Red

5 Capítulo 4


O dia seguinte conseguiu ser pior que a primeira semana de aula. Todos ficaram checando se eu estava bem e me paparicando como se eu precisasse disso, e o pior de tudo foi que ninguém parecia ter percebido que Adam tinha me salvado, insistiam que não o tinham visto.

As aulas de laboratório eram ainda mais desgastantes, queria ficar o mais longe possível de Adam e parecia que ele desejava o mesmo. Em minha mente era claro que ele tinha se arrependido de ter me salvado. Não me interessava nenhum tipo de conversa com ele até que ele resolvesse me dar algumas respostas, dado fato que ele não parecia nenhum pouco inclinado a dá-las, não conversamos.

E com o fato que ele não me dava as respostas que eu queria a minha curiosidade só aumentava, mas não tinha intenção nenhuma de continuar a insistir.

Enquanto repassava tudo em minha cabeça percebi que estava obcecada, e decidi que iria tirar tufo aquilo da minha mente. Eu devia estar muito desligada para perceber que ele estava do meu lado e os outros não o viram porque estavam mais preocupados comigo e com o motorista do carro, essa era a explicação, me convenci.

Percebi que Laura falava do baile de primavera, pelo qual ela estava muito animada e eu estaria também, mas não sentia o clima. Ela perguntou discretamente se podia chamar o Evan, já que ele estava claramente gostando de mim e eu respondi que ela devia chamá-lo. E foi naquele momento que eu percebi que tinha me desligado completamente do mundo a minha volta depois que havia conhecido Adam. Não havia percebido que Evan me seguia como um cachorrinho para onde quer que eu fosse e que Laura o seguia exatamente da mesma maneira. Não me lembrava mais do passeio de La Push, não tinha percebido que Sean parecia tão desligado quanto eu e que Sarah tentava a todo custo conquistar a sua atenção.

Evan veio falar comigo e disse que Laura o havia convidado, mas que ele não tinha aceitado. Perguntou se eu queria ir com ele e eu disse que iria ver a minha mãe naquele final de semana e que ele deveria ir com Laura. Ele acabou aceitando a minha resposta e vi Laura dar pulinhos de alegria. Naquele momento disse para Sarah que ela devia convidar Sean e ela ficou duvidosa, mas o fez e sua expressão logo se iluminou quando ele disse ‘sim’.

Sorri com a cena e percebi que eu havia me desligado de algo que me fazia muito bem e que eu não devia fazer aquilo de novo, mas eu não entendia porque entendia porque sentia que algo estava faltando.

Infelizmente a próxima aula que eu tinha era literatura, que até alguns dias atrás eu não havia percebido que Adam fazia comigo. Essa aula foi essencialmente estranha pela forma como o menino me encarava de tempos em tempos, o que me dava um certo medo.

Em um certo momento eu não aguentei, perguntei o que caralhos ele estava fazendo e ele riu. Apenas balançou a cabeça e voltou a encarar o professor, e aquilo me deixou com muita raiva. Ele ficava me encarando e depois se recusava a falar comigo. Juro que estava tentando seguir com o plano de deixar tudo isso de lado, mas ele dificultava muito.

Respirei fundo e saí o mais rápido possível quando o sinal tocou. Não olhei para trás. Quando senti uma mão me puxando quase gritei, mas era só Laura, ela disse que algum dia ela e Sarah iriam para Port Angeles e se eu queria ir junto. Sorri e disse que sim, pedi que ela me avisasse quando.

Em casa fiquei sem saco de preparar o jantar, então resolvi esperar George para que pedíssemos uma pizza. No meu quarto abri meu caderno de desenhos e deixei que toda a minha irritação se tornassem linhas, desenhando o que acabou se tornando Adam. Joguei o caderno o mais longe que pude, nem fome eu tinha mais.

Tomei banho rapidamente e deitei, George nem se importou em me acordar para o jantar, mas na manhã seguinte ele tinha feito bacon e ovo para mim e um bilhete para que eu comesse.

Na escola ele brotou do meu lado e perguntou porque não almoçava com ele, o olhei sarcasticamente e saí andando. Adam tentou de novo até que eu cedesse e sentasse com ele.

