Notas iniciais
Se é inspirado, é normal que uma ou outra coisa seja parecida, mas prometo que vai tomar um rumo diferente de A Seleção.

-Eu não acredito. –Murmurei horrorizada. Aquilo era um pesadelo. Tinha que ser!

-Acredite! Está acontecendo mesmo. –Minha avó estava em êxtase, minha mãe parecia querer gritar de emoção. Para ela aquele seria o passaporte para uma vida melhor. Para mim, para uma pior!

Lia e relia a carta diversas vezes para tentar engolir aquilo. Eu era uma das escolhidas. Escolhida para ser a esposa do príncipe de Sweet Amoris.

Toda vez que um príncipe completava dezoito anos, dezoito garotas eram escolhidas, pelo rei, para viver no castelo por um tempo, e conquistar o príncipe. Para algumas, era um sonho, para o rei, uma forma de evitar que o país fosse liderado por outros reinos, mas para mim, um pesadelo real. Eu queria me tornar qualquer coisa menos a futura rainha. E, pra piorar, depois que a garota era dispensada, se tornava membro da Segunda Realeza. Ótimo, querendo ou não, já era parte da realeza.

Sentei-me no sofá, ainda em choque. Eu não tinha escolha, era obrigada a viver no castelo até que o príncipe me enxotasse.

-Eu não creio, Nana! Como queria estar no seu lugar. –Maxurin, minha melhor amiga, se desmanchava ao meu lado.

-No meu lugar? Eu vou ser obrigada a viver em um hárem de um príncipe idiota. –Joguei o papel no chão e encostei a cabeça no sofá.

-Pelo menos, vai viver no castelo por um tempo e mesmo que não se case com o príncipe, vai se torna membro da Segunda Realeza e todos caíram aos seus pés. Todos!

-Eu quero morrer! –Cobri o rosto com uma almofada e dei um grito, abafado.

Maxurin falou mais alguma coisa sobre eu ser muito insatisfeita e saiu, minha mãe contava para todos na casa e minha avó foi para a cozinha, deixando-me sozinha na sala. Sempre pedi aos céus para nunca ser escolhida para isso, mas pelo visto, nada adiantou. Em poucos dias eu seria mandada para um hárem e seria obrigada a fazer tudo o que o imbecil do Castiel pedisse. Ordenasse, era melhor dizer.

A única vantagem nisso tudo era que, enquanto estivesse no castelo, minha família receberia dinheiro. E dinheiro, era uma coisa necessária naquele momento. Meu avô havia gastado todo nosso dinheiro em jogos e quando faleceu, nós é que tínhamos que pagar essa dívida.

Mas não era hora de lamentar. Levantei e fui à cozinha para beber um copo d’água. Minha avó preparava uma massa cantarolando. Ela achava tudo mágico, e provavelmente, pensava que eu estava apaixonada pelo príncipe e iria me casar com ele. Odeio decepcioná-la.

Eu achava essa história toda de escolher garotas para o príncipe se casar era a mais idiota de todas as leis, que, aliás, eram muito idiotas. Não podíamos nos casar sem completar tal idade, não podíamos ter filhos antes do casamento, não podíamos ficar na rua até tal hora, tínhamos que aceitar tudo que o rei quisesse.

Minha avó me contou que depois que o mundo entrou em escassez de água potável e alimentos, em 2045, os países entraram em guerra, não existiam mais aliados ou amigos. Era cada um por si. Mas é claro que aquilo não podia continuar daquela maneira, então uma organização liderada pelo país “chefe” da época tentou todo o tipo de coisa para que aquilo acabasse. Mas não conseguia. Ninguém queria dividir o pouco que tinha, e metade das áreas que eram melhores para plantio estavam radioativas, culpa das bombas atômicas, então nem mesmo o grande acervo de grãos adiantaria. E os rios estavam tão raros, que a água se tornou a bebida mais cara do mundo, e menos de um centésimo da população podiam consumi-la.

A única solução foi voltar a um sistema já extinto: A Monarquia. Reis, rainhas, príncipes e princesas voltaram a existir. Em 2050 nosso país surgiu, era a antiga França que se dividiu em dois reinos, o nosso era o único que deve o nome alterado. A família mais rica de cada país foi escolhida para regê-lo e como ainda não queriam ter que dividir nada, as famílias criaram um sistema para que os príncipes só se casassem com garotas do reino, e princesas com os guardas. Além disso, um sistema de títulos foi montado:

Realeza:

Rei, rainha, príncipe e princesa.

Só participava desse título quem regia o país.

Segunda Realeza:

Qualquer parente próximo dos reis e rainhas, as garotas escolhidas para se casar com o príncipe ou guardas escolhidos para as princesas.

Podia, ou não, ser um título provisório.

Apenas algumas profissões estavam disponíveis para esse título:

Modelos, guardas reais ou atores.

Classe 1:

Ricos em geral e guardas do castelo.

Quando se adquiria uma grande fortuna você era promovido à esse título. Não importava como.

Ele poderia trabalhar como: Advogado, empresário, médico, arquiteto, engenheiro, etc.

