Red
1 Capítulo 1 — You look so good in Red

Touching him was like realizing all you ever wanted
Was right there in front of you
Memorizing him was as easy as knowing all the words
To your old favorite song
— Red, Taylor Swift
Tocá-lo foi como perceber que tudo que quis
Esteve sempre bem à minha frente
Memorizá-lo foi tão fácil quando decorar as palavras
De sua música favorita
— Red, Taylor Swift
Aquele dia, em especial, estava frio. Mais frio do que eu me lembrava de que podia fazer naquela parte do país. As pessoas estavam cobertas por camadas de roupas, os lábios tremiam e os olhos eram fixos no chão. O vento soprava sem piedade, em uma temperatura baixíssima.
Adentrei o bar no fim da rua, um lugar quente e abafado, contrapondo-se ao lado de fora. Estava quase vazio, com exceção do barman e um homem no centro do balcão. Olhei em volta, buscando alguma memória do estabelecimento, apenas confirmando que nunca estive ali antes.
— Uma cerveja, por favor — pedi. — A mais forte que você tiver.
— Você não deveria beber assim — o homem manifestou-se.
— Eu já tenho 21 — respondi no automático, sem olhá-lo. Minha bebida chegou e bebi o máximo que pude de uma vez só, o líquido queimou minha garganta e tossi duas vezes.
— Dia difícil? — ele voltou a dizer. Dessa vez, tirei dois segundos para observá-lo. O cabelo, que ia até um pouco abaixo das orelhas, era tão negro quanto os olhos. Os lábios finos eram emoldurados por uma barba cheia.
— Ano difícil — disse simplesmente.
Observei mais atenta o lugar; um balcão grande de madeira no meio, com uns seis bancos. Algumas mesas eram dispostas pelos cantos. Não era um espaço muito grande, no entanto fora bem aproveitado.
Na parede, estavam algumas fotos de pessoas famosas juntamente com seus autógrafos, em meio a pôsteres de cervejas e outras bebidas, como uísque e tequila. O típico bar que visitava com meu pai quando criança, exatamente os que eu abominei durante toda minha infância. E era justamente o que eu fui para espairecer.
— Meus pais moraram, literalmente, no inferno americano por um ano inteiro — voltei a dizer.
— Rússia?
— Não. Um lugar muito pior que a Rússia.
— O que, na Terra, poderia ser pior para um americano do que a Rússia?
— O Canadá — respondi diretamente, não disposta a mais conversa.
Pedi a conta, mesmo sabendo o preço de uma cerveja só. Procurei algumas notas na bolsa, não encontrando nada além de poucas moedas. Praguejei, já desistindo, quando uma nota de cinco dólares foi estendida para mim.
O homem ao meu lado sorria com o dinheiro em mãos. Recusei de prontidão. Eu não o conhecia, e aceitar aquilo seria loucura.
— Sou canadense — ele disse.
— Perdoe-me, mas seu país é um inferno.
O barman pegou o dinheiro e deu minha conta como fechada. Revirei os olhos, acenando com a cabeça, indo embora. O frio do lado de fora parecia menor graças à minha própria temperatura. De fato, aquela cerveja era muito boa, uma só garrafa foi o suficiente para me aquecer.
Ouvi passos atrás de mim, mas recusei meu impulso de ver quem era. Deveria ser alguém fazendo seu caminho, assim como eu fazia o meu. Mas, pela mais pura curiosidade, acabei olhando e, quando fiz isso, desejei não tê-lo feito.
— Já me desculpei, senhor canadense.
Ele se aproximou de mim e recuei até minhas costas colidirem com uma parede. Nós estávamos perto o suficiente para que eu pudesse ver a leve tonalidade acastanhada em seus olhos e sua respiração encontrava a minha.
— Mas não me agradeceu pela cerveja.
— Muito obriga...