—Eu estava tentando te evitar, mas essa sua raiva por mim só me deixou mais curioso a seu respeito. – Disse me encarando e eu tive que me controlar para que meu queixo no batesse na mesa, mas não consegui impedir um “O quê?!” saísse da minha boca. – Eu falei que não quero mais ficar longe de você.

—Mas quem disse que eu quero que você fique perto de mim? – Perguntei erguendo uma sobrancelha. Ele riu e perguntou por que eu ainda estava sentada com ele. – Porque você é insistente para caralho.

Ele gargalhou alto e vi alguns olhares curiosos para a cena, Adam gargalhando abertamente e eu com os braços cruzados e o olhar irritado. E foi naquele momento que eu desisti de ficar irritada e passei e ver essa aproximação dele como um incentivo para as perguntas não respondidas.

—Você vai começar a me responder? – Perguntei sorrindo de lado e ele rapidamente fechou a cara e disse que não. Continuou a me olhar como se tentasse entender o que se passava na minha mente.

—Eu não consigo te entender... – Murmurou e eu gargalhei, imaginei se ele estivesse na minha situação. Levantei abruptamente da mesa e o deixei com uma expressão curiosa, mas eu não ligava a mínima, honestamente, eu estava cansada de jogar aquele joguinho onde só ele ditava as regras.

Ele não apareceu para a aula de laboratório e eu agradeci; Sra. Keegan anunciou que deveríamos colocar um pouquinho do nosso sangue em lâminas para descobrirmos o nosso tipo sanguíneo, já que haveria uma doação em Forks no dia seguinte. Avisei para ela que já sabia meu tipo sanguíneo e ela podia confirmar com o George, não tinha paciência nenhuma para ficar em uma laboratório cheio de gente reclamando ou desmaiando por um pouquinho de sangue.

Sra. Keegan me liberou e eu fiquei andando sem rumo até achar um cantinho que eu pudesse sentar e desenhar em paz. Foi só começar o projeto que eu senti um movimento conhecido do meu lado.

—É feio matar aula sabia? – Perguntei e recebi a tão conhecida risadinha de Adam nas minhas costas. – Não gosta de sangue?

Percebi que ele enrijeceu e não respondeu, olhei para o chão tentando não dar um soco em alguma coisa.

—Vamos fazer um trato? – Perguntei e ele me olhou com curiosidade. – Eu já vi que não está dando certo esse negócio de você não me responder e eu detesto quando você fica perguntando coisas da minha vida, então, por que a gente não conversa sobre coisas diferentes para que eu não fique com vontade de socar a sua cara a cada cinco minutos?

Vi que ele sorriu silenciosamente e sentou do meu lado, perguntou sobre o que eu queria conversar. Só pedi para ele não ficar de “Small Talk” e ele riu, mas concordou.

—Você acredita em Deus? – Perguntou olhando para o meu caderno de desenhos, tentando espiar o que eu desenhava, fechei o mesmo e respondi que não. Não acreditava em Deus. – Por quê?

—Não acho que exista algo vivendo lá em cima que tenha criado tudo, e, se Ele, existisse, não teria feito algo meio “Arca de Noé” antes do mundo ficar tão fodido como ele está agora? – Perguntei e ele respondeu apenas que não acreditava em Deus, mas acreditava em almas. Fiz uma cara de confusão e ele olhou para frente.

—Acho que não necessariamente exista um Deus e um Diabo, mas acredito que humanos tem almas e que isso conta no que vai acontecer depois da morte, sabe? – Respondeu e me olhou com seus olhos dourados. Assenti com cabeça e ficamos um tempo em silêncio, que só foi quebrado com o som do sinal. Adam se levantou e saiu sem dizer uma só palavra e eu não consegui deixar de sentir que eu havia conhecido alguém que me entendia, por mais estranho que fosse o nosso entendimento.

Antes que eu pudesse entrar no jipe Evan me parou e perguntou se eu realmente iria na praia no sábado e eu confirmei, avisou para nos encontrarmos na loja do pai dele e eu sorri. Entrei rapidamente no jipe e olhei para o carro de Adam do outro lado do estacionamento, ele me olhava e eu sorri involuntariamente, só para, depois, fechar a cara e pisar no acelerador com a maior força possível.