— Essa é a parte chave da dança — dizia Patrick — Depois do salto, só repetiremos alguns passos que já treinamos e então finalizamos.

— Ok, vamos começar então.

O salto, porém, não obteve sucesso. Tentaram diversas vezes, mas nada adiantava.

— Você tem que confiar em mim, ou nunca faremos o salto! — disse Patrick

— Eu confio em você — retrucou Teresa e o rapaz respondeu-a com um olhar duvidoso — O quê? Eu confio!

— A chave para uma dança, Teresa, é a confiança. Prove que confia em mim — desafiou

— Como?

— Fique aí — ele andou até ela e a posicionou de costas para ele — Ok… Agora caia para trás.

— O quê?

— Caia para trás. Confie em mim.

Teresa respirou fundo, fechou os olhos e fez com que seu corpo caísse para trás. Mas na metade do caminho teve medo, e voltou a posicionar-se em pé.

— Então você não confia em mim — Patrick disse

— Não é isso, Patrick, é só que… É estranho.

— Estranho como?

— Como posso confiar dessa forma em você se mal te conheço?

O rapaz parou por alguns instantes e então prosseguiu:

— Venha! — ele disse puxando-a pela mão para fora do salão de ensaios — Vamos sair daqui.

— Para onde vamos? — Mas o rapaz a ignorou e continuou andando até eles chegarem ao carro

— Entre no carro — disse Patrick

— Para onde você quer ir? — ela perguntou novamente

— Paciência, menina. Entre! — e ela entrou no carro, vencida pela insistência do rapaz

Patrick a levou até uma praia próxima ao resort.

— Achei que iria gostar do lugar, já que não teve tempo de ir por causa dos ensaios… — disse ele

— Na verdade eu fui à praia do resort

— Com o Walter — respondeu — Quando a companhia não é boa, Teresa, nem mesmo a praia ajuda! — zombou

— Walter é uma boa companhia!

— Ah, sem dúvida! — ironizou, fazendo Teresa rir.

— Então está dizendo que será uma companhia melhor

— Que isso, Teresa. Me comparar ao Walter! Eu nem precisaria fazer muito esforço para ser melhor que ele.

Teresa gargalhou.

— O que foi que ele te fez de tão ruim assim? — Teresa perguntou inocentemente e o semblante de Patrick caiu na hora

— Quer tomar um sorvete? — mudou de assunto

— Pode ser — respondeu Teresa envergonhada.

— Por que me trouxe aqui?

— Bem, não conseguiríamos progredir em nada hoje. E como você disse, não tem como confiar em alguém que você não conhece, então pensei que podíamos nos conhecer melhor.

— Está bem — Teresa sorriu

As horas passaram e o Sol já se punha no horizonte. Patrick e Teresa conversaram sobre tudo, desde as coisas mais triviais até as mais íntimas.

— Ok, te contei sobre meu último namorado. Me conte sobre sua última namorada — disse Teresa

— Oh, estava com medo que você me perguntasse isso — respondeu Patrick envergonhado — Tem certeza? Não é uma história boa de ouvir — Teresa assentiu — Ok, lá vai!

Ele respirou fundo e prosseguiu:

— Lembra quando você perguntou o que Walter tinha feito de ruim para mim? — ela assentiu novamente — Bem, ele “roubou” a Angie de mim.

— Sinto muito.

— Obrigado, mas já faz muito tempo isso. Ela era a garota mais linda que eu já tinha visto. Nós nos conhecemos aqui no resort, ela era dançarina também — ele olhou para o horizonte em sua frente — Eu costumava trazê-la aqui para esta praia. Nós ficávamos horas aqui.

— E o que aconteceu?

— Até hoje eu não sei direito. Um dia ela me disse que estava apaixonada por outro e então o “outro”, eu descobri depois, era o Walter. Eles namoraram por seis meses, até onde eu sei. Aí a temporada de férias começou novamente e agora me parece que ele tem outras “coisas” em mente — ele olhou para ela, piscando um olho, mas antes que ela pudesse responder, ele continuou — O bom é que agora eu sinto que estou seguindo em frente, sabe? Igual quando o Greg terminou com você… Nem pensei tanto na Angie nesta última semana.

— Fico feliz por você. Ninguém deve ficar preso ao passado.

— Pois é… — ele respirou fundo mais uma vez — Não me leve a mal, mas… Não deixe de sair com o Walter por causa do que eu te contei. Apesar de tudo, ele é um cara legal.

Teresa sorriu.

— Será que podemos fazer aquele teste de confiança agora? Preciso ver se todas essas calorias que você me fez consumir no sorvete valeram a pena — brincou

Os dois levantaram e se posicionaram no lugar adequado para fazer o teste.

