Red Rooster
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Notas iniciais
— Preciso achar os cinco.
Dois de Abril de 2020. Taubaté, Sp.13:25pm
— Aaaah, não acredito que esse maldito robô quebrou de novo! — Disse Daniel enquanto dava um leve chute no seu Robô Aspirador De Pó 2000.
Daniel era um homem bem alto, branco, com cabelos pretos e um corte que parecia que havia cortado seu próprio cabelo num banheiro escuro usando a mão esquerda enquanto se equilibrava em um pé só numa bola de chumbo. Daniel vivia sozinho em seu apartamento, o qual conseguiu alugar graças ao seu antigo serviço como programador de robôs. Daniel era um ótimo programador, na verdade ela era o melhor! Mas acabou sendo despedido devido ao fato de espionar as mulheres no vestiário. E agora ele procurava um novo serviço, para que não tivesse que voltar a morar com sua tia paranoica que vivia perguntando se um tal de “Apu” reapareceria.
— Eu fui feito para limpar, e não para sofrer — Exclamava o Robô Aspirador de Pó 2000,o qual Daniel tinha pego...emprestado no seu antigo serviço.
— Ah é? Nos vemos no tribunal então. Seu pedaço de lata! — Daniel novamente deu um chute no pobre robô limpador.
Alguém bate na porta.
Dois de Abril de 2025.Taubaté,Sp. 16:10pm
— Nossa! Isso foi ótimo! — Athena não estava mentindo, ela realmente havia adorado aquele momento de coito com esse cara que conheceu no Bar B.J.
— Nhé, foi bom. — Respondeu Felipe sem demonstrar nenhum entusiasmo em sua voz.
Felipe era um homem de 22 anos no auge de sua vida sexual. Alto, com um lindo cabelo preto escuro, e uma pele meio amarelada, mas que não o impedia de fazer sucesso entre as mulheres. Felipe trabalha como garçom em um restaurante onde só mafiosos, traficantes, e toda essa gente perigosa frequentam. Ele odeia seu serviço, ainda mais pelo fato de seus clientes nunca darem gorjeta. Mas Felipe não está interessado em dinheiro, na verdade tudo o que ele quer é uma mulher que o satisfaça. Não existe um Homo sapiens sapiens fêmea a qual ele não demonstre interesse , e na maioria dos casos esse sentimento é reciproco. Na maioria dos casos, porque ele não consegue seduzir as lésbicas, na verdade, elas parecem ter um certo ódio dele. Felipe era realmente bonito, mas o truque dele era um irresistível charme, ou talvez apenas o fato dele ter uns glúteos perfeitamente avantajados.
— Bom...Nós vamos nos ver de novo? — Ansiosamente perguntou Athena.
— Ah... Sim, eu irei te ligar. — Felipe se levantou, vestiu sua calça, abriu a porta do quarto e fez um sinal para que a garota fosse embora.
Eles caminharam ate a porta. Athena se colocou para fora da residência.
— Até mais, Felipe. — Um sorriso aparecia no rosto da moça.
— Até mais, Madalena.
— Não. Meu nome é Athe— Felipe fechou a porta.
Inspirou profundamente e disse: — Nunca mais vou ver essa garota.
Então alguém bateu na porta. — Espero que não seja aquela tal de Ateia. — Felipe a abriu.
— ISSO NÃO É POSSIVEL! EU ESTOU TE DIZENDO! VOCÊ DEVE TER ME DROGADO OU AQUELA SUA LATA VELHA ESTRAGOU MEU RELÓGIO! — Gritava Daniel olhando para um misterioso homem ao seu lado.
— Ok, então como explica o fato de estarmos em outro lugar? Hein, espertão? Eu te disse, essa “lata velha” é uma maquina do tempo que também viaja no espaço! — Disse o estranho homem, bom, tinha voz de um homem, pelo menos. Ele estava vestindo um manto vermelho com capuz, e uma estranha mascara de galo.
— FELIPE? É VOCÊ? — Gritou Daniel.
— Daniel! Nossa, há quanto tempo, cara. Como você descobriu onde eu morava?
