Red Duchess
10 Novo Rei
Haviam de passado dois dias. Kristen estava entediada e David ainda não acreditava que ela havia resolvido os problemas.
— Você não resolveu nada não é? E quanto tempo você ainda vai ficar? Era frequentemente perguntado a Kristen que sempre mudava de assunto.
David já havia ficado sem paciência e resolveu ignorar o assunto por enquanto.
Ainda era de manhã quando o interfone tocou. Um pacote estava subindo. David não estava esperando nada, por isso ficou curioso.
Dindong. A campainha tocou. David abriu a porta e não havia ninguém, apenas um pacote enrolado com um plástico negro e elegante.
Isso atiçou ainda mais sua curiosidade. Kristen percebeu a movimentação.
— O que é isso? Disse ela
— Você viu que eu ainda não abri? E eu não tenho visão de raio-x! Por acaso você tem? David estava ironizando, mas tinha um tom de seriedade na pergunta. Ele realmente queria entender a extensão dos poderes de um centenário. Agora que era um.
Ao abrir o pacote havia um estojo de veludo. Tudo era muito elegante e formal. David logo compreendeu que era uma mensagem da elite.
— Abri logo, estou me roendo de curiosidade.
David a olhou desconfiado. Ao abrir havia um pergaminho enrolado, que estava escrito:
Para David Collins
A elite solicita sua presença. Estaremos te esperando no centro de reuniões , amanhã logo quando anoitecer. Não falte, ou sentiremos sua falta.
Localização
Terceira Avenida, 2001.
David sentiu o tom de ameaça no convite. Mas não se importou. Ele iria de qualquer forma.
Kristen olhava animada para David.
— Me conte o que é! Ela parecia uma criança.
— Posso até te contar. Mas você não vai!
— Me conta, depois eu vejo se eu vou ou não.
— Você não vai! Ele disse com firmeza
Kristen fez biquinho.
— Às vezes você não parece que é mais velha que eu.
— Não me chame de velha. Sou apenas mais experiente. Muito mais.
David contou para ela. O que não despertou o interesse de Kristen.
— Pode ficar tranquilo. Não vou para essa reunião de velhos decrépitos.
David se sentiu aliviado.
— Quando você for nessa reunião. Chame seus amigos para me fazerem companhia.
— Nunca, e você sabe disso.
— Quanto mais velho você fica, a sua chatice também aumenta.
A noite passou rápido e o dia mais ainda. David já estava se preparando para a reunião. Vestiu um terno não muito chamativo e uma gravata sóbria.
Quando Kristen o viu disse.
— Você nunca se veste tão formal. Estou enxergando Isaac na minha frente.
David sabia que o nome do seu pai era Isaac. Já tentou perguntar a Kristen sobre ele, mas ela não respondia. Só dizia que ele não precisava saber do que já havia passado.
Mas a curiosidade de David não diminuía por causa disso.
— E você o que vai fazer essa noite?
— Ah, vou conhecer os bares da cidade.
–-- Hum, não apronte nada.
— E quando eu aprontei alguma coisa? Sou uma dama educada e discreta.
David riu.
— Não ria de mim. Disse ela parecendo divertida.
Para não amassar seu terno e passar uma boa impressão, David alugou um Audi R8 preto. O local de encontro ficava há apenas dez minutos, mas para David o tempo passou devagar. Ele ainda estava tentando se acostumar com as novas sensações que a idade o proporcionara.
O local do centro de reuniões ficava em um grande prédio de escritório, havia um manobrista na entrada. David deixou o carro e foi em direção ao Hall. Com o convite em mãos. A recepcionista o encarou com um sorriso amplo.
— Boa noite, senhor...
— David Collins .
— Sim, sim. Disse a moça digitando.
— O senhor Ivanov já está a sua espera.
David ficou confuso e não reconheceu o sobrenome dito por ela. Mas resolveu deixar isso para lá.
Com as instruções da moça, David pegou o elevador e se dirigiu até o vigésimo andar, onde ficava o auditório.
Ele notou uma movimentação de pessoas em roupas formais, chegou a reconhecer algumas delas.
— Pelo jeito eles convidaram todo mundo — Disse David baixinho quando se aproximou do auditório e notou que a grande maioria dos lugares estava ocupado.
David se acomodou na última fileira, ele estava do lado de um homem de aparência suspeita, que estava usando um perfume forte e enjoativo. O olfato de David antes já era poderoso, mas agora ele conseguia distinguir todas as notas no perfume. Isso tirou a atenção de David por alguns segundos então ele não notou quando um homem, aliás um vampiro que ele nunca havia visto, estava a frente.
— Caros senhores.
Ouve uma comoção no local, não era só David que não conhecia o homem.
— Sei que a maioria de você não me conhece. Mas a partir da data presente eu serei o novo rei e representante de Nova York e Massachusetts, regiões que antes cabiam a Gerrard.
A comoção aumentou consideravelmente, todos estavam confusos. Até as pessoas próximas a Gerrard estão sem saber o que fazer.
Mas o homem continuou.
— Nosso líder, domina a costa leste, e dividiu essa região em 4 grandes distritos. Antes eu era responsável por toda a região sul. Gerrard só tinha que cuidar de dois estados e nem isso fez direito. Ele deixou alquimistas invadirem esses territórios.
— Alquimistas? – David disse alto o bastante para ser ouvido
— Sim. Alquimistas. Eu tenho 60 anos de renascimento. Como Humano eu nasci em 1924 e renasci em 1954. Nos anos 50 tínhamos sérios problemas com os alquimistas.
Fui transformado para ajudar a combater esse tipo de humano. Creio que ninguém aqui enfrentou algum deles. Eles são humanos que estão atrás da vida eterna, e eles fazem uso da nossa raça para conseguir isso. Mas eles não usam métodos tradicionais de caça. Eles são antigos e perigosos. Mas não há com o que se preocupar. Já lidei com eles antes e vou lidar com eles agora. Então peço que jurem lealdade a mim, para que eu possa dar continuidade ao extermínio desses seres.
— Isso só pode ser brincadeira. – Falou uma mulher na frente de David.
— Eu nunca vou jurar lealdade a alguém que eu nem conheço.
— Qual é seu nome senhorita? – Falou o homem a frente.
— Me chamo Suzana Clitons e minha lealdade está e sempre esteve com Gerrard. – A moça afirmou.
— Venha à frente, por favor, quero que todos te ouçam.
A moça obedeceu. Ela estava usando um vestido vermelho e tinha longo cabelos dourados. Era atraente e teimosa. David já tinha ouvido falar dela, de acordo com boatos era uma das concubinas de Gerrard.
Suzana chegou ao palco. O vampiro a ajudou.
— Quantos anos têm a senhorita. – ele perguntou com educação.
— A maioria daqui sabe tudo sobre mim. Você que é o invasor. – Ela afirmou com convicção.
— Invasor? Eu já vivi nessa cidade há muito tempo. Antes mesmo da cidade se tornar o que é hoje.
De repente o vampiro projetou sua aura. Fazendo com que a quase todos se encolhessem em seus acentos. David apenas imitou os outros.
— Minha querida, quero me apresentar formalmente. Meu nome é Higor Ivanov. – O vampiro disse antes de arrancar o coração de Suzana.
Fale com o autor