Red Dancing
2 Capítulo 1
A viagem demorou seis horas quase exatas, e logo ao chegarem, toda a família se sentiu aliviada em poder sair do carro e esticar as pernas.
— Oh, não! Isso é uma tragédia — disse Kim à sua mãe — Deveria ter trazido aquele vestido!
— Não seja dramática, Kim — respondeu Peter Lisbon
— Tragédias são as coisas que o papai vê todo dia — adicionou Teresa, e Peter sinalizou com as mãos, concordando com o comentário de sua filha.
— Argh! Mãe? — resmungou Kim
— Calma, filha. Trouxemos outros vestidos.
— Mas aquele era perfeito para esse lugar.
Todos riram das queixas da menina.
— Ora, ora se não é Peter Lisbon!
— Sr. Mashburn!
— Oh, por favor, me chame de Robert — o homem então virou-se para os outros membros de sua família — Se não fosse por este homem, eu estaria morto. E ainda não teria o que deixar de herança para meus filhos e netos.
— Só fiz o meu trabalho.
— E ainda é modesto — retrucou Robert — E então estas são suas meninas?
— Sim, esta é Alice, minha esposa. Estas são Teresa e Kim, minhas filhas.
— É um prazer!
— O prazer é nosso — responderam elas
— Preparei a melhor cabine para vocês — ele virou-se para o rapaz ao seu lado — Wayne, pegue as malas deles e leve para a cabine.
— Sim senhor — respondeu o jovem, pegando as chaves do carro para abrir o porta malas
Teresa apressou-se para ajudar o rapaz, pegando algumas malas e colocando-as no chão.
— Está procurando um emprego aqui? — perguntou Wayne
Teresa apenas riu em resposta. O rapaz então estendeu a mão e disse:
— Wayne Rigsby — a menina apertou a mão estendida
— Teresa Lisbon.
— Muito obrigado pela ajuda, Lisbon.
A família foi instalada em sua cabine, que era de fato muito confortável e possuía dois quartos.
Logo que chegaram, apressaram-se em se arrumar para atender a um convite de jantar feito pelo sr. Mashburn, o que era uma grande honra , especialmente para Peter.
O crescimento financeiro dos Lisbon veio de repente.
Marie, mãe de Teresa, trabalhava como enfermeira em um hospital e Peter era chefe de uma delegacia. Não ganhavam muito, mas tinham uma vida confortável.
Depois que Marie faleceu, Peter mudou-se de Chicago para Califórnia e buscou um emprego na Agência de Investigação da Califórnia e como suas recomendações eram boas, conseguiu uma vaga como Agente Júnior e logo depois, foi promovido a Agente Sênior e então à chefe de unidade.
Teresa ficou muito orgulhosa de seu pai, e desde cedo escolheu seguir a mesma carreira que ele. Ela desejava mudar o mundo, trazer justiça às pessoas, e acabar com o mal.
Peter a apoiava e fez de tudo para conseguir colocá-la dentro da academia de polícia.
Alice, no entanto, vinha de uma família que já tinha algumas posses. O falecido sr. Fischer era um homem de negócios e deixou uma boa herança para ela e Kim.
Mesmo com o novo status social, Peter e Teresa mantinham seus gostos e costumes muito simples. Era raro vê-los ostentar algo.
Ao contrário de Alice e Kim, que viviam enfeitadas com seus vestidos e suas jóias.
Peter, no entanto, fazia questão de presentear Teresa com todo tipo de mimos possíveis.
Tanto que se orgulhou de seu trabalho pois Teresa não era uma daquelas meninas fúteis, mas andava sempre adornada, sem exageros.
E foi por sua simplicidade que terminou de se aprontar mais cedo que todos.
— Por que não vai dar uma volta, Teresa? — sugeriu Alice
— Isto, dê uma volta — concordou Peter — Ainda falta tempo para começar o jantar.
“Bem, o que pode ter de errado com uma simples voltinha, certo?” pensou Teresa e logo se despediu, dizendo que os encontraria no salão principal.
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— Relaxem, senhoras e senhores — dizia Wayne Rigsby no megafone — teremos diversas atrações ao longo desta temporada. Amanhã teremos desfile de perucas para as moças!
— Hey, Wayne! — disse Teresa
— srta. Lisbon!
— Me chame de Teresa.
