Red Leaf
1 Prólogo
Quando você passa a vida toda sonhando alto...
Sonhando em ter uma grande aventura, com espadas e monstros....
Você se machuca ao perceber a realidade.
Fantasias assim não existem, e nunca vão existir.
E não há nada capaz de mudar isso.
Ou ao menos era assim que eu pensava...
***
Meu nome é Inubashiri Momiji. Eu tenho 17 anos, e vivo na cidade de Harashima junto com minha mãe viúva. Meu pai faleceu antes mesmo que eu pudesse nascer, e desde então minha mãe tem se esforçado sozinha pra que eu pudesse ter uma boa vida. Desde pequena vi minha mãe se dedicando tanto, e isso me deixou motivada a dar o meu melhor. Quando tinha 14 anos, fui matriculada na St. Fuuga, um colégio no centro de Harashima. Daí em diante, eu iria me esforçar ainda mais... mas eu não contava que um certo alguém iria aparecer e me fazer perder o título de aluna exemplar, e passar a ser uma aluna regular. Minha mãe não ligou tanto na época, mas sei que ficou decepcionada. Tenho passado por uma mesma rotina desde que me tornei uma estudante como os outros. Devo admitir, não sinto a menor vontade de voltar para aquela vida, já que agora eu tenho...
“Inu-chan! Perdeu o cérebro em outro lugar?” – A voz masculina me tira de minhas lembranças.
Estou na sala de aula, sentada na carteira da frente, encostada na janela. Estou vestindo meu uniforme de colegial feminino, sem a jaqueta azul escura e a gravata vermelha. Não gosto nenhum pouco do uniforme, mas enquanto não puder usar minhas roupas, vou usar ao menos um estilo pessoal.
Olho em direção à voz que antes me chamou. Vejo logo à minha frente, o rosto de Takashi, e ele está perto demais. Me afasto às pressas enquanto coro.
“T-takashi? O que foi?” – Levo a mão em sua direção, para que se afaste.
“Já é hora do intervalo, gatinha. Todo mundo já está saindo, melhor irmos pra não perdermos nosso lugar!” – Ele logo segura minha mão e me puxa junto com ele, me levando pra fora da sala.
“Precisa de tudo isso, sr. Machão?” – Puxo minha mão, e ele a solta. Ele sempre foi forte, o que é surpresa pra alguém sedentário como ele. Como pode ter tanta força?
“Desculpa.” – Ele suspira e leva a mão à cabeça, desarrumando seus cabelos castanhos – “É que se não formos logo, vamos perder o lugar embaixo da árvore que você adora.”
Era verdade. Eu amava sentar abaixo daquela árvore e ver suas lindas folhas vermelhas caírem no outono. Era algo digno de uma pintura, de tão lindo... Aceno com a cabeça, e ambos apressamos o passo para chegar no dito lugar. Não era tão longe da escola, ficava logo nos fundos: O que deixava um alvo perfeito pra relaxar. Caminhamos rapidamente até o banco, e nos sentamos. Só de estar lá me deixava melhor...
“Ei, Inu-chan.” – Takashi trouxe consigo uma lancheira. Percebo que esqueci a minha – “Diga ‘Ah’”
Ele retira do bolso seu hashi, e pega um punhado de arroz de sua lancheira que tem arroz frito, camarão, e um pouco de legumes. Parece tão saboroso... Ele leva o hashi com o arroz em minha direção, e percebo o que ele quer. Me afasto, meu rosto fica vermelho de vergonha.
“E-espera, você não quer...?”
“Sim.” – Ele sorri pra mim. Esse sorriso sempre me venceu.
Inflo as bochechas coradas e depois abro a boca. Ele enfia, com cuidado, o arroz em minha boca aberta. Começo a mastigar.
“O que achou?” – Ele me olha curioso.
Termino de comer aquela delícia – “Estava ótimo! Sua mãe caprichou dessa vez, hein?”
Ele me olha irritado.
“Fui eu que fiz.”
Oh...
“E-estava ótimo, parabéns, Takashi...!”
Takashi volta a atenção ao seu lanche e começa a comer. Ele raramente cozinha, que culpa eu tenho em achar que foi a mãe dele? Observo o resto dos estudantes passando, e alguns olham para nós rindo. Acham que somos um casal... gosto disso.
Passamos o resto do intervalo conversando sobre inutilidades, e então voltamos à sala. Aula de matemática... detesto. Nada daquilo entra na minha cabeça.
Depois da aula, Takashi me acompanha até minha casa, como sempre. Desde pequenos nos conhecemos, e ele sempre fez questão de não deixar que eu fosse sozinha para casa. Sempre tão cuidadoso comigo... é difícil saber como ele me vê.
Ele me deixou em frente à casa e se despediu, indo embora. Fico parada por uns segundos em frente à minha casa, observando-a. É uma casa comum, como todas as outras. Nada que pudesse se destacar, com exceção porta da frente, que é de madeira e tem uma espécie de talismã pendurado no meio dela. Minha mãe sempre teve esse lado religioso, acreditando que esses talismãs iriam manter os maus espíritos longe da nossa casa. Tudo bobagem. Como se demônios, yokais e outros espíritos existissem.
Entro em minha casa, e retiro meus sapatos. É uma tradição comum. Vou até a cozinha e encontro a minha mãe, ocupada preparando o almoço de hoje. Decido simplesmente subir as escadas até o meu quarto e entrar. Meu quarto é simples, com a temática primariamente branca, uma cama ao lado da janela, com um criado-mudo. Um guarda-roupa encostado na parede, e um quadro com a pintura de uma floresta densa. E claro, um talismã na janela.
Solto um suspiro e me deito na cama, jogando a mochila no chão. Esse seria um belo momento pra... descansar um pouco.
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