Sua boca tomou a minha no meio da frase. Retribuí de imediato, levando as mãos à sua nuca. Fiquei na ponta dos pés para alcançá-lo, inutilmente, sua altura era bem superior à minha. Senti minhas pernas sendo suspensas por ele, circundando sua cintura, colocando nossos rostos ao mesmo nível. Suas mãos prenderam as minhas acima de minha cabeça, deixando-me totalmente à sua mercê.
Trilhei beijos por seu maxilar e queixo, por cima da barba. Ao contrário do que imaginei, beijar um homem barbado não era ruim, pelo contrário, era ainda mais excitante. Com esforço, soltei minhas mãos, levando-as para baixo de sua camisa, arranhando suas costas levemente. As suas, em resposta, apertaram-me na altura dos seios e na cintura. Beijou toda a extensão entre meu pescoço e colo com força, o que provavelmente deixaria marca.
— Não me deixe marcada, canadense — protestei de imediato.
— Você fez por merecer.
Sorri como resposta, forçando meu quadril para baixo, alcançando o chão. Arrumei minhas roupas e peguei minha bolsa, que caíra em algum momento no último minuto.
— Eu preciso ir. Tchau — disse, voltando ao meu caminho.
— Espere! — voltei a olhá-lo. — Jason — disse, apontando a si mesmo.
— Alyson.
¥¥¥
O vestido era provocante demais para mim. Era salmão, com bojo, ressaltando meus seios. Minha irmã insistia que estava bom, e que eu não parecia uma “prostituta de luxo”, como estava referindo a mim mesma.
— Natalie, não vou me vestir assim a noite inteira — insisti com ela.
— Pare de ser careta! Vai se vestir assim, sim. E vai usar isso — respondeu, mostrando-me um sutiã vermelho escuro, com rendas pretas. Neguei veemente, em vão. Natalie sempre fora a mais persuasiva de nós e dificilmente alguém conseguia convencê-la do contrário de que queria. Naquele caso, eu teria que usar o sutiã rendado ou sabe-se lá o que ela poderia fazer.
— Tudo bem, tudo bem. Eu uso, mas ninguém vai ver isso.
— Nunca se sabe se alguém vai ver.
Bufei, em concordância. Naquela noite, teria um jantar para meu pai e seu sócio, que ainda não conhecíamos. Mudamo-nos para o Canadá no ano anterior para que a sociedade fosse feita. Meus pais sempre falaram muito bem do tal sócio, mas omitiram qualquer informação sobre o mesmo. Depois de um ano, finalmente o conheceríamos.
O evento seria em um dos hotéis de maior prestígio da cidade e região, o salão de festas do lugar havia sido fechado para aquela noite. Segundo meu pai, nossa família seria o centro das atenções e uma coisa que eu odiava mais do que o Canadá era ser o centro das atenções. Desde criança, a timidez foi uma parte de mim, uma amiga que morreu aos poucos, mas voltava sem avisar. Assim que chegamos, fomos recebidos com abraços e cumprimentos cheios de polidez, educação e elegância.
Natalie pôs-se de pé ao meu lado, e comentamos sobre cada pessoa aos cochichos. Isso era uma das poucas coisas que fazíamos sem que acabasse em discussão, ou até mesmo tapas. Minha mãe, por diversas vezes, mandou que ficássemos quietas e mantivéssemos a “educação que recebemos em casa”.
— Quietas! O sócio de seu pai está vindo — ela apontou um homem de terno ao longe. — Ele é muito educado, então, por favor, sejam também.
— Ele parece bonito.
— Ele está usando terno. Você tem que concordar comigo, Natalie, ternos são sexy.
— Meninas, conheçam Jason Hanningan, meu sócio — assim que meu pai disse Jason, minha voz falhou.
Meu sorriso desapareceu aos poucos. As poucas chances de esse Jason ser o mesmo com quem fiquei há dois dias em um beco qualquer, eram mínimas. Mas não eram nulas. E, no fim das contas, acabou sendo a mesma pessoa.
Ele pareceu levar o mesmo choque que eu, mas se recompôs incrivelmente rápido, sorrindo para mim e minha irmã, e apertando nossas mãos em um cumprimento simples.