— Desculpe.
— Está tudo bem.
— Então, não vai jantar com o sr. Mashburn?
— Sim, mas resolvi dar uma volta antes.
— Bem, neste caso poderia te mostrar algumas coisas por aqui.
— Seria ótim…
— Wayne! — gritou um homem a distância — Sr. Mashburn está te chamando no salão principal
— Bem — Wayne olhou sem graça para Teresa — Acho que tenho que ir. Mas te mostro o lugar outra hora, se quiser.
— Claro, sem problema.
O rapaz saiu apressado e a curiosidade de Teresa foi atiçada. “Já tenho que ir para o salão principal mesmo, por que não ir agora?”
Teresa espiava por entre a fresta da janela.
— Cho será o encarregado da gerência este ano — dizia Robert — Façam como ele mandar, e tudo estará bem. Sejam gentis com a família que vocês forem atender e não se metam em encrencas.
— E quanto ao Patrick Jane, senhor? — perguntou o asiático
— Alguém falou meu nome? — respondeu um homem de cabelos loiros enrolados
— Você — começou Robert irritado — Não se meta em confusão. Não quero saber de você se encontrando com nenhuma hóspede fora do seu expediente, estamos entendidos?
E o sr. Mashburn logo saiu resmungando ameaças.
— Acha que consegue não se encontrar com nenhuma hóspede fora do expediente, Patrick? — provocou um dos funcionários
— Vá limpar mesas, Craig. Deixe as mulheres comigo — respondeu o rapaz e saiu, derrubando alguns guardanapos que estavam sobre a mesa.
Logo chegou a hora do jantar e toda a família Lisbon sentou-se à mesa.
— Peter, este é Craig O'Laughlin, ele será o garçom de vocês.
— Muito prazer — disse o rapaz
— Craig, façam tudo quanto lhe pedirem, certo?
— Sim senhor.
— E vocês estão gostando do resort? — perguntou Robert
— Sim, estamos amando. Este será o último verão de Teresa conosco — respondeu Peter
— Oh? Irá para a faculdade, Teresa?
— Para a academia de polícia.
— Tenho certeza que será tão bem sucedida quanto seu pai — ele fez um gesto com as mãos — quero lhes apresentar meu neto, Walter.
Logo um rapaz alto de cabelos pretos, usando uma camisa de gola alta vermelha por baixo de um paletó aparece ao seu lado.
— Walter, quero que conheça Teresa. Ela irá entrar para a academia de polícia no ano que vem.
— É um prazer, Teresa — disse o rapaz, levando a mão da menina até sua boca para beijá-la
— Está convidado para jantar conosco, Walter — disse Peter
Teresa arregalou os olhos para seu pai, mas não recebeu nada mais que um sorriso em resposta. Ela logo sorriu forçadamente para o rapaz, que sentou-se ao seu lado.
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O jantar fora uma tortura sem fim para Teresa. Nunca suas bochechas tinham ruborizado tantas vezes seguidas, como com os comentários de Walter Mashburn à mesa.
O rapaz parecia um bom partido, e era muito bem educado, mas era presunçoso demais, na opinião de Teresa.
E logo depois, os convidaram para a pista de dança e Teresa fora impelida a aceitar uma ou duas danças com o neto do sr. Mashburn.
Até que ele dançava bem. Não fez com que parecessem crianças, com muita distância entre os dois, e também não invadiu o espaço pessoal de Teresa.
Às vezes fazia algum comentário sobre os outros casais na pista de dança e a fazia rir.
“Ele definitivamente sabe como galantear uma mulher” pensou Teresa.
Com sua visão periférica, Teresa viu seu pai e Alice rindo e olhando para ela e Mashburn, o que fez suas bochechas ruborizarem mais uma vez naquela noite.
Com a desculpa de que já estava cansada, Teresa esquivou-se de uma terceira dança, e encaminhou-se para sua cabine.
No meio do caminho viu Rigsby carregando três caixas, deixando-as à beira de cair a cada passo que dava.
— Deixa eu te ajudar — disse ela e correu em direção ao menino.
— Estou começando a achar que realmente quer um emprego aqui — disse o rapaz, divertido
— Quer ajuda ou não? — perguntou Teresa, irritada
— Adoraria, srta., mas não pode subir para o alojamento dos funcionários.
