Peter orientou Alice e suas filhas para que elas permanecessem juntas até que tudo fosse resolvido e, de preferência, que ficassem junto à outras pessoas.

Ele pediu para Robert a lista de hóspedes do resort e, até que isso fosse providenciado, ele foi até a sala onde haviam colocado o suspeito do crime para tirar essa história a limpo.

Quando Patrick viu o novo ocupante da sala, tentou ignorá-lo, mas a verdade é que se sentia ainda pior, pois seu verdadeiro desejo era ser aceito pela família de Lisbon, o que era praticamente impossível, dadas as condições em que ele se encontrava.

— Patrick Jane — começou Peter

— Sim — respondeu ele

— Que ótimo partido que minha filha foi se interessar — comentou e Patrick riu para disfarçar seu nervosismo

— Veio aqui só para isso?

— Vim saber a verdade.

— O que quer saber? — disse

— Teresa me disse que ontem vocês foram à praia na hora do crime. Fora do resort — Patrick desviou o olhar e permaneceu em silêncio — Por que mentiu sobre seu álibi?

— Não queria que as pessoas tivessem uma impressão errada sobre Teresa.

— E estaria disposto a ser preso por um crime que não cometeu para não sujar a imagem de minha filha? — Patrick, mais uma vez, não respondeu — O que você e Teresa estavam fazendo fora do resort?

— Fomos à praia, como Teresa te disse.

— O que fizeram lá?

— Conversamos, namoramos — Peter o fitou — Não passamos de alguns beijos, se é isso que está pensando.

Peter soltou o ar de seu pulmão que ele nem sabia que estava segurando.

— Bom.

— Essa era a verdade que veio saber? — perguntou Patrick

— Uma parte dela. Quero saber quem foi o responsável pelo sequestro de Grace.

— E por que acha que eu saberia? — teimou

— Porque você tem fortes suspeitas. Desde aquele dia, mas se controlou para falar.

— Se eu soubesse, por que eu me “controlaria” para falar?

— Isso você que tem que me responder, não é?

Patrick olhou para o lado e ficou em silêncio por alguns segundos antes de prosseguir.

— Craig O'Laughlin — ele disse finalmente — Ex-noivo da Grace. O término não foi bom, ele é um completo idiota.

— Certo. — disse Peter e então levantou-se e foi em direção a porta

— Não vai me liberar agora que sabe que eu não sou o culpado?

Peter olhou para trás, diretamente para os olhos do rapaz.

— Não — e então saiu

***

Craig recusou-se a falar qualquer coisa, quando interrogado. Nem mesmo as melhores técnicas funcionaram.

Mas Peter era muito persistente e não desistiu até que conseguiu arrancar uma pequena informação do rapaz.

— Existem rumores por aí de que você é um jovem muito galanteador — comentou Peter

— E daí? Serei condenado por ser desejado pelas mulheres? — respondeu o rapaz de maneira petulante. Peter riu

— Que tal se me falasse sobre as mulheres que te desejam então? — o rapaz desviou o olhar e ficou em silêncio — Vamos começar por Grace. Por que terminaram o noivado?

— O senhor anda sabendo coisas demais, senhor Lisbon — disse de forma ameaçadora, embora Peter não tenha se sentido intimidado

— E se o senhor for esperto, me deixará saber ainda mais — replicou no mesmo tom

— Olha, não sei nada sobre esse assassinato! — disse o rapaz exasperado

— Quem falou em assassinato? — perguntou Peter, lembrando-se que ninguém havia mencionado a natureza do crime. Craig gelou

— Devo ter ouvido algum dos seus investigadores comentar — respondeu tentando esconder o nervosismo.

— Não, Craig. Eu e você sabemos que isso é mentira — o rapaz engoliu seco e ficou paralisado por alguns instantes

— O que você vai fazer comigo?

— Com você? Nada, por enquanto. Posso te garantir segurança se você colaborar comigo — o rapaz parecia considerar suas opções — Craig, vou ser sincero com você, Red John não vai querer saber se você nos disse alguma coisa ou não. Assim que você cruzar aquela porta, estará entregue a sua própria sorte e nós não poderemos fazer nada para te ajudar — ele respirou fundo e continuou — Mas se nos ajudar, podemos te manter seguro.

— E como faremos isso?

Peter sorriu. Poderia colocar seu plano em ação.

***

Teresa se ofereceu para fazer parte do plano de seu pai, afinal ele não desperdiçaria uma oportunidade de trabalhar junto da polícia.

Alice juntou-se em um grupo de senhoras aflitas que conjecturavam sobre o ocorrido. E, colocando o plano em ação, no salão principal, enquanto conversava com Grace pôs-se a chorar.

Não demorou muito até que Alice e outras mulheres fossem consolar a menina com o coração partido.

— O que houve, menina? — perguntou uma delas

— Meu namorado é cúmplice no crime — ele disse em meio aos soluços do choro

— Oh, pobrezinha — comentou outra mulher

— Você vai superar, querida — disse Alice — Encontrará alguém melhor

— Não quero alguém melhor, quero ele — respondeu Teresa, chorando ainda mais

— Oh, querida, eu te entendo — disse uma mulher — Rosalind e eu em nossa juventude também namoramos com rapazes que partiram nosso coração, mas nós superamos e encontramos partidos melhores. Não foi assim, Rosalind, quando você encontrou Roy? — ela virou-se para procurar a amiga, mas a mesma não estava lá — Rosalind?

***

Craig entrou em seu quarto e logo que acendeu as luzes, deparou-se com o casal McAllister.

— Nós dissemos que era para ele ser culpado do crime todo sozinho — começou a sra. McAllister — Por que, de repente, depois de conversarem com você, a polícia está considerando que ele é cúmplice?

— O que foi que você disse a eles?

— Eu não disse nada!

— Não podemos arriscar — disse Rose

— Mas eu não disse nada! — argumentou Craig

— Você não cumpriu com o combinado — respondeu Thomas retirando de trás uma faca

Rose moveu-se para imobilizá-lo.

E nessa mesma hora a polícia invadiu o lugar, pegando Red John em flagrante.

— Roy Tagliaferro e Rosalind Harker — disse Peter — Ou devo chamá-los por seus nomes reais? — mas os dois nada responderam


E, finalmente, o caso Red John havia sido solucionado.

Notas finais
No próximo capítulo... Peter tenta mais uma vez convencer Teresa de que Walter será melhor para ela.