Classe 2:

Pessoas da classe média alta.

Geralmente, somente pessoas nascidas com esse título o tinham.

Poderiam trabalhar como: professores, mestres de obras, diretores, militares, etc.

Classe 3:

Pessoas com classe média baixa.

A maioria de devedores ou protestantes eram rebaixados a esse título. (Como aconteceu comigo.)

Podiam trabalhar com o que quiser desde que não fossem as profissões dos títulos mais altos.

Classe 4:

Pessoas com classe média ainda mais baixa, mas sem escolaridade.

A maioria eram Cincos que conseguiam se promover, por algum motivo.

Podiam trabalhar como quiser.

Classe 5:

Andarilhos, mendigos, artistas de circo.

Não podiam exercer qualquer profissão de cargo público.

Somente como artistas de rua, faxineiros ou engraxates.

Isso deu certo no início, e agora temos alimento e água suficientes para todos, porém é claro, que ninguém ficaria satisfeito com os títulos e leis absurdas por muito tempo. Muitos levantes rebeldes e protestantes começaram a agir e destruir monarquias. Algumas caíram, mas a maioria continua intacta. Nosso país é forte o suficiente para resistir aos ataques dos nossos rebeldes, mas não o suficiente para resistir ao dos países que se tornaram monarquias sem títulos, sem ordens rígidas, com direito a ser quem você quiser. Como era antes de 2045, porém com um rei.

Não era uma rebelde ou protestante, mas era contra aquilo tudo também.

Meu pai estava com um sorriso compreensivo no rosto, ele estava tão feliz quanto minha mãe, mas era o único que sabia o quanto eu detestava aquilo.

-Vai ser difícil para todos, querida. –Ele se sentou ao meu lado, acariciando meu longo e negro cabelo.

-Ora, senhor Pierre, até parece que eu vou sofrer por mais tempo. Aquele castelo precisa de mim... Quem mais seria a mais perfeita das rainhas?

O sorriso dele aumentou e virou uma gargalhada.

-Essa é a minha Nanako! –Meu pai olhou no relógio e deu um grito para meus familiares, era hora do Jornal. Minha foto apareceria para todos os habitantes do país! Eu digo: Todos mesmo.

-Sophia. –Meu pai disse para minha mãe. –Faça um banquete para nós hoje! –Ela sorriu e assentiu com a cabeça.

Kalifa, minha irmã, apareceu com olheiras enormes e com cara de sono vestida com um kimono. Provavelmente passou a noite vendo anime ou coisa assim, não que eu fosse diferente disso. Minha mãe sentou-se na cadeira ao lado do sofá, com um sorriso maior que seus lábios poderiam aguentar. Minha avó se juntou a nós, e logo após o hino, o jornal começou.

Eu amava o hino do meu país. Era inspirado em uma canção japonesa que falava de força e fé.

Nathaniel, o guarda ( e sobrinho) favorito do rei, estava sentado ao lado do rei, com uma expressão triunfante. Lysandre, o melhor amigo e conselheiro real do príncipe, anotava alguma coisa que Castiel dizia em um bloco de notas e na frente deles estava uma mesa com alguns copos e garrafas d’agua. Alexy, o braço direito da rainha e apresentador do Jornal, que deveria ter a minha idade mesmo assim ninguém ocupava seu lugar, estava devidamente vestido com um terno prata que irradiava luz e pronto para começar a falar.

-Boa noite Sweet Amoris! –Disse, e um coro respondeu. –Hoje vamos inverter a ordem dos pronunciamentos. –Ele olhou para rainha, que assentiu, e continuou. –Como vocês sabem, nosso querido príncipe, Castiel, completara dezoito anos na próxima semana e, em vez de uma grande festa para ele, faremos uma festa para receber as selecionadas! Chegamos ao tão esperado dia: O dia que ele escolherá sua esposa.

A multidão aplaudia e gritava e aparecia na tela uma miniatura das fotos das selecionadas, pude reconhecer meu rosto no último quadradinho. E no canto direito da tela o rosto de Castiel era o foco, eu não o conhecia, mas aquele cabelo preto, como o meu, amarrado em um pequeno “rabo de cavalo” não combinava com aquele rosto petrificado.

Alguém entregou uma série de fichas para Alexy que sussurrou algo e deu algumas ordens para o pessoal que estava escondido do foco das câmeras.

-Vocês, assim como o nosso príncipe, devem estar muito curiosos para conhecer as Selecionadas. E como vocês, ele não sabe quem são! –As pessoas pareciam realmente animadas com isso, assim como minha família. –Sem mais delongas, vamos começar as apresentações.

Uma foto da primeira Selecionada apareceu na tela.

Ambre Staike, 16 anos. Era linda: loira, cabelos ondulados e olhos azuis-turquesa com uma pinta charmosa no olho, como a minha. Ela era uma 1.

E depois, as outras.

Aira Luize, 17 anos. Morena, cabelos cacheados e castanhos e olhos da mesma cor. Era bonita, mas pela expressão do príncipe não era sua favorita. Era uma 2.

