Red

6 Capítulo 5


Era sexta feira de manhã e todos estavam muito animados com a ida para La Push no dia seguinte, afinal, o que era melhor que relaxar com os amigos depois de uma semana absurdamente estressante? Para eles, nada, mas para mim, podia ficar só ouvindo música, deitada na cama, que que ia me sentir bem melhor. Sábado estava com previsão ser de sol, o que tinha feito com que eles se animassem mais, por poder “pegar altas ondas” como Sean disse.

O dia não foi muito interessante, tinha quase dormido em todas as aulas, pela minha insônia da noite anterior; e no jantar conversei um pouco com George, que parecia feliz por estarmos conversando no geral, porque manter uma conversa entre pai e filha naquela casa era um grande feito. Avisei sobre o passeio do dia seguinte e ele sorriu, devia estar feliz por mim, que era um lixo em fazer novos amigos, e estava indo sair com pessoas novas.

No dia seguinte, na loja dos pais de Evan percebi alguns olhares nada amistosos de algumas meninas e eu tinha absoluta certeza de ter ouvido “Adam” ali no meio, mas preferi não me importar. Evan parecia excessivamente feliz ao me ver e sempre dava sorrisos enormes quando eu falava qualquer coisa com ele, mas eu tentei fazer com que o menino desse mais atenção para Laura, que parecia implorar com o olhar pela sua atenção porém não deu muito certo.

Chegamos a La Push alguns minutos depois, grupos se dividiram entre caminhar na floresta, entrar na água ou só ficar sentados na areia conversando, que foi o que eu fiz. Depois de um tempo consegui perceber um grupo de meninos, que não estavam conosco, aproximando-se e reconheci um em particular com o sorriso aberto: Seth.

Não tinha me tocado que estávamos na reserva até aquele momento. Sorri de volta e fui falar com ele, que pareceu gostar da minha atitude, colocando um braço ao redor dos meus ombros, e fomos caminhar. Ele perguntou do jipe e eu disse que estava adorando, disse que tinha consertado para que George pudesse comprar e eu achei foda, afinal, não era todo dia que eu encontrava alguém que consertava uma lata-velha e tornava em um carro ótimo.

Perguntei se ele consertava outros carros e coisas do tipo e pedi para ir ver qualquer outro dia, ele riu vendo o meu entusiasmo e disse que qualquer hora eu podia ir visitar ele.

Seth perguntou como andava a escola e eu contei tudo, até sobre a minha irritação com Adam Foy e ele torceu a cara. Interroguei o motivo da careta e ele riu, dizendo que era uma lenda boba do local, que os Foy não podiam pisar na reserva.

—Como assim? Me conta! – Pedi, tanto pela curiosidade, tanto pelo meu imenso amor por lendas e tudo isso, além do fato de me ajudar a descobrir o mistério que era Adam Foy para mim. Ele riu de novo do meu entusiasmo e começou a contar, mas antes me fez prometer não contar nada para mais ninguém.

Disse que os quileutes descendiam de lobos e que os Foy descendiam de um grupo inimigo deles, os frios. E nessa parte eu já tinha feito a maior careta de felicidade e ria internamente da lenda, já imaginando alguma batalha ou amor proibido. Seth continuou e disse que, supostamente, o seu bisavô havia feito um acordo com os frios, que eles não podiam pisar nas terras dos quileutes.

—Os frios são os maiores inimigos dos lobos, bem, dos lobisomens pelo menos... – Continuou Seth e eu comecei a ficar mais curiosa ainda. Contou que os frios eram muito perigosos, mas que alguns frios eram mais “civilizados” que outros, o que me deixou ainda mais confusa.

—Como assim civilizados? – Perguntei descaradamente encarando o menino e ele respondeu que esses frios não machucavam humanos, caçavam apenas animais. – E o que os Foy tem a ver com isso? Eles seriam que nem os frios da história então?

-Não Blake, eles seriam os mesmos. – Ele respondeu e eu senti uma corrente elétrica subir pela minha espinha, arrepiando todos os pelos do meu corpo. Ele realmente sabia contar uma história. – Bebedores de sangue, vampiros.

Encarei-o por alguns instantes antes de continuar a andar e comecei a processar a história na minha cabeça, não parecia fazer o menor sentido; Seth riu e falou que devia ter quebrado todos os tratados dos quileutes e eu assegurei que não contaria nada para ninguém, e também não era como se fossem acreditar que aquilo era mais que uma lenda boba... Não é?

Começamos a fazer o caminho de volta para onde os outros estavam, e eu afundava os pés na areia, ainda tentando processar tudo aquilo e, em vão, tentando achar uma conexão entre a lenda e os Foy. Evan veio correndo nos encontrar e eu vi o olhar invejoso de Laura sobre mim, e eu desejei que ela soubesse exatamente o que se passava na minha mente, que eu não queria absolutamente nada com Evan. Seth perguntou se aquele era meu namorado e eu ri (por mais que quisesse socar a cara dele, se Evan levasse aquilo como um incentivo) e acabei me sentindo meio culpada ao ver a cara de desapontada que Evan fez ao me ouvir dizer um alto “não”.

—Bem Blake, foi bom ver você de novo... – Falou Seth olhando para Evan, sacaneando o menino e eu não sabia se ria ou pedia que Seth parasse de implicar com ele, já era cego o suficiente para não ver que Laura gostava dele e que os dois seriam perfeitos juntos.

Levei Seth para longe do outro e disse que, caso um dia eu invadisse a casa dele, ele tinha que me mostrar onde consertava as latas-velhas e o menino riu, dizendo que se não me processasse por invasão de propriedade, ele me levaria para ver a sua “incrível” garagem (que era onde ele fazia os consertos, pelo que eu deduzi).

Evan avisou que estávamos indo embora, já que estava parecendo que ia chover logo, mesmo pelo sol enorme que brilhava no céu e ele apontou as nuvens negras que se aproximavam. Tirei o casaco que eu havia amarrado na cintura mais cedo e o coloquei, e, enquanto enfiava as mãos nos bolsos, continuei a pensar na lenda que Seth tinha me contado e o quanto ela parecia querer fazer sentido na minha cabeça.