Red Ram
1 Prólogo
Notas iniciais
A claridade me desperta. Meu corpo está dolorido. Abro meus olhos lentamente. Estou numa sala branca... tudo que vejo são aparelhos que emitem um som ritmado e desagradável. Estou numa cama.
Um homem alto e moreno entrou de maneira brusca. Ele parou, olhou com receio, contornou a cama e falou:
- Já estava na hora de acordar. — seu tom era calmo e preocupado.
Minha voz falhou e não consegui respondê-lo. Eu devia estar a muito tempo ali...
Meus músculos enrijeceram, meu coração disparou e a máquina estranha o acompanhou.
- O que houve comigo? — minha voz saiu rouca.
Tentei me lembrar de como tinha parado ali, mas não lembrei de nada. Literalmente nada. Outra rodada de pânico passou por mim até que ele voltasse a falar.
- Esperava que me explicasse isso — sua voz se tornou pesada e percebi que procurava palavras para me dizer — Te acharam a poucos metros desse hospital. Você estava em péssimas condições. Devia ter saído de um acidente, mas não encontramos vestígios de nada concreto.
Minha cabeça estava um tumulto. Quem eu era? O que esta acontecendo, que acidente, eu não me lembrava nem do meu rosto...Mas apenas acenei a cabeça e perguntei:
- A quanto tempo? — minha voz saiu melhor, de alguma maneira calma e decidida. Não sabia o porquê, mais era melhor demonstrar calma.
- Você ficou em coma por quatro meses — relutou ele e esperou por uma reação minha, que não viria.
Apenas acenei.
Por dentro minhas emoções e pensamentos estavam confusos e desordenados, mas por fora eu não mostraria nada! Não tinha porquê, só não tinha a menor vontade de mostrar.
Tentei me lembrar, tentei não consegui. Tentei não chorar, nisso tive sucesso, meus olhos sequer ardiam, havia a vontade, havia o medo, mas havia algo...Um instinto, talvez. E naquele momento me decidi.
O doutor estava quieto, olhando ainda esperando meu desespero suponho, mas eu não ia lhe mostrar minha dor. Então fiz a única pergunta que poderia fazer sem chorar.
- Posso me olhar no espelho?
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