— Onde estão meus modos? — ele perguntou, retoricamente. Em seguida, beijou as duas bochechas de Natalie, fazendo o mesmo comigo. — Porque não me disse que era filha dele? — sussurrou ao meu ouvido, referindo-se ao meu pai.
— Eu tinha como saber? — respondi rapidamente. — Pai, mãe, Natalie, Sr. Hanningan, se me dão licença, vou tomar um pouco de ar.
Caminhei apressada, afastando-me o mais rápido deles, mas dele em especial. Isso só podia ser carma, má sorte, praga ou macumba de alguém que realmente me odiava — minha avó paterna, com certeza. Quando criança, quebrei um vaso de flor em sua casa, e ela jurou que iria revidar. E revidou, quinze anos depois.
O bar estava vazio, totalmente desértico, com exceção do barman. Aproximei-me devagar e o homem me cumprimentou com um sorriso, provavelmente sabendo quem eu era. Sorri em retorno e olhei no cardápio de bebidas o que deveria ser a dose mais forte que tinha ali.
— Uma vodca, por favor — pedi.
— Com uma cerveja, já engasgou. Imagine uma vodca.
— Vodca não, uma tequila — sorri para Jason, como quem diz que é capaz de algo. — Ou melhor, duas. Para ele também.
— É para já, senhorita — o barman respondeu, indo preparar as doses. Não demorou nem quinze segundos para ele voltar com dois copos pequenos, contendo um líquido alaranjado escuro.
Virei o primeiro de uma vez só. Queimou mais do que a cerveja, mas não tossi. Respirei fundo algumas vezes antes de tomar o segundo. Aquilo era, provavelmente, a bebida mais forte que eu já tinha tomado em toda a vida. Mais forte do que a cerveja de dois dias atrás; mais forte que a primeira vodca aos quinze anos na festa de aniversário de uma amiga; e mais forte do que o típico uísque puro canadense.
Jason estava sentado no banco ao meu lado, em silêncio. Seus olhos estavam fixos em mim, e eu gostava da sensação de ser observada. Não dissemos nada por um tempo, até que a ausência de som se tornou insuportável.
— Isso é estranho — ele disse por fim.
— Não vai ser, porque não vai acontecer nada.
— Alyson, querida, você quer tanto quanto eu terminar o que começamos.
— Eu não tenho tanta certeza disso — sorri irônica voltando ao salão.
— Tem sim.
Ele se aproximou de mim, tocando meu lábio inferior com o dedo indicador, depois puxou meu queixo para si, chocando nossas bocas. Eu não pararia dessa vez, por motivo nenhum. Suas mãos puxaram-me para mais perto, e passeavam por toda a lateral do meu corpo, parando ora em minha cintura, ora em minhas coxas, apertando-as.
Separei-nos bruscamente, sem dizer nada, apenas concordei com a cabeça. Ele entendeu o que eu quis dizer com aquilo. Deixei uma nota de valor qualquer no balcão do bar, e voltei ao salão. Minha mesa era longe da de Jason, apesar de ambos estarmos no centro das atenções naquela noite. Mas, mesmo que outras pessoas estivessem entre nós, não deixou de me olhar nem por um segundo.
Ele me olhava como se a qualquer momento pudesse se jogar sobre mim e tornar-me inteiramente sua. Eu não seria capaz de recusar tal ato. Correspondi seu olhar descaradamente, ignorando qualquer outra pessoa que estivesse ao nosso redor, apenas para ver até onde Jason poderia ir. Mordi levemente meu lábio inferior e, apenas para provocá-lo um pouco mais, ajeitei meu vestido de modo a deixar parte do meu sutiã à mostra. Um truque bem antiquado, mas que nunca falhara.
Quando Jason se levantou, senti que poderia me desfazer em mil pedaços. Seus olhos não desgrudaram dos meus nem por um instante. O que para qualquer outra pessoa pareceria apenas mais um de seus vários olhares, para mim significava que o que eu queria estava próximo. Talvez mais próximo do que eu imaginava.
