eu me comprometo, Nicolas. — ele respondeu em seu tom de voz frio, sem deixar a menor abertura para réplica de qualquer outro marujo. – Agora façam seu trabalho com essa menina. — Ela mantinha os olhos abertos e desfocados para a realidade, e nem ao menos se mexeu quando os homens a levaram para um quarto, carregando-a como morta.

Bartholomew, reconhecido por sua ambição, músculos e homossexualidade, despiu a menina dos tecidos pesados, enquanto ela estava sentada curvada olhando para um ponto fixo. Puxou-a para uma tina quente e escassa, onde ela se banhou, recusando com a mão o homem. Assim que acabou, seguiu em passos frouxos e cambaleantes até seu quarto, onde foi recebida com uma toalha longa e macia, e diversas cobertas. Sem motivo nenhum ela empurrou a cama fracamente, envolveu os cabelos sobre a toalha, organizou os cobertores sobre o tapete comido por traças e deitou enrolando-se nelas. Antes mesmo que um dos marinheiros chegasse para entregar sua comida, ela já desaparecera num casulo de tecidos, dormindo.

Enquanto isso, o capitão passava por uma crise existencial em sua cabine. Rodava e rodava por todo o cômodo, tentando explicar a batida singular que lhe estremecera o corpo ao ver a menina dançando sobre a boia, seus movimentos a única leveza em meio ao bruto cenário que a envolvia. Reprimia-se também por sua atitude impensada, a única de todas as suas ações extremamente calculadas. Tentava encontrar uma justificativa para a sensação gloriosa do mínimo contato de suas peles, em áreas nem ao menos sensuais. Ele já ouvira muitas histórias eróticas de sua tripulação sobre orgias ou noites de apenas uma pessoa, engraçadas (ou pelo menos contadas em tom de riso) e repletas de momentos carnais. Mas ele negava todo esse tipo de sensação. Ele era um dos mais jovens e ricos comandantes piratas, filho de Anne Bonny e Jack Rackham. Ele era Regis Morim Bonny. Luxúria e sentimentos não existiam em sua vida. Então por que subitamente ele começou a querer que tais coisas atuassem em sua vida? Jamais. Ele era calculista e racional, e não emocional. Ele não era nenhum Dom Quixote. Ele era o Capitão de Aço. E nem a mais incrível das mulheres, como aquela parecia ser, tocaria em sua alma.

Notas finais
Pois é, em breve terá um novo capítulo! Por favor, reviews, e espero que se interessem pela história desses dois.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.