— Bom, esse cara ridiculamente vestido como um super-herói disse que tem uma maquina do tempo, haha, então não duvido dele. — Respondeu Daniel ironicamente.
— MAS É uma maquina do tempo, e que também viaja no espaço.
— Não, seu retardado. Aquilo é um carro dos anos 50, que de tão feio nunca deve ter sido vendido outro modelo. — Daniel estava provocando o homem com mascara galinácea.
— Derrubaram café no meu painel de camuflagem e a maquina acabou ficando travada na forma desse carro... E na verdade o carro é dos anos 60... — O estranho homem não parecia ficar nervoso com as provocações de Daniel.
— Eu agradeço que você tenha trazido meu velho amigo pra cá, mas eu não gosto muito de pessoas que ficam falando que tem maquinas do tempo e coisa e tal, então, por favor, me diga logo o que você quer e quem é você. — A paciência de Felipe realmente ficava bem escassa depois de uma transa não muito emocionante.
— Vocês podem me chamar de GALO VERMELHO!
— QUE? POR QUE VOCÊ ESTÁ GRITANDO ISSO? — Daniel parecia realmente nervoso.
— Eu preciso da ajuda de vocês dois... Na verdade, eu preciso da ajuda de cinco. — Se o Galo Vermelho não estivesse usando uma mascara, nós certamente veríamos um olhar misterioso seguido por um sorriso ainda mais misterioso.
Floresta Amazônica. Dia 17 de Janeiro de 2020. 06:00am
— Ok. Isso é definitivamente uma máquina do tempo! — Dizia Felipe enquanto saia da maquina e observava aquelas grandes arvores.
— Na verdade, como eu já disse, é uma máquina que viaja no tempo E no espaço. — Galo Vermelho nunca se cansava de se gabar de sua geringonça.
— O que exatamente a gente veio fazer no meio da Floresta Amazônica? — Daniel parecia meio receoso de entrar naquele ambiente, mas corajosamente se colocou para fora da máquina enquanto coçava seus braços como se estivesse sendo atacado por diversos insetos sugadores de sangue.
—Viemos buscar nosso novo tripulante!
— Alguma espécie de macaco? — Daniel não perdia um momento sequer onde pudesse fazer uma piada.
— Melhor que um macaco! Melhor que dois macacos! Talvez melhor que três! Viemos buscar o Adrian! — Certamente os olhos do Galo Vermelho deveriam estar brilhando nesse momento.
— Adrian? Você quer dizer o mesmo Adrian que foi meu amigo de infância? — A Felicidade de Felipe podia ser percebida pelo fato dele esquecer sua aracnofobia e encostar-se em uma das diversas arvores ali presentes.
—Ele mesmo! Mas devo alertar que esses últimos anos vivendo como um pescador nômade mudou o jeito de ser dele. Mas não se preocupem, ele continua muito amável. — Respondeu Galo Vermelho.
Depois de cansativos minutos caminhando por aquela floresta úmida, eles finalmente encontram um homem de pele rosada encarando um rio. Era Adrian! Um antigo amigo de Felipe e Daniel. Adrian costumava ser uma pessoa bondosa, risonha, que adorava seus amigos. Mas depois de uma certa discussão com uma certa pessoa que fazia parte do grupo de amizade que eles tinham, Adrian decidiu sair pelo mundo sozinho em busca de deliciosos peixes. Sua aparência tinha mudado bastante. Agora com uma longa barba, que no momento estava coberta por algas e escamas de peixe, e uma barriga extremamente grande.
— ADRIAN! VOCÊ SE TORNOU ALGUM TIPO DE PEIXE BOI! — Gritava Daniel enquanto sorria e acenava.
Adrian se assustou com aquele grito, ele se assustou muito, pois tinha um coração fraco. Parou de encarar o rio, sorridente e incrédulo ele foi em direção de seus amigos.
— MEU DEUS! AMIGOS! COMO VOCÊS VIERAM AQUI? POR QUE TEM UMA GALINHA COM VOCÊS? — Adrian abraçou seus amigos. Mesmo com aquele fedor de peixe, a saudade de seus amigos era muito grande, e então eles não negaram um abraço.