— Por quê?
— Não é permitido — ele respondeu — Além de que, tenho certeza que seu namoradinho Mashburn não iria gostar nem um pouco…
— Ele não é meu namorado — Teresa esbravejou e, colocando a caixa que havia pego de volta nos braços do menino, saiu andando
— Promete que guardará segredo? — perguntou Wayne
Teresa deu meia volta, pegou novamente uma caixa das mãos do rapaz e ambos subiram uma escadaria.
No alojamento acontecia uma festa particular dos funcionários. A música alta e agitada combinava com o clima de euforia e animação e todos no recinto eram contagiados por esse humor.
Pouco a pouco, Teresa conseguiu passar pelos casais que dançavam colados e chegar ao fundo, onde Wayne repousava as caixas que segurava em suas mãos.
— Imagina se eles dançassem assim no salão principal — comentou Rigsby — seu sogro ia ter um infarto — Teresa socou o braço dele, após esse comentário
— Mashburn não é meu namorado!
— Ah, ai. Está bem. Desculpe.
Antes que ela pudesse fazer outro comentário malcriado, a porta do alojamento se abriu novamente e Patrick entrou, ao lado de uma mulher ruiva.
— Ela é linda, não é? — disse Wayne, hipnotizado
— Sim, ele é — respondeu Teresa
Wayne franziu a testa com o comentário dela, e a encarou, esperando por uma explicação.
— Quero dizer, ele.. Não, ele é.. Quero dizer… — gaguejou a menina — Esquece!
— Vou fingir que esqueci que você disse que acha meu primo Patrick bonito, porque não quero apanhar de novo
— E eu vou fingir que não sei que você está apaixonado pela namorada do seu primo.
Eles apertaram a mão como se selassem um pacto.
— O nome dela é Grace, e ela não é namorada do meu primo.
— Rigs, o que ela faz aqui? — perguntou Patrick, entrando de supetão na conversa dos dois
— Ela me ajudou com as caixas — explicou-se o menino — Prometeu guardar segredo
— Rigs, qual é! De todas as garotas para você se interessar e trazer aqui, você escolhe justo a namoradinha do Walter?
— Ah, então a idiotice vem de família? — interrompeu Teresa, deixando os rapazes boquiabertos — Mashburn não é meu namorado! E se quiser que eu vá embora, é só dizer.
— Oh, desculpe, madame. Seu servo está às ordens, fique à vontade — ele fez um sinal de reverência e voltou para a pista de dança
— Idiota! — resmungou
Patrick ao ouvir o comentário dela, deu meia volta e a puxou pelo braço, mesmo contra sua vontade e conduziu-a no ritmo da música, invadindo seu espaço pessoal, o que a deixou tensa.
Se Teresa achava que Mashburn dançava bem, ela realmente não sabia o que pensar de Patrick, pois ao invés de conforto e pequenos flertes, ela sentia seu corpo quente e parecia que a única coisa que sabia fazer era suar.
Não conseguia pensar em nada, quanto mais formular frases.
E quando ela menos esperava, Patrick a deixa no meio da pista de dança sorrindo como uma boba.
“Recomponha-se, Teresa!” ela pensou e, disfarçadamente, saiu de dentro do alojamento, encontrando um vento gelado do lado de fora, contrastando com a temperatura de seu corpo.
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— Achei que estava cansada — disse Alice que estava sentada na varanda, quando Teresa chegou à cabine onde estavam hospedados.
— E estava. Me perdi no caminho para cá — mentiu e Alice riu
— Não precisa mentir para mim, Teresa. Sente-se aqui — e ela o fez — Conte-me, o que estava fazendo?
— Conhecendo o lugar, apenas.
— Certo. E encontrou alguém interessante?
— Não! — respondeu rápido — Aliás, o que você e meu pai estavam conversando sobre mim e o neto do sr. Mashburn?
— Nada… Apenas comentamos que ele é um bom rapaz e que vocês formam um belo casal.
— Por que todo mundo está dizendo que eu e ele somos um casal? Mal o conheço!
— “Todo mundo” quem? — Alice perguntou e Teresa percebeu a besteira que havia falado
— Ninguém. Preciso ir dormir, amanhã quero ir à praia.
— Boa noite — Alice respondeu — E não vá se perder, Teresa — brincou
— Ha-ha
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