Viollette, 16 anos. Duvido que exista mais fofa! Cabelos curtos e com trancinhas curtas e finas, e na cor roxa com olhos cinza. Era uma 2.

Debrah, 17 anos. Cabelos longos e castanhos, olhos em uma mistura de roxo e azul. O príncipe abriu um sorriso sacana no rosto, parecia um bom sinal. Era uma 1.

Maru Blanc, 17 anos. Tinha cabelos longos e brancos, em um corte fofo, seus olhos eram extremamente azuis. Era uma 2.

Kim Summers, 17 anos. Era a morena mais bonita dali, sua pele era escura dando contraste aos belos olhos verdes e seu cabelo liso e curto parecia feito de seda. Era uma 3.

Melody Pocker, 16 anos. Era meio sem graça, mas bonita. Cabelos castanhos na mesma cor dos olhos e pareciam milimetricamente certos. Era uma 1.

Bia Luff, 16 anos. Tinha belos olhos verdes e o cabelo castanho com uma franja meio infantil. Era uma 2. Castiel fez o máximo de esforço para parecer animado, sério, dava para perceber de longe.

Samanta Tele, 17 anos. Tinha um sorriso lindo e olhos puxados. Seu cabelo era negro e reto em contraste com a pele branca. Era uma 4.

Luize Wite, 16 anos. Loira, pele quase transparente e olhos incrivelmente azuis e transparecia calma em seu olhar. Era uma 1.

Nathali Sinse, 16 anos. Magra, cabelos negros e olhos azuis. Pude ver uma cicatriz que se estendia da testa até as bochechas. Era uma 3.

Thassia Le Taque, 17 anos. Era meio gordinha, mas nada que matasse alguém. Eles tinham escolhido somente garotas com a “aparência perfeita”, me pergunto, então, por que a escolheram e escolheram Nathali?

Yuki Tachima, 16 anos. Deveria ser descente de japoneses, pois era como uma personagem de mangás. Era uma 3.

Aurora Bounatti, 17 anos. Era ruiva natural com olhos castanhos claros. Tinha sardas espalhadas pelo rosto inteiro. Castiel abriu um sorriso largo. Era uma 1.

Ana Quize, 15 anos. Apesar da pouca idade, seus cabelos loiros tingidos e o batom vermelho sangue lhe davam a aparência mais velha. Era uma 2.

Laira Kill, 16 anos. Negra com cabelos alisados e olhos castanhos. Era uma 2.

Lua Nacer, 17 anos. Era negra com cabelos cacheados e olhos verdes. Muito bonita. Era uma 1.

“Nanako Tanaka Lafayette, 17 anos.”

Não ouvi mais nada depois disso, minha família explodiu em alegria, aquilo era real. A expressão de Castiel foi animada, ele parecia ter gostado de mim, o que aumentou a gritaria na casa. Até minha irmã gritava!

Kalifa caiu em cima de mim me parabenizando. Não sei pelo quê...

O Jornal continuou falando das Selecionadas e no fim começaram a falar de guerras, rebeldes, protestantes e do número de soldados recrutados naquele mês.

[...]

Terminei meu jantar, ou como diz meu pai: banquete, e fui para meu quarto, para enfim ter algum tempo em paz. Ou não. O número de Maxurin apareceu na tela do celular. Atendi.

-Está mais calma? –Pude ouvir risos dela.

-Estou. Pode ser algo bom no fim das contas. Algo bom para nossas economias. –Comecei a rir junto dela.

-Eu nunca vi você nervosa com algo, sério. –Disse assim que terminou de rir. –Mas já que está tudo bem...

Dei uma risada fraca.

-Acho que deveria anotar isso no seu livro sobre mim: “Obrigue a Nana a ir para o castelo e a veja irritada por algumas horas.”

-Você já viu as outras participantes? –Mudou de assunto. –Só tem Classe 1 e 2 naquilo. Pouquíssimas são da Classe 3, e somente uma da classe 4.Teve sorte em ser escolhida. –Ela era uma 3 como eu.

-Esperava o que? Aposto que o rei só escolheu algumas 3 e a 4 para evitar ataques rebeldes. E que aposto que serão as primeiras a serem eliminadas, Castiel só deve gostar das 2 e das 1.

-Você nem conhece o príncipe e já está aí pensando mal dele.

-Não preciso conhecer para pensar assim. Já viu como ele fica no Jornal? Como responde mal quando lhe perguntam sobre o país? Já viu quantos escândalos envolvendo ele?

-Já, já e já. –Ela fez uma pausa. –Mas você nunca teve essa péssima mania de julgar antes de conhecer, então não faça isso agora.

-Seja com for. Não ligo. –Um silêncio se prolongou pela linha. –Preciso desligar, amanhã começa uma longa jornada.

-Tudo bem. –Disse desanimada. –Boa noite.

Desliguei o telefone e deitei em minha cama. Amanhã começaria tudo que sempre evitei.

Notas finais
Gostaram? hehe Espero que sim!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.