Teresa, como na última vez, fechou os olhos, respirou fundo e pensou na tarde que tivera com Patrick e de como ela se sentia todas as vezes que ela via seu sorriso, e de como isso nunca havia acontecido com o Walter, mesmo depois de várias tardes que passaram juntos.

E então caiu para trás por completo, desta vez e Patrick a segurou, antes que ela pudesse cair no chão.

Quando se levantou, olhou para Patrick e não resistiu o impulso de abraçá-lo.

— Confio em você — sussurrou

— Obrigado por estar ajudando Grace — ele sussurrou de volta

E então o grande dia chegou.

Borboletas no estômago, e uma desculpa esfarrapada na ponta da língua. Foi assim que Teresa saiu de sua cabine aquela tarde.

Alice viu através da mentira que Teresa contou, mas preferiu não comentar nada. Ela sabia que Teresa era responsável e que não se meteria em confusões. Mas por via das dúvidas, Alice decidiu seguir a menina para ver onde ela estava indo.

Teresa respirou aliviada ao sair da cabine. Hoje nada pode dar errado, ela pensou e logo após ela avistou um homem caminhando em sua direção.

— Aí está você! — disse Patrick — Está linda.

— Obrigada — sorriu tímida — Você também não está mal…

— Obrigado! Vamos?

— Vamos!

“Então é isso” pensou Alice que observava a cena. “Teresa não quer que Peter descubra que ela terá um encontro com um funcionário do hotel” e sorriu. Parece que Teresa estava conhecendo as alegrias da vida.

“Só espero que ela se lembre da minha conversa”.

Durante o jantar, Alice fez de tudo para que Peter não visse Walter no salão principal, já que Teresa havia dito que estaria com ele durante o jantar.

A apresentação foi um sucesso.

Bem, quase um sucesso. Apesar de todos os treinos e da confiança mútua, Teresa não conseguiu fazer o salto. Mas, de resto, todos gostaram muito e aplaudiram o casal.

— Foi muito legal — disse Patrick, enquanto dirigia de volta para o resort — Você dançou muito bem, Teresa.

— Não consegui fazer o salto

— A primeira vez é assim mesmo. Ficamos com medo da grande platéia. Mas você se saiu muito bem.

— Obrigada. Foi muito bom ter passado esse tempo com você — Teresa sussurrou envergonhada

— Sério?

— Sim. Você é um ótimo professor de dança — ela sorriu — Me senti como se fosse a própria Grace no palco — os dois riram

Não demorou muito para que eles chegassem no resort e assim que desceram do carro, os dois ficaram olhando, tímidos, um para o outro. Nenhum dos dois queria dizer “adeus”, receosos de que aquela seria a última vez que sentiriam aquele palpitar acelerado no coração.

— Bem, então… É melhor você ir antes que seus pais descubram sua mentira

— Verdade — Teresa concordou — Então, tchau.

— Hey — ele a chamou, antes que ela fosse embora — Nós nos falaremos depois, não é? Quer dizer, só porque já fizemos a apresentação, não significa que não conversaremos de novo, certo?

E Teresa não resistiu, novamente, ao impulso de abraçá-lo.

— Por mim podemos nos falar sempre que quiser! — ela murmurou

— Gosto de você, Teresa — ele disse e a menina se afastou do abraço para olhá-lo nos olhos, tentando entender o que ele queria dizer com aquilo.

E o que viu em seu olhar foi a mais pura sinceridade que ela já havia visto. E, novamente, não resistiu ao impulso e beijou-o. E ele correspondeu no mesmo instante, para comprovar que ela estava certa: era exatamente aquilo que ele queria dizer.

Quando o ar fez falta, ambos interromperam o beijo, permanecendo de testas coladas.

— Patrick! — gritou Wayne de longe fazendo com que eles se afastassem por completo em um pulo.

“Tinham que ser o Wayne para estragar o momento”, pensou Patrick.

— A Grace! — o rapaz continuou, ofegante, quando os avistou na garagem — Ela sumiu.

Notas finais
No Próximo Capítulo... Grace voltava da cirurgia de sua sobrinha (que, aliás, havia sido executada com sucesso) e logo na entrada do resort foi abordada. Colocaram-lhe uma fita na boca, uma faixa para cobrir os olhos, prenderam suas mãos e pés com uma corda e a carregaram por vários minutos, até soltarem-na em algum lugar. Depois disso houve silêncio. Nenhuma das tentativas de Grace de se soltar, ou de gritar por ajuda deu resultado.