Ele estava perto o suficiente de mim. De dentro do paletó, puxou um pedaço de papel e uma caneta, onde escreveu alguma coisa. Assim que passou por mim, deixou que o bilhete caísse discretamente no chão. Esperei que Jason se afastasse um pouco para finalmente pegar seu recado. A letra, um pouco garranchada, não era impossível de ler.
“Quarto 754, sétimo andar, 10 minutos, invente qualquer coisa e venha.”
— Vou ao banheiro — murmurei e saí. Não era difícil ter acesso aos quartos do hotel, não naquele dia. O elevador parecia mais devagar do que nunca, mas assim que chegou ao andar que eu queria, respirei fundo e procurei pelo número 754.
Bati à porta duas vezes, quando um Jason sem camisa a abriu. Resfoleguei ao vê-lo daquele jeito, mas antes que eu pudesse responder, minha boca fora tomada pela dele. Seus movimentos precisos só me davam a opção de tentar acompanhá-lo.
— Nós estamos na porta — disse, separando-me dele —, é melhor entrar.
Jason concordou comigo, puxando-me para dentro e trancando a porta rapidamente. Logo após, seus lábios tomavam conta dos meus, ditando o ritmo dos beijos. Apoiei-me em seus ombros, e senti minhas costelas sendo apertadas por suas mãos. Toda a área entre meu pescoço e colo foi marcada por ele, em chupões fortes e precisos, que provavelmente me deixariam marcada.
Procurei por seu rosto e o trouxe até o meu, encarando seus olhos. Não dissemos nada pelo tempo que pareceu uma eternidade. Beijei desde a ponta de seu nariz, até seu queixo, passando por sua barba consideravelmente cheia.
— Não te incomoda?
— De jeito nenhum. Homem de barba é tão... Sexy! — respondi no tom mais sensual que pude.
Jason levou as mãos até minhas coxas, apertando-as com força, fazendo-me gemer. Colocou-as em volta de sua cintura e caminhou até uma das paredes, prensando-me ali. Seu peito nu arfava forte contra o meu, apertando meus seios.
Envolvi seu rosto com as mãos e o beijei com urgência, procurando pelo máximo de contato. Arranhei com força parte de seu ombro e de suas costas, fazendo-o grunhir. Jason pressionou-me contra a parede ainda mais, deixando suas mãos livres, que imediatamente foram à barra do vestido que eu usava.
— Apesar de você ficar fodidamente sexy — sussurrou ao meu ouvido —, esse seu vestidinho tem que ir embora.
— Livre-se dele, então.
Jason levantou a peça e, em um movimento rápido, a jogou em um canto qualquer do quarto. O vento frio do lugar fez minha pele se arrepiar, até então não tinha notado a baixa temperatura. Senti seu olhar cair sobre meus seios sob o sutiã vermelho escuro, seus lábios curvaram-se em um sorriso repleto de malícia e só pude retribuir.
— Você fica muito bem de vermelho... Muito mais gostosa.
— Acho que nós dois ficamos melhor sem nada.
Jason riu e tomou-me em mais um beijo urgente, caminhando até a cama. A maneira como ele se movia, mesmo tendo-me no colo, passava a impressão de que eu não era peso nenhum.
Minhas costas colidiram com o colchão macio, tão melhor do que a parede, e relaxei por um segundo. Vi-o se livrar da calça de moletom que usava, revelando sua box cinza, sua excitação era visível, mesmo sob a peça.
Assim que ele deitou-se sobre mim, virei nossos corpos, sentando próximo de sua cueca. Sorri maliciosa quando toquei o cós com a ponta dos dedos. Jason fechou os olhos, inclinando a cabeça para trás. Livrei-me de meu sutiã e deitei sobre ele, comprimindo meus seios contra seu peito.
— Ah... Assim você me acaba comigo — Jason abriu os olhos, me encarando.
— Essa, com certeza, não é a minha intenção.