— Nós viemos matar a saudade! — Disse Daniel, sorrindo. — Mas agora nós precisamos que você viaje conosco pelo tempo espaço e nos ajude a destruir um terrível vilão! — Brincava Daniel.
— Eu topo! Mas antes preciso terminar um serviço aqui! — Respondeu Adrian entusiasmado.
~Foi mais fácil do que eu imaginei. —Pensou Felipe. — E no que você precisa de ajuda?
— Bom, eu estou a algumas semanas tentando pescar um certo boto... Ele não é um boto comum! O pessoal daqui da vila andam dizendo que ele entra na casa das pessoas e rouba seus artefatos. Eu preciso dar um fim a esse criminoso.
— Érrr...Ok. E como a gente ajuda nisso?
— Eu estou esperando ele passar no rio. E quando eu ver aquele desgraçado, irei dar um mergulho rasante seguido por um mata leão. Nenhuma outra criatura sobreviveu a esse meu ataque.
— Rasante?!...
— Acho que ele está meio louco. — Murmurava Daniel para Felipe.
— Bom, meu caro Adrian. Devo lhe informar que eu vim do futuro, e nele eu sei muito bem que você não consegue pegar esse tal de boto. — Disse o Galo Vermelho em um tom arrogante.
— Espere e veja, homem galinha. — Retrucou Adrian.
Horas se passaram enquanto todos conversaram a beira do rio, com exceção de Adrian, claro, este estava ocupado demais encarando o rio.
De repente Adrian se joga no rio e começa a lutar com uma criatura debaixo da água.
— JESUS, MARIA E JOSÉ! O ADRIAN TA LUTANDO COM O BOTO! — Gritava Daniel.
— Me ajudem, esse bicho é forte. — Sem folego, Adrian dizia essas palavras enquanto engolia um pouco de água e dava uns murros na cabeça do boto.
Daniel e Felipe pularam no rio para ajudarem seu amigo naquela batalha. Galo Vermelho apenas observava o que estava acontecendo. Ele parecia assustado demais para fazer alguma coisa, ele estava paralisado.
— PEGUEM AS PERNAS DELE!
— ADRIAN, ISSO É UM BOTO, ELE NÃO TEM PERNAS! — Gritou Felipe. Quando subitamente leva um chute do boto e afunda na água.
— O BOTO DEU UMA BICA NO FELIPE!ADRIAN, O QUE EU FAÇO? — Daniel estava desesperado.
Enquanto Adrian tentava dar seu golpe secreto no boto, a mascara do suposto animal cai, e ele se mostra como um homem.
— AGORA VOU CONSEGUIR. — Adrian usou seu mata leão, fazendo com que o homem que até alguns minutos atrás era um boto, afundasse e fosse levado pela correnteza. Daniel rapidamente tira Felipe do rio.
— Adrian, você matou um homem... — Daniel estava com uma voz pesada.
— Não! Eu matei um boto criminoso!
— Cara, você viu o rosto dele. ERA UM HOMEM LOUCO DISFARÇADO DE BOTO. EU NÃO SEI SE VOCÊ NOTOU, MAS ELE TINHA PERNAS!
— Meu caro amigo Daniel. Se você fosse um boto criminoso, você gostaria que as pessoas soubessem disso ou você iria se disfarçar de humano para não ser pego? É matemática básica, meu amigo.
— ADRIAN, VOCÊ TEM PROBLEMAS.
Enquanto Daniel e Adrian ajudavam Felipe a se recuperar do afogamento e do trauma de ser chutado por um boto, tudo o que o Galo Vermelho conseguia fazer era encarar um ponto qualquer do ambiente, fixamente. Ele estava em pânico.
— Ele não deveria ter encontrado algo no rio! Isso não aconteceu da ultima vez! Como o espaço tempo pode ter mudado dessa forma? Isso é impossível! É um paradoxo! — Pensava Galo vermelho.
— A única explicação é que... Eu não somente viajei no tempo espaço, eu também vim para outra dimensão!
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