Red Dress

1 Capítulo Único


Ela acordou silenciosa pela manhã não queria despertar quem dormia ao seu lado, recolheu a camisa do seu parceiro do chão e a vestiu caminhando em direção ao banheiro, ao entrar fechou a porta atrás e se olhou no espelho e analisou todas as coisas em cima da pia. Havia espuma de barbear, uma lâmina, escova de dente e uma pasta; nada mais que um típico banheiro masculino. Abriu a primeira gaveta a procura de um pente e o encontrou, deslizou pelo longo cabelo negro arrumando. Limpo-o e o devolveu em seu lugar e retirou o resto de maquiagem debaixo dos olhos.

Abriu a porta para o quarto ainda tentando fazer o máximo de silêncio possível. Encostou no batente da porta e encarou o homem na cama em seu sono profundo, ele era muito bonito com seus cabelos negros bagunçados e um porte atlético, sua pele clara de descendência europeia e os olhos azuis que não podiam ser vistos. Entrava um pouco de luz pela janela, a garota procurou seu celular para certificar a hora, mas não estava apressada para ir embora então logo desistiu de sua busca.

Deitou na cama novamente, no lugar que estava libre e fechou os olhos lembrando da noite passada e como fora parar ali. Ela trajava um vestido novo vermelho que comprara forçada por uma amiga e acabou se acostumando com a cor e sem saltos altos, porque assim se sentia livre. Entrou na balada acompanhada de mais duas amigas que arrastaram até ali. Fumou um ou dois cigarros antes de entrar e bebeu duas doses de tequila no bar e desejou que o DJ continuasse tocando as músicas que gostara. Não era uma boa época de sua vida para entrar em uma balada, acabara um namoro longo e o que mais desejava era ficar em casa. Mas quando se torna solteira recentemente as pessoas se sentem na obrigação de te levar para curtir uma saída daquelas. A garota deu risada da situação. Abriu os olhos para certificar se homem não havia acordado.

Ela se lembrou que logo a bebida havia feito efeito e se sentiu mais leve e correu com suas amigas pro meio da pista, uma delas até disse que a balada havia feito bem para ela. Mas a garota ainda não concordava, apenas queria curtir a música que tocava sem se importar com o que ocorreria amanhã.

Um homem se aproximou dela, não como os cafajestes faziam com uma cantada sem graça ou dançando se aproximando para um beijo, mas com respeito e perguntando se queria conversar. Eles caminharam até o bar e pediram um cerveja e foram fumar um cigarro. Ali ocorreu a magia ou era o que ela pensava. Talvez a bebida subiu demais e ela acabou cedendo mais rápido que queria.

Os beijos se tornaram mais quentes e então o percurso do carro não foi até a casa da morena, mas do seu acompanhante. Ela gostou de como estava indo, ele era carinhoso, tinha um bom emprego e uma conversa que fluía.

Foi então no que tudo se deu, eles curtiram a noite e ela acabou adormecendo por ali.

O telefone dela toca, com uma música que lembrava o seu ex e lembrou que deveria trocar aquele toque logo. Levantou em um pulo, assustada já que não esperava por aquilo. Não olhou no visor do celular, porque nunca foi seu hábito, apenas atendeu com um simples alô.

- Bom dia — a voz do outro lado disse.

Ela encarou o homem deitado na cama, acordando por causa do toque do seu celular, ainda meio sonolento. Ela fez uma cara de desculpas e sussurrou um perdão.

- Quem é? — perguntou em seguida não reconhecendo a voz do outro lado da linha.

O silêncio foi assustador. Até que a voz masculina do outro lado se pronunciou.

- Amor, sou eu.

Era seu ex, ela não acreditava que ele poderia ligar aquela hora e muito menos depois de tudo que havia feito.

- Não posso falar agora — foi a melhor resposta que encontrou.

Embora não houvesse desligado, porque queria uma explicação do telefonema.

- Quero falar com você sobre nós.

Então o cafajeste se arrependera.

- Não há nada para falar — e desligou em seguida.

Ficou sem graça com a ocasião e permaneceu sentada na poltrona do outro lado do quarto longe do homem que havia passado a noite.

- Coisas complicadas? — perguntou o moreno cortando o silêncio.

- Não mais — respondeu de imediato.

Ela não tinha nenhumas intenções com o homem que havia dormido. Mas não queria explicar o seu término para ele, todos os seus amigos já estavam preocupadas demais com ela, não precisaria de mais um para se preocupar.

- A camisa ficou boa em você.

A garota agradeceu a brincadeira. E levantou percorrendo o caminho até a cama e deitando ao lado dele. Os dois permaneceram encarando o teto por algum tempo e não precisaram de palavras para dizer o que estavam sentindo.

- Vamos tomar um café? Tem um muito bom aqui na frente do apartamento — convidou ele.

Ela concordou levantando da cama e colocando a mesma roupa de ontem. Tirou um laço de cabelo que sempre carrega em seu pulso e fez um rabo de cavalo. Os dois tomaram um café e ela saberia que isso não ocorreria mais uma vez.

FIM

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