Distribuí beijos por todo seu rosto, pescoço e peito. Sua pele emanava a excitação que sentia, seus olhos estavam mais negros do que o normal e seus lábios contraídos demonstravam seu incrível autocontrole por me deixar no comando.
Trilhei beijos por seu peitoral, até seu umbigo. Assim que cheguei em sua box novamente, beijei-o por cima do tecido, tirando-o em seguida. Jason gemeu alto quanto toquei seu membro com a ponta dos dedos. Beijei a glande, lambendo toda sua extensão em seguida.
Eu estava me arriscando ao fazer aquilo, as chances de dar tudo errado eram enormes devido à minha experiência zero. Tentei não transparecer meu nervosismo, mas Jason aparentemente percebera.
— Você não precisa fazer se não quiser.
— Eu quero, mas não sei.
— Então, não...
— Mostre-me como é.
Jason pôs suas mãos sobre as minhas, fazendo movimentos para cima e para baixo por toda a extensão de seu membro. Entendi rapidamente e passei a fazer sozinha. Aumentei a velocidade e intensidade aos poucos, sorri ao vê-lo fechar os olhos e jogar a cabeça para trás, novamente, gemendo alto.
Seus gemidos provavelmente eram ouvidos do lado de fora, mas eram abafados pelo som do evento sete andares abaixo.
Parei devagar e voltei a trilhar beijos até seu pescoço. Suguei sua pele com força, na tentativa de marcá-lo. Jason ficou por cima de mim, tomando minha boca para si desesperadamente. Meus lábios doíam e provavelmente estavam inchados.
Jason sugou meu seio esquerdo com força e gemi de dor, contorcendo-me na cama.
— Dói? — perguntou.
Neguei, mentindo, mas não queria que ele parasse por motivo nenhum. Logo voltou ao que estava fazendo. Aos poucos se tornou prazeroso. Nenhuma outra das minhas transas tinha sido tão boa quanto esta estava sendo.
Seu ritmo diminuiu gradativamente até que parou. Jason alcançou um preservativo no criado mudo ao lado da cama, colocando-o habilidosamente. Observei seus movimentos, admirando cada parte de seu corpo, desejando tê-lo em mim cada vez mais.
Sem aviso prévio, nos tornamos um só. Contendo um gemido, mordi seu ombro com força. A princípio nenhum de nós fez nada, ficamos nos encarando por longos segundos. Movimentei meu quadril, buscando o dele. Não demorou até que Jason se movesse também.
O quarto exalava a luxúria, excitação e o desejo que sentíamos naquele momento; regado às gotas de suor que escorriam em nossos rostos; embalado pelos sons dos gemidos, grunhidos e o som de nossos quadris se chocando violentamente.
Eu não queria que aquilo acabasse, poderia durar para sempre. Jason parou por um segundo, o suficiente para eu empurrá-lo para o lado e deitar em seu peito.
— Agora... Eu mando — sussurrei em seu ouvido.
— Faça o que quiser, sou todo seu.
Sorri em acordo e endireitei as costas, apoiando as mãos em suas pernas. Movimentei-me rapidamente para cima e para baixo. Os olhos de Jason estavam fechados, suas mãos estavam atrás da cabeça, seu rosto demonstrava o quão prazeroso aquilo tudo estava sendo.
Fechei os olhos, sentindo que poderia explodir a qualquer segundo. Senti as pernas fraquejarem, a respiração falhar e os batimentos cardíacos se acelerarem, soube que logo atingiria meu máximo.
— Não tão rápido — Jason disse ofegante. Abraçando-me, ele sentou na beirada da cama. — Volte a fazer o que fazia antes.
— Como quiser — beijei-o com voracidade, um beijo urgente, quente, doído. Mordi seu lábio inferior até sentir o gosto ferroso de sangue, recebendo em troca apertos extremamente fortes na cintura que me deixariam ainda mais marcas.
Voltei a me movimentar e não pararia até que meu corpo estivesse desfalecido pelo prazer. Com um pouco de dificuldade, Jason moveu seu quadril contra o meu, trazendo de volta o som do choque entre os dois.
Abracei-o, apoiando o rosto em sua clavícula, e fincando as unhas em suas costas o mais forte que pude. Inalei seu perfume amadeirado já enfraquecido pelo suor, percebendo o quão maravilhoso cada parte de seu ser era.
— Alyson... — ele gemeu ao atingir seu máximo. Não demorei a acompanhá-lo, incapacitada de falar.
Levei a mão até seus cabelos e o trouxe para perto de mim, beijando-o calmamente. Era um beijo suave, sem pressa, sem urgência, sem violência como os anteriores. Forcei meu corpo para frente, fazendo-o deitar novamente.
Eu sabia que deveria voltar ao salão, provavelmente estariam percebendo minha ausência, no entanto não queria deixar aquele momento. Parte de mim achava que, ao sair pela porta, tudo o que aconteceu seria apenas minha imaginação e nada mais.
— Tenho que ir.
— Não quero que você vá.
— Eu não posso ficar, disse que iria ao banheiro há uns vinte minutos. Já devem ter percebido que eu não estou lá.
— Tudo bem, mas contanto que tenha uma segunda vez.
Levantei, pegando minhas roupas, espalhadas pelo quarto. Tentei deixar minha aparência a mais arrumada possível, mas os fios pareciam não colaborar comigo. Jason se sentou, observando cada movimento que eu fazia, seus olhos estavam fixos em mim. E, por mais que eu gostasse de ser observada, seu olhar me pedia algo que eu não poderia fazer — ficar ali.
— Talvez tenha, ou talvez não — respondi, já na porta. — Acho melhor você voltar também, afinal tudo aquilo é para você.
— Daqui a pouco eu vou.
Por mais tentada que eu estivesse em não fazer isso, saí sem me despedir.
Imaginei que todos me olhariam, mas os corredores e o elevador estavam surpreendentemente vazios. O silêncio era incômodo, justo naquela parte do hotel onde o barulho era algo cotidiano. Voltei ao salão e minha ausência de fato parecia não estar sendo notada.
Sentei em meu lugar, esperando que fizessem uma bateria de perguntas do tipo “Onde você estava?” “O que estava fazendo?” “Porque demorou tanto?”.
— Onde é que você estava? — minha irmã, por fim, perguntou.
Por mais que eu estivesse esperando por isso, não tinha formulado nenhuma resposta plausível. Tudo que fiz foi dar de ombros e dizer a primeira coisa que tinha em mente:
— No bar.
— Esse tempo todo?
— Uma ou duas cervejas não fazem mal a ninguém, não é mesmo, Natalie? — ela revirou os olhos e não respondeu mais nada.
Em uma das entradas laterais, Jason reapareceu com seu terno impecável, como se nunca tivesse sido tirado de seu corpo. Ele caminhou até minha mesa, conversou qualquer coisa sobre negócios com meus pais, até se dirigir a mim e minha irmã.
— Natalie, Alyson, foi um prazer conhecê-las — inclinou-se sobre minha irmã, cumprimentando-a. — Mais prazeroso ainda com você — sussurrou ao meu ouvido, afastando-se em seguida.
— Digo o mesmo — respondi.
Ninguém pareceu perceber qualquer sentido a mais no que dissemos. Observei Jason se afastar, até sumir por completo em meio às outras pessoas. Não tive certeza se ele também estava me observando de algum lugar, eu sabia que seria arriscado trocar olhares, mas parte de mim queria ter cada movimento sob seu olhar atento.
Repassei cada segundo que tivemos juntos na memória incontáveis vezes naquela noite. Cada toque, cada beijo, cada uma das poucas palavras ditas estavam vívidos e provavelmente ficariam por muito tempo.
A noite acabou sem muitas surpresas, mas de qualquer maneira o melhor que poderia ter acontecido, aconteceu. Daquele momento em diante, eu só esperava encontrá-lo novamente. Em qualquer lugar. Em qualquer circunstância.
Notas finais
Se odiaram, comentem!
Se amaram, comentem!